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Sexta, 15 Março 2013 13:34

Só faltava essa

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Por Cesar Vanucci *

“Mas estão todos malucos!”

(Frase atribuída a Dom Pedro II, na partida para o exílio, anotada por Paulo Rónai em seu “Dicionário de Citações”.)

O capítulo das zuretices e excentricidades do grande livro que narra as peripécias do bicho-homem em seus vais e vens por este mundo velho de guerra sem porteira, criado pelo bom Deus, onde o diabo costuma plantar seus perturbadores encraves, acaba de ser “enriquecido” com uma decisão no mínimo curiosa, tomada dias atrás pelo Parlamento alemão. Os deputados do país do chucrute aprovaram lei proibindo a zoofilia, após polêmicas inflamadas ao longo de vários meses.

Grupos organizados em associações, movimentando passeatas e formulando protestos diante da casa do Legislativo, expressaram sua discordância frontal ao que ficou decidido, prometendo reação braba.

Zoofilia, como a patuléia ignara de que sou parte não faz questão alguma de saber, quer dizer, num primeiro momento, segundo os dicionários, “amor aos animais”. Mas pode significar também, na linha interpretativa dos legisladores germânicos, “situação em que o carinho por outro animal, que não o homem, produz prazer sexual”, como registra o Aurélio. Ou, como consigna a “Wikipédia”, “atração ou envolvimento sexual de humanos com animais de outras espécies.” A  “Wikipédia” ainda se põe a explicar que são chamados de zoófilos aqueles seres humanos que se envolvem nessas práticas.

Textos da Psicologia fundamentada na teoria freudiana classificam a zoofilia como um transtorno da sexualidade. Na classificação internacional de doenças (CID-10), a situação se enquadra na categoria dos transtornos de ordem sexual chegados à bestialidade. Especialistas médicos têm-na na conta de manifestação neurótica, onde a insensibilidade e a grosseria se aliam a um bloqueio afetivo de amor.

Mas retornando à proibição parlamentar. Ela decorreu de estudos aprofundados onde chegou-se à conclusão de que a zoofilia é problema a ser encarado com seriedade. Essa prática, que se entrechoca com os padrões civilizatórios, prolifera entre os alemães, a ponto de se calcular hoje em 100 mil o número de zoófilos assumidos no país.

Os estudos revelaram coisas espantosas. Segundo as autoridades, cerca de 500 mil animais são mortos por ano, pouco depois de passarem por sevicias sexuais, ora, veja, pois...

A discussão em torno do esdrúxulo tema trouxe a lume incríveis argumentos. Principalmente por parte dos adeptos escancarados da zoofilia. Uma organização chamada Zeta (Engajamento Zoófilo para a Tolerância e a Informação) anunciou o propósito de refutar em Juizo a decisão dos deputados. Seu dirigente, Michael Kiok, de Munique, admitindo-se ligado “afetivamente” a uma cachorra de raça (pastor alemão), de nome Cissy, “há pelo menos sete anos”, botou pra fora sua indignação com relação à nova lei, afirmando aos jornais: “Fazem-nos sentir criminosos. Isso tudo por causa dos fanáticos defensores dos direitos animais, que pensam sejamos capazes de magoar nossos companheiros”.

O dirigente zoófilo, que já foi casado e considera “mais fácil compreender os animais do que uma mulher”, referia-se a manifestantes que apoiaram nas ruas de Berlim a deliberação parlamentar. Assegurou que irá recorrer à Corte Suprema da Justiça para “defender os respeitáveis direitos” da “categoria” representada pela Zeta.

Bem, é isso ai... Quanto ao mais, é como não se cansa de dizer o Fulgêncio do Abaeté, professor aposentado, recolhido hoje ao relativo sossego de aprazível sitio na zona rural de Conceição das Alagoas, lá pras bandas do Triângulo, ao confessar-se “meio deslocado” nestes tempos amalucados com “as teses novidadeiras volta e meia trazidas pela televisão, rádio, jornal e Internet”: “Só me faltava mais essa! Será que alguém não pode mandar parar, mode o degas aqui apear e cair no mato?”

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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