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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Taiza Brito

Taiza Brito

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 Por Francisco Roberto Caporal

Todas as teorias, sejam elas marxistas ou da economia neoclássica, trataram de propor caminhos para o crescimento econômico. Crescer o produto interno bruto, crescer a renda, crescer a produção e produtividade e crescer o consumo passaram a ser metas coletivas e individuais das sociedades cristãs ocidentais do Norte e essas foram consideradas como “modelo de desenvolvimento” para o mundo.

Ao longo da história moderna, nossas estratégias de desenvolvimento têm sido orientadas por este dogma: crescer. Se o problema é a pobreza, precisamos crescer. Se o problema é a fome, precisamos crescer. Se o problema é a falta de emprego, precisamos crescer. Se o problema é a destruição das florestas, precisamos cresce.

Trata-se de um receituário único e, portanto, burro. Nossos formuladores de políticas macro e microeconômicas não incorporaram em seus dicionários a questão a finitude dos recursos naturais, dos limites do Planeta.

A gênese deste pensamento pode ser encontrada na síntese das teorias da Modernidade e é justamente no chamado período Moderno que se estabelecem os marcos típicos do individualismo atual e das relações de espoliação da natureza que acabaram nos levando para a atual crise civilizatória, que é uma crise multidimensional. Não se trata apenas do problema ambiental.

Os relatórios de sucessivas conferências internacionais informam a dimensão da crise social, da crise do sistema agroalimentar, da crise da saúde, da crise econômica, além da crise ambiental que se agrava dia a dia. Os ideais de progresso nos levaram a menosprezar a incompatibilidade do crescimento continuado e ilimitado, repetimos, em um Planeta de recursos limitados e finitos.

No nível individual, fomos transformados de cidadãos em “consumidores” e nossos desejos humanos passaram a ser definidos pelo consumo de mercadorias. Acumulação e consumo determinam nossos objetivos pessoais. O lucro e a competição determinam os objetivos empresariais. Trata-se de uma corrida sem a bandeirada de chegada.

A última crise econômica trouxe exemplos óbvios de nossos equívocos econômicos com respeito ao meio ambiente. Para manter o crescimento do PIB é indispensável que cresça com voracidade o consumo. Assim, para garantir o aumento do consumo baixam-se impostos e lança-se uma brutal campanha mediática de estimulo às compras.

Com isso, estimula-se a acumulação em alguns setores, como no setor financeiro-industrial. Ao mesmo tempo é possível tornar mais felizes os consumidores desejosos de ter o seu primeiro, segundo, terceiro ou quarto carro, TV, geladeira, etc.

Comemoramos a venda de mais de trezentos mil veículos automotores neste mês de março, e ao mesmo tempo reclamamos da poluição, dos congestionamentos, da falta de estradas e estacionamentos, do preço dos combustíveis.

Festeja-se a manutenção de empregos, como se crescer fosse o único e inevitável caminho. Para olhar uma parte do problema, o que não vemos e não aparece na grande mídia é que estes milhares de automóveis que entraram em circulação nos últimos meses significam uma brutal carga de consumo de matéria e energia, incompatível com todos nossos desejos, discursos e políticas ambientalistas.

Segundo alguns estudos, um carro carrega consigo uma “mochila ecológica”. Isto é, seu “peso ambientalmente” seria 15 vezes mais que o seu peso de balança considerando as perdas e consumo de matéria e energia ao longo do processo que se inicia na extração de minérios e acaba na porta da loja. Podemos chamar isto de desenvolvimento sustentável?

Na verdade, é mais uma evidência do paradoxo entre crescimento e preservação ambiental. Aliás, a incompatibilidade entre crescimento ilimitado e preservação dos recursos naturais já foi demonstrada por Nicholas Georgescu-Roegen em 1971, com a publicação do clássico “A lei da entropia e o processo econômico” onde ele mostra que não há crescimento econômico sem impacto ambiental.

Não obstante, o que continuamos assistindo, como afirmam vários estudiosos da Economia Ecológica, é que a “economia neoclássica esconde por trás de sua elegância matemática a absoluta indiferença com respeito às leis da termodinâmica, da biologia, da química, da ecologia, etc.”

Portanto, para enfrentarmos a atual crise civilizatória em que estamos imersos, precisaríamos estabelecer um novo “contrato social”, no qual se considere homens e mulheres como seres interdependentes entre si e dependentes da natureza e onde a economia se subordine à ecologia. Precisamos descobrir os caminhos para viver bem com menos e criando condições de justiça e equidade.

Isto vem sendo discutido no âmbito da construção de uma Teoria do Decrescimento, o que pode soar quase como uma blasfêmia quando vivemos numa sociedade em que a aposta no crescimento é como um dogma religioso.

De toda a forma, para avançarmos no processo de mudança que está em curso, na busca de uma sociedade mais sustentável, teremos que acelerar o atual processo de ecoalfabetização, de modo que cada indivíduo se dê conta de que mudar seu estilo de vida e nossas estratégias coletivas de produção e consumo significaria, de fato, estabelecer compromissos de solidariedade para com as atuais e as futuras gerações: condição fundante na construção de uma sociedade sustentável.

Francisco Caporal é engenheiro agrônomo, doutor pelo programa de Agroecologia Campesinado e Historia da Universidade de Córdoba (Espanha) e presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).

 

Para quem estiver pelo Agreste Meridional neste feriadão de Páscoa vale conferir a programação da Primeira Mostra de Música Clássica e Arte Sacra de Garanhuns, que recebe o nome de Festa Paschalia. Sob curadoria do maestro José Renato Accioly, do Conservatório Pernambucano de Música, e da diretora da Galeria Mãos da Terra, Ielma Lucena, o evento iniciado na quinta-feira (01) segue até o domingo (04).

Quem conferiu o show de abertura, no Centro Cultural Alfredo Leite, com apresentações do grupo Sa Grama e da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música foi premiado com música de alta qualidade. Sem falar no clima ameno da cidade, que à noite registrava 22º nos termômetros e na hospitalidade do gararanhuense. Confira a programação:


Mostra de arte sacra:
Dias 02, 03 e 04/04
das 09 às 19h

Locais:
Galeria Mãos da Terra (escultura em madeira, argila e peças de decoração)
Rua Ildefonso Lopes, 590 – Heliópolis.

Galeria Kadichari (artes plásticas)
Av. Simôa Gomes, 701 – Heliópolis

Casa do Artesão de Garanhuns (artesanato religioso)
Rua Dantas Barreto, Centro (próximo ao Centro Cultural)
Mostra de Música Clássica

Local: Centro Cultural de Garanhuns
Curador: José Renato Accioly (do Conservatório Pernambucano de Música)

Dia 02
17h - Quarteto ENCORE
21h - Duo Casado

Dia 03
17h - Camerata Pernambuco
21h - Gaiamalgama
22h - Orquestra Retratos do Nordeste

Sexta, 02 Abril 2010 14:39

A Páscoa da terra crucificada

aPor Leonardo Boff, no site do Mercado Ético em 01.04.2010

A páscoa é uma festa comum a judeus e a cristãos e encerra uma metáfora da atual situação da Terra, nossa devastada morada comum.

 Etimologicmente, páscoa significa passagem da escravidão para a liberdade e da morte para a vida.

O Planeta como um todo está passando por uma severa páscoa. Estamos dentro de um processo acelerado de perda: de ar, de solos, de água, de florestas, de gelos, de oceanos, de biodiversidade e de sustentabilidade do própro sistema-Terra.

Assistimos estarrecidos aos terremotos no Haiti e no Chile, seguidos de tsunams. Como se relaciona tudo isso com a Terra? Quando as perdas vão parar? Ou para onde nos poderão conduzir? Podemos esperar como na Páscoa que após a sexta-feira santa de paixão e morte, irrompe sempre nova vida e ressurreição?

Precisamos de um olhar retrospectivo sobre a história da Terra para lançarmos alguma luz sobre a crise atual. Antes de mais nada, cumpre reconhecer que terremotos e devastações são recorrentes na história geológica do Planeta. Existe uma “taxa de extinção de fundo” que ocorre no processo normal da evolução. Espécies existem por milhões e milhões de anos e depois desparecem. É como um indivíduo que nasce, vive por algum tempo e morre. A extinção é o destino dos indivíduos e das espécies, também da nossa.

Mas além deste processo natural, existem as extinções em massa. A Terra, segundo geólogos, teria passado por 15 grandes extinções desta natureza. Duas foram especialmente graves. A primeira ocorrida há 245 milhões de anos por ocasião da ruptura de Pangéia, aquela continente único que se fragmentou e deu origem aos atuais continentes. O evento foi tão devastador que teria dizimado entre 75-95% das espécies de vida então existentes. Por debaixo dos continentes continuam ativas as placas tectônicas, se chocando umas com as outras, se sobrepondo ou se afastando, movimento chamado de deriva continental, responsável pelos terremotos.

A segunda ocorreu há 65 milhões de anos, causada por alterações climáticas, subida do nivel do mar e arquecimento, eventos provocados por um asteróide de 9,6 km caido na América Central. Provocou incêndios infernais, maremotos, gases venenosos e longo obscurecimento do sol.

Os dinossauros que por 133 milhões de anos dominavam, soberanos, sobre a Terra, desapareceram totalmente bem como 50% das espécies vivas. A Terra precisou de dez milhões de anos para se refazer totalmente. Mas permitiu uma radiação de biodiversidade como jamais antes na história. O nosso ancestral que vivia na copa das árvores, se alimentando de flores, tremendo de medo dos dinossauros, pôde descer à terra e fazer seu percurso que culminou no que somos hoje.

Cientistas (Ward, Ehrlich, Lovelock, Myers e outros) sustentam que está em curso um outra grande extinção que se iniciou há uns 2,5 millhões e anos quando extensas geleiras começaram a cobrir parte do Planeta, alterando os climas e os níveis do mar. Ela se acelerou enormemente com o surgimento de um verdadeiro meteoro rasante que é o ser humano através de sua sistemática intervenção no sistema-Terra, particularmente nos último s séculos. Peter Ward (O fim da evolução, 1977, p.268) refere que esta extinção em massa se nota claramente no Brasil que nos últimos 35 anos está extinguindo definitivamente quatro espécies por dia. E termina advertindo:”um gigantesco desastre ecológico nos aguarda”.

O que nos causa crise de sentido é a exitência dos terremotos que destroem tudo e dizimam milhares de pessoas como no Haiti e no Chile. E aqui humildemente temos que aceitar a Terra assim como é, ora mãe generosa, ora madrasta cruel. Ela segue mecanismos cegos de suas forças geológicas. Ela nos ignora, por isso os tsunamis e cataclismos são aterradoras. Mas nos passa informações. Nossa missão de seres inteligentes é descodificá-las para evitar danos ou usá-las em nosso benefício. Os animais captam tais informações e antes de um tsunami fogem para lugares altos.

Talvez nós outrora, sabíamos captá-las e nos defendíamos. Hoje perdemos esta capacidade. Mas para suprir nossa insuficiência, está ai a ciência. Ela pode descodificar as informações que previamente a Terra nos passa e nos sugerir estratégias de autodefesa e salvamento.

Como somos a própria Terra que tem consciência e inteligência, estamos ainda na fase juvenil, com pouco aprendizado. Estamos ingressando na fase adulta, aprendendo melhor como manejar as energias da Terra e do cosmos. Então a Terra, através de nosso saber, deixará que seus mecanismos sejam destrutivos. Todos vamos ainda crescer, aprender e amadurecer.

A Terra pende da cruz. Temos que tirá-la de lá e ressuscitá-la. Então celebraremos uma páscoa verdadeira, e nos será permitido desejar: feliz Páscoa.

Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.
 

Quinta, 01 Abril 2010 23:04

Wabi-sabi: vivencie a imperfeição

Por Carol Bradley

A revista Trip de março publicou uma matéria interessante sobre o conceito japonês Wabi-sabi. Em uma sociedade consumista como a nossa, em que somos constantemente estimulados a descartar o velho e adquirir o novo, a sabedoria oriental prega que há beleza em tudo que não é perfeito.

Como isso se aplica no cotidiano? Por exemplo, uma mancha no sofá. Muitos poderiam querer trocar o estofado para se livrar da incômoda marca, mas o Wabi-sabi procura cultivar tudo que é autêntico ao reconhecer três realidades simples: “nada dura, nada é completo, nada é perfeito,” explica Jamie Brisick, autor do texto.

“Em termos mais coloquiais, Wabi-sabi é o pacote completo; admite o defeito; revela a história, o desgaste e o sofrimento,” esclarece Brisick. Percebe-se desta forma, que a busca da perfeição estética, tão valorizada atualmente, está na contramão deste princípio.

Ver beleza na imperfeição é procurar viver com mais simplicidade, aceitando o processo de desgaste natural que afeta tanto os objetos, quanto os seres humanos.

acoqueUma série de eventos vai marcar o aniversário de 10 anos do Programa Criança Cidadã, iniciativa que leva cultura, educação, lazer e a esperança de um futuro melhor para centenas de crianças e adolescentes de áreas menos favorecidas do Recife.

Durante esse tempo, o programa cresceu e se transformou na Associação Beneficente Criança Cidadã, que hoje reúne os projetos Orquestra Criança Cidadã e Espaço Criança Cidadã Dom Helder Camara.

Confira a programação:

10/04
Dia da Cidadania
Local: Espaço Criança Cidadã Dom Helder Camara, a partir das 8h

12/04
Missa de Ação de Graças, celebrada pelo Padre Caetano
Local: Espaço Criança Cidadã, Dom Helder Camara, a partir das 16h

Entrega de homenagens
Local: Teatro da UFPE, entre 19h e 20h

Concerto da Orquestra Criança Cidadã
Local: Teatro da UFPE, entre 20h e 22h

13/04
Almoço de adesão
Local0: Sal e Brasa Churrascaria, a partir das 12h

acepeA Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) está abrindo inscrições para o I Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil. Os interessados terão a opção de se inscrever nas duas modalidades de premiação, ou apenas em uma delas. Os textos da modalidade infantil são destinados a leitores de seis a 10 anos e da juvenil a adolescentes entre 11 e 16 anos.

Poderão participar do concurso brasileiros e estrangeiros legalizados, residentes no território nacional. Os prêmios serão de R$ 8 mil para o primeiro colocado de cada categoria; R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro. A comissão julgadora será composta de cinco membros: quatro especialistas em literatura infantojuvenil e um representante da Cepe. O regulamento está disponível no site da editora (http://www.cepe.com.br)

Quarta, 31 Março 2010 16:14

Mensagem compreendida

AMOR_E_PAZO Blog Viva Pernambuco (www.vivapernambuco.com.br) completa um mês de veiculação comemorando o fato de a nossa proposta editorial estar sendo entendida e multiplicada por internautas pernambucanos, de dezenas de cidades brasileiras e de 12 países do mundo, desde o lançamento oficial, ocorrido em 1º de março.

Os números do Google Analytics, site que emite relatórios diários sobre páginas na web, mostram que o Blog Viva Pernambuco alcançou a marca de 2.076 visitantes até o dia 30 de março, com 6.379 pageviews (cliques nas páginas).

Sendo que o que chama mais atenção no relatório é o percentual de novos visitantes, que alcança 69% do total, o que significa que o blog vem atraindo diariamente novos leitores. E entre os 31% restantes quase 70% tornaram-se visitantes assíduos.

Mais importante que os números para nós, editores, é que e o conceito de jornalismo que constrói – amparado no leque da difusão de mídia de paz – está sendo compreendido.

Este jornalismo não é míope, não enxerga um mundo de um prisma cor de rosa e nem é chapa branca. Temos como maiores aliados a crítica, a reflexão e o olhar ampliado para os fatos.  

Agradecemos pelo apoio recebido, as palavras de incentivo, as sugestões enviadas e, principalmente, pelo acreditar que podemos ser agentes de transformação da realidade.

Atenciosamente os editores,

Carol Bradley, Éricka Melo, Jailson da Paz, Taíza Brito, Teresa Maia e Tiago Roffé.

acisternaDa Agência Brasil

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) vai repassar cerca de R$ 60 milhões para a Articulação do Semiárido (ASA) construir 31.860 cisternas na região, das quais 110 em escolas públicas rurais.

O objetivo é possibilitar o armazenamento da água da chuva e, assim, minimizar os efeitos da seca. A expectativa do MDS é que, no total, 70 mil cisternas sejam construídas no Semiárido até o final de 2010.

Segundo o coordenador-geral do Programa de Cisternas do ministério, Igor Arsky, a construção de poços em escolas começou em 2009, na Bahia, para combater os problemas que os colégios enfrentavam por causa da falta de água.

“Agora estamos ampliando, vão ser [atendidas] 110 escolas na zona rural, porque identificamos que elas têm os mesmos problemas que a comunidade. Vamos atender a escola para melhorar a qualidade da merenda, do lanche”, disse.

De 2003 a janeiro de 2010, o ministério apoiou a construção de 338 mil cisternas beneficiando 1,3 milhão de pessoas no Semiárido, que é formado pelos estados de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, Rio Grande do Norte e de Sergipe.

‘A cisterna é uma verdadeira revolução para a família do Semiárido, ela muda a perspectiva de vida dessas pessoas”, afirmou o coordenador.

Quarta, 31 Março 2010 16:00

Recado ao mundo

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É comum no tríduo pascal os cristãos serem levados à reflexão sobre a vida de Jesus, que sacrificou sua vida em nome da humanidade.

Preferimos pensar no Jesus menino, expressado nesta foto de Teresa Maia, de um vitral que representa Jesus pregando quando criança.

Para somar-se à foto, publicamos uma frase de Francisco Cândido Xavier, que se vivo estivesse completaria 100 anos no próximo dia 2 de abril: "O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros."

aescolaPor Maria Clara Machado, publicado no site do Mercado Ético

Atitudes simples dos pais, como conversar com os filhos e acompanhar o dever de casa, podem influenciar substancialmente a vida escolar de meninos e meninas. A constatação é do professor Cláudio de Moura Castro, que participou do colóquio Processos Educativos, Ampliação do Atendimento da Educação e Tecnologias da Informação. O debate ocorreu nesta segunda-feira, dia 29, durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília.

O professor fez uma comparação entre hábitos familiares em países asiáticos como Coréia e Japão e no Brasil. De acordo com ele, o desempenho acima da média dos alunos desses países, em avaliações internacionais como o Pisa, está intimamente relacionado ao envolvimento dos pais no acompanhamento da vida escolar dos filhos.

“Entre 70% e 80% dos resultados escolares se deve a fatores ligados à família”, avaliou. De acordo com Cláudio, no Japão e na Coréia os pais gastam cerca de 30% de seu orçamento com a educação dos filhos - mesmo que os sistemas de educação desses países seja público - ao pagar, por exemplo, aulas de reforços. “Isso é mais do que esses governos gastam com as escolas públicas.” Segundo o professor, 83% dos alunos da Coréia estão em cursos de reforços.

Outro ponto considerado positivo pelo pesquisador é que os alunos coreanos, além de terem aulas de reforço, passam mais tempo na escola: cerca de dez horas, contra cinco dos brasileiros. “Eles também lêem mais e vêem menos televisão do que os brasileiros”, disse. De acordo com ele, no Brasil, em média, os estudantes, quando estão em casa, passam quatro horas em frente à tevê e apenas uma estudando.

Para ajudar o filho a melhorar o desempenho, aconselha o pesquisador, bastam medidas simples como acompanhar o dever de casa, incentivar a leitura nas férias e conversar muito com os filhos. “O pai tem que saber o que ocorre na escola e o acompanhamento do dever de casa é o diálogo do pai com a escola”, acredita.

De acordo com as pesquisas de Cláudio, os pais que ajudam com o dever, verificam as correções dos professores e conversam bastante com os filhos, mesmo sobre assuntos não ligados à escola, mostram interesse pela vida dos filhos e incentivam uma rotina de estudos, influenciando positivamente no desempenho escolar. É o que ocorre na Coréia e no Japão, onde, segundo o professor, há uma profunda crença de que o estudo pode melhorar substancialmente a vida das pessoas.

*Leia mais sobre a Conae - http://conae.mec.gov.br 

 

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