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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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china1Da EcoD

A expressão “negócio da China” tem origem no contato comercial entre Ocidente e Oriente, segundo a mestre em História Rainer Sousa. O termo faz alusão aos negócios vantajosos obtidos no final da Idade Média pelos comerciantes europeus que revendiam as sedas, temperos, ervas, óleos e perfumes orientais no chamado “velho mundo”.

Atualmente, a energia proveniente dos ventos é o grande negócio da China, país que recentemente ultrapassou os Estados Unidos em capacidade instalada, ocupando agora o topo do ranking mundial nessa matriz energética renovável.

No total, os parques eólicos chineses já somam 41.800 megawatts (MW) de potência - em junho eles tinham 33.800 MW, contra 36.300 dos EUA. Só para se ter ideia, o ritmo de instalação de novos parques eólicos na China é seis vezes superior ao dos norte-americanos.

Ao longo de 2010 foram adicionados mais 15.800 MW à capacidade existente – o equivalente a quatro vezes a potência eólica instalada de Portugal. “Era esperado”, afirmou ao jornal português Público Antonio Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren). “Os chineses estão atrasados no consumo de eletricidade, têm de instalar capacidade o mais rapidamente possível e já perceberam que as renováveis são o futuro”, completou.

Opinião semelhante tem o especialista em energias renováveis Carlos Pimenta, que lembra que a população chinesa migra cada vez mais do campo para as cidades, em um processo que implica maior consumo de energia. “O Estado chinês há muito tempo que percebeu que vai precisar de muito mais energia”, ressaltou Pimenta.

Em 2010, o consumo de energia elétrica no país subiu 14,6%, segundo dados divulgados na segunda-feira, 17 de janeiro, pelo Conselho de Eletricidade da China, citados pela agência Xinhua. Cerca de um quarto da eletricidade do gigante asiático (26,5%) é gerada por fontes não-fósseis: hidrelétricas (22,2%), eólicas (3,2%) e nuclear (1,1%).

A China já domina a maior parte do mercado mundial de painéis solares. Na energia eólica, parte dos aerogeradores instalados são produzidos no próprio país, mas ainda são os europeus que lideram o mercado. “É uma questão de tempo”, avaliou Carlos Pimenta, ao observar que, com o atual ritmo de crescimento, os chineses também dominarão tal tecnologia.

Vários acordos comerciais na área das energias renováveis são esperados durante a visita que o presidente chinês, Hu Jintao, inicia nesta terça-feira (18/1) aos Estados Unidos, segundo adiantou a agência Reuters. Ambos os países competem pelo mercado mundial nessa área, além de carregarem o indigesto posto de nações mais poluentes do planeta.

Rompimento de barreira impulsionou setor

Em janeiro de 2010, o EcoD noticiou que a China, até então na quarta colocação do ranking mundial da energia eólica (Global Wind Energy Council - GWEC), atrás dos EUA, Alemanha e Espanha, poderia estar algumas posições a frente, caso não fosse um limite do governo que exigia que 70% das peças das turbinas dos aerogeradores tivessem origem nacional.

A retirada da exigência de parte da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, principal organismo de planejamento chinês, acabou com a barreira protecionista e foi fundamental para impulsionar o setor no país.

Segundo o climatologista Michael McElroy, da Universidade de Harvard, o vento que sopra na China pode suprir toda a demanda energética do país até 2030, caso US$ 4,6 trilhões sejam investidos em um período de 20 anos - este valor corresponde a quase o triplo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Hoje, as duas maiores usinas de energia eólica do mundo estão em construção na China. A maior, na Província de Gansu, terá capacidade de 20 gigawatts e investimentos de R$ 30 bilhões. Em 2020, ela poderá gerar 20 vezes mais energia do que o parque de Roscoe, no Texas (EUA), hoje a maior do planeta. Já a segunda, em Ordos, contará com 12 gigawatts de potência instalada, mas com um diferencial: além da energia eólica, também produzirá a solar e biomassa.

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andesPor Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil

O Peru possui 70% de todas as geleiras existentes na zona tropical do planeta, que são fundamentais para o fornecimento de água e para o próprio clima de diversos países. Porém o aumento da temperatura está provocando o degelo dessas regiões em um ritmo mais rápido que o previsto por cientistas e existe o risco de que nos próximos 10 anos geleiras inteiras deixem de existir.

Se esse cenário se confirmar, uma grande crise econômica e social pode desestabilizar todo o continente, fazendo surgir mais conflitos entre os países.

“Imagine o que pode acontecer se as geleiras andinas se forem e milhões de pessoas famintas tiverem que migrar para outras regiões”, explicou ao jornal Washington Post o ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), James Woolsey.

Dados dos últimos 40 anos do governo peruano já mostram o impacto do degelo na agricultura e no modo de vida das pessoas que moram nas zonas mais próximas às geleiras.

“Antes eu caminhava duas horas e já alcançava a geleira. Mas agora, eu ando cinco, seis horas para chegar à ela. Nós pegamos toda a nossa água de lá, se o gelo desaparecer simplesmente não teremos mais água”, disse Maximo Juan Malpaso Carranza, agricultor da comunidade andina de Utupampa.

Mais de dois milhões de peruanos dependem diretamente da água coletada na chamada Cordilheira Branca. Porém, pesquisadores afirmam que essas montanhas já perderam 30% de suas geleiras desde 1970.

O próprio governo do país reconhece que precisa de ajuda para lidar com a situação, seja com a construção de reservatórios e represas ou com investimentos que melhorem a produção agrícola.

“Se o Peru e seus aliados não criarem projetos para conservar água, melhorar a infraestrutura e controlar o degelo nos próximos cinco anos, o desaparecimento das geleiras podem levar a um desastre social e econômico”, afirmou Alberto Hart, conselheiro de mudanças climáticas do Ministério de Relações Exteriores do Peru.

Para minimizar esse quadro, o governo peruano está tentando arrecadar junto à comunidade internacional US$ 350 milhões por ano até 2030.

No ano passado, o Peru recebeu US$ 30 milhões dos Estados Unidos em ajuda para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Porém, a maior parte desses recursos acabou destinada para as áreas de florestas do país.

O Banco Mundial já vem trabalhando com o Peru para monitorar o suprimento de água e implementar modificações na agricultura. Japão, Austrália e Suiça também ofereceram ajuda.

Mas o degelo dos Andes não afetará apenas o Peru, pois terá sérias consequências de forma direta na Bolívia e no Equador, onde cidades já convivem com a ameaça de enchentes relâmpago e seca. Os rios que formam a Bacia Amazônica também deverão sofrer, já que nascem na cordilheira. Todos os impactos do degelo ainda não estão claros e mais estudos deveriam ser incentivados pelos governos sul-americanos.

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) identifica a América do Sul como uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas. Além do degelo dos Andes, praticamente todo o litoral do continente está sujeito a fortes tempestades e enchentes, fenômenos extremos que põe em risco milhões de pessoas devido à densidade populacional e a ocupação desordenada nas cidades.

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Segunda, 17 Janeiro 2011 22:04

O preço de não escutar a natureza

naturezaPor Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora. A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver.

Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.

Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

* Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor, é professor emérito de ética da UERJ.

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toxicoPaís busca amparo legal e técnico para tratar os policloretos de bifenila (PCBs), compostos químicos poluentes que podem provocar câncer

Frederico Rosas, da PrimaPagina

O Brasil busca um arcabouço legal e técnico para tratar os policloretos de bifenila (PCBs), compostos químicos tóxicos, usados principalmente em sistemas elétricos, como transformadores. Signatário da Convenção de Estocolmo, que estabelece diretrizes contra a produção e o uso de substâncias poluentes, o país se compromete com a completa eliminação e destruição desses compostos até 2025.

O tratado assinado em 2001 na capital escocesa por 151 nações e territórios classifica os policloretos de bifenila (também chamados de bifenilas policloradas) entre os 12 poluentes orgânicos persistentes – isto é, que permanecem no ambiente por períodos muito longos e contaminam as cadeias alimentares. A OMS (Organização Mundial da Saúde), por sua vez, inclui os PCBs no grupo de substâncias que podem causar câncer.

As discussões sobre o arcabouço legal e técnico, como as realizadas na Oficina de Eliminação e Gestão de PCBs, organizada em novembro de 2010 pelo PNUD, em Brasília, tentam avaliar se as normas brasileiras sobre o assunto são suficientes para tratar os PCBs. Se ainda não forem, será preciso apontar saídas e novas regras para eliminar os policloretos de bifenila, como explica Zilda Maria Veloso, gerente de projeto de Resíduos Perigosos do Ministério do Meio Ambiente (na foto desta página, ao lado do consultor Paulo Fernandes, no encontro de Brasília).

Os especialistas analisam, entre as questões legais, dispositivos da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e resoluções do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), por exemplo. Na parte técnica, estão sendo verificadas metodologias para tratamento dos PCBs em laboratórios ou para capacitações de técnicos, entre outros fatores.

Os PCBs são produtos químicos que, na forma sólida e líquida, desempenham o papel de substâncias dielétricas (isolantes ou que não conduzem eletricidade), termicamente estáveis. Por isso, foram usados desde a década de 1930 em transformadores e capacitores de energia. Também eram largamente utilizados na composição de solventes, plastificantes e desinfetantes.

Aos poucos, foram surgindo pesquisas mostrando seus problemas para a saúde de humanos e animais.

Uma portaria interministerial proibiu no Brasil, em 1981, a fabricação e a comercialização do material. No entanto, Zilda afirma que essa norma não impediu legalmente a utilização dos policloretos de bifenila, sobretudo em geradores de energia e em hospitais e hotéis mais antigos. “Podem existir ainda hoje alguns estoques de PCBs puros, mas o que há muito mesmo são PCBs misturados com outros dielétricos”, avalia.

Para enfrentar o problema, o Brasil conta com o projeto BRA/08/G32, aprovado pelo GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente), mecanismo de cooperação internacional que ajuda a cobrir custos de iniciativas ambientais. A iniciativa, que consiste no estabelecimento da gestão de resíduos de PCBs, será executada ao longo de cinco anos pelo Ministério do Meio Ambiente através da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental agência executora, em parceria com o PNUD.

A principal forma de eliminar os PCBs é incinerar transformadores e outros equipamentos que utilizem a substância em sua composição. O CONAMA expediu, em 1994, uma resolução autorizando a exportação de PCBs, para facilitar a destruição do produto. A decisão foi motivada pela pouca capacidade instalada no país para dar um destino final razoável para os resíduos tóxicos e para o próprio óleo.

Fonte de doenças

O estudo Acúmulo de Policloretos de Bifenila na População da Grande São Paulo, divulgado por pesquisadores da Universidade de São Paulo em 1987, cita, entre os possíveis efeitos dos PCBs à saúde humana, aumento das incidências de câncer de pâncreas e de fígado, de cirrose hepática, melanoma e lesões difusas da pele e grau moderado de retardo mental.

Ainda de acordo com as fontes do estudo, republicado em diversos países, “a introdução dos PCBs no organismo humano se faz através do ar, da água, do solo e, especialmente de alimentos, tais como carne, leite, ovos, hortaliças, peixes, aves, etc”.

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Sexta, 07 Janeiro 2011 22:13

Um modelo de produção sustentável

PRODUO1Por Gil Anderi da Silva e João Amato Neto*

O debate a respeito das práticas sustentáveis nas empresas está cada vez mais intenso, envolvendo vários agentes sociais. Percebe-se, no entanto, certa carência de fundamentos científicos e de referenciais mais elaborados na discussão deste tema tão relevante para a vida das empresas e da sociedade.

Do ponto de vista dos efeitos provocados pela produção industrial no meio ambiente, em particular, há que se destacar conceitos muito relevantes, tais como o da Produção mais Limpa (P+L), Ecoeficiência, Análise do Ciclo de Vida (ACV), Sustentabilidade ao Longo da Cadeia de Suprimentos (Green Supply Chain), Logística Reversa, como sendo elementos fundamentais para a elaboração e execução de um plano de sustentabilidade nas empresas.

Neste artigo, destacamos alguns desses conceitos e suas aplicações em sistemas produtivos.

A prática da Produção mais Limpa (P+L) certamente contribui significativamente para o avanço no caminho da sustentabilidade. Tal prática se inicia no projeto e desenho dos produtos e busca direcionar o design para a redução dos impactos negativos do Ciclo de Vida, desde a extração da matéria-prima até a disposição final dos produtos. Já em relação aos processos de produção, a P+L orienta para a economia de matéria-prima e energia, a eliminação do uso de materiais tóxicos e a redução nas quantidades e toxicidade dos resíduos e emissões. Em relação aos serviços, direciona seu foco para incorporar as questões ambientais dentro da estrutura e entrega de serviços.

Hoje, no entanto, constata-se que uma mudança de patamar se faz necessária: a mudança para o patamar do Consumo mais Limpo. Esse conceito engloba o da P+L e vai além, para a etapa do consumo dos produtos e serviços, a qual inclui as atividades de distribuição, de comercialização, do uso propriamente dito e da destinação final dos produtos. A carência dessa evolução ficou explícita a partir do entendimento de que todas as atividades antrópicas, potenciais causas de todos os impactos ambientais, ocorrem visando ao atendimento das necessidades ou dos desejos da sociedade.

Considerando que todas as necessidades e todos os desejos da sociedade são atendidos por produtos e serviços, conclui-se que a busca pela minimização dos impactos ambientais deve incluir, obrigatoriamente, o percurso dos produtos a partir de sua produção. A trajetória dos produtos desde a extração dos recursos naturais necessários à sua produção, passando por todos os elos da cadeia produtiva e seguindo pela distribuição, comercialização, uso e destinação final é denominada de Ciclo de Vida dos Produtos. Neste contexto, fica claro que uma das vertentes para a consecução da sustentabilidade é o Consumo mais Limpo. Para “limpar” o consumo é preciso, inicialmente, identificar todas as “sujeiras” ao longo do ciclo de vida dos produtos e, a partir desse diagnóstico, estabelecer um programa de minimização de impactos abrangendo todas as fases desse ciclo.

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica da Gestão Ambiental que avalia, de forma quantificada, os efeitos que um produto provoca no meio ambiente, ao longo do seu ciclo de vida. Uma característica que diferencia a ACV de outras técnicas da Gestão Ambiental é a de que ela avalia os impactos ambientais associados aos produtos e pode também avaliar os impactos associados ao atendimento de necessidades e desejos da sociedade.

Como exemplo, pode-se citar a necessidade de “mobilidade dos seres humanos”. Essa necessidade pode ser suprida de inúmeras maneiras. A título ilustrativo se apresenta um exemplo: se deseja saber qual dos combustíveis – gasolina ou álcool – é mais agressivo ao meio ambiente. A primeira vista poder-se-ia pensar em fazer a comparação a partir dos estudos de ACV de cada um dos dois produtos; no entanto, do ponto de vista sistêmico, a validade maior seria a de comparar os resultados dos seguintes estudos de ACV: 1) “Deslocar quatro pessoas por 100 km em um veículo movido a gasolina” e, 2) “Deslocar quatro pessoas por 100 km em um veículo (o mesmo do caso anterior) movido a álcool”.

A aplicação de tais conceitos, aliados a uma decisão estratégica de considerar, além dos aspectos ambientais (planejamento de ações de conservação da biodiversidade, proteção da qualidade dos recursos hídricos, gestão ecologicamente racional dos produtos químicos tóxicos e dos rejeitos perigosos), os imperativos sociais (ações contra a pobreza, novas modalidades de consumo, ações de proteção e fomento à saúde humana, e ações contra a exploração do trabalho infantil e escravo, e, por outro lado, medidas a favor de condições decentes de trabalho) deverão nortear o futuro das empresas e organizações de sucesso no futuro próximo.

Trata-se, de fato, de uma ruptura de paradigma de produção e de consumo e de um processo permanente de aprendizagem, no qual todos os agentes sociais públicos e privados deverão estar conscientes e mobilizados.

*Gil Anderi da Silva é professor de engenharia química da Poli-USP e presidente da Associação Brasileira de Ciclo de Vida. João Amato Neto é professor de engenharia de produção da Poli-USP e vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Vanzolini

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Segunda, 03 Janeiro 2011 00:54

O elo entre o ontem e o amanhã

nevePor Dal Marcondes, da Envolverde

O Brasil viveu mais eventos climáticos extremos em 2010 do que em qualquer outro ano de sua história. O ano começou com a destruição da cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, por conta das chuvas. Avançou com as inundações no Nordeste, que atingiram de forma impiedosa populações de Alagoas e Pernambuco, mas que também castigaram outros Estados da região.

Foram meses de discussões entre as autoridades, principalmente em relação à capacidade dos Estados em atuar nessas tragédias ambientais. As estruturas de defesa civil demonstraram grande capacidade de superação e a solidariedade dos brasileiros de outros Estados tornaram menos sofridas as vidas de quem perdeu tudo.

No entanto, ficou claro que o País não pode mais depender de um modelo de defesa civil baseado em recursos locais para superar os eventos extremos que estão sendo cada vez mais frequentes.

Seca e queimadas

Há indícios de que os próximos anos vão surpreender as populações de quase todas as regiões com eventos climáticos dos mais díspares, como a seca na Amazônia, que baixa o nível dos rios e resseca a mata, criando condições para grandes incêndios florestais. E este ano o volume de queimadas na região foi recorde, maior do que a média entre 1998 e 2007, quando o fogo aumentou 59% na região. E esta situação coloca por terra todos os esforços do País para reduzir suas emissões de gases estufa.

Este ano, também, deixou uma marca de morte no Centro Oeste e Sudeste do País, com uma das mais prolongadas secas que a região já viveu. A umidade relativa chegou abaixo de 10% em muitos dias, o que levou aos hospitais milhares de crianças e idosos. Não houve um trabalho de divulgação sistemática dos atendimentos hospitalares e das mortes provocadas por essa situação, mas muitas notícias deram conta de óbitos e da lotação das emergências.

Ou seja, não houve região do Brasil que tenha ficado livre de problemas relacionados a eventos climáticos extremos. Da mesma forma que uma tempestade que despeja o volume de água esperado em um mês em apenas uma tarde, a seca por meses a fio também é um evento extremo.

No Ano Internacional da Biodiversidade é preciso lembrar que a vida na Terra é um evento de milhões de espécies, e não apenas de humanos, e que o clima muda para todos. Enquanto a humanidade tem a presunção de usar a ciência e a tecnologia para mitigar os efeitos sobre as populações, nos últimos 15 anos aumentou em três vezes o número de espécies em risco de extinção e algumas já são consideradas extintas na natureza.

Desertificação

No Nordeste, aumenta grandemente o risco de desertificação do semiárido, com graves consequências para a segurança alimentar da região. Para minimizar os impactos das mudanças climáticas sobre a sociedade e a economia brasileira será preciso investir forte em dois setores.

O primeiro é o fortalecimento da capacidade de resposta das organizações de defesa civil, criando, talvez, uma Defesa Civil Nacional, capaz de mobilizar recursos das forças armadas e de corporações estaduais e, também, fazer um sistemático mapeamento das áreas de risco e tomar providências para minimizá-los.

Na outra ponta, é preciso investir forte na transformação da economia brasileira em uma economia de baixo carbono. Para isso será preciso aplicar cerca de US$ 20 bilhões por ano até 2030, de acordo com uma pesquisa elaborada pelo Banco Mundial. Somente o setor energético terá de investir US$ 7 bilhões por ano para manter uma matriz de geração limpa, hoje baseada principalmente em hidrelétricas, mas que precisa incorporar energia eólica e solar. E isso representa imensas oportunidades de negócios.

A situação presente do Brasil é mais favorável à transição para uma nova economia, baseada em produção de biomassas para energia, alimento e indústria do que qualquer outro país do mundo. A Nação vive o elo entre o ontem, que se baseou em crescimento econômico às custas de exportação extrativista e de produtos primários, e o amanhã, que pode ser baseado em uma economia com forte enfoque em serviços, cultura, biodiversidade e tecnologias limpas. A atual geração é o elo entre estes dois modelos de desenvolvimento, com escolhas claras a serem feitas e com um potencial de riquezas a serem exploradas. As fórmulas do passado não servem mais, e as soluções do amanhã esperam para serem implantadas.

O País não pode mais depender de um modelo de defesa civil baseado em recursos locais para superar os eventos extremos cada vez mais frequentes.

A situação do Brasil é mais favorável à transição para uma nova economia, baseada em produção de biomassas para energia, alimento e indústria.

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Terça, 28 Dezembro 2010 15:10

Cidades que não destroem a floresta

cidadeLimpar a ilegalidade a cadeia de produção de madeira, que rege sua retirada da Amazônia, dá trabalho. Mas também dá resultados positivos quando o governo compra a causa.

Do Greenpeace

O governo de São Paulo fechou as portas do Estado para madeira ilegal. A cidade de Americana, no interior paulista, há três anos incluiu como critério de compra nas licitações municipais a madeira de origem legal. São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, construiu a primeira obra pública realizada totalmente com madeira certificada pelo FSC, que segue parâmetros sociais e ambientais.

Esses são alguns exemplos de sucesso do programa "Cidade Amiga da Amazônia", que cresceu tanto a ponto de englobar também Estados. São também amostras de que é possível construir parcerias positivas para coibir a exploração injustificada da Amazônia.

Durante cinco anos, prefeituras e governos trabalharam com o Greenpeace para criar uma legislação municipal e eliminar a madeira de origem ilegal e de desmatamentos criminosos de todas as compras municipais. Governos estaduais e municipais têm uma grande responsabilidade em provocar uma mudança no consumo de madeira pela administração pública, pois respondem por um terço desse mercado no Brasil.

A floresta amazônica vira diversos tipos de produtos como móveis, forros, pisos, esquadrias e casas pré-fabricadas. O setor de construção civil também usa muita madeira na fundação e estruturação das obras, para marcar e nivelar o terreno, nas formas de concreto e também em acabamentos como portas e janelas.

Antes de o Greenpeace chamar a atenção para o problema, muita madeira amazônica era retirada de forma ilegal e predatória, pois é mais barato assim. Afinal, quem não segue a lei não paga impostos, remunera mal os empregados e comumente invade áreas públicas ou protegidas, ação promovida por grileiros e madeireiros mal-intencionados para conseguir matéria-prima. Essa madeira extraída de forma irregular é muito menos custosa do que a produzida em planos de manejo sustentável, que demandam conhecimento técnico, documentação regular e responsabilidade social.

Assim, a madeira de origem ilegal domina o mercado por conta da abundância e do preço baixo, e quem compra esse produto é conivente com a ilegalidade. Ao participar de um projeto que visa a limpar a cadeira de produção, prefeituras e governos estaduais contribuem de forma concreta para mudar esse quadro. É o mercado consumidor fazendo a sua parte para garantir um futuro para a maior floresta tropical do planeta e condições decentes de sobrevivência aos seus 20 milhões de habitantes.

Os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Acre já aderiram, além de 32 cidades incluindo as capitais Fortaleza (CE), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Hoje, o programa Cidade Amiga Amazônia está sob a guarda da Fundação Getúlio Vargas, que ampliou sua atuação e abrangência. No site da Rede Amigos da Amazônia (www.raa.org.br), é possível conferir se sua cidade aparece na lista de lugares que protegem a floresta. Se ela não está lá, leve a questão para a prefeitura e exija respostas concretas.

 

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sacola

Por Leticia Freire, do Mercado Ético

O lixo é um dos maiores problemas ambientais da atualidade. Os moldes de consumo adotados por boa parte das sociedades modernas provocaram o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido no planeta. Em meio a esse cenário está um dos grandes vilões: o plástico.

Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), são consumidas no Brasil cerca de 12 bilhões de sacolinhas por ano. Dessas, 80% viram lixo, levando mais de mil anos para se decompor. Mas não são apenas essas embalagens que tem destinação final o estrago da natureza. Segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês), os produtos plásticos, como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres, formam a maior parte do lixo encontrado no oceano. Em algumas regiões, esse elemento corresponde a 80% do lixo marinho.

Do mito à realidade dos biodegradáveis

Na tentativa de minimizar a pegada, alguns fabricantes adicionam amido ou celulose à mistura de plástico para, assim, acelerar o processo de decomposição de certas embalagens. Mas será que essa biodegradação soluciona mesmo o problema?

A resposa é não! “O título biodegradável não garante nada para absolutamente nada”, avisa Silvia Rolim, engenheira química e assessora técnica da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, uma organização de referência nacional no que diz respeito a assuntos ligados ao plático. “Evidentemente, é melhor optar pelos biodegradáveis, mas a presença de amido ou celulose não é uma garantia de decomposição em ambientes sem luz e oxigênio”, explica ela.

De acordo com a engenheira, o plástico biodegradável requer condições específicas para decompor-se adequadamente. Seu descarte de forma inadequada pode torná-lo tão nocivo para o meio ambiente quanto o plástico convencional. “Até mesmo uma casca de banana quando jogada fora em condições erradas necessita de um a três anos para se biodegradar. A natureza não faz mágica”, complementa Silvia.

Eles se biodegradaram, e agora?

Mas mesmo no caso dos plásticos biodegradáveis, resta saber no que o material se transforma depois da decomposição. Essa dúvida fez a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarar que não se pode afirmar que o uso de plásticos biodegradáveis é mais aconselhável, porque esse novo material pode ocasionar novas formas de contaminação ao solo.

Para Silvia Rolim, a solução integral depende da eficiência da nova política pública nacional de resíduos sólidos e de uma intensa participação das empresas nesse processo. “Qualquer política de resíduos sólidos, isso inclui a utilização ou não de plásticos biodegradáveis, depende de coleta adequada e destinação correta desses resíduos”, reforça a engenheira.

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Segunda, 20 Dezembro 2010 02:55

Os economistas e o tema da sustentabilidade

sustentabilidade-economicaPor Marcus Eduardo de Oliveira*

Crescer, distribuir, sustentar…continuar a crescer sem agredir o meio ambiente. Esse é o desafio mais premente dos dias que correm. Isso é possível ou é utopia? O que não é possível é fazer uma economia crescer sem produzir na esteira desse acontecimento impacto ambiental e emissão de gás carbônico. Nos últimos cem anos da história do mundo, a produtividade aumentou significativamente, prosperou o capitalismo, diversificou-se a capacidade produtiva. No entanto, elevaram-se consideravelmente as emissões de carbono.

Contudo, é sabido que nenhuma população e nenhum padrão de vida elevado se sustentam indefinidamente. Em algum momento, os limites vão surgir. Quais são esses limites diante do mais urgente desafio de construir uma economia de baixa emissão de carbono?

Um primeiro limite a ser considerado é de ordem conceitual. É necessário entender que a economia não pode conquistar tudo e todos. Se desejamos medir desempenho econômico pelas lentes exclusivas da ciência econômica, ao menos duas variáveis precisam ser consideradas: 1. O aumento da renda per capita e familiar e, 2. A possibilidade de assegurar a continuidade da vida.

A primeira variável é de conhecimento de qualquer economista. Já a segunda, os economistas – com raras exceções – tem tido certa dificuldade em assimilar tal prerrogativa, uma vez que é comum alguns economistas ignorarem as leis da natureza, assim como os ecologistas tendem, do seu lado, a não considerar os mecanismos econômicos.

Conquanto, desenvolvimento, no dicionário da vida, significa, grosso modo, organizar socialmente a economia para efetivar-se o acesso ao mínimo indispensável para bem viver. É imperioso, nesse aspecto, enfatizar que por trás da idéia de desenvolvimento encontra-se nitidamente o objetivo precípuo da ciência econômica: atingir bem-estar. Definitivamente, o que importa em matéria de qualidade de vida e de economia social e ambiental saudáveis e responsáveis não é um crescimento quantitativo, mas sim qualitativo.

Um segundo aspecto conceitual que decorre do ponto em que estamos discutindo diz respeito a não mais obedecer cegamente a ordem que impera na macroeconomia. Enquanto a ordem da macroeconomia é crescer, a ordem da ecologia é viver sem sobressaltos, sem ameaças.

A lei básica dos compêndios macroeconômicos é buscar o aumento incessante do consumo. Já a receita ecológica é mais simples, porém é objetiva: respeitar as leis da natureza para assegurar a possibilidade da vida.

É mister entender que um sistema econômico para promover qualidade de vida não necessariamente precisa aumentar de tamanho. Não há magia nisso. O que deve ocorrer é planejamento.

Logo, isso não fere mortalmente os objetivos daquelas economias que ainda encontram-se atrasadas em matéria de desenvolvimento, cuja maioria da população passa privacidade nos termos mais básicos para a melhoria de vida e que precisam ver prosperarem a capacidade produtiva para a promoção do resgate dos mais necessitados.

Em muitos casos, melhoria da qualidade de vida passa pela idéia da distribuição do que já está produzido, rompendo, para isso, com a erva daninha da concentração. Não necessariamente passa, portanto, por produzir mais, mas sim por desconcentrar o que está em poucas mãos.

Já do lado das economias mais ricas, os limites esbarram nas ações individuais e coletivas fortemente arraigadas à uma ditadura do consumo conspícuo. Será tarefa dificílima mudar paradigmas estabelecidos, não há dúvidas disso.

Um impedimento do que estamos mencionando encontra-se na própria dinâmica do capitalismo. Enquanto essa estiver, sobremaneira, balizada na criação de necessidades materiais, muitas vezes de cunho puramente artificial, será difícil levar à prática comum de que a economia apresenta limites para essa continuidade desenfreada que corre às soltas no mercado consumidor. Sempre haverá alguém disposto a defender a idéia de que o planeta, pelo lado do conhecimento tecnológico, num belo dia qualquer, dará conta de todas as necessidades materiais.

Os que assim pensam são categóricos: é necessário fazer a economia crescer; é imperativo que a prosperidade se expanda, pois há de se resgatar os que ainda se encontram abaixo das linhas de pobreza e indigência. Infelizmente, esses são os que mais ignoram as leis da natureza.

Esses, certamente, não sabem que não é o planeta que está em perigo, mas a nossa raça. Se alguém um dia irá acabar, seremos nós, e não o planeta que saberá viver sem seus (nós) moradores incômodos. Os que ignoram a problemática ambiental, não se dão conta que a atmosfera do planeta está abafada, segundo dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), por um manto de gás com 800 bilhões de toneladas de carbono. Não se dão conta ainda de que isso provocará, até 2030, a elevação da temperatura em mais 2° C. Os apedeutas insistem em dizer que isso se trata de retórica; os sábios estão conscientes de que se trata de catástrofe.

Por fim, esses que ignoram a questão ambiental e fazem coro à perspectiva de que crescendo iremos por fim às dificuldades sociais, se equivocam ao não olhar o histórico do país. Por qualquer régua que se meça, nosso histórico é de muito crescimento, mas de pífio desenvolvimento social coligado a um profundo desrespeito para com a questão ambiental. De minha parte, tenho dúvidas se a intelligentsia brasileira entendeu corretamente o significado e a abrangência dos termos desenvolvimento econômico e social e preservação ambiental.

Nos últimos cem anos o PIB brasileiro cresceu quase 150 vezes, mas, em pleno século XXI, em que pese consideráveis avanços patrocinados pelo governo que ora fecha suas portas, ainda se contam 30 milhões de famintos num país dono do maior rebanho bovino do mundo.

Em decorrência desse crescimento sem desenvolvimento com agressão ambiental, apenas nos últimos 40 anos, 18% da Floresta Amazônica foi destruída. Essa patologia ambiental dos últimos anos, responsável por 75% da emissão de gás carbônico, decorre do desmatamento. Moral da história: fizemos a economia crescer, melhoramos a vida de uns poucos e relegamos 15% de nossa gente a uma condição de vida miserável. Na somatória dos fatos, ainda “matamos” quase 20% da nossa Floresta. Quem está em perigo mesmo?

* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, especialista em Política Internacional e mestre em Integração da América Latina (USP). Professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo. Articulista do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola), além do jornal Diário Liberdade (Galiza). Contatos: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , twitter.com/marcuseduoliv e http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot

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Quinta, 16 Dezembro 2010 14:24

Do PDF ao WWF

wwf1Da Redação Página 22

A organização WWF acaba de desenvolver uma ferramenta para impedir aquela impressão desnecessária, muitas vezes vítima de um clique desavisado ou do simples hábito de imprimir coisas. Trata-se de um formato específico de arquivo que não permite que o documento seja encaminhado à impressora.

Para usar o formato WWF, basta baixar e instalar um pequeno programinha. Na hora de salvar os arquivos, a opção “Save as WWF” aparecerá como uma das alternativas - o processo é parecido ao do PDF. O software também conta com versões em espanhol, françês e alemão.

Ao final de cada um dos textos salvos como WWF, é inserida uma página explicativa sobre os propósitos do novo formato. A função pode ser desativada a qualquer momento, mas serve para que os usuários de primeira viagem sejam incentivados a adotá-lo.

“Papeis são indiscriminadamente usados para imprimir documentos no mundo inteiro: páginas de websites, e-mails ou mesmo livros inteiros”, afirma a organização. Hoje, cerca de metade das árvores cortadas no mundo são destinadas à fabricação de papel.

O software é gratuito. Assista ao vídeo explicativo do recurso (em inglês) clicando em http://www.youtube.com/watch?v=MzY4SGgEB7g&feature=player_embedded

 

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