Editor

.

Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

    Leia mais ...
Segunda, 08 Março 2010 14:11

Uma rasteira no preconceito

Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)

O repórter de Política do Diario de Pernambuco, Josué Nogueira, trouxe para os leitores do jornal na edição do último domingo (7) as histórias de vida três líderes políticas que valem apena ser conhecidas: Isabel, Judite e Givânia. Exemplos de gente que deu uma rasteira no preconnceito.

Matéria publicada em 07.03.2010 na editoria de Política do Diario de Pernambuco

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, três líderes políticas contam como subverteram as estatísticas do fracasso

Josué Nogueira
Esqueça os prognósticos fatalistas, as sinas cruéis, a vida severina. As personagens que vêm a seguir enxotaram estatísticas, abraçaram a exceção, atropelaram o destino. Para muitos, qual o lugar de uma negra? Senzala, cozinha, tanque, roçado. Favela, área de serviço, elevador, dependência de empregados.

Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Na empresa, esfregão, balde na mão e uniforme para garantir a invisibilidade. No currículo, talvez a 5ª série, dois filhos ainda aos 15. Para as mulheres retratadas aqui, não. Estas inverteram o lugar comum, desrespeitaram a "lógica" da história. São líderes. Representam eleitores, comunidades, a sociedade, enfim.

Isabel, Judite e Givânia tem trajetórias semelhantes. Se apegaram à educação. Encontraram no conhecimento a foice para cortar os "nãos" comuns a trajetórias de meninas negras, de origem pobre e pais analfabetos. Onde chegaram? Isabel, 56 anos, ocupa cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Judite, 52, é prefeita de Lagoa do Carro, na Mata Sul. Givânia, ex-vereadora de Salgueiro, no Sertão Central, é coordenadora de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra em Brasília.

Até se instalarem onde hoje estão, as três fizeram da sala de aula o motor para transformações. Primeiro, como estudantes. Depois, como professoras. O saber lhes permitiu ver um mundo com mais possibilidades e menos empecilhos. Foi porta para a formação, emprego, ascenção. Foi arma para a luta contra preconceitos de gênero, social e racial. Foi, enfim, o intrumento para a conscientização sobre direitos, cidadania e, principalmente, o inconformismo necessário à transformação da realidade.


Foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Batizada em Petrolina, dias depois de ter nascido em Araçatuba (SP), Isabel Cristina de Oliveira é filha de um encarregado de obras e uma dona de casa. "Meu pai é do Sertão, mas foi tangido pela seca para sobreviver em São Paulo. Voltou logo que pôde", explica. A história de sofrimento da bisavó africana, contada ao longo dos anos pela família, ficou "internalizada", segundo relata. "Meu sentimento de buscar justiça e igualdade nasceu daí", frisa.

Foi no Engenho Canadá, terras que hoje pertencem a Carpina, onde Judite Maria de Santana Botafogo da Silva passou os primeiros 18 anos. Alfabetizada por uma professora que se tornaria sua cunhada, conta que enchia as paredes de letras escritas com carvão. "Enfrentei todos os vieses do preconceito. Primeiro por ser de formação agrária, de engenho. Mas também por ser mulher, negra, evangélica e viúva. Enfrentei esse pacote de ações preconceituosas com muito discurso, ensinamento".

Givânia Maria da Silva cresceu em Conceição das Crioulas, comunidade quilombola a 43 Km de Salgueiro. "Quando me entendi por gente me deparei com a realidade do meu povo, da minha comunidade. O que me motivou a entrar no campo político, não necessariamente partidário, foi perceber o quanto éramos discriminados", diz. "Diante do preconceito que ainda existe, para alguém nascida num quilombo, no semi-árido de Pernambuco, estar aqui é muita responsabilidade, mas mostra mudanças no país", completa.
Última modificação em Segunda, 08 Março 2010 14:23

twitter

Apoio..................................................

mercado_etico
ive
logotipo-brahma-kumaris