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Quarta, 24 Novembro 2010 20:17

Diversidade e vontade política

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muiePor Ricardo Young*, no site do Envolverde

O Brasil que votou maçicamente em duas mulheres para a Presidência da República e escolheu uma delas para ocupar o mais alto cargo executivo da nação ainda não tem representação feminina significativa em nenhum cargo das 500 maiores empresas do país. Este é um dos dados contidos no “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil - 2010”.

O estudo pioneiro e até o momento único do país é feito pelo Instituto Ethos e pelo Ibope Inteligência a cada dois anos, desde 2001. Ele avalia, entre outras, a composição por cor ou raça e sexo, bem como presença de pessoas com deficiência em todos os níveis hierárquicos das maiores empresas do país.

O estudo mostra avanços, mas o ritmo é muito lento, de um ou dois pontos percentuais a cada ano. Hoje, as mulheres, que são 51% da população brasileira (IBGE), têm 31% de representação no quadro funcional, 26,8% na supervisão, 22,1% na gerência e 13,7% no executivo. Entre negros e pardos, que somam 98 milhões de brasileiros, as disparidades são ainda maiores e aumentam à medida que sobe a hierarquia. Eles são 31,1% no quadro funcional; 25,6% na supervisão, 13,2% na gerência e 5,3% no executivo.

A mulher negra ou parda – 50,1% do total de mulheres na população brasileira - representa 9,3% do quadro funcional, 5,6% da supervisão, 2,1% da gerência e 0,5% da diretoria – 6 negras entre 119 diretoras.

Pessoas com deficiência têm, no máximo, 1,5% de participação nos cargos.

O paradoxo deste cenário é que, entre estas 500 maiores, encontram-se empresas fortemente engajadas no movimento da responsabilidade social, com ações concretas para tornar os negócios parceiros do desenvolvimento sustentável no país. Parece óbvio que apesar da aparente boa vontade ela ainda não se traduziu em políticas consistentes de RH em toda a linha: do recrutamento e seleção à avaliação de cargos, salários e carreira funcional. Está provado que a promoção da diversidade melhora a competitividade e contribui para uma sociedade menos preconceituosa e mais tolerante. Mas, porque então esta letargia?

Adotar a diversidade como fator crítico de sucesso nos negócios é questão de vontade política. Quem já fez dá a receita: estabeleça metas para cada segmento, não se distraia. Em cinco anos, as disparidades  diminuirão muito e até podem acabar.

O Brasil caminha para ser a quinta economia global. Como podemos aceitar essa condição de sermos uma das sociedades mais desiguais do mundo? A promoção da diversidade nas empresas é um passo decisivo para o desenvolvimento econômico andar junto com a melhoria efetiva da vida das pessoas. Então, caros empresários, mãos à obra!

*Artigo publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo, edição de 22/11/2010.

Última modificação em Quarta, 24 Novembro 2010 20:19

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