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Terça, 24 Janeiro 2012 00:27

Orquestra do Movimento Pró-Criança toca na abertura de salão do Espaço Cultural Maria Helena Marinho

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1282784716961_fInauguração contará com apresentação aberta ao público da Orquestra do Movimento Pró-Criança

O Espaço Cultural Maria Helena Marinho/Movimento Pró-Criança, no Recife Antigo, inaugura nesta terça (24), às 10h, a Sala de Música Sebastião Barreto Campello, com 70 lugares e equipamento completo de áudio e vídeo. A festa contará com a apresentação da Orquestra do Movimento Pró-Criança e será aberta ao público. No show a Orquestra fará uma retrospectiva de sua história. “Quando começamos a apostar na formação em música erudita tudo era mais difícil, os instrumentos são caros e no princípio eram apenas quatro violinos. A apresentação vai mostrar o percurso. As primeiras músicas executadas serão entoadas pelos violinos apenas. Depois entrou o violoncelo e então no show o maestro Crisóstomo Santos preparou algumas músicas com a formação violinos e violoncelo. Hoje temos uma orquestra completa e assim vai terminar também o show desta terça”, explica a gestora do Espaço Cultural, Rosa Campello.

A homenagem ao presidente do Movimento Pró-Criança, Sebastião Barreto Campello, que teve a sala de música batizada com o seu nome, é uma surpresa preparada pela equipe. A sala de música foi toda preparada com o apoio e patrocínio total do empresário Anchieta Macena, da BPM Serviços.

A Orquestra do Movimento Pró-Criança, aliás, começa a ganhar o mundo. Em 2011 eles receberam um convite para se apresentar na França este ano. “O pessoal de um festival em Toulouse entrou em contato, encantados com a mistura entre o erudito e o popular e a qualidade musical dos meninos. Hospedagem e alimentação estão garantidas lá. É um grande presente. Agora precisamos conseguir as passagens e já estamos na batalha em busca de apoio para realizar esse grande sonho”, diz Rosa Campello.

A Orquestra do Movimento Pró-Criança hoje está completa, depois dos novos instrumentos recebidos no último mês de abril de um grupo de estudantes holandeses alunos do saxofonista Fred Berkemeier, que também ficou sensibilizado com o trabalho em uma visita que fez ao Recife para apresentações por aqui. O grupo, que também acaba de gravar o primeiro CD e DVD (e espera patrocínio para a prensagem), foi criado a partir do esforço do maestro Crisóstomo Santos e do professor Márcio Pereira.

“Antes havia aulas de piano e violino, mas não tinha uma orquestra. As aulas de violino começaram a ficar complicadas e a direção estava pensando em parar. Então tivemos a ideia de formar a orquestra”, explica Márcio. Dos treze integrantes do começo, passou para 23, sendo 19 de cordas e quatro de percussão. “Eram quatro violinos, depois veio viola, violoncelo, novos violinos e agora tem até contrabaixo. A orquestra de cordas estava completa, mas faltavam ainda outros instrumentos de percussão para termos uma orquestra inteira. Com a iniciativa de Fred Berkemeier, só temos o que celebrar. A qualidade musical está cada vez mais impressionante”, comemora Crisóstomo.

Histórias emocionantes de jovens que vão mudando a vida se misturam com os passos da Orquestra Pró-Criança. A de Bernardo José, que mora com a mãe, o pai e sua irmã em Brasília Teimosa, é uma delas. Em janeiro de 2011 foi convidado pela Associação de Moreno e começou a dar aulas de violino para crianças da cidade todos os sábados pela manhã. Com o salário, está ajudando sua família, já comprou um computador e colocou internet em casa. Além das aulas em Moreno e das apresentações com o grupo do Pró-Criança, Bernardo formou um quarteto com três amigos e estão tocando em festas, casamentos e eventos. “Depois que a música entrou na minha vida, todo dia eu penso nela”, diz.

“Meu objetivo é dar aula, ser músico e continuar vivendo da música. Nunca mais eu deixo. A música representa para mim uma forma de esperança, um sonho possível”, emociona-se Fábio Eduardo, que completou 18 anos no dia 2 de fevereiro de 2011 e mora no Coque e no último mês de março, com as economias que tinha e a ajuda do tio, conseguiu comprar seu próprio contrabaixo. No mesmo mês foi aprovado no Conservatório Pernambucano para integrar a Orquestra Jovem. Fábio está dando aulas de musicalização infantil na escola municipal Novo Mangue. “Meu sonho é viajar o mundo fazendo música”, declara.

De alguma forma, o mundo ouviu os instrumentos desses meninos e se eles ainda não ganharam uma viagem para outro país para mostrar sua música, pelo menos o convite está feito. Agora é conseguir apoio para as passagens.

Tem ainda muitas outras histórias emocionantes para se contar dentro da orquestra. Como a de Estefanny Patrycia e de Moab da Silva Oris. Em comum ambos têm uma história de lutas por serem filhos de duas das tantas famílias pobres que vivem em Pernambuco. Ela mora no Alto da Bondade e ele na comunidade do Pilar. Mas tem mais, os dois, em momentos diferentes de suas vidas, se apaixonaram por um instrumento musical, o mesmo, o violino, e no ano passado comemoraram juntos uma grande conquista, Estefanny e Moab conseguiram comprar os próprios violinos no final de maio de 2010 e o sonho de se tornarem músicos ganhou mais força e tons novos, de início de realidade.

"Ter o seu instrumento para estudar quando se sente vontade faz a maior diferença no aprendizado”, diz o maestro Crisóstomo Santos, clarinetista da Banda Sinfônica do Recife e do grupo instrumental SaGRAMA e que coordena a Escola de Música de Afogados da Ingazeira e dirige a Orquestra Movimento Pró-Criança. “Quando comecei a tocar, meu pai era tecelão e não podia comprar um clarinete para mim. Foi o meu tio que me deu de presente um velhinho um dia e isso foi muito importante na minha formação”, completa.

Com um jeito tímido, mas acompanhado de um sorriso e de uma força que transborda pelos olhos quando começa a contar a sua história musical, Estefanny diz que viu a sua prima tocando violino uma vez e desde esse encontro nunca mais deixou de sonhar com o instrumento. Procurou o Movimento Pró-Criança já com o intuito de iniciar os estudos musicais, há pouco mais de quatro anos, e como na época a instituição só dispunha de quatro vagas para o curso de violino, que já estavam preenchidas, Estefanny teria que começar aprendendo piano. “Eu fiquei triste, chorei, mas comecei a estudar. Aí soube que tinha saído um dos alunos do violino e não deixei passar a oportunidade”, conta. A prima de Estefanny, Natalie, que morava no Alto do Céu, também começou a tocar em projetos sociais, hoje segue na carreira musical e está morando na Bahia.

Coincidências do destino, Natalie saiu do mesmo projeto social do atual professor de violino de Estefanny, Márcio Pereira. “Eu vejo os meninos da Orquestra do Pró-Criança com potencial e uma vontade imensa e isso é muito bom e estimulante para um professor. A música pode sim mudar a vida de alguém. Mudou a minha, a de Crisóstomo e vai mudando a dos meninos”. Ele conta que começou a estudar com 12 anos e durante seis anos usou um instrumento emprestado. “Estava com 21 anos quando comprei o meu primeiro violino. Os meninos ainda são jovens e já com uma força de vontade tão grande. É muito bonito de se ver”.

Moab da Silva Oris trabalha desde cedo na lanchonete do pai, Ely Oris dos Santos, em frente à Prefeitura do Recife. Ele ajuda o pai das 5h da manhã até 7h. Sai de lá, vai para o Pró-Criança para sua aula de música. Sai de lá, toma banho, almoça e vai para o colégio, onde cursa o primeiro ano do Ensino Médio. Às 18h volta para a lanchonete para ajudar o pai e às 20h volta para casa. “Agora, quando chego em casa, ainda consigo estudar uma hora toda noite, graças à conquista do meu próprio violino. Aos sábados e domingos, estudo umas cinco horas”, diz. “Antes de comprar o meu instrumento, às vezes eu deixava de lanchar no Pró-Criança para aproveitar aquela horinha e poder estudar”. Moab diz que está seguindo seu caminho e quer se tornar músico profissional. Estefanny diz que vai fazer faculdade de Música e Medicina.

Última modificação em Terça, 24 Janeiro 2012 00:46

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