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Terça, 27 Novembro 2012 13:55

Decisão recebida com alívio

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Por Cesar Vanucci *

“O mundo inteiro está alegre.”

 (Delfim Neto)

Para um punhado de pessoas com razoável grau de percepção das vivências políticas o resultado de uma eleição presidencial nos Estados Unidos não altera substancialmente coisa nenhuma. Tudo tende, no frigir dos ovos, a permanecer como dantes no quartel de Abrantes. Distinguir uma eventual mudança na Casa Branca não é mole. O sabor da alteração equivaleria, comparativamente, ao de se deixar de tomar pepsi pra beber coca-cola.

Muitos sustentam, também, arrolando exemplos frisantes, que Barack Obama deixou uma esteira de frustrações neste primeiro mandato. O desempenho do simpático mandatário mostrou-se aquém das expectativas erguidas àquela hora singular de sua chegada impetuosa, salpicada de esperanças, ao palco internacional.

Tudo isto posto, bem avaliadas as circunstâncias da conjuntura mundial, considerados os senões, alguns desacertos, os descompassos entre promessas e realizações, entre discurso e prática na postura do Presidente, não há como, entretanto, deixar de reconhecer que a escolha eleitoral dos norte-americanos foi ajuizada. Recebida com sensação de alivio em todos os cantos deste planeta azul. O triunfo democrata foi conquistado contra adversário de postura retrograda. Alguém que não hesitou em desfraldar, com ânimo de cruzado belicoso, a bandeira radical de um conservadorismo arrepiante. As teses por ele levantadas, debaixo das ovações de fiéis seguidores, revelaram-se fruto de crenças fundamentalistas desvairadas. Alvejam em cheio anseios generosos da sociedade humana, ávida por paz, desenvolvimento e prosperidade social. Visceralmente comprometido com ortodoxia econômica desalmada, insensível à problemática social, o republicano Mitt Romney deixou inequivocamente gravada no espírito das ruas a disposição de retomar, à frente dos destinos da maior potência do mundo, a mesma desastrada política intervencionista de seu correligionário, o xerife George Bush. Uma política que arrastou o país a uma crise econômica perturbadora e aos atoleiros do Iraque e do Afeganistão. Não manteve oculto, igualmente, em momento algum, o empenho em atropelar as boas políticas sociais em implantação ou expansão promovidas por Obama no âmbito interno. Disse, com clareza de atitudes e de palavras, a que vinha: incrementar o radicalismo em todas as áreas da convivência humana, adotando as regras e conceitos medievais freneticamente apregoados pelo “Tea Party”, grupo hoje dominante nas fileiras republicanas. Um tipo de gente que está para a cultura religiosa e política do conservadorismo norte-americano assim como o talebanismo está para a cultura política e religiosa do islamismo.

A histórica reeleição de Obama comporta observações que não podem passar despercebidas. Os mais de 60 milhões e 500 mil votos por ele recebidos procederam de redutos isoladamente minoritários. Grupos étnicos (hispânicos, negros, asiáticos), grupos jovens, grupos femininos, grupos comprometidos com movimentos contestatórios aos padrões de puritanismo vigentes na vida americana. As minorias compuseram um conjunto de forças majoritário, que se contrapôs, na hora da escolha, àquelas parcelas da sociedade avessas a propostas reformistas, de certa forma preconceituosas, quando não declaradamente racistas, que mesmo não representando, com toda certeza, a integralidade dos votantes de Mitt Romney, constituem parte respeitável de seu contingente de apoio.

Como salientou Delfim Neto, com a eleição de Obama o mundo está alegre. “A exceção – acentua – são os 48% brancos saxônicos e protestantes (os Wasp) que não conseguiram retornar ao século XIX.”

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve semanalmente para o Blog Viva Pernambuco.

Última modificação em Quinta, 29 Novembro 2012 18:44

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