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Quinta, 08 Maio 2014 15:42

Estão em todas

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“Se o doleiro tivesse sido condenado no processo Banestado, possivelmente não estaria delinquindo novamente.”

(Promotor Claudio Esteves, do Paraná)


Por Cesar Vanucci *

Nos vastos domínios que se estendem do Oiapoque ao Chuí, complementados pelas milhas marítimas que dão a configuração exata do território continental brasileiro, não existe viva alma sequer que nunca haja ouvido falar deles. Nem mesmo os solitários integrantes das derradeiras tribos amazônicas a serem ainda contatadas pelos sertanistas da FUNAI.
Esses escolados trambiqueiros, frajolas de imaculado “colarinho branco”, que circulam desenvoltos nas altas esferas mundanas, trocando amistosos tapinhas nas costas com figuraços do poder politico e econômico, participando de reuniões charmosas, regadas com o “legítimo”, registradas em fotos galantes nas colunas, estão em todas. Ou quase todas. Farejam e fomentam mutretas tempo inteiro. Craques consumados na arte de extrair e repassar informações privilegiadas, garantem inestimável ajuda para que sejam engordadas as contas secretas de sua selecionada clientela em bancos da Suíça e Ilhas Cayman. São criaturas emblemáticas no contexto da corrupção. Nem é preciso o registro expresso de seus nomes para que sejam de pronto identificados. Estão sempre em cartaz. Revezam-se na interpretação dos enredos no teatro das falcatruas.
Falemos primeiro do doleiro paranaense ora apontado como pivô de maracutaias que rendem, dia sim, outro também, vistosas manchetes. Ele ocupa o palco das malfeitorias há pelo menos duas décadas. Desde os tempos da megalavagem de dinheiro via Banestado, ocorrência que jaz um tanto esquecida. Age nacionalmente. Não quer saber de vínculos partidários. Optou pelo “ecumenismo” nas ações fraudulentas solícitamente coordenadas a mando de bandalhos de diferentes siglas. Corteja e é cortejado por gente poderosa, que não esconde sua gratidão pelos serviços executados.
Olhando bem as coisas, o estilo de atuação do doleiro paranaense é parecido com o daquele “banqueiro de bicho” das plagas goianas, também volta e meia no centro de maquinações de alguma tramoia rendosa qualquer. As parcerias firmadas por este outro manjado personagem do “cast” da corrupção garantem-lhe prestígio e proteção em círculos também de abrangente espectro político. Os comparsas filiam-se a diferentes legendas. São, igualmente, companheiros incondicionais para o que der e vier, no caso da barra pesar em demasia.
A situação do doleiro e do “banqueiro de bicho” guarda semelhança no tocante às técnicas operacionais empregadas e nos aliciamentos de pessoas, com outro desses insinuantes caras. Este, também, um “bambambã” em proezas audaciosas boladas com propósitos de “vencer na vida” a qualquer preço. Banqueiro festejado, de olho guloso em “oportunidades” variadas, é um cara que já andou se emaranhando, luas passadas, nas malhas da lei. Desvencilhou-se da encrenca, pelo menos temporariamente, salvo pelo gongo graças a um providencial “habeas corpus”. Medida de segurança essa, específica, hiper criticada nos meios jurídicos. Aconteceu, também, algo inesperado que tornou ainda mais desconcertante o episódio. Os encarregados do inquérito de indiciamento do referido cidadão viram-se implacavelmente alvejados à conta do laborioso trabalho investigativo por eles produzido.
A história desses delinquentes de alto coturno e a de outros mais tem – repita-se - muito em comum. Os figurinos de atuação são idênticos. Mesmo monitorados, eles continuam a desfrutar de incompreensível impunidade, circunstancia que lhes assegura sobra de tempo pra, de repente, se envolverem em novas aprontações. Isso acontece, entre outras razões, por obra de processos enervantemente morosos.
Até agora, como sabido, um único entre os operadores desses esquemas mafiosos foi julgado e condenado. O articulador do “mensalão mineiro” e do “mensalão federal”.
Tanto quanto os demais, esse aí demonstrou engenho e criatividade na aglutinação dos componentes dos bandos favorecidos e nas fórmulas adotadas de lesão ao patrimônio público. Não revelou “preferencia” a correntes políticas. Envolveu-se com representantes de quase todas. Ou seja, com elementos que, na cena social, conseguem permanecer, por certo tempo, “acima de qualquer suspeita”. Alguns deles, ao lado do governo. Outros, contrários ao governo. Outros mais, nem a favor, nem contra o governo, muito pelo contrário. Uma turma, felizmente minoria no cenário político, mas a exemplo dos operadores das mutretas, seus eficientes comparsas, endiabrada da breca, como era de costume dizer-se em tempos antigos.


*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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