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Terça, 01 Abril 2014 21:00

O todo poderoso “mercado”

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Por Cesar Vanucci *

"A Bolsa despencou por causa de um feriado nos Estados Unidos."
(É o que propalou a mídia, algum tempo atrás)

 

As pessoas que desejam o melhor ao Brasil, notadamente as que atuam na comunicação social, bem que poderiam firmar um pacto no sentido de desmistificar e desqualificar as forças contrárias aos interesses nacionais que se movimentam por aí, com irresponsável desenvoltura, travestidas de "mercado".

Fico pasmado, dia sim outro também diante das reações cotidianas do tal "mercado". Onipotente, esse ser incorpóreo, com lampejo de vida estritamente ectoplásmico, é “convocado” a opinar a respeito de tudo, Ele funciona como uma espécie de sismógrafo viciado, medindo a conjuntura econômica a serviço escancarado dos grupos de assalto especulativo. Interpreta as coisas a seu exclusivo talante. Não se dá ao mais leve escrúpulo de disfarçar as contradições gritantes dos posicionamentos de encomenda. Mantém sob controle, a soldo, um batalhão de prestimosos colaboradores. Gente fervorosamente engajada em esforço conspiratório contrário às nossas aspirações de progresso. É só por tento no que tais colaboradores, que atendem pelos apelidos de "analistas", agências de risco etc., costumam aprontar a cada vez que nas áreas política, administrativa, tecnológica, produtiva – considerados aí os setores produtivos primário, secundário e terciário – se delineiem iniciativas ou atitudes estimuladas pelos interesses brasileiros de caráter desenvolvimentista. Tudo serve de pretexto para as soezes tentativas de apequenar-nos diante de nossos próprios olhos. Para fazer-nos crer que, os brasileiros, somos ineficientes, despreparados, sem condições, portanto, de almejar acesso a brevês que assegurem autonomia de voo mais ampla na conquista de novos espaços econômicos e sociais no contexto mundial.

O monitoramento feito pelo "mercado" é tendencioso e implacável. Por inexistir uma constatação à altura das impertinências praticadas, o "mercado" passa a ideia de infalibilidade. Defende com fervor frenético seus bolorentos dogmas. Suas reações têm força, para alguns, de édito real ao tempo em que as monarquias eram levadas a sério. São recebidas como clausulas pétreas no contrato comunitário em círculos não afeiçoados ao exercício da divergência democrática. Em face dessas circunstâncias, o "mercado" não se acanha de insultar a inteligência dos cidadãos, de alvejar despudoradamente o bom senso. Ele, "mercado", sabe muito bem que suas opiniões encontram sempre boa divulgação, agências de risco para respaldá-las, porta-vozes solícitos para justificá-las.

O "mercado", visto está, não se peja um tiquinho que seja, em lançar mão de arguições absurdas, quando colocado diante de pedidos de explicações dos setores mais lúcidos da opinião pública, com relação ao que ocorra de estranho na economia. Mantém engatilhado um pretexto extravagante para ocultar os incessantes ataques especulativos acobertados. Está aqui, como amostra, um exemplo dos procedimentos escalafobéticos que adota, sempre confiante na extremada simploriedade popular.

Num momento de razoável euforia face aos anúncios da ligeira reação nos negócios, da expansão significativa na balança comercial, da superação prematura da meta do "superávit primário"; justo nesse preciso momento, tempos passados, a Bolsa despencou. As taxas do dólar e do euro se elevaram e o "risco Brasil" (olha aí!) subiu. O que foi mesmo que o "mercado" saiu apregoando a respeito? Acredite, se quiser: a "causa" de toda a ebulição negativa foi um feriado ocorrido no meio de semana nos Estados Unidos.

A "explicação" é dada assim, com a mesma cara-de-pau com que se estaria levantando a hipótese maluca de que os "resultados adversos" decorreriam de uma crise de disenteria que acometeu os habitantes de uma vila na parte setentrional da Capadócia.

Valha-nos Nossa Senhora da Abadia D'Água Suja!


* Jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

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