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Sexta, 19 Abril 2013 14:00

Os direitos “sagrados” dos caubóis

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Por Cesar Vanucci *

“Todo inventor de formação humanística tem seu momento de depressão a la Santos Dumont, por causa do temor de que sua invenção venha a ser desvirtuada dos propósitos originais.”

(Domingos Justino, educador)

Inimaginável impressora capaz de produzir artefatos em três dimensões, bolada por uma tecnologia de vanguarda destes tempos assombrosos, está sendo desvirtuada dos objetivos para os quais foi inventada, passando a atender a maquiavélicos e assustadores propósitos. O que se cogitava, de princípio, com a revolucionária técnica, era a produção de objetos de adorno ou de utilidade prática no ambiente caseiro, de forma a facilitar a vida das pessoas dotadas de habilidades mecânicas ou artesanais.

Mas eis que o instinto perverso de alguns descobre, de repente, outra linha de utilização para o instrumento: a fabricação de armas portáteis mortíferas de comprovada eficácia. Com a “vantagem” para os interessados na composição de “arsenais domésticos” de não terem que prestar contas a ninguém de suas “atividades” como fabricantes clandestinos de instrumentos de destruição. Testes promovidos por especialistas revelaram que armas de potente calibre nos moldes configurados em nada ficam a dever, quanto aos malefícios espalhados, aos produtos originais. E a munição tradicional é perfeitamente adaptável.

A descoberta desse macabro aplicativo da impressora de três dimensões levantou, naturalmente, enorme preocupação. Os órgãos competentes estão dando tratos à bola, nos Estados Unidos, com vistas a estabelecer normas de controle que possam impedir o invento de transformar-se numa ameaça social sem controle.

Já uma minoria barulhenta de caubóis que na terra de Tio Sam defendem, com tresloucados argumentos, o “sagrado direito” de cada cidadão em poder montar dentro de casa seu próprio arsenal bélico, mode proteger-se dos riscos urbanos, suburbanos e rurais, vale dizer, dos riscos da vida, vem celebrando com euforia a novidade. Em depoimentos, alguns desses personagens – hoje em conflito aberto permanente com o governo Obama, por sua disposição de regulamentar o negócio de armas no país – registram, com insano júbilo repita-se, que a geringonça tecnológica é um caminho apontado por Deus aos verdadeiros patriotas americanos. Um pessoal disposto a não renegar, sob pressão alguma, os “autênticos valores da nacionalidade” e que se insurge com destemor contra decisões que cogitem submetê-los a normas, como a da regulamentação de armas, que alvejam claramente seus sagrados direitos pessoais, ufa!

Isso mesmo que você acaba de ler, caro leitor. Nada de espanto prolongado. O jogo dos fundamentalistas estadunidenses é feito todo nessa base. O radicalismo dominante transpõe todos os limites razoáveis e imagináveis. O Presidente negro Barack Obama é considerado por essa gente perigoso agente da esquerda terrorista, com vinculações no mundo muçulmano.

Como as correntes integristas e racistas são ainda força política dotada de poderes na sociedade norte-americana, os argumentos empregados pelos seus porta-vozes geram certa ebulição. As ferozes resistências, inclusive na mídia, que a Casa Branca tem encontrado para fazer prevalecer uma legislação sensata de regulamentação do comércio de armas configuram bem o estado de espírito belicoso desses grupamentos, que bebem inspirações para seus atos nas idéias da Ku Klux Klan, da Sociedade John Bird e do Tea Party.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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