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Segunda, 09 Junho 2014 19:55

A tevê que a gente vê

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Por Cesar Vanucci*

“Precisa dessa torrente publicitária oficial toda para falar dos notáveis  feitos de nossos diligentes administradores públicos, precisa?”  

(Antônio Luiz da Costa, professor)

 

Os que vivem se queixando das condições caóticas do trânsito de BH; da violência solta nas ruas; da assistência insatisfatória nos postos de atendimento à saúde; da insuficiência de planos de proteção às crianças, jovens e idosos andam certeiramente mal informados, pelo que nos é dado a observar, com relação a todas as questões acima colocadas. Se se dessem ao mínimo esforço de acompanhar, como é de nosso habito fazer, os sedutores reclames publicitários divulgados pelas administrações públicas nas esferas municipal, estadual e federal, na frenética disputa travada por espaço nos intervalos televisivos com o “Ricardo Eletro” e a “Casas Bahia”, esses exigentes reclamantes estariam devidamente inteirados de que as coisas, em todas as áreas citadas, ao contrário de suas insistentes alegações, correm às mil maravilhas, sim senhor! Ipso facto, como era de costume dizer-se em tempos passados, todo esse queixume choramingador carece de fundamento, não é mesmo, gente boa?

O “Manhattan Connection”, da “Globo News”, chamou para entrevista o correspondente do “Financial Time” no Brasil. Pelo que se revelou  na introdução, a atenção do programa pelo depoimento do jornalista inglês estaria focada numa alegação sua a respeito do suposto declínio registrado, de dois anos pra cá, na situação econômica brasileira. Com notória dificuldade para se expressar no idioma falado no Brasil, o entrevistado permaneceu o tempo todo sob o fogo cruzado dos entrevistadores, que deixaram expressamente demonstrado interesse maior em divulgar suas próprias opiniões pessoais sobre a conjuntura econômica, carregando pesado nas críticas ao governo, do que em saber, na verdade, o que o colega estrangeiro realmente estaria matutando. Se algum dia, nalgum curso de jornalismo, alguém se dispuser a exibir um exemplo lapidar de uma “anti-entrevista” na televisão é só recorrer aos arquivos do “Manhattan Connection” e projetar a matéria então levada ao ar.

A louvação, em verso e prosa, da “excelência incomparável” do futebol praticado em gramados europeus, promovida com entusiástica insistência por alguns nomes exponenciais da crônica esportiva brasileira, animou-nos a acompanhar, pela televisão, do primeiro minuto ao derradeiro momento da prorrogação, o confronto entre as boas equipes do Real Madrid e do Atlético de Madrid. Esta foi a primeira vez que este desajeitado escriba se dispôs a assistir por inteiro a um jogo de futebol não envolvendo seleção ou clube brasileiros. Confessamos, em lisa verdade, haver apreciado bastante o que contemplamos, mas sem essa de achar que estaríamos presenciando o suprassumo em matéria futebolística. Algo fantástico, de qualidade infinitamente superior àquilo que, centenas de vezes, anos a fio, vimos acompanhando nas arenas de futebol do Brasil, ou em estádios de outros países, onde a seleção e clubes brasileiros desfilam sua arte. Alguns atores do espetáculo de Lisboa podem ser apontados, no máximo, como tão bons quanto numerosos atletas brasileiros que habitualmente atuam por aqui. Esta, nossa sincera opinião. Supomos, então, à vista destas impressões pessoais, que as chances do escrete de vir a arrebatar a Copa são bastante promissoras. Esperar, pra ver, né? Queremos ainda dizer, a respeito da interessante disputa que concedeu ao Real Madrid mais um titulo na versão europeia da “Libertadores”, que deixaram   forte pressão as cenas mostradas referentes ao grau de vibração da torcida espanhola. Foram bem demonstrativas de que o futebol, no duro da batatolina, é mesmo paixão universal. A ansiedade geral, a alegria pela vitória e a desolação pela derrota, estampadas nos semblantes dos adeptos dos times contendores, tiveram sabor bastante familiar. Tudo se revelou demasiadamente parecido com aquilo que os torcedores brasileiros costumam aprontar por ocasião dos nossos (frequentes) clássicos.

 *O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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