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Segunda, 01 Março 2010 18:42

O negro no Brasil

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Por Edenjonhson da Silva Pinto (Jonhson)*

Não é novidade que o negro no Brasil tem sofrido discriminação, desde o período da escravidão até os dias atuais. E por mais que se tente negar esta realidade dados estatísticos mostram a sorte que tem acompanhado essas pessoas na vida brasileira.  Apenas para exemplificar como essa afirmação desdobra-se no campo econômico, trago números de pesquisa coordenada pelo economista Ademir Figueiredo, do Dieese, que relata que a grande maioria dos negros está nos setores de atividades com maior jornada de trabalho (como emprego doméstico 60,8%), com uso mais intensivo da força física de trabalho (construção civil 59,5%). Historicamente menos protegidos pelo sistema previdenciário (setor agrícola 60,4%), além de serem também eles que formam a maioria dos trabalhadores sem carteira assinada (55,3%)

Dizem que no Brasil não há preconceito racial. Talvez aqui se pratique a pior discriminação racial,  o preconceito velado que fica nos subterrâneos do é que socialmente aceitável. Uma vez não sendo declarado passa-se uma imagem de que todos somos igualmente aceitos e tratados da mesma maneira, mas não é isso o que os órgãos oficiais revelam em suas estatísticas.

O campo da educação traz mais evidências quando o Dieese revela que 24,6 % dos negros com mais de 15 anos não têm instrução alguma e que 42,8% têm o ensino fundamental incompleto. Já no ensino superior, a porcentagem de negros e pardos com mais de 25 anos e nível superior completo no País era de apenas 2,2%, enquanto a de brancos era de 9,6% em 1997. A lei de cotas vigora no Brasil desde 2001, reserva de 50% das vagas aos negros e pardos nas universidades federais, em 2007 o número de brancos era de 13,4%, enquanto o de negros e pardos alcançava apenas 4%, um número três vezes menor.

Com essa mesma perspectiva, Mário Thedoro, diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirma que os negros foram excluídos antes e depois da abolição da escravidão. O negro saiu da senzala  direto para o desemprego, ou seja, os negros quando libertos não tiveram acesso à terra e  nem ao trabalho remunerado, como os imigrantes europeus.

Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) traz um dado alarmante em relação ao número de jovens negros mortos por violência: é o dobro do número que se refere a jovens brancos.

Contra fatos não há argumentos. Então porque não assumimos que há discriminação racial no país e partimos para mudar essa realidade?

Como líderes empresariais temos que ter coragem para assumir esse fato através de iniciativas que reparem os erros históricos cometidos no passado, não imputando valor às pessoas selecionadas para trabalharem em nossas empresas apenas por sua aparência física ou cor, em detrimento da capacidade profissional do candidato.

Se pensamos na sustentabilidade de nossos negócios, precisamos investir tanto na diversidade de competências e habilidades dos nossos colaboradores quanto na inserção de diferentes culturas e etnias , uma vez que a nossa  clientela “não tem cor”. É sim formada por um povo que, segundo Darcy Ribeiro é uma etnia única, a brasileira. O Brasil é um povo-nação, ajustado em um território próprio que escolheu estar nele para nele viver seu destino. É a essa gente composta de índios, brancos,  negros,  mulatos, que esse país pertence.

Pensando assim,  não só aproximaremos a nossa empresa dos nossos clientes potenciais, pois ali eles estarão representados, como também estaremos dando um passo decisivo para a sua sustentabilidade. E mais que isso, estaremos contribuindo para o fortalecimento de uma nação democrática, justa e igualitária. 

*Líder da Comunidade da Ilha de Santa Terezinha, no bairro de Santo Amaro

Última modificação em Terça, 02 Março 2010 13:54

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