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Quinta, 10 Junho 2010 22:08

Tecnopolítica

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politicaPor Pedro Aquino*

Esta semana me dei conta do fato extraordinário de que a geração que tem agora entre vinte e trinta anos está vivenciando uma nova forma de fazer política. Diferente de quem presenciou guerras mundiais e inúmeros golpes de estado, os membros desta geração - que protagonizam a revolução tecnológica -, têm a oportunidade de influenciar decisões e difundir suas opiniões sobre os fatos da sociedade com uma liberdade e amplitude que não se via antes.

A vitória alcançada, recentemente, pelo Projeto Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de políticos com antecedentes criminais nas eleições, reforça este fato. Um abaixo assinado pela internet angariando mais de dois milhões de assinaturas organizou o apoio da sociedade civil à campanha.

O Ficha Limpa mobilizou cidadãos que ultimamente evitavam qualquer assunto relativo à política. E não foram necessários mais do que alguns cliques no mouse para expressar descontentamento com a realidade política brasileira e o desejo de um cenário mais ético para a cidadania.

Embora ainda exista os que consideram a interação virtual algo supérfluo ou incipiente, o exemplo mostra que assumir uma opinião publicamente através de uma rede de contatos virtuais pode caracterizar um ato político e gerar resultado. Ainda melhor, é quando o usuário aproveita a enorme quantidade de informação disponível na rede para se informar melhor sobre suas preferências, aumentando a capacidade de defendê-las.

A caixa-preta da política - Ao longo do tempo, o termo política se tornou quase equivalente a corrupção, burocracia, abusos de poder, autopromoção indevida e falsas promessas. Assim surgiu o termo politicagem, que revela a descrença da sociedade na política, que na Grécia Antiga era praticada em praça pública, aberta a todo indivíduo que tivesse o status de cidadão. Hoje, contudo, todo mundo é cidadão por direito, mas o que era um diálogo aberto se parece mais com uma “caixa-preta”, que serve aos interesses de poucos.

No Brasil, particularmente, a nomeação de Brasília como a capital do país e transferência do Palácio do Planalto para uma região afastada, segundo muitos brasileiros, foi um dos fatores que contribuiu para o afastamento entre cidadãos e política. Neste contexto, o potencial da internet surge como uma solução, já que pode promover o acesso rápido e democrático à informação abrindo novo espaço para o exercício da cidadania.

Webcidadania - Há pouco tempo, um grupo de jovens ativistas confrontou a inacessibilidade desta “caixa-preta política” brasileira. Na ocasião de lançamento do blogue oficial do Palácio do Planalto, foi recebido com estranheza o fato de que esta ferramenta de comunicação com eleitores não aceita comentários de seus internautas – como qualquer outro weblog da internet teria, dado que a ferramenta está preparada para oferecer aos eleitores um espaço de críticas e sugestões aos governantes. Diante da contradição, este grupo criou uma versão idêntica ao Blog do Planalto só que garantindo o espaço de comentários a qualquer usuário.

Ainda na linha do estímulo à opinião pública, o portal Votenaweb.com.br criou uma maneira interessante de informar os eleitores sobre as leis que estão sendo votadas no Congresso Nacional. A ferramenta é muito simples e para cada projeto colocado em votação, o cidadão pode dizer sim ou não e também saber quais parlamentares fizeram escolhas iguais ou diferentes a sua. Todos os dados armazenados se transformam em infográficos que possibilitam enxergar as discrepâncias ou os consensos que existem entre as opções dos políticos e as opções do eleitorado.

Todas as plataformas interativas da chamada Web 2.0 têm uma característica bastante peculiar: quanto maior sua taxa de utilização, maior a sua utilidade. Quando esta ferramenta passa a servir à política, assume uma forma ainda mais interessante. A vantagem é toda do cidadão e, não é a toa que algumas plataformas disponíveis já estão formulando a noção de “webcidadania”.

Uma destas plataformas que se destacam por sua utilidade prática e cotidiana é o CidadeDemocrática.org.br. Este portal permite que cidadãos, organizações e até mesmo políticos interajam identificando problemas a serem solucionados ou propondo melhorias na realidade local. Através da intermediação desta ferramenta online, os usuários podem ter suas idéias apoiadas, discutidas e divulgadas, até que se chegue ao ponto de encontrar uma solução, entre as tantas possíveis.

Somente quando existe o canal adequado de comunicação é que o problema encontra sua solução. Tudo depende do empenho de quem participa e, quanto mais articulada à ferramenta, maiores as chances de serem encontradas as estratégias que irão dar conta da realidade. Neste novo contexto, a política ganha um novo palco, agora aberto para muitos protagonistas. As dificuldades continuam grandes, mas não se pode mais dizer que não há alternativas.

*Pedro Aquino é formado em Psicologia na PUC-SP, especializou-se em socionomia pela Sociedade de Psicodrama de Säo Paulo e, de volta à PUC, prepara seu mestrado em Psicologia Política e Movimentos Sociais. Participante do corpo diretivo do Instituto Ninhos, imagina transformaçöes possíveis e procura torná-las viáveis pela intersecçäo entre arte, tecnologia e educaçäo.

Última modificação em Quinta, 10 Junho 2010 22:12

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