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Quinta, 21 Fevereiro 2013 16:58

O bebê abandonado, minha amiga e eu

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Foto: Guga Matos/JC Imagem

 

*Por Taíza Brito

Escrevo sob a emoção advinda de três circunstâncias: a notícia do abandono de um bebê embaixo de um viaduto no Recife, o depoimento de uma grande amiga que ao nascer foi abandonada de maneira semelhante e o fato de eu ter dado à luz recentemente.

O bebê abandonado – O recém-nascido, do sexo masculino, foi encontrado por um morador da Ilha do Joaneiro na noite de quarta-feira (20), às 20h, embaixo do viaduto localizado no bairro do Espinheiro.  A criança vestia uma roupa branca e o cordão umbilical estava amarrado com um pedaço de tecido. Chorando bastante, foi levado ao Posto de Policiamento Ostensivo (PPO) e de lá encaminhado pelos policiais militares ao Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), onde recebeu cuidados e passa bem.

A notícia choca, dá um nó na garganta e faz pensar o que leva uma mãe a cometer um ato desta natureza. As respostas podem ser muitas. Desde simplesmente rejeitar a criança ou realmente não ter condições de criá-la, seja por carência emocional, financeira, social ou tudo junto. Talvez nem saiba que já há instrumentos que permitem entregar à Vara da Infância, de maneira legal, o filho que a mãe alega não poder criar.

A minha amiga – Foi abandonada ao nascer, em junho de 1967, em Garanhuns, como relatou hoje no Facebook, ao saber do ocorrido com o bebê. Não tem vergonha disso. Pois encontrou no lar que a acolheu muito amor e o teto que lhe deu condições de caminhar pela vida de cabeça erguida sem se lamentar ou se fazer de coitadinha.

Hoje, jornalista de fibra, trabalha com afinco, tem muitos amigos e distribui afeto a quem tem o prazer de compartilhar de sua existência. Sabe, mais do que muitos de nós, que esta criança abandonada pode ter um futuro digno. E que o tenha.

Eu – Tendo como rotina nos últimos quatro meses cuidar do meu terceiro filho, que nasceu em outubro passado. Fiquei bastante impactada com a notícia. Primeiro com a situação do bebê. Deixado em um lugar ermo, frio, sujo, exposto a perigos que poderiam tê-lo vitimado. Depois, pensei na mãe, que cometeu um crime aterrador pelo fato de abandonar um recém-nascido. Mas que ao mesmo tempo pode estar vivenciando muita dor.

Finalmente, lendo o relato de minha amiga, nas redes sociais, respirei esperança. Por mais cientes de que vivemos em um mundo no qual a violência campeia, acredito que ainda é maior a nossa capacidade de escrever um novo destino desde que tenhamos fé no porvir. Ela, que sobreviveu ao abandono, é exemplo de que é possível dar novo rumo à vida. Que hoje sorri esperançosa para este menino salvo e cuidado por estranhos. Que se renova a cada vez que acreditamos na humanidade.

*Com reprodução de foto de Guga Matos, do JC Imagem

Última modificação em Quinta, 21 Fevereiro 2013 17:07

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