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Quinta, 16 Dezembro 2010 02:10

Cresce número de consumidores conscientes

consumoPor Rogério Ferro, do Akatu

Entre 2006 e 2010, manteve-se em 5% o percentual da população brasileira que adere a valores e comportamentos mais sustentáveis de consumo. São os chamados consumidores conscientes. Considerando-se o aumento populacional nesse período, houve, entretanto, um crescimento de cerca de 500 mil consumidores conscientes.

Os dados são da pesquisa inédita “O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente o Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial. Pesquisa 2010”, realizada e apresentada pelos institutos Akatu e Ethos, nesta semana, em São Paulo. O levantamento foi feito com o patrocínio de Bradesco, Faber Castell, Santander e Walmart e executada pela GfK.

“A manutenção significativa dos níveis mais altos do consumo consciente é um dado bastante positivo, principalmente porque parte das informações foi coletada durante o terceiro trimestre de 2010, quando se registrou o maior crescimento econômico dos últimos anos no país”, considera Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. “O mais importante é que as práticas sustentáveis não foram abandonadas devido ao aumento dos benefícios financeiros”, completa.

Jorge Luis Numa Abrahão, presidente do Instituto Ethos, ressaltou os esforços desenvolvidos no Brasil para a construção da sustentabilidade. “O entendimento do comportamento do consumidor é fundamental nesse processo e, aqui no Brasil, é notável a consistência dos esforços nesse sentido em relação a outros países do mundo”, defende Abrahão. “Este levantamento serve como trânsito para uma economia verde e responsável”.

“Há um movimento grande de crescimento da população consumidora no Brasil, mas ela é acompanhada do crecimento de um perfil crítico e exigente, por isso a importância de estudos como este”, afirma Lincoln Cesário Fernandes, gerente da Responsabilidade Socioambiental do Bradesco, apoiador estratégico do Akatu. “Os consumidores não olham apenas para o produto, mas para a empresa como um todo. Há 10 anos não era assim”, completa Sandro Marques, gerente executivo de Desenvolvimento Sustentável do Santander, apoiador estratégico do Akatu.

Para Elaine Mandando, gerente de Marketing da Faber Castell, apoiador benemérito do Akatu “as informações disponibilizadas pela pesquisa aceleraram o movimento em direção a um mundo mais sustentável”. Daniela De Fiore, vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Walmart Brasil, apoiador estratégico do Akatu, disse que “a pesquisa é uma contribuição única para o entendimento entre empresas e consumidores para a busca de um crescimento sustentável”.

Consumidores “indiferentes” - De acordo com a pesquisa, cresceu em 12 pontos percentuais (de 25% para 37% do total) o segmento de consumidores mais distante destes valores e comportamentos, o grupo dos consumidores chamado de “Indiferente”.

A maior queda foi registrada em comportamentos ligados à economia e ao planejamento. Práticas como evitar deixar lâmpada acesa em ambientes desocupados, que eram realizadas por 77% da população brasileira em 2006, hoje é praticado por 69%. O planejamento de compras de alimentos é pratica por 48% da população, há quatro anos, esse comportamento era adotado por 55% da população.

“Cresceu o número da população com poder aquisitivo no Brasil nos últimos anos e esse fator interfere diretamente na avaliação dos comportamentos de consumo”, explica Aron Belinky, consultor do Instituto Akatu, que fez a apresentação da pesquisa.

Além disso, o termo Sustentabilidade desperta muito pouco interesse na população, além de ser um assunto mais abstrato e, portanto, mais difícil de ser compreendido e transformado em prática do dia-a-dia, 56% dos consumidores nunca ouviram falar em Sustentabilidade.

Consumidores premiam empresas mais responsáveis e punem as menos responsáveis. Eles repudiam a propaganda enganosa e o tema que mais conta pontos positivos são as relações de trabalho: 80% dos consumidores apontam o desenvolvimento de alguma ação ligada à dimensão “Direito das Relações de Trabalho” como importante para que uma empresa seja considerada socialmente responsável.

A pesquisa ouviu 800 mulheres e homens, com idade igual ou superior a 16 anos, de todas as classes sociais e regiões geográficas do país, nas seguintes localidades: regiões metropolitanas (Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém), capitais (Goiânia e Manaus) e Distrito Federal.

Veja a pesquisa completa e o resumo de conclusões.

Esta publicação integra a série sobre Responsabilidade Social e se soma à pesquisa “Práticas e Perspectivas da RSE no Brasil – 2008”, aos relatórios sobre “Percepção da RSE pelo Consumidor Brasileiro” (seis publicações, começando em 2000), e aos relatórios das pesquisas Akatu nºs 3, 4, 5, 6, 7 (desde 2003), todos disponíveis aqui.

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Produzido pelo Vitae Civilis com apoio da Oxfam, o vídeo Mulheres que fazem a diferença lança um novo olhar sobre a delicada e intrínseca relação entre clima e consumo. Por meio de depoimentos de mulheres que residem áreas urbanas, novas luzes são lançadas sobre a questão, ilustrando como é possível equilibrar qualidade de vida e cuidado com o meio ambiente. Esse olhar feminino que muda a realidade para minimizar seu impacto sobre o planeta é exemplificado por meio de 4 criativas iniciativas de mulheres residentes em São Paulo - as quais provam que é possível, sim, conciliar progresso e preservação ambiental.

www.youtube.com/vcivilis

Assista ao vídeo no canal do Vitae Civilis no youtube 

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Segunda, 06 Dezembro 2010 15:32

Acesso livre à biodiversidade

bio1O conhecimento produzido no Brasil sobre a sua biodiversidade ganhará mais visibilidade. O motivo é o Portal BHL ScieLO (http://biodiversidade.scielo.br), que disponibiliza com acesso livre milhares de obras, artigos, mapas e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira.

Lançado oficialmente na semana passada, o serviço é parte do projeto “Digitalização e publicação online de uma coleção de obras essenciais em biodiversidade das bibliotecas brasileiras”, conduzido pelo programa SciELO, biblioteca eletrônica virtual de revistas científicas mantida pela FAPESP em convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O projeto conta com a participação do programa Biota-FAPESP, da Biblioteca Virtual do Centro de Documentação e Informação da FAPESP, do Ministério do Meio Ambiente, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo.

De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do programa SciELO, a BHL SciELO possibilitará o fortalecimento da pesquisa científica em biodiversidade.

“O Brasil tem uma produção científica de destaque nessa área, mas que hoje assume também uma dimensão política e econômica internacional com todas as discussões sobre mudança climática e preservação de espécies”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Packer, o novo portal já reúne volume suficiente de arquivos para atender às demandas de pesquisadores e demais interessados. “Contamos até o momento com cerca de 110 mil registros digitalizados: artigos, mapas e obras de referências históricas da biodiversidade brasileira”, explicou.

O portal integrará a rede global The Biodiversity Heritage Library (BHL), consórcio que reúne os maiores museus de história natural e bibliotecas de botânica no mundo, como a Academy of Natural Sciences e o American Museum of Natural History, nos Estados Unidos, e o Natural History Museum, na Inglaterra.

“A Austrália acabou de entrar e, agora, tanto a BHL Brasil como a BHL China farão parte dessa rede mundial que já conta com cerca de 130 mil obras e mais 32 milhões de páginas digitalizadas”, dise Packer.

No Brasil, a rede será composta por instituições como Biblioteca Nacional, Museu Nacional, Jardim Botânico do Rio Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Butantan, Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), Bireme, Fundação Zoobotânica, Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, Museu Paraense Emílio Goeldi e a USP.

“O objetivo é seguir o mesmo modelo da SciELO com a modalidade de acesso aberto com múltiplos sistemas de busca e indicadores bibliométricos, que tem propiciado maior visibilidade à produção científica dos países em desenvolvimento, principalmente os localizados na América Latina e Caribe. A ideia da BHL SciELO é que se estenda também para a América Latina”, contou Packer. O portal também traz notícias da Agência FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP.

Produção brasileira

Ao levantar dados sobre a produção científica brasileira na área de zoologia, Rogério Meneghini, coordenador científico do Programa SciELO, disse ter ficado surpreso com a posição do Brasil na produção de artigos na área.

Com base no cruzamento de informações da Web of Science, base de dados da empresa Thomson Reuters, foram produzidos no mundo, entre 2007 e 2008, 23.903 artigos em zoologia. “O que mais chama a atenção é que o Brasil fica na quarta posição com 1.762 artigos, perdendo apenas para os Estados Unidos (7.649), Japão (2.233) e Inglaterra (1.762)”, disse.

Meneghini está concluindo a pesquisa “Projeto para avaliação do impacto de programas brasileiros de ciência e tecnologia”, que tem o apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Outro destaque do estudo é que, entre as instituições globais de pesquisa na área de zoologia, a USP é a primeira da lista, seguida das academias de ciência da Rússia e da China e da Universidade de Kyoto, no Japão. “Existem áreas em que a produção brasileira está competindo em pé de igualdade. Um exemplo é a zoologia”, disse, destacando a Revista Brasileira de Zoologia.

Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, falou da experiência do Programa e novos desafios na nova fase do programa. Segundo ele, uma das frentes é disponibilizar dados sobre as pesquisas.

“A linha de base do Biota foi a publicação de sete volumes temáticos e da revista Biota Neotropica, do Atlas e também do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota), que tiveram a função de mapear e divulgar o que já está disponível para a sociedade, governos e demais pesquisadores”, disse.

Em pouco mais de dez anos, o Biota contabilizou cerca de 113 mil registros, sendo 12 mil de espécies. “Um dos desafios agora é entender como a biodiversidade produz elementos e componentes químicos que podem ser patenteados e associados à cadeia produtiva existente na sociedade, mas ainda precisamos reunir mais dados”, disse ao falar do Biota Prospecta.

Participaram também do lançamento do portal Sueli Mara Ferreira, diretora do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP, que falou dos desafios do acesso aberto na universidade, Dora Ann Lange Canhos, do Cria, que contou sobre a experiência da Lista de Espécies da Flora do Brasil, e Tiago Duque Estrada, gestor executivo do Biota-FAPESP na Universidade Estadual de Campinas, que falou das publicações do programa, da revista Biota Neotropica e do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota).

BHL ScieLO: http://biodiversidade.scielo.br

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aguanaoca292Mostra ficará aberta para visitação no prédio da Oca do Ibirapuera até maio de 2011

 Por Rogério Ferro, do Akatu

Sem água, não há vida. O recurso é tão fundamental para a existência humana e de todos os organismos vivos que representa 94% de um feto de cinco meses, ou então, 91% de um alimento saudável como o brócolis. Mas é finito. “Expusemos esses dados porque, acima de tudo, eles celebram a água e, portanto, a vida”, afirma Marcello Dantas, curador da Exposição Água na Oca, que ficará aberta para visitação até o dia 8 de maio de 2011, no prédio da Oca do Ibirapuera, em São Paulo.

A mostra tem origem na exposição “Water: H2O = Life”, apresentada em 2007, em Nova Iorque. No Brasil, o evento é realizado pelo Instituto Sangari, com a contribuição do Akatu, que forneceu conteúdos para a mostra.

 “A exposição enfatiza o que a água representa para os brasileiros, que são os detentores do maior manancial do globo”, afirma Ben Sangari, presidente do Instituto Sangari.

No local, projeções e efeitos visuais e sonoros foram montados propositalmente para causar sensações de contato direto com a água e, ao mesmo tempo, conscientizar o público sobre o consumo consciente do recurso. O evento aborda as primeiras conquistas da exploração científica das profundezas dos grandes mares, exibindo espécies raras em formato de vídeos e fotos e, a partir desses elementos, promove uma discussão sobre os efeitos da pesca predatória, a poluição das águas, o desperdício do recurso, entre outros.

Os estados e o ciclo da água, bem como os problemas relacionados à qualidade e à disponibilidade desse recurso nas sociedades e nos ecossistemas mundiais também são abordados na exposição.

Evitar seis descargas desnecessárias, por exemplo, resulta em uma economia de água suficiente para um banho, mostra um dos dispositivos interativos da mostra. “A questão da sustentabilidade é uma das abordagens da amostra, que é bem mais ampla. Trouxemos informações que esperamos serem capazes de provocar reflexões sobre a importância de tratar esse recurso com o carinho que ele merece” explica Dantas.

“É fundamental que eventos grandiosos como este se proponham a levar a mensagem do consumo consciente para os consumidores”, afirma Camila Mello, gerente de mobilização comunitária do Akatu. “Queremos que todos saibam que ameaçar a existência desse recurso, é ameaçar a nossa própria existência”, completa.

“Tenho 38 anos, adoro arte e já visitei muitas exposições aqui no Brasil e em outros países também. Nunca imaginei que seria possível fazer uma exposição sobre algo tão essencial para nós”, conta a arquiteta Júlia Washington. “Todos que visitarem a exposição vão sair daqui respeitando um pouco mais a água”, aposta a professora de música, Ana Liz Varca, 31 anos.

Na exposição, a representação de uma realidade que faz parte da vida cotidiana de muitos brasileiros, revela a força da fúria da água: uma casa construída na base de madeira e papelão, erguida em local impróprio sofre risco de desabamento devido à chuva forte. “É uma mostra integralmente concebida no Brasil e para o Brasil”, explica Dantas.

Segundo a organização do evento, todos os 15 mil litros de água usados para montar a exposição, serão reaproveitados.

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agriPor Francisco Roberto Caporal

As últimas décadas do século passado, assim como este início do Século XXI, ficarão registradas na nossa história como um período de quebra de paradigmas, diante da constatação de que vivemos na encruzilhada de uma crise civilizatória. As “verdades absolutas” que orientam nossas estratégias de desenvolvimento e desenvolvimento rural estão se “desmanchando no ar”.

Já não encontram sustentação na realidade empírica. Os novos desafios impostos pela crise civilizatória em que estamos imersos decorrem justamente dos equívocos que as sociedades cometeram ao eleger os seus caminhos na busca de progresso. Hoje vivemos momentos de absoluta insegurança com respeito aos nossos estilos de vida e de consumo. As estratégias de desenvolvimento agrícola e rural adotadas em nosso país, mostraram-se insuficientes.

Prova disso pode ser obtida na análise dos estudos sobre exclusão e diferenciação social no campo, além de um êxodo rural continuado ao longo de meio século. Ademais, continuamos com uma das maiores concentrações da posse da terra do mundo e seguimos destruindo em marcha acelerada todos os nossos biomas. Todos! Mesmo assim, continua hegemônico o modo de produção agropecuário baseado nos pacotes da Revolução Verde, nas monoculturas, na ampliação da escala e intensificação da produção, com apoio da pesquisa oficial, da extensão rural estatal e de sucessivos planos-safra.

Enquanto isso, milhões de famintos esperam pelas promessas da Revolução Verde, da modernização agrícola e do progresso. Onde erramos? Do aquecimento global à contaminação do rio ou do córrego perto de nossa casa, tudo leva a crer que erramos em algum lugar. Entretanto, a resposta ecotecnocrática, implementada através de políticas públicas, mesmo quando dizem orientar-se pelo conceito de desenvolvimento sustentável, continuam seguindo o mesmo receituário: aumentar a produção, a produtividade, o gasto energético e o consumo, a qualquer custo.

Embora se tenha notícias sobre a contaminação de todos nossos alimentos, a agricultura brasileira continua baseada no pacote tecnológico agroquímico, agravado com a introdução dos transgênicos (Organismos Laboriatorialmente Modificados), sem sequer respeitar o Princípio da Precaução. Ao mesmo tempo, seguimos na mesma trajetória de destruição de recursos naturais, sem lembrar que o desenvolvimento para ser sustentável deve basear-se em princípios que regem numa solidariedade diacrônica pautada pela defesa das condições de vida digna das futuras gerações.

Ao contrário desta triste trajetória do desenvolvimentismo, baseada na modernização tecnológica, vimos emergir novas e mais potentes estratégias. Por um lado, redescobrimos na heterogeneidade do mundo rural a existência de um “ator social e político” fundamental, que se poderia identificar genericamente como “agricultura familiar camponesa”.

Ainda que o mundo dos conceitos e seus usos possa nos levar a muitas divergências acadêmicas sobre o significado deste ator, o que aqui interessa é destacar que, nos últimos anos, estamos nos dando conta de que este segmento do mundo rural tem se tornado decisivo para que o Brasil possa almejar, no futuro, um desenvolvimento mais sustentável. Os dados do último Censo Agropecuário, de 2006, apenas reforçam esta tese.

A agricultura familiar camponesa, com toda a sua diversidade, é responsável não só pela produção da maior parte dos alimentos que consumimos em todas as regiões do país, como pela existência de um tecido social capaz de dar dinamismo a estratégias econômicas locais/regionais de desenvolvimento.

É este o setor responsável, também, pela manutenção de uma paisagem mais preservada e mais biodiversa, como se almejaria se buscamos o tal de desenvolvimento sustentável, presente nos discursos. São mais de 4,3 milhões de unidades familiares de produção e poderiam ser muitos milhões a mais se realmente nosso país viesse a realizar uma “reforma agrária integral”, como prometeram os sucessivos Planos Nacionais de Reforma Agrária. Diante destes cenários, felizmente, estamos vendo ruir alguns dogmas como o da neutralidade da ciência, ou a fé religiosa que leva a crer que toda e qualquer tecnologia trará felicidades para todos nós.

Mas, infelizmente, os formuladores de políticas públicas estão sendo os últimos a se darem conta de que a humanidade, as sociedades, a ciência, já não percorrem um mesmo, unidirecional e indiscutível caminho. A quebra de paradigmas nas ciências exatas ou nas ciências sociais tem caracterizado o mundo pós-moderno. Já não podemos seguir agarrados aos velhos paradigmas mesmo porque foram eles os responsáveis pela crise civilizatória atual, em todas as suas dimensões: crise da fome, crise dos alimentos, crise social, crise econômica e crise ambiental.

Entretanto, ainda estamos longe de alcançar um ponto de equilíbrio no qual as políticas públicas destinadas a apoiar o desenvolvimento rural e agrícola passem a ser orientadas pelos paradigmas emergentes. A Agroecologia, por exemplo. Não há políticas que adotem um enfoque holístico e uma abordagem sistêmica como requereria a busca por mais sustentabilidade no meio rural.

Em geral, as políticas não consideram a diversidade do mundo rural e da agricultura familiar camponesa, com suas distintas culturas, saberes e estratégias de desenvolvimento local, endógeno. Desconsideram, também, que as famílias rurais são atores sociais que têm o direito inalienável de serem sujeitos de suas próprias histórias e, portanto, as políticas carecem de instrumentos capazes de fortalecer o empoderamento das comunidades rurais.

Cabe á sociedade civil organizada continuar a luta por novas e mais inovadoras propostas e estratégias de desenvolvimento rural. Para isso, é necessário reinventar políticas, rever os paradigmas que orientam as velhas políticas e estabelecer critérios de avaliação que considerem as dimensões socioeconômica, culturais e ambientais da sustentabilidade e que, ao mesmo tempo, tenham com prioridade o apoio à agricultura familiar camponesa e a sua ampliação numérica através da redistribuição da propriedade da terra.

O autor é engenheiro agrônomo, doutor pelo programa de Agroecologia Campesinado e História da Universidade de Córdoba (Espanha), professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco e presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).  Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

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Quarta, 24 Novembro 2010 19:51

Cine Ambiente tem inscrições prorrogadas

cie3As inscrições para o o Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Micrometragem, do Gênero Animação, com a temática “Consumo Sustentável e Biodiversidade” – Cine Ambiente  foram prorrogas até o dia 26 de novembro deste ano.

O edital – que vai apoiar a produção de dez obras cinematográficas, com orçamento individual no valor de até R$ 20 mil cada, com duração de um minuto – é uma iniciativa do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, e o Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

A ideia é despertar na sociedade um olhar crítico, estimulando a busca de soluções e novos comportamentos sobre a questão socioambiental, contribuindo também para a produção de campanhas televisivas sobre a temática. A principal janela de exibição será no circuito Tela Verde do MMA e as TVs públicas.

Confira a portaria http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=23/11/2010&jornal=1&pagina=15&totalArquivos=120.

Para se inscrever, os concorrentes deverão apresentar suas propostas mediante a entrega de:

  *   Requerimento de Inscrição;

 *   Projeto Técnico de Curta-Metragem de Animação;

 *   Currículo do diretor;

 *   Autorização de Cessão de Direitos Autorais, quando o roteiro for desenvolvido a partir de obra de terceiro;

 *   Autorização de uso de arquivos de imagens e/ou sons, cujo titular de direitos patrimoniais não seja o proponente;

 O Requerimento de Inscrição deverá ser remetido impresso e assinado pelo diretor e/ou produtor concorrente, acompanhado dos documentos citados acima, e seis vias do Projeto Técnico de Micrometragem de Animação para o seguinte endereço:

CAIXA POSTAL Nº 09668

CONCURSO CINE AMBIENTE

BRASÍLIA – DF / CEP: 70040-976

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ceramicaA Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) lança nesta quarta-feira (24) o guia "O Setor Ceramista e o Meio Ambiente", com orientações sobre licenciamento ambiental para o setor. Será durante o Fórum de Sustentabilidade do Setor Cerâmico, que iniciou durante a tarde e segue até às 20h. Durante o encontro também haverá palestra sobre a adequação ao licenciamento ambiental, proferida pelo diretor de Controle de Fontes Poluidoras da CPRH, Waldecy Farias.

O evento terá como objetivo principal trazer à discussão temas envolvendo a sustentabilidade socioeconomica e ambiental do segmento das indústrias de cerâmica em Pernambuco, abordando questões relativas ao licenciamento ambiental, alternativas sustentáveis de matriz energética e crédito de carbono.

Segundo Waldecy Farias, o fórum é considerado de extrema importância para o segmento das indústrias de cerâmica do Estado e, sobretudo das instituições responsáveis pelo controle ambiental e de tecnologia. A ideia é estabelecer um canal de relacionamento mais direto, com o estabelecimento de ações mais proativas e preventivas, em detrimento de ações corretivas de controle ambiental.

O evento também promoverá, de forma inédita, o lançamento de um programa de responsabilidade social, sob comando do SINDICER, que deverá assinar com o Governo do Estado um Protocolo de Doação de cerca de 150 milheiros de tijolos, para atender demandas de entidades carentes.

O fórum é uma parceria com o Sindicato da Indústria de Cerâmica para Construção do Estado de Pernambuco (Sindicer) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma).

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Domingo, 21 Novembro 2010 02:10

O negócio da água potável

aguaPor Duncan Wilbur*

O mundo está começando lentamente a entender que estamos em meio a uma séria crise da água em nível planetário e, portanto, da saúde pública. Atualmente, 884 milhões de pessoas não têm acesso ao fornecimento seguro de água doce, enquanto a ONU estima que até 2030 mais da metade da população mundial viverá em áreas com alto risco de escassez.

Não surpreende que o mundo empresarial esteja cada vez mais consciente de que a crescente demanda está criando um futuro incerto. A água agora se converteu em um grande negócio. Existe uma interligação entre o acesso das pessoas a água, as empresas com interesse particular na água e as que centram sua atenção nos mercados emergentes.

Os negócios dependentes do uso da água em operações diretas e por meio de redes de fornecimento - em particular às companhias multinacionais - estão reconhecendo de maneira crescente os riscos políticos, sociais, econômicos e ambientais vinculados à água. Em última instância, se as pessoas não tiverem acesso a água devido às atividades de uma empresa, coloca-se em risco sua reputação e sua autorização para operar.

De fato, vimos uma proliferação de campanhas relacionadas com a água que algumas das principais firmas do setor realizam. Estas campanhas têm temas comuns: destacam o trabalho que as empresas realizam para minimizar a quantidade de água utilizada na produção e baixar o nível de contaminação provocado pelos processos industriais, e anunciam em alto e bom som que estão gastando dinheiro para garantir que mais pessoas tenham acesso a um fornecimento seguro.

Os compromissos assumidos por estas empresas merecem aplauso. Porém, diante da crua realidade de que quase um bilhão de pessoas vivem sem água segura, é claro que os empresários devem rever seus planos e suas atividades com a utilização deste recurso.

As campanhas não são suficientes. O setor privado, os governos e a sociedade civil devem ampliar seus esforços para garantir que os mais pobres do mundo tenham um acesso justo a água. O impacto da escassez de água nos países em desenvolvimento é imenso, particularmente nas áreas de saúde infantil, educação das meninas, e bem-estar e sustento das mulheres.

Nas áreas urbanas as mulheres podem passar horas em filas para conseguir água em uma torneira pública ou se veem diante da necessidade de obter água contaminada ou de vendedores, que cobram altos preços, ou de outras fontes duvidosas. Frequentemente suja e insegura, essa água pode ser letal.

Este ano, uma análise da revista The Lance aponta a diarreia como o maior assassino de crianças na África subsaariana; 90% dos casos de diarreia são causados por água insegura e pobres instalações sanitárias, e matam mais crianças do que a aids, o sarampo e a malária juntos.

Com tais consequências fatais, não é, absolutamente, suficiente as empresas assumirem a questão por meio de sistemas de manejo razoável do recurso (que deveria ser uma prática padrão) ou que invistam em esquemas de fornecimento de água para a comunidade acreditando que com isso cumprem suas responsabilidades. A situação exige que as empresas, os doadores, as organizações da sociedade civil e os governos se unam para enfrentar e mitigar os riscos compartilhados.

Existem muitos obstáculos que impedem uma visão de um mundo onde todos tenham acesso a água e a instalações sanitárias. Essas obstruções vão desde os fracassados reguladores e a falta de aplicação das leis, de problemas de capacidade e recursos, de coordenações ineficientes no financiamento, até a carência de dados disponíveis e confiáveis sobre as bacias hidrográficas.

Estas questões apresentam desafios para as companhias que pretendem conservar autorização legal e social para funcionar. E também - o que é mais importante - criam crescentes dificuldades para os setores mais pobres do mundo.

Somente com a ampliação de seu enfoque e uma abordagem ativa dos problemas nas áreas de risco compartilhado, por meio de proposições cooperativas e integradas, as empresas poderão ter capacidade de dar, verdadeiramente, uma contribuição duradoura para enfrentar a crise mundial da água. Envolverde/IPS

* Duncan Wilbur é um dirigente da WaterAid, organização não governamental dedicada a conseguir acesso a água limpa e saneamento adequado (http://www.wateraid.org ).

Este artigo é parte de uma série de artigos e entrevistas sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas patrocinada por Anheuser-Busch InBev.

 

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cop16Enquanto as opiniões no Brasil se dividem em torno do projeto de reforma do Código Florestal, em tramitação no Congresso Nacional, apontado como um dos instrumentos de preservação ambiental, representantes de vários países estão às vésperas de mais uma uma rodada de discussões sobre medidas conjuntas contra o aquecimento global, a COP-16, de 29 de novembro e 10 de dezembro em Cancun, no México.

Para a ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, existe a possibilidade de uma convergência de ideias no encontro de Cancun. Ela acredita que vá se repetir o êxito obtido da 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Biodiversidade, da Organização das Nações Unidas (ONU), encerrada, no último dia 29, em Nagoya, no Japão.

“Tenho uma visão otimista e pragmática em torno de pontos que devem avançar”, disse a ministra, logo após participar do Fórum Biodiversidade pós COP-10, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) e pela companhia Syngenta. Isabela Teixeira, porém, reconhece que há questões complexas a serem tratadas.

Na avaliação da ministra, um dos desafios que devem ser enfrentados na gestão da presidenta eleita Dilma Rousseff é o de criar institutos para colocar em prática as metas estabelecidas em Nagoya, onde foi assinado o protocolo de acesso e divisão de benefícios para a preservação genética de plantas, microrganismos e animais, o chamado ABS, na sigla em inglês, e que é semelhante ao Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

De acordo com Isabela Teixeira, os desafios estarão centrados em três aspectos: a busca de segurança alimentar, segurança climática e segurança energética.

A ministra criticou o texto do projeto do novo Código Florestal e falou da mobilização interna para sugestões de mudanças no texto, afirmando que esse comportamento evidencia que “o que está sendo debatido mostra-se insuficiente para aquilo que a sociedade pretende”. A ministra pondera que a matéria não deve se restringir aos assuntos da agricultura, mas se estender para questões de áreas urbanas como o uso de encostas.

Perguntada sobre as ações de recuperação de áreas degradadas para o avanço do agronegócio, ela apontou o sucesso obtido com o programa de produção sustentável de óleo de palma, na Amazônia, lançado em abril deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não há sentido de remover áreas nativas para aproveitamento econômico se você tem a viabilidade de fazer de outra maneira. O Brasil tem um potencial de explorar áreas degradadas, com desmatamento zero, agricultura familiar, gerando renda e desenvolvimento tecnológico e crédito”. A ministra observou, no entanto, a necessidade de se reduzir os custos de produção e criar acessos às áreas degradadas por meio de investimentos em infraestrutura.

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egitoDa EcoD

Para onde vai a água utilizada todos os dias pelos cerca de 80 milhões de egípcios? Atualmente, o governo do país conhecido em razão das famosas pirâmides, reaproveita o recurso natural para regar áreas desérticas no intuito de convertê-las em florestas, segundo informações da Agência EFE.

A intervenção humana já provoca uma diferença significativa na paisagem egípcia, pois onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos. São as chamadas “florestas feitas à mão”.

“A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra”, explicou à EFE o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para o florestamento.

Opinião semelhante tem o professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que ressalta uma suposta superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápido e, inclusive, tenham folhas mais verdes”, argumentou.

Processo de “construção de florestas”

Atualmente, o Egito produz 7 milhões de metros cúbicos de água residual ao ano. Ao mesmo tempo, o país tem 95% do território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação. Há 34 florestas em solo egípcio, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no Norte, e em regiões turísticas do Sul, como Luxor e Assuã, em um total de 71,4 mil quilômetros quadrados (área equivalente à superfície total do Panamá).

De acordo com o governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados. Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantadas até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviver em condições extremas.

Para Kandil, os resultados positivos da experiência são a prova de que o problema no país não é a terra, que no Egito tem de sobra, mas de onde extrair a água. Obtê-la das estações de tratamento primário, onde são eliminados os poluentes sólidos, foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.

Apesar desta água exigir precaução devido à presença de poluentes, além do fato de que os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade ainda são desconhecidos, o projeto implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Ambiente demonstra sucesso.

De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão. “[Elas] aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescentou o especialista.

Publicado em Viva Mundo

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