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Terça, 25 Setembro 2012 15:24

Trabalho e arte do alemão Georg Marcgrave é mostra do Museu Louis Jacques Brunet

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Exposição apresenta peculiaridades e a importância da atuação deste contemporâneo de Eckhout e Franz Post na programação da 6ª Primavera dos Museus, de 24 a 30 de setembro

Um dos grandes papéis atribuídos à Maurício de Nassau é o de mecenas das artes e da ciência no Novo Mundo já que ao longo de sua estada no Brasil foram incentivados e realizados estudos em diversas áreas do conhecimento, tais como a zoologia, a botânica, a etnologia, a cartografia e a astronomia. Este príncipe colonizador humanista, como é considerado, foi responsável pela geração para o conhecimento histórico, científico e artístico da época com a vinda de jovens artistas e estudiosos como Frans Post, Albert Eckhout, Guilherme Piso e Georg Marcgrave, todos com idades que variavam de 25 a 27 anos.    

O trabalho na área da astronomia e cartografia de um desses importantes expoentes do século XVII é tema de exposição do Museu Louis Jacques Brunet, durante a 6ª Primavera dos Museus, que acontece de 24 a 30 de setembro: “Georg Marcgrave: O cientista natural da comitiva de Nassau”, sobre o trabalho e estudos do estudioso alemão que integrou a comitiva holandesa de Nassau. Ele era um destes cientistas multidisciplinares que encontrou no Brasil um campo ilimitado para sua pesquisa, tanto na área de cartografia quanto na de astronomia, em que é considerado o pai da astronomia na América do Sul e responsável pelo primeiro Observatório da Era Moderna no Novo Mundo.

 Se fosse vivo, o cientista natural alemão Georg Margrave teria 402 anos e estaria se vangloriando com os feitos da sua contribuição para a história e para o conhecimento científico. Integrante ativo da comitiva do alemão Maurício de Nassau, este cientista natural alemão carrega em seu nome um grande legado. Quando chegou ao Nordeste brasileiro naquele período, o estudioso alemão não imaginava a repercussão do seu trabalho na comitiva para Pernambuco e para a história da ciência natural no mundo.

Sua estadia no Recife, na primeira metade do Século XVII, gerou um minucioso trabalho cartográfico sobre o Brasil, que merece hoje destaque pelo amplo registro da nossa geografia em publicações raras, como o livro de Gaspar Barléu (Rerum per Octenium in Brasiliae), publicação de 1647. No campo da astronomia, foi o responsável pelo primeiro observatório astronômico no hemisfério sul do planeta, onde pôde desenvolver a observação e o relato de diversos eclipses no Recife e realizar, a partir desses dados, o cálculo da distância entre a Europa e a América.

Os destaques deste minucioso registro, que deixou um grande legado na área de cartografia e astronomia, podem ser conferidos na mostra do museu, sediado no EREM Ginásio Pernambucano, à Rua da Aurora, que traz referências da sua vida pessoal e da sua atuação profissional entre as personalidades das ciências, ressaltando sua importância para o desenvolvimento das ciências naturais, seus trabalhos e suas contribuições para a sociedade e para a o campo científico. A visitação está aberta ao público de segunda a sexta, das 8h às 12h, na sede do Museu Louis Jacques Brunet, nas instalações da Escola de Referência de Ensino Médio Ginásio Pernambucano, mediante agendamento prévio.    

Marcgrave: o grande cientista - Georg Marcgrave nasceu em Liebstad, na Alemanha (1610), e estudou matemática, astronomia, medicina e botânica em diversas universidades. Em meados de 1630, integrou a expedição científica e militar de Maurício de Nassau, como ajudante do médico Willem Piso, chegando chega a Recife, em 1638, onde permaneceu até 1643. Morreu prematuramente aos 34 anos, em 1648, em Luanda, e deixou inacabada a obra Proginástica Matemática Americana, voltada a astronomia.

Contemporâneo de Albert Eckhout e de Franz Post, Marcgrave foi pintor, cartógrafo, aquarelista, astrônomo, naturalista e desenhista. Nasceu em Liebstad (1610) e estudou matemática, astronomia, medicina e botânica nas universidades de Leipzig e Estrasburgo, na Alemanha; de Basiléia, na Suíça; e de Leyden, na Holanda. Em 1638, Marcgrave se mudou para Recife onde integrou a expedição científica e militar de Nassau. Na cidade, permaneceu dedicando à atividade científica, até 1643, realizando um dos mais ricos trabalhos de descrição e classificação de plantas, animais, habitantes e idiomas brasileiros, além de amplo estudo das estrelas do hemisfério sul.

Por isto, recebeu a incumbência de construir o primeiro observatório astronômico das Américas para acompanhar o eclipse de 1640 na colônia de Pernambuco. Mas, o conjunto de sua obra ainda envolve diversas aquarelas (publicadas Historia Naturalis Brasiliae) e pinturas para o livro Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae com Eckhout, Wagener e Schmalkalden, cartas e mapas da região nordestina sob o curto domínio holandês no século XVII: a carta Brasilia qua parte paret Belgis (1647) e Rerum per octennium in Brasilia et alibi nuper gestarum, sub praefectura Illustrissimi Comitis I Mauritti, Nassoviae (1647).

Neste período em que esteve com a comitiva holandesa, Marcgrave empreendeu diversas excurções de coleta e pesquisa de material vegetal, mas, infelizmente, hoje ainda são poucos os regitros mantidos sobre esse amplo trabalho realizado pelo estudioso, que muito se perdeu com o passar do tempo, como era costume da época.

6ª Primavera dos Museus – Com o tema “A Função Social dos Museus”, a iniciativa deste ano possibilitará o acesso ao público, entre os dias 24 a 30 próximos, a mais de 2.400 eventos que serão realizados em cerca de 800 museus espalhados por 364 municípios em todo o país. Coordenado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura), o Primavera dos Museus chega a sua 6ª edição conta com exposições, debates, seminários, espetáculos, oficinas, entre outras atividades. Realizada todo o ano, a proposta do projeto é sensibilizar as instituições museais e a comunidade para o debate sobre temas da atualidade.

Nos anos anteriores, a Primavera dos Museus ofereceu mais de três mil ações organizadas por museus e instituições culturais de todo o país. E este ano, como não poderia deixar de ser diferente, pretende-se repetir o sucesso das edições anteriores (cujos temas giraram em torno de Meio Ambiente, Memória e Vida; Museus e o Diálogo Intercultural; Museus e Direitos Humanos e Museus e Redes Sociais), com atividades oferecidas por várias instituições culturais e museus, de todo o Brasil.    

Sobre o Museu - O Museu Louis Jacques Brunet existe há mais de 100 anos e fica localizado no Ginásio Pernambucano, que é uma escola de referência em Educação Integral no Estado. Ele é o primeiro Museu de Ciências Naturais de Pernambuco e do Norte/Nordeste e surgiu da iniciativa do cientista Louis Jacques Brunet (naturalista francês que veio ao Recife em 1852 para estudar a fauna e flora americana), o regedor do Ginásio (chamado de Ginásio Provincial naquela época), pelo governo imperial de D. Pedro II e o Governador da Província José Alexandre Barbosa Lima.

Hoje, o Museu Louis Jacques Brunet mantém um dos maiores acervos de história natural do Estado, decorrentes dos estudos do seu grande entusiasta com mais de cinco mil peças na área de botânica, geologia e zoologia - com animais preservados sobre a técnica da taxidermia (empalhamento).  Conta com o apoio do Instituto de Co-responsabilidade pela Educação e o Governo do Estado e do Consulado Geral da República da Alemanha no Recife e ainda mantém parceria com outras organizações e instituições como a SBPC/PE (Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), o Espaço Ciência, UFRPE e a CPqAM/ Fiocruz Pernambuco.    

SERVIÇO:

Exposição “Georg Marcgraf: O cientista natural da comitiva de Nassau”/ Mostra da 6ª Primavera dos Museus

Museu Louis Jacques Brunet/ EREM Ginásio Pernambucano

Quando: De 24 a 30 de setembro

Dias: Segunda à sexta

Horário: Das 8h às 12h, mediante agendamento

Informações e agendamento: (81) 3181-4782 e (81) 3181-4777.

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