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Quarta, 03 Abril 2013 19:28

Sobre um Paroquiano leva a dança de Hermilo Borba Filho a dez cidades

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O espetáculo de dança Sobre um Paroquiano, inspirado no texto Um Paroquiano Inevitável, de Hermilo Borba Filho, cai na estrada e realiza mais uma circulação estadual por dez municípios pernambucanos. O projeto foi aprovado pelo Funcultura 2012. A caminhada começa por Goiana, às 20h, no Cine Teatro Polytheama, nesta sexta (05/04), com entrada gratuita. Além da apresentação, haverá oficina de dança na cidade coordenada pela Compassos Cia. de Danças e debate com o público antes da encenação, tudo de graça.

A montagem conta com os bailarinos Patrícia Costa, Gervásio Braz, Priscilla Figueiroa, Anderson Rafael, Adriana Ayub e Marcela Felipe, além da presença de Ana Carolina na sonoplastia, interagindo com os elementos da cena. A direção é de Raimundo Branco.  

A circulação, projeto incentivado pelo Funcultura, passará ainda este mês por Triunfo, no dia 20 de abril, às 20h, no Cine Teatro Guarany; será encenado dia 21 em Serra Talhada, no Museu do Cangaço, às 19h e no dia 22 de abril em Buíque, no Salão Paroquial, às 19h30. Em todas as cidades a Compassos Cia. de Danças vai oferecer gratuitamente oficinas de dança-teatro, dança contemporânea e frevo e as inscrições já estão abertas.

Em Triunfo as aulas acontecem dias 19 e 20, em turmas distintas, no Cine Teatro Guarany, dias 19 e 20, das 9h às 12h ou 15h às 18h e ainda uma outra turma no dia 19, das 19h às 21h, na Fábrica de Cultura, onde estão sendo realizadas as inscrições. Em Serra Talhada haverá opções de aulas nos períodos da manhã, tarde e noite, nos dias 20 e 21 de abril, no Museu do Cangaço, onde estão sendo realizadas as inscrições. Dias 21 e 22 será a vez das oficinas de Buíque, em parceria com o SESC LER.

A obra do pernambucano Hermilo Borba Filho, sua linguagem amplamente atual e sempre inovadora e seu namoro apaixonado com a poesia da cultura popular vêm impulsionando as pesquisas artísticas da Compassos Cia. de Danças desde antes mesmo de sua fundação, quando o seu criador, Raimundo Branco, se deparou e assombrou-se eternamente com as palavras, personagens e cenários do dramaturgo pernambucano.

A aproximação da Compassos Cia de Danças com a obra de Hermilo Borba Filho se consolidou há pouco mais de cinco anos. Foi em 2007 que o espetáculo estreou, ainda chamado de Um Paroquiano Inevitável, ganhou vida, refez passos, agregou novos artistas e agora renasce em um novo percurso. Uma família, seus compassos e descompassos diante do absurdo da existência. A poesia agreste e sublime entranhada na convivência entre Mãe, Pai e os filhos Poeta, Atleta e Noivo. E a Noiva. E o misterioso Enéas.

Em três almoços, um espetáculo nasce, uma vida se espelha, com seus desatinos e encontros. Corpo e voz no desnudamento de um cotidiano apinhado de encruzilhadas. Dança, teatro, cinema... artes e afetos desenhados sobre a mesa, repleta de gostos e cheiros, de vida e de morte.  

“Mudamos o título pelo entendimento de que o espetáculo mostra aquilo que a companhia entende por Hermilo e sua obra e não uma transposição direta do texto de Borba Filho para a expressão dançada. Nesta versão, com 50 minutos de duração divididos em “três almoços”, o espetáculo acontece com o texto mais presente na boca dos atores-bailarinos e um amadurecimento do elenco”, destaca Raimundo Branco, que assina a direção e coreografia.

Os bailarinos/atores dançam/interpretam os conflitos de uma família pequeno-burguesa. As relações são marcadas por desentendimentos.  

A movimentação é baseada em ações cotidianas e comportamentos habituais dentro de uma casa, como sentar, deitar, andar, arrumar os ambientes, ir ao banheiro, estar num quarto, lavar as mãos e varrer a casa, aliados a técnicas de dança contemporânea e capoeira. Dessas ações aparentemente corriqueiras, varrer a casa ganha uma dimensão especial, pois, além de ser utilizada como um determinante para ações coreográficas, ainda interfere nos corpos dos bailarinos com uma sonoridade que ambienta o espetáculo. 

A preparação e conscientização técnica do elenco estão sob a responsabilidade de Carlos Ferreira (voz e movimento), Luiz Roberto (clássico),  Fábio Costa (capoeira) e Raimundo Branco (Dança).   A concepção e confecção de figurinos são assinadas por Júlia Fontes e Suzi Queiroz, que fizeram um resgate das roupas entre as décadas de 30 e 60, do século passado.

A iluminação, concebida por Eron Villar, traz para a cena a proposta de envelhecer o local, através da sobreposição de cores, como amarelo e verde e, em determinados momentos, é fundamental o jogo criado entre luz e sombras. A trilha sonora é composta em sua maioria por composições utilizadas no cinema e foi selecionada por Raimundo Branco, que também assina a cenografia. Aliás, o cenário está ligado ativamente à escrita e aos desenhos dançados. Em particular a mesa ao redor da qual acontece o desenrolar das relações tem papel fundamental na obra reescrita.  

“Além da influência da dramaturgia Hermiliana, buscamos referências nos quadrinhos de Neil Gaiman, a partir da “família dos sete perpétuos”, constituída pelos personagens Desespero, Delírio, Morte, Destino, Sonho, Desejo e Destruição. Lars Von Trier também foi uma inspiração com os filmes Dogville, e Dançando no Escuro. O cinema e seus bastidores são uma grande referência na pesquisa da realização de um “cinema ao vivo”, como chamamos os espetáculos de dança e teatro criados a partir do estudo da linguagem cinematográfica”, diz Raimundo Branco.

O espetáculo foi criado para um palco ou espaço cênico em arena ou semiarena, por esta razão, todos os ângulos foram coreografados procurando explorar os possíveis focos de uma câmera de cinema. Com a intenção de oferecer ao espectador o direito de escolher o que deseja ver/assistir.   Sobre um Paroquiano é fruto da pesquisa que a companhia vem desenvolvendo ao longo dos últimos seis anos, em torno do que foi nomeado pela Compassos de dança do cotidiano.

Aliada a técnicas de dança contemporânea, à capoeira e ao teatro, a movimentação é resultado das observações de gestos banais e ações aparentemente corriqueiras, como arrumar a casa, lavar as mãos e varrer o assoalho, recheados de memórias familiares, transformando comportamentos habituais em poesia dançada.

 Ao dialogar com a Literatura como um elemento importante para a construção de trabalhos coreográficos, o projeto divulga também a obra de um grande artista pernambucano: Hermilo Borba Filho

Última modificação em Quarta, 03 Abril 2013 19:36

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