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Segunda, 14 Abril 2014 19:16

Essas agências de risco...

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Por Cesar Vanucci *
“Coisa mais sem pé nem cabeça: um órgão técnico qualquer, com sede em lugar distante, meter-se por aí a aplicar notas sobre as atividades econômicas e sociais de países e empresas dos quais nada ou pouco conhece!”

(Domingos Justino, educador).


O semblante encrespado, assumindo pose majestática própria de alguém que se acredita investida, por desígnios divinos, da sagrada e tormentosa missão de anunciar pra patuleia a data fatal do juízo final, a toda poderosa economista-chefe da “Standar & Poor´s” comunicou, com pompa solene, o rebaixamento da nota de classificação do Brasil. A manjada turma do contra vibrou com a novidade. A impávida economista-chefe voltaria, pouco depois, a ocupar o púlpito, exibindo mesma fleuma doutoral, característica dos que se rejubilam em desempenhar papel de “papagaio falante” do senhor “deus-mercado”. Caprichando pra valer na entonação da fala, de modo a que as frases proferidas conseguissem traduzir, com precisão, incisos conceitos, arremessou outras notas de rebaixamento estipuladas por sua agencia, alvejando um punhado de prosperas empresas brasileiras, entre elas, o Banco do Brasil, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal, o Banco Itaú, o BNDEs, a Sul América Seguros, o Bradesco, a Eletrobrás.

E não é que parte da grande mídia, fazendo o jogo de grupos políticos tendenciosos, ávidos por conturbar a qualquer preço a economia nestes momentos preliminares da campanha eleitoral, resolve sem mais essa nem aquela dar eco exagerado a essa prosa desatinada? Resolve conceder credito gracioso (será que o vocábulo fica bem colocado?) a essa papagaiada toda? Decide transformar meros palpites técnicos, de origem estrangeira e altamente suspeitosos, em dogmas de fé com consistência granítica?

Expliquem-nos, por favor. Que pessoal é esse que, volta e meia pinta no pedaço com panca presunçosa distribuindo notas de desempenho a torto e a direito, interferindo intempestivamente na intimidade doméstica dos chamados países emergentes? De qual fonte do poder provem essa marota delegação conferida a uma meia dúzia de órgãos alienígenas que saem soltos por aí, ditando regras em terras e propriedades distanciadas de seus pontos de origem, alvejando atividades produtivas empenhadas na construção nacional? Por que razão vários órgãos da mídia acolhem sem vacilo e sem questionar os fajutos argumentos propalados por essas agencias em “boletins de mérito” instituídos sabe–se lá a mando de quais conveniências?
Interessa muita à cidadania conhecer a fundo todo esse cabuloso enredo. As “agencias de classificação de riscos”, comportando-se como “suprema corte”, ao emitirem suas “infalíveis” sentenças, acham-se subordinadas a algum poder legalmente reconhecido? No ver de abalizados analistas não passam, no duro da batatolina, de aberrações jurídicas. Tais analistas entendem ainda tratar-se de órgãos que não carregam consigo, no exercício de sua despoliciada e inglória empreitada, qualquer laivo de legitimidade. A impressão que passam é de um bando ruidoso de vulgares oportunistas, intrujões saídos das sombras, que atuam sempre em sintonia com as maquiavélicas aprontações da mega especulação. Mega especulação esta escancaradamente engajada, na hora atual, desafiando a sociedade brasileira, em patrocinar novo assalto especulativo a nossa florescente economia.

O tema rende mais uma fulminante e decisiva indagação. Alguém por aí em plenas condições de esclarecer devidamente o porquê de esses gringos sabichões terem se conservado em ensurdecedor silencio, sem disposição para divulgar “notas” e emitir “alertas”, frente a “bolha imobiliária” que explodiu devastadoramente em seus domínios territoriais e que mergulhou o mundo, quase que por inteiro, numa crise econômica tida socialmente como a mais cruel dos últimos tempos? Hein? E ai, gente boníssima?

*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve semanalmente para o Blog Viva Pernambuco.

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