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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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agua_reutilizacao_250Com infrmações da EcoD

Duas grandes cidades brasileiras, Niterói (RJ) e Guarulhos (SP), investem atualmente na reutilização da água para gerar economia e contribuir com o meio ambiente.No município carioca, a preservação do recurso natural está estabelecida na lei n° 2856, que desde setembro deste ano obriga os edifícios com mais de 500 metros quadrados e que tenham consumo igual ou superior a 20 metros cúbicos de água por dia, a instalarem projetos de sistemas de aproveitamento da água proveniente dos chuveiros, banheiras, tanques, máquinas de lavar e lavatórios de banheiros.

A água tratada pode ser usada para fins não potáveis, como rega de jardins, limpeza de áreas comuns e descargas sanitárias. Outro grande benefício é a economia, pois o valor da conta de água é reduzido na ordem de 30%.

Águas pluviais - Em Guarulhos, o Departamento de Transportes Internos (DTI) da prefeitura implantou, em 2010, um sistema de reuso de águas pluviais. A medida permite lavar 820 veículos da frota municipal semanalmente, gerando uma economia de até 10 mil litros de água potável por mês.

Para que o sistema entrasse em operação, o DTI fez algumas adaptações no prédio onde sua equipe está instalada. O telhado do departamento é hoje utilizado para a coleta da água das chuvas, que segue para um reservatório de 15 mil litros e depois é submetida a um processo de filtragem.

A água tratada termina em outros dois reservatórios, com capacidade de 30 mil litros. No total, a DTI tem condições de armazenar até 45 mil litros de água, suficientes para uma semana de uso.

Segundo o Gerente do DTI, Luiz Gonzaga Rael, nos próximos meses o sistema ganhará um novo equipamento, que vai separar a água do óleo, permitindo ao departamento elevar ainda mais essa economia.

“Nessa primeira fase de implantação, estamos coletando apenas a água das chuvas, cuja quantidade varia de acordo com a época do ano. No entanto, nosso objetivo agora é aprimorar o sistema para que possamos reutilizar o máximo possível da água consumida pelo DTI”, explicou Rael.

Com a aquisição desse novo filtro, o Departamento de Transportes Internos ampliará o sistema de reuso, inclusive com a reutilização da água da lavagem dos carros. “O equipamento permite separar o óleo e a graxa da água”, destacou Rael.

Segundo ele, o material coletado será entregue ao Fundo Social de Solidariedade, que venderá esse óleo as empresas que possuem certificados de destinação do material.

A implantação do sistema de reuso do DTI também contou com o apoio da Secretaria de Obras, do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) e da Proguaru (Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos).

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Quinta, 29 Setembro 2011 12:50

Jornalistas se preparam para a RIO+20

congresso_jornalismo_ambiental1A Rio+20, a mais importante reunião sobre desenvolvimento sustentável do mundo, está chegando e os jornalistas e estudantes de comunicação já começam a se aquecer para a cobertura do evento. É que entre os dias 17 e 19 de novembro, a Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental realiza o IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (IV CBJA), na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

E para colaborar com o desafio que os profissionais da mídia irão enfrentar, o IV CBJA apresentará painéis, debates e oficinas focadas nos temas que envolvem a Rio+20: vão desde economia verde até o uso das redes sociais, passando por espiritualidade, resíduos sólidos e impactos das mudanças climáticas. A abertura da programação fica por conta do pensador Ignacy Sachs, ecossocioeconomista da École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris.

As inscrições para o IV CCJA são gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial do evento: www.jornalismoambiental.org.br.

Serviço:

IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental
Quando: 17, 18 e 19 de novembro
Onde: PUC-Rio – R. Marquês de São Vicente, 225 – Gávea, Rio de Janeiro-RJ

Mais informações com Ana Carolina Amaral (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ), no telefone (11) 8639-3152 ou no site oficial do congresso (www.jornalismoambiental.org.br).

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consumo_consciente_supermercado_250Por EcoD

Donos e donas de casa sabem que fazer supermercado é uma das tarefas mais importantes da rotina do lar. O que acha de tornar esse momento mais sustentável? Com algumas escolhas simples e pequenas mudanças de atitude é possível abastecer a dispensa e diminuir os impactos no planeta. Selecionamos 10 dicas práticas para levar para o supermercado.

1 – Faça uma lista de compras

Nos dias de hoje, somos incentivados a consumir o tempo todo. Por isso, muitas vezes compramos mais do que realmente precisamos. Para evitar esse consumo abusivo, uma boa dica é fazer uma lista de compras antes de ir ao supermercado. Isso evita aqueles impulsos de levar coisas desnecessárias, como uma bebida que você nem gosta tanto ou um pacote de salgadinhos que engorda e faz um mal danado à saúde.

Se for comprar alimentos perecíveis, leve apenas a quantidade necessária. Fique atento também ao prazo de validade dos enlatados. Comprando apenas aquilo que você sabe que vai consumir você acaba gastando menos e evitando que frutas, legumes, verduras, hortaliças e carnes apodreçam em sua casa ou que produtos passem da validade e acabem no lixo.

2 – Se alimente antes de ir ao supermercado

Parece óbvio, mas é pura verdade. Um estudo mostra que pessoas com fome compram mais comida. Compras desnecessárias tendem a gerar mais lixo e desperdício. Por isso, faça um lanche ou uma refeição e não vá às compras de barriga vazia.

Bem alimentado e com a ajuda de uma lista de compras fica mais fácil comprar somente o que for preciso, pôr em prática o consumo consciente e evitar gastos desnecessários.

3 – Evite as compras de mês

Em vez de ir uma vez só ao supermercado e comprar um estoque mensal de alimentos, prefira ir quinzenal ou semanalmente. Assim você evita comprar produtos que perderão a validade e acabarão no lixo.

Você ainda pode aproveitar e retornar um hábito comum aos nossos pais e avós, mas pouco valorizado nos dias de hoje: as feiras livres. Ali você pode encontrar uma variedade maior de produtos, muito mais saudáveis e saborosos. Mas não se esqueça de comprar apenas o necessário para o seu consumo e de sua família até a próxima feira.

4 – Faça supermercado pela internet

Muitas redes de supermercados já dispõem de serviços de compras pela internet. Se o seu já tiver, use-o. Além de seguro, o serviço poupa combustível (já que a entrega normalmente é sincronizada e feita de uma vez só, por um único veículo), tempo, dinheiro e estresse.

Apenas evite pedir produtos com entrega para o dia seguinte, já que isso geralmente consome muita energia. Também tente fazer as encomendas junto com parentes, amigos e vizinhos. Isso evitará mais gastos com entrega e viagens desnecessárias.

5 – Compre a granel

Em vez de comprar alimentos em embalagens padronizadas, experimente comprar somente a quantidade que você precisa. Além de evitar as embalagens descartáveis, você reduz o desperdício ao levar para casa apenas o que precisa.

Diversas feiras e supermercado dão a opção de compra a granel, alguns são até mais baratos que os tradicionais. É possível inclusive encontrar alimentos orgânicos vendidos em quantidade individual e com preços bem acessíveis. Outra dica é utilizar embalagens retornáveis (como aqueles sacos plásticos vedáveis) e utilizá-los sempre que for comprar determinado produto.

6 – Prefira alimentos sazonais, orgânicos e locais

A natureza não produz bananas ou melancias o ano inteiro. Então de que forma é possível encontrar sempre as mesmas hortaliças, legumes, verduras e frutas nos supermercados? Ora, cultivando de maneira a induzir a frutificação. Isso significa usar uma grande quantidade de água e agrotóxicos e lançar poluentes no solo. Na feira, portanto, fique atento à temporada e compre somente o que estiver dentro da estação. Você estará levando para casa alimentos mais saudáveis, que agrediram menos a natureza e que certamente terão um sabor bem melhor.

Sempre que possível, procure ainda comprar alimentos orgânicos. Eles normalmente trazem um selo de garantia e foram cultivados naturalmente, sem nenhum tipo de inseticida ou modificação genética. Fazem bem à saúde e são muito mais saborosos. Diversos estudos demonstram que a exposição humana a pesticidas pode causar problemas neurológicos, vários tipos de câncer, danos ao sistema imunológico e redução na fertilidade. Além disso, os agrotóxicos também contaminam a água e o solo.

Também prefira os alimentos que são cultivados dentro do perímetro da sua região, que geralmente emitem menos carbono na atmosfera durante o transporte e estimulam os produtores locais. Mas tome cuidado para não comprar alimentos cultivados em estufas aquecidas com energias não-renováveis, mesmo que elas estejam próximas a você.

7 – Não compre produtos de empresas irresponsáveis

Como consumidores, nós temos um grande poder de influenciar e mudar as práticas das empresas. Ao comprar produtos de marcas que agem de forma consciente e sustentável e que respeitam o meio ambiente, a cultura e a comunidade, e boicotar aquelas que atuam de forma oposta, você estará ajudando a mudar a realidade.

Grandes empresas já sofreram boicote e viram seus produtos serem deixados nas prateleiras como forma de protesto dos seus consumidores. Entre as críticas mais comuns estão as péssimas condições trabalhistas as quais estão sujeitos os empregados (algumas vezes, até crianças) e a degradação ambiental causadas pelos seus produtos.

8 – Não manipule alimentos na hora da escolha

Toda vez que você manipula algum alimento, como frutas, verduras e legumes, você reduz a sua vida útil e aumenta as chances de desperdício. Por isso, evita ao máximo o contato na hora da escolha.

Quando for à feira ou ao supermercado, escolha com os olhos e pegue nos alimentos somente depois que decidir qual irá levar.

9 – Recuse sacolas plásticas

Se for comprar pouca coisa, recuse a sacola plástica e leve os produtos em uma ecobag ou mesmo na bolsa ou mochila. Assim você reduz o consumo de plástico e vira um propagador da consciência ambiental.

Não deixe de explicar por que você está abrindo mão da sacolinha plástica e mostre que é possível carregar suas compras sem consumir mais plástico. E se as compras foram grandes, opte por ecobags resistentes, caixotes ou carrinhos e ajude a preservar o planeta.

10 – Cozinhe em quantidade e congele

Quando já estiver em casa com suas compras, separe um dia para preparar várias refeições para todo o mês ou a semana. Depois basta guardar no freezer e reaquecer no dia de consumi-la. Essa prática ajuda a economizar ingredientes e energia.

Os processos de descongelar e esquentar são mais econômicos do que se você fosse preparar todo o alimento de novo. Cada vez que você vai para a cozinha preparar uma refeição você consome uma enorme quantidade de água, eletricidade (geladeira, microondas, liquidificadores, etc), gás e também de alimentos, já que sempre sobra um pedaço de legume ou um punhado de tempero que termina no lixo.

Fazer tudo de uma vez evita esse tipo de desperdício e ainda poupa tempo para os próximos dias.

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consumo_sustentavelPor Eustáquio Lopes, do Consumidor Seguro

Segundo notícia do Infomoney, “o aumento do interesse dos consumidores por produtos ecologicamente corretos vem atraindo a atenção e o investimento de muitas empresas”. A consequência disso? Essa onda verde está inundando as prateleiras dos supermercados e as publicidades em veículos de comunicação.

Assim, na tentativa de afirmar que seu processo de produção não prejudica o meio ambiente, diversos itens de consumo se autointitulam sustentáveis por meio de selos, certificados e prêmios desenhados em suas embalagens.

O problema disso tudo é que muitos consumidores se deparam com uma realidade bem diferente do discurso, já que nem todo produto que se diz comprometido com questões ambientais de fato o é.

“É um momento complicado, pois existem muitos apelos que remetem à questão de sustentabilidade e é difícil distinguir ações corretas das maquiagens verdes, o chamado greenwash”, alerta a pesquisadora do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Adiana Charoux.

Um dos principais fatores que agrava essa situação e gera desconfiança quanto à real veracidade da certificação é o caráter voluntário dos selos. Nesses selos autodeclaratórios, o própria fabricante do produto afirma que ele foi produzido com certos critérios de responsabilidade socioambiental.

Como há embalagens e fornecedores que enganam a população, divulgando um discurso vazio, o Idec aconselha que todos os consumidores procurem mais informações sobre quais foram os critérios utilizados para se chegar à certificação verde. “O consumidor deve buscar informações mais claras e concretas, porque existem apelos muito vagos e genéricos”, orienta Adriana.

Em relação às outras certificações encontradas no mercado, o Idec aponta que as mais confiáveis são as independentes, fornecidas por ONGs (Organizações não Governamentais) e entidades privadas. Afinal, para receber essas certificações, as empresas submetem seus produtos a um processo de checagem e só recebem o selo se os itens estiverem realmente adequados.

Também existem as certificações compulsórias determinadas pelo Governo. Um exemplo é o SisOrg (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica), administrado pelo Ministério da Agricultura, em parceria com outras certificadoras.

“Qualquer produto agroecológico orgânico que deseje colocar em sua embalagem a informação eco, sustentável, ecológico ou algo do gênero, precisa desse selo”, esclarece Adriana.

Assim, no caso do selo presente na embalagem ser desconhecido do consumidor, a entidade defende que os consumidores pesquisem mais sobre o certificador.

“Às vezes a embalagem é pequena e não cabem todos os dados naquele espaço, mas, mesmo assim, o rótulo deve conter uma orientação, um site onde o consumidor pode encontrar mais informações sobre o selo”, conclui a pesquisadora.

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Terça, 23 Agosto 2011 20:28

Água, o desprezado manancial da vida

agua_homem_250Por Américo Canhoto*

Num planeta predominantemente aquático, somos constituídos basicamente desse elemento. Nosso comportamento beira a esquizofrenia: seres mais aquáticos do que terrestres, desprezamos o principal elemento que nos dá forma e permite a vida em 3D. Haverá no cosmos seres tão ingratos e estúpidos quanto nós?

Água é quase sinônimo de vida, basta observar a relação entre ela e os outros elementos presentes em todos os seres vivos. Gulosamente nos preocupamos com a alimentação e pouco ou nenhum valor lhe damos, principalmente os viciados em sabor doce que só bebem sucos e refrigerantes.

Esse distúrbio se deve em parte á ciência médica: introduzir sucos na dieta infantil; com um quase desprezo pela água e sua qualidade – criou um DNA cultural difícil de ser erradicado e que contribui de forma decisiva para a desvalorização nos cuidados em manter saudável o principal elemento do nosso corpo planetário e do próprio organismo físico: a água. As pessoas comuns acham um absurdo que uma garrafa de água de custe o mesmo preço que uma de refrigerante ou suco.

Na dúvida entre uma verdade científica da moda e outra; prefiro ficar sempre com a da mãe natureza: Fruta é para comer; se fosse para beber já vinha engarrafado na árvore.

É possível sobreviver alguns meses sem comer; mas sem água duramos poucos dias. Para manter um estado de sanidade necessitamos mais de água do que de alimento.

Apenas algumas de suas funções:

Transportar nutrientes celulares; carrear restos do metabolismo jogando-os fora; excretando-os; regular o equilíbrio ácido – básico; transportar energia vital para as células.

Além disso; é um importante condutor das energias da natureza; percebemos como “recarregamos as baterias” estando à beira-mar, próximo de cachoeiras ou durante o banho quando logo desaparece a sensação de cansaço.

Gulosamente, é comum confundirmos a ingestão de líquidos com água; mas suco não é água; chá não é água; refrigerante não é água. Alguém que bebe num dia dois litros de suco ingeriu dois litros de líquido e zero de água.

Fervida ou “tratada” perde suas propriedades vitais.

Mesmo com o problema de transporte, armazenamento e contaminação pelo plástico das embalagens; na relação custo/benefício ainda é interessante fazer uso de água mineral sempre que possível.

Atenção, naturebas de plantão:

Cuidado com o uso abusivo de chás sem saber qual é a indicação. Forma de uso; e por quanto tempo deve ser tomado; pois só devem ser bebidos com conhecimento de sua finalidade terapêutica.

Juízo, “acadêmicos corporais” e atletas da moda:

O uso freqüente de bebidas enriquecidas de sais minerais pode comprometer a função renal; e todo momento; vemos crianças usando-as como se fossem água, até sem praticar esporte.

Mesmo o consumo de sucos naturais deve ser consciente quanto à quantidade e finalidades; pois tudo que em pequena quantidade cura em quantidade maior pode fazer mal.

Sob a “isca de marketing” da extremamente oxidável vitamina C; o suco mais consumido é o de laranja que é danoso à saúde de muitas pessoas. A laranja é fruta de excepcional valor alimentício curativo; e rica em fibras; certamente consumir laranja é bom para manter a saúde – Mas, o que é “comer” laranja? É mastigar, mastigar bem, engolir o bagaço e, jogar fora apenas o caroço. Ao comermos laranja, conseguimos devorar apenas uma ou duas; já quando se trata de chupar laranja uma só não basta e, só nos satisfazemos com duas ou três; o suco dela contém o sumo de seis ou sete cuja acidez e fermentação é danosa à saúde; certamente, respeitada a tolerância individual, além disso, é uma lavoura muito envenenada por agrotóxicos (Quem esfrega e lava a laranja antes de descascá-la ou de espremê-la?).

Sucos artificiais que imitam o sabor das frutas dispensam comentários (como disse o sábio Jesus: “não dê pérolas aos porcos…”)…

Preservar a vida implica necessariamente em preservar a qualidade da água.

Sem dúvida ao menos algumas das previsões de seleção humana em andamento vão se concretizar – e tudo leva a crer que uma das formas que o planeta vai encontrar para faxinar em larga escala os seres humanos de pouca qualidade que o habitam será a água.

Não se trata apenas de economizar água – mas, principalmente cuidar da sua qualidade. As besteiras que fazemos nos cuidados com a água são as mesmas que fazemos nos cuidados com nossa saúde. Não adianta submeter periodicamente a água a mil exames e tratá-la com remédios e venenos – é preciso cuidar dela com inteligência e amor.

Todo juízo é pouco.

Embora a Justiça Natural seja eminentemente educativa e não punitiva ela jamais esquece nem perdoa sem reparação.

Quem quiser bancar o filho pródigo esteja á vontade – será bem recebido de volta á Nova Terra, na renovada casa do pai – mas, antes vai ter que comer o pão que o diabo amassou em pocilgas cósmicas secas; bem secas.

Nestas bandas do universo, água é sinônimo de vida.

O que está fazendo da sua?

Namastê.

* Américo Canhoto é clínico geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

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COPA_ORGANICAA decisão do governo federal de tornar a Copa de 2014 sustentável, aliando sua imagem à questão ambiental,  traz para os produtores orgânicos brasileiros oportunidades de ampliação dos mercados consumidores e de expansão da produção.

O tema norteou os debates do seminário Green Rio – Oportunidades e Desafios da Copa de 2014, que o portal Planeta Orgânico promoveu nesta terça-feira (23) no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no Rio de Janeiro.

“O foco desses seminários é ir levantando oportunidades em diferentes regiões do estado, que possam atender a essa demanda que vai existir  em função de uma Copa orgânica e sustentável”, disse à Agência Brasil a diretora do Planeta Orgânico, Maria Beatriz Martins Costa.

A coordenadora  do Centro Sebrae de Inteligência em Orgânicos, Sylvia Wachsner, considera que a entrada dos alimentos orgânicos na programação da Copa abre caminho para que o mesmo tratamento seja dado às Olimpíadas de 2016. “Essa determinação governamental sinaliza para o crescimento da agricultura orgânica no país, das informações para os produtores  e das cadeias que podem oferecer esses produtos”, disse ela.

O foco será nas 12 cidades-sede dos jogos, entre elas Recife. Como nem todas essas cidades têm produtores orgânicos, a ideia do governo é comprar os produtos de pequenos agricultores localizados perto de cada sede da Copa, explicou Sylvia. “Sempre tratando de comprar dos produtores que ficam próximos dos grandes centros, em um raio de cento e tantos quilômetros. Isso é uma oportunidade enorme para os produtores orgânicos, não só para os chamados produtos verdes, como para produtos beneficiados, entre eles laticínios e grãos,  para alimentação de atletas e de visitantes”, acrescentou.

O ideal, disse Sylvia, é que os alimentos orgânicos sejam oferecidos às pessoas que vão assistir aos jogos, incluive aos turistas que virão ao Brasil para o evento, nos supermercados. A ideia é  “criar consciência e oferecer mais produtos orgânicos”.

Maria Beatriz reforçou que essa será uma  grande oportunidade para os restaurantes, hotéis e pousadas que estiverem envolvidos na iniciativa da Copa orgânica e sustentável. Ela acredita que isso fará com que os empreendimentos sejam divulgados em sites e campanhas que o governo vai apoiar. “Eles vão ter  uma espécie de selo, identificando que esse é um estabelecimento que tem no seu cardápio, por exemplo, produtos orgânicos. Ou tem produtos do comércio justo ou da agricultura familiar”.

Os quatro indicadores que vão fazer parte da Copa são orgânicos,  comércio justo,  agricultura familiar e  produtos da biodiversidade. “Então, na medida em que esses estabelecimentos estejam comercializando produtos que tenham essa origem rastreada, eles vão fazer parte de uma divulgação que o governo quer promover da Copa orgânica e sustentável”.

Maria Beatriz estima que a demanda vai ser muito grande. O Ministério da Agricultura deverá lançar, neste segundo semestre, dados estatísticos atualizados sobre a produção orgânica no Brasil. Os últimos números indicam a existência de cerca de  10 mil produtores. Para a diretora do Planeta Orgânico, a divulgação vai estimular o setor.

Publicado em Viva Brasil

1805439242_0e887ba7c4As cidades que receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014, entre elas o Recife, poderão obter financiamento para o desenvolvimento de projetos voltados para a mobilidade urbana ambientalmente sustentável. A partir de agosto, o Ministério da Saúde, por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, vai dispor R$ 200 milhões em empréstimos reembolsáveis.

A informação foi divulgada no último dia 26 de julho por Eduardo Assad, secretário nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do ministério, durante o Seminário de Tecnologias Sustentáveis, no Rio de Janeiro.

Segundo Assad, a principal meta é iniciar uma renovação no sistema de transporte público feito por ônibus, principalmente na capital fluminense, que também sediará os Jogos Olímpicos de 2016. “Junto com as prefeituras, promoveremos não a mudança total da frota de ônibus, mas vamos começar a incentivar essa mudança, escolhendo para cada capital o que há de melhor”, explicou.

Empréstimo e tecnologia - O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conta com R$ 230 milhões, dos quais R$ 30 milhões não são reembolsáveis e foram destinados a pesquisas e ao sistema de alerta contra catástrofes naturais.

Assad afirmou que o fundo vai financiar tecnologias “prontas”, como é o caso dos ônibus movidos a etanol. “É uma tecnologia que a indústria pode entregar e os preços estão bons.” O secretário não descartou a possibilidade do financiamento da tecnologia do ônibus a hidrogênio. “Desde que o preço seja atrativo”, ressaltou.

“Na hora que a tecnologia estiver pronta, temos linha de financiamento, desde que [o projeto] seja economicamente viável”, acrescentou o secretário ao se referir à lista dos ônibus híbridos (movidos a diesel e energia elétrica ou a diesel e etanol), que ainda estão sendo testados no país.

Investir em ônibus que utilizem cada vez menos combustíveis oriundos do petróleo é a principal alternativa para reduzir a emissão de gases do efeito estufa nas cidades.

“A principal vantagem é a redução de poluentes ambientais. A pessoa está na Avenida Rio Branco [principal via do centro do Rio] e está respirando aquele ar cheio de partículas. Imagine como fica o pulmão do guarda de trânsito e do gari, que passam o dia inteiro ali. Precisamos de alternativas”, assegurou Márcio D’Agosto, professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

De acordo com D’Agosto, o transporte é o maior responsável pelas emissões nas áreas urbanas. O pesquisador coordena testes do primeiro ônibus flex urbano movido a gás e diesel, cuja tecnologia foi desenvolvida pela Bosch e pela MAN Latin America.

Para acessar o dinheiro do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, as prefeituras precisam associar-se às empresas do setor.

*publicado originalmente no site da EcoD.

Publicado em Viva Brasil
Quarta, 20 Julho 2011 23:34

O ‘complexo Deus' da modernidade

Por Leonardo Boff, da Adital

A crise atual não é apenas de escassez crescente de recursos e de serviços naturais. É fundamentalmente a crise de um tipo de civilização que colocou o ser humano como “senhor e dono” da natureza (Descartes). Esta, para ele, é sem espírito e sem propósito e por isso pode fazer com ela o que quiser.

Segundo o fundador do paradigma moderno da tecnociência, Francis Bacon, cabe ao ser humano torturá-la, como o fazem os esbirros da Inquisição, até que ela entregue todos os seus segredos. Desta atitude se derivou uma relação de agressão e de verdadeira guerra contra a natureza selvagem que devia ser dominada e “civilizada”. Surgiu também a projeção arrogante do ser humano como o “Deus” que tudo domina e organiza.

Devemos reconhecer que o Cristianismo ajudou a legitimar e a reforçar esta compreensão. O Gênesis diz claramente: “enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre tudo o que vive e se move sobre ela” (1,28). Depois se afirma que o ser humano foi feito “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). O sentido bíblico desta expressão é: o ser humano é lugar-tenente de Deus e como Este é o senhor do universo, o ser humano é senhor da Terra. Ele goza de uma dignidade que é só dele, o de estar acima dos demais seres. Dai se gerou o antropocentrismo, uma das causas da crise ecológica. Por fim, o estrito monoteísmo retirou o caráter sagrado de todas as coisas e o concentrou só em Deus. O mundo, não possuindo nada de sagrado, não precisa ser respeitado. Podemos moldá-lo ao nosso bel-prazer. A moderna civilização da tecnociência encheu todos os espaços com seus aparatos e pôde penetrar no coração da matéria, da vida e do universo. Tudo vinha envolto pela aura do “progresso”, uma espécie de resgate do paraíso das delícias, outrora perdido, mas agora reconstruído e oferecido a todos.

Esta visão gloriosa começou a ruir no século XX com as duas guerras mundiais e outras coloniais que vitimaram duzentos milhões de pessoas. Quando se perpetrou o maior ato terrorista da história, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão pelo exército norte-americano, que matou milhares de pessoas e devastou a natureza, a humanidade levou um susto do qual não se refez até hoje. Com as armas atômicas, biológicas e químicas construídas depois, nos demos conta de que não precisamos de Deus para concretizar o Apocalipse.

Não somos Deus e querer ser “Deus” nos leva à loucura. A idéia do homem como “Deus” se transformou num pesadelo. Mas ele se esconde ainda atrás do “tina” (there is no alternative) neoliberal: “não há alternativa, este mundo é definitivo.” Ridículo. Demo-nos conta de que “o saber como poder” (Bacon) quando feito sem consciência e sem limites éticos, pode nos autodestruir. Que poder temos sobre a natureza? Quem domina um tsunami? Quem controla o vulcão chileno Puyehe? Quem freia a fúria das enchentes nas cidades serranas do Rio? Quem impede o efeito letal das partículas atômicas do urânio, do césio e de outras liberadas, pelas catástrofes de Chernobyl e de Fukushima? Como disse Heidegger em sua última entrevista ao Der Spiegel: ”só um Deus nos poderá salvar”.

Temos que nos aceitar como simples criaturas junto com todas as demais da comunidade de vida. Temos a mesma origem comum: o pó da Terra. Não somos a coroa da criação, mas um elo da corrente da vida, com uma diferença, a de sermos conscientes e com a missão de “guardar e de cuidar do jardim do Eden” (Gn 2,15), quer dizer, de manter a condições de sustentabilidade de todos os ecossistemas que compõem a Terra.

Se partimos da Bíblia para legitimar a dominação da Terra, temos que voltar a ela para aprender a respeitá-la e a cuidá-la. A Terra gerou a todos. Deus ordenou: “Que a Terra produza seres vivos, segundo sua espécie”(Gn 1,24). Ela, portanto, não é inerte, é geradora e é mãe. A aliança de Deus não é apenas com os seres humanos. Depois do tsunami do dilúvio, Deus refez a aliança “com a nossa descendência e com todos os seres vivos” (Gn 9,10). Sem eles, somos uma família desfalcada.

A história mostra que a arrogância de “ser Deus”, sem nunca poder sê-lo, só nos traz desgraças. Baste-nos ser simples criaturas com a missão de cuidar e respeitar a Mãe Terra.

*Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ

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Por Elena Dusi, do jornal La Repubblica*

Aquilo que o homem suja com uma mão, a natureza se esforça para limpar com duas. Um golpe de esponja sobre a terra firme é dado pelas árvores e florestas; o outro, no mar, vem das microalgas que formam o plâncton. A vegetação da terra e do mar une as suas forças suas forças para retirar de circulação o dióxido de carbono produzido pelos combustíveis fósseis. A sua união permite que o planeta se livre de pouco mais da metade das emissões: 4,6 bilhões de toneladas de carbono dos 8,7 bilhões produzidos todos os anos. O resto acaba naquele pequeno ambiente que é a atmosfera, a partir de onde alimenta o efeito estufa, elevando sempre mais o termostato do planeta.

As primeiras estimativas finalmente precisas do balanço do carbono sobre a terra chega hoje do Serviço Florestal dos EUA, que o publicou na revista Science, pondo na planilha o dióxido de carbono produzido pelos combustíveis fósseis e aquele absorvido pelas florestas, calculado de acordo com a sua idade e a sua localização geográfica.

O CO2 capturado pelas árvores (para além das previsões mais otimistas) foi um pouco maior do que a “engolida” pelo plâncton dos oceanos. A terra firme, de fato, limpa o planeta todos os anos de 2,4 bilhões de toneladas de carbono contra os 2,2 bilhões das algas marinhas.

E quem dá a contribuição máxima são as jovens florestas tropicais, fruto do gradual reflorestamento da última década que se seguiu à fase anterior do desmatamento selvagem. A vegetação entre o Trópico de Câncer e o de Capricórnio, sozinha, absorve 55% do carbono capturado pelas florestas.

“E se deixássemos de cortar árvores hoje – comenta Josep Canadell, um dos autores do estudo –, graças à contribuição da vegetação, poderíamos chegar a limpar a metade das emissões de combustíveis fósseis”.

Se desligar as motosserras é o caminho ideal para tornar mais eficaz a esponja da terra firme, para aumentar a eficiência do plâncton no mar ainda não há soluções douradas. As algas que nadam na superfície dos oceanos, exatamente como as plantas na terra, absorvem dióxido de carbono durante o processo de fotossíntese. Quando, depois, as árvores ou os micro-organismos marinhos morrem, o carbono que contêm acaba no solo ou no fundo do oceano: portanto, fora daquela atmosfera já sobrecarregada de poluição.

Vários experimentos científicos vem tentando “fertilizar” áreas do mar, jogando ferro sobre elas para acelerar o crescimento do plâncton. Foi justamente a esses organismos que um estudo da Universidade de Ohio, publicado em fevereiro na PNAS, atribuiu o mérito de ter tornado a atmosfera terrestre respirável nos tempos antigos. Desencadeando uma espécie de efeito estufa ao contrário, o plâncton, há 500 milhões de anos, provocou um retorno maciço do oxigênio depois das extinções em massa da era cambriana, permitindo que a vida florescesse novamente.

As medidas do carbono absorvido depois dos experimentos modernos de “fertilização” do mar não deram resultados satisfatórios, enquanto os habitantes do mar diferentes das algas mostraram sinais de intoxicação. Na terra, ao contrário, a esponja das florestas mostrou um fenômeno paradoxal: uma atmosfera mais rica em CO2 melhora a respiração das plantas e, assim, acelera seu crescimento.

O estudo da Science também enfatiza positivamente a expansão das florestas causada pelo abandono das terras agrícolas na Rússia e pela intervenção maciça da China para plantar novas árvores nas zonas que haviam desmatadas anteriormente, enquanto nos EUA, entre 1990 e 2007 (o período de tempo coberto pelo estudo), a vegetação sofreu golpes de calor, seca e incêndios.

“Mesmo que as florestas nos deem uma mão – concluem os pesquisadores –, reduzir as emissões de gases do efeito estufa continua sendo a única hipótese sobre a mesa”.

*Tradução: Moisés Sbardelotto.

Publicado em Viva Mundo

Por Newton Figueiredo*

Diversas pesquisas realizadas no Brasil e no mundo continuam confirmando que nós brasileiros somos a nação mais preocupada com as consequências das mudanças climáticas e que uma boa parcela da população está disposta até a pagar mais por produtos que possam ajudar a construir uma sociedade mais justa e com melhor qualidade de vida.

Várias empresas têm identificado uma nova forma de melhorar a rentabilidade, oferecendo produtos que atenderiam essa nova demanda por parte dos consumidores. Já outras pesquisas indicam que o consumidor está cada vez mais informado e espera que o varejo seja um filtro de ética e de responsabilidade socioambiental na seleção de produtos que lhe são oferecidos.

Seja por desconhecimento, por acreditar na palavra do fornecedor ou mesmo por falta de ética, os consumidores são bombardeados por propagandas enganosas do tipo “amigável ao meio ambiente”.

Contudo, temos que destacar três esforços, realizados nos últimos dois anos, no sentido de ajudar as empresas a desenvolverem uma comunicação ética com o consumidor. A primeira foi o lançamento, pioneiro no Brasil, do “Guia SustentaX de Comunicação Responsável com o Consumidor”, em 2009, disponível em: http://www.selosustentax.com.br/pdf/guia_sustentax.pdf. Em 2010, o CBDES lançou o “Guia de Comunicação e Sustentabilidade”, disponível em http://www.cebds.org.br/cebds/manualdesustentabilidade.pdf .

Apesar dessas iniciativas, inúmeras propagandas e publicidades continuaram a ser veiculadas, na mídia impressa e digital, de produtos ditos “ecologicamente corretos”, “amigáveis ao meio ambiente” e coisas dessa natureza; muitos deles afrontando a inteligência de pessoas medianamente informadas. Assim, em boa hora, sai o terceiro esforço, agora regulador, que é a nova regulamentação do CONAR para a promoção de produtos com apelos de sustentabilidade, disponível em http://www.conar.org.br/html/070611.html

As pessoas estão ávidas para contribuir para um mundo melhor e ter mais qualidade de vida. E, muitas vezes, imaginando estarem na direção correta, ao comprar algo que lhe foi apresentado como “verde” ou “mais ecológico” ou “mais sustentável’, acabam contribuindo para negócios que não respeitam a sociedade, seja do ponto de vista social ou ambiental. São os chamados produtos verdes irresponsáveis, promovidos por desconhecimento, omissão ou ainda por “picaretas verdes”. As situações mais comumente encontradas são:

1) Falta de comprovação de responsabilidade social do fabricante: objetos de decoração feitos na Índia, no Vietnam, em Bangladesh e em outros pobres países asiáticos, vendidos com frequência em lojas e em sites. Ao comprar um objeto desses, normalmente de baixa tecnologia intrínseca, que poderiam muito bem serem produzidos no Brasil, inclusive em comunidades carentes, o consumidor contribuí para a “importação” de miséria e mais violência em nossas cidades. Nessa direção também são importadas, por incrível que possa parecer, “ecobags” de países como o Camboja! Muitas vezes, esquecemos que o impacto pode levar à desindustrialização e ao aumento do desemprego. Outro segmento importante é o da confecção. Afinal, de nada adianta a roupa ser feita de algodão orgânico certificado se a sua produção se dá de forma irresponsável para com os trabalhadores da confecção. De quem é a responsabilidade nesses casos? Do varejista, pois é ele que disponibiliza o produto em sua prateleira e, portanto, tem a responsabilidade de selecionar o que irá vender. Essa é a verdadeira postura de uma empresa sustentável ou, como outras gostam de se expressar, “eco-friendly”.

2) Falta de comprovação de responsabilidade ambiental do fabricante: a preocupação aqui é do mesmo diapasão da responsabilidade social. De nada adianta o algodão ser orgânico se na sua produção ou na confecção que o utilizou o fez contaminando o meio ambiente pela não destinação correta dos resíduos da produção. Essa preocupação toma uma dimensão importante quando o produto é importado de países que não dispõe de uma legislação ambiental a altura das necessidades atuais de proteção da biodiversidade planetária. Hoje o Brasil tem, por força do valor de sua moeda, importado de tudo, em especial de países asiáticos que, em sua maioria têm legislações menos rigorosas que a brasileira. Isto posto, ao admitir importar sem uma mínima verificação de responsabilidade socioambiental do fabricante estrangeiro, o importador-varejista está, no mínimo, cometendo um procedimento não ético ao promover seu produto como verde para um consumidor que, naturalmente, esperaria que esse controle fosse feito.

3) Falta de comprovação da não toxidade do produto: muitas empresas que se propõe a atuar no oferecimento de produto verde, “eco-friendy”, ou sustentáveis, muitas vezes, se esquecem de analisar adequadamente esse atributo essencial da sustentabilidade: a toxidade à saúde humana e à biodiversidade. Outras por ignorância ou irresponsáveis confundem o público chamando a atenção para as características da embalagem (reciclada, por exemplo) ou para outros atributos, deixando de lado o que verdadeiramente importa: o não comprometimento da saúde do consumidor. Nesse caso, os melhores exemplos estão na área de produtos de limpeza. Produtos altamente tóxicos (desinfetantes, água sanitária…) propalados como “mais sustentáveis” apenas porque suas embalagens são feitas de material reciclado! Outros chamam a atenção para o fato de serem biodegradáveis, mas nada dizem sobre os prejuízos à biodiversidade natural nem sobre a toxidade em humanos. Ocorrências semelhantes são encontradas na área de cosméticos, a começar pelos sabonetes e shampoos. De quem é a responsabilidade por esses erros? Normalmente, das equipes de compras (que não exigem comprovações e de algumas de marketing que querem se aproveitar da onda verde.

4) Falta de comprovação de qualidade: muito embora mais raro, esse problema ainda existe, especialmente, na área de brindes. Continua em alguns segmentos do comércio um entendimento, totalmente errôneo, de que para se ter a imagem ligada às questões de sustentabilidade é preciso vinculá-la à ecologia, rusticidade, primitivismo e aspetos primários como esses. A consequência é que passa a ocorrer uma mistura desses conceitos com a de baixa qualidade de produtos. É muito comum irmos a eventos e lá serem distribuídas horrorosas canetas feitas de bambu ou de plástico reciclado que não dá gosto em usar. Consequência: desperdício! Vale a pena também, além dos aspectos de design agradável, estar atento a questões relativas à durabilidade e ao desempenho, especialmente de produtos importados, pelas dificuldades de solução de problemas e de recuperação de imagem em pós-venda.

A tendência do mercado de produtos sustentáveis é de grande crescimento nos próximos anos. A expansão de lojas físicas e virtuais mostra que esse é um caminho lucrativo e sem volta. Entretanto, é sempre bom ter em mente que a reputação da marca será construída com ética e respeito para com o consumidor. Já se passou a época do consumidor mal informado. Hoje tudo está disponível on-line, especialmente, os comentários sobre a seriedade com que a empresa trata seus clientes.

Selecionar fornecedores responsáveis e oferecer informações transparentes, verdadeiras, seguras e consistentes para que o consumidor possa tomar sua própria decisão de compra será um dos caminhos para a diferenciação competitiva, a fidelização de clientes e o sucesso da marca. Uma das formas de encurtar o caminho será o de oferecer produtos já avaliados no que se refere à sua sustentabilidade. Nesse caso, selos emitidos por terceiras partes, como CONPET, CERFLOR, ECOCERT, FSC, IBD, PROCEL e SUSTENTAX, são uma forte indicação para o consumidor final da consistência das afirmações de atributos de sustentabilidade e uma forma de mitigação de riscos para a imagem e os negócios do lojista.

* Newton Figueiredo é fundador e presidente do Grupo SustentaX, que desenvolve, de forma integrada, o conceito de sustentabilidade, ajudando as corporações a terem seus negócios mais competitivos e sustentáveis, identificando para os consumidores produtos e serviços sustentáveis e desenvolvendo projetos de sustentabilidade para empreendimentos imobiliários. Mais informações: http://www.cebds.org.br/cebds/manual de sustentabilidade.pdf

Publicado em Artigos

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