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Sexta, 01 Abril 2011 02:09

Luta pela dignidade humana

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dia-da-mulher2Por Cesar Vanucci *

 As mulheres são seres humanos

 exatamente como os homens.”

(Lin Yutang)

A celebração do “Dia Internacional da Mulher” confere atualidade a alguns conceitos que andei expendendo em exposição feita num Fórum feminino, com participação de mais de mil pessoas, promovido alguns anos atrás pelo Lions Clube. Proclamando que as lutas da mulher são lutas em favor da dignidade humana, transmiti da maneira que se verá adiante o meu recado.

Sou um repórter. Exatamente isso, um repórter. Em tudo que aprendi a fazer, na vida profissional e atividades sociais, comporto-me, basicamente, como um repórter. Procuro, assim, me informar de um pouco de tudo. Mas devo confessar, em boa e leal verdade, que não sei senão muito poucas coisas.

Trago para aqui um pouco do que aprendi acerca do papel da mulher na sociedade, sobre as lutas e conquistas da mulher em sua ascensão humana. Às organizadoras deste Fórum, confesso também, desvanecido, que minha participação no evento constitui honra demais para um pobre repórter.

Peço permissão para dedicar a palestra à Addi, minha valorosa companheira, que me tem ajudado nesses anos todos a entender as idéias e conceitos que vou defender.

Começo com uma evocação especial: o grande Papa João XXIII. Dele a declaração de que a luta da mulher pela obtenção de direitos representa uma das maiores revoluções empreendidas pela humanidade no século XX. O Papa, como sempre, sabia do que estava falando. A dolorida história da promoção da mulher simboliza, melhor do que qualquer outro esforço humano de crescimento político, cultural, social, econômico, a história por inteiro das lutas pela conquista dos direitos do cidadão.

Nos óbices defrontados nas lutas da mulher estão contundentemente inseridos abjetos preconceitos, aviltantes discriminações, asfixiantes camisas-de-força, presentes, todo o momento, na convivência humana, frutos malsãos do obscurantismo, do machismo castrador, da insensibilidade para se compreender o sentimento do mundo, o sentido cósmico da vida.

Não é difícil detectar, em instantes de trevas, decretadas pelo preconceito e pela discriminação, que a mulher é invariavelmente penalizada em dobro, em relação ao homem. O racismo a alveja por ser negra, por ser cigana, por ser judia, ou por não ser judia, e por ser mulher. Ela paga o pato, por assim dizer, por pertencer à etnia errada, em lugar ou momento errado, na concepção do radicalismo dominante em determinado cenário, e por ser mulher. Por pertencer à religião enjeitada, nas mesmas circunstâncias de ambiente e época, e por ser mulher. Assim por diante.

Recorramos a um outro pensador. Eis o que diz Lin Yutang: “As mulheres são seres humanos exatamente como os homens - iguais na capacidade de julgar e de cometer erros, se lhes derdes a mesma experiência do mundo e os mesmos contatos com este.”

Numa terna cena da infância, extraída do baú das recordações, vejo desenhado o perfil da primeira líder feminista que fiquei conhecendo. Era uma moça de seus trinta anos, dona de semblante extremamente simpático e de corpo bem proporcionado. Trescalava obstinação pelos poros. A gesticulação exuberante, herança napolitana, nela reforçava as palavras ditas em tom de voz quase cantante. Durante um tempão, já adulto, alimentei sem poder concretizar o desejo de manter com ela um dedo de prosa. Até hoje carrego o dilema que um bom papo poderia certamente ter desfeito. Teve ela, a qualquer tempo, exata percepção do significado precursor dos gestos e ações que assumiu?

Todas as tardes, eu a avistava descendo a ladeira que dava num campo de futebol improvisado, onde a garotada tocava suas peladas movidas a bola de pano, brigas inofensivas e um que outro palavrão punido com chinelada. A sensação era de que Verlaine descobrira naquele gracioso desfile vespertino inspiração para os versos: “Quando ela anda, eu diria que ela dança.”

Pontualidade parecia atributo todo seu. Havia quem acertasse o relógio à sua passagem. Era o momento em que as janelas das redondezas se fechavam estrepitosamente, em sinal de zanga malcontida. Olhares e murmurações recriminatórios acompanhavam-lhe a trajetória graciosa por detrás das venezianas, até que escapulisse por completo do raio de visão do falso puritanismo entocaiado. Tudo compunha clima de excitante e novelesco mistério que aguçava demais da conta a cabeça da gente. Por que as coisas corriam daquela maneira? O que a nossa heroína andava aprontando?

Prepare-se a benevolente platéia, notadamente da ala das fumantes, para um baita impacto. A nossa valente personagem, apenas e simplesmente, foi a mulher que primeiro ousou, naquela aprazível cidade do interior (Uberaba), fumar em público. Ousou mais - “imaginem só o descaramento!” - : foi também a primeira a andar de calça comprida pelas ruas. Tais lembranças, de simbólico surrealismo, chegam a propósito da temática que hoje nos reúne neste amorável encontro de confraternização e reflexão.

Estas reflexões têm continuidade adiante.

* É jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ), e escreve semanalmente para o Blog.

Última modificação em Sexta, 01 Abril 2011 02:19

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