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Terça, 28 Outubro 2014 14:32

A transformação da sociedade pede mudança na narrativa

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Da Rede Imagem e Vozes da Esperança


Em 16 de agosto de 2014, 17 profissionais do Imagens e Vozes de Esperança  se encontraram para um chá informal na Aponte Empreendedorismo Socioambiental com o intuito trocar impressões, fortalecer caminhos e desfrutar a presença física de pessoas tão especiais que compartilham um ponto em comum.

 

De Nova York, Judy Rodgers - fundadora do Images and Voices of Hope - enviou uma mensagem especial parabenizando pelo encontro. Compartilhou que esse ano o IVE está se concentrando na chamada “narrativa restaurativa”, uma abordagem de mídia que aborda a capacidade de resistência, recuperação e restauração de um sentido de totalidade em tempos de interrupção. O grupo foi convidado por ela, então, a refletir sobre o tema.

A futurista Rosa Alegria, da empresa de consultoria  Perspektiva e fundadora do  Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP (NEF), explicou que a narrativa restaurativa decorre do jornalismo literário. “Através desse tipo de narrativa expomos narrativas pessoais. O acontecimento é trazido mais para perto da realidade. Conta-se o que está sendo visto. Não se esconde o problema. A solução é exposta. Os jornais nutrem com fonte negativa e não transformadora. A transformação vem da luz e não da sombra. Até a planta nasce da luz. Nós somos seres vivos. Como podemos manter a fé se apenas ficamos na sombra?”

Para Liane Alves, jornalista que escreve para a revista Vida Simples, “a matéria pode fechar com uma pergunta e, dessa forma, provocar uma reflexão”. Isto abre o caminho, diz ela. Para Liane “é preciso falar da sombra, de tudo que nos afeta. Não tem que deixar a coisa debaixo do tapete. No começo, o IVE dava mais enfoque ao positivo dos fatos. Hoje o IVE aprofunda a questão. À medida que a sociedade se transforma as questões ficam mais profundas.”

Esse reencontro do grupo mostrou como a rede Imagens e Vozes de Esperança segue conectada, atenta e vibrando para que a comunicação nos diferentes meios aconteça de forma consciente e responsável. Sentimos um grande desejo do grupo para retomar espaços mais frequentes de diálogos e aprofundar no tema da comunicação restaurativa.

Transmídia

Belise Mofeoli - redatora publicitária, roteirista transmídia e escritora de literatura infantojuvenil - falou para o grupo da mais recente criação do IVE em meio digital: a Rede IVE – Brasil que, através de uma integração de diferentes recursos midiáticos (NING, Facebook, Twitter, e-mail oficial, canal de YouTube) possibilitará a conexão direta e interna entre os membros. As redes sociais unificadas possibilitarão contar histórias utilizando-se da transmídia.

Segundo Henry Jenkins, professor no MIT/EUA no livro Cultura da Convergência, “Uma história transmídia se desdobra através de múltiplas plataformas de mídia, cada qual com um novo texto, fazendo uma contribuição distinta e valiosa para o todo”. Belise explica: “Alegoricamente, costumo dizer que a narrativa transmídia se dá como num livro. Em vez de capítulos, utilizamos plataformas diversas, cada qual com uma parte da mensagem e apenas no final da narrativa, o receptor tem a noção do todo. O modo criativo, instigante e fragmentado é que fará com que as pessoas tornem-se fãs da ideia, causa, marca, produto ou história.”

A fim de mostrar que o recurso se aplica a várias situações, desde que sabiamente aplicado, a roteirista exemplificou com séries, produtos e causas que, utilizando narrativas transmidiáticas, tornaram-se sucesso de público. Gibi, vídeo game, série de TV, app, website, livros, redes sociais, livros... eis algumas possibilidades. Belise propôs ao grupo que o IVE passasse a criar campanhas para ONGs parceiras e causas de motivação comum de forma colaborativa e multidisciplinar.

Diretora Executiva na empresa CPM Research, a Dra. Oriana White – que por muitos anos auxiliou ONGs a desenvolverem suas estratégias de comunicação –, opinou que “com o IVE, a gente quer interferir no conteúdo”. Para ela, “não precisamos criar um case, mas indicar boas fontes porque a mídia alimenta a cultura da coisificação, a cultura competitiva.” O comentário recebeu apoio de diversos membros que viram na nova fase do IVE, a missão não de criar novas campanhas, mas de servir de ponte entre pessoas e iniciativas.

IVE como ponto aglutinador

Leno Silva, diretor da LENOorb, colocou para o grupo sua percepção: “Hoje o ser humano não tem valor. Ele começa a ter valor quando entra no mercado. Este é o ponto principal para enfrentar. O grande desafio é ajudar as pessoas a entender que as histórias delas são legais. É canalizar isso. Fazer com que as pessoas se reconheçam, não importa a conta corrente.”

Para Leno, não precisamos sair do zero, mas localizar iniciativas que tenham algo em comum com o IVE. Fazer, na prática, um mapeamento do ecossistema. O IVE tem que ser o ponto aglutinador dessa proposta. Vamos honrar nossa história! As Boas Novas, Play the Call, TED e Mídia Ninja foram algumas iniciativas lembradas.

Necessidade, interatividade e experiência

Paula Ribas, atriz e jornalista que estudou a Comunicação Não-Violenta, compartilhou o pensamento vanguardista de Marshall Rosenberg, fundador dessa nova teoria: “O que nos une é a necessidade”. Com essa bagagem, Paula falou: “A gente pode ser um grupo, mas o trabalho em rede pode gerar frustração. É preciso criar metas, mas não precisa sair fazendo. Meditar mais sobre essa reconexão.”

“As pessoas querem interatividade e experiência”, acrescenta Liane. Para a jornalista, “não adianta criar narrativas paralelas. Existem as ferramentas, mas como utilizá-las? Precisamos dar um passo atrás e nos perguntarmos isso. Uma grande parte da quebra da mídia é porque as pessoas estão fazendo suas próprias narrativas e não querem comprar o que é produzido pelos veículos.”

Próximos passos

As propostas de continuidade foram:

- realizar, em São Paulo, novo encontro do grupo ainda em 2014;

- organizar diálogo do IVE e capacitação em investigação apreciativa na sede de retiros da Brahma Kumaris em Serra Negra no primeiro semestre de 2015;

- fazer um estudo sobre o que mudou do mundo desde o surgimento do IVE, em 1999;

- fazer o mapeamento das iniciativas alinhadas com o IVE

- nos tornarmos pontes entre pessoas e causas afins.

Também estiveram presente

Rachel Añón, jornalista e sócia da ponteAponte, foi a anfitriã do encontro que também contou com a presença de: Carlos Emediato (coordenador da Peace Global Net) Jane Oliveira (designer e colaboradora da Rede Paz), Márcio Comenale (jornalista, dono da Horus Comunicação Integrada e colaborador da assessoria de comunicação da Brahma Kumaris), Ingrid Schrijnemaekers (profissional de marketing e gestora educacional), Edileuza Soares (editora do Computerworld), Irineu Toledo (jornalista, radialista e criador da Radio Positiva), Maria Fernanda Teixeira da Costa (facilitadora de mudança), Emi Tanaka (consultoria responsabilidade social e anfitriã de espaços conversacionais), Wans Spiess (consultora em comunicação digital, grupo TV1 e Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal – SECOM), Camila de Oliveira (fotógrafa e produtora audiovisual) e Brígida Fries (representante do IVE em São Paulo e colaboradora da assessoria de comunicação da Brahma Kumaris).

Frases na reunião

“O IVE é uma egrégora. Quando estou perdida eu vou para lá”. (Oriana White)

“Os Bahaí’s e a Brahma Kumaris são pilares da Rede Paz. Sempre incluí o IVE nas pautas. Na Conferência Educação do Futuro, realizada em março de 2014 em São Paulo, foi o pessoal do IVE que deu o tom na área da Comunicação”. (Carlos Emediato)

“Não fiz voto de pobreza nem farei. No entanto, estou num estágio de vida em que troco, tranquilamente, o que tem apenas preço pelo que tem, sobretudo, valor.” (Belise Mofeoli)

“Não sou arquiteta, não sou engenheira, mas adoro ponte.” (Rachel Añon)

“Eu parto da simplicidade e isso me aproxima da Brahma Kumaris. A mensagem que chega de manhã tem um efeito milagroso.” (Irineu Toledo)

“O IVE faz parte da minha vida. Não há nada tão transformador. Eu tenho orgulho de fazer parte. O que conserva a gente é a inovação, catalisa a insatisfação. O IVE é um oásis, um oxigênio.” (Rosa Alegria)

“A Investigação Apreciativa busca a essência positiva de uma comunidade. Quando entrávamos nas empresas em busca de soluções as pessoas diziam que éramos loucos. O IVE tem a raiz da Investigação Apreciativa.” (Maria Fernanda Teixeira da Costa)

 

O Imagens e Vozes de Esperança – IVE é um projeto internacional que inspira profissionais de mídia a ter uma visão mais apreciativa e equilibrada dos acontecimentos do mundo. Foi fundado em Nova York, em 1999, como uma iniciativa da Brahma Kumaris World Spiritual Organization, do Center for Advances in Appreciative Inquiry e da Visions of a Better World Foundation. O IVE é promovido globalmente pelo Images & Voices of Hope e no Brasil pela Organização Brahma Kumaris.

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