Editor

.

Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

    Leia mais ...

1149Por Mathilde Bagneres, da IPS

Nações Unidas – “Devemos construir sociedades que compreendam que a violência contra as mulheres e meninas é algo errado e que não é parte de uma cultura ou de um modo de vida”, disse à IPS a diretora global da campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) contra esse flagelo, Aldijana Sisic. Neste cargo desde agosto de 2010, Aldijana já exerceu o cargo de especialista em comunicações e mobilização de recursos da ONU, e foi diretora da campanha “Chega de violência contra as mulheres”, da Anistia Internacional. Aldijana conversou com a IPS em Nova York sobre a campanha “Una-se para acabar com a violência contra as mulheres”.

IPS: Quais os principais objetivos da campanha?

ALDIJANA SISIC: Esta campanha, lançada em 2008 pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, é um esforço de muitos anos, que busca prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas em todo o mundo. “Una-se” chama governos, sociedade civil, organizações de mulheres, jovens, setor privado, mídia e todo o sistema da ONU para unir forças para abordar esta pandemia mundial. Os objetivos gerais são criar consciência pública e aumentar a vontade política e os recursos para prevenir e responder a este flagelo. A campanha trabalha também para contribuir com mudanças positivas na área de legislações e planos de ação nacionais, coleta e análise de dados nacionais, uso de violência sexual em conflitos e mobilização social. Finalmente, até 2015, a campanha espera arrecadar uma contribuição anual de US$ 100 milhões para o Fundo Fiduciário das Nações Unidas para Eliminar a Violência Contra as Mulheres.

IPS: Você disse que milhares de mulheres são assassinadas em nome da “honra”. Isto significa que em alguns países a violência contra as mulheres é considerada justificável e natural?

AS: A violência contra mulheres e meninas é grave, frequentemente oculta e generalizada. Adota muitas formas distintas e não faz diferença por condição étnica, raça ou religião. Isto é resultado direto da desigualdade e da impunidade, do poder, do preconceito e da apatia. A violência contra mulheres e meninas pode ser universal, mas nunca se justifica, nem é natural ou inevitável. E, sem dúvida, pode ser erradicada.

IPS: Que tipo de ação pode ser adotada nos âmbitos local e internacional para acabar com a violência contra as mulheres?

AS: Devemos continuar promovendo a ação e a responsabilidade em todos os planos. Contudo, para que haja uma mudança real nas vidas de mulheres e meninas, isto tem de ocorrer nos âmbitos municipal, estadual e federal. Para criar um futuro sem violência, devemos construir sociedades que compreendam que a violência contra mulheres e meninas é algo ruim, e que não é parte de uma cultura ou de um modo de vida. Com profissionais e líderes em nossas próprias comunidades, escolas e locais de trabalho, todos temos oportunidades de usar nossa influência e responsabilidade para dar às novas gerações exemplos que possam apreender e seguir.

IPS: Acredita que ações e campanhas como a “Una-se” podem conseguir uma mudança real no plano local, também em matéria de leis e comportamentos de longo prazo?

AS: Totalmente. Campanhas com a do secretário-geral nos dão uma ferramenta poderosa para desafiar em todo o mundo aqueles que afirmam que a cultura, a religião ou as leis nacionais justificam a restrição dos direitos humanos das mulheres. Elas proporcionam aos governos parâmetros e padrões que podem implantar sob a forma de leis e políticas. Também fornecem uma ferramenta para que os governos sejam responsáveis e para medir seu desempenho, não apenas com base em seus próprios padrões nacionais e recursos locais, como também segundo regras comuns internacionalmente aceitas. Além disso, proporcionam à sociedade um modelo diferente e aos ativistas um poderoso contexto para lobby. E, sobretudo, dão esperança às mulheres, vítimas e sobreviventes em todo o mundo.

Publicado em Viva Mundo

Com informações da Redação EcoD

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, assinaram, no último dia 13 de novembro, um acordo de cooperação, que pode servir de exemplo para outros Estados da Federação. O acoro visa reforçar a cidadania e ampliar a autonomia econômica das mulheres do campo e da floresta.

O documento prevê a execução de ações de prevenção e assistência à violência contra a mulher baiana e foi assinado durante a 3ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres, que aconteceu em Salvador entre sábado (12) e segunda (14). O evento teve a participação de 1,2 mil mulheres que debateram políticas públicas de enfrentamento às desigualdades entre os gêneros, mercado de trabalho, combate à violência, erradicação da pobreza, presença feminina nos espaços de poder e decisão, entre outros temas.

O acordo terá quatro anos de vigência e estabelece que os governos federal e estadual deverão, juntos, garantir que as trabalhadoras rurais tenham acesso a documentação civil e jurídica, autonomia econômica considerando a dimensão étnico, racial e geracional, com ênfase naquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O objetivo é promover a organização econômica e a redução da pobreza extrema, e reforçar o enfrentamento da violência contra as mulheres.

O Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural, que possibilita a emissão gratuita de documentos civis, trabalhistas e jurídicos, já atendeu cerca de 36.500 mulheres no estado da Bahia, emitindo o total de 73.374 documentos, de 2004 a 2010.

A parceria entre o MDA e a Secretaria de Políticas para Mulheres da Bahia prevê ações integradas que serão desenvolvidas a partir de quatro estratégias:

• Estimular o exercício da cidadania e autonomia das mulheres por meio da emissão de documentação civil e jurídica;

• Promover processos de formação continuada para fomentar e criar a Rede de Mulheres nos Territórios de Identidade;

• Fomentar a inclusão produtiva dos grupos e organização de mulheres;

• Promover ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres do campo.

Essa parceria reforçará as ações previstas no contrato de repasse que será celebrado entre a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e SPM/BA no valor de 2,6 milhões para fortalecimento da cidadania e da organização produtiva de mulheres rurais e o seu protagonismo na economia rural.

As ações previstas nestes termos fazem parte do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que incluem ações, objetivos e metas para as trabalhadoras rurais pactuadas pelo MDA.

A III Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia acontece como processo preparatório para a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que será realizada de 12 a 15 de dezembro em Brasília.

*publicado originalmente no site EcoD.

Publicado em Viva Brasil

A décima edição da campanha Mulher que Alimenta o Mundo, promovida pelo Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, além de prestar homenagem a mulheres que se destacam por trabalhar em prol de uma sociedade mais justa, discutirá ações de socorro às famílias atingidas pelas enchentes do início deste mês, num ato intitulado de 1° Colóquio Mulher que Alimenta o Mundo.

O encontro acontecerá nesta quarta-feira (11),  das 9h às 12h, na Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Pernambuco e reunirá deputadas, vereadoras do Recife, ex-deputadas, empresárias e jornalistas numa promoção conjunta do Comitê e apoio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe.

“O momento é ímpar: por um lado, na semana do Dia das Mães, não se poderia esquecer das mulheres que, por suas ações sociais, são referência de solidariedade em Pernambuco; por outro lado, esta mesma solidariedade será importantíssima num momento em que milhares de pessoas perderam tudo nas enchentes dos últimos dias. Muitas destas famílias já tinham sofrido o mesmo drama há menos de um ano atrás. A situação é tão delicada que se faz necessário um planejamento e uma grande ação em mutirão envolvendo a sociedade. E nada melhor que começar por mulheres que são exemplo”, destacou o coordenador do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, Anselmo Monteiro.

O encontro contará com a presença da presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe, deputada Mary Gouveia. Foram chamadas as deputadas Teresa Leitão e Izabel Cristina, as ex-deputadas estaduais, as quatro vereadoras do Recife (Aline Mariano, Marília Arraes, Priscila Krause e Vera Lopes), além das primeiras-damas do Estado, Renata Campos, e da Capital, Marília Costa.

A campanha Mulher que Alimenta o Mundo surgiu no ano 2000 e tem o objetivo de discutir e festejar entre março e maio de cada ano (Dia Internacional da Mulher e Mês das Mães) a condição feminina de alimentar toda a Humanidade. A mobilização foi inspirada na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que em 1998 usou o tema Mulher que Alimenta o Mundo para comemorar o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro).

Mais informações com Anselmo Monteiro pelos telefones (81) 9114 9716.

Publicado em Blog
Domingo, 10 Abril 2011 17:53

Mulher e negra

022negroBrasilPor Cesar Vanucci *

Honrai as mulheres. Elas traçam e tecem rosas celestes na vida terrestre.”

(Schiller)

As considerações abaixo concluem a exposição que fiz, num conclave feminino promovido pelo Lions, a respeito das lutas da mulher por inserção condigna no processo de construção humana.

Periodicamente é realizada uma Conferência Internacional da Mulher. Encontros dessa envergadura são capazes de abrir efetivas condições para a quebra de novos elos na gigantesca engrenagem que aprisiona a mulher, em extensas áreas geográficas, sociais, profissionais e culturais, a figurinos de concepção morbidamente machista. Quantas dezenas de eventos iguais, na estrutura e aspirações, se farão necessários ainda, ao longo dos tempos, para facilitar-lhe o acesso por inteiro a direitos naturais, independentemente de sexo, inerentes à condição humana?

Alguém poderá argumentar que se está a falar, na verdade, de direitos não desfrutados na integralidade pela grande maioria dos seres humanos. Perfeito. Mas, não há como negar que, também no desfrute dos direitos, a força invasora masculina chegou primeiro e se apoderou dos melhores pedaços nos espaços liberados.

Embora estejam sendo significativos os avanços em conquistas associadas ao desenvolvimento pessoal da mulher, fruto da expansão da consciência coletiva quanto à verdadeira natureza do papel que toca a cada cidadão desempenhar no fascinante e complexo jogo da vida, existe ainda por aí um oceano inteiro de problemas a ser navegado na busca das soluções compatíveis com a dignidade humana.

É chegada a hora de colocar alguns itens do dia-a-dia nas reflexões. Homem divorciado e mulher divorciada. Homem adúltero e mulher adúltera. Têm, eles, as posturas avaliadas pela sociedade dentro de uma mesma ótica crítica? Desloquemo-nos para o capítulo dos métodos contraceptivos: alguém sabe dizer se o número de vasectomias equivale aos de ligaduras das trompas? E a pílula masculina? Já foi lançada? Se lançada, vai pegar rápido?

Em Estados do Nordeste, segundo denúncia da CNBB, existiam até bem pouco tempo processos de esterilização de mulheres pobres, sem que elas estivessem inteiradas do que se lhes acontecia. Algo inspirado em perversos esquemas importados da China, Índia e outros lugares. Outra denúncia da CNBB: existem penitenciárias – lugares em que já se vive tragédia inimaginável - onde as mulheres costumam se deparar com uma penalização extra. Na falta de absorventes femininos, utiliza-se miolo de pão. Hoje, a mulher já conquistou na maior parte dos países, seu espaço no mundo artístico. Não era bem assim antes. Artista e “rapariga”, para ficar com expressão mais branda, constituíam, na visão estrábica de muita gente, o verso e o reverso de uma mesmíssima moeda.

Por volta de 1580, Montaigne dizia que “a ciência e ocupação mais útil para a mulher é o governo de casa”. A grande maioria pensava assim. Tem gente que ainda pensa. Gente que não acaba mais. Homens e mulheres a procederem na lida cotidiana que nem se fosse o pessoal lá da rua da meninice. As janelas ficam trancadas e figuras espectrais se põem a acompanhar, com tiques paranóicos, pela fresta da janela, usando candeeiro para aguçar a visão, o esfuziante processo que corre solto lá fora em favor da emancipação feminina.

Fazem ouvidos moucos a justos clamores nascidos do inconformismo, da inteligência e da sensibilidade diante dos paradigmas rígidos bolados pelo farisaísmo na avaliação do comportamento feminino. Paradigmas engessados no tempo. Para pessoal tão retrógrado têm a mesma inexpugnável consistência das muralhas incas de Machu Pichu. Esse tipo de gente não consegue enxergar que se trata de paradigmas irremediavelmente condenados pela doença letal de “certezas” trazidas de momentos obscurantistas que já se imaginava sepultados na voragem da história.

A briga pela derrubada de tais paradigmas é braba e barulhenta. São ainda fortes os ecos de certas palavras de ordem procedentes de eras remotas, sintetizadas na frase padrão: “Lugar de mulher é em casa”. Os preconceitos vigorantes apresentam, em muitos lugares, é bem verdade, efeitos atenuados em matéria de violentação à personalidade, se comparados com as inacreditáveis situações vividas em tempos antigos e em outros lugares de nosso próprio tempo.

Mas conservam vestígios culturais rançosos, ainda que longínquos, daquelas épocas absurdas em que algumas coletividades aprendiam a absorver, em suas regras de vida e crenças, a idéia, por exemplo, de que a mulher não possuía alma. Ou de que, no plano dos sagrados deveres conjugais, como amorosa e dedicada esposa, devesse se preparar para fazer jus ao prêmio máximo da loteca dos deuses, consentindo em que a enterrassem viva com os pertences e despojos do pranteado marido, senhor seu amo, quando de sua (dele) partida desta para melhor.

Todos estamos seguros de que provêm de visualização desfocada da realidade, mesclada com flagrante injustiça social, os escandalosos problemas levados a debate pelas representações presentes aos conclaves promovidos periodicamente pela ONU. Ou por outras instituições das muitas que se ocupam benfazejamente dessa tormentosa discussão.

O desfile de absurdidades é sempre composto de revelações sobre práticas escravagistas, tráfico de mulheres, prostituição forçada, processos de mutilação sexual, restrições ao acesso no mercado de trabalho a cargos e promoções, falta de oportunidades iguais às concedidas aos homens nas ações e decisões políticas, nos campos técnico e científico, no desfrute de bens educacionais.

Coisas assustadoramente consentidas às vezes em nome de rançosos argumentos religiosos. E por aí vai. Os registros dão conta de que mesmo em países desenvolvidos, as políticas de salários revelam-se desiguais. A média da remuneração da mulher situa-se abaixo da metade da média da remuneração do homem. As possibilidades de ingresso em empregos, nesse mesmo tipo de confronto, são de 61% no Japão, 58% na Holanda e 16% nos países árabes. Sabe-se, ainda, que de 1,2 bilhão de pessoas que vivem em estado de pobreza absoluta (renda inferior a 370 dólares/ano), setenta por cento são mulheres.

Outro levantamento revelador diz respeito às chances de participação no poder. As mulheres ocupam 20 por cento dos cargos de direção, algo equivalente nos chamados postos ministeriais. Tem mais: meio milhão de mulheres (99% do Terceiro Mundo) morrem, anualmente, vitimadas por patologias vinculadas à maternidade.

Não há como ignorar, por outro lado, o tratamento diferenciado, de modo geral desrespeitoso, com que a mídia, acionada por preconceitos milenares dominantes no inconsciente coletivo, se ocupa do fato trivial de uma mulher que, no exercício de função pública, resolva assumir ostensivamente um caso afetivo. A derrama noticiosa que isso suscita, vou te contar...

Está na cara que esses dados não esgotam o temário difícil e, sob incontáveis aspectos, doloroso da problemática enfrentada pela mulher. Mas servem para dimensionar as perturbadoras circunstâncias que envolvem essa questão prioritária no processo da construção humana. O Banco Mundial anota algo supra importante: “A desigualdade entre os sexos paralisa a produtividade e dificulta o crescimento econômico.”

Há avanços e respeitáveis. Há que celebrá-los. Mas os problemas continuam sendo de grande monta. As estruturas modernas ampliaram a faixa dos direitos, previdenciários, sociais. Persistem, todavia, ainda numerosos, difíceis obstáculos a serem transpostos. A sociedade rodeia de manifestações simpáticas, em boa parte das vezes da boca pra fora, a trajetória feminina.

São manifestações poéticas, do tipo “Tirante a mulher, o resto é paisagem” (Dante Milano, 1898); com palavras que exprimem bons propósitos, mas que não são colocadas em prática, pelo menos em sua extensão ampla, como “A mulher é a grande educadora do homem”  (Anatole France, 1900); ou de exaltação terna e lírica, como “Mulher é uma graça, espanta melancolias e consola mágoas” (Livro dos Cantares). Apesar disso, o mundo continua a girar com suas imperfeições atávicas e com seus amalucados preconceitos e discriminações contra a mulher.

Sabemos não ser nada fácil mudar as coisas. Numa passagem do clássico cinematográfico “O Leopardo”, estrelado por Burt Lancaster, o personagem central aconselha os nobres italianos, seus súditos, apavorados diante da ameaçadora chegada de Garibaldi ao poder, a que “mudassem alguma coisa, para não mudar coisa alguma”. A história das conquistas sociais costuma revelar que o Príncipe Salinas, o dito cujo personagem, podia ser um tremendo dum cínico, mas como entendia das imperfeições da alma humana, meu Santo Onofre!

O Papa João XXIII tinha razão. A batalha pela emancipação feminina é uma das mais importantes revoluções dos tempos modernos. Mas há muitas coisas ainda para serem feitas. Algumas óbvias, por demais. Aparentemente, banais. Mas de tremenda relevância na vida prática. Passam ao largo das preocupações rotineiras. A mulher do lar, em todos os segmentos sociais, precisa saber um pouco mais sobre os negócios do marido. As mulheres superprotegidas e complacentes do figurino tradicional se defrontam, no caso de viuvez, com cada problema!

O mundo costuma desmoronar em horas que tais. Ela pensa que o marido cuidou de tudo, enquanto vivo. Vai ver, não cuidou nada. As apólices de seguro deixadas são de acidentes pessoais e ele morreu de infarte. Nunca se interessou por planos de complementação de aposentadoria. Não facilitou o acesso da cara-metade às transações que realizava, aos investimentos, às dívidas contraídas em nome da comunidade familiar. A realidade a enfrentar, em momentos assim, pode acabar sendo cruel para a viúva.

A quantas, nessa palpitante matéria dos direitos femininos, andamos em Lions? Alvíssaras! Já temos entre nós companheiras leão.

Posso confessar-lhes um receio? Vamos cuidar de exorcizar nosso ambiente para impedir que o tradicional preconceito machista, que rege tanta coisa na rotina social, possa entender, em dado momento, de distinguir “domadoras” de “companheiras leão”, como se isso pudesse fazer algum sentido. Em minha visão, uma e outra são rótulos diferentes de uma mesmíssima realidade. O que conta é a essência. E a essência do trabalho leonistico está consubstanciada na prática da solidariedade, do amor ao próximo, do companheirismo. O resto é o resto. Vivê-la com intensidade é um dever e um direito.

Anotem, por favor. Como sei que prevalece, no meio feminino, um apego muito grande à discrição, ao contrário do que o machismo tem por costume propalar por aí, vou contar-lhes um segredo. Em minhas observações de muitos anos, cheguei à conclusão, definitiva e inabalável, de que as mulheres, em Lions, como noutras instituições, trabalham muito mais e com bem maior eficiência do que os homens.

É bom que se diga, por derradeiro, que os problemas enfocados ou intuídos nesta descolorida exposição, antes de serem problemas exclusivamente da mulher, são problemas do ser humano. Quanto mais convicções individuais de sentido renovador puderem se reunir à volta de constatações óbvias como estas, maiores se tornarão as possibilidades de podermos, algum dia, todos juntos, construir um mundo melhor. Um mundo bem melhor para mulheres, homens, crianças, adultos, pretos, brancos, amarelos, árabes, judeus, sãos, enfermos, cristãos, budistas, maometanos, pobres, ricos, remediados e excluídos.

Quero deixar, registrados, ao final, um anseio e uma interrogação.

O anseio: assistir a disputas para governador de Lions só entre mulheres. (O anseio já se fez realidade).

A interrogação, danada de instigante: e se, de repente, no dia do Juízo, lá em cima, na hora crucial e decisiva da prestação de contas dos atos praticados em nossa peregrinação pela pátria dos homens, cara a cara com o Todo Poderoso, carregando bem nítida a imagem que Dele conservamos em função de amadurecidas convicções religiosas, e se nessa hora precisa, a gente descobrir, embargado pela estupefação, que Deus é mulher e negra? E então?

* É jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ). Escreve semanalmente para o Blog. 

 

Publicado em Artigos
Sexta, 01 Abril 2011 02:09

Luta pela dignidade humana

dia-da-mulher2Por Cesar Vanucci *

 As mulheres são seres humanos

 exatamente como os homens.”

(Lin Yutang)

A celebração do “Dia Internacional da Mulher” confere atualidade a alguns conceitos que andei expendendo em exposição feita num Fórum feminino, com participação de mais de mil pessoas, promovido alguns anos atrás pelo Lions Clube. Proclamando que as lutas da mulher são lutas em favor da dignidade humana, transmiti da maneira que se verá adiante o meu recado.

Sou um repórter. Exatamente isso, um repórter. Em tudo que aprendi a fazer, na vida profissional e atividades sociais, comporto-me, basicamente, como um repórter. Procuro, assim, me informar de um pouco de tudo. Mas devo confessar, em boa e leal verdade, que não sei senão muito poucas coisas.

Trago para aqui um pouco do que aprendi acerca do papel da mulher na sociedade, sobre as lutas e conquistas da mulher em sua ascensão humana. Às organizadoras deste Fórum, confesso também, desvanecido, que minha participação no evento constitui honra demais para um pobre repórter.

Peço permissão para dedicar a palestra à Addi, minha valorosa companheira, que me tem ajudado nesses anos todos a entender as idéias e conceitos que vou defender.

Começo com uma evocação especial: o grande Papa João XXIII. Dele a declaração de que a luta da mulher pela obtenção de direitos representa uma das maiores revoluções empreendidas pela humanidade no século XX. O Papa, como sempre, sabia do que estava falando. A dolorida história da promoção da mulher simboliza, melhor do que qualquer outro esforço humano de crescimento político, cultural, social, econômico, a história por inteiro das lutas pela conquista dos direitos do cidadão.

Nos óbices defrontados nas lutas da mulher estão contundentemente inseridos abjetos preconceitos, aviltantes discriminações, asfixiantes camisas-de-força, presentes, todo o momento, na convivência humana, frutos malsãos do obscurantismo, do machismo castrador, da insensibilidade para se compreender o sentimento do mundo, o sentido cósmico da vida.

Não é difícil detectar, em instantes de trevas, decretadas pelo preconceito e pela discriminação, que a mulher é invariavelmente penalizada em dobro, em relação ao homem. O racismo a alveja por ser negra, por ser cigana, por ser judia, ou por não ser judia, e por ser mulher. Ela paga o pato, por assim dizer, por pertencer à etnia errada, em lugar ou momento errado, na concepção do radicalismo dominante em determinado cenário, e por ser mulher. Por pertencer à religião enjeitada, nas mesmas circunstâncias de ambiente e época, e por ser mulher. Assim por diante.

Recorramos a um outro pensador. Eis o que diz Lin Yutang: “As mulheres são seres humanos exatamente como os homens - iguais na capacidade de julgar e de cometer erros, se lhes derdes a mesma experiência do mundo e os mesmos contatos com este.”

Numa terna cena da infância, extraída do baú das recordações, vejo desenhado o perfil da primeira líder feminista que fiquei conhecendo. Era uma moça de seus trinta anos, dona de semblante extremamente simpático e de corpo bem proporcionado. Trescalava obstinação pelos poros. A gesticulação exuberante, herança napolitana, nela reforçava as palavras ditas em tom de voz quase cantante. Durante um tempão, já adulto, alimentei sem poder concretizar o desejo de manter com ela um dedo de prosa. Até hoje carrego o dilema que um bom papo poderia certamente ter desfeito. Teve ela, a qualquer tempo, exata percepção do significado precursor dos gestos e ações que assumiu?

Todas as tardes, eu a avistava descendo a ladeira que dava num campo de futebol improvisado, onde a garotada tocava suas peladas movidas a bola de pano, brigas inofensivas e um que outro palavrão punido com chinelada. A sensação era de que Verlaine descobrira naquele gracioso desfile vespertino inspiração para os versos: “Quando ela anda, eu diria que ela dança.”

Pontualidade parecia atributo todo seu. Havia quem acertasse o relógio à sua passagem. Era o momento em que as janelas das redondezas se fechavam estrepitosamente, em sinal de zanga malcontida. Olhares e murmurações recriminatórios acompanhavam-lhe a trajetória graciosa por detrás das venezianas, até que escapulisse por completo do raio de visão do falso puritanismo entocaiado. Tudo compunha clima de excitante e novelesco mistério que aguçava demais da conta a cabeça da gente. Por que as coisas corriam daquela maneira? O que a nossa heroína andava aprontando?

Prepare-se a benevolente platéia, notadamente da ala das fumantes, para um baita impacto. A nossa valente personagem, apenas e simplesmente, foi a mulher que primeiro ousou, naquela aprazível cidade do interior (Uberaba), fumar em público. Ousou mais - “imaginem só o descaramento!” - : foi também a primeira a andar de calça comprida pelas ruas. Tais lembranças, de simbólico surrealismo, chegam a propósito da temática que hoje nos reúne neste amorável encontro de confraternização e reflexão.

Estas reflexões têm continuidade adiante.

* É jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ), e escreve semanalmente para o Blog.

Publicado em Artigos

capoeiraO Ponto de Cultura "Cor de Rosa Choque" promove, de 25 a 27 de março, no Recife, II Encontro Feminino de Capoeira: A Mulher Entrou na Roda.  O será realizado na sede da instituição, localizada no bairro do Pina, no Recife.

Confira a programação:

25/03 - Das 19h30 as 21h30 – inscrições e roda de acolhimento, o Centro de Capoeira São Salomão.

26/03

Das 8h as 9h30 – Vivência de dança afro, com Vilma Moura e Silva (Daruê Malungo)

Das 9h30 as 10h30 – Abertura oficial

Das 10h30 as 12h30 – Palestra “Mulher, cultura e poder”, com Claudilene Silva.

Das 12h30 as 13h30 – almoço.

Das 13h30 as 14h30 – Exibição do documentário “Cidade das Mulheres”.

Das 15h00 as 17h30 – Aula e roda de Capoeira Angola,  professora Di  (Grupo de capoeira Angola Mãe).

Das 19h30 as 22h00 – Sarau – Espaço para expressão dos saberes e fazeres femininos (exposições, música, dança, recital de poesias).

27/03

Das 9h00 as 10h00 – Bate papo sobre os bastidores da capoeira de Pernambuco com Mestra Ouberém Obá (Isa Mulatinho).

Das 10h30 as 12h30 –Aula e roda de capoeira regional, com professora Bel (Capoeira São Salomão).

Das 13h00 as 14h30 – Avaliação do evento e almoço de encerramento.

Informações e inscrições:

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Telefones: (81) 3031 1109/ 9101 6037/ 9165 0055

www.capoeirasaosalomao.com.br

Publicado em Blog

mulher1A luta pelo voto, a ampliação da participação feminina no mercado de trabalho e a atuação crescente na vida pública são as principais conquistas que devem ser comemoradas pelas mulheres, segundo o historiador Oswaldo Munteal, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ao refletir sobre o Dia Internacional da Mulher, comemorado na última terça-feira (8).

“É a mulher como sujeito da ação, dentro da evolução política brasileira”, afirmou. Para o historiador, a luta pelo voto no Brasil foi uma conquista de muitas mulheres isoladamente e também do movimento coletivo de mulheres, ao participarem das forças de trabalho nas fábricas, no campo e no setor de serviços.

O segundo eixo importante na ampliação do papel feminino na sociedade é a sua participação na família, deixando para trás a imagem restrita de mãe e companheira. “A mulher adquire cada vez mais uma liderança no lar, não como representante da mãe e esposa, mas é a trabalhadora”. Esse processo de evolução permitiu à mulher superar a imagem divulgada no século 20 pelo fascismo de mulher reprodutora. A mulher continua sendo mãe e esposa, mas passa a ser ela mesma, ou seja, ela passa a ter uma identidade, pontuou Munteal.

O historiador destacou ainda que as mulheres, na entrada do século 21, passaram a protagonizar os postos mais relevantes do país. Um exemplo é Dilma Rousseff, eleita no ano passado a primeira presidenta do Brasil. “A mulher hoje é a grande expectativa, do ponto de vista de gênero, de uma virada neste mundo tão conservador que nós temos. É um mundo muito masculino, extremamente machista e violento”. Segundo ele, esse novo eixo abre perspectivas positivas para a mulher no mundo.

O professor da Uerj também falou do papel da mulher no carnaval. A observação é que existe uma “coisificação” evidente da mulher, sobretudo nessas datas festivas, “onde aparece como grande produto nas prateleiras dos meios de comunicação. A mulher é consumida nos meios de comunicação como uma espécie de commoditie (produtos minerais e agrícolas comercializados no mercado internacional), como soja. Se consome no olhar. Não é um consumo só objetivo, físico. É um consumo do voyerismo, que atinge diversas camadas da sociedade brasileira e mundial”.

Apesar das conquistas, Oswaldo Munteal afirmou que há muito ainda para se avançar na história das lutas sociais das mulheres no Brasil. “Há muito que caminhar. Mas, eu vejo, feliz, a mulher chegando ao poder. Vejo pessoas na luta para expandir a presença da mulher nesse campo”. Assinalou a necessidade de um processo de amadurecimento e de convencimento da sociedade civil de que a mulher tem um papel a exercer que não o de objeto, mas como sujeito da história.

Publicado em Viva Brasil

Por Taíza Brito

Na tarde da última terça-feira, 23 de novembro, estudantes e professores de Telecentros, comunicadores populares, autores de portais, blogs e sites, além de jornalistas que atuam na Câmara Municipal e nas secretarias de Programas Sociais e da Mulher e de Comunicação Social do Cabo de Santo Agostinho compartilharam conosco, do Blog Viva Pernambuco, um pouco da experiência de quem trabalha com mídia alternativa.

A roda de conversa foi promovida pelo Centro de Mulheres do Cabo dentro da programação do Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça, que faz parte dos eventos da Campanha Mundial 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Além da experiência em mídia de paz do Blog Viva Pernambuco, que foi representado por mim e pela jornalista Éricka Melo, foi mostrada a proposta Blog Eu Decido (www.eudecido.wordpress.com), pela jornalista Ana Veloso, professora da Universidade Católica de Pernambuco, e uma das integrantes da equipe que aborda os temas cultura, política e gênero.

O debate girou em torno da importância da existência e ampliação de redes de mídia alternativa, amparadas na defesa dos direitos humanos e abertas ao diálogo sobre temas pouco aprofundados na grande imprensa. O que permite, segundo Ana Veloso, que uma série de movimentos sociais possam realizar a comunicação de forma independente.

Iniciada às 14h, a roda de conversa terminou às 16h30, com muitas perguntas dos participantes, sintonizados com a proposta de alimentar redes de comunicação que qualifiquem o debate de temas como violência contra a mulher, igualdade racial, diversidade, entre outros. O debate aconteceu no Salão Paroquial da Igreja São José Operário, na Vila Social Contra Mucambos, no Centro do Cabo.

A programação do evento, segue assim:

24 (quarta) – 9h às 16h: Oficina de Gênero e Raça:

Uma Reflexão Histórica sobre o processo de construção e desconstrução das desigualdades de Gênero e Raça no Brasil.

25 (quinta) Ato Público

O Ato Público de encerramento do Seminário de Comunicação e Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” acontecerá em dois momentos:

>> Das 6h às 8h - Panfletagem no Terminal Integrado de Passageiros do Cabo

>> Das 9h às 12h - Entrega de material de divulgação da Campanha nas agências bancárias, empresas públicas e privadas e transportes urbanos locais, com o objetivo de sensibilizar a população cabense para o enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

Publicado em Blog

imagemO mês de novembro tem um grande significado para o movimento negro e de mulheres. Comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra (20/11) e o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher (25/11). Para marcar essas datas o Centro das Mulheres do Cabo realiza o “Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça”, desta segunda-feira (22) a 25 de novembro. O encontro é direcionado a mulheres que atuam em movimentos, organizações feministas e se estende aos profissionais de comunicação dos veículos de mídia locais como rádios, blogs, sites e jornais.

A partir desta segunda-feira (22), o tema será pauta de destaque com entrevistas e flashes ao vivo no programa Rádio Mulher (Cabo e Mata Sul). A abertura oficial do Seminário de Comunicação será nesta terça-feira (23), no Salão Paroquial da Igreja São José Operário - Vila Social Contra Mucambos (Centro do Cabo).

A partir das 13h, haverá um “Debate sobre Redes Sociais e TIC’s” e tem continuidade na quarta-feira (24) com “Oficinas de Gênero e Raça”, culminando na quinta-feira (25) com um Ato Público que marca o Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, uma mobilização internacional que vai até o dia 10 de dezembro. O evento é organizado pelo Centro das Mulheres do Cabo e tem o apoio da Fundação Ford, Terre des Hommes Suisse e Actionaid.

Programação:

O quê? Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça

Quando? Dias 22 a 25 de novembro de 2010

Onde? Salão Paroquial da Igreja São José Operário - Vila Social Contra Mucambos (Centro do Cabo – PE)

22 a 25 (seg a qui) – 8h às 9h: Cobertura do Radio Mulher

Durante toda a semana o Programa Rádio Mulher (Cabo e Mata Sul) traz uma pauta especial sobre a Violência de Gênero e Raça, com a cobertura do seminário, entrevistas e flashes ao vivo.

23 (ter) – 13h às 16h: Abertura do Seminário

Mesa de abertura e Debate sobre “Redes Sociais e TIC’s: A pauta da violência contra a mulher nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação”. Palestrantes: Ana Veloso (Blog Eu Decido e Mídia Advocacy) e Taiza Brito (Blog Viva Pernambuco).

Serão convidados para participar do debate o movimento de mulheres e também profissionais de comunicação dos veículos locais como blogueiras/os, radialistas, jornalistas e comunicadoras/es populares do Cabo.

24 (quarta) – 9h às 16h: Oficina de Gênero e Raça:

Uma Reflexão Histórica sobre o processo de construção e desconstrução das desigualdades de Gênero e Raça no Brasil.

25 (qui) Ato Público

O Ato Público de encerramento do Seminário de Comunicação e Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” acontecerá em dois momentos:

>> Das 6h às 8h - Panfletagem no Terminal Integrado de Passageiros do Cabo

>> Das 9h às 12h - Entrega de material de divulgação da Campanha nas agências bancárias, empresas públicas e privadas e transportes urbanos locais, com o objetivo de sensibilizar a população cabense para o enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

Publicado em Blog

bannerO Ação Mulher – IV Festival do Audiovisual, que dá destaque ao olhar da mulher na história das produções audiovisuais e sua impressão do cotidiano urbano e cinematográfico, vai movimentar o Recife a partir desta segunda-feira (22) até o dia 27 de novembro, com exibição de longas, mostra competitiva de curtas e debates. O evento tem programação na Livraria Cultura, no Bairro do Recife, no Cine São Luiz, na Boa Vista, e na Regional Nordeste do MinC, na Rua do Bom Jesus, onde acontecerão as oficinas. O evento tem entrada franca.

Tarciana Portella, cineasta, jornalista e poeta; Vera Baroni, representante da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco e a intelectual, feminista e escritora Rose Marie Muraro serão as três homenageadas da edição. A realização é da Curinga Produções Artísticas e da ONG SOS Corpo.

A programação traz trabalhos como o documentário "Positivas", de Susanna Lira, vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival do Rio/2010, e "Dias e Noites", dirigido por Beto Souza e que traz no elenco Antônio Calloni, José de Abreu, Dan Stulbach e Naura Schneider, entre outros.

"O Silêncio das Inocentes", de Ique Gazzola, conta a história da criação da Lei Maria da Penha com depoimentos da própria Maria da Penha falando da sua história. Em "Balé Pé no Chão", de Lílian Solá Santiago e Marianna Monteiro, o público poderá conhecer a trajetória de Mercedes Baptista, a primeira bailarina clássica negra do Brasil. A agenda completa está disponível no site www.audiovisualmulher.com.

Ação Mulher vai relembrar durante a programação datas importantes da história com a participação essencial de mulheres que marcaram o nosso tempo. Entre elas, os 100 anos da passeata organizada pela professora Deolinda Daltro, uma das sufragistas brasileiras, fundadora do Partido Republicano Feminino, que defendia a extensão do voto às mulheres como elemento através do qual pudesse ser reformada a situação política na "Republica Velha".

Também os 40 anos da marcha organizada por mulheres americanas, quando milhares foram às ruas em Nova Iorque, Washington, Boston, Detroit e várias outras cidades do país lideradas pela feminista Betty Friedam.

Serão rememorados também os 50 anos da visita ao Recife da escritora Simone de Beauvoir; os 35 anos da 1ª Conferência Mundial sobre a Mulher realizada na Cidade do México e instituição, no mesmo ano pela ONU, do Dia Internacional da Mulher; os 30 anos da criação dos Centros de Auto Defesa, para coibir a violência contra a mulher; e os 25 anos da criação da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM–SP) e de muitas outras que são implantadas em estados brasileiros, inclusive no Estado de Pernambuco.

Oficinas - Além das mostras cinematográficas, o Festival realiza também as oficinas "Interpretação para Cinema e Vídeo", com Cibele Santa Cruz e "O Olhar dos Outros – produção, roteiro e direção", que será ministrada por Stella Zimmerman e Amanda Mansur. Ambas são gratuitas, mas as vagas são limitadas e terão um máximo de 25 participantes. As oficinas acontecerão entre os dias 22 e 26 de novembro, na Regional Nordeste do Ministério da Cultura (MinC), na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife.

A oficina "Interpretação para Cinema e Vídeo" tem como objetivo despertar a educação artística do audiovisual, com exercícios que serão gravados a cada aula. No trabalho que será desenvolvido o participante poderá observar o seu próprio crescimento percebendo nuances de interpretação que são necessárias para a comunicação nessa linguagem. Acontecerá em um turno, durante cinco dias seguidos, sempre das 9h às 12h e é aberta ao público a partir dos 16 anos. Será ministrada por Cibele Santa Cruz, atriz, produtora, diretora teatral e produtora de elenco.

O "Olhar dos Outros" é uma oficina de iniciação ao audiovisual que pretende estimular a percepção de seus participantes e criar espectadores mais maduros e analíticos para uma recepção imagética com exercícios práticos e teóricos. As aulas culminarão na produção de um curta-metragem de ficção, em sistema HDV (vídeo digital de alta definição). A oficina será ministrada em dois turnos, das 9h às 17h, de 22 a 26 de novembro, por três instrutores da equipe de produção Stella Zimmerman, todos profissionais da área com experiência em direção, produção e roteiro. Stella Zimmerman trabalhou como produtora de elenco, diretora de produção, produtora executiva e assistente de direção em vários filmes nacionais e produções para TV, incluindo o documentário "Mulheres Brasileiras" para a TV alemã ARD.

"Ação Mulher é um festival que adota a dinâmica de intercâmbio cultural para divulgar o cinema feito por mulheres, com temas diversos, oferecendo uma janela para tratar assuntos de interesse da sociedade", explica a idealizadora do evento, a escritora e produtora cultural Maria Áurea Santa Cruz, que assina a direção do festival. Maria Áurea conta com a parceria de Izolda Pedrosa desde a última edição do evento, realizada em 2008.

Mostra - Este ano a programação inclui a Mostra Competitiva de Vídeo e Curta metragem. Realizadores de todo o Brasil inscreveram seus trabalhos, que estarão sendo julgados também na Livraria Cultura, em períodos diferentes dos horários de exibições abertos ao público. A Mostra Competitiva distribuirá R$ 12 mil em prêmios em dinheiro, que serão divididos entre o primeiro, segundo e terceiro colocados nas duas categorias: Vídeo e Curta metragem.

Publicado em Blog
Pagina 1 de 2

twitter

Apoio..................................................

mercado_etico
ive
logotipo-brahma-kumaris