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Terça, 07 Maio 2013 15:49

Justiça lerda

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Por Cesar Vanucci *

 

“A justiça atrasada não é justiça.”

(Rui Barbosa)

 

Garimpei com boa disposição o dicionário à cata de uma palavra suficientemente apta para definir o procedimento do Judiciário diante do “massacre do Carandiru”. Considerei, de princípio, que desídia, irresponsabilidade, uma ou outra, se aprestassem a traduzir razoavelmente a estranhável morosidade, causadora de perplexidade nacional, na realização do julgamento dos “justiceiros” incumbidos de por cobro, a ferro e fogo, à rebelião dos presidiários de 22 anos atrás.

Sem menosprezar a hipótese de que um outro vocábulo se ajuste melhor na descrição do comportamento das autoridades judiciais bandeirantes, fixei-me, ao cabo da pesquisa, na expressão escárnio. A insensibilidade demonstrada na condução do processo, a ponto de tolerar essa tramitação a passo de tartaruga, não deixa de significar um escárnio, um menosprezo solene a respeitáveis postulados jurídicos, aos códigos legais que regem a convivência social, à opinião pública.

Que “prerrogativa” é essa de que se arvoram servidores públicos bem remunerados de espicharem a bel prazer, por mais de duas décadas, um julgamento de configuração tão dramática? Mesmo que se aplique à situação a condescendente tese de que a Justiça revele-se sempre lenta na tomada de decisões, há que se reconhecer, nesse episódio em especial, um imperdoável extravasamento de prazo.

Nessa marcha, a levar-se em conta os trâmites processuais a serem percorridos após o julgamento, muito tempo ainda irá transcorrer antes que a ação da Justiça com referência ao massacre possa se completar. A história toda aconselha a que se chame Rui Barbosa para explicar aos juizes encarregados da causa do Carandiru que “a justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.”

Ainda sobre o massacre do Carandiru um outro registro inevitável. Recolhido ao ostracismo político, o governador de São Paulo à época, Luiz Antônio Fleury, que todos imaginavam estivesse a remoer algum remorso pela notória responsabilidade moral de seu governo diante da selvageria que tingiu de sangue as paredes do presídio, não se pejou, recentemente, em declaração pública, de justificar a ação de seus comandados fardados. Algo deprimente e assustador.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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