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Segunda, 01 Março 2010 14:29

E você, o que faria?

Escrito por  Ayrton Maciel
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 duvida13

Por Ayrton Maciel

Certa ocasião, em plena aula de telejornalismo, no curso de Jornalismo da Unicap - pelos anos 80 - nos foi colocado uma questão que mexia muito com o lado humano. Ao mesmo tempo, dimensionava o profissional. Não era uma contradição, era uma oposição. Algo entre ética e profissionalismo, entre o humano e o insensato. O assunto ultrapassou a aula. E passamos a colocar exemplos do que poderiam ser encruzilhadas na vida de um jornalista e ser humano. Um deles me chamou a atenção: caso você estivesse com uma câmera não, realizando uma pauta, e, de repente, se deparasse com um flagrante de iminente tragédia, como: uma mãe e seu filho caem em um rio e correm risco de morte, o que faríamos? Largaríamos a câmera para tentar salvar as pessoas ou continuaríamos a registrar a cena? Naquele instante, como estudante, respondi: "manteria a câmera ligada, muitos iriam tentar salvar a ambos". Era o lado profissional sobressaindo-se. Vinte e cinco anos depois, repenso e mudo: largaria a câmera.

Hoje, tenho consciência de que o Jornalismo não é tudo, e também não é o principal. Perdería o flagrante, as imagens, o furo, mas salvaria duas vidas. A ordem dos valores altera - nessa situação - os fins. Mais valem duas vidas do que um flagrante jornalístico. Relembro essa passagem acadêmica para pensar sobre o Jornalismo que o mundo profissionalizou, e que a tecnologia o tornou online, imediato, ao vivo. Será que devemos largar a câmera para socorrer um soldado que tomba no campo de batalha? Creio que sim. Digo isso ao avaliar o muito que se tem condenado a imprensa moderna no mundo, acusando-a de optar pelo sensacionalismo gratuito e barato, a teatralização dos fatos e das coberturas e a prevalência ou prioridade pela notícia sobre o que é ruim, trágico ou deprimente.

É uma verdade, mas não é uma verdade absoluta. Precisamos abrir mais espaço para notícias sobre coisas boas, mas não podemos, não devemos e não temos como omitir aquilo que nos fere, nos incomoda ou nos escandaliza. O Jornalismo não tem sentimentos. O que temos de pensar é: há mais fatos ruins do que bons no mundo? Pergunta a ser respondida. Notícias sobre coisas ruins são tão jornalísticas quanto as sobre coisas boas, notícias sobre coisas boas são tão jornalísticas quanto as sobre coisas ruins. O que tem de pesar é a dimensão do fato. O critério é este. É elementar.

Então, não condeno a imprensa no mundo. Mas, o que deve pesar como critério de edição é a importância da notícia. Aí, tanto faz ser sobre coisas boas quanto sobre coisas ruins. Enfim, o problema ou a responsabilidade recai sobre o jornalista: será que a maioria pensa que notícia boa é só aquela que aborda fato ruim? Caso sim, é um equívoco. Assim, o que temos é de mudar o conceito, e buscar abrir espaço para as notícias sobre fatos bons. Afinal, é elementar: o que tem de pesar é a importância do fato.

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