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Sexta, 25 Abril 2014 15:59

Umas e outras

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“Um pequeno grande equívoco.”

(Marcelo Neri, presidente do IPEA)

 

Por Cesar Vanucci *


Violência contra a mulher. Depois da celeuma levantada pelos dados divulgados, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) retornou a público para dizer que ocorreu um erro na tabulação da pesquisa relativa à violência contra a mulher. Se falha houve quanto aos aspectos metodológicos aplicados na consulta; se faltou rigor técnico na apuração dos dados; se o fato se originou de “um pequeno grande equivoco”, já que “estamos numa curva de aprendizado”, como tentou justificar Marcelo Neri, presidente da instituição; se tudo isso realmente rolou, uma coisa permaneceu estridentemente gravada no espirito popular. Setores ponderáveis da sociedade brasileira, percentual elevado de mulheres incluídas, confessaram-se muitíssimo intolerantes e preconceituosos na avaliação do comportamento feminino rotineiro. Mesmo que tenha havido queda na revisão procedida, de 65% para 25%, o índice que bota culpa nas mulheres, por conta das “vestes ousadas”, pela incidência de estupros é aberrante, assustadoramente alto. Roça as franjas do mais genuíno talebanismo.

Decisões em favor do crescimento. Parcela expressiva da opinião pública não atentou devidamente para o relevante significado econômico e social de algumas medidas na esfera da gestão pública anunciadas recentemente. As decisões tomadas dizem respeito aos leilões de concessão à iniciativa empresarial contemplando a construção e modernização de rodovias – tronco nas diferentes regiões do país. Inseridas na segunda etapa do PIL (Programa de Investimentos em Logística), os leilões promovidos atingem trechos rodoviários superiores a 4 mil quilômetros, implicando em investimentos globais de 28 bilhões de reais. São obras de pavimentação e duplicação a serem efetivadas, segundo os planos traçados, ao longo de cinco anos. As rotas correspondentes as tais concessões atravessam territórios de avantajada produção agropastoril. Com os investimentos a serem aplicados garantirão condições acentuadamente mais propícias no transporte de cargas valiosas aos portos marítimos de escoamento de bens exportáveis. O esquema de licitações adotado prevê, ainda, na região norte, a utilização de aquavia pelo rio-mar Amazonas para a circulação de riquezas destinadas ao mercado internacional. Apontado pelo governo federal como essencial no processo de desenvolvimento, traduzindo um salto de qualidade em matéria de gestão pública, como entendido por produtores, exportadores e analistas econômicos, o sistema de concessões estabelecido para rodovias vai ser agora, também, estendido às ferrovias, atividades portuárias e de produção energética. Tudo leva a crer que desse conjunto de providencias resultará contribuição preciosa para acelerar o crescimento nacional. Boas falas.


Epidemia de cesáreas. O secretário Nacional de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, médico mineiro Helvécio Magalhães, ex-secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte no governo Fernando Pimentel, reconhece uma situação constrangedora para todos nós, cidadãos brasileiros, médicos, mães. Contrariando regras de bom senso e de sentido humanitário aplicáveis à saúde pública, violentando recomendações da Organização Mundial de Saúde, “existe uma epidemia de cesárias no País!” Ignorância, comodismo, ausência de critério médico rígido concorrem para a anômala situação. Só no SUS, 42% dos partos implicam em procedimentos cirúrgicos. A média nacional de cesarianas executadas é maior: 53%. A indiferença geral que circunda a momentosa questão ajuda a explicar episodio recente, indicativo da gravidade assumida pelo problema, acrescido de variável que escancara uma clara violação de direitos humanos. Em Torres, no Rio Grande do Sul, contra sua própria vontade, uma gestante foi levada a hospital sob escolta policial e submetida à força a uma cesárea, por conta de medida judicial definida a pedido dos médicos que a atenderam.

*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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