Editor

.

Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

    Leia mais ...
Mostrando itens por tag: meio ambiente

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) abriu concurso para selecionar o projeto de criação do troféu Vasconcelos Sobrinho, o qual será entregue em solenidade durante a Semana do Meio Ambiente, em junho próximo. Pode participar qualquer pessoa com habilidade artística, profissional ou amadora, desde que tenha mais de 18 anos e concorra com um projeto inédito e de autoria própria. O valor bruto do prêmio é R$ 15 mil e os concorrentes devem entregar a documentação e o protótipo do troféu no dia 19 de março, das 9h30 às 17h30, na Comissão Permanente de Licitação, na sede da Agência. O resultado será publicado no dia 21 de março no Diário Oficial.

A ficha de inscrição está disponível no portal da Agência (www.cprh.pe.gov.br) e não é preciso pagar nada para participar. As matérias-primas utilizadas poderão ser madeira, vidro, pedra, granito, ferro, aço, tecido, borracha natural, palha, cobre, mármore, entre outros materiais naturais.  A comissão julgadora será composta por cinco membros indicados pela CPRH; Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe); Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A representação do meio ambiente no projeto de criação será o critério avaliatório que valerá mais: cinco pontos. Os demais: criatividade, originalidade, robustez, durabilidade e portabilidade valerá, cada, um ponto. Importante frisar que cada candidato poderá participar com apenas um projeto e que estão impedidos de concorrer servidores e diretores que prestem serviço à CPRH; assim como seus cônjuges e parentes até terceiro grau; pessoa jurídica ou membros da comissão de seleção do concurso.

O Prêmio Vasconcelos Sobrinho completa em 2012, 22 anos de criação e é um reconhecimento do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da CPRH, às pessoas e instituições atuantes na defesa do meio ambiente. Atualmente, os candidatos concorrem em onze categorias: Responsabilidade Ambiental, Personalidade do Meio Ambiente, Projetos e Práticas Educacionais, Participação Comunitária, Destaque Florestal, Destaque Internacional, Destaque Nacional, Destaque Jurídico, Destaque Judiciário, Destaque Ministério Público Federal e Destaque Ministério Público Estadual.

Publicado em Blog

Da ONU Brasil

O ativista brasileiro Paulo Adario, defensor do meio ambiente, está entre os cinco ganhadores do Prêmio Heróis da Floresta, entregue hoje (09/02) pelas Nações Unidas, em Nova Iorque. A cerimônia, foi transmitida ao vivo pela internet e houve homenagem póstuma ao casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo.

A condecoração é um reconhecimento a pessoas de todo o mundo que contribuíram de forma relevante para proteger as florestas e as comunidades que nelas vivem. A celebração marca o encerramento do Ano Internacional das Florestas.

Apesar das ameaças de morte e do conflito de interesses de diversos grupo, Adario tem se dedicado à proteção da Amazônia brasileira e de suas comunidades. O ativista que se destaca entre 90 indicações de 40 países, foi escolhido como o representante da América Latina.

Os outros quatro vencedores regionais são: Paul Nzegha Mzeka (Camarões) para a África; Shigeatsu Hatakeyama (Japão) para a Ásia; Anatoly Lebedev (Rússia) para a Europa; além de Rhiannon Tomtishen e Madison Vorva (Estados Unidos) para a América do Norte.

O júri decidiu ainda fazer uma homenagem aos extrativistas tragicamente assassinados ano passado no Pará ao tentarem defender a floresta amazônica.

Os Heróis da Floresta compartilham coragem, paixão e perseverança que servem de inspiração para qualquer pessoa que queira fazer diferença pelas florestas.

Desde seu lançamento em fevereiro de 2011, a observância global do Ano Internacional da Floresta tem sido dedicada para aumentar a consciência pública sobre o papel vital das pessoas no gestão sustentável e ações de catalisadores no desenvolvimento e conservação de todos os tipos de florestas.

Publicado em Viva Brasil
Terça, 07 Fevereiro 2012 20:55

Uma vitória da biodiversidade

Por Washington Novaes*

É muito importante e bem-vinda para o Brasil a notícia de que o professor Bráulio de Souza Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, está ascendendo ao cargo de secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, a convite do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Competente e experimentado na área – onde atua há muito tempo –, Bráulio concorreu com outros 66 indicados para o cargo. Sua principal tarefa – dificílima – será levar à prática o protocolo assinado em Nagoya em 2010 que pede a ampliação, para 17% da superfície planetária, das áreas de conservação da biodiversidade em terra e para 10% das de ecossistemas marinhos e costeiros, incluídos os mangues. O protocolo, ao qual já aderiram 70 países, precisa ser ratificado por pelo menos 50 – mas somente seis já o fizeram.

Entre as metas para o período que vai até 2020 está a de chegar a um acordo entre países – e em cada um deles, entre empresas, cientistas e povos tradicionais que detêm o conhecimento – sobre repartição de benefícios em produtos derivados da biodiversidade. E também tornar prioritário o tema da biodiversidade, que o próprio secretário executivo reconhece que ainda não é relevante para as sociedades, principalmente em meio a uma crise econômica (Valor, 23/1). Talvez por isso mesmo, especialistas calculam entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões as perdas anuais nessa área. A perda líquida de florestas no mundo, por exemplo, chegou à média de 145 mil quilômetros quadrados anuais entre 1990 e 2005 (30/11, 2011), segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Ainda assim, no último ano as florestas correspondiam a 30% da superfície terrestre.

Mas, diz ainda a FAO, em 25% da superfície do planeta a desertificação é total, por causa de erosão do solo, degradação da água e perda da biodiversidade; em 8% a degradação é moderada; em 36%, “leve”. Como, nesse quadro, conseguir aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050, para atender pelo menos mais 2 bilhões de pessoas e eliminar a fome de pelo menos 1 bilhão – sem falar que o investimento necessário para isso terá de ser de US$ 100 bilhões anuais? Nesse quadro, lembra o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) que já estamos consumindo recursos naturais 30% além da capacidade de reposição do planeta.

É uma riqueza enorme desperdiçada. Edward Wilson, um dos maiores especialistas na área, lembra que, embora saibamos muito pouco, já estão identificadas 280 mil espécies de plantas (que podem chegar a 320 mil), 16 mil de nematoides (que podem ser 15 milhões), 900 mil de insetos (talvez 5 milhões). Podemos ter de 5 milhões a 10 milhões de espécies. Em uma tonelada de terra fértil podem estar 4 mil de bactérias. O comércio mundial de produtos naturais já está perto de US$ 4 trilhões anuais (talvez um quarto do comércio total), o de medicamentos derivados de plantas, em US$ 250 bilhões/ano. Robert Costanza e outros economistas da Universidade da Califórnia calcularam em US$ 180 trilhões anuais (o triplo do PIB mundial) o valor dos serviços que a natureza presta gratuitamente – fertilidade do solo, regulação do fluxo hídrico, regulação do clima -, se estes tivessem de ser substituídos por ações humanas.

Por aqui mesmo a questão é grave, com a perda de florestas na Amazônia ainda acima de 7 mil quilômetros quadrados anuais, o cerrado já sem vegetação em 50% da área (85 mil km2 perdidos em sete anos) – no país que tem entre 15% e 20% da biodiversidade planetária. Uma esperança está no fato de que o governo federal recolhe em consulta pública sugestões da sociedade (academia, governos, populações tradicionais, segmentos sociais) para um plano estratégico destinado a implementar até 2020 as recomendações da convenção. E também estuda como avançar na complicada questão da repartição dos frutos da exploração da biodiversidade. Pensa-se até em criar uma taxa de 3% sobre o faturamento público – as empresas não concordam (O Globo, 22/1).

É preciso correr. Como lembra Bráulio, a cada ano estamos descrevendo em média mil espécies novas no Brasil, que se somam às 41.121 espécies vegetais já conhecidas, 9.100 marinhas, 2.600 de peixes, dezenas de milhares de animais: “Estamos sentados em um baú de ouro e não sabemos o que fazer com ele” (Estado, 2/9/2010). Mas em Nagoya se calculou que serão necessários US$ 300 bilhões anuais (cem vezes mais do que hoje) em financiamentos dos países industrializados aos demais para cuidarem da biodiversidade. Porque em cem anos 75% da biodiversidade de plantas alimentares já se perdeu – 22% das espécies de batata, feijão, arroz ainda podem ser perdidas. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, chega a propor que o capital natural seja incluído nos cálculos do produto interno bruto (PIB) de cada país.

A posição brasileira será única se isso acontecer. Como já tem sido lembrado aqui, além da maior biodiversidade, temos 13% da água superficial do mundo, território continental, possibilidade de matriz energética “limpa” e renovável. O Brasil pode ser uma “potência ambiental”, diz Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento no Ministério da Ciência e Tecnologia – chamando a atenção para as questões graves na Amazônia e no Cerrado. Às quais é preciso acrescentar as que sobrevirão se o novo Código Florestal aceitar muitas das propostas que estão na mesa; se o governo não prestar atenção à proposta do professor Aziz Ab’Saber de criar, em lugar dele, um Código da Biodiversidade específico para cada bioma, cada região; se continuar esquecida a proposta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de desmatamento zero na Amazônia e forte investimento, ali, na formação de cientistas para trabalharem com a biodiversidade.

Caminhos há, certamente. E a ascensão de um brasileiro à secretaria executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica pode dar forte impulso a eles.

*Washington Novaes, jornalista. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

(Outras Mídias)

Publicado em Artigos

rio20Da Cúpula dos Povos

A Organização das Nações Unidas (ONU) abriu inscrições para eventos paralelos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) – a Rio+20 –, que acontecerá de 13 a 22 de junho deste ano, dentro e fora do Centro de Convenções do RioCentro. Os eventos poderão ser organizados durante o Terceiro Encontro Peparatório do Comitê do UNCSD (13 a 15 de junho), os Quatro Dias de Diálogo sobre Desenvolvimento Sustentável (16 a 19 de junho) e durante a própria Conferência (20 a 22 de junho). As inscrições podem ser feitas on-line até o dia 20 de maio.

Segundo o site oficial da Rio+20, serão aceitos eventos paralelos patrocinados por governos, por Major Groups (mulheres, crianças e jovens, indígenas, organizações não-governamentais, autoridades locais, trabalhadores e sindicatos, negócios e indústria, comunidade científica e tecnológica e fazendeiros), pela própria ONU e por outras organizações intergovernamentais.

Nos critérios relativos a esses eventos paralelos, a ONU faz menção aos tão citados três pilares do desenvolvimento sustentável: ”O evento paralelo proposto deve ser relevante em relação aos temas principais da UNCSD, refletindo uma abordagem do desenvolvimento sustentável que integre suas dimensões econômica, social e ambiental”. Também é enfatizado que a divulgação e a publicidade desses eventos paralelos são responsabilidades dos seus organizadores. “A Secretaria não produzirá panfletos, distribuirá notas ou empreenderá outros esforços publicitários para os eventos paralelos”, explica a ONU. Organizações não-governamentais e outros representantes dos Major Groups devem ser credenciados no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc)

Perguntas frequentes

A ONU também publicou respostas e várias perguntas comuns a respeito dos eventos paralelos à conferência oficial. Traduzimos algumas delas, mas você pode ler o arquivo todo aqui (em inglês).

Minha organização gostaria de participar da Rio+20, tanto dos eventos oficiais preparatórios quanto na própria Conferência. Minha organização pode participar?

Segundo com a decisão 66/544 da Assembleia Geral da ONU, “Acordos para credenciamento e participação no processo preparatório e na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de organizações não-governamentais relevantes e outros major groups“, Major Groups que estão atualmente em estado consultivo no Conselho Econômico e Social (Ecosoc) como organizações não-governamentais (incluindo aquelas no registro da lista da Comissão de Desenvolvimento Sustentável), bem como aqueles que foram credenciados para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, podem participar na Conferência Rio+20 e de seu processo preparatório. Percebam que um pré-registro para participação é exigido.

Essas organizações não-governamentais (ONGs) e outros Major Groups que atualmente não estão em estado consultivo no Ecosoc, mas que desejam comparecer e contribuir com a Conferência, podem requerer participação à Secretaria da Rio+20, e a decisão final será tomada pela Assembleia Geral.

O que é o estado consultivo do Ecosoc?

Estado consultivo junto ao Ecosoc é conferido a organizações não-governamentais (ONGs) sob recomendação do Comitê de ONGs do Ecosoc, que é formado por 19 Estados membros da ONU. Após cumprir certos critérios e demonstrar de que seu trabalho é relevante para os objetivos e propósitos da ONU, essas ONGs adquirem estado consultivo com o Ecosoc, o que lhes dá direito a mandar representantes a encontros intergovernamentais organizados pelo Ecosoc e seus órgãos subsitiários, como a Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CSD). O estado consultivo do Ecosoc é também exigido para participação dos encontros do Comitê Preparatório da Rio+20 e dos encontros Intersessionais do CSD. A lista de organizações que estão atualmente em estado consultivo junto ao Ecosoc pode ser lida on-line aqui.

Como posso me candidatar para estado consultivo junto ao Ecosoc?

Informações sobre candidatura para estado consultivo junto ao Ecosoc estão disponíveis aqui. Você também pode contatar o braço de ONGs do Undesa aqui, ou por e-mail no endereço O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Publicado em Viva Brasil

sustentabilidade-2Por Juan Quirós*

A cerca de sete meses da realização da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, é fundamental que governos e a sociedade mobilizem-se e se debrucem sobre o tema, considerando ser o evento uma grande oportunidade de se conter a tempo as consequências do efeito estufa, resgatar a qualidade ambiental e equacionar o abastecimento de água e a segurança alimentar. A humanidade está atrasada na agenda de sua sobrevivência, considerados os pífios resultados de iniciativas como o Protocolo de Kyoto e a Agenda 21, documento basilar da Rio 92.

Em todo esse contexto, é fundamental o engajamento das empresas, que, independentemente das decisões governamentais, podem fazer muito. Felizmente, observa-se, no universo corporativo dos mercados emergentes, que cresce o número de organizações preocupadas com a questão e que muitas delas estão se beneficiando de iniciativas que aliam progresso ao desenvolvimento sustentável, mantendo práticas ambientais sensatas e crescimento social e econômico responsável.

Em nosso país, o conceito emergiu com força na década de 1990. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), 46% das empresas entrevistadas afirmam que têm políticas de sustentabilidade e 37% possuem um departamento específico dedicado ao assunto. Contudo, os números mostram que o conceito ainda não está devidamente incorporado na totalidade das organizações: é estratégico para 32%, pontual para 30%, informal para 23%, existente, mas não aplicado, em 11%, e inexistente em 4%. Como se observa, temos muito a avançar.

Uma contribuição relevante no sentido de sensibilizar as empresas e a sociedade quanto à importância das práticas sustentáveis é a disseminação ampla de suas vantagens. Exemplos inequívocos destes benefícios encontram-se nas chamadas construções sustentáveis, caracterizadas pela presença de painéis de energia solar, captação de água da chuva – dispositivo de redução do consumo e reúso da água –, utilização de materiais novos recicláveis que possam ser usados nas reformas, fonte de energia eólica, filtros e sensores de dióxido de carbono – melhorando a qualidade do ar interno –, aproveitamento de ventilação e iluminação naturais, paisagismo com espécies nativas, e mínima ocupação do solo, favorecendo a permeabilidade.

Edificações com tais características propiciam economia de 30% de energia e até 50% de água, além de redução de até 60% na geração de resíduos sólidos e 35% de dióxido de carbono. Além dos benefícios ambientais e impactos positivos na qualidade da vida dos funcionários das empresas ou moradores de edifícios residenciais, esses avanços na concepção arquitetônica fazem muito bem ao bolso dos proprietários. No caso de prédios comerciais, obtêm-se, em média, acréscimo de 10% a 20% por metro quadrado no aluguel e 3,5% na ocupação. No caso de prédios residenciais, é de 14% a sobrevalorização.

O avanço dos conceitos de sustentabilidade na arquitetura e construção suscita enormes oportunidades no tocante ao desenvolvimento de produtos, materiais, serviços e tecnologia. Implica, porém, os desafios de estimular todo esse movimento nos sistemas produtivos e incentivar a pesquisa e a inovação. O compromisso com a sustentabilidade não pode mais ser adiado. Se na Rio 92 a situação do planeta era de alerta, na Rio+20, é de emergência. Mais do que nunca, as empresas devem ser agentes de desenvolvimento e o poder público, instrumento de transformação.

* Juan Quirós é presidente do Grupo Advento e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

Publicado em Artigos

desenvolvimento-sustentavelPor Marcus Eduardo de Oliveira (*) 

Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ambiental diz respeito ao seguinte fato: fazer com que a economia pare de crescer não significa, consequentemente, que irá parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses mesmos economistas tanto condenam é um crescimento conseguido sob as ruínas da degradação do capital natural. Assim, a economia ambiental não se coloca (e nunca se colocou) contra o desenvolvimento, mas sim contra as elevadas taxas de crescimento que inflam a economia à custa de piorar, substancialmente, o meio ambiente, e, por conseguinte, a qualidade de vida.

Em termos de definição, cumpre aduzir que crescimento é o aumento na produção, na parte física; em outras palavras é “mais quantidade”. Desenvolvimento, por sua vez, supera essa idéia e busca “mais qualidade”.

Com tecnologia e inovação, é possível produzir a mesma quantidade de bens, porém, de forma eficaz, com qualidade e respeito ambiental. A idéia fundamental então é a seguinte: toda e qualquer produção deve servir para repor, e não para acumular. Hoje, vivenciamos o contrário. A preocupação primeira e o anseio da economia tradicional é, tão somente, produzir para acumular.

Entender isso passa primeiramente pela necessidade de se ter em conta que desenvolvimento não está ligado a crescimento econômico, o que não quer dizer que crescimento não seja importante, antes, é de fundamental importância, mas desde que pautado pela prudência e não pela deterioração/dilapidação dos recursos naturais.

Trata-se, em nosso entendimento, de pura e cristalina ilusão achar que fazendo a economia crescer atinge-se, por conseqüência, o desenvolvimento. O processo entendido como “desenvolvimento econômico” (qualidade) não só é desejável como é perfeitamente possível, ainda que não haja crescimento (mais quantidade) da economia.

A questão primordial nos parece ser essa: se continuarmos evidenciando uma economia sob as bases do processo produtivo que responde apenas (e em nome) pelos (dos) ganhos do mercado de capitais, não se logrará sucesso algum, visto que esse mercado somente tem olhos para a “quantidade”.

O que é necessário fazer e, isso não é tarefa fácil, é direcionar à produção para o atendimento exclusivo das necessidades humanas, que não necessariamente passam pela questão do “ter”. Para isso é imprescindível colocar a economia a serviço das pessoas, rompendo-se assim com a situação tradicional que tem vigorado por longo tempo que insiste em colocar as pessoas a serviço da economia.

Urge entender, definitivamente, uma premissa relativamente simplista: a economia, em larga medida, precisa fazer sua volta às origens que remontam aos tempos em que estava incubada nos aspectos teóricos da Filosofia Moral, quando os clássicos, na elaboração de seus primeiros “tratados”, orientavam à economia (atividade produtiva) para que, com isso, as pessoas pudessem atingir bem-estar comum; sob as lentes do utilitarismo, felicidade plena.

Na esteira desse comentário, é de bom alvitre salientar que a felicidade, embora encontre morada em uma base conceitual de total subjetividade, nunca esteve ligada a posse de dinheiro.

Dentro dessa perspectiva, não é o mercado então, como insistem alguns e como a economia tradicional quer fazer prevalecer, um lugar “sagrado” onde se encontra à venda uma mercadoria chamada “felicidade”. Felicidade não é (e nunca foi) uma “mercadoria”; logo, não tem preço!

Compreender isso, de certa forma, ajuda a romper com a lógica de que a economia deve ser vista meramente como uma ciência que dita e direciona os rumos apenas do mercado em seu bel-prazer, como se o mercado fosse unicamente responsável por gerar felicidade e bem-estar a todos.

Antes disso, é oportuno salientar que a economia - sendo uma disciplina pertencente ao campo das humanidades - deve estar preocupada exclusivamente com o bem-estar das pessoas, tomando a noção básica de que se trata de uma ciência feita pelas pessoas e para as pessoas. Por sinal, a economia nasceu para isso; para fazer as pessoas prosperarem no aspecto mais básico e elementar: atingindo qualidade de vida.

Querer medir o desempenho (melhoria) de uma sociedade pelo que se pode (ou se deseja) comprar num shopping center é reduzir a vida a uma mera questão mercadológica, tipificando as coisas pelo sistema de preços.

Definitivamente, a ciência econômica precisar superar essa visão antiga e prosperar sobre a afirmação de que depende totalmente das coisas da natureza, daí a necessidade suprema em se praticar a preservação e a sustentabilidade, para que, com isso, ocorra sua efetiva consolidação de ciência social capaz de se colocar ao serviço de melhorar a vida das pessoas.

 
*Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo. Mestre pela Universidade de São Paulo (USP), com passagem pela Universidad de La Habana (Cuba). Especialista em Política Internacional (FESP).
e-mail -
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Publicado em Artigos

diesel-petrobras-2Desde o dia 1º de janeiro é obrigatória a distribuição do óleo diesel S50, com baixo teor de enxofre, em todas as regiões do país. Além de ser menos poluente, o combustível é indispensável para o funcionamento dos motores comerciais pesados, como caminhões e ônibus, fabricados a partir de 2012 e comercializados no mercado interno brasileiro.

O diesel S50 contém teor de enxofre de 50 miligramas por quilo de combustível (mg/kg), bem menor que o S500 e o S1800, os mais comercializados atualmente, com teor de enxofre mais de dez vezes superior.

Nos novos motores, o diesel S50 deve reduzir em até 80% as emissões de materiais particulados e em 98% as de óxidos nitrosos. Nos demais motores, no entanto, a redução das emissões será limitada a até 15%, o que deve ser resolvido ao longo do tempo com a renovação da frota.

A frota brasileira de veículos pesados é de aproximadamente 2,3 milhões de veículos e a estimativa da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é que serão vendidos entre 160 mil e 170 mil em 2012.

O Ministério de Minas e Energia informou que outra novidade é a necessidade dos novos veículos pesados usarem um agente, chamado Arla 32, que neutraliza as emissões de óxidos nitrosos e de materiais particulados. O produto, no entanto, não pode ser misturado ao óleo diesel, sendo colocado em um tanque exclusivo identificado com tampa azul, e injetado em dosagem controlada na saída dos gases do escapamento, antes do catalizador.

A substituição do diesel mais poluente foi definida em 2002 pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e deveria ter entrado em vigor em 2009, mas só começou a sair do papel depois da intervenção da Justiça. Para 2013, o acordo prevê a substituição do S-50 por uma versão de diesel com teor de enxofre ainda menor, o S-10, com limite de 10 miligramas de enxofre por quilo de combustível (mg/kg).

Publicado em Viva Brasil

action-header-paw2-PTBRDez mil brasileiros aderiram à campanha de mobilização global da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, sigla em inglês) que irá pedir à Organização das Nações Unidas (ONU) a inclusão do tema bem-estar animal na agenda da Rio+20. O encontro – promovido pela ONU – ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro e discutirá os avanços e retrocessos registrados desde a Conferência Mundial do Clima, conhecida como Rio 92, ocorrida há 20 anos.

O abaixo-assinado foi lançado em todo o mundo pela WSPA, em dezembro, na internet. A ação pretende conscientizar as pessoas sobre a relação entre o bem-estar dos animais, especialmente os usados em processos produtivos, e o desenvolvimento sustentável.

A mobilização faz parte da campanha internacional Pegada Animal, que a WSPA lançará no Brasil em março. A campanha se inspira no conceito da Pegada Ecológica, informou à Agência Brasil a gerente de Comunicação da WSPA Brasil, Flavia Ribeiro. “Ela visa a informar e conscientizar as pessoas sobre como os hábitos alimentares da população influenciam a questão do desenvolvimento sustentável, da agropecuária sustentável.”

A campanha pretende esclarecer o consumidor final da origem do produto que ele consome. Por exemplo, se os eles são oriundos de uma criação intensiva ou extensiva, se a carne, os ovos, o leite vêm de uma indústria que tem preocupação com o bem-estar animal, se são produtos orgânicos. “A intenção da campanha no mundo todo é o consumo consciente, para que o consumidor entenda qual é a origem e o que, de fato, ele está adquirindo e o que pode ser feito para promover o bem-estar animal, focado nos animais de produção”, disse Flavia.

A ação online ainda continua e é a primeira iniciativa da campanha Pegada Animal. A carta com as assinaturas será encaminhada aos governantes e representantes da ONU em todos os países. “Não existe uma meta. Mas, a gente precisa de muito mais [assinaturas] para poder encaminhá-las à ONU.”

Segundo informação do Departamento de Ciência e Agropecuária Humanitária da organização, existem atualmente mais de 63 bilhões de animais que fazem parte da cadeia de produção em todo o mundo. Daí a importância de serem adotadas boas práticas na sua criação, transporte e abate. “O universo que a gente está falando impacta na vida de bilhões de animais.”

Flavia Ribeiro salientou que não só a indústria brasileira, mas também a adoção desses procedimentos, tem comprovado melhorias no processo de produção, com ganho econômico. “A indústria está percebendo que é vantagem econômica para ela inserir [a preocupação com o bem-estar animal no processo produtivo]. O meio ambiente como um todo também é beneficiado, porque você está protegendo não só a natureza, mas também os animais que fazem parte do meio ambiente. E o ser humano também sai ganhando porque ele está consciente de que está consumindo um produto de origem animal de uma empresa que tem um cuidado com o animal desde a criação até o abate.” 

Publicado em Viva Brasil
Sexta, 30 Dezembro 2011 17:07

Para pensar e praticar em 2012

feliz_2012-5910*Por Silvia Marcuzzo

Pense se precisa mesmo usar, comprar ou retirar algo da natureza.

Verifique o que você tem em casa, antes de comprar.

Se for adquirir algo, considere seu tempo de vida útil. Quanto mais durar, melhor.

Antes de encaminhar para reciclagem, veja se alguém pode reutilizar o que você está dispensando.

Se você se importa com a educação, com o futuro do seu filho, procure se informar sobre questões socioambientais tanto da sua cidade quanto do planeta.

Repasse informações que considera importante para outras pessoas.

Você é o exemplo para seu filho, sobrinho, amigo.

Se você leu até aqui e se deu por conta da premissa básica “pensar global, agir local” e não sabe o que fazer primeiro, vá até a cozinha, tome um copo d´água.

Analise, entenda de onde veio a água que você bebeu. O caminho que ela percorreu até entrar em sua boca.

O que precisou ser feito para a água potável estar disponível?

Assim como a água matou a sua sede, o que você faz para saciar a sua vontade de ter um mundo melhor?

Se racionalmente não consegue compreender a relação da sua atitude com o universo que o cerca, quem sabe você pode ser tocado pela emoção.

Isso só acontece se você estiver aberto. Significa que você precisa gostar de ver os pássaros voando, de contemplar uma cachoeira ou apreciar um pôr-do-sol, enfim compreender os mecanismos da natureza.

Agora, se não se importa com os outros (por tabela não deve estar gostando muito de você), o melhor mesmo é ver uma possibilidade de cuidar da cabeça ou do coração.
Pois o mundo está como está porque as pessoas não estão se dando por conta com o que está acontecendo com elas mesmas.

*Silvia Marcuzzo é jornalista e trabalha a temática socioambiental desde 1993. Já transitou em diversos “ecossistemas” e arranjos energéticos do jornalismo. Ao passar por assessorias de ONGs, governos e consultorias para empresas, em Porto Alegre, São Paulo e Brasília, sempre manteve a convicção de que é possível melhorar a relação entre os “ambientes” e a comunicação. Por isso, fundou a ECOnvicta Comunicação para Sustentabilidade.

Publicado em Artigos

webPor Thaís Herrero, para a Página 22

Foi lançada no Brasil a primeira plataforma digital que permite aos cidadãos serem fiscais do meio ambiente. Baseada em um modelo que já mostrou eficácia em outros países, precisa provar que os brasileiros estão aptos à função

O relato do corte de árvores em um parque municipal para dar acesso a carros, no Paraná. O alerta contra a poluição do Rio Pitimbu, no Rio Grande do Norte. E a denúncia de uma usina de reciclagem que, mesmo com dinheiro do BNDES, nunca funcionou, no Pará. Relatos assim, abrangendo todo o Brasil, estão no site revela.org.br, a primeira plataforma de ciberativismo ambiental criado com as informações enviadas por cidadãos por meio de mensagens de celular, Twitter ou e-mail.

A Revela foi lançada em novembro e já tem mais de 2.500 relatos, entre denúncias de danos ambientais e ações exemplares – como parques que protegem a nascente de rios. Toda informação enviada vai para um mapa nacional e, quando comprovada, ganha o selo de “verificada”. A checagem é feita com pesquisas na mídia, dados de órgãos públicos ou no caso de queimadas, com ajuda dos satélites do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que faz o mapeamento.

A ideia foi criar um banco de dados sobre meio ambiente acessível à população – principalmente os mais jovens, que estão sempre conectados com tecnologia, mas às vezes não sabem onde denunciar ou encontrar soluções, como explica Maria Zulmira de Souza, jornalista e uma das idealizadoras do site.

Outro criador foi o diretor de filmes Gustavo Guimarães, que, indignado com os rumos da discussão do novo Código Florestal, buscava uma forma de atuação direta para a sociedade.

Por isso, na primeira etapa, o objetivo da Revela é destacar projetos de preservação e áreas que deveriam ser protegidas pela legislação brasileira. “A plataforma surgiu para tratar do Código e mostrar que não é só um código florestal, mas urbano também. As denúncias podem ser sobre áreas em florestas ou nas cidades, porque todas nos afetam”, afirma Maria Zulmira.

Ferramenta de ativismo - A Revela usou como base a plataforma de código aberto Ushahidi (“testemunho”, em suaíli, um dos idiomas do Quênia), que sempre esteve ligada à ajuda em situações emergenciais e se mostrou uma ferramenta eficaz de ativismo e cidadania.

Elaborada pelo queniano David Kobia, surgiu em 2008, durante ondas de violência no país depois das eleições presidenciais. Cerca de 45 mil pessoas enviaram informações sobre focos de brigas, saques, incêndios e também esforços de apaziguamento. Dois anos depois, a plataforma foi usada na assistência da população do Haiti durante os terremotos que assolaram o país. As regiões mais afetadas foram mapeadas e voluntários enviaram informações sobre pessoas desaparecidas, falta de água, pontes quebradas e postos de ajuda. No começo deste ano, a Organização das Nações Unidas indicaram o software para divulgar ondas de ações pró-democracia na Líbia.

O Ushahidi foi considerado uma das 26 tecnologias pioneiras pelo Fórum Econômico Mundial, em 2010, por ser um modelo que beneficia a vida das pessoas e a economia global. No mesmo ano, a revista Technology Review, do Massachusetts Institute of Technology, listou David Kobia entre as pessoas com menos de 35 anos mais inovadoras do mundo.

Os bons resultados da Ushahidi em prol de populações é um exemplo de como o chamado excedente cognitivo [1] pode ajudar o mundo, segundo Clay Shirky, professor universitário americano, escritor e pesquisador em internet e efeitos sociais. Na apresentação do TED “How cognitive surplus will change the world”, com uma visão otimista da generosidade humana, ele afirma que a plataforma provou que as pessoas estão aprendendo a usar o tempo livre para atividades construtivas, como o ciberativismo.

Para ele, durante o século XX, a mídia só deu espaço para as pessoas consumirem, mas a internet é um campo de ação. “Não éramos ‘couch potatoes’ (expressão que se refere ao sedentarismo) porque gostávamos de ser, mas, sim, porque essa era a única opção. Nós também gostamos de criar e de compartilhar”, disse, no TED.

Maria Zulmira se diz animada com os primeiros resultados da Revela. Entre os próximos passos está a elaboração de relatórios com o Imaflora e o Imazon para entregar à mídia e órgãos públicos. “As informações não podem morrer no site, por isso é importante a replicação, inclusive nas redes sociais. Queremos que a Revela seja a ferramenta para que as pessoas sejam veículos de informação”, diz.

[1] Excedente cognitivo é a habilidade das pessoas de se engajarem em causas sociais. Resulta da disposição, do talento e das atuais ferramentas de colaboração, como a internet
  

Publicado em Blog
Pagina 1 de 19

twitter

Apoio..................................................

mercado_etico
ive
logotipo-brahma-kumaris