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Linha Editorial

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Quarta, 26 Outubro 2011 21:43

Neurônio no sistema

agua_cerebro_250Davi Carvalho, da Página22

Imagine que os inúmeros sistemas eletrônicos que nos cercam e convivem conosco diariamente desenvolvessem uma capacidade de processar e armazenar informações como o cérebro humano. Certamente, esses sistemas ainda não existem por completo, mas uma iniciativa tem como objetivo dar mais inteligência e autonomia a redes de abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo. Isso alimenta a esperança de que, no futuro, sistemas inteligentes ajudem na gestão dos recursos do planeta.

A engenheira civil Cláudia Cristina dos Santos defendeu em sua tese de doutorado a construção de uma rede de conexões que permita a companhias de abastecimento de água otimizar suas operações e dar mais eficiência à distribuição. (Para conhecer o trabalho de Cláudia Cristina dos Santos, acesse teses.usp.br e digite o nome da pesquisadora)

Para isso, Cristina criou o que chamou de rede neural artificial (RNA) – estruturas ou sistemas computacionais que realizam o processamento de dados de maneira semelhante à do cérebro humano. “As redes neurais artificiais são modelos de processamentos matemáticos que tentam simular os sistemas naturais, utilizando-se de estruturas análogas às redes neurais biológicas (RNB)”, explica Cláudia, que é técnica em Ciência e Tecnologia, no Departamento de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Elas são baseadas na simulação computacional de aspectos da inteligência humana, levando em conta a capacidade continua do nosso cérebro de aprender e tomar decisões em conformidade com seu conhecimento acumulado.”

A doutora explica que “a RNA pode ser interpretada como um esquema de processamento que é capaz de armazenar experiências e disponibilizar esse conhecimento para aplicações no futuro, mas não necessariamente idênticas às utilizadas durante o aprendizado”. Essa parte cognitiva do sistema o torna pioneiro no uso de inteligência artificial para o controle de custos operacionais das companhias e de demanda por água a ser distribuída.

Na prática, a RNA ajuda as empresas distribuidoras de água a planejar sua atuação, minimizando custos e desperdício de recursos naturais e ajudando modelos de previsão meteorológica.

O trabalho permitiu que fosse feito um levantamento do consumo médio mensal na Região Metropolitana de São Paulo e mostrou que ele varia ao longo do ano, sendo maior no verão, com pico em março, e menor no inverno, com destaque para julho. Em geral, a tendência do consumo é diminuir a partir do mês de março e aumentar a partir de novembro. O mês de agosto tem um pico em relação aos meses de inverno, consequência do tempo seco que ocorre nesse período, que provoca um aumento no consumo. Durante a semana, o domingo é o dia de menor consumo, e a sexta-feira o de maior, e as quartas-feiras e os sábados são dias de consumo próximos da média.

De posse desses dados, governos e empresas podem desenvolver programas e projetos com vistas à redução de perdas financeiras e de água.

A rede criada por Cristina é mais um experimento da chamada biomimética, ramo da ciência que estuda a natureza com o objetivo central de encontrar “ideias” para o desenvolvimento de produtos e serviços. Acredita-se que sistemas tão complexos como os diversos biomas e a variedade da fauna e da flora existentes podem inspirar a criatividade e a inovação, já que existem há muito mais tempo que os seres humanos. Geralmente, esse recurso é utilizado pela indústria, que já desenvolveu carros inspirados em estrutura corporal de peixes, e turbinas eólicas em barbatanas de baleias.

Página22 abordou a biomimética em “O que a natureza faria”, quando trouxe exemplos bastante práticos de como a natureza tem influenciado o design humano em todas as áreas. A reportagem trazia a ideia de que a natureza é uma fonte segura e eficaz de inspiração para o redesenho do mundo criado pelo homem.

Publicado em Viva Brasil

agua_reutilizacao_250Com infrmações da EcoD

Duas grandes cidades brasileiras, Niterói (RJ) e Guarulhos (SP), investem atualmente na reutilização da água para gerar economia e contribuir com o meio ambiente.No município carioca, a preservação do recurso natural está estabelecida na lei n° 2856, que desde setembro deste ano obriga os edifícios com mais de 500 metros quadrados e que tenham consumo igual ou superior a 20 metros cúbicos de água por dia, a instalarem projetos de sistemas de aproveitamento da água proveniente dos chuveiros, banheiras, tanques, máquinas de lavar e lavatórios de banheiros.

A água tratada pode ser usada para fins não potáveis, como rega de jardins, limpeza de áreas comuns e descargas sanitárias. Outro grande benefício é a economia, pois o valor da conta de água é reduzido na ordem de 30%.

Águas pluviais - Em Guarulhos, o Departamento de Transportes Internos (DTI) da prefeitura implantou, em 2010, um sistema de reuso de águas pluviais. A medida permite lavar 820 veículos da frota municipal semanalmente, gerando uma economia de até 10 mil litros de água potável por mês.

Para que o sistema entrasse em operação, o DTI fez algumas adaptações no prédio onde sua equipe está instalada. O telhado do departamento é hoje utilizado para a coleta da água das chuvas, que segue para um reservatório de 15 mil litros e depois é submetida a um processo de filtragem.

A água tratada termina em outros dois reservatórios, com capacidade de 30 mil litros. No total, a DTI tem condições de armazenar até 45 mil litros de água, suficientes para uma semana de uso.

Segundo o Gerente do DTI, Luiz Gonzaga Rael, nos próximos meses o sistema ganhará um novo equipamento, que vai separar a água do óleo, permitindo ao departamento elevar ainda mais essa economia.

“Nessa primeira fase de implantação, estamos coletando apenas a água das chuvas, cuja quantidade varia de acordo com a época do ano. No entanto, nosso objetivo agora é aprimorar o sistema para que possamos reutilizar o máximo possível da água consumida pelo DTI”, explicou Rael.

Com a aquisição desse novo filtro, o Departamento de Transportes Internos ampliará o sistema de reuso, inclusive com a reutilização da água da lavagem dos carros. “O equipamento permite separar o óleo e a graxa da água”, destacou Rael.

Segundo ele, o material coletado será entregue ao Fundo Social de Solidariedade, que venderá esse óleo as empresas que possuem certificados de destinação do material.

A implantação do sistema de reuso do DTI também contou com o apoio da Secretaria de Obras, do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) e da Proguaru (Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos).

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Terça, 23 Agosto 2011 20:28

Água, o desprezado manancial da vida

agua_homem_250Por Américo Canhoto*

Num planeta predominantemente aquático, somos constituídos basicamente desse elemento. Nosso comportamento beira a esquizofrenia: seres mais aquáticos do que terrestres, desprezamos o principal elemento que nos dá forma e permite a vida em 3D. Haverá no cosmos seres tão ingratos e estúpidos quanto nós?

Água é quase sinônimo de vida, basta observar a relação entre ela e os outros elementos presentes em todos os seres vivos. Gulosamente nos preocupamos com a alimentação e pouco ou nenhum valor lhe damos, principalmente os viciados em sabor doce que só bebem sucos e refrigerantes.

Esse distúrbio se deve em parte á ciência médica: introduzir sucos na dieta infantil; com um quase desprezo pela água e sua qualidade – criou um DNA cultural difícil de ser erradicado e que contribui de forma decisiva para a desvalorização nos cuidados em manter saudável o principal elemento do nosso corpo planetário e do próprio organismo físico: a água. As pessoas comuns acham um absurdo que uma garrafa de água de custe o mesmo preço que uma de refrigerante ou suco.

Na dúvida entre uma verdade científica da moda e outra; prefiro ficar sempre com a da mãe natureza: Fruta é para comer; se fosse para beber já vinha engarrafado na árvore.

É possível sobreviver alguns meses sem comer; mas sem água duramos poucos dias. Para manter um estado de sanidade necessitamos mais de água do que de alimento.

Apenas algumas de suas funções:

Transportar nutrientes celulares; carrear restos do metabolismo jogando-os fora; excretando-os; regular o equilíbrio ácido – básico; transportar energia vital para as células.

Além disso; é um importante condutor das energias da natureza; percebemos como “recarregamos as baterias” estando à beira-mar, próximo de cachoeiras ou durante o banho quando logo desaparece a sensação de cansaço.

Gulosamente, é comum confundirmos a ingestão de líquidos com água; mas suco não é água; chá não é água; refrigerante não é água. Alguém que bebe num dia dois litros de suco ingeriu dois litros de líquido e zero de água.

Fervida ou “tratada” perde suas propriedades vitais.

Mesmo com o problema de transporte, armazenamento e contaminação pelo plástico das embalagens; na relação custo/benefício ainda é interessante fazer uso de água mineral sempre que possível.

Atenção, naturebas de plantão:

Cuidado com o uso abusivo de chás sem saber qual é a indicação. Forma de uso; e por quanto tempo deve ser tomado; pois só devem ser bebidos com conhecimento de sua finalidade terapêutica.

Juízo, “acadêmicos corporais” e atletas da moda:

O uso freqüente de bebidas enriquecidas de sais minerais pode comprometer a função renal; e todo momento; vemos crianças usando-as como se fossem água, até sem praticar esporte.

Mesmo o consumo de sucos naturais deve ser consciente quanto à quantidade e finalidades; pois tudo que em pequena quantidade cura em quantidade maior pode fazer mal.

Sob a “isca de marketing” da extremamente oxidável vitamina C; o suco mais consumido é o de laranja que é danoso à saúde de muitas pessoas. A laranja é fruta de excepcional valor alimentício curativo; e rica em fibras; certamente consumir laranja é bom para manter a saúde – Mas, o que é “comer” laranja? É mastigar, mastigar bem, engolir o bagaço e, jogar fora apenas o caroço. Ao comermos laranja, conseguimos devorar apenas uma ou duas; já quando se trata de chupar laranja uma só não basta e, só nos satisfazemos com duas ou três; o suco dela contém o sumo de seis ou sete cuja acidez e fermentação é danosa à saúde; certamente, respeitada a tolerância individual, além disso, é uma lavoura muito envenenada por agrotóxicos (Quem esfrega e lava a laranja antes de descascá-la ou de espremê-la?).

Sucos artificiais que imitam o sabor das frutas dispensam comentários (como disse o sábio Jesus: “não dê pérolas aos porcos…”)…

Preservar a vida implica necessariamente em preservar a qualidade da água.

Sem dúvida ao menos algumas das previsões de seleção humana em andamento vão se concretizar – e tudo leva a crer que uma das formas que o planeta vai encontrar para faxinar em larga escala os seres humanos de pouca qualidade que o habitam será a água.

Não se trata apenas de economizar água – mas, principalmente cuidar da sua qualidade. As besteiras que fazemos nos cuidados com a água são as mesmas que fazemos nos cuidados com nossa saúde. Não adianta submeter periodicamente a água a mil exames e tratá-la com remédios e venenos – é preciso cuidar dela com inteligência e amor.

Todo juízo é pouco.

Embora a Justiça Natural seja eminentemente educativa e não punitiva ela jamais esquece nem perdoa sem reparação.

Quem quiser bancar o filho pródigo esteja á vontade – será bem recebido de volta á Nova Terra, na renovada casa do pai – mas, antes vai ter que comer o pão que o diabo amassou em pocilgas cósmicas secas; bem secas.

Nestas bandas do universo, água é sinônimo de vida.

O que está fazendo da sua?

Namastê.

* Américo Canhoto é clínico geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

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Quarta, 23 Março 2011 02:01

Água virtual

agua1Por Xico Graziano*

Proteger os recursos hídricos do planeta está virando uma grande batalha ambiental. Ainda bem. Rios poluídos, nascentes secando, consumo perdulário indicam crise na chamada agenda azul. Água é vida.

Cresce a consciência da sociedade sobre a importância da água. Na Europa, especialmente na Espanha e em Portugal, o assunto tornou-se quase uma obsessão. Territórios desertificados, fruto da secular, e insensata, exploração humana da natureza, exigem extrema atenção das políticas públicas. É difícil, e oneroso, recuperar florestas, protetoras da água.

As mudanças de clima trazem novo, e desastroso, componente na oferta hídrica para a humanidade. Muitas nações, com a Índia, dependem das geleiras das montanhas para garantir seu pleno fornecimento hídrico. E elas estão derretendo a olhos vistos. Que o diga o Himalaia.

No Brasil, a gestão dos recursos hídricos se fortalece, mas caminha lentamente. Avançam a proteção dos mananciais e a recuperação da biodiversidade, nas matas ciliares especialmente, mas o passo está curto diante da urgência do problema.

Poucos Estados, São Paulo à frente, fazem realmente funcionar seus comitês de bacia hidrográfica. A Agência Nacional de Águas (ANA), criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, perdeu serventia após ser politizada nos esquemas petistas. Uma lástima.

A dramaticidade do tema favoreceu o surgimento de um novo conceito: o da “água virtual”. Ele expressa uma contabilidade básica, qual seja, a de determinar a quantidade de água exigida no processo de fabricação de um produto. Isso avalia um custo ambiental.

Uma caneta ou um avião nada apresentam, visivelmente, de úmido. Entretanto, qualquer mercadoria para ser fabricada demanda certo consumo de água, em alguma fase da cadeia produtiva. Na indústria, as caldeiras movem-se pelo vapor, as quais acionam máquinas, derretem metais, moldam plásticos. Móveis inexistiriam sem a seiva das árvores, alimentadas pelas raízes no solo molhado. Por aí segue o raciocínio.

Calculando a quantidade de água necessária, ou melhor, consumida na elaboração dos bens, pode-se comparar a eficiência dos processos produtivos. Vale na indústria como na agricultura, visando à economia do recurso natural. Mais ainda: no comércio internacional, transfere-se água embutida nas mercadorias, elemento que poderia entrar no preço das exportações e importações. A rica teoria encanta ecologistas mundo afora.

Breve pesquisa na internet vai mostrar que o Brasil é o 10.º exportador mundial de “água virtual”, num comércio que movimenta cerca de 1,2 trilhão de litros do precioso líquido, disfarçado nas mercadorias, sendo 67% desse volume relacionados com a venda de produtos agrícolas. Essa é a grandeza planetária da equação.

Números específicos chamam a atenção. Eles indicam que um quilo de carne bovina necessita de 15.500 litros de água para chegar à mesa; um quilo de arroz vale 3 mil litros; uma xícara de café se iguala a 140 litros de água. Surpreende a precisão. Segundo a organização The Nature Conservancy (TNC), uma importante entidade ambientalista, não necessários 10.777 litros de água para fazer uma porção de chocolate, enquanto um carro exige 147.971 litros para ser construído. Conclusão: evite sobremesas e ande de bicicleta para ajudar o equilíbrio da Terra.

Atraente, mas discutível. O cálculo desse fetiche ecológico esconde um perigo, disfarçado por pressupostos, estimativas e arbitragens que o distanciam da matemática, uma ciência exata. Na linguagem popular, chuta-se muito. O grande problema reside na estimativa da quantidade de água embutida nos alimentos. Invariavelmente uma brutal deformação pune a agricultura. Veja o porquê.

Vamos pegar o caso da carne. A conta acima da “água virtual”, além do consumo na limpeza das instalações em máquinas, na ração do cocho, na silagem, etc., considera também a quantidade de água que o bicho bebe para ajudar a digestão e viver tranquilo. Acontece que um boi ingere pelo menos 30 litros/dia de água. Ao final de três anos, quando será abatido, terá engolido 32.850 litros apenas para matar a sede.

Preste atenção: incluir tal consumo na conta da “água virtual” somente estaria correto se o boi, ou sua senhora vaca, não fizessem xixi! Acontece que a urina dos animais, do homem inclusive, participa do ciclo da água na natureza, matéria elementar lecionada na quarta série do ensino fundamental. Na escola as crianças aprendem que a água assume formas variadas - gasosa, sólida e líquida - no sistema ecológico do planeta. Assim, recicla-se naturalmente.

Paradoxalmente, o ciclo da água, um dos conceitos fundamentais da ecologia, acabou esquecido pelos proponentes da “água virtual”. Um absurdo científico. Dizer que um cafezinho exige 140 litros de água para ser produzido considera o volume de água absorvido pelas raízes da planta, esquecendo simplesmente a evapotranspiração que ocorre em suas folhas, sem a qual inexistiria a fotossíntese. Vale para qualquer alimento.

Em 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água. Data para profunda reflexão. A crise ambiental do planeta afeta dramaticamente os recursos hídricos, afetando milhões de pessoas. Essa bandeira ambiental não pode ser desmoralizada por equívocos banais.

É totalmente distinto gastar água nos processos fabris, ou no resfriamento de reatores atômicos, de utilizá-la nos processos biológicos vitais. Igualá-los significa cometer erro crasso, estimulando um festival de bobagens que, no fundo, serve apenas para agredir o mundo rural. E livrar a barra dos setores urbano-industriais.

Na Páscoa coma chocolate sem culpa ambiental. Cuidado, isso sim, com a balança.

*Xico Graziano é agrônomo, foi secretário do Meio Ambiente do estado de São Paulo. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . publicado em de março, na coluna do autor no jornal O Estado de S. Paulo, intitula-se “ÁGUA VIRTUAL”. A relação completa das publicações pode ser encontrada em http://www.agrobrasil.agr.br/home/

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agua1Por EcoDebate

Uma das medidas mais importantes que podem ser tomadas pelas pessoas atingidas por enchentes, em suas casas ou nos abrigos, é cuidar da qualidade da água a ser consumida, especialmente aquela destinada para ingestão, preparo de alimentos e higiene. Existem métodos caseiros de purificação da água que podem ser realizados com recursos simples, que deixam a água livre de bactérias, vírus e parasitas que podem causar doenças.

A melhor forma de limpar a água e torná-la apropriada para o consumo humano é filtrá-la e, depois, fervê-la. Para filtrar a água, pode ser usado um filtro doméstico, um coador de papel ou um pano limpo. Depois, é preciso ferver a água. Infelizmente, nem sempre é possível fazer a fervura, pois as condições de vida da população podem tornar-se precárias durante a ocorrência de fortes chuvas e enchentes.

Neste caso, depois de filtrada, a água precisa ser tratada com hipoclorito de sódio (2,5%). Coloque duas gotas do produto em um recipiente com um litro de água e deixe descansar por 15 minutos. Depois disso, a água está pronta para o consumo. (Para mais detalhes sobre o procedimento e a proporção água x hipoclorito de sódio, ver Tabela 1)

Segundo Guilherme Franco Netto, diretor do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, a fervura da água é extremamente importante. “Existindo um fogão disponível, é sempre indicado ferver a água. Claro que é preciso ter cuidado. Não se pode ferver e deixar em um recipiente aberto. O indicado é esperar apenas que a água esfrie para ser consumida em seguida. Melhor ainda é usar todos os métodos de purificação, se for possível: filtrar, ferver, tratar com hipoclorito, e depois consumir”.

Também é fundamental higienizar e manter limpos os recipientes - garrafas, potes, vidros - usados para armazenar a água já purificada. Primeiro, lave-os com água filtrada e sabão (ver tabela 2). Em seguida, deve-se iniciar o processo de desinfecção dos recipientes. Para isso, dilua duas colheres de sopa de hipoclorito de sódio em um litro de água. Com essa água, é possível higienizar os utensílios.

Vale destacar que esta água não pode ser bebida, apenas usada para limpeza. Encha os recipientes com essa água, feche-os, agite bem, e deixe descansar por 15 minutos. Esvazie-os, e enxágüe com água para consumo (ver Tabela 1). (Para mais informações sobre a limpeza de recipientes e utensílios domésticos em geral, ver Tabela 2)

Fazer a limpeza da caixa d’água também é essencial para que se possa garantir que toda a água consumida estará potável. Para fazer essa higienização, é só seguir os seguintes passos:

1. Feche o registro da água e esvazie a caixa d’água, abrindo as torneiras e dando descargas. Quando a caixa estiver quase vazia, feche a saída e utilize a água que restou para a limpeza da caixa e para que a sujeira não desça pelo cano.

2. Esfregue as paredes e o fundo da caixa utilizando panos e escova macia ou esponja. Nunca use sabão, detergente ou outros produtos de limpeza. Retire a água suja que restou da limpeza, usando balde e panos, deixando a caixa totalmente limpa.

3. Deixe entrar água na caixa até encher, e acrescente 1 litro de hipoclorito de sódio (2,5%) para cada 1.000 litros de água. Na falta de hipoclorito de sódio, poderá ser utilizada água sanitária que contenha apenas hipoclorito de sódio e água. Deixe descansar por duas horas, para o hipoclorito desinfete o reservatório.

4. Esvazie a caixa d’água novamente para que a água com hipoclorito limpe e desinfete as tubulações. Esta água não deve ser utilizada para consumo humano, apenas para limpeza de pisos e calçadas.

5. Tampe a caixa d’água para que não entrem pequenos animais, ratos ou insetos. Anote a data da limpeza do lado de fora

6. Abra a entrada de água.

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torneirasPor Gisele Eberspächer, do Atitude Sustentável

Mais um protótipo sustentável no mercado. Dessa vez, os designers Yonggu Do, Dohyung Kim e Sewon Oh desenvolveram uma torneira de banheiro que evita o desperdício de água na hora de lavar as mãos, a 1ℓimit.

O produto funciona da seguinte maneira: enquanto a torneira não está sendo usada, uma espécie de tubo armazena um litro de água. Assim, quando o usuário abre a torneira, somente essa quantidade de água pode ser utilizada.

Como a média de água para lavar as mãos é de seis litros, o uso do produto reduziria os gastos em cinco litros por pessoa. Os designers garantem que um litro é suficiente para uma lavagem rápida de mãos, e se o usuário precisar de mais água, basta esperar rapidamente o tubo encher e usar a torneira novamente.

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aguanaoca292Mostra ficará aberta para visitação no prédio da Oca do Ibirapuera até maio de 2011

 Por Rogério Ferro, do Akatu

Sem água, não há vida. O recurso é tão fundamental para a existência humana e de todos os organismos vivos que representa 94% de um feto de cinco meses, ou então, 91% de um alimento saudável como o brócolis. Mas é finito. “Expusemos esses dados porque, acima de tudo, eles celebram a água e, portanto, a vida”, afirma Marcello Dantas, curador da Exposição Água na Oca, que ficará aberta para visitação até o dia 8 de maio de 2011, no prédio da Oca do Ibirapuera, em São Paulo.

A mostra tem origem na exposição “Water: H2O = Life”, apresentada em 2007, em Nova Iorque. No Brasil, o evento é realizado pelo Instituto Sangari, com a contribuição do Akatu, que forneceu conteúdos para a mostra.

 “A exposição enfatiza o que a água representa para os brasileiros, que são os detentores do maior manancial do globo”, afirma Ben Sangari, presidente do Instituto Sangari.

No local, projeções e efeitos visuais e sonoros foram montados propositalmente para causar sensações de contato direto com a água e, ao mesmo tempo, conscientizar o público sobre o consumo consciente do recurso. O evento aborda as primeiras conquistas da exploração científica das profundezas dos grandes mares, exibindo espécies raras em formato de vídeos e fotos e, a partir desses elementos, promove uma discussão sobre os efeitos da pesca predatória, a poluição das águas, o desperdício do recurso, entre outros.

Os estados e o ciclo da água, bem como os problemas relacionados à qualidade e à disponibilidade desse recurso nas sociedades e nos ecossistemas mundiais também são abordados na exposição.

Evitar seis descargas desnecessárias, por exemplo, resulta em uma economia de água suficiente para um banho, mostra um dos dispositivos interativos da mostra. “A questão da sustentabilidade é uma das abordagens da amostra, que é bem mais ampla. Trouxemos informações que esperamos serem capazes de provocar reflexões sobre a importância de tratar esse recurso com o carinho que ele merece” explica Dantas.

“É fundamental que eventos grandiosos como este se proponham a levar a mensagem do consumo consciente para os consumidores”, afirma Camila Mello, gerente de mobilização comunitária do Akatu. “Queremos que todos saibam que ameaçar a existência desse recurso, é ameaçar a nossa própria existência”, completa.

“Tenho 38 anos, adoro arte e já visitei muitas exposições aqui no Brasil e em outros países também. Nunca imaginei que seria possível fazer uma exposição sobre algo tão essencial para nós”, conta a arquiteta Júlia Washington. “Todos que visitarem a exposição vão sair daqui respeitando um pouco mais a água”, aposta a professora de música, Ana Liz Varca, 31 anos.

Na exposição, a representação de uma realidade que faz parte da vida cotidiana de muitos brasileiros, revela a força da fúria da água: uma casa construída na base de madeira e papelão, erguida em local impróprio sofre risco de desabamento devido à chuva forte. “É uma mostra integralmente concebida no Brasil e para o Brasil”, explica Dantas.

Segundo a organização do evento, todos os 15 mil litros de água usados para montar a exposição, serão reaproveitados.

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egitoDa EcoD

Para onde vai a água utilizada todos os dias pelos cerca de 80 milhões de egípcios? Atualmente, o governo do país conhecido em razão das famosas pirâmides, reaproveita o recurso natural para regar áreas desérticas no intuito de convertê-las em florestas, segundo informações da Agência EFE.

A intervenção humana já provoca uma diferença significativa na paisagem egípcia, pois onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos. São as chamadas “florestas feitas à mão”.

“A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra”, explicou à EFE o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para o florestamento.

Opinião semelhante tem o professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que ressalta uma suposta superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápido e, inclusive, tenham folhas mais verdes”, argumentou.

Processo de “construção de florestas”

Atualmente, o Egito produz 7 milhões de metros cúbicos de água residual ao ano. Ao mesmo tempo, o país tem 95% do território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação. Há 34 florestas em solo egípcio, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no Norte, e em regiões turísticas do Sul, como Luxor e Assuã, em um total de 71,4 mil quilômetros quadrados (área equivalente à superfície total do Panamá).

De acordo com o governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados. Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantadas até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviver em condições extremas.

Para Kandil, os resultados positivos da experiência são a prova de que o problema no país não é a terra, que no Egito tem de sobra, mas de onde extrair a água. Obtê-la das estações de tratamento primário, onde são eliminados os poluentes sólidos, foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.

Apesar desta água exigir precaução devido à presença de poluentes, além do fato de que os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade ainda são desconhecidos, o projeto implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Ambiente demonstra sucesso.

De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão. “[Elas] aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescentou o especialista.

Publicado em Viva Mundo

agua

A humanidade se tornou uma usuária tão sedenta das águas subterrâneas do planeta que essa exploração pode ser responsável por um quarto do aumento anual do nível dos oceanos. O dado vem de um artigo aceito para publicação na revista científica "Geophysical Research Letters". Nele, uma equipe liderada por Marc Bierkens, da Universidade de Utrecht (Holanda), traça um mapa não muito animador do estado das reservas subterrâneas mundo afora.

Usando estatísticas e simulações de computador sobre a entrada e saída de água dos lençóis freáticos, Bierkens e companhia estimam que a exploração de água doce subterrânea mais do que dobrou dos anos 1960 para cá, passando de 126 km3 para 283 km3 por ano, em média.

A questão, lembram os pesquisadores, é que ainda não dá para saber o preço exato da brincadeira, porque ninguém tem dados precisos sobre a quantidade de água subterrânea no mundo. Mas, a esse ritmo, se tais reservas fossem equivalentes aos célebres Grandes Lagos dos EUA e Canadá, essa fonte de água seria esgotada em 80 anos.

De qualquer maneira, a preocupação se justifica porque, de acordo com estimativas, 30% da água doce da Terra está no subsolo. Com exceção das calotas polares - as quais ninguém em sã consciência gostaria de derreter, já que os efeitos sobre os mares e o clima seriam imensos -, trata-se da principal fonte de água potável do mundo. Rios e lagos na superfície são só 1% do total.

Beberrões
Algumas regiões são especialmente beberronas, mostra a pesquisa. Não por acaso, são centros de grande produção agrícola em áreas naturalmente já não muito chuvosas: noroeste da Índia, nordeste da China e do Paquistão, Califórnia e meio-oeste americano.

A exploração desenfreada afeta principalmente, como seria de esperar, os agricultores mais pobres. Segundo Bierkens, a água que sobrar "vai acabar ficando num nível tão baixo que um fazendeiro comum, com sua tecnologia normal, não vai mais conseguir alcançá-la".

Ao trazer para a superfície quantidades portentosas do líquido, a exploração sem muito controle aumenta a evaporação e, consequentemente, a precipitação em forma de chuva, o que acaba favorecendo o aumento do nível dos mares ligado ao uso dos aquíferos do subsolo.

Embora a pesquisa não aborde diretamente a situação brasileira, o país tem razões de sobra para se preocupar com a situação dos aquíferos subterrâneos. O interior brasileiro abriga, por exemplo, a maior fração do aquífero Guarani, gigantesca reserva com 1,2 milhão de km2.

Hoje, 75% dos municípios do interior paulista precisam usar as águas do aquífero para seu abastecimento. No caso de Ribeirão Preto, uma das principais cidades do Estado, essa dependência é total.

Fonte: Folha.com

Publicado em Viva Brasil

agua_saco_tratamento_250Da EcoD

Em muitas regiões do mundo, o grande problema envolvendo a água, não é apenas a escassez, mas também a falta de acesso a uma fonte limpa. Indignados com a situação de todas essas comunidades, três designers criaram um saco capaz de transportar comida e purificar água.

Os coreanos Jung Uk Park, Myeong Hoon Lee e Dae Youl Lee desenvolveram o Life Sack. O saco é uma invenção que pode transformar a vida de quem depende de doações de alimentos e não tem fontes de água limpa próximas de suas casas. Life Sack é uma espécie de container para o transporte de alimentos e que possui uma tecnologia diferenciada para o tratamento da água.

O recipiente usa o Processo de Desinfecção Solar de Água, que mata os organismos no líquido contaminado, a partir da radiação UV-A, que penetra com facilidade o PVC de que o saco é feito.

Há também, um filtro interno capaz de remover todos os microorganismos que tenham, pelo menos, 5 nanômetros (um nanômetro é igual a um milímetro dividido por um milhão). Para se ter uma ideia da eficiência do filtro, a bactéria causadora da tuberculose tem um tamanho de 200 nanômetros.

Pensando nas pessoas que caminham quilômetros até conseguirem comida e água, os designers ainda adicionaram alças de mochila no produto, o que torna o processo muito mais fácil. Depois, é só expor a água no sol e deixar o Life Sack agir purificando a água.

Não há informações sobre a venda do produto, no entanto, a ideia poderia inspirar até mesmo empresas do Brasil, já que a situação destas comunidades não é muito diferente do que vemos em várias regiões brasileiras, seja no sertão nordestino ou em cidades que não contam com saneamento básico.

Publicado em Viva Mundo
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