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Quinta, 11 Julho 2013 18:50

Brasil brasileiro

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Por Cesar Vanucci *

 

“A juventude brasileira quer discutir as causas polêmicas. A sociedade tem de debatê-las.”

(Virginia Barros, presidente da União Nacional dos Estudantes)


A perplexidade é a tônica dos comentários, das conversas. Projeta-se nos semblantes e nas interrogações que todos se fazem. Dirigentes políticos, lideres comunitários, antropólogos, sociólogos, jornalistas, estudiosos da realidade brasileira dedicados à instigante tarefa de interpretá-la não conseguem explicar adequadamente, até aqui, o que andou acontecendo. Alguns animam-se a fazer exercícios especulativos na busca do modelo padrão que teria servido de inspiração para essa pororoca de manifestações que sacode ruas e praças.

A chamada “primavera árabe”, sob tantos aspectos frustrante por conta de resultados no geral pífios, é apontada, aqui e acolá, como referência para o que rolou. Comparação destituída de qualquer sentido. Em comum, as duas modalidades de protestos só conservam um liame: o emprego massivo no esforço de arregimentação popular dos formidáveis recursos das redes sociais. Quanto ao resto, tudo difere. As motivações são outras. O foco do movimento árabe concentrou-se na tentativa de uma ruptura definitiva com as estruturas de poderes despóticos. Já aqui, por estas bandas, foi a pujança invejável do regime democrático que assegurou o suporte valioso que os manifestantes dispuseram para propagar suas postulações.

O que se tem, de conseguinte, pra dizer, sem medo de errar na avaliação, a respeito dos acontecimentos vividos, que viraram de cabeça pra baixo tanta coisa, é que este brado retumbante das ruas brasileiras teve o toque único e irrepetivel do jeitinho brasileiro de fazer as coisas. Algo que foge por inteiro a estereótipos e paradigmas absorvidos noutras culturas e que é apontado, não poucas vezes equivocadamente, como traço pejorativo do comportamento humano.

As manifestações que levaram tanta gente boa a proclamar não estar entendendo bulhufas do que vem sucedendo é decorrência natural desse jeitinho especial que os brasileiros temos de vivenciar contradições e mesmo harmonizá-las.

Digam aí: em que outro canto deste planeta entregue à peregrinação do ser humano conseguirá alguém, algum dia, captar, simultaneamente, separadas umas das outras por curta distância, cenas como as que foram vistas recentemente neste nosso fascinante e desconcertante Brasil?

Em estádios regurgitantes, cheios de colorido e calor humano, multidões a vibrarem com os jogos eletrizantes de uma competição sob o foco das atenções gerais. Em milhões de lares, bares, restaurantes, diante das telas de televisão, o mesmo contagiante clima e incomum entusiasmo. Em locais reservados a concentrações festivas, montadas pelo Poder Público em diferentes pontos das cidades, contingentes expressivos de apreciadores do esporte paixão nacional a exprimirem emoções com características de apelo à confraternidade.

E, juntamente com tudo isso, precisamente no mesmo momento em que tudo isso ocorre, as passeatas reivindicatórias, envolvendo jovens, adultos, famílias inteiras, pondo a circular nas ruas das capitais e outras importantes cidade clamores por mudanças indispensáveis no trato das coisas públicas, compreensível inconformismo diante das perturbadoras desigualdades de vida do cenário brasileiro, desejos ardentes de que as conquistas sociais que tantos já estão a desfrutar possam se processar em ritmo mais veloz. Repito: em que outro lugar isso tudo pode ocorrer, ao mesmo tempo, com toda essa exuberância criativa popular?

Resta dizer alguma coisa sobre os distúrbios. Os atos de vandalismo. Os atentados cometidos contra bens públicos e privados. Ficou bem documentado que a Nação inteira repele essas demonstrações de selvageria. O apoio unânime conferido às causas agitadas nas passeatas ordeiras e pacíficas, processadas em termos rigorosamente democráticos, tem sido acompanhado de total indignação com relação ao comportamento bestial de uma minoria de malfeitores, composta, em parte menor de radicais amalucados, sem vínculos com a alma popular, e noutra parte por bandidos com prontuários repletos de passagens delituosas. Esses aí não têm nada a ver com o resto. São casos, esses, sim, pra polícia resolver com o rigor recomendado pela lei.

*Jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

Última modificação em Quinta, 11 Julho 2013 18:54

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