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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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A matéria a seguir, postada em setembro, no Blog do Julio, no Mercado Ético (www.mercadoetico.com.br), traz um exemplo interessante de São Bernardo do Campo, em São Paulo, de um projeto que está ajudando a melhorar a vida de catadores de materiais recicláveis com recursos obtidos através de “Crowdfunding” - finaciamento coletivo. Confira!


Do Blog do Julio

Você já ouviu falar sobre crowdfunding, o conhecido financiamento coletivo? Nos EUA e na Europa, esse tipo de financiamento colaborativo é muito comum. No Brasil esse movimento vem crescendo cada vez mais e podendo ajudar muitas causas, artistas, ONGs, instituições e empresas a tirarem seus projetos do papel. Através de uma plataforma online os projetos e valores necessários são apresentados e você faz a sua doação.
Se você tem um projeto bacana e quer saber mais informações sobre o sistema de ‘crowdfunding’ dá uma olhada neste mapeamento colaborativo das plataformas existentes no Brasil, que faz parte de um trabalho acadêmico.
Carrinho elétrico para catadores busca financiamento coletivo

O Programa Eco Recicla, desenvolvido pela Ong Ecolmeia, em São Bernardo do Campo – SP, desenvolveu os carrinhos elétricos de coleta seletiva.
O programa pretende garantir melhorias para a mobilidade dos catadores de materiais recicláveis das grandes cidades.
Para tornar o projeto possível, você pode contribuir com 20 reais ou mais em uma página de financiamento coletivo.
Como funciona o Eco Recicla

Com um motor elétrico projetado para bicicletas, mas com redutor de velocidade e sistema hidráulico de freios, o projeto propõe mais segurança e menos esforço para os catadores, que passam horas, diariamente, puxando seus carrinhos.
A instituição trabalha para valorizar a atividade do catador como agente de transformação ambiental.

É isso aí galera! Pra um mundo melhor precisamos de mais solidariedade, mais colaboração e muito mais participação de todos!

Sexta, 12 Setembro 2014 20:14

Quem disse que lugar de livro é na biblioteca?

Escrito por

O Blog do Julio, publicado no site do Mercado Ético (www.mercadoetico.com.br), sempre traz notícias interessantes sobre sustentabilidade e dicas de atitudes que contribuem para melhorar o mundo no nosso entorno. No post de 11 de setembro, o blogueiro mirim fala sobre experiência Brasil afora de bibliotecas montadas em lugares inusitados. Confira! É o maior barato!


Do Blog do Júlio, no site do Mercado Ético, em 11/09/2014

 

E aí galera?
Ler é demais! E o melhor é que dá para fazer em qualquer lugar: em casa, no ônibus, num café, numa praça e até numa biblioteca…hahaha.
Tem muitas iniciativas bacanas pelo Brasil incentivando a leitura em espaços inusitados. Tem livros a disposição em ponto de ônibus, em açougue ou numa borracharia. Estes locais servem de inspiração para encurtar os caminhos entre as pessoas e os livros, usando muita criatividade.

Enquanto o ônibus não vem


Que tal começar uma nova leitura, enquanto espera o busão? Em Belo Horizonte, o projeto Ponto do Livro está na rua há sete meses, em quatro paradas de ônibus da cidade, duas das quais no entorno da Praça da Liberdade. Os títulos, à mostra em displays de plástico transparentes, estão ali para serem escolhidos por um novo dono. Quem quiser também pode deixar e doar seus exemplares por lá mesmo. Pelo menos 8 mil livros já foram distribuídos dessa forma.
Um kg de cultura, por favor!



Na Asa Norte de Brasília, o Açougue Cultural T-Bone é o ponto de encontro para programação musical – como shows de grandes nomes da MPB, na rua onde ele está localizado – e projetos de incentivo à leitura. Um deles faz especial sucesso. Logo em frente ao estabelecimento, há uma Estação Cultural, espaço com livros disponíveis para empréstimo sem burocracia, com iluminação própria e computador com acesso à internet. Iniciativa do Açougue Cultural, as estações se multiplicaram para outras quatro localidades da capital federal.
Saindo de uma fria

Também em Brasília, uma geladeira foi reformada pelo Projeto Refresque Ideias e virou uma biblioteca comunitária e muito diferente em plena Praça da 32, em Guará 2. O exterior foi embelezado pelos traços dos grafiteiros Mamá, Micro Svc, Julimar dos Santos e Thls Rafael. E o lado de dentro foi recheado de livros disponíveis pra quem quiser pegá-los emprestado.
Borrachalioteca

Como o próprio nome indica, é uma inusitada fusão de borracharia e biblioteca. Há 12 anos, o espaço dedicado a pneus começou a abrigar 70 livros para empréstimo. Hoje são mais de 16 mil títulos à disposição dos moradores de Sabará, na Região Metropolitana de BH. A borracharia é a matriz e o endereço mais famoso do que virou uma rede de bibliotecas, também presentes em outros três espaços da cidade.
Pedala, que lá vem história!

Outro nome autoexplicativo é o Bibliocicleta. É isso aí rapaziada, a “magrela” virou uma biblioteca itinerante que se desloca entre comunidades da Grande Salvador, levando livros e material didático a escolas, igrejas, praças e outros espaços. Feito com material reaproveitado, um suporte é encaixado na bike e serve para expor os títulos disponíveis.
Desde o ano passado, uma bibliocicleta circula por São Paulo, por meio de uma parceria com a ONG Design Possível.
E o que tem no baú?

Um dos projetos de leitura itinerante mais antigos do país, a Biblioteca Voltante, do Sesc, foi criada há 60 anos e segue levando livros e revistas pelas estradas de Minas. Um caminhão baú vai até os municípios e fica estacionado o dia todo. Os moradores podem escolher as obras que querem levar para casa. Em um intervalo, que varia entre 8 e 15 dias, esse caminhão retorna e é feita a devolução dos livros. Durante a visita às diferentes cidades, o baú também se transforma em palco para apresentações culturais. A última parada foi dia 9 de setembro em Santana dos Montes. E trem bão!!!

Da ECPAT Brasil  

A articulação Entre em Campo – Redes Pelos Direitos da Criança e do Adolescente  vai promover durante o período de realização da Copa do Mundo de Futebol uma campanha nas redes sociais, estimulando os brasileiros a denunciarem qualquer forma de violação de direitos da criança e do adolescente. A ideia é que qualquer pessoa que tenha conhecimento de algum tipo de violação faça uma denúncia nas redes sociais e utilize a hashtag #CopaSemExploração .

Com a utilização da hashtag, todo os conteúdos postados poderão ser facilmente encontrados. A mobilização nas redes sociais será feita inicialmente pelas redes nacionais que integram a articulação e também por suas entidades filiadas espalhadas por todo o País. Mas qualquer interessado também poderá participar, bastando para isso fazer o chamamento em suas contas ou perfis de redes sociais, como o Facebook e o Twitter, por exemplo.  

A estratégia foi pensada durante a III Oficina Nacional, promovida pela articulação nos dias 25 e 26 de abril, em Brasília (DF), que reuniu cerca de 100 participantes.  

A articulação “Entre em Campo – Redes Pelos Direitos da Criança e do Adolescente” reúne a Rede ECPAT Brasil, Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Seção Defense for Children Brasil (Anced/DCI Brasil), Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (FNDCA) e Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

O Instituto Akatu (http://www.akatu.org.br/), organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o Consumo Consciente, postou em seu site uma lista de dez atitudes que podem ajudar na preservação da Mata Atântica.
A Mata Atlântica já cobriu 15% do território brasileiro, mas hoje ocupa 1% apenas, segundo a SOS Mata Atlântica, organização não governamental sem fins lucrativos, dedicada à preservação do bioma. E é uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta, decretada Reserva da Biosfera pela Unesco e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988.
Confira a lista:
Compre produtos artesanais de comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas, valorizando a sua cultura.
O que entra na floresta deve sair: não jogue lixo na natureza, o consumidor consciente cuida do destino correto dos seus resíduos.
Não compre plantas nativas da Mata Atlântica (bromélias e orquídeas) extraídas ilegalmente.
Selecione para compra apenas produtos feitos com madeira certificada.
Compre apenas palmito cultivado e registrado pelo Ibama.
Imóveis dentro de áreas protegidas não devem ser comprados.
Empresas que respeitam o meio ambiente devem ser valorizadas.
Não compre animais silvestres e denuncie seu aprisionamento e comércio ilegal.
Todo ato de consumo provoca impactos no meio ambiente: reflita sobre isso.
Espalhe esta mensagem a todos os seus familiares e amigos e ajude a preservar a Mata Atlântica por meio dos seus atos de consumo.
CONSCIENTIZAÇÃO – No site do Akatu, o consumidor fica por dentro de muitas informações sobre o bioma. A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 km2 e estendia-se originalmente ao longo de 17 Estados brasileiros. Hoje, restam 8,5 % de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, temos atualmente 12,5%.
Na Mata Atlântica podem ser encontradas mais de 20 mil espécies de plantas, 270 espécies conhecidas de mamíferos, 992 espécies de pássaros, 197 répteis, 372 anfíbios e 350 peixes. Das 633 espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil, 383 estão na Mata Atlântica. Neste bioma estão sete das nove bacias hidrográficas brasileiras.
Mais de 62% da população brasileira vive na área de Mata Atlântica – com base no Censo Populacional 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 118 milhões de habitantes em 3.284 municípios. A expansão urbana desordenada e a poluição são algumas das ameaças a este bioma.

Do Porvir

NOSSO OLHAR – Na última semana, o noticiário de educação do país foi tomado por uma discussão em torno da artista Valesca Popozuda. Para recapitular aos que não acompanharam desde o início: um professor de filosofia de uma turma de ensino médio do Distrito Federal pedia, em uma das questões de sua prova, que os alunos completassem uma das músicas da cantora, o hit “Beijinho no Ombro”. A questão dizia: “Segundo a grande pensadora contemporânea Walesca (sic) Popozuda, se bater de frente: (A) É tiro, porrada e bomba; (B) É só beijinho no ombro; (C) É recalque; (D) É vida longa”.
O que se viu, a partir da circulação desta foto nas redes sociais, foi uma enxurrada de críticas em várias direções. Rebateu-se o fato de o professor ter chamado a artista de “pensadora contemporânea”. A presença de um funk numa prova de filosofia. O uso de palavras de baixo calão na música original. A música popular brasileira. A imprensa. O salário dos professores. Não faltou argumento para quem quis jogar pedra. Sem entrar no mérito de julgar a questão, o Porvir faz o convite de se aproveitar a situação para enveredarmos o debate para outro lado: como inserir a realidade, os saberes e os interesses dos alunos, de maneira respeitosa, significativa e educativa, na sala de aula?
Em entrevista recente ao portal, o sociólogo Muniz Sodré fala da importância de se incorporar o que chama de “ecologia dos saberes” em sala de aula. Muito antes, Paulo Freire, o mais importante educador brasileiro, já defendia que a cultura e o conhecimento prévios dos estudantes são importantes porque o aprendizado acontece mesmo é na troca – seja entre professores e alunos, seja com outros professores, seja entre alunos.
Trocando em miúdos, o que ambos os pensadores têm em comum é a crença de que a escola não pode ser um espaço onde apenas um tipo de conhecimento é debatido. Ao contrário, precisa ser um local em que se promove o livre circular de diferentes perspectivas, o respeito à diferença, a tolerância, a flexibilidade. Portanto, os temas que os alunos trazem também precisam ser considerados, até mesmo para que possam ser discutidos com mais criticidade. Nessa conta entram não só o funk da Valesca Popozuda, mas também o samba, o rap, o hip hop, a capoeira, o candomblé e quaisquer manifestações culturais que façam parte do cotidiano dos estudantes.
O desafio para os educadores é abrir as portas da sala de aula para aquilo que já desperta o interesse dos alunos, promover uma reflexão cuidadosa a respeito e criar oportunidades para que eles tenham acesso a novas referências que ampliem seus conhecimentos e seu repertório. Desta forma, ganham todos.
- Ganha a escola, que consegue reter mais os alunos. Aqui, cabe lembrar que, segundo o censo escolar mais recente divulgado pelo MEC, 1,6 milhão de estudantes abandonaram a escola em 2012. Só para se ter uma ideia de volume, é como se todos os alunos matriculados no ensino médio de São Paulo desistissem de ir à escola.
- Ganha o aluno, que passa a ver mais sentido na escola, consegue conectar seus interesses com sua vida escolar, é capaz de ter um olhar desenvolve um olhar mais crítico sobre sua realidade. Também passa a ter uma formação que não se encerra no que é dado e imposto, mas consegue dialogar com diferentes pontos de vista, tem acesso a uma formação mais compreensiva que o ajudará nos desafios da vida.
- Ganha a sociedade, que terá alunos mais engajados no próprio aprendizado e mais críticos como cidadãos.
Muitos são os exemplos de iniciativas que conseguem desenvolver trabalhos personalizados e com resultados significativos a partir dessa perspectiva. A trilha educativa, metodologia adotada na educação integral, é um deles. Nela, os alunos propõem um tema que é de seu interesse e, a partir daí, passam a correlacionar com os assuntos das disciplinas.
A escola Politeia, em São Paulo, é uma das que usa essa abordagem. Lá, recentemente, um grupo de alunos de ensino fundamental 2 – já que não são divididos por séries – resolveu estudar os super-heróis. Os professores aproveitaram o mote para ensinar história, geopolítica, biologia, matemática e, ao fim, os estudantes apresentaram uns aos outros e para a comunidade escolar o resultado de sua pesquisa individual. No portal do Centro de Referências em Educação Integral, é possível conferir como escolas de todo o país têm trazido o interesse dos alunos para dentro da sala de aula.
A tentativa de considerar e valorizar saberes da comunidade é o centro de outra iniciativa atualmente em andamento, o Mundial da Educação. Várias instituições se organizaram para estimular que moradores das cidades-sede de jogos da Copa do Mundo identifiquem os potenciais educativos de suas cidades e promovam eventos de trocas.
Como se vê, as possibilidades são várias, dentro e fora da escola. Voltando à Valesca Popozuda e o uso de uma música sua na prova de filosofia, todo esse debate suscitado deve aproveitar o momento para discutir maneiras de oferecer um ensino mais personalizado e engajador. Se não, a oportunidade vai passar deixando um beijinho no ombro.

Da EBC
O texto aprovado de forma unânime pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), composto por entidades da sociedade civil e ministérios do governo federal, diz que “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.
A medida recomenda que fique proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchadisings, ações em shows e apresentações e nos pontos de venda.
O texto versa também sobre a proibição de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e escolas de educação infantil e fundamental, inclusive nos uniformes escolares e materiais didáticos.
Para o Conanda, a publicidade infantil fere o que está previsto na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor.
O Instituto Alana integra o Conanda, na condição de suplente, e contribuiu junto aos demais conselheiros na elaboração e aprovação desse texto. “Foi uma conquista histórica para os direitos da criança no Brasil. A publicidade infantil não tinha limites claros e específicos. Agora, com o fim dessa prática antiética e abusiva, alcançamos um novo paradigma para a proteção da criança brasileira”, afirma Pedro Affonso Hartung, conselheiro do Conanda e advogado do Instituto Alana.
Não se enquadram na resolução as campanhas de utilidade pública que não sejam parte de uma estratégia publicitária. O texto deve ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias.

Por Danilo Macedo, da Agência Brasil
Apesar de os valores democráticos serem considerados inquestionáveis, como a liberdade e o respeito às opiniões individuais, pesquisas de diversos institutos mostram que uma parte considerável da população brasileira não percebe plenamente os benefícios econômicos e sociais da democracia. Realizada anualmente em vários países da América Latina, estudo coordenado pelo Latinobarómetro aponta que o Brasil tem a segunda menor taxa de apoio à democracia, perdendo apenas para a Guatemala.
Cidadãos de 18 países latino-americanos tiveram de responder com qual frase mais concordavam: a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo; em algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível a um democrático; tanto faz, um regime democrático e um não democrático dá no mesmo. Na média das pesquisas entre 1995 e 2013, 44% dos brasileiros dizem que a democracia é a melhor escolha. Para 19%, um governo autoritário pode ser preferível em certas circunstâncias e, para 24%, não faz diferença. O restante não respondeu.
No Uruguai, país com a maior média de apoio à democracia, 78% dizem preferir um sistema democrático; 15% defendem o autoritarismo e 10% são indiferentes. O Brasil perde apenas para a Guatemala, onde apenas 38% preferem a democracia a qualquer outro tipo de governo.
A democracia foi uma das principais conquistas políticas do Brasil no século 20. Em 1984, ainda sob regime militar, milhões de brasileiros participaram de comícios, passeatas e outras manifestações públicas, em várias capitais, no movimento Diretas Já!, que reivindicava eleições diretas no Brasil. Em 2013, quase 30 anos depois da reinstalação do sistema democrático no país, as ruas foram novamente ocupadas por milhões de manifestantes reivindicando, na avaliação de diversos especialistas, mais voz e avanço da democracia brasileira.
Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, os brasileiros estão insatisfeitos com o funcionamento do regime no país. Em outras palavras, “querem mais democracia”. O cientista político José Álvaro Moisés, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPS) da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro A Desconfiança Política e Seus Impactos na Qualidade da Democracia, diz que o grau de descrença em relação às principais instituições da democracia representativa é muito elevado.
Confira o especial: Democracia Interrompida
“No caso dos partidos políticos, nada menos do que 82% da população desconfiam deles, e, no caso do Congresso Nacional, 79%, pelas minhas pesquisas”, destaca Moisés. Embora a descrença no Judiciário seja menor, a sensação de injustiça é alta. “Aproximadamente 90% dos entrevistados de todos os segmentos sociais, regiões do país, classe, sexo, etnia e religiosidade, consideram que a lei não trata os cidadãos de maneira igual, e quase 80% consideram que o acesso dos brasileiros à Justiça é desigual, que não há oportunidades iguais de acesso.”
O cientista político acredita que as mesmas questões levantadas nas pesquisas também apareceram, de certa forma, nas manifestações de junho e julho de 2013, que levaram cerca de 2 milhões de pessoas a protestar nas ruas. “Muitos manifestantes chamaram a atenção para o vazio dos partidos políticos e, no caso do Parlamento, não foi à toa que houve tentativas de invasão às câmaras de Vereadores e assembleias legislativas em alguns estados e até do Congresso Nacional”.
Segundo o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Eurico Cursino, o cidadão brasileiro não tem vocação para viver calado, com medo, e, portanto, não contesta a democracia como valor cultural na sociedade, como direito de pensar e se expressar livremente. No entanto, como expressam as pesquisas e as manifestações populares, há uma crítica clara em relação à democracia como “regra da disputa política, da luta pelos cargos do Estado e tomada de decisões”.
O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri), Pio Penna Filho, destaca que o regime democrático é preferível “mesmo quando pensamos em uma democracia cara e ineficiente como a brasileira” porque as pessoas podem participar, de alguma forma, das decisões do Estado. Mas ela, sozinha, não basta. “Vemos um mundo político muito desvinculado da sociedade, a classe política brasileira perde a noção do compromisso social e isso desvaloriza a democracia”, avalia.
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Ronaldo Souza acredita que uma democracia equilibrada oferece melhores condições para que um país receba investimentos. “A democracia é boa para gerar crescimento econômico à medida que, dado o sistema de pesos e contrapesos, permite que os investidores tenham segurança maior do que com um grupo político isolado que se apodera do governo”.
Os especialistas afirmam que a democracia brasileira sofre as consequências da falta de proatividade das elites políticas em relação à sociedade e dos cidadãos, eleitores, em relação à classe política. Cursino defende que alguns fatores históricos fazem com que os brasileiros não se vejam como cidadãos responsáveis pelo governo do país, colocando-se em uma posição passiva na maior parte do tempo.
“As fundações da sociedade são de cima para baixo. A sociedade carece de bases comunitárias que tenham servido de alicerce para a formação de instituições políticas. As instituições políticas vêm sempre de cima para baixo e existe uma vida comunitária desconectada das instituições políticas”, explica Cursino, o que faz com que os cidadãos que se tornam conscientes de seus direitos estejam, nessa estrutura, “sociologicamente isolados”.
Os níveis de associativismo da população brasileira em sindicatos, partidos políticos, conselhos de saúde e orçamento participativo, associações de moradores e de pais e mestres ficam em torno de 2%. Para o sociólogo, essas relações representam democracia de baixo para cima e, na medida em que se tornam densas o suficiente, têm força para influenciar no jogo democrático, ampliando a participação do povo nas decisões. “Isso falta brutalmente na nossa sociedade”.
Apesar dessa relativa passividade, Moisés avalia que uma série de exemplos nas décadas recentes mostram que, quando se abre a estrutura de oportunidades para a participação das pessoas, elas tendem a utilizá-la, e cita as mobilizações de trabalhadores na região do ABC paulista, no final da década de 1970, as Diretas Já!, na década de 1980, o impeachment presidencial, na década de 1990, e as manifestações do ano passado.
“Nenhum governo abriu grandes mecanismos de participação para a população. Todos os presidentes eleitos de 1988 para cá, sem exceção, mencionaram a reforma política no discurso de posse e nenhum a fez”, critica o cientista político, destacando que há poucas iniciativas de baixo para cima, como as leis da Ficha Limpa e da Improbidade Administrativa, ambas de iniciativa popular, e nenhuma de cima para baixo.
O historiador Rodrigo Patto Sá Motta, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pontua que é preciso haver movimentos convergentes, com mudança de comportamento das lideranças políticas e maior participação dos cidadãos. “Se os eleitores punissem mais os políticos que se comportam mal, não votando neles, os políticos se sentiriam pressionados. Mas os políticos também não precisam esperar isso e poderiam cuidar de punir seus colegas parlamentares que, por exemplo, usem mal os recurso públicos.”
Apesar de todas as críticas, as manifestações recentes, na maior parte formada por jovens que não viveram o regime militar no Brasil, não questionam a importância do regime democrático. Ao contrário, pedem “mais democracia”. Segundo Moisés, apesar de não estarem perto do desejado, os indicadores sociais melhoraram muito desde o fim da ditadura.
Ele destaca ainda que as eleições não bastam para a existência da democracia e que as manifestações populares devem pautar a campanha deste ano. “Vai ser inevitável, a meu juízo, que na campanha eleitoral deste ano esses temas apareçam no debate público. Os candidatos vão ser forçados a falar sobre isso. Serão tanto mais forçados quanto mais a mídia, o jornalismo crítico, a comunicação por meio das redes sociais, cobrarem dos candidatos que se manifestem sobre o que querem fazer e como.”

Embora trabalhe diariamente com a questão da saúde humana, o que com frequência é sinônimo de lidar com o sofrimento alheio, a dor e a morte, o exercício da medicina e a formação na área raramente levam em consideração aspectos como religião e espiritualidade no contato com os pacientes. Mas para o psiquiatra Frederico Camelo Leão, independentemente das crenças pessoais do médico, ele deve estar preparado para lidar com a dimensão espiritual. "O paciente demanda isso", afirma o pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

No Instituto, Leão coordena o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), iniciativa que busca compreender a relação entre esses três fatores a partir de atividades de pesquisa, ensino e assistência terapêutica. Segundo o médico, a complexidade do ser humano e a saúde mental vão muito além das questões neuroquímicas — e é essa premissa que guia o programa.

A ideia não é que a espiritualidade e a religiosidade entrem como uma alternativa ao tratamento médico. "É uma forma complementar, dentro da visão de que a busca da saúde é mais do que apenas tomar remédios", explica. Leão conta que trabalhos científicos na área indicam que práticas como meditação, orações ou a dedicação a uma denominação religiosa podem estar associadas a melhoras na defesa imunológica e na longevidade. Ao frequentar um templo ou igreja, por exemplo, a pessoa, além de trabalhar sua espiritualidade, tem também suporte social, ou seja, frequenta um lugar onde pode compartilhar experiências e obter apoio, o que traz benefícios à saúde, podendo, inclusive, inibir ímpetos suicidas.

Mapeamento espiritual

Os pacientes em tratamento no IPq são convidados pela equipe do ProSER a responder um questionário. Trata-se da anamnese espiritual, uma forma de mapear o perfil espiritual / religioso, a partir de questões que buscam identificar os valores cultivados pelo paciente — por exemplo, se ele vê relação entre o sofrimento psíquico e a religião seguida, ou a que a pessoa recorre em momentos de dificuldade.

Essa anamnese, que em si já apresenta uma função terapêutica, pois estimula a reflexão do paciente sobre essas questões, é seguida de discussão pela equipe que vai, então, sugerir o encaminhamento a alguma das atividades promovidas pelo programa, como meditação, oficina de contos, yoga e psicoterapia transpessoal. No caso da yoga, o programa se estende também aos funcionários do Instituto.

O trabalho feito pelo ProSER não envolve práticas religiosas, mas tem a parceria do Comitê de Assistência Religiosa (CARE) do Hospital das Clínicas. O Programa faz a intermediação com esse Comitê quando o paciente deseja receber a visita de um representante religioso, como um rabino ou pastor.

Em geral, pacientes se sentem mais humanizados com abordagem do ProSER

Segundo o coordenador do ProSER, é difícil dizer se a melhora do paciente tem relação direta com a abordagem espiritual, especialmente ao se tratar do IPq, cuja assistência multiprofissional é uma das características mais marcantes. No entanto, os depoimentos dos pacientes revelam, em geral, que se sentiram mais humanizados. "Muitas das queixas de pacientes internados vêm do fato de serem tratados apenas como um leito, um diagnóstico. Quando você faz uma abordagem diferente, dando a oportunidade da pessoa falar sobre sua intimidade, suas crenças, a pessoa se sente mais acolhida", conta Frederico Leão.

Ciência e espiritualidade

Embora ainda exista resistência por parte da comunidade científica ao lidar com questões que envolvam religião e espiritualidade, Leão enxerga um grande crescimento na produção científica na área, que encontra espaço nas revistas de impacto. Um exemplo é a Revista de Psiquiatria Clínica, que publicou em 2007 uma edição especial dedicada ao assunto e mantém atualmente uma seção chamada Série Mente-Cérebro, que abrange trabalhos na área. "O programa vem sendo reconhecido, vem crescendo dentro da Universidade. Na psiquiatria, de um modo geral, há um crescimento extraordinário das publicações, não só no Brasil".

Esse avanço se deve, em parte, à decisão da Associação de Psiquiatria Americana que, em 1995, atualizou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), incluindo problemas espirituais e religiosos como uma nova categoria diagnóstica, ou seja, eles deixavam de ser classificados como transtornos mentais. A mudança deu impulso à criação no IPq do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER), embrião do ProSER, e motivou estudiosos também em outros países. "A resistência vem de quem acredita que a questão central da psiquiatria é diagnóstico e medicação. Mas a psiquiatria não se esgota aí", crê Frederico Leão.

Informações sobre triagem e atendimento no IPq podem ser obtidas pelo telefone (11) 2661-8045, diariamente, das 7 às 19 horas (inclusive sábados, domingos e feriados).

Mais informações: email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Quarta, 06 Novembro 2013 19:57

LBV no Novembro Azul

Escrito por

Iluminação especial do TBV, em Brasília, e iniciativas de conscientização nas unidades da LBV destacam apoio a campanha mundial pelo diagnóstico precoce do câncer de próstata e pela prevenção do diabetes

 

A Legião da Boa Vontade (LBV) apoia a campanha internacional Novembro Azul, que busca disseminar a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata e da prevenção do diabetes. Até o fim do mês, o Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília, terá iluminação especial em apoio a essa iniciativa. Em todo o mundo, monumentos, prédios públicos, pontes e igrejas são iluminados com a cor azul, em referência simbólica à luta contra esses dois males.

Neste mês a LBV intensifica, em suas 77 unidades de atendimento no país, as atividades socioeducativas para a conscientização do tema da campanha Novembro Azul. O mesmo será feito nos outros seis países onde a LBV mantém bases autônomas: Argentina, Bolívia, Estados Unidos, Paraguai, Portugal e Uruguai.

Também no TBV — monumento dedicado à Paz e símbolo do Ecumenismo sem fronteiras — serão promovidas ações em prol da campanha. Diariamente será dedicada às 18 horas, na Hora do Ângelus, uma prece ecumênica às pessoas e seus familiares que lutam ou já venceram o câncer de próstata e também em favor dos que enfrentam incluindo os familiares o diabetes.

No Recife/PE, a Instituição promoverá palestra de conscientização para os colaboradores internos e pais beneficiados pela LBV através de seus programas socioeducativos, o evento vai acontecer no dia 20, às 15h, na sede da entidade, localizada na Rua dos Coelhos, 219 – Coelhos – próximo ao Cais José Mariano.

Acompanhe a participação da LBV na campanha Novembro Azul acessando o Portal Boa Vontade (www.boavontade.com) e conheça outras ações socioeducacionais realizadas pela Legião da Boa Vontade, a partir do link www.lbv.org.

 

O Instituto Mobilidade Verde lançou o “Pedal Social” como um projeto-piloto em novembro de 2012, no centro de São Paulo, como uma alternativa para a população em situação de rua obter transporte gratuito para seus deslocamentos pendulares. Na época da criação da iniciativa apenas cinco bicicletas faziam parte do programa, mas logo nos primeiros meses esse número atingiu mais de 100 bicicletas.

É assim: qualquer pessoa pode doar um bicicleta ao projeto através do site da iniciativa. E os usuários precisam se cadastrar, comprovar que tem uma ocupação na qual não conseguem chegar por falta de dinheiro e, assim, garantem sua ‘magrela’ durante o mês. Ao final do período, ou quando receber o salário, ele devolve a bike, que é entregue a outra pessoa na mesma situação. E tudo funciona na base da confiança.

Assista ao vídeo que conta a história do projeto Pedal Social, com casos reais de pessoas que foram ajudadas – um dos responsáveis diz mesmo que, na época da reportagem, em março de 2013, havia cerca de 80 pessoas em lista de espera para receber uma bicicleta.

O PIB de edificações acumulou alta de 17,2%, passando de R$ 139 bilhões para R$ 163 bilhões em apenas dois anos

O valor das construções com projetos registrados para receber a certificação de obra sustentável, os chamados prédios “verdes”, alcançou, em 2012, 8,3% do total do PIB de edificações – subdivisão do PIB da construção civil que exclui obras de infraestrutura. Em 2010, os prédios “verdes” não ultrapassavam 3% do PIB setorial. O valor total dos imóveis que reivindicam o selo sustentável atingiu R$ 13,6 bilhões no ano passado, em comparação com um PIB de edificações de R$ 163 bilhões no mesmo período, segundo estudo realizado pela EY (antiga Ernst & Young) a pedido da GCB Brasil (Green Building Council). A pesquisa levou em conta projetos registrados para o selo LEED (leadership in energy and enviromental design), concedido pela organização americana Green Building Council.

O levantamento compreende dados sobre a movimentação econômica da construção verde no Brasil, evidenciando um aumento substancial da participação de empreendimentos sustentáveis na composição do PIB de Edificações ao longo dos últimos três anos. Essa contribuição aumentou de 3% em 2010 para 9% em 2012. Para Luiz Iamamoto, gerente sênior da EY, a busca pela certificação LEED está presente em cada vez mais segmentos (como escolas, hospitais, estádios e edificações comerciais, entre outros), e até fundos imobiliários têm incluído a certificação LEED como exigência para receber investimentos, o que vem impulsionando o mercado de construções verdes.

“Percebemos que a certificação LEED desperta interesse dos investidores, principalmente em empreendimentos comerciais de alto padrão. Quando os projetos certificados começaram a ser comprados, as construtoras viam esse tipo de investimento como custo adicional. Hoje já entendem que o investimento feito a curto prazo pode até ser mais alto, mas ele é recuperado na velocidade de venda das unidades, além de reduzir em até 10% os gastos em um condomínio, em razão de projetos de eficiência energética e reuso de água.” conclui Luiz Iamamoto.

Apesar do desempenho errático da economia nos últimos seis anos, todos os segmentos da construção apresentaram taxas elevadas de crescimento entre 2007 e 2010. O segmento de edificações foi um dos destaques, com o PIB passando de R$ 139 bilhões, em 2010, para R$ 163 bilhões, no ano passado.

 A certificação LEED tem mostrado que agrega valor às construções ampliando a atratividade para a mercado imobiliário corporativo – principalmente por reduzir riscos operacionais e de investimento. Hoje, o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de construções sustentáveis, e logo deverá alcançar a terceira posição, desbancando os Emirados Árabes e ficando atrás somente de EUA e China.    

Da EcoD

Quando a produtora de moda Daniela Bueno viajou para a Europa há dez anos e se deparou com uma estante de papelão, ela não teve dúvida: “Desde aquele dia, fiquei com aquilo na cabeça e comecei a pesquisar sobre as possibilidades do uso do material, da matéria-prima no Brasil”, relatou ao portal PME Estadão.

A empresa 100t, criada por Daniela em sociedade com Marcello Cersosim, vende móveis feitos de papelão e lançou recentemente a linha 100t Verde, em parceria com a designer de flores Rita Segreto. O novo projeto tem a intenção de fazer com que os móveis funcionem como um jardim suspenso, onde são usadas plantas específicas e o papelão passa por um processo de impermeabilização. Os móveis, como poltronas e mesas, são entregues com as plantas e os preços variam de R$ 400 a R$ 1,5 mil.

Em 2012 a empresa faturou R$ 800 mil e espera fechar 2013 com R$ 1,2 milhão. Atualmente, as vendas para outras empresas representam 80% do faturamento, mas Daniela aponta um crescimento gradativo da demanda de consumidores.

Os negócios ligados à sustentabilidade estão na lista de tendências no mundo do empreendedorismo. Por enquanto, a parcela da população disposta a pagar a mais por um produto ou serviço sustentável ainda é pequena, mas a expectativa é de crescimento. “A questão da educação ambiental está sendo implantada nas escolas. Os alunos começam a ter um olhar diferente e eles serão os consumidores do futuro”, afirma a consultora do Sebrae-SP, Dorli Martins.

Papelão multifuncional

O papelão também é o principal atrativo de um restaurante em Taiwan. O Carton King Creativity utiliza pratos, copos, cadeiras, mesas e paredes decorativas de papelão. O objetivo do espaço é passar uma compreensão sobre criatividade e uma mensagem ambiental.

Para quem pretende acompanhar essa tendência sustentável, a consultora do Sebrae-SP recomenda transparência e veracidade. Isso porque se a empresa aposta no marketing verde (greenwashing), mas o que ela divulga não acompanha o que ela realmente pratica, o empresário corre um grande risco de arruinar seu negócio. “As irregularidades estão sendo descobertas com mais rapidez, especialmente com as redes sociais”, afirma Dorli. Outro cuidado é com os fornecedores. É preciso prestar atenção na matéria-prima fornecida e na mão de obra utilizada.

Do Blog do Sakamoto

Garupa, a primeira iniciativa brasileira de financiamento público de turismo sustentável foi ao ar, no último dia 2 de setembro. Ela tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de pequenos empreendedores de turismo, responsáveis por garantir a preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural em vários cantos do país.

O desenvolvimento de associações comunitárias, organizações não-governamentais e micronegócios sociais é fundamental para a sobrevivência de comunidades que zelam pela preservação de locais de grande interesse ambiental e cultural. Quando são forçadas a deixar seus lugares podem dar lugar a empreendimentos que não demonstram tanto respeito pelo meio em que estão. Ou exploram mão de obra de forma ilegal e até criminosa. Além disso, seu empobrecimento pode levar à dilapidação desse mesmo patrimônio natural como último recurso para a própria sobrevivência. Portanto, manter essas comunidades fortes é um dos reais significados do desenvolvimento sustentável.

Quem acessa a Garupa, assiste a vídeos com a história dos empreendedores e seus projetos e pode contribuir financeiramente com eles, como em um site de crowdfunding, a conhecida “vaquinha virtual”. Nessa plataforma, as recompensas podem ser desde uma receita da culinária tradicional de uma comunidade, um artesanato até a viagem para o local em questão.

“Acho que este é um momento de mudança de mentalidade. De busca por alternativas econômicas sustentáveis, de valorização do microempreendedorismo, de ascensão do trabalho colaborativo, da atuação em rede, do financiamento coletivo, do consumo consciente”, afirma Claudia Carmello, diretora de Comunicação e Projetos da Garupa. Ela foi entrevistada por este blog para contar um pouco do projeto:

Blog do Sakamoto - Parte dos empreendedores que vocês apoiam provavelmente atuam em locais pouco conhecidos do grande público e, por isso, relativamente preservados. Nesse caso, não seria mais lógico manter esses lugares longe da atenção da população para se manterem como são?

Claudia Carmello - Na verdade, não. E é justamente o contrário. O turismo sustentável é aquele que não só não detona o destino, como causa um impacto positivo nele. É quando a presença do viajante no lugar serve de estímulo para a preservação dos seus patrimônios naturais e culturais. Primeiro, porque o turista só vai continuar visitando se o destino estiver preservado. E, além disso, porque o seu dinheiro fica na mão da comunidade local.

Um exemplo: em um dos destinos apoiados pela Garupa na Amazônia, a população não via outra opção de renda além de cortar madeira ilegal pra vender. Quando o lugar virou uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, cinco anos atrás, começaram a trabalhar com turismo de base comunitária: abriram uma pousada e um restaurante comunitário. Daí perceberam que mesmo esse turismo de baixo impacto pode trazer mais dinheiro, e por muito mais tempo, do que o corte de madeira ilegal. Ou seja, viram que a floresta de pé vale mais do que derrubada.

BS – Turismo sustentável é coisa de intelectual ou de gente rica?

CC – De intelectual, não. Turismo sustentável é algo muito palpável. O impacto gerado por uma pousada de selva como a Uacari, na Amazônia, gerida pela comunidade local e premiada internacionalmente por sua operação de qualidade e de baixo impacto ambiental, é algo muito concreto.

De gente rica, pode ser e pode não ser. Turismo sustentável independe da quantidade de conforto ou exclusividade da operação. É verdade que ele ficou mais famoso no mundo e é mais midiático em sua versão “luxo”, replicada em ecolodges caríssimos, na África e na Ásia, frequentados por ricaços americanos e europeus.

Mas, no Brasil, por exemplo, o potencial para operações turísticas mais simples e sustentáveis, especialmente no que se refere ao turismo regional, é imenso. Um passeio de um dia nos arredores de Belém, operado inteiramente pela comunidade de Boa Vista do Acará – do almoço à oficina de biojoias ao banho de cheiro no igarapé – é barato, é bem feito e deixa renda na mão da comunidade. Mas não sei se vai atrair gente rica de São Paulo, por exemplo. Tem muito mais potencial pra trazer quem mora por perto, por exemplo, um cara de Belém que vai levar as crianças para passear no fim de semana. E é excelente ele ter a alternativa de, ao invés de ir no parque aquático, conhecer o modo de vida de uma comunidade ribeirinha a 30 minutos da cidade grande.

BS – Mais do que apoiar rostinhos bonitos e histórias comoventes, incentivar o turismo sustentável é um bom negócio? Ele é capaz de competir em atenção do público com o turismo convencional?

CC – Um bom negócio é, antes de tudo, um negócio perene. Então, a lógica de montar uma operação turística predatória na praia da moda, ganhar muito dinheiro ali, mas detonando o lugar, para depois ter que procurar a próxima praia da moda, é uma lógica burra. Tem um limite. Mesmo num Brasil com mais de 7 mil quilômetros de litoral.

E o turismo sustentável tem esse propósito: manter os destinos preservados, com a população local usufruindo da renda trazida pelo turista. Ele é um bom negócio para o empreendedor local de um destino interessante e pode ser um bom negócio também para uma empresa grande – que tenderia, talvez, a investir em operações mais exclusivas e caras.

Se ele pode competir em atenção do público com o turismo convencional? Aí a resposta é mais difícil. Na Garupa vamos testar essa premissa, de que viajar com mais conexão com a natureza, as pessoas e o que há de autêntico em cada lugar é muito mais legal. Agora, para o público poder se interessar, precisa ter opções à sua disposição. De passeios, de pousadas, de atividades sustentáveis. E esse é o foco da Garupa: garantir que essas operações sustentáveis se aprimorem, se divulguem melhor a público, saiam do papel.

BS – Por que uma boa ideia como a Garupa surge apenas agora?

CC – Acho que este é um momento de mudança de mentalidade. De busca por alternativas econômicas sustentáveis, de valorização do microempreendedorismo, de ascensão do trabalho colaborativo, da atuação em rede, do financiamento coletivo, do consumo consciente. A Garupa se liga a todas estas ideias. É também um momento de saturação do interesse pelo consumo de massa, pelo pasteurizado, pelo fake. Um público que busca experiências mais significativas, mais autênticas, e um modo mais justo e satisfatório de consumir, nas férias ou não, é o público óbvio da Garupa. Mas a gente está aqui para mostrar a beleza do turismo sustentável para todo mundo.

Para acessar o site, clique aqui.

Por Juliana Guarexick, especial para o Ethos

“Cada prato pode ter um gosto amargo da natureza”. Provocantes, reflexivas e ao mesmo tempo inspiradoras. Assim foram as palavras de Alex Atala, chef do badalado restaurante D.O.M. e fundador do Instituto Atá, durante palestra ministrada na tarde desta terça-feira (03), na Conferência Ethos 2013.

“Quantas atitudes tomamos por condicionamento e não por raciocínio?”. Levantando esta questão, o chef desafiou-se a colocar uma visão sobre uma coisa que parecia imutável: sua relação com a cozinha. Foi assim que nasceu o Instituto Atá, com o intuito de estruturar as cadeias produtivas e buscar novos ingredientes.

Na companhia de Roberto Smeraldi, jornalista e membro diretor do Instituto, Atala expôs de forma criativa e divertida a proposta de atuação da entidade, fruto de uma inquietação pessoal. “Foi no exercício do ofício de cozinheiro que percebi que minha relação com a cozinha ia além da panela”, contou.

A proposta do Instituto Atá é agir em toda a cadeia de valor com o propósito de fortalecer os territórios a partir de sua biodiversidade, agrodiversidade e sociodiversidade, garantindo alimento para todos e para o meio ambiente. “Precisamos aproximar o saber do comer, o comer do cozinhar, o cozinhar do produzir e o produzir da natureza”, afirmou Smeraldi. Ele enfatiza que essa é uma proposta desafiadora, mas não utópica. “As organizações precisam se reinventar, trocar o lateral pelo central, assim como trocamos no prato um ingrediente pelo outro”.

As ações do Instituto Atá pretendem ser muito específicas e práticas. Nesta lógica, o pequeno produtor rural vira protagonista e uma parte dos lucros da venda do alimento é revertida para a pesquisa ou a estruturação do ingrediente e/ou de sua região de produção. Um exemplo disto é a meta de domesticar e estruturar um consórcio de famílias nas áreas do Cerrado para atuar na produção de baunilha, ainda não domesticada. A iniciativa contribuiria para a geração de complemento de receita à população carente e abriria caminhos para o cultivo nacional do produto.

Mas não para por aí. O Instituto traça metas de atuação para a produção de carne sustentável, da pimenta baniwa jiquitaia, para a regulamentação do mel das abelhas nativas, entre outros projetos.

Para o Alex, a chave da mudança é humana e cultural. “Precisamos entender porque nossos ancestrais produziam e comiam na sua totalidade. É uma mudança de princípios”. Mantendo o tom de provocação, Smeraldi encerrou o painel com uma pergunta: “como as empresas e a própria sociedade pode contribuir para esta mudança?”.

Da EcoD

A prefeitura de Salvador pretende conceder desconto de 10% no IPTU dos imóveis que forem construídos ou adaptados com base às normas de sustentabilidade, informou na quarta-feira, 28 de agosto, o site do jornal Correio*. Se enquadram as casas ou apartamentos que fazem o uso racional dos recursos, como aproveitamento da água da chuva e tratamento do que for utilizado na obra.

A decisão anunciada pelo prefeito Antonio Carlos Magalhães Neto será incluída no projeto de lei que pretende modificar os critérios de progressão da alíquota do IPTU e atualizar o valor venal dos imóveis para a cobrança do imposto.

A expectativa da prefeitura é de enviar o projeto à Câmara ainda no segundo semestre de 2013, para que seja aprovado e comece a valer em 2014. “Visitando outras cidades pelo país, eu vi que esse desconto era uma realidade e estimulava as pessoas a serem mais racionais na construção e no uso dos recursos naturais”, ponderou o vereador Paulo Câmara (PSDB), que sugeriu o desconto à prefeitura por meio de uma indicação.  Nos critérios de avaliação da sustentabilidade são levados em consideração o uso de projetos de engenharia que privilegiam a ventilação e luminosidade naturais, por exemplo, em vez de ar-condicionado e iluminação artificial, além da reciclagem de produtos, reutilização de materiais e destinação correta de resíduos.

Segundo a organização não governamental Green Building Council Brasil, responsável pela certificação Ledd, inicialmente a despesa com a obra pode ser até 7% maior que o normal. Porém em longo prazo, reduz-se de 8% a 9% o custo operacional; em 30% o consumo de energia; até 50% o consumo de água; e em 80% os resíduos sólidos.

Matéria do EcoD publicada em junho mostrou que o mercado brasileiro busca mais um degrau no ranking mundial de construções sustentáveis. Hoje, o Brasil ocupa o quarto lugar entre os países que mais concentram edificações feitas a partir de critérios ambientalmente adequados. Os Estados Unidos reúnem o maior número de empreendimentos em análise, seguidos pela China e pelos Emirados Árabes Unidos.

Da Agência Câmara

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5203/13, do deputado Márcio Macêdo (PT-SE), que inclui a mudança do clima e a proteção da biodiversidade entre os temas da Política Nacional de Educação Ambiental, criada pela Lei 9.795/99.

Atualmente, essa política estabelece sete objetivos, incluindo a garantia de democratização das informações ambientais e o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente.

O projeto de lei acrescenta o estímulo à participação em ações de prevenção e mitigação relacionadas à mudança do clima e controle da perda de biodiversidade, além do auxílio às políticas nacionais do Meio Ambiente e sobre Mudança do Clima.

Efeitos concretos

“O olhar sobre a mudança do clima na educação ambiental potencializa o aprendizado sobre os problemas de degradação do meio ambiente e seus efeitos concretos sobre a vida das pessoas”, disse Macêdo.

Entre 15% e 20% de toda a biodiversidade do planeta está no território brasileiro, como lembrou o deputado. “São necessárias complementações que coloquem a mudança do clima e a proteção da biodiversidade como temas-chave nas iniciativas nesse campo”, afirmou.

De acordo com o projeto, a biodiversidade e as mudanças climáticas devem entrar na grade pedagógica da educação básica e da superior, de acordo com diretrizes do Conselho Nacional de Educação.

Pela proposta, a lei entrará em vigor 120 dias depois de ser publicada.

Tramitação

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: PL-5203/2013

Por Benedito Teixeira, da Adital

O Congresso Nacional parece estar preocupado e buscando respostas para a onda de manifestações realizadas em todo o Brasil no último mês de junho. Tanto que uma sondagem inédita feita pelo Senado Federal tenta verificar a opinião dos brasileiros sobre os protestos e se há possibilidade de voltarem a ocorrer. Os resultados apontam que as manifestações têm a aprovação de 93,4% dos internautas consultados. Quase todos os que responderam a pesquisa (99,8%) têm conhecimento dos protestos e 61,3% afirmaram acreditar que, por causa das manifestações, o Brasil mudará para melhor. Vale destacar também que 74,8% afirmaram que vão participar de novos protestos caso as coisas não mudem para melhor.

Do total dos internautas que responderam, 39,1% afirmam ter participado dos protestos, sendo a maioria na faixa etária dos 16 aos 19 anos (57,6%). A faixa acima dos 60 anos teve o menor percentual (26,9%). A utilização das redes parece influenciar no percentual de participação nas manifestações, pois dos usuários das redes 42,5% declararem ter participado e dos não usuários apenas 21,9% saíram às ruas para protestar.

Outro dado interessante, é que quanto maior a escolaridade maior o percentual de participação nos protestos. O menor índice ficou entre os que têm apenas o Ensino Fundamental, com 29%, seguido pelo Ensino Superior completo (38,3%), Ensino Médio (40,3%) e pós-graduação (40,6%).

No que se refere aos percentuais de aprovação da atuação do Congresso Nacional, os números não são tão elevados quanto os de participação nas manifestações. Consideram péssimas as propostas colocadas em pauta pelo Legislativo 40,9%; 24,4% consideram as propostas ruins e 26,9% regulares. Restam menos de 8% que avaliam como boas e ótimas tais proposições.

Saúde, educação e corrupção são destacadas como os principais motivos para os protestos. Para 85% dos internautas que responderam à pesquisa, as deficiências nos serviços de saúde e educação seriam os maiores motivos. Esse índice fica acima dos 80% em todos os estratos sociais: por faixa etária, gênero, região e nível de escolaridade. Outro ponto que registrou percentual expressivo foi o combate à corrupção, apontado por 84,2% dos internautas como um dos principais motivos para as manifestações

Para a maioria dos jovens internautas, 52,1% a polícia agiu com mais força do que deveria para controlar as manifestações. Entre os que acham que a polícia atuou com excesso de força, as maiores porcentagens ficaram com os mais jovens – de 16 a 19 anos e de 20 a 29 anos –, com 65,7% e 66,1%, respectivamente. Três em cada quatro internautas participantes da pesquisa acham que os atos de destruição do patrimônio público durante manifestações nunca são justificáveis (78,1%).

Mesmo com medidas anunciadas pela Presidência da República e pelo Congresso, 42,8% dos respondentes acham que as manifestações vão aumentar. A sondagem foi feita com 9 mil pessoas durante o último mês de julho

Por Edgard Júnior, da Rádio ONU

A campanha da ONU “Pensar.Comer.Conservar. Diga não ao Desperdício”, lançada em janeiro, ganhou os campos de futebol brasileiros. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e a Organização para Agricultura e Alimentação, FAO, alertam que 1,3 bilhão de toneladas de comida vão parar no lixo todos os anos.

O objetivo da iniciativa é fornecer informações para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos.A campanha ganhou mais força na semana passada quando uma faixa promovendo o evento foi mostrada durante um jogo entre o Flamengo e a Portuguesa, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Segundo o Pnuma, o Flamengo é um dos times mais populares do país, com mais de 35 milhões de torcedores, só no Brasil. Mais de 17 mil fãs pagaram ingresso para ver a partida entre os dois clubes.

Copa do Mundo - O Mané Garrincha vai ser uma das arenas usadas durante a Copa do Mundo de Futebol no ano que vem pela Fifa. O estádio foi construído com vários dispositivos sustentáveis, como por exemplo, painéis solares para reduzir os gastos com energia e um sistema de coleta de água da chuva usado para irrigar o gramado.

O Pnuma avisou que continuará apoiando o governo brasileiro em projetos verdes. A agência da ONU vai fornecer também aos torcedores que forem assistir a Copa do Mundo em 2014 os chamados “passaportes verdes”, que incluem informações sobre regiões de turismo sustentáveis”.

O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira (2/08) a Lei 12.845/2013, que obriga os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual. Aprovada pelo Congresso Nacional no início de julho, o projeto foi sancionado sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff.

Pela lei, o atendimento às vítimas de violência deve incluir o diagnóstico e tratamento de lesões, a realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A norma também determina a preservação do material coletado no exame médico-legal.

A proposta provocou polêmica porque, entre outros pontos, prevê a profilaxia de gravidez, que é vista por organizações religiosas como uma brecha para estimular o aborto. Já movimentos feministas argumentam que o aborto em caso de violência sexual já é autorizado por norma técnica e por um decreto presidencial.

No dia 1º de agosto, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a sanção transformada em lei estabelece práticas já recomendadas pelo Ministério da Saúde. O governo manteve na lei a previsão de oferecer às vítimas de estupro contraceptivos de emergência – a chamada pílula do dia seguinte. O governo vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei alterando a forma como a prescrição está descrita na lei.

Segundo o ministro da Saúde, o termo “profilaxia da gravidez” será substituído por "medicação com eficiência precoce para prevenir a gravidez decorrente de estupro”, que estava no projeto original. A alteração, de acordo com Padilha, corrige a interpretação de que a medida poderia estimular abortos na rede pública.

No projeto que será encaminhado ao Congresso, o governo também vai corrigir uma imprecisão sobre o conceito de violência sexual. A nova redação considera violência sexual “todas as formas de estupro, sem prejuízo de outras condutas previstas em legislação específica”. Do jeito que está na lei sancionada hoje, o texto poderia excluir do conceito crianças e pessoas com deficiência mental, que não têm como dar ou não consentimento para atividade sexual.

De acordo com a lei, o paciente vítima de violência sexual deverá receber no hospital o amparo psicológico necessário e o encaminhamento para o órgão de medicina legal e o devido registro de boletim de ocorrência. Os profissionais de saúde que fizerem o atendimento deverão facilitar o registro policial e repassar informações que podem ser úteis para a identificação do agressor e para a comprovação da violência sexual.

O Ministério da Saúde quer ampliar o apoio às mães no período de amamentação em unidades de saúde, hospitais e bancos de leite. No última de 1º de agosto governos de mais de 170 países promovem atividades para comemorar a Semana Mundial do Aleitamento Materno. No Brasil, foi lançada a Campanha do Aleitamento 2013, com o tema Tão Importante Quanto Amamentar Seu Bebê, É Ter Alguém Que Escute Você. O objetivo é enfatizar aos profissionais de saúde a necessidade de um atendimento especial às mulheres em período de amamentação. Um fato que merece atenção é que, por falta de informação, muitas mães abrem mão do aleitamento, que é a única forma recomendada para bebês até os 6 meses de idade.

Para o coordenador da área de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Paulo Bonilha, a mulher precisa de apoio para ter sucesso no aleitamento, especialmente em casos nos quais a mãe está ansiosa, tem dúvidas e dificuldades em relação à alimentação do bebê. Esse apoio, segundo ele, deve vir tanto do companheiro, quanto da família e de profissionais de saúde.

"A mulher pode ter ansiedade, dúvida ou dificuldade em relação ao aleitamento – se [a quantidade] está sendo suficiente para alimentar seu filho, em casos de rachaduras dos mamilos ou leite empedrado. Se o apoio à amamentação não acontece no momento oportuno, a mulher pode desistir. É preciso que o acesso à informação no âmbito das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) não seja burocratizado. É errado exigir que se agende uma consulta para isso", informou Bonilha.

De acordo com representante do Ministério da Saúde, estima-se que 41% das mulheres amamentem seus bebês até os primeiros seis meses. "O nosso objetivo é que consigamos avançar nessa área. Temos a expectativa de que, no ano que vem, quando vamos fazer uma pesquisa nacional sobre prevalência do aleitamento, possamos ter avançado ainda mais", disse.

O Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo, com 210 unidades e 117 postos de coleta. Por ano, são coletados em média 166 mil litros de leite humano que beneficiam, aproximadamente, 170 mil recém-nascidos, segundo dados do Ministério da Saúde. A expectativa é que, este ano, o governo invista R$ 7 milhões nos bancos de leite.

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador da rede brasileira de aleitamento, João Aprijo, pede que as mulheres busquem apoio de um profissional antes de tomar a decisão de parar de amamentar seu bebê. De acordo com ele, em 2012, mais de 2,6 milhões de mulheres conseguiram seguir amamentando devido a ações assistenciais.

"Quando nos falamos de amamentação, sempre lembramos da criança. Mas é bom lembrar que o verdadeiro protagonista é a mulher. Apesar de muita gente dizer que [amamentar] é um ato natural, instintivo e biológico, é mais ou menos. É bom lembrar que a mulher está em um momento de grande vulnerabilidade, com sentimentos ambíguos e contraditórios o tempo inteiro. Essa mulher tem dúvidas, e ela tem todo o direito de ter", explicou Aprijo

A expectativa de vida do brasileiro cresceu 11,24 anos entre 1980 e 2010. O crescimento entre as mulheres ficou em 11,69 anos, enquanto entre os homens a elevação atingiu 10,59 anos.

No mesmo período, na comparação com o restante do Brasil, a Região Nordeste foi a que apresentou maior aumento na expectativa de vida. As informações fazem parte da pesquisa Tábuas de Mortalidade 2010 – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, divulgada nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 1980, o nordestino tinha a taxa mais baixa do país (58,25 anos). No período de 30 anos houve elevação de 12,95 anos e, em 2010, atingiu 71,20 anos. De acordo com o IBGE, o crescimento foi decorrente, principalmente, do aumento de 14,14 anos na expectativa de vida das mulheres nordestinas, que passou de 61,27 anos em 1980 para 75,41, em 2010.

Segundo o gerente de Componentes de Dinâmica Demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque, o Nordeste representava, em 1980, a região com menor índice de expectativa de vida. A aplicação mais eficaz de programas sociais e de projetos de distribuição de renda favoreceram o crescimento da taxa da região. “Todos os programas [geraram impacto positivo na região: houve] aumento na qualidade de atendimento de pré-natal, transferência de renda [propiciada pelo] Bolsa Família e melhor instrução. O programa Saúde da Família não [previne a mortalidade apenas na infância], mas em todas as faixas de idade. São programas importantes que representam forte impacto na [redução da] mortalidade. [Há] um aumento maior da expectativa de vida na região Nordeste”, explicou.

A elevação da expectativa de vida entre as mulheres foi o fator que favoreceu também o resultado do Rio Grande do Norte, que apontou a maior elevação entre os estados da região (15,85 anos). Lá, a taxa das mulheres ficou em 17,03 anos. “Em 1980, o Rio Grande do Norte também era um dos estados em que a mortalidade era mais elevada, consequentemente com uma expectativa de vida mais baixa. Então de certa forma estes programas aceleraram a diminuição [das taxas de] mortalidade e ganhos na expectativa de vida”, explicou.

O pior resultado de crescimento entre as regiões foi no Sul (9,83 anos). Apesar disso, a região ainda registra as mais altas taxas de expectativa de vida do país. Em 1980 era de 66,01 anos, a mais elevada daquele ano. Em 2010 atingiu 75,84 anos, também a maior expectativa entre as regiões. “Os níveis de mortalidade já eram mais baixos. Os aumentos ocorreram, mas com menos intensidade. Essas expectativas de vida já eram elevadas”, disse o gerente.

A segunda região a apresentar maior crescimento nos 30 anos compreendidos entre 1980 e 2010 foi a Centro-Oeste com elevação de 10,79 anos (de 62,85 para 73,64 anos). Em terceiro ficou o Sudeste que teve elevação de 10,58 anos (de 64,82 para 75,40 anos). A quarta foi a região Norte, que passou de 60,75 para 70,76 anos, representando um aumento de 10,01 anos na taxa.

Na avaliação do gerente do IBGE, no Norte, a dificuldade de acesso aos programas sociais impediu um desempenho melhor na esperança de vida. “Os programas sociais existem, mas há uma maior dificuldade em função da extensão da região e dificuldade de acesso. São populações ribeirinhas, onde o indivíduo tem de viajar vários dias para chegar a um posto de saúde”, explicou.

A pesquisa analisa resultados sobre a esperança de vida por sexo e compara informações sobre as regiões do país e dos estados. O trabalho utiliza dados do Censo Demográfico 2010, das estatísticas de óbitos obtidos no Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do ministério da Saúde para o mesmo ano.

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