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Terça, 24 Janeiro 2012 00:01

Esse tal de Capitão Astiz

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Por Cesar Vanucci *

Nas masmorras da ditadura argentina e no campo
 de batalha deixou evidenciado o mesmo desassombro.”

(Antônio Luiz da Costa, professor)

Esse tal de capitão Alfredo Astiz, que vem de ser, juntamente com outros dezessete comparsas, condenado à prisão perpétua pela Justiça argentina, em razão de atrocidades cometidas durante a ditadura militar em seu país, é protagonista de um episódio de estrepitoso surrealismo ocorrido durante a “Guerra das Malvinas”. Algo que produziu duradoura estupefação.

Tristemente celebrizado pela bestial ferocidade empregada no extermínio de criaturas indefesas, entre elas doze fundadoras do movimento “Mães da Praça de Maio”, duas freiras francesas e uma adolescente sueca, detida “por equívoco”; um dos cabeças do terrorismo de Estado que levou à eliminação de milhares de seres humanos nos porões do regime militar, ele foi escolhido a dedo, por sua apregoada condição de “estrategista militar” e de “líder corajoso e resoluto”, para comandar a primeira frente de resistência das tropas argentinas que se posicionaram nas ilhas contestadas com vistas ao inevitável enfrentamento das forças britânicas.

Sua atuação deixou todos, até os próprios inimigos, boquiabertos. Nem bem a primeira fileira dos soldados gurkas, temidos combatentes da legião estrangeira inglesa, botou pra fora dos lanchões de desembarque as cabeças envoltas em turbantes, e já o “desassombrado” chefe militar, aos brados e com gestos frenéticos, danou a agitar a bandeira branca de rendição. A cidadela sob seus cuidados acabou sendo conquistada sem que se disparasse um único tiro.  Capturado nessas condições - extremamente desonrosas para um chefe militar depositário da irrestrita confiança dos ditadores portenhos engajados na tresloucada aventura bélica das Malvinas - o cara por muito pouco não foi extraditado para a França ou Suécia. Nesses países, seus hediondos crimes, julgados à revelia, renderam-lhe penas severas. Negociações, por sinal intermediadas pela Embaixada brasileira em Londres, impediram a entrega do demoníaco “Anjo Loiro” aos tribunais franceses. Um indivíduo asqueroso, pelo que se viu, de extrema “valentia” no trato com presos e desafetos a qualquer título colocados sob sua custódia e de atordoante covardia no campo de batalha na defesa do que acreditava ser parte sagrada do território pátrio.

Da série de crimes “por equívoco” que se lhe é creditada consta também vítima brasileira. Trata-se de um integrante de grupo artístico que acompanhava Vinicius de Moraes em turnê pela Argentina. Ao que se divulgou na época, o músico saiu do hotel, em Buenos Aires, à noite, durante toque de recolher, para compra de cigarros. Teve a infelicidade de topar com uma patrulha militar, pelo que se soube, chefiada pelo próprio Astiz. Nunca mais foi visto.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve semanalmente para o Blog Viva Pernambuco.

Última modificação em Terça, 24 Janeiro 2012 00:04

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