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Quarta, 26 Outubro 2011 21:35

Para dar um retorno

garrafas_retornaveis_250Por Gisele Neus, da Página22

Muitos brasileiros trocaram suas lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes durante e depois da intensa campanha por redução no consumo de energia depois do racionamento no início dos anos 2000. Mas a desejada economia veio acompanhada de uma complicação: recheadas de materiais como vapor de mercúrio, elas não deveriam ser jogadas no lixo, como vem ocorrendo. A logística reversa, solução para o problema, já está em curso nos Estados Unidos, na Europa e no Japão e foi adotada oficialmente pelo Brasil na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em agosto de 2010 pela Lei no 12.305.

Na logística reversa, indústria, comércio e consumidores são corresponsáveis pelo recolhimento de produtos e equipamentos usados, que normalmente são descartados no lixo comum. Cabe ao consumidor devolver o material usado ao comércio. Daí os produtos são coletados pelas empresas que os fabricaram, sendo reaproveitados, reciclados ou remetidos a aterros seguros, quando se trata de materiais sem tecnologia de reúso ou reciclagem.

A cadeia de lâmpadas é uma das seis prioritárias, segundo a lei, e, também, uma das que mais avançaram na discussão dos grupos setoriais criados em maio pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), para definir como a logística reversa será implementada. Já existem diversas empresas de reciclagem e descontaminação de lâmpadas fluorescentes. O problema maior, no entanto, é o custo.

Por ser produto frágil, o serviço de logística reversa pode custar tanto ou mais do que a própria lâmpada. Segundo o diretor-técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), Isac Roizenblatt, o custo final dependerá do desenho da estrutura de processamento e descarte que for aprovada no acordo setorial. A Abilux propõe esquema mais enxuto e centralizado, com a criação de uma única gestora de resíduos, independente e sem fins lucrativos, para gerenciar coleta, transbordo e reciclagem.

“O sucesso da logística reversa dependerá da criação de um único plano nacional setorial, ou seja, de que não haja diferentes legislações estaduais ou municipais, e que seja sustentável economicamente”, aponta Roizenblatt. A proposta do setor é aplicar a novidade primeiramente em cidades com mais de 1 milhão de habitantes e expandi-la gradualmente para as de menor porte.

Outra cadeia que apresenta avanços é a de óleos lubrificantes, cuja logística reversa é obrigatória desde 2005 por determinação de resolução daquele ano do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Entretanto, a resolução não trata das embalagens, aspecto incluído na PNRS. Para estas, a estratégia centra-se na coleta em postos de combustíveis e concessionárias de veículos, com modelo inspirado no programa “Jogue Limpo”, desenvolvido voluntariamente no Sul e parte do Sudeste desde 2007 pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). As oficinas mecânicas, mercado muito capilarizado, ficarão de fora do acordo setorial em um primeiro momento.

O presidente do Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras, Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo (Simepetro), Carlos Abud Ristum, diz que o custo com a coleta das embalagens será apurado caso a caso e dificilmente será repassado aos consumidores. “As empresas tentarão absorvê-lo, pois a forte concorrência não deixa espaço para aumento de preços.”

Mais quatro cadeias de produtos, incluindo suas embalagens, são prioritárias na PNRS: agrotóxicos, pilhas e baterias, eletrônicos e pneus. De todos, a cadeia dos agrotóxicos é a mais avançada, pois em 2000 a Lei no 9.974 tornou a indústria e o varejo responsáveis pela destinação das embalagens devolvidas pelos usuários.

A logística reversa de pilhas e baterias também já fora criada antes da PNRS, por resolução do Conama de 2008. Porém, o cenário dessa cadeia é mais complicado, devido ao alto volume de pilhas clandestinas no mercado. Hoje, as recicladoras de pilhas operam abaixo de sua capacidade, como mostramos em reportagem publicada em maio nesta seção, intitulada “Duas faces das pilhas”.

Segundo a gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Zilda Veloso, as cadeias de produtos eletroeletrônicos e embalagens em geral são bem mais complexas. Por isso, assinala, as discussões nos Grupos de Trabalho dessas duas cadeias levarão mais tempo. Para destravar o trabalho, o grupo de eletrônicos o dividiu em famílias de equipamentos, uma vez que geladeiras e computadores, por exemplo, diferem tanto na estratégia de recolhimento quanto na tecnologia de reciclagem. O mesmo acontece com o de embalagens em geral, que está discutindo uma classificação em tipos para depois definir as estratégias específicas.

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Quinta, 16 Junho 2011 02:29

Outdoor de lixo supreende baianos

Com informações de Fabiano Prado Barreto, do Global Garbage

Os motoristas que trafegaram na Avenida Contorno de Salvador, na capital baiana, se surpreenderam com um outdoor da Bahia Marina com um inusitado aplique de lixo: pneus velhos e sacos plásticos. O lixo, colocado numa plataforma, em frente ao outdoor chamava a atenção pelo contraste com a imagem do mar limpo impressa no painel, onde podia ser lida a mensagem “Não deixe o fundo do mar virar lixeira”. A campanha da Bahia Marina para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no último dia 5 de junho, ficará na memória de quem passou pelo local.

A ação da Bahia Marina foi criada pela agência Engenhonovo com o objetivo de alertar contra o despejo de lixo na Baía de Todos os Santos e ao mesmo tempo conscientizar os soteropolitanos sobre a necessidade de preservar as nossas riquezas naturais. A ação prosseguiu com a retirada do lixo por um caminhão da Limpurb. Um ator com figurino de gari fez a retirada do material deixando o mar limpinho como deve ser. Ideia que faz refletir sobre nossos atos.

Assista aqui o making off da campanha

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Por Bruno Gaspar, Setor3 

Jornalista paulistano de 36 anos se deu conta que a quantidade de lixo que produzia era muita. Percebeu ainda que uma pessoa, com bom senso, pode guardar uma embalagem de chiclete ou de bolacha no bolso até chegar à lixeira mais próxima nas ruas. Como sujar as vias não é sua opção, o comunicador Peri Pane aliou sua veia artística, que já atua com a banda de rock alternativo Odegrau, para se vestir de lixo em uma performance que mostra o quanto de resíduos é descartado.

Em 2003, Peri compartilhou a ideia com a amiga Marina Reis, artista plástica e figurinista. Ela o ajudou a criar o parangolixo-luxo, um sobretudo de plástico transparente com diversos bolsos, como uma capa de chuva. A roupa foi desenvolvida em homenagem aos parangolés, obra feita pelo artista Hélio Oiticica, que atuou como pintor, escultor, artista plástico e performático com aspirações anarquistas e responsável nos anos 1960 por essa obra conhecida como capas, estandartes, bandeiras para serem vestidas ou carregadas por participantes de alguma ação. Com esse figurino diferenciado, surgiu o Homem Refluxo, que reunia os resíduos descartados de uma semana.

Na primeira performance, o jornalista gravou um minidocumentário como Homem Refluxo. A atitude surtiu efeito: o SESC Vila Mariana abriu uma exposição multimídia para a exibição dessa produção, que também participou em diversos eventos e mostras, como o Festival de Cinema de Porto Alegre, de 2004, e o Cineamazônia, realizado em Rondônia em 2005. Três anos depois da primeira experiência paulistana mudou-se com a esposa para Barcelona (Espanha) e levou o traje do Homem Refluxo na bagagem. Lá, o fotógrafo alemão David Rusek, colega de república, sabia das performances de Peri e informou sobre uma convocação de uma exposição. “Era de um festival chamado Drap Art, que só reunia artistas que mexiam com lixo. Tinha tudo a ver com o Homem Refluxo”, conta. Aceito para apresentar sua arte, Peri contou com a participação de sua esposa, Renata Caos, tornando-se a Mulher Refluxo. Essa exposição contou com fotos das andanças do casal pela cidade publicadas no jornal El País e na TVE (Televisión Española).

Sua temporada na Europa levou nove meses. Retornou ao Brasil no início do primeiro semestre de 2007. À convite da organização do Napoli Teatro Festival Italia, em 2009, o casal voltou para Europa por conta de uma gravação de outro documentário. Dessa vez a cidade italiana seria sede do evento. “Deu pra me virar com o italiano macarrônico que aprendi em algumas aulas antes de partir”, brinca Peri sobre o vídeo produzido inteiramente no idioma local. Ao final dos sete dias guardando os resíduos, o parangolixo-luxo e o vídeo foram expostos durante 15 dias no Pallazzo delle Arti Napoli (PAN). No mesmo ano ele apresentou junto com a cantora Anelis Assumpção, por um ano, o programa Ecoprático, resultando em uma temporada de 12 episódios veiculados na TV Cultura.

O idealizador do Homem Refluxo percebe o potencial do personagem como educador ambiental. Já deu palestras para crianças, participou de outras intervenções urbanas e fundou a TV Reflux, uma ideia conjunta com o amigo Luis Dávila que resolveram levar para internet em formato televisivo reportagens relacionadas com sustentabilidade e ecologia. Acompanhe abaixo a entrevista cedida ao Setor3 sobre as andanças e os próximos passos do Homem Refluxo.

Portal Setor3- Quando você saiu pela primeira vez às ruas como Homem Refluxo, registrado no vídeo “Homem Refluxo em São Paulo – 2003”. Como foi essa experiência? Qual foi a reação da família, dos colegas de trabalho e aconteceu algum fato curioso?

Peri Pane: Essa foi a primeira vez que fiz a performance. No começo foi engraçado, porque, embora São Paulo seja uma cidade muito fria, louca, onde as pessoas nem se importam muito, elas passavam olhando. Causou certo estranhamento entre os pedestres. Depois de um tempo, alguns entenderam a proposta logo de cara, já outras pensavam que eu estava vendendo algo. Algumas catadoras de latinha adoraram a capa e queriam saber onde podiam comprar por precisarem de uma igual. Outras deram conselhos para eu parar de fumar, por notarem a quantidade de maços de cigarros pendurados. Houve um pastor que veio conversar comigo e me questionou pela quantidade de latinhas de cerveja. Com a capa parangolixo-luxo, as pessoas podem ver meus hábitos do dia a dia. Algumas me perguntaram para onde ia o lixo mental. Não sabia o que responder (risos).   

Portal Setor3- Notei que você produziu mais lixo nos sete dias em Nápolis, que o mesmo período em São Paulo. Qual o motivo? Que diferença, em relação aos brasileiros, você percebeu quanto à recepção, à reação e às opiniões omitidas sobre a performance?

PP: Em Barcelona, a questão do lixo é bem mais evoluída. Eles têm um sistema de tratamento e coleta seletiva já há algum tempo. Há uma consciência e a sociedade é educada sobre esse tema. Em Nápoles é um pouco como São Paulo. É tudo uma bagunça, uma zona. Eles ainda estão começando a se achar nesse ponto. A diferença é que, em Nápoles, eles são muito mais abertos. É um povo muito expansivo, muito extrovertido. Todos vinham conversar comigo na rua, o tempo todo. Se em São Paulo a coisa é meio fria e as pessoas ficam um pouco acuadas, lá é o contrário. Elas chegam junto mesmo e conversam, uma experiência interessante. O povo daquela região da Itália é bem receptivo e, comparando com o Brasil, é o equivalente ao povo do Nordeste. Eles têm essa questão do lixo um pouco mais resolvida, apesar de serem mais consumistas e gerarem mais resíduos. Acredito que a quantidade de lixo consumida no Brasil e na Europa foi parecida. Lá, principalmente em Nápoles, é diferente por ser um lixo de viagem. Quando você não mora no lugar e só está de passagem, come muito na rua e talvez eu tenha gerado um pouco mais de lixo.

Portal Setor3: Como será sua participação na Virada Sustentável, que acontece em São Paulo nos próximos dias 4 e 5/6? Alguma mudança nas perfomances? Como surgiu a oportunidade?

PP: Surgiu de uma parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e o Vitae Civilis, duas ONGs ligadas ao direito do consumidor e meio-ambiente respectivamente. Eles têm um projeto chamado Clima e Consumo em São Paulo, que viabilizou a experiência reflux com minha performance na Virada. Como as demais experiências, serão sete dias coletando e guardando o meu lixo. A única diferença é a ajuda de mais seis pessoas que farão essa ação comigo, no mesmo período. A cada dia vou visitar uma delas para mostrar a evolução do armazenamento. No penúltimo dia, um sábado, a gente se reunirá no Parque do Ibirapuera. O desfecho será no dia seguinte, no Parque da Água Branca. Vamos iniciar a coleta do lixo no dia 30/5 e continuar isso durante a semana. De segunda a domingo, vamos participar de algumas intervenções pela cidade, em regiões da subprefeitura da Lapa, zona oeste de São Paulo, que falam sobre o clima e o consumo para mostrar essa relação de como o que consumimos pode impactar o clima.

Portal Setor3 – Qual a situação atual e os planos ao Homem Refluxo? Poderia dar alguns detalhes sobre as últimas performances – se aconteceram mesmo? E sua participação em eventos?

PP: Depois da Virada Sustentável, com certeza faremos uma exposição grande, mas ainda não sei onde vai ser. Vai ser itinerante com as sete roupas usadas. Outra coisa bem legal que conseguimos com o IDEC e o Vitae Civilis foi a oportunidade de fazer palestras em bibliotecas, com várias crianças. Vimos o potencial do Homem Refluxo como um educador ambiental. Pretendemos fazer ainda uma exposição itinerante com esse caráter e dialogar com as crianças para desenvolver um projeto de levar isso para as escolas. Homem Refluxo com a as crianças é algo que queremos muito realizar. Temos planos de tocar a TV Reflux, com muitas matérias sobre várias coisas ligadas ao tema da sustentabilidade, sempre pela internet. Por último, algo que ainda estamos elaborando para o Homem Refluxo, é o Câmeraflux, que pode ser qualquer pessoa. Ainda não fizemos o vídeo para explicar como isso funciona, mas é o seguinte: você veste um saco de lixo e se transforma no Câmeraflux. A pessoa pode estar em qualquer parte do mundo fazendo matérias sobre sustentabilidade ou sobre alguma iniciativa interessante, como um evento na cidade onde mora ou alguma crítica que faz, para depois publicar na TV Reflux.

Portal Setor3- Para finalizar nossa conversa, o que acontece com todo o lixo parangolixo-luxo depois das performances?

PP: O lixo fica dentro da roupa mesmo, que armazeno dentro de uma sacola, daquelas grandes. O primeiro lixo, o de 2003, ainda está comigo e tem oito anos de idade. Uso a mesma roupa desde a primeira vez, em algumas exposições e palestras, além das entrevistas da TV Reflux. Ess lixo coletado na Europa ficou lá com as respectivas roupas. Uma delas ficou em Barcelona, numa galeria chamada La Carboneria. A outra roupa, de Nápolis, ficou na sala do diretor do festival, que gostou tanto do resultado final que colocou num manequim e está exposta permanentemente.

Serviço:

Para saber mais sobre as performances e a trajetória do Homem Refluxo e ter acesso aos vídeos da TV Reflux, entre no site oficial, http://www.homemrefluxo.com/. Todos os episódios do programa Ecoprático estão disponíveis na página dedicada em http://www.ecopratico.com.br. Para conhecer o trabalho e ouvir a banda Odegrau, em que Peri Pane faz parte, acesse http://www.bigjohn.com.br/odegrau/

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Sexta, 08 Abril 2011 16:07

Gente que conseguiu mudar

mudarMuitas das causas das mudanças climáticas são estruturais, políticas, e não há muito que cada cidadão possa fazer para mudá-las. Mas é possível sim fazer diferença adotando atitudes simples, que reduzem bastante o impacto individual. Conheça a história de cinco paulistanos que, sem se sacrificar, mudaram de vida.

Lixo reduzido

Erich Burger é administrador de empresas, tem 27 anos e quase não gera lixo.

Ele mora sozinho, mas convive diariamente com a presença da namorada em casa. Todos os dias, Erich despeja o lixo orgânico que os dois geram no seu minhocário. O minhocário é uma pilha de três caixas de plástico, sendo que as duas de cima possuem húmus com minhocas. Erich despeja lixo orgânico junto com folhas secas na caixa de cima até ela encher, e aí passa a do meio para cima, enquanto as minhocas diligentemente transformam cascas de frutas e de ovos, pó de café e restos não muito condimentados de comida (vulgo “lixo”) em humus de minhoca, uniforme e limpo. Na caixa de baixo, vai se acumulando um bio-fertilizante que é ótimo para regar as plantas. Tudo isso acontece praticamente sem cheiro.

Um minhocário custa de R$ 270 a R$ 370. O que não pode ser descartado nele, como resto de carne, vai para o lixo comum de Erich, junto com sachês de ketchup que ganha na lanchonete ou papéis de cupom fiscal do cartão do banco, que não são recicláveis.

Os papéis comuns, o vidro, o plástico e outros recicláveis são acumulados em uma lixeira nos fundos da casa. Sempre que o recipiente transborda, Erich usa a caçamba de sua picape para levar os resíduos a um ponto de coleta que fica a poucos metros de sua casa.

Fazendo a conta:

Erich gera 80% menos lixo do que a média da população de São Paulo. O Departamento de Limpeza Urbana de São Paulo (Limpurb) estima que 17.000 toneladas de lixo são coletados por dia. Apenas 1% desse total é reciclado. Todo o restante vai para os aterros, gerando contaminação do terreno e liberação de metano, que 21 vezes mais potente na geração de efeito estufa do que o CO2. Se todos fizessem o que Erich faz, a coleta diária seria reduzida para 3.400 toneladas de resíduos e, com a separação correta dos resíduos, seria possível reciclar muito mais.

Parto natural e humanizado

Mariana Lettis tem 35 anos, é profissional de comunicação, e deu à luz seu filho Luis Esteban na Casa de Parto de Sapopemba, na zona leste da cidade.

Mariana queria um parto mais humanizado, com o mínimo de intervenção possível. Isso significa que não tomou anestesia para o nascimento do filho, conduzido pela enfermeira obstetra Maria Yukie Nakamura Takahashi.

Mariana sabia que a gravidez não corria riscos, já que acompanhou o crescimento do bebê com os exames necessários e cuidou de sua alimentação durante a gestação. Quando sua bolsa estorou, ela passou 15 horas na Casa de Parto de Sapopemba esperando a hora certa para o bebê nascer. Se estivesse em um hospital, muito provavelmente seria encaminhada para uma cirurgia cesariana, já que a maioria tem como procedimento não deixar o trabalho de parto ultrapassar 12 horas.

Mariana não precisou vestir camisola de hospital, nem ficar deitada numa posição pré estabelecida pelos médicos e pelo formato da cama para ter seu filho. Ela pôde ficar sem roupa e posicionar seu corpo da maneira mais confortável para parir. Na hora do nascimento, havia apenas um abajur ligado para auxiliar a enfermeira e um aquecedor para garantir o conforto dela e do bebê.

Uma hora depois de dar à luz, Mariana já conseguia ficar de pé e festejar a chegada do pequeno. Um dia depois do parto teve alta e pôde voltar para casa com seu filho no colo. Não pagou nenhum centavo para parir, já que a casa era pública. Não gerou lixo hospitalar. Gastou pouquíssima energia elétrica. E quer repetir a experiência se tiver um segundo bebê.

Fazendo a Conta:

A Organização Mundial da Saúde considera aceitável que de 10% a 15% dos partos sejam feitos com cesáreas, que só devem acontecer em caso de complicações durante a gravidez. O Brasil tem uma taxa de 80% de cesáreas, a grande maioria realizada em hospitais públicos. A recuperação, nesses casos, é muito mais lenta, o que faz com que a mãe e o bebê precisem ficar mais tempo no hospital.

É difícil quantificar o impacto ambiental de partos feitos em hospitais, mas é fato que geram, de um lado, uma grande quantidade de resíduos – 85% deles recicláveis e 15% constituído de materiais infectantes e perigosos, que exigem manuseio especial no descarte – e, de outro, demanda de água e energia elétrica para que funcionem 24 horas por dia.

Escola a pé

Marcia Carini tem 36 anos, é jornalista, e escolheu para seu filho, Loretto, uma escola que fica a 600 metros de casa.

Todos os dias, Márcia passa cerca de oito minutos caminhando com o filho de dois anos até a porta do colégio. Só tira o carro da garagem para levá-lo até a escola quando chove ou faz muito frio.

Loretto não é aluno de uma das escolas top de linha de São Paulo, que ficam a pelo menos quatro quilômetros de sua casa. Não vai ser alfabetizado em dois idiomas ao mesmo tempo antes de completar seis anos de idade nem aprender operações complexas de matemática antes da primeira série do ensino fundamental. Não faz aulas de caratê, judô, nem informática na escola.

Márcia queria um espaço de convivência para onde pudesse levar seu filho à pé, cujos donos parecessem sérios e as professoras carinhosas. A mensalidade barata e o gasto zero com transporte permitem que ela reserve uma graninha para dar ao garoto um outro tipo de educação: aquela que recebemos ao viajar.

Loretto reconhece a imagem da Monalisa, a torre Eifel e o Big Ben porque já viajou até cada um deles, e conhece a história do Monstro do Lago Ness porque já viu o lago de perto. Ao caminhar para a escola, Marcia deixa de rodar 8 quilômetros por dia de carro, o que equivale à emissão de 0,52 toneladas de carbono por ano (ou 0,26 por passageiro se houver duas pessoas no carro). As emissões de uma viagem anual a Paris equivalem a 1,7 toneladas de carbono, divididas com outros 100 passageiros – portanto 0,017 por pessoa.

Ela não se angustia por saber que o filho está exposto, na escola, a coisas legais para sua formação e outras nem tanto assim. Prefere que ele conheça o mundo e aprenda a distinguir o que é bacana do que não é.

Fazendo a conta:

A pesquisa de origem-destino realizada a cada dez anos na região metropolitana de São Paulo contabilizou, em 2007, 38,1 milhões de viagens realizadas diariamente, 66% feitas com veículos motorizados. Quanto maior a renda familiar, menores são os números de deslocamentos feitos à pé.

Márcia conseguiu fugir à regra matriculando Loretto em uma escola perto de casa. Diminuir a demanda por transporte e por asfalto (que impermeabiliza o solo e contribui com as ilhas de calor) é uma saída para diminuir as emissões de gases do efeito estufa e regular a temperatura da cidade, que chega a ser 6ºC mais quente no centro em relação às estremidades.

Comida local

Vanessa Trielli tem 31 anos, é professora de yoga e conseguiu encurtar a cadeia para comprar alimentos para sua casa.

Quando vai comprar comida, ela sempre opta pela feira do seu bairro ou encomenda cestas de produtos orgânicos em uma empresa chamada Sabor Natural, que entrega tudo em casa. Também procura os produtos que compõem a sua mesa em feiras como a que acontece todos os sábados de manhã no Parque da Água Branca, no bairro da Pompéia, que só vende produtos orgânicos.

Vanessa paga um pouco mais caro por esses alimentos do que pagaria em um supermercado. Mas o impacto de suas refeições para o meio ambiente é muito menor, pois, além de viajar menos, os alimentos são menos embalados, o que gera menos lixo, e são cultivados sem agrotóxicos, danosos ao solo.

Fazendo a conta:

Alimentos básicos, como feijão, chegam a viajar 1.500 km, desde o Rio Grande do Sul, para chegarem até São Paulo. Como a cidade tem uma alta densidade populacional e grande parte do solo contaminado, os alimentos são cultivados em regiões cada vez mais distantes. (Entenda e quantifique o impacto do abastecimento de São Paulo) (link pro infográfico da comida)

De bike para o trabalho

Carolina Pretti tem 25 anos, é fisioterapeuta e usa a bicicleta como meio de transporte.

Todos os dias, Carolina precisa se deslocar por cinco quilômetros para chegar até o trabalho. Ela sabia que esse caminho poderia ser percorrido em cinco minutos de carona no carro do namorado ou 15 minutos de ônibus. Mas descobriu nos últimos meses que 10 minutos são suficientes para percorrer a rota de bicicleta.

Carolina não pensa no fato de estar gerando menos gases poluentes ou contribuindo com a segurança de quem pedala pela cidade (quanto mais gente pedalando, mais seguro fica). Ela só sabia que queria versatilidade quando escolheu um modelo de bicicleta dobrável, que pode ser integrada ao transporte público, às caronas do namorado e facilmente transportada em viagens de ônibus e avião. E agora seu bilhete único carregado com 100 reais dura quatro meses – antes da bike durava apenas um.

Fazendo a conta:

De 1990 a 2005, o Inventário Brasileiro de Carbono mostrou um aumento de 62% nas emissões de gases do efeito estufa em São Paulo. O principal fator é a geração de CO2 pelos veículos a combustíveis fósseis. O número continua subindo, em parte porque a frota de carros da cidade aumenta todos os dias em 1.000 unidades e em parte porque a média de duração dos deslocamentos diários subiu de 33 para 39 minutos nos últimos dez anos.

Em média morrem 8 pessoas por dia, vítimas total ou parcialmente da poluição. A péssima qualidade do ar tira um ano em média da vida de um paulistano.

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lixoPor Rogério Ferro, do Instituto Akatu

Sem a coleta seletiva de resíduos dentro de casa, a logística reversa – uma das principais determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a recolher as embalagens recicláveis, depois de usados pelo consumidor final – não pode ser plena. Por isso, é fundamental levar a educação ambiental ao consumidor, para que ele possa contribuir, efetivamente, para o sucesso da PNRS, regulamentada em dezembro pelo ex-presidente Lula da Silva.

Essa foi a conclusão do debate que reuniu, na sede Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), na semana passada, representantes dos governos (federal e municipal), da sociedade civil organizada, além de empresários, para discutir a implementação da nova lei.

Para Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a logística reversa representa uma mudança de paradigma para o consumidor. “Ela pressupõe a responsabilidade compartilhada e isso é tão claro que hoje o Idec não fala mais apenas dos direitos do consumidor, mas também de seus deveres e responsabilidades”, explica. “Por isso enxergamos que informar e educar o consumidor deve ser o primeiro passo a ser dado para o sucesso desta lei”.

É que para os responsáveis pela recolha dos resíduos façam seu trabalho, o consumidor final deve realizar a coleta seletiva dos materiais dentro de casa, separando e disponibilizando materiais recicláveis como eletroeletrônicos velhos e seus componentes, além de diversos tipos de embalagem.

“Sem essa participação dos cidadãos, pode ser que a lei perca seu efeito, afinal, a não geração, a redução, a reutilização dos resíduos recicláveis são etapas que antecedem a reciclagem e sua execução é da responsabilidade do consumidor”, explica Silvano Silvério da Costa, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA). “E o governo não pode abrir mão de elucidar o cidadão sobre sua participação nesse processo, por isso, a nova lei prevê o acesso a esse tipo de informação em forma de campanhas”, disse.

Dráusio Barreto, secretário de Serviços do Município de São Paulo, enfatizou a opinião de Costa. “Em São Paulo, por exemplo, 10.400 toneladas de lixo de um total de 17.500 toneladas recolhidas diariamente, é domiciliar. Por isso, esse setor deve ser o foco da política que trata dos resíduos”.

Publicado em Viva Brasil

sacola

Por Leticia Freire, do Mercado Ético

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis

Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?

Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.

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Reciclar_reciclagemDo Instituto CarbonoBrasil

Especialistas destacam que além da sociedade ter que repensar seus hábitos de consumo é preciso que o governo e a iniciativa privada percebam que a reciclagem é uma grande oportunidade de novos negócios e uma ferramenta promotora da cidadania

Se você pegar a lata do lixo de sua casa e começar a analisar um a um os objetos contidos nela perceberá algo estranho. Você irá retirar, por exemplo, uma garrafa plástica, que só por estar vazia não significa que tenha deixado de ser uma garrafa. O mesmo serve para outras vasilhas, que se por acaso não podem ser reaproveitadas podem ser recicladas facilmente. Praticamente para tudo que você retirar do saco, latinhas, papéis e até mesmo materiais orgânicos, já existem tecnologias de reciclagem e reaproveitamento.

Então onde está o “lixo”? Onde estão as coisas que tão apressadamente descartamos sem ao menos nem pensar se ainda serviriam para algo?

Se tudo que encontramos na nossa lata de lixo já pode ser reutilizado e reciclado não seria um erro que essas mesmas coisas acabem empilhadas num lixão qualquer poluindo nosso solo e água?

Claro que é um erro! Mais que isso, é uma ignorância deixar toda essa riqueza esquecida nos aterros mundo a fora. É preciso que os governos, empresas e pessoas acordem para essa realidade.

É esse alerta que especialistas reunidos em Florianópolis para a 7º Conferência Lixo Zero Internacional querem passar a toda a sociedade.

“Falta bom senso nessa questão que literalmente está sob nossos narizes. Todo o santo dia jogamos algo fora que possui um potencial imenso de ainda ser útil. Nosso planeta é finito, não podemos mais nos dar ao luxo de simplesmente ignorar os recursos presentes nos resíduos”, explicou Richard Anthony, presidente da Zero Waste International Alliance.

Oportunidades

O Brasil aparece nesse cenário de reaproveitar o lixo como um dos países mais promissores do planeta. Com a recém aprovação da lei dos resíduos sólidos e sua provável regulamentação em novembro, os governos e empresas terão o dever de recolher, reaproveitar ou reciclar tudo o que for possível. Apenas o que realmente não puder ser reutilizado deverá ir para aterros sanitários que seguirão rígidas normas ambientais. Os lixões como conhecemos não poderão mais existir.

No prazo de dois anos, se uma cidade não cumprir sua parte, o governo federal terá o poder de não repassar mais os recursos para a gestão do lixo. Sem esses recursos o município não conseguirá recolher seus resíduos e incorrerá em crime ambiental, cabendo inclusive a prisão do prefeito.

“Mas o principal objetivo da lei não é colocar gente na cadeia. Trata-se de um projeto moderno que busca incentivar a criação de uma indústria nacional de reciclagem e tratamento de resíduos”, explicou Walfrido Assunção Ataíde, consultor que trabalhou ao lado dos parlamentares para formular a nova política.

Entre as oportunidades destacadas por Ataíde está a criação de escolas, cursos e especializações voltadas para a capacitação de pessoas para trabalhar com o reaproveitamento de resíduos.

“Iremos precisar de mais engenheiros sanitários, químicos e biólogos para esse ramo que de certa forma deve se transformar em um novo fornecedor de matéria-prima para a cadeia de produção”, afirmou.

Outra grande lacuna que deverá ser preenchida será a criação de uma indústria para reciclar equipamentos eletro-eletrônicos.

“A lei enfrenta um problema que é a falta de empresas capazes de reciclar computadores, pilhas e baterias. Por isso os fabricantes desses produtos ganharão um pouco mais de tempo até serem cobrados pela destinação de suas mercadorias. Existe muito dinheiro nessa área esperando por alguém com visão. É um novo nixo de mercado que quem chegar primeiro irá ter uma grande vantagem”, disse o consultor.

Nesse quesito vale destacar o trabalho já existente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), que desde 1995 é um dos pioneiros na inclusão digital, recolhendo computadores  e destinando-os para comunidades carentes e escolas. A ONG já está presente em 13 países e afetou a vida de mais de um milhão de pessoas.

 Iniciativas

A nova lei também vai estimular a formação de cooperativas de catadores e reciclagem assim como a criação de entidades que trabalhem com os resíduos, como o CDI.

Um bom exemplo de iniciativa que deve sair ganhando com a lei é o Espaço Recicle, criado pelo engenheiro Rodrigo Sabatini.

A idéia é simples, as pessoas levam materiais já devidamente separados para os trailers do Espaço Recicle espalhados em pontos estratégicos da cidade. Esses resíduos são pesados e convertidos em pontos que ficam acumulados em um cartão magnético. 

O Espaço Recicle repassa então os resíduos coletados para empresas parceiras, que os transformam em produtos como camisetas, bolsas e brinquedos.

Mais tarde, a pessoa pode trocar os pontos no cartão por essas mercadorias. O modelo já está presente em Florianópolis.

“É engraçado como todo mundo que vem conversar comigo quer ajudar, quer participar. Não entendo como com tantas pessoas boas nós deixamos a situação do planeta ficar tão ruim. Acredito que temos que deixar de lado um pouco o discurso e partir para a ação. O mundo precisa de mais pessoas que façam as coisas acontecer”, concluiu Sabatini.

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Segunda, 27 Setembro 2010 15:04

Veja como fazer saquinho de jornal para o lixo

lixo_materiaDo Instituto Akatu

Saco é um saco, não é mesmo? Mas como armazenar e tirar o lixo de casa sem a sacolinha plástica do supermercado, da padaria ou da farmácia? Uma saída é usar um único saco na semana em uma lixeira grande, de preferência de plástico reciclado, no qual vai-se acumulando o lixo doméstico, que pode ser recolhido nos diversos lixinhos da casa (cozinha, banheiros…) em embalagens que se decompõem mais rápido que o plástico, tais como papelão ou papel jornal.

O consumidor consciente busca evitar o lixinho-dentro-do-plastiquinho-que-vai-para-a-sacolinha-dentro-de-outra-sacolilnha-maior-jogada-com-outras-sacolinhas-dentro-do-saco-preto-grande. Por que não jogar tudo direto no saco preto e evitar essa cadeias de sacolinhas dentro de sacolinhas? Cada brasileiro consome em média 800 saquinhos plástico por ano ou quase 153 bilhões de sacolinhas no país inteiro. Se fosse um pedaço único de plástico, daria para cobrir todo o Estado do Rio de Janeiro ou mais da metade de Santa Catarina.

O plástico é feito de petróleo, portanto aumenta o aquecimento global, leva centenas de anos para se degradar na natureza e, descartado errado, vai entupir bueiros e tubulações de esgoto provocando enchentes. No lixão ou aterro sanitário, por impedir a circulação de gases, também atrapalha a degradação de outros materiais.

Um boa dica é recolher os pequenos lixinhos da casa em sacolinhas de jornal. Você aproveita para reciclar o jornal velho e ainda reduz o uso do plástico. Veja como fazer. O passo-a-passo dessa dobradura circula pela internet e o Akatu recebeu por email de um consumidor consciente, passe adiante.

lixo11) Você pode usar uma, duas ou até três folhas de jornal juntas, para que o saquinho fique mais resistente. Começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado.

lixo22) Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.

lixo33) Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.

lixo44) Vire a dobradura “de barriga para baixo”, escondendo a aba que você acabou de dobrar.

lixo55) Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda e você terá a seguinte figura:

lixo66) Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.

lixo77) Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.

lixo88) Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:

lixo99) Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!

lixo1010) É só encaixar dentro do seu cestinho e substituir o saco plástico.

Que tal?

lixo11Pode parecer complicado vendo as fotos e lendo as instruções, mas faça uma vez seguindo o passo a passo e você vai ver que depois de fazer um ou dois você pega o jeito e a coisa fica muito muito simples. Daí é só deixar vários preparados depois de ler o jornal de domingo!

 

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CapibaribeComeça nesta quarta-feira (25) um mutirão para a retirada de lixo e entulhos dos manguezais que margeiam o Rio Capibaribe, no Recife. A expectativa é recolher, até a próxima semana, cerca de 40 toneladas de material em um trecho de  2,2 km localizado na área central da cidade. A operação, realizada pela Prefeitura do Recife, conta com 15 garis e um fiscal da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb).

A  ação parte da pracinha da Rua da Aurora - onde há uma maior concentração de resíduos acumulados por ações de despejo irregular - e atuará também nas proximidades das pontes do Limoeiro, Boa Vista e no entorno da Casa da Cultura.

Para o diretor de Limpeza Urbana, Paulo Padilha, a operação é importante para preservar a vegetação e também alguns pequenos crustáceos que crescem no mangue, lembrando a necesidade da colaboração da população em não jogar lixo no rio e nos canais.

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residuosPor Rogério Ferro, do Instituto Akatu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, há quinze dias, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). Além de obrigar o fim progressivo dos lixões em todos os municípios do país, a nova lei cria, entre outras garantias, a “logística reversa”.

A determinação obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a recolher, depois de usados pelo consumidor final:

> agrotóxicos e seus resíduos e embalagens;

> pilhas e baterias;

> pneus;

> óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

> lâmpadas fluorescentes;

> produtos eletrônicos e seus componentes.

A lei deve ser regulamentada em até 90 dias, estabelecendo prazos para que as empresas implantem a nova conduta e informem ao consumidor sobre o recolhimento dos produtos usados.

Além disso, as instituições terão que comprovar a destinação ambientalmente correta desses resíduos. O desrespeito à norma é crime ambiental, que prevê pena de até cinco anos de reclusão e multa.

Clique aqui para ver mais detalhes sobre a PNRS.

Daqui três meses, será obrigatório, mas já há iniciativas de logística reversa para alguns produtos no país.

Veja abaixo como descartar corretamente:

> Pilhas, baterias, celulares e acessórios

> Aparelhos de som, televisores, liquidificadores

> Informática e máquinas fotográficas

> Pneus

> Óleos lubrificantes e suas embalagens

> Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio ou mercúrio e de luz mista

> Eletrodomésticos

> Entulho e materiais de construção

 

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