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Sexta, 17 Maio 2013 14:50

Enervante e assustador

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Por Cesar Vanucci *

 

“O retardamento da justiça é injustiça.”

(Landor)

 

A marcação recente de três julgamentos relativos a casos que causaram forte comoção popular e enorme repercussão dentro e fora do país ilustra, de forma estridente, a enervante e assustadora morosidade da Justiça em executar sua sagrada missão institucional.

O “massacre do Carandiru”, com 111 mortes e outro tanto de feridos, ocorreu em 2 de outubro de 1992. Somente agora vinte e seis dos oitenta e três policiais militares denunciados como autores, 22 anos depois da inominável tragédia, foram conduzidos ao banco de réus. Pegaram sentenças de 156 anos de prisão cada um pelo seu envolvimento no trucidamento de 13 presos.

O assassinato de PC Farias e da namorada Suzana Marcolino ocorreu em 23 de junho de 1996. Os seguranças do casal, indiciados pela execução material dos crimes, só foram julgados agora em maio de 2013. Ou seja, 17 anos depois.

O caso, como se recorda, sofreu tremenda reviravolta diante do inconformismo da opinião pública em absorver a primeira versão dada pela polícia de Alagoas sobre essa verdadeira “queima de arquivo” relacionada com um dos mais explosivos escândalos da vida pública nacional. A alegação fornecida à sociedade foi de que a namorada de PC matou-o por ciúmes e, depois, deu cabo da própria vida. A fajuta aprontação acabou desabando. Investigações posteriores levaram ao indiciamento dos seguranças, mas não chegaram ao ponto de esclarecer tudo tintim por tintim, ou seja, apontar o mandante, ou os mandantes dos homicídios. Nem, tampouco, revelar em poder de quem ficou a enorme fortuna adquirida nas maracutaias articuladas pela vitima. A absolvição dos réus pelo Conselho de Sentença alagoano, com o reconhecimento de que ocorreram realmente os assassinatos, e de que os seguranças pecaram por omissão, tornou ainda bem mais difícil a decifração da charada que envolve as façanhas e a morte de PC. Morte, por sinal, acontecida na véspera da vitima comparecer em Juízo para revelar, com detalhes, como vinha sendo aguardado, uma incrível historia de corrupção, dando “nomes aos bois” e entregando uma lista completa dos corruptos e corruptores.

Já a chamada “chacina de Unai”, em que agentes da fiscalização do Ministério do Trabalho foram eliminados por jagunços, atendendo à voz de comando vingativa de fazendeiros autuados por ações contrárias à legislação trabalhista e com participação na vida política da região, aconteceu no dia 28.01.2004. O julgamento dos réus, já várias vezes adiado, está sendo agora anunciado para o mês de agosto. Fazendo as contas, mais de nove anos depois da brutal ocorrência que enlutou numerosas famílias e que tanta revolta espalhou no seio da sociedade.

Voltamos a Rui Barbosa, na célebre “Oração aos moços”: “Justiça atrasada não é justiça.”

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve semanalmente para o Blog Viva Pernambuco.

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