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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou esta semana, em Brasília, o livro Igualdade Racial no Brasil – Reflexões no Ano Internacional dos Afrodescendentes, durante a programação da sexta edição do Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. A obra reúne dez artigos de pesquisadores, técnicos, gestores e militantes de diversas instituições, que abordam temáticas variadas e de diferentes perspectivas sobre a questão racial.

De autoria de Tatiana Dias Silva, pesquisadora do Ipea, o primeiro capítulo, Panorama social da população negra, apresenta uma visão geral sobre a situação dos negros, dispondo de informações nos campos da educação e do trabalho.

O trabalho doméstico, majoritariamente exercido por mulheres, em especial negras, é objeto de análise dos três capítulos seguintes. Em Questões para pensar o trabalho doméstico no Brasil, as autoras Lilian Marques e Patrícia Costa analisam informações retiradas da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).

Já o artigo Colonialidade e interseccionalidade: o trabalho doméstico no Brasil e seus desafios para o século XXI, de Joaze Bernardino, trata da complexa situação social das mulheres negras trabalhadoras domésticas, não apenas do ponto de vista da vulnerabilidade, mas, sobretudo, do desenvolvimento de estratégias de superação e resistência emancipadora.

No texto O trabalho doméstico e o espaço privado: iniquidades de direitos e seus impactos na vida das mulheres negras, Claudia Pedrosa apresenta resultados da Pesquisa Qualitativa sobre o Trabalho Doméstico: Distrito Federal e Salvador, uma parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ONU Mulheres e o Ipea.

A inclusão de conteúdos sobre as relações étnico-raciais no ensino fundamental e médio também é objeto do livro. Dois artigos discutem, por meio de diferentes abordagens, a implementação das alterações promovidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Violência letal no Brasil e vitimização da população negra: qual tem sido o papel das polícias e do Estado?, de Almir de Oliveira Júnior e Verônica Lima, relaciona segurança pública e a questão racial e considera as ações enviesadas das polícias como indicador de racismo institucional.

A temática quilombola integra dois capítulos da publicação, com os textos A territorialidade dos quilombos no Brasil contemporâneo: uma aproximação, de Rafael Sanzio, e Acesso a terra, “caminho de muitas curvas”: depoimento de um quilombola, de Ivo Silva.

Por fim, Silvio Silva, em O Itamaraty e o Ano Internacional dos Afrodescendentes: um olhar sobre o discurso externo brasileiro acerca da questão racial, explicita a evolução da temática da igualdade racial no cenário internacional, especialmente no discurso defendido pela política externa brasileira.

Leia o Livro – Igualdade Racial no Brasil – Reflexões no Ano Internacional dos Afrodescendentes

Quarta, 03 Julho 2013 12:26

Juventude “apolítica” reinventa a política

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Por Fabiana Frayssinet, da IPS

Com palavras de ordem contra os partidos políticos, as manifestações juvenis no Brasil trazem consigo o paradoxo de uma nova e efetiva forma de fazer política, que consegue respostas concretas dos poderes do Estado. A palavra de ordem nas ruas é “partidos políticos, não”, e a maioria dos manifestantes se declara, com orgulho “apolítica”. “Não tenho nenhum partido”, diz à IPS a estudante Stephany Gonçalves dos Santos.

Como centenas de milhares de estudantes que protestam, convocados por meio das redes sociais, como o Facebook, ela escreve um cartaz para um protesto no Rio de Janeiro, com lápis de cor em uma simples cartolina. E escolhe a frase “Um filho teu não foge à luta”, do hino nacional brasileiro. “Estou aqui por um ideal de país. quero que meu país seja democrático. Mas onde há repressão não há democracia”, argumentou Stephany, referindo-se à dura resposta policial que, longe de aplacar os protestos, estimulou muitos a aderirem a eles.

“O governo quer alienar o povo com o futebol”, acrescentou, ao abordar outro tema de descontentamento: os gastos milionários em instalações para competições esportivas como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Stephany vive em um país onde diariamente se respira futebol e este é parte de uma cultura popular tão arraigada quanto o carnaval. Mas reclama, indignada, do dinheiro que se deixou de investir em educação e saúde para construir grandes instalações esportivas. “Construíram estádios de primeiro mundo, mas ao redor deles não temos nada. É uma falta de respeito com o povo”, afirmou.

A revolta nasceu de um tema específico: o aumento das passagens de ônibus, serviço já caro e ineficiente. Porém, se estendeu a outras áreas: saúde, educação e a suposta corrupção de muitos dirigentes políticos. “A maioria dos que participam do movimento constitui uma massa de jovens que se sentem muito desgostosos com a atual vida política”, apontou à IPS o especialista político William Gonçalves, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. “Eles repudiam a corrupção e a cumplicidade de forças que se apresentam como progressistas com as que são símbolo do atraso”, afirmou, referindo-se a alianças parlamentares forjadas pelos partidos para governarem.

Pelas dimensões e pela diversidade territorial do Brasil e da sua população, nenhum partido pode assegurar a Presidência e a maioria das cadeiras no Congresso. “Desta forma, temos um parlamentarismo disfarçado, já que todos os partidos que chegam à Presidência só podem governar aliando-se a outros que têm a única ambição de obter cargos em troca de apoio parlamentar”, explicou Gonçalves. “Até o Partido dos Trabalhadores é prisioneiro dessa aliança. A saída seria uma reforma política”, acrescentou.

Tal reforma, largamente reclamada, não saía das gavetas oficiais. E, curiosamente, foi o susto diante da “apolítica” ebulição das ruas que conseguiu em poucos dias que esse assunto entrasse na agenda oficial. Os manifestantes também conseguiram reduzir o preço do transporte público, a aprovação em tempo recorde de uma lei que declara a corrupção crime “hediondo” e a votação de outra lei para destinar royalties do petróleo para a saúde e educação.

Isto é ser apolítico? O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, acredita que não. “A juventude não é apolítica, pelo contrário. Tanto não é, que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência de seu significado”, afirmou em uma entrevista ao jornal Brasil de Fato. “A juventude está cansada dessa forma de fazer política, burguesa e mercantilista. O mais grave é que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se amoldaram a esses métodos. E, portanto, gerou-se na juventude uma repulsa à forma de atuar dos partidos”, ressaltou.

Para o historiador Marcelo Carreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “este é um novo dado da história nacional, cujo contexto já era claramente observável no esvaziamento dessas instituições”. Carreiro disse à IPS que “as manifestações confirmam essa caducidade das instituições e mostram, apesar de tudo, que a população pode estar mais politicamente ativa que nunca”.

Os três poderes do Estado tomaram nota e já começam a propor e discutir formas alternativas de incluir a cidadania em mecanismos mais dinâmicos e participativos. A presidente Dilma Rousseff deu um passo nessa direção ao admitir que “estas vozes têm de ser ouvidas” porque “deixaram evidente que superam os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos, das entidades de classe e da própria imprensa”. Uma proposta em debate é estabelecer a consulta popular como instrumento permanente de democracia direta.

Algumas organizações não governamentais propõem, por outro lado, a participação efetiva de diferentes grupos sociais, comunidades e bairros, em decisões sobre onde e como aplicar orçamentos de saúde, educação, infraestrutura, transporte e saneamento. “Tudo o que está acontecendo com estas novas expressões da sociedade em rede – no Brasil e em outros países – aponta para uma reinvenção da política para reinventar a democracia”, opinou Augusto de Franco, diretor da organização Escola de Redes. Os jovens manifestantes atiraram a primeira pedra, e não somente contra a repressão policial.

Segunda, 27 Maio 2013 14:57

Inscrições para o Enem terminam hoje

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Termina às 23h59 de hoje (27) o prazo para as inscrições no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os interessados em fazer a prova devem se inscrever pela internet no endereço http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem. Para aqueles que se inscreveram e ainda não fizeram o pagamento da taxa, o prazo para quitação termina na quarta-feira (29). A inscrição só será confirmada após esse procedimento.

Para fazer a inscrição, o candidato deve ter em mãos os números do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e do documento de identidade. Será cobrada uma taxa de R$ 35. Estudantes que concluírem o ensino médio em escolas públicas no ano de 2013 e participantes com renda mensal per capita de até 1,5 salário mínimo estão isentos da taxa de inscrição. Aqueles que solicitarem a isenção deverão dispor dos documentos que comprovem a renda. No caso de isenção, a confirmação da inscrição ocorrerá após comprovados os dados fornecidos.

O participante que precisa de atendimento diferenciado ou específico deverá informar a necessidade no ato da inscrição. O atendimento diferenciado é prestado a pessoas com deficiência visual, auditiva, física e mental, dislexia, déficit de atenção, autismo. O atendimento específico é oferecido a gestantes, lactantes, idosos, estudantes em classe hospitalar e aos sabatistas que, por motivo religioso, não podem ter atividades aos sábados, no período diurno.

Ao finalizar a inscrição, o participante deve verificar se ela foi concluída com sucesso e guardar o número e a senha. É com essas informações que o candidato poderá acompanhar todo o processo, além de consultar e imprimir o cartão de confirmação. Caso esqueça ou perca a senha, o candidato poderá recuperá-la pelo endereço http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem.

Alterações nos dados cadastrais, na cidade de provas e na opção de língua estrangeira são permitidas apenas até o fim do período de inscrição.

Após a confirmação da inscrição – com o pagamento ou comprovação das informações que permitem a isenção –, o participante receberá em casa o cartão de confirmação de inscrição, que terá um número, assim como a data, hora, o local de prova, a opção de língua estrangeira e outras informações específicas.

O exame será aplicado nos dias 26 e 27 de outubro em todos os estados e no Distrito Federal. O Enem tem uma redação e quatro provas objetivas. Cada uma contém 45 questões de múltipla escolha. No primeiro dia, os inscritos farão provas de ciências humanas e da natureza, com duração de quatro horas e 30 minutos. No segundo dia, as provas aplicadas serão de linguagens e códigos, matemática e redação, com duração de cinco horas e 30 minutos.

Os estudantes maiores de 18 anos que ainda não obtiveram a certificação do ensino médio podem fazê-lo por meio do Enem. Eles devem pedir, na inscrição, que o resultado do exame seja usado para a certificação. Também devem indicar uma das instituições certificadoras que constam no edital do exame.

O Enem é voltado para aqueles que já concluíram ou vão concluir o ensino médio até o fim de 2013, mas pode ser feito também quem quer apenas treinar para a prova. O resultado no exame é usado no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece vagas em instituições públicas de educação superior. Além disso, uma boa avaliação no Enem é também requisito para participação do estudante nos programas Universidade para Todos (ProUni) e Ciência sem Fronteiras e para receber o benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os países mais beneficiados com esta anulação de dívida serão a República do Congo, cuja dívida é US$ 352 milhões, e a Tanzânia, com US$ 237 milhões de dólares. Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe também estão entre os países beneficiados.

 

O porta-voz da Presidência do Brasil,  Thomas Traumann, anunciou no último sábado (25), em Addis Abeba, sede da União Africana, a anulação de US$ 900 milhões de dívidas de 12 países africanos."Ter relações especiais com África é estratégico para a política externa brasileira", disse ele à imprensa. O anúncio foi feito durante reunião da União Africana.

Os países mais beneficiados com esta anulação de dívida serão a República do Congo, cuja dívida é US$ 352 milhões, e a Tanzânia, com US$ 237 milhões de dólares, acrescentou o porta-voz.

Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe também estão entre os países beneficiados, assim como a Costa do Marfim, o Gabão, a Guiné-Conacri e a República Democrática do Congo.

O porta-voz explicou que a medida visa dinamizar as relações econômicas entre o Brasil e África. Segundo o Governo brasileiro, as trocas comerciais entre o Brasil e África foram em 2012 de cerca de 25 bilhões de dólares.

O combate ao racismo institucional é meta do governo brasileiro. O problema agora poderá ser atacado com a ajuda do Guia de Enfrentamento ao Racismo Institucional e Desigualdade de Gênero, lançado nesta quinta-feira (9).

Segundo especialistas de organizações feministas – responsáveis pela elaboração do material -, na prática, além de informações sobre o racismo institucional, o documento traz uma série de perguntas e um passo a passo para que as intuições públicas sejam capazes de identificar problemas relacionados a esse comportamento.

Segundo a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, um dos exemplos mais claros de racismo institucional está na saúde das mulheres. “Se você tem duas mulheres em processo de parto, é costumeiro que a mulher branca seja atendida primeiro que a negra. Isso é uma forma de racismo institucional”, explicou.

Menicucci se comprometeu a trabalhar para que a adoção do manual seja uma realidade nas repartições. “Daremos a esse guia de enfrentamento a importância que ele merece para o enfrentamento ao racismo”, garantiu.

A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, destacou que o desafio maior do Brasil é incluir nas políticas universais uma perspectiva que leve em conta as diferenças entre as pessoas, entre negros e brancos, entre mulheres e homens.

Segundo ela, nesse sentido, informações que nem sempre são consideradas nos atendimentos públicos, como as de cor e sexo, são fundamentais para a medição de um impacto desvantajoso daquela política sobre determinados grupos.

Para Jurema Wernek , médica e coordenadora da organização não governamental Criola, a ideia do guia é facilitar o trabalho nas organizações. “Muitas instituições já poderiam fazer esse trabalho se tivessem um material como esse em mãos. O que essa iniciativa produz é uma ferramenta que está sendo demandada, nem todo mundo quer que o Brasil continue sendo racista”, disse.

O guia será distribuído em instituições públicas e estará disponível para download no sites do consórcio que elaborou a publicação. Um deles é o Cfêmea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria – (www.cfemea.org.br).

O Ministério da Justiça quer reforçar as ações de prevenção ao tráfico de pessoas, incentivando a população a denunciar esses casos e ajudar o Estado a reprimir o crime e proteger as vítimas. Para isso, lançou nesta quinta-feira (9) a versão brasileira da campanha Coração Azul, em parceria com o Escritório das Nações unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

Relatórios oficiais mostram que há mais de 2 milhões de vítimas traficadas no mundo. Por meio da campanha, cujo slogan é "Liberdade não se compra. Dignidade não se vende. Denuncie o tráfico de pessoas", o Brasil se compromete a disponibilizar meios de divulgação e mobilização da sociedade voltados ao combate a esse tipo de crime.

Um hotsite e página na rede social Facebook foram criadas com esse objetivo. Também serão distribuídos panfletos e cartazes nos núcleos e postos da rede de enfrentamento ao tráfico de pessoas em todo o país.

De acordo com o Ministério da Justiça, o coração azul, símbolo da mobilização, representa o sofrimento das vítimas e lembra a insensibilidade dos que compram e vendem seres humanos. Implementada até agora em dez países, a campanha, no Brasil, conta também com o apoio das secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres.

O diretor executivo do Unodc, Yury Fedotov, lembrou que o tráfico de pessoas explora mulheres, crianças e homens e que as vítimas são submetidas a trabalho forçado, à exploração sexual e têm órgãos roubados. As autoridades estimam que na Europa o tráfico de pessoas movimente 2,5 bilhões de euros anualmente.

Fedotov ressaltou a importância da mobilização de vários setores da sociedade e do fortalecimento de cooperações internacionais para enfrentar o que chamou de "desafio do século 21".

"Trata-se de um crime hediondo, que não tem fronteiras. Nenhum país está livre desse crime", disse ele, lembrando que, apesar dos desafios, houve avanços nos últimos anos, na medida em que essa ação foi criminalizada internacionalmente a partir da Convenção de Palermo.

Durante o evento, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou a importância da conscientização da população para denunciar os casos como forma de obter resultados mais efetivos no combate a esse crime. Segundo ele, não há nada mais "odioso do que fazer com que pessoas sejam violentadas e percam sua dignidade".

"Ou a sociedade se une para enfrentar essa questão ou vamos continuar com um magnífico plano e ótimas intenções, mas com baixos resultados na efetividade do que queremos, com poucos presos e condenados e as quadrilhas continuando a agir", disse, lembrando que muitas vezes os crimes deixam de ser denunciados por vergonha e medo. "Crime não denunciado é crime oculto. E crime oculto é crime não punido", acrescentou.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, enfatizou que o combate a esse crime está sendo tratado com "prioridade total" pelo governo federal. Ela reconheceu que isso significa combater grupos poderosos que têm ampla lucratividade, "transformando seres humanos em mercadorias".

"Estamos determinados, como nação, a enfrentar esse crime em toda a sua extensão e resgatar a dignidade humana de brasileiras e brasileiros que são traficados para fora e também de quem é trazido ao Brasil como vítima desse crime", disse. "O Brasil não aceita ser destino de pessoas traficadas de qualquer lugar do mundo", enfatizou.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Eleonora Menicucci, lamentou o fato de mulheres e crianças serem as principais vítimas desse crime "hediondo, invisível e silencioso” e que "só será punido se houver denúncia".

Escolhida como embaixadora da campanha no Brasil, a cantora Ivete Sangalo disse ser "inadmissível" nos tempos atuais ainda ocorrerem "movimentos tão radicais e desumanos como a escravidão e o tráfico de pessoas".

No Brasil, entre 2005 e 2011, foram investigadas 514 denúncias desse crime, sendo a maior parte (344) dos inquéritos relacionada ao trabalho escravo. Os dados apontam que 157 são de tráfico internacional e 13 de tráfico interno, modalidade em que o índice de denúncias é considerado muito baixo. Ao todo, 381 suspeitos foram indiciados nesse período e 158, presos.

A rede de enfrentamento ao tráfico de pessoas, disponibilizada pelo governo brasileiro, inclui núcleos e postos estaduais e municipais, rede consular de apoio no exterior, os serviços Disque 100, da SDH e o Ligue 180, da SPM. As denúncias também podem ser encaminhadas à Polícia Federal.

Em fevereiro, o governo federal lançou o 2º Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, para integrar e fortalecer as políticas públicas na área, assim como as redes de atendimento e organizações para prestação de serviços.

Do IHU On-Line

Uma reivindicação do Movimento Social Negro, a Lei n. 10.639/3, que inclui no currículo oficial das escolas a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira, completa dez anos. Apesar de alguns professores ainda serem resistentes à legislação, Lúcia Regina Pereira ressalta que “diferente de dez anos atrás, mais pessoas, escolas, e educadores têm ciência, se não consciência, dessa outra parcela da população que precisa se ver na história e se ver de forma positiva”.

Para ela, a instituição desta lei “prevê uma revolução na educação do país ao mostrar que o Brasil foi construído a partir de vários grupos étnicos: o grupo indígena, o grupo negro e o grupo europeu, e que essas histórias todas têm que vir à tona para entendermos como funciona a sociedade brasileira”.

Em entrevista à IHU On-Line por telefone, Lúcia assinala que “muitas escolas ainda pensam que fazer uma atividade no dia 20 de novembro contempla a questão da lei, mas a proposta não é essa”.   E acrescenta: “A proposta é que se integre no currículo propriamente dito e no currículo culto da escola, nas próprias relações interpessoais, para que as pessoas tenham consciência do tratamento. Então, esta questão tem de deixar de ser uma coisa pontual e festiva. A cultura tem que ser tratada como uma questão educacional, como uma questão de organização social. A cultura, neste momento, é extremamente importante, e ela tem que perpassar todo o processo educacional”.

Lúcia Regina Pereira é mestre e doutora em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Leciona nas redes estadual e municipal de ensino. Também é integrante do Grupo de Pesquisa Africanidades, Ideologia e Cotidiano – AIC (PPGH/PUCRS), coordenadora técnica de Maria Mulher – Organização de Mulheres Negras, Secretária do GT Negros: História, Cultura e Sociedade – ANPUH/RS. Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como e em que contexto foi sancionada a lei n. 10639/3?  

Lúcia Regina Pereira – Esta lei é resultado de um processo muito longo de trabalho e de reivindicação das organizações negras do final do século XIX e início do século XX. Em meados do século XX, essa discussão foi proposta pela instituição da Frente Negra Brasileira, que atuou de forma mais incisiva politicamente. E, nos anos 1970, o movimento negro atuou politicamente e concretizou essa reivindicação sobre a questão negra da educação no sistema de ensino. Esse processo vem se desenvolvendo desde o período colonial com as Irmandades do Rosário, que sempre tiveram na pauta das suas ações a preocupação também com a educação.

IHU On-Line – Como a lei é abordada nas escolas, entre professores e alunos?  

Lúcia Regina Pereira – Num primeiro momento, houve resistência. Ouvia colegas dizendo que não iriam cumprir a lei porque era uma coisa vinda de cima. Na realidade, há um desconhecimento do processo histórico da instituição da lei. Ela não veio de cima, não foi a presidência da República que propôs; foi uma reivindicação do Movimento Social Negro. As pessoas ainda ficam com “o pé atrás”, porque acham que é preciso ter leis para outros segmentos discriminados da sociedade, mas não é assim que funciona. A instituição da lei prevê uma revolução na educação do país para mostrar que o Brasil foi construído a partir de vários grupos étnicos: o grupo indígena, o grupo negro e o grupo europeu, e que essas histórias todas têm que vir à tona para entendermos como funciona nossa sociedade.   Ainda hoje há aqueles que são resistentes à lei. Porém, o lado bom é que, diferente de dez anos atrás, mais pessoas, escolas e educadores têm ciência, se não consciência, dessa outra parcela da população, a qual precisa se ver na história e se ver de forma positiva.  

IHU On-Line – Como a história e cultura afro-brasileira eram abordadas na educação nacional antes da instituição da lei n. 10639/3, e o que mudou no ensino após a instituição da lei?  

Lúcia Regina Pereira – A história era vista com muitos estereótipos. Primeiro, quando os negros apareciam na dita história, apareciam como acessórios. A história africana foi ligada à história das grandes navegações. Então, a história do negro aparecia a partir do colonialismo. Nas imagens pejorativas, o negro era visto como escravo, como o mau trabalhador e como uma pessoa que não tinha condições devido à falta de civilidade, de trabalhar e progredir. Embora existam restrições, ainda hoje algumas pessoas não aceitam a revisão histórica e veem a sociedade de uma forma eurocêntrica e acham que as coisas devem continuar do jeito que estão.   Por outro lado, existem pessoas imbuídas desta ideia de ver o Brasil, de fato, na sua multiculturalidade e, nessa, a população negra – que é 53% da população – tem um papel fundamental naquilo de bom, que é a preservação da cultura, as relações interpessoais, a questão da religião, a questão da culinária etc.   A lei entrou para o calendário oficial da escola e, mal ou bem, elas são obrigadas a olhar para este tema. Algumas estão trabalhando durante todo o ano, outras trabalham de forma pontual. Então, muito mais pessoas, tanto professores do Censo quanto alunos, acabam tendo um contato, mínimo que seja, com a cultura afro-brasileira.  

IHU On-Line – Quais os avanços e perspectivas dez anos após a instituição da lei n. 10639/3?

Lúcia Regina Pereira – Eu diria que a perspectiva é de avanço, até porque ela é uma lei revolucionária. Eu gosto muito de dizer isso, visto que ela muda todo o sistema de ensino do país, desde a educação infantil até o ensino superior. Em termos de mudança social, as pessoas serão obrigadas a mudar seus pensamentos, suas visões simbólicas do mundo e das relações sociais no Brasil. Então, isso é revolucionário. Não se trata apenas de incluir conteúdos na sala de aula, mas também de pensar o fazer individual, o fazer de cada pessoa no dia a dia. Como eu trato aquele que é diferente? Como eu trato as questões étnico-raciais na sala de aula? Além da questão do conteúdo propriamente dito, as pessoas terão que olhar para seu comportamento e ver até que ponto – ou até onde – vão as limitações em aceitar o outro como produtor de história, como produtor de cultura, que é uma cultura relevante. E, se não fosse essa cultura, com certeza o Brasil seria diferente.  

IHU On-Line – Quais são hoje as principais reivindicações do movimento afrodescendente?

Lúcia Regina Pereira – Em matéria de publicação, diferente de dez anos atrás, existe um bom número de publicações relacionadas à questão do negro. Esse é um ponto extremamente positivo. Outro ponto é que a lei se efetive de fato, porque, dada a resistência da cultura brasileira, alguns municípios de tradição germânica ou outra qualquer pensam que não é importante falar de negros na sua localidade. Estamos aprendendo a história do país, e na história do país precisa estar incluída a de todos os segmentos. É importante fazer com que isso realmente se efetive. Não basta promulgar uma lei; precisa mudar a mente das pessoas e os seus posicionamentos.   Muitas escolas ainda pensam que fazer uma atividade no dia 20 de novembro contempla a questão da lei, mas a proposta não é essa. A proposta é que se integre no currículo propriamente dito e no currículo culto da escola, nas próprias relações interpessoais, para que as pessoas tenham consciência do tratamento. Então, esta questão tem de deixar de ser uma coisa pontual e festiva. A cultura tem que ser tratada como uma questão educacional, como uma questão de organização social. A cultura, neste momento, é extremamente importante, e ela tem que perpassar todo o processo educacional.   Os professores e professoras que estão se formando precisam ter conhecimento dessa lei, para quando forem exercer a sua profissão saberem como trabalhar a temática dentro da sala de aula. Então, é uma via de duas mãos. A questão da pesquisa também é fundamental. Por muito tempo se pesquisou a população negra da sociedade como se ela fosse um apêndice invisível, e hoje nós temos pesquisas direcionadas que vão reverter em prol dessa população que tanto foi excluída na sociedade brasileira.

Do EcoD  

O total de veículos nas ruas do Brasil mais que dobrou nos últimos dez anos, atingindo o total de 64,8 milhões apenas em dezembro de 2010, segundo levantamento do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). E não para por aí, a Agência Internacional de Energia apontou que em 2035 haverá cerca de 1,7 bilhão de carros nas ruas.  

No Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas gastam, em média, quase uma hora e meia no percurso casa-trabalho, sendo que 5% da população chega a perder mais de duas horas no trânsito. O EcoD mostrou que, entre os cariocas, o ônibus foi citado como principal meio de locomoção, com cerca de 47% de usuários, já 19% dos entrevistados na pesquisa vão a pé para o trabalho, 10% usam van, 3% o metrô, e 1% se locomove de trem.   Conheça possíveis maneiras para melhorar o trânsito do Brasil:

Compartilhamento de carros  

O EcoD já mostrou que o chamado car sharing (compartilhamento de carros, em português) pode ser uma boa solução para pessoas que utilizam carros por curtos períodos de tempo. O modelo de aluguel de carros permite que o motorista utilize o automóvel e deixe-o em um lugar estratégico para que o próximo locatário possa dirigir.

Segundo um estudo da Universidade de San José, na Califórnia, feito com empresas do ramo nos Estados Unidos, um único automóvel pode ser usado por até 13 pessoas durante o dia.  A americana ZipCars, por exemplo, que detém quase metade do mercado mundial, cobra US$ 8,00 por hora de uso, em qualquer dia da semana, por exemplo. No Brasil, o valor varia entre cerca de R$13,00 e R$47,00.

Pedágio Urbano  

Cobrar pedágio nas áreas centrais da cidade mostrou ser uma solução de sucesso em Londres e em Cingapura. Os recursos arrecadados no pedágio são investidos no transporte público.  

Bogotá foi o país pioneiro da América Latina a aderir ao modelo, em 2012. Segundo o prefeito da cidade, Gustavo Petro, a cobrança não é pela posse do carro e sim por utilizá-lo em áreas de riscos.

Além de ser uma ferramenta para combater o congestionamento, o pedágio urbano também auxilia as cidades a economizarem bilhões de dólares em perda de produtividade econômica, custos com saúde pública e ainda ajuda a melhorar a qualidade ambiental da região.

Corredores e faixas exclusivas para o transporte público  

Curitiba e Bogotá já utilizam esta solução, e cada vez mais cidades aderem ao modelo. Reservar uma faixa exclusiva para o transporte público é uma maneira de garantir agilidade no percurso, segundo especialistas. Na cidade brasileira, este sistema é utilizado desde 1974.

Um dos projetos para a Copa do Mundo de 2014 são corredores expressos, como previsto no Rio de Janeiro, que pretende beneficiar cerca de 1,5 milhão de passageiros diariamente. São: T5 (28 km de faixa exclusiva para ônibus ligando a Barra à Penha) e os BRTs (ônibus de trânsito rápido) na Avenida Brasil, Barra-Deodoro e Barra-Zona Sul.

Ciclo vias e ciclofaixas  

A bicicleta tem sido um meio de transporte muito utilizado atualmente nas cidades brasileiras. Mas, o perigo de pedalar entre os carros pode fazer com que algumas pessoas temam usar a bike como o principal meio de transporte.

A prefeitura de São Paulo, cidade conhecida por seus extensos engarrafamentos, pretende implantar 400 km de vias exclusivas para as bicicletas até 2016, o projeto é intitulado Sou + SP de Bicicleta.

Recentemente, ciclistas da capital paulista se reuniram para cobrar medidas de segurança no trânsito. A iniciativa foi motivada pelo acidente com o jovem de 21 anos, o limpador de vidros David Santos, que teve o braço decepado ao ser atingido por um carro em alta velocidade enquanto pedalava na ciclofaixa da Avenida Paulista.  

Carros para mais passageiros e pistas de incentivo para caronas  

Dados apresentados no EcoD apontam que se todas as pessoas que vão de carro ao trabalho pegassem uma carona uma vez por semana, o trânsito das cidades diminuiria 12%. Isso representa toneladas de CO2 que deixariam de ser emitidos e quilômetros de engarrafamento a menos.   Por isso, outra opção para diminuir o número de carros nas ruas é incentivar a carona. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram implantadas pistas exclusivas para automóveis com mais de dois ou três passageiros, nas vias urbanas. A iniciativa é uma tentativa de motivar os motoristas a oferecerem caronas.

A carona solidária também pode ser uma boa opção. O modelo funciona tanto em empresas e escolas quanto para pessoas do mesmo bairro. O sistema é simples: basta encontrar alguém que tenha um itinerário parecido e combinar para que um dê carona ao outro.

Pode funcionar em revezamento (cada dia é utilizado o carro de uma pessoa) ou os “caroneiros” podem contribuir com uma quantia referente ao combustível, por exemplo. Não há limite de distância, pode ser uma carona para a próxima esquina ou até outra cidade. Saiba mais!

A venda de armas caiu 40,6%, por pessoa, desde que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, em 2003. O número foi apresentado no último dia 1º pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri. 

Fundamentados na Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os cálculos de Marcelo Neri mostram que, de 2003 para 2009, o número de armas compradas caiu de 57 mil para 37 mil, uma queda de 35%. A queda foi maior do que 30% no Sudeste, e superior a 50% no Norte e no Nordeste. Na Região Sul houve aumento nas vendas (21%).

Ao traçar o perfil do comprador de armas no Brasil, o presidente do Ipea apontou que os homens têm oito vezes mais chances de comprar uma arma de fogo do que as mulheres. Outra característica é a idade: homens e mulheres de 20 a 29 anos têm a proporção 172% maior de compra do que a população 20 anos mais velha.  

Os analfabetos e os consumidores com até três anos de estudo compram duas vezes mais do que os passaram mais de 12 anos na escola. Pertencer à classe C é outro traço do perfil apontado pelo levantamento. A proporção de compra de armas supera em 7,5% a dos enquadrados nas classe AB e em 103% os da classe E.

Este ano, até 30 de abril, a Receita Federal do Brasil espera receber 26 milhões de declarações do Imposto de Renda Pessoa Física, um milhão a mais que em 2012. O programa gerador está disponível desde o final de fevereiro no site www.receita.fazenda.gov.br. Como em 2011 e 2012, este ano a correção da tabela de IRPF é de 4,5%. Com este reajuste, a faixa de isenção para o recolhimento do imposto de renda passa para R$ 1.710,78.

Para Sérgio Approbato Machado Júnior, o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP), o reajuste não é suficiente. “A faixa de isenção poderia ser superior a R$ 2,7 mil se a tabela não estivesse sendo corrigida abaixo da inflação oficial desde 1996.  

Entrega da declaração

A declaração poderá ser entregue pela internet ou em disquete nas agências da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil. O presidente do Sescon-SP adverte que, em caso de atraso na entrega ou não apresentação do documento, o valor mínimo da multa será de R$ 165,74 e o máximo de 20% do imposto devido. No ano passado, foram mais de 400 mil declarações em atraso. “Com relação ao programa, quem guardou o arquivo da declaração passada, poderá importar os dados de cadastro e pagamentos efetuados, sendo necessária apenas a atualização dos valores”, orienta Approbato Machado Júnior.

Quanto à restituição, recebem no primeiro lote os idosos acima de 60 anos e os portadores de doenças graves. Na sequência, serão restituídos os contribuintes que entregaram a declaração via internet, de acordo com a ordem de envio. O primeiro lote começa a ser pago em junho.

Quem está obrigado a declarar

• Contribuintes que receberam em 2012 rendimentos tributáveis superiores a R$ 24.556,65.

• Aqueles que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido acima de R$ 40 mil no ano.  

• Quem obteve, em qualquer mês de 2012, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas ou obteve receita bruta com a atividade rural superior a R$ 122.783,25.

• Quem tinha posse de bens ou propriedade até 31 de dezembro de 2012 com valor superior a R$ 300 mil.  

Dicas para o preenchimento

• Escolha do modelo: Entre o modelo simplificado ou completo, o ideal é preencher a declaração no modelo completo, pois no final, há a possibilidade de verificar no próprio sistema da Receita qual opção dará a restituição maior.

• Simplificado: Caso o contribuinte pessoa física decida enviar a declaração pelo modelo simplificado, terá direito a 20% de abatimento, limitado a R$ 14.542,60.

• Completo: Enviando a declaração pelo modelo completo, será permitido deduzir do imposto R$ 1.974,72 referentes a dependentes, R$ 3.091,35 em gastos com instrução e R$ 985,96 referente a contribuições efetuadas para empregada doméstica. Não há limite de dedução para despesas médicas.  

• Dados importados: Neste ano, o programa vem com a possibilidade de importar os dados sobre pagamentos efetuados no ano anterior, como planos de saúde ou escola. Os valores, porém, devem ser preenchidos manualmente.

• Pagamento: Quem tiver imposto a pagar, poderá parcelar em até oito quotas mensais e sucessivas com valor mínimo de R$ 50 a serem pagas até 30 de abril de 2013.  

Mudanças para 2014

De acordo com a Receita Federal, este deve ser o último ano de apresentação da declaração simplificada. Para o ano que vem, o objetivo é concluir o projeto da declaração pré-preenchida e quem tiver somente uma fonte de renda será beneficiado. Com a mudança, o contribuinte apenas confirmará ou alterará os dados informados pelo Fisco.

Porém, será preciso atenção ao confirmar as informações trazidas pelo sistema, além de fazer a análise da variação patrimonial e pagamentos de despesas médicas para evitar cair na malha fina por inconsistência nas informações.  

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) está disponibilizando uma ferramenta que permite que os consumidores verifiquem se os descontos anunciados pelo governo na conta de luz estão sendo aplicados corretamente. Em janeiro deste ano, o governo federal anunciou uma redução na conta de luz dos brasileiros, em média de 18% para as residências e de até 32% para as indústrias, agricultura, comércio e serviços.

O cálculo pode ser feito no site www.energiaaprecojusto.com.br. Para saber o percentual de redução, basta selecionar o estado e a distribuidora, o nível de tensão e o tipo de tarifa (residencial, baixa renda, rural). Também é preciso informar o consumo da unidade em quilowatts-hora. A ferramenta calcula automaticamente qual o percentual de desconto que foi aplicado, o valor atual da tarifa e quanto sairia sem a redução. Também informa o valor e o percentual dos impostos incididos na conta.

“Com muita luta, conseguimos baixar o preço da conta de luz para todos os brasileiros. Agora, precisamos conferir se o desconto está vindo correto”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em propaganda da entidade. Há dois anos, a Fiesp e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lançaram a campanha Energia a Preço Justo, pedindo a redução do preço da energia elétrica no país.

Do EcoD  

Depois da proposta do “Trote Ecológico”, os criadores da Juventude Sustentável (página do Facebook destinada a assuntos políticos e de educação ambiental) convidam os professores e gestores das escolas a participar da campanha Escola Sustentável, nos dias 5 de março a 22 de abril.  

A ideia é fazer com que os estudantes despertem para a importância da conservação ambiental. Para isso a campanha sugere que os professores realizem dez atitudes sustentáveis para trabalhar neste período. Os participantes terão até o último dia do evento para enviar fotos para concorrer ao título de “Escola mais sustentável do Brasil”. Podem participar colégios que trabalhem com jovens entre 5 e 15 anos.  

Os responsáveis pelas escolas participantes, que terão destaque nas redes sociais do grupo, devem enviar um e-mail para:O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , com todas as informações da instituição para serem divulgadas na página Juventude Sustentável, no Facebook.

Entre as dicas oferecidas pelo grupo, destacam-se:

•Coleta seletiva dos resíduos sólidos;

•Reaproveitamento de garrafas PET;  

•Reutilização da água;

•Fontes de energias limpa;  

•Transportes ecologicamente corretos;  

•Brinquedos feitos com o reaproveitamento dos resíduos sólidos;  

•Reaproveitamento de pneus usados;  

•Respeito pelo o meio ambiente;  

•Uso de sacolas retornáveis;

 •Economia de água.

Até a Copa do Mundo de 2014, 25 milhões de litros de óleo de cozinha usados devem ser reciclados e transformados em biodiesel por meio do Bioplanet. Lançado no último dia 26 de fevereiro no Rio de Janeiro, o Bioplanet é um dos 96 projetos de promoção do Brasil na Copa apoiados pelo governo federal.  

Como cada litro do óleo de cozinha gera um litro de biodiesel, a intenção é produzir, nos 15 meses que faltam para o início do Mundial, 25 milhões de litros de biodiesel. Para chegar ao combustível usado pelos veículos, o biodiesel é adicionado ao óleo diesel derivado do petróleo. Com isso, é possível produzir 125 milhões de litros de combustível B20 (diesel que tem 20% de biodiesel em sua composição).

Segundo o coordenador do Bioplanet, Vinícius Puhl, o combustível que será produzido em 40 cidades, sendo 12 cidades-sede da Copa, já começará a ser comercializado. Mas há a intenção também de usar o combustível produzido pelo projeto nos ônibus que transportarão as delegações das 32 seleções nacionais.  

“Um litro de óleo usado contamina 25 mil litros de água. Hoje, dados da Casa Civil da Presidência da República informam que há um descarte inadequado, por 50 milhões de residências e pequenos estabelecimentos, de um volume de 1,5 bilhão de litros de óleo de cozinha. É um volume jogado no ralo da pia que vai parar nos nossos mananciais de água e no oceano”, disse Puhl.

O projeto espera coletar o óleo com a ajuda de 3 milhões de estudantes de todo o Brasil, que ganharão brindes de suas escolas, de acordo com o volume de óleo arrecadado, e de catadores de material reciclável. A ideia é envolver 10 mil catadores, que poderão ganhar até R$ 1 por litro de óleo de cozinha entregue ao Bioplanet.

“Existe a perspectiva de se ter um mercado, uma cadeia produtiva envolvendo a reciclagem do óleo de fritura. Mas além da questão financeira e econômica, há a questão da educação ambiental. A dona de casa que descarta o óleo na pia da cozinha não sabe o prejuízo que está causando ao meio ambiente. Além disso, o biodiesel polui menos também”, afirma o diretor de Diálogos Sociais da Secretaria-Geral da Presidência da República, Fernando Matos.

O Plano de Promoção do Brasil para Copa, do governo federal, pretende usar o Mundial como vitrine para mostrar uma imagem positiva do país. Além da estratégia de comunicação feita pelo próprio governo, o plano apoia 96 iniciativas não governamentais.

Do CicloVivo

A quinta edição da Hora do Planeta, lançada mundialmente no último dia 27 de fevereiro, e o órgão WWF-Brasil, idealizador da ação, convoca os brasileiros a apagarem as luzes por uma hora no dia 23 de março como forma de manifesto ao aquecimento global e aos problemas ambientais que a humanidade enfrenta.

O movimento este ano chamará a atenção da população para as necessidades e os desafios em torno da água. A ação está alinhada à iniciativa da Unesco que definiu 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água.

“Em 2012 batemos o recorde com a adesão de todas as capitais brasileiras e mais de 130 cidades à Hora do Planeta. A campanha expõe a preocupação e atenção de todos ao processo do aquecimento global. Este ano, pretendemos falar dos dois temas que são congruentes. No Brasil, a maior parte da eletricidade (90%) vem das hidrelétricas, que dependem dos rios, que dependem das chuvas, que dependem do clima, que está mudando como resultado do aquecimento global, que é resultado de muitas de nossas ações cotidianas. É uma oportunidade de conscientizar os brasileiros de que a tomada de atitudes para o problema da gestão água precisa ser compreendida por todos”, diz Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.

Há 12 anos, o WWF-Brasil trata do tema por meio de dois programas para atuar na revisão das formas de utilização da água em todo o país de na consolidação de legislações estratégicas como o Plano Nacional de Recursos Hídricos.

Os programas permitiram ainda a mobilização de 17 milhões de pessoas em campanhas de água e clima em todo o Brasil. Outra iniciativa que estimulará os brasileiros é o desafio “Eu vou se você for”. Trata-se de uma plataforma, que já reuniu mais de quatro milhões de interações no YouTube, que consiste na produção de um vídeo em que qualquer pessoa assume um compromisso e desafia outra com o objetivo de mudar o planeta. Os interessados em participar e apoiar a ação podem se cadastrar pelo www.horadoplaneta.org.br.  

Belo Horizonte foi a primeira capital a aderir à Hora do Planeta e hoje, às 16h30, o governo do Distrito Federal assinará o termo de adesão. Em 2012, mais de um bilhão de pessoas, em 152 países, participaram da ação em todos os continentes. O movimento de maior mobilização do planeta vem batendo recordes e colhendo frutos para a redução das agressões ambientais pelo mundo. O resultado de engajamento à campanha pode ser visto na Rússia com o desafio “Eu vou se você for” lançando por lá na última campanha. A ação deu voz a 120 mil russos que conseguiram a aprovação de uma lei pelo parlamento que protegerá os mares do país da poluição por óleo.  

Hora do Planeta 2013

Data: 23 de março

Horário: das 20h30 às 21h30

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está divulgando na sua página na internet a lista atualizada das tarifas residenciais de energia, com o desconto determinado pelo governo federal em 24 de janeiro. As reduções variam de 18% a 25%, dependendo da concessionária. Os valores não contemplam tributos e outros itens que fazem parte da conta de luz, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a Taxa de Iluminação Pública.  

A redução é resultado da renovação das concessões de transmissão e geração de energia que venceriam a partir de 2015, e da redução de encargos sobre a conta de luz. O efeito médio da redução é 20,2%. Para os consumidores residenciais a redução mínima é 18% e, para as indústrias, o desconto pode alcançar 32%.  

A lista com os valores das tarifas pode ser acessada na  página da Aneel.

Pesquisa divulgada no final de 2012 pelo Programa Água Brasil mostra que aA maioria (85%) dos brasileiros que ainda não conta com coleta seletiva estaria disposta a separar o lixo em suas casas, caso o serviço fosse oferecido nos municípios. Apenas 13% dos entrevistados declararam que não fariam a separação dos resíduos e 2% não sabem ou não responderam. O estudo, encomendado ao Ibope, entrevistou 2.002 pessoas em todas capitais e mais 73 municípios, em novembro.   Apesar da disposição em contribuir para a destinação adequada dos resíduos sólidos, o percentual dos que não têm meios para o descarte sustentável chega a 64% dos entrevistados. A quantidade de pessoas que contam com coleta seletiva ou que têm algum local para deixar o material separado representa 35% da amostra.

Consumo

Em relação aos produtos que costumam ser separados nessas casas, as latas de alumínios ficam em primeiro lugar, com 75%, seguidas pelos plásticos (68%), papéis e papelões (62%) e vidros (55%). Os eletrônicos, por outro lado, são separados por apenas 10% dos entrevistados. Cerca de 9% dos entrevistados não separam nenhum material mesmo que o serviço de coleta seletiva esteja implantado na sua região.   O estudo aponta também que a proposta de uma tarifa relaciona ao lixo divide opiniões. A ideia de que quem produz mais resíduos deve pagar uma quantia maior é aprovada completamente por 13% dos entrevistados, 23% concordam parcialmente. Os que discordam completamente a respeito do pagamento da taxa somam 36%. Há ainda os que não concordam, nem discordam (16%) e os que discordam em parte, com 10%.

Na hora de consumir, práticas sustentáveis ainda são deixadas de lado. Preço, condições de pagamento, durabilidade do produto e marca lideram as preocupações do consumidor brasileiro. O valor do produto, por exemplo, é considerado um aspecto fundamental por 70% dos entrevistados. Características do produto ligadas à sustentabilidade, no entanto, como os meios utilizados na produção, o tempo que o produto leva para desaparecer na natureza e o fato de a embalagem ser reciclável, ficam em segundo plano.

Fim da sacolinha?  

Os entrevistados responderam ainda quais produtos devem ser menos usados em suas casas nos próximos três anos. O campeão foi a sacola plástica. O produto é comprado com frequência em 80% das residências, mas 34% dos entrevistados esperam reduzir o consumo. Em seguida aparecem os copos descartáveis (31%), bandejas de isopor (22%) e garrafas PET (21%). No fim da lista, entre os que devem permanecer com alto percentual de consumo, estão os produtos de limpeza perfumados. Apenas 9% estimam que irão reduzir o uso desses materiais.  

O Programa Água Brasil é uma iniciativa do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da organização não governamental WWF-Brasil, com intuito de fomentar práticas sustentáveis no campo e na cidade.

Do CicloVivo

O número de micos-leões-dourados aumentou oito vezes no Brasil, segundo levantamento realizado pelos especialistas. No último registro, foram contabilizados 1.700 exemplares da espécie nas matas do Rio de Janeiro, seu habitat natural.

Há cerca de 20 anos, a população de micos-leões-dourados era reduzida a apenas 200 indivíduos. Na época, a espécie habitava os únicos 2% remanescentes da Mata Atlântica no litoral fluminense, e, por isso, o levantamento da União Internacional pela Conservação da Natureza considerou a espécie como “criticamente ameaçada de extinção”. Em 2003, o número de micos nestas áreas chegou a cerca de mil exemplares, sendo considerada apenas como “ameaçada”, pelo mesmo levantamento.

O resgate dos micos aconteceu devido à mobilização da união das comunidades locais e das comunidades científicas, que adotaram medidas para a restauração da espécie: todos os dias, um grupo de voluntários entra na mata e verifica a rotina dos animais, desde a alimentação até a reprodução dos exemplares. Alguns micos são realocados em seu habitat natural, que cresceu com o programa de restauração da espécie: aumentou em 140% a área adequada para os bichos viverem. Hoje, há cerca de 10 mil hectares de áreas florestais na Mata Atlântica que oferecem as condições ideais para a vida dos micos.

No entanto, o maior desafio para a preservação do mico-leão-dourado é o habitat ocupado pela espécie, que prefere regiões quentes e baixas, ao nível do mar. Sendo assim, é inegável que o animal sofra com a ação do homem, justamente pela proximidade com a zona urbana.  

O programa de restauração da espécie é coordenado pela Associação Mico-Leão-Dourado, que estabeleceu um acordo com moradores e proprietários de terra das regiões onde o animal vive. O esforço fez com que os habitantes concordassem em não desmatar a área e transformassem suas terras em Reservas Particulares do Patrimônio Nacional (RPPNs).

Os exemplares contabilizados pelos pesquisadores foram encontrados em oito municípios do Rio de Janeiro: Araruama, Armação dos Búzios, Cabo Frio, Casimiro de Abreu, Rio Bonito, Rio das Ostras, Saquarema e Silva Jardim.  

* Com informações do Estadão.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), e em parceria com pesquisadores do México, Bielorrússia e Índia e das Universidades Federais de Juiz de Fora e do Paraná lançou este mês um site destinado para pessoas que fazem uso de risco de álcool.  

Com o objetivo de fornecer informações relacionadas ao alcoolismo no Brasil e no mundo, o site é destinado aos profissionais da área da saúde e à população em geral e está sendo lançado simultaneamente nos outros países envolvidos. Além disso, conta com a ferramenta Bebermenos – um programa de intervenção com o internauta que mostra a importância da detecção do uso do álcool precoce em usuários de risco.

O site faz parte do plano de atividades estratégicas para a redução do uso nocivo do álcool no mundo e conta com colaboração do Instituto Trimbos da Holanda.

De acordo com a professora Maria Lucia Formigoni, chefe do departamento de Psicobiologia da Unifesp, vários problemas graves de saúde são decorrentes do consumo abusivo do álcool. Entre eles, cirrose hepática, anemias, hipertensão, diversos tipos de cânceres e doenças neurológicas, além da possibilidade de malformações dos fetos.

Atualmente, cerca de 2,5 milhões de mortes acontecem por ano e são atribuídas ao uso em excesso do álcool.  “Em geral, os usuários de substâncias psicotrópicas, como o álcool, procuram os serviços especializados em uma fase muita avançada do problema”, explicou Formigoni. “Como a internet é um meio de busca diária crescente de informações e de fácil acesso, o desenvolvimento de uma plataforma on-line, com uma intervenção dirigida aos usuários de risco, se faz necessária. Isso pode trazer benefícios plausíveis, considerando-se que uma intervenção em fases iniciais melhora o prognóstico”, avaliou.

 A especialista esclarece que nada pode substituir o tratamento e cuidado de um profissional, principalmente para casos graves, mas o site permite alcançar pessoas que não sabem que estão em um padrão de risco.

“O público será alertado sobre a possibilidade de ter problemas relacionados ao uso do álcool. Dessa forma, o projeto pode funcionar como uma primeira abordagem, antes de o indivíduo procurar tratamento”, afirma.

Serão feitas avaliações de uso e efetividade do site que pode ampliar seu alcance para tabaco e outras substâncias psicotrópicas.

O site pode ser acessado no endereço: https://www.informalcool.org.br.

Da BBC Brasil

O Brasil ganhou 20 posições em um ranking global sobre desigualdade de gêneros em decorrência dos avanços obtidos na educação para mulheres e no aumento da participação feminina em cargos políticos. Segundo o ranking anual elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF , na sigla em inglês), o Brasil saiu da 82ª para a 62ª posição entre 135 países pesquisados.  

A lista é liderada pela Islândia pelo quarto ano consecutivo, seguida pela Finlândia, Noruega, Suécia e Irlanda. No lado oposto do ranking, o Iêmen é considerado o país com a pior desigualdade de gênero do mundo. O Paquistão, Chade, a Síria e a Arábia Saudita completam a lista dos cinco mais mal colocados.

Na América Latina e no Caribe, a Nicarágua é o país com a menor desigualdade de gêneros, na 9ª posição no ranking global, seguida de Cuba, Barbados, da Costa Rica e Bolívia. O Brasil está em 14º lugar entre os 26 países da região pesquisados.

Na relação dos países considerados desenvolvidos, a Coreia do Sul é o que tem a maior diferença entre gêneros, ocupando o 108º lugar no ranking. O Japão aparece em posição próxima, no 101º lugar.  

Para elaborar o ranking, o WEF estabelece uma pontuação baseada em quatro critérios – participação econômica e oportunidade, acesso à educação, saúde e sobrevivência e participação política.

O Brasil recebeu a pontuação máxima nos itens relativos à educação e saúde, mas tem uma avaliação pior em participação econômica (no qual está em 73º entre os países avaliados) e participação política (na 72ª posição). O estudo destaca que o avanço do país no ranking geral decorre de “melhorias em educação primária e na porcentagem de mulheres em posições ministeriais [de 7% a 27%]”.  

O fato de ter uma mulher na Presidência da República, Dilma Rousseff, também conta positivamente para a posição do Brasil no ranking. Segundo o WEF, no último ano 61% dos países pesquisados registraram uma diminuição da desigualdade entre os gêneros e 39% tiveram aumento. Entre 2006 e 2012, no entanto, a porcentagem de países com redução da desigualdade salta para 88%.

A Nicarágua é o país que registrou o maior avanço na eliminação da desigualdade entre os gêneros nos últimos seis anos, pulando do 62º posto em 2006 (entre 115 países pesquisados naquele ano) para a 9ª posição neste ano, com uma melhora de 17,3% na pontuação geral. A Bolívia é o segundo país com o maior avanço, com uma melhora de 14% na pontuação, passando da 87ª para a 30ª posição no ranking.

Por Leda Letra, da Rádio ONU

O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e o governo do Brasil assinaram um acordo para que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio em 2016 sejam eventos “verdes.”  

O compromisso foi firmado também com representantes da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional. Nesta semana, o Pnuma lançou recomendações para garantir a sustentabilidade dos dois megaeventos no Brasil. O relatório destaca ainda a performance ambiental da África do Sul na última Copa.

Segundo a agência, as pegadas de carbono durante a Copa do Mundo em 2010 foram menores do que o projetado. O evento na África do Sul lançou 1,65 milhão de toneladas de dióxido de carbono; 60% do total estimado.  

Para garantir a sustentabilidade dos eventos que serão realizados no Brasil, o Pnuma pede à Fifa que reduza suas pegadas de carbono e encoraje os países parceiros a fazer o mesmo.

A agência também destaca que as cidades sede da Copa precisam de diretrizes claras e legais sobre o meio ambiente. Outra recomendação é para a busca antecipada de financiamento para iniciativas verdes.

O Pnuma ressalta que ações de sucesso da África do Sul devem ser implementadas nos próximos megaeventos esportivos, como projetos de energia renovável, melhoria do sistema de transportes e conservação de água nos estádios e nas cidades.

Do ICMBio

Com a chegada da primavera, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar/ICMBio), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prepara diversas atividades que serão realizadas nos centros de visitantes para comemorar os resultados positivos, como a nova temporada de desova das tartarugas marinhas que deverá alcançar a marca de 15 milhões de filhotes devolvidos ao mar e o registro de 15 milhões de visitantes no Tamar/ICMBio.

O Tamar é atualmente coordenado pelo ICMBio e coadministrado pela Fundação Pró-Tamar. Tem como principal renda a visitação, que além da oportunidade de contribuir financeiramente, oferece às pessoas conhecer de perto o trabalho de conservação das cinco espécies que ocorrem no Brasil. O restante do recurso vem do ICMBio, do patrocínio da Petrobras e apoio do Bradesco. O contínuo e dedicado trabalho do Centro assegurou a proteção de mais de 1,5 milhões de tartaruguinhas nos mares brasileiros. Outro número bastante expressivo é o de visitantes, com previsão de 15 milhões para o mês de dezembro.

Histórico  -  Em 1982, dois anos após sua fundação, o Tamar incentivou na Praia do Forte, na Bahia, a criação do seu primeiro centro de visitantes. Com apoio de colaboradores locais, os raríssimos turistas que chegavam podiam ver os ovos e os filhotes de tartaruga marinha recém nascidos, o que foi um sucesso.

Um pequeno aquário foi construído, para onde dez das duas mil tartarugas nascidas foram transferidas. “Nem nós as conhecíamos, ou sabíamos exatamente o que comiam, o que faziam”, conta Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Tamar/ICMBio. Logo depois, um pequeno tanque foi providenciado.

Trinta anos se passaram e até hoje o centro de visitantes da Praia do Forte nunca ficou um dia sem abrir suas portas. Esforços somados aos demais centros de visitantes no país, totalizando 11 centros, chegou-se a uma conclusão curiosa e emblemática: cada pessoa que vista o Tamar salva uma tartaruga marinha.

Ou seja, foram necessários 15 milhões de pessoas para salvar 15 milhões de tartarugas marinhas. Em média, cada ninho gerou um pouco menos de 100 filhotes, o que permite alcançar a marca de 1,5 milhões de tartaruguinhas ao mar até o final de 2012.

Tamarear -  Para festejar números tão importantes, o Tamar/ICMBio vai promover eventos chamados de Tamarear, envolvendo o público com a mensagem da conservação através da arte, da música, exposições, vídeos e muito mais.

Em Fernando de Noronha, entre 01 e 05 de dezembro, o guitarrista americano Stanley Jordan vai fazer show, aulas de técnicas de improviso, musicoterapia e outras atividades com a população e turistas. Ele será acompanhado por músicos brasileiros como Dudu Lima, Mamão, Ricardo Itaborahy, que se juntarão com músicos locais em uma troca de experiências e repertórios. Palestras sobre biologia, conservação da natureza, tartarugas marinhas, golfinhos, baleias, entre outros temas, além de músicas compostas e arranjadas especialmente para a ocasião serão conhecidas. Na semana seguinte o grupo segue para fazer o mesmo evento na Praia do Forte e receberá o reforço de Milton Nascimento.

O Tamarear não para por aí: vai para Sergipe, Ubatuba e Florianópolis, sempre nos centros de visitantes. Participarão também do Movimento Tamarear Luiz Caldas, João Donato, Dazaranha, Camisa de Venus, Ricardo Chaves, Armandinho, Toninho Horta, entre outros grandes nomes da música brasileira, sempre com a mesma filosofia de promover a interação entre músicos, comunidades e os visitantes com a conservação das tartarugas marinhas e da natureza.

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