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Mostrando itens por tag: Mercado Ético

brechoEssa é pra quem gosta de moda e não quer gastar tanto. Se você adorava passear por brechós, mas agora não tem mais tempo, descobrimos a solução para você! O Busca Brechó oferece, além de uma lista de brechós de todo o Brasil, um espaço com as últimas liquidações, busca por peças e outras vantagens. Entre lá e confira!

Reclamações e recomendações

Com o grande número de brechós existentes e o aumento dos brechós virtuais, às vezes é difícil saber quais são realmente bons e confiáveis. Por isso, foi criado o Sindicato dos Brechós. O blog oferece espaço para recomendar, certificar ou denunciar – garantindo direito de resposta sempre que um brechó for denunciado.

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alimentosPor Darana Souza y Danuta Chmielewska, do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo

Abordagens que combinam o acesso a alimentos para os segmentos mais vulneráveis da população com o apoio à produção de gêneros alimentícios por agricultores familiares podem trazer benefícios significativos para o combate à fome e à pobreza. O mercado institucional pode desempenhar um papel importante nestas abordagens, garantindo, por um lado, alimentos para doações, e, por outro, uma oportunidade de mercado para os agricultores que de outra forma teriam dificuldade em estabelecer relações comerciais vantajosas.

As vantagens geradas por estas abordagens podem ser significativas quando as estratégias de aquisição são executadas considerando a produção local e os padrões locais de consumo. O Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA) pode trazer lições importantes a serem debatidas neste contexto. O PAA é uma ação estratégica da política nacional de segurança alimentar do país conhecida como Fome Zero.

O objetivo do Programa é garantir acesso a alimentos para populações que vivem em insegurança alimentar e nutricional, bem como promover a inclusão social nas áreas rurais. Desde sua implantação em 2003 até dezembro de 2008, o governo federal já destinou R$ 2 bilhões para a execução do PAA, resultando na aquisição de cerca de 2 milhões de toneladas de alimentos. Em 2008, um total de cerca de 120 mil agricultores vendiam seus produtos ao PAA, que foram doados para 16,8 milhões de pessoas (CONSEA, 2009). Duas modalidades do Programa – CDLAF e CPR-Doação – facilitam as aquisições por parte do governo para distribuição de diversos produtos agrícolas.

A aquisição dos produtos é feita com dispensa de licitação, garantindo este mercado aos agricultores familiares beneficiários do Programa. As duas modalidades referidas são capazes de fornecer uma ampla gama de alimentos para instituições locais, tais como associações de bairro, creches e hospitais. Ao fazê-lo, as populações locais podem ter acesso gratuito aos alimentos distribuídos.

Um estudo de caso no Nordeste do Brasil mostra que tais modalidades do Programa representam ao mesmo tempo uma oportunidade comercial decisiva para os agricultores familiares, na medida em que apoiam importantes mudanças em suas práticas produtivas e organizacionais, bem como uma estratégia crucial para garantir oferta adequada de alimentos (Chmielewska e Souza, 2010).

O estudo afirma que, para os agricultores familiares, a oportunidade de mercados seguros com preço garantido os encoraja a reinvestir em sua produção e otimizar recursos existentes. Este processo leva a um maior uso de insumos e de mão de obra, à diversificação da produção e a um maior controle de qualidade.

A melhoria da qualidade de produtos pode ser atribuída ao controle imposto pelo Programa e ao compromisso dos agricultores em entregar produtos satisfatórios para os beneficiários locais. As organizações de agricultores também se fortaleceram por meio do PAA, o que pode ser ilustrado pela regularização da sua condição jurídica, pelo aumento do número de membros e pela maior capacidade de gestão de projetos.

O PAA tem ainda facilitado a disponibilidade de uma diversa gama de alimentos que respeitam os hábitos alimentares locais para aqueles que se beneficiam das doações proporcionadas pelo Programa. Além disso, o PAA foi apontado como incentivador da produção e do consumo de alguns alimentos que estavam sendo abandonados, como diferentes variedades de mandioca.

Como qualquer programa deste tamanho e complexidade, os desafios são os mais diversos. O estudo revela que ainda é necessário maior acesso dos agricultores a ações complementares, a exemplo de assistência técnica para o planejamento da produção. Isso é justificado pela capacidade limitada de produzir os tipos de produtos e as quantidades especificadas pelos agricultores nos projetos do PAA. Além disso, intervalos entre os projetos têm causado dificuldades consideráveis para alguns agricultores, afetando sua renda e o fluxo de mercadorias para os beneficiários das doações.

Considerando a exposição acima, concluímos que o mercado institucional pode ser uma ferramenta relevante de apoio à estratégia de produção e acesso a alimentos. A experiência brasileira tem demonstrado o potencial de benefícios para produtores e consumidores, maximizado pela promoção de produtos diversificados que podem ser consumidos localmente. Neste contexto, as relações de compra e distribuição combinadas com programas de apoio fornecem uma oportunidade significativa para melhorar as capacidades de inserção no mercado dos agricultores e para produzir benefícios à comunidade como um todo.

Referências:

Chmielewska, D. and Souza, D. (2010). Offering Market Alternatives for Smallholder Farmers in Food Security Initiatives: Lessons from the Brazilian Food Acquisition Programme, IPC-IG Working Paper, Brasília, IPC-IG.

Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA (2009). Building up the National Policy and System for Food and Nutrition: the Brazilian experience, Brasília, Presidência da República.

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Um outro mundo é possível

Gotas de Chuva para a Educação: Como melhorar o acesso à água nas escolas?

 

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jornalismoDo Mercado Ético

“A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça”. Ruy Barbosa

Mas, poderíamos perguntar: o que acontece com a nação quando seus ‘olhos’, como diria Ruy Barbosa, estão doentes, fragilizados ou mesmo míopes? De qualquer forma, como identificar? Quais os impactos
desta situação para o desenvolvimento da sociedade? Como melhorá-la?

Essas e outras questões estão reunidas no relatório “Jornalismo Investigativo: Questões para um Debate Sul-Sul” que acaba de ser lançado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) do PNUD e o Mercado Ético.

A publicação busca levar ao público uma reflexão sobre os principais questionamentos e recomendações discutidas durante do Seminário Internacional sobre Jornalismo Investigativo: Um diálogo Sul-Sul, que aconteceu em 22 de novembro de 2010, em São Paulo. O evento –  organizado pela Embaixada da Suíça em Brasília, pela Procuradoria Geral da República (PGR), pela Fundação Konrad Adenauer, pelo IPC-IG e pelo Mercado Ético – contou com a presença de jornalistas, especialistas acadêmicos e formadores de opinião da África do Sul, Brasil, Índia, México, Suíça e Qatar; além de representantes das Nações Unidas e da sociedade civil.

Trazendo a perspectiva do Brasil, destacam-se João Paulo Charleaux (O Estado de S. Paulo), Luis Nassif (Agência Dinheiro Vivo), Maurício Hashizume (Repórter Brasil), Luiz Martins (UnB) e Luiza Frischeisen (PGR). O documento também conta com reflexões de Abderrahim Foukara, Chefe do canal árabe Al Jazeera em Washington D.C., e de outras personalidades no campo do jornalismo.

Escrito em dois idiomas, o documento foi dividido em três seções: Informação, Democracia e Desenvolvimento Social; Diferentes Censuras: Política, Fincanceira, Econômica e Geográfica; e Corrupção, Mídia e Mercado. O relatório apresenta ainda questões para uma agenda de colaboração entre os países participantes e as Nações Unidas para o aperfeiçoamento do jornalismo investigativo e sua contribuição para o desenvolvimento.

Leia o relatório completo aqui.

 

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sacola

Por Leticia Freire, do Mercado Ético

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis

Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?

Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.

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Blog_do_JulioDo Blog do Julio, no site do Mercado Ético (www.mercadoetico.terra.com.br)

Você usa microondas em sua casa? Minha família sempre usou muuuito! Até que um dia eu comecei a prestar mais atenção e notei que toda vez que alguém ligava o microondas as luzes da casa piscavam. Aí pesquisei na net e descobri que o microondas é responsável pelo consumo de quase 10% da energia de uma casa. Caramba!!! É muuuuita coisa!

Então falei com a minha mãe, D. Helena cozinheira principal da casa rsrsrs e começamos a mudar algumas atitudes! É possível usar o microondas de maneira mais eficiente e diminuir o consumo de energia.

Confira algumas dicas:
- Programa-se! Se você vai comer algum alimento que está congelado, deixe-o descongelando naturalmente algumas horas antes, na pia ou dentro da geladeira.
- Que tal requentar os alimentos na panela? Alguns minutos a mais, podem significar consumo de energia a menos!
- Prefira os alimentos que vêm fora da caixinha ou da latinha.
Quando for usar o microondas, fique atento!
- Tampe os alimentos, assim o vapor quente exalado é aproveitado, esquentando mais rápido e sem sujar o aparelho.
- Utilize recipientes de cor claras, que refletem o calor ao invés de absorvê-lo.
- Desligue o microondas da tomada quando não estiver usando.
- Se for comprar um microondas novo, informe-se sobre sua eficiência energética.
Se liga e desliga seu microondas!!! Até a próxima !

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Terça, 13 Julho 2010 13:01

Mercado Ético de cara nova

mercado_eticoO site do Mercado Ético (www.mercadoetico.terra.com.br), que apoia o Blog Viva Pernambuco, está de cara nova desde a última segunda-feira (12). Os responsáveis pela mudança de visual foram o designer Fabiano Vidal e a BinWorks, equipe de TI.

Segundo os editores do portal, a atualização do site contará com mais conteúdos publicados durante o decorrer de todo o dia.  Também foi criada uma área especial na homepage, dedicada aos comentários dos internautas. O Mercado Ético também estará presente no Twitter, no Facebook, no Orkut e no Youtube, dando maior interatividade ao conteúdo produzido.

O que é Mercado Ético? – É um elo da rede Ethical Markets, plataforma mundial de comunicação criada pela economista evolucionária Hazel Henderson, para difundir informações, práticas exemplares, estudos, reflexões e debates que inspirem e motivem pessoas a se engajar na construção de sociedades mais justas, equânimes e ambientalmente equilibradas.

Dedica atenção especial aos temas relacionados à sustentabilidade nas relações econômicas, como: ética e responsabilidade social nos negócios; governança e cidadania corporativas; investimento socialmente responsável;

eficiência energética; pesquisa, desenvolvimento e implantação de matrizes energéticas baseadas em fontes limpas e renováveis; contenção da pegada ecológica, redução do desperdício e produção mais limpa; inovação para a sustentabilidade; diversidade, bem-estar e respeito aos direitos humanos nas relações de trabalho; políticas públicas de desenvolvimento local e combate à pobreza economia da atenção; comércio justo e consumo consciente.

Ações - A rede Ethical Markets está presente nos cinco continentes, por meio de ações editoriais como sites de internet, publicações, séries para TV e rádio.

No Brasil, é responsável pelo Portal Mercado Ético, dedicado à veiculação de notícias, reportagens, artigos, programas de WebTV e podcasts sobre temas relacionados ao desenvolvimento sustentável.

Também pelo Mercado Ético, programa de entrevistas conduzido por Christina Carvalho Pinto, exibido todas as terças-feiras, às 23h30 e reprisado em vários horários ao longo da semana pela TV Ideal, da Editora Abril (TVA, canal 70) - veja a programação em www.idealtv.com.br.

E é responsável pelo programa Novos Tempos, programa apresentado por Christina Carvalho Pinto, exibido às segundas, quartas e sextas às 8h20, 13h25 e 21h25, e  às terças, quintas, sábados e domingos às 8h20, 11h20 e 20h20 pela TV Climatempo (Sky, canal 102).

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Blo_do_JulioCom informações de Leticia Freire, do Mercado Ético

O site do Mercado Ético (www.mercadoetico.terra.com.br) ganhou espaço para o Blog do Júlio, que começou a ser veiculado na última quarta-feira, 30 de junho. Segundo o texto de apresentação do Blog, Julio poderia ser apenas mais um garoto de 14 anos, morador da cidade de Campinas, no interior de São Paulo.

Seria só mais um se não fosse vários ao mesmo tempo. Julio é um personagem virtual criado pelos alunos da Escola Municipal André Tosello, da cidade paulista.

Antenado às rápidas transformações econômicas, sociais e ambientais que vem ocorrendo na sua comunidade, o menino dividirá seus pensamentos em seu mais novo blog. Em sua página, lançará um novo olhar sobre a relação entre cidadania e hábitos de consumo.

Na verdade, as histórias das descobertas de hábitos mais sustentáveis e do orçamento familiar relatados por Júlio são baseadas nas experiências vividas pelos próprios estudantes da André Tosello nas oficinas pedagógicas sobre o tema.

Há aproximadamente um ano, a direção da escola localizada no Jardim Aeroporto acreditou no Projeto Conexão Social, do Sindivarejista de Campinas e Região. A ideia era abordar o tema do consumo sustentável de forma lúdica junto aos adolescentes. “Queríamos falar de sustentabilidade de uma forma descomplicada”, comenta Edna Borges, assessora do projeto.

Entre as atividades realizadas, destacam-se as oficinas de orçamento familiar, caminhada fotográfica, visitas ao comércio local e a produção de histórias em quadrinhos.

Para a idealizadora do trabalho, Sanae Murayama Saito, presidente do Sindivarejista de Campinas e região, as atividades elaboradas em sala de aula são aplicadas no cotidiano daquela comunidade, promovendo assim mais integração entre as pessoas.

“Desde a implantação do projeto na escola, é possível constatar mais envolvimento dos jovens nas questões ligadas à sustentabilidade econômica, social e ambiental”, diz ela. “Muitos só aprenderam agora o que significa cadeia produtiva e qual a importância do comércio local como agente de desenvolvimento”, afirma.

Plugado às redes sociais, Julio publicará em seu blog boas sugestões para um dia-a-dia mais sustentável. “Ensinamos que sustentabilidade é uma boa opção, não um bicho papão”, lembra Sanae.

Blog do Julio -  Além dos posts, Julio vai indicar leituras e vídeos relacionados ao tema do consumo sustentável. “Tudo de modo a despertar o interesse da criança e do adolescente para um tema tão atual e necessário”, pontua Edna.

Na página online, será possível ver ainda a exposição virtual com as fotografias e histórias em quadrinhos feitas nas oficinas pelos alunos e ter acesso ao material pedagógico de apoio, que são a revista Conexão Social, o Jogo do Consumo Sustentável e a Caderneta do Orçamento Familiar.

Acesse e confira Blog do Julio

Mais informações do projeto
Conexão Social Sindivarejista
Teaser sobre a memória do varejo
Clip da Oficina do Orçamento Familiar

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Segunda, 14 Junho 2010 20:34

Árvore

caminhodearvores*Por Christina Carvalho Pinto

Era uma casa com poucos esconderijos: um porão (espaço de função imprecisa), alguns armários já ocupados, malas que ficavam sobre os armários, lá no alto, muito longe do alcance das minhas mãos.

Onde esconder a dor, o sangue, os medos e seus fantasmas, se em qualquer canto eu podia ser capturada?

Do outro lado da rua, a casa do vizinho tinha um quintal que se adivinhava através dos galhos da mangueira, aquela onde a molecada da rua comia manga verde com sal e a cada temporada a gente subia no muro mais rápido, voando sobre os tijolos velhos e carcomidos, um bando de pássaros de alpargatas.

Aproveitei a manhã do domingo, enquanto os adultos ouviam a homilia interminável do pároco, e peguei o pacote debaixo da cama.

Atravessei o corredor silencioso, a rua vazia e dei com o muro, de repente tão alto para subir sozinha, sem ninguém para fazer escada, o pacote preso na cintura, por dentro da calça rancheira.

Subi e saltei. Olhei para ela, deusa generosa de tronco forte e braços tantos, e me deitei, nós duas no quintal que era só dela.

O padre falava espanhol, ela não falava nada. Ficamos assim conversando por um longo tempo, sem palavras, eu contando tudo, ela acolhendo. Nenhum distúrbio, nenhum julgamento. Enterrei meus segredos entre duas raízes e nunca voltei para buscar.

O jardim da nossa casa era grande o bastante para caber uma muda de limoeiro. Meu pai me ajudou a abrir um pequeno buraco no chão, cavocando com as mãos, e ali coloquei algumas sementes.

A cada manhã eu espiava o montinho de terra, ansiosa. Um dia olhei e vi aquela pontinha de verde brotando, uma coisica de nada fazendo mágica na frente dos meus olhos, corre Maria Idalina, vem ver o que aconteceu! E assim o limoeiro vinha chegando e se revelando, crescendo, tomando o espaço, nossa, como é que pode uma planta que eu plantei já ficar mais alta do que eu? E o limoeiro ficou mais alto que os meus irmãos, que os jogadores do time de basquete da escola, mais alto que todas as minhas expectativas e começou a dar flores, muitas flores e limões que não parava mais.

Eu apertava as folhinhas novas entre os dedos, cheirava aquele perfume delicioso e pensava: que poder, eu sei fazer árvores, eu sei fazer a vida.

Nascida sob signo de água, com ascendente ar e lua em fogo, tenho falta de terra. Minha relação com ela é carnal, um desejo sem fim de ver, tocar, desvendar, sentir sua magia, saborear seus frutos.

Terra e árvore, mãe e filha: caminho mil léguas por um momento com elas.

Pelos idos de 2004 fiz uma experiência com ayahuasca e, assim como muitos outros, estive à beira da morte. Fui tomada de terrores, desenvolvi síndrome de pânico, via de repente o mundo desmontar ao meu redor, como se a realidade fosse a tela de um monitor e os pixels enlouquecidos despencassem
sem aviso.

De manhã, indo para o trabalho, sentia muitas vezes o flash back rondando, o cenário escapando de mim; e com o terror já presente, parava e buscava com os olhos uma árvore. Quieta. Tronco, galhos, raízes. Eu olhava e olhava, imóvel, até me sentir enraizando no chão, seiva fluindo sem ruído, a vida de novo possível.

No Grupo Full Jazz, a cada 59 minutos entra uma música suave e nesse momento largamos tudo, respiramos, inteiramente donos de nós. Com nada mais entre eu e eu, olho lentamente para as árvores da rua, as folhas balançando com tanta suavidade que dá vontade de usar o verbo balouçar. Não penso; agradeço.

O minuto de silêncio acaba e abro outra vez espaço para os pensamentos. Me vem à mente o termo sustentabilidade. Ele passa por meus circuitos cerebrais sem provocar reação. Vazio como as velhas árvores de troncos ocos, que caem com a primeira chuva.

Fala-se tanto de sustentabilidade e esse falar é tão estéril.

Sustentabilidade é uma não-palavra.

(Mario Quintana escreveu que, diante dos sentimentos, as palavras são como
borboletas mortas espetadas no papel).

Para entender essa não-palavra, visite uma árvore.

Em silêncio, esqueça o tempo - essa outra ilusão - e espere.

A árvore vai te explicar tudo.

*Christina Carvalho Pinto, presidente do Grupo Full Jazz, é também líder da plataforma multimídia Mercado Ético, publicou este artigo em 14/06/10 mo portal Mercado Ético (www.mercadoetico.terra.com.br).

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