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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Existem apenas 13 fábricas desse gênero no mundo, em países do Leste Europeu e da Ásia, como China e Taiwan

Pernambuco vai abrigar a primeira fábrica de painéis de geração de energia solar das Américas. Protocolo de intenções para a construção de uma unidade no Parque Tecnológico de Pernambuco (Parqtel), no Recife, foi assinado pelo governador em exercício, João Lyra Neto, o presidente da Eco Solar do Brasil, Emerson Kapaz, e diretores da empresa suíça Oerlikon - que fornecerá a tecnologia e os equipamentos.

Atualmente, existem apenas 13 fábricas desse gênero no mundo, em países do Leste Europeu e da Ásia, como China e Taiwan. O investimento é de R$ 500 milhões. Segundo Kapaz, o Banco do Nordeste do Brasil financiará 70% do valor, enquanto o fundo de investimentos europeu FXX Corporate aportará cerca de R$ 100 milhões. “Há ainda interesse de uma grande empresa brasileira e de um fundo de investimentos americano em participar do negócio”, garantiu o presidente da Eco Solar.

A fábrica terá capacidade de produzir por ano 850 mil painéis fotovoltaicos - responsáveis pela captação e armazenagem da energia solar. Um diferencial da nova tecnologia adotada pela Eco, chamada de “filme fino” é que as placas são feitas de material 100% limpo, mais eficiente e mais barato. “Pernambuco se sente muito feliz em sediar mais um investimento de vanguarda, com tecnologia de ponta, para produzir não só para o Nordeste e o Brasil, mas para o mercado mundial”, afirmou João Lyra Neto.

Mais emprego - O número de postos de trabalho gerados é bastante significativo. Cerca de 400 empregos vão ser abertos durante as obras de construção da unidade, que começam em 60 dias. Outros 250 trabalhadores serão necessários para a sua operação, em 2012. Além desses, 1.300 homens vão atuar na instalação das placas.

Segundo Kapaz, além da logística, fez diferença para a escolha da empresa o forte desenvolvimento de Pernambuco, puxado pelo Complexo Portuário de Suape. “A estrutura e o potencial de Suape foram importantes. Mas esse é um pontapé inicial. A demanda vai ser muito grande, o Brasil ainda não descobriu sua força nesse setor”, disse, explicando que a produção pernambucana deverá ser exportada para os EUA, Chile, Peru e Argentina.

O uso dos paineis é abrangente. Vai de residências, estabelecimentos comerciais, bancos, supermercados, até grandes empresas. Uma placa - com tempo útil de vida de 25 anos - deve sair inicialmente em torno de R$ 320 e tem capacidade para armazenar até 150 watts. Para uma casa com quatro pessoas, por exemplo, seriam necessárias seis placas. A economia de energia ficaria em torno de 30%.

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serieNão poderia ser mais claro, didático e lúdico. A série de dez animações chamada “Consciente Coletivo”, fruto de uma parceria entre o Instituto Akatu, a HP Brasil e o Canal Futura, merece todos esses adjetivos. Em cada uma das partes de dois minutos cada, o vídeo aborda diferentes pontos sobre os impactos do consumo humano no meio ambiente.

O trabalho já foi exibido pelo Canal Futura e pelo site do Akatu. A partir desta quintaq-feira (11) e pelas próximas semanas, o Mercado Ético (www.mercadoetico.terra.com.br)  também exibe a série Consciente Coletivo.

Assista aqui!

 

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meioambienteDa Amazônia.org.br

Foi lançado esta semana o relatório “Cidadãos engajados!” (Citizens Engage), com foto de capa escrita “Salve a Amazônia”. A mensagem é clara: os cidadãos acreditam que as empresas precisam levar em conta a Amazônia e o meio ambiente em suas atividades.

Trata-se da quarta edição da pesquisa “Edelman goodpurpose®Study 2010″,  feita em 13 países com 7 mil consumidores. De acordo com o relatório, 71% dos consumidores em todo o mundo - 79% no Brasil - acreditam que projetos que protejam o meio ambiente podem ajudar no crescimento da economia.

Além disso, a pesquisa mostra que “Proteger o meio ambiente” foi considerada a causa número 1 sobre o que os consumidores se preocupam, seguido por “melhorar a qualidade dos cuidados de saúde”.

De acordo com o estudo, consumidores dos mercados emergentes - Brasil, China, Índia e México - estão mais propensos a comprar e promover produtos de marcas que tenham compromissos com boas causas.

Oito em cada dez consumidores no Brasil comprariam produtos de empresas consideradas responsáveis social e ambientalmente, uma porcentagem bem mais expressiva do que os consumidores da Europa (54%).

No entanto, a consciência de que empresas têm responsabilidades é alta em todo o mundo. Segundo a pesquisa, 86% dos consumidores acreditam que as empresas devem colocar o mesmo peso dos seus interesses aos interesses da sociedade.

Confira o estudo na íntegra: “Cidadãos engajados!” (Citizens Engage) 

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maosPor Vilmar Berna*, do Portal do Meio Ambiente

Houve um tempo, não muito distante, em que a sociedade não tinha quase acesso a informações sobre meio ambiente e sustentabilidade que permitisse fazer escolhas livres entre modelos diferentes de desenvolvimento. A tendência era reproduzir as escolhas pelo modelo tradicional, não sustentável. As informações, quando existentes, eram focalizadas mais nos aspectos da fauna e flora como se os seres humanos não fizessem parte da natureza. Ou então pareciam mais comprometidas com uma idéia de progresso a qualquer preço.

Hoje, isso tem mudado, o que é ótimo, pois a vida é feita de escolhas e para escolher no rumo da sustentabilidade a sociedade precisa de informações e valores para a sustentabilidade.

Neste passado recente, apenas uma pequena mídia ambiental resistiu em sua missão de democratizar a informação socioambiental - e ainda continua resistindo -, sobrevivendo com muita dificuldade num cenário onde os maiores anunciantes são também os maiores poluidores e a palavra sustentabilidade, ainda é de difícil compreensão pela sociedade, além de carregar em si a ambigüidade de referir-se também unicamente aos aspectos econômicos da sustentabilidade.

Hoje, a informação ambiental é pauta freqüente nos grandes veículos de comunicação de massa e a cobertura cada vez é mais ampla, compreendendo a questão pelo viés da sustentabilidade e não somente do meio ambiente.

Entretanto, é importante considerar que as pessoas pensam de forma diferente e, por isso, a opinião pública não é um bloco homogêneo, mas que se divide em segmentos de interesse. Entre estes segmentos, está o das pessoas interessadas em meio ambiente e questões da sustentabilidade. Para este segmento de público, incluído digitalmente, e que já busca pela informação socioambiental, sabe onde e como procurar, ela é abundante na internet e depende cada vez menos de alguém para selecionar ou editar o que deve ou não ser lido.

Hoje, existem serviços de busca, por exemplo, como o Google, que fazem bem o serviço de encontrar as informações sobre o tema escolhido disponível em sites, portais e blogs. E oferece ainda um sistema de alerta que envia direto para o email ou celular do interessado a informação atualizada sobre o tema selecionado. Assim, nem precisa mais buscar pela informação por que com este sistema ela vem até o leitor.

E mais, a internet não é uma ferramenta de comunicação que facilita apenas encontrar e ler as informações que se busca, mas também facilita a escrita e sua divulgação. A internet veio possibilitar a publicação e divulgação de textos e pensamentos que antes dependiam da boa vontade de algum editor. Com isso, assim como existem textos bem escritos e boas idéias disponíveis circulando na internet, também existe o contrário.

Entretanto, é melhor textos mal escritos que texto nenhum, pois o aperfeiçoamento vem com a prática e com a capacidade de aprender com os erros e saber ouvir as críticas, além de contribuir para que os leitores desenvolvam a analise crítica, o popular desconfiômetro, para não aceitarem de pronto uma informação ou idéia apenas por que esta escrita num papel ou na internet. É sempre bom lembrar que o papel aceita tudo, e a internet também.

Assim, para este segmento de público o desafio é de outro tipo, e é aqui que os profissionais da comunicação podem colaborar, tornando-se referências para agregar credibilidade às informações que divulgam, identificando a boa da ma informação, a falsa da verdadeira, as armadilhas do discurso, o que as idéias num texto querem dizer exatamente, o que dizem sem dizer, o que escondem nas entrelinhas.

Cabe perguntar se os atuais cursos de formação de comunicação têm estimulado a capacidade critica de pensar, de escrever e expressar claramente as idéias, além de oferecer os conceitos e reflexões sobre a complexidade da sustentabilidade.

Quando falamos sobre a internet, ou sobre a leitura e a escrita, não podemos perder de vista que estamos nos referindo a apenas cerca de 10 por cento da população brasileira incluída digitalmente, o que não é pouca coisa do ponto de vista numérico. São quase 20 milhões de pessoas, um número de internautas maior que países inteiros e que faz a farra do mercado, pois são usuários de serviços e consumidores de produtos, tecnologias e equipamentos.

Entretanto, o Brasil é um país de dimensões continentais, com cerca de 190 milhões de habitantes, e é preciso reconhecer que a internet ainda é um luxo fora do alcance da maioria da população. Também é importante lembrar que apenas cerca de 20 por cento da população lêem jornais e que ainda somos 15 por cento de analfabetos. E se formos considerar o analfabetismo funcional - pessoas que lêem e escrevem, mas não conseguem compreender uma idéia num texto - , então este percentual aumenta muito.

São desafios que precisam ser enfrentados considerando que somos uma sociedade dividida de forma desigual e em função dessas desigualdades, enquanto uns tem muito acesso à informação e à leitura, outros tem pouco ou nenhum acesso, o que gera distorções que exigem dos tomadores de decisão e lideranças soluções também diferenciadas.

Na base da pirâmide social está a grande maioria da população, constituída de pobres e excluídos e que demanda legitimamente por mais recursos naturais para atender a suas demandas. Muitos passaram do analfabetismo literário e digital para o rádio e a televisão, sem passar pelos livros. Parte desse desinteresse pelos livros, devemos reconhecer, se deve também ao fato dos livros no Brasil serem caros, em média R$ 40,00, e de termos poucas livrarias, cerca de 1,2 para cada 100 mil habitantes, enquanto nos países vizinhos como Argentina ou Uruguai, o livro é mais barato e o número de livrarias é pelo menos o dobro maior.

Além disso, não parece atraente a pressa de introduzir a leitura dos clássicos para quem está ainda adquirindo o gosto pela leitura, principalmente quando são textos escritor em séculos passados, em outras realidades e em outra linguagem. Seria mais ou menos como colocar a carroça na frente dos bois, tentar ensinar o "Pai Nosso" e a "Ave Maria" para quem ainda não acredita em Deus.

A pessoa passa a associar a leitura a algo chato a ser evitado. Assim como não se oferece comidas carregadas em temperos a quem começa a comer agora, é preciso oferecer leitura leve, agradável, sobre o cotidiano presente, sobre sentimentos e desejos universais e, a partir daí, pouco a pouco, ir acrescentando outros ingredientes de acordo com o interesse e o paladar dos novos leitores.

Outro equivoco é eleger uma cultura ou idéia como a desejável ou oficial e ignorar ou não valorizar a diversidade cultural e a pluralidade de idéias. As pessoas não são livros com páginas em branco onde quem acha que detém o saber terá de escrever tudo a partir do zero. Qualquer pessoa, independente da idade ou condição cultural, carrega consigo informações e valores que devem ser respeitados e em qualquer processo educativo ou que proponha mudança.

Assim, para fazer com que as idéias sobre a sustentabilidade cheguem aos demais setores da sociedade, é importante partir do saber já existente e reconstruir uma nova visão de mundo a partir da visão existente; e mais, é preciso descobrir e investir em estratégias para levar o conhecimento até aonde o povo está, e não esperar o contrário; e, sobretudo, traduzir o ecologês para as carências de nossa sociedade.

* Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista, fundou a REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental (www.rebia.org.br) e edita deste janeiro de 1996 a Revista do Meio Ambiente (que substituiu o Jornal do Meio Ambiente) e o Portal do Meio Ambiente (http://www.portaldomeioambiente.org.br/).  Em 1999, recebeu no Japão o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas – http://www.escritorvilmarberna.com.br/

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casaEntre 300 mil e 400 mil casas da segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida serão equipadas com painéis solares para aquecer a água do chuveiro. Todos os novos empreendimentos do programa voltados a famílias com renda de, no máximo, três salários mínimos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm de vir equipados, obrigatoriamente, com sistema de captação de energia solar. A informação é da secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães.

“O objetivo do aquecimento solar é, além da preservação da energia, também contribuir para a sustentabilidade econômica, barateando o custo da energia, aliado a um processo de educação dessas famílias, que devem fazer um uso racional da água e da energia”, ressaltou a secretária.

Na primeira fase do programa de financiamento para construção de casas populares, que se encerra neste ano, o uso de painéis solares não foi obrigatório e apenas um número reduzido de empreendimentos aderiu à energia solar.

A segunda fase do Minha Casa, Minha Vida entrará em vigor a partir do ano que vem. Serão 2 milhões de residências, das quais 1,2 milhão será para famílias com renda de, no máximo, três salários mínimos.

Com o mesmo objetivo de garantir uma eficiência de recursos, o Ministério das Cidades também pretende estimular o reaproveitamento de água nessas habitações. No entanto, a secretária explica que, a princípio, o sistema de reuso da água não será obrigatório.

Os projetos de eficiência energética e sustentabilidade do governo brasileiro para casas populares foram apresentados na manhã de quinta-feira (4/11) a representantes do governo norte-americano e a especialistas em planejamento urbano e habitação, em um seminário no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro.

O seminário reúne hoje e amanhã especialistas da América Latina para discutir sustentabilidade de moradias em áreas carentes. Durante o evento, o governo norte-americano também vai lançar, em parceria com uma organização não governamental, o Prêmio Habitação Sustentável e Inclusiva, que dará até US$ 10 mil (cerca de R$ 17 mil) para pessoas que criem projetos de habitação sustentável.

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planetaDa BBC Brasil

O Banco Mundial lançou um programa global cujo objetivo é ajudar países a incluir os custos da destruição da natureza nas contas públicas. A base de orientação do novo programa é o estudo denominado "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade".

A proposta é ajudar governos a incluir as revelações do estudo em suas políticas. Pela pesquisa, das Nações Unidas, os cálculos indicam que a degradação do mundo natural causa prejuízos à economia global de US$ 2 bilhões a US$ 5 bilhões por ano.

O presidente da instituição, Robert Zoellick, disse que a destruição ambiental é causada em parte porque os governos não contabilizam o valor da natureza. O programa foi anunciado durante a Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica em Nagoya, no Japão. As informações são da BBC Brasil.

O projeto piloto envolve dez países, entre eles a Índia e a Colômbia. "Sabemos que o bem-estar do homem depende de ecossistemas e da biodiversidade", disse Zoellick. "Também sabemos que eles são degradados de forma alarmante", acrescentou.

"Uma das causas é o nosso fracasso em avaliar propriamente os ecossistemas e tudo o que fazem por nós - e a solução, portanto, está em contabilizar os serviços [oferecidos pelo] ecossistema quando os países fazem políticas", afirmou.

Para o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Erik Solheim, reavaliar a natureza a partir desses critérios obriga uma mudança de postura das empresas. "Nós precisamos sair de uma situação onde os benefícios dos serviços do ecossistema são privatizados enquanto os custos são socializados", disse Solheim.

Ele afirmou ainda que os custos totais do impacto negativo sobre os ecossistemas devem ser cobertos pelos que recebem os benefícios de sua destruição.

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Sábado, 23 Outubro 2010 03:39

Um jacaré pra viagem, por favor

jacarePor Daniela Gomes Pinto*, Página 22, edição 46

Tempos atrás visitei a Amazônia em um esquema turístico, ficando em um desses lodges à beira do rio. Acostumada com viagens de trabalho ou de mochileira, eu me adaptei à nova vida com criança pequena e lá fui com filho, sobrinhos e primos para um pacote “na selva”. Desconfortável com o conforto excessivo, achei que a experiência podia não ser a mesma com tudo tão estruturado. Bobagem. A viagem foi sensacional. Só não sei se o meu entusiasmo foi compartilhado pelos turistas que encontrei por lá.

Logo na chegada, o gerente me ganhou. Simpático e paciente, mostrou um mapa das áreas protegidas e desmatadas na região, falando rapidamente sobre a destruição da floresta. Mas, enquanto eu ficava pateticamente tentando forçar a criançada a prestar atenção no arco do desmatamento e no avanço da soja, elas corriam das mães que insistiam em passar o repelente pela quinta vez naquela manhã.

Logo na primeira noite, saímos para a tão esperada “focagem de jacaré”, uma unanimidade entre as crianças. Enquanto pulávamos para dentro do barco, o guia, um morador local simpaticíssimo, alertava que não é sempre que a gente vê o bicho, mas que o objetivo era também encontrar outros animais. Tudo ia bem, as crianças animadas. Mas comecei a sentir que alguma coisa estava errada quando um pai respondeu: “Ué, mas não existe aqui algum lugar onde os jacarés se concentram, que não tem erro, a gente vai e encontra o bicho?” Diante da resposta negativa do guia, alguns pais se entreolharam, desconfiados.

As duas preguiças que observamos no caminho não deram muito o que falar entre os adultos: uma muito no alto e muito longe, a outra mais próxima, mas com a cabeça escondida. A cobra, equilibrada em um galho de árvore, era esquálida demais e, pra piorar, não se mexia. Quando o clima já era de querer o dinheiro de volta, o jacaré apareceu triunfante, olhões diante das lanternas, corpo inteiro fora d’água, fuga rápida, desempenho perfeito. Pais contentes e motim abortado. (As crianças, obviamente, já estavam contentes há tempos, com o barco, com as lanternas, com a noite, com o rio, com as preguiças e com a cobra.)

No dia seguinte, na visita à comunidade de artesãos, os turistas não tiveram tempo de olhar para os meninos esculpindo as madeiras, afoitos que estavam para chegar primeiro à lojinha. Fizeram sua parte: saíram com sacolas e mais sacolas - e mais sacolas. Perderam a gargalhada gostosa do rapaz terminando um peixe-boi, o jardim fresco com a mangueira carregada, a praça bonita.

O passeio de canoa pelos igapós também frustrou algumas famílias: “Tudo muito igual”. De bedelho na conversa da mesa ao lado durante o jantar, ouvi um jovem marido comentar com a mulher que tinha gostado da visita às grutas, mas estava contrariado. “Não entendi por que a gente foi até a última: não tinha nada diferente das duas primeiras, não agregou nada!”

Sair pela madrugada para ver o sol nascer também não era assim tão extraordinário, porque raramente se via o sol - ou muita bruma, ou muito nublado, vai saber. Parece que os pássaros também não agregavam muito - eram poucos e não cantavam tanto. De volta do passeio à comunidade cabocla, um menino de 5 anos não parecia contente. Ansioso com a promessa repetida dos pais de que ele conheceria uma aldeia indígena na viagem, ele suspirava, chateado. “Foi legal, mas não tinha índio, só tinha gente!”

Eu mesma entrei na onda. Hospedada na beira de um dos mais belos rios do mundo, fui perguntar na recepção se não tinha por ali um igarapé escondido para nadar, alguma água boa, fresquinha, sem ninguém, algum lugar diferente, “que não tem erro”. Não tinha. O gerente foi educado: “Lamento, mas banho só no rio, mesmo”.

Pois foi só naquele rio mesmo que nadei todas as outras manhãs, na companhia de alguns barcos passando e passarinhos voando baixo, desfrutando do silêncio e da solidão, da água fresca na pele, da luz do sol no olho e a sombra da vegetação amazônica na paisagem. E quis morrer ao pensar que eu mesma tinha embarcado no turismo do inédito, do exclusivo, do turismo que “agrega”, do turismo de resultado.

A graça da floresta não está no que ela tem de único, mas no que tem de trivial. Você não precisa tropeçar a toda hora em bichos, paisagens e gentes, como se fosse ticando uma lista de compras. O país dos índios é o país dos caboclos, a floresta tropical com a maior diversidade do planeta é a mesma floresta das noites silenciosas, com uma solitária preguiça no alto da árvore. Preguiça de cabeça escondida, sim, mostrando, ao não se mostrar, a beleza, a beleza da natureza brasileira.

Não tem erro: o olhar do turista para a nossa biodiversidade precisa ser outro.

*Pesquisadora do Gvces e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela London School of Economics and Political Science.

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Por Taíza Brito, com informações da SOS Mata Atlântica

Vale apena dar uma conferida, principalmente com crianças, no projeto “A Mata Atlântica é aqui - exposição itinerante do cidadão atuante”, da SOS Mata Atlântica, exposto no Parque da Jaqueira, no Recife.

Trata-se de um caminhão, totalmente adaptado, com palco para manifestações artísticas de temática socioambiental, que percorreu 45 cidades das regiões Sul e Sudeste durante seu primeiro ano. E que agora está cumprindo roteiro com foco na região Nordeste do país, com o objetivo de promover em cada um destes locais atividades de conscientização, mobilização e educação sobre a importância da Mata Atlântica.

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Estive lá no último domingo (17), com meu marido Gerard, meu filho Lluís, 4, e sua priminha Julia, 5. Os dois se divertiram de montão participando de uma oficina de pintura de máscaras, observando numa maquete os efeitos da devastação das matas, lendo livros sobre a importância da reciclagem e do uso racional da água.

PA162181Apesar da pouca idade saíram de lá convencidos de que não devemos maltratar os animais muito menos as plantas. Diversão e aprendizado num dia só, além de muitas brincadeiras no Parque da Jaqueira, local ideal para um passeio descontraído.

O projeto, que tem como objetivo levar mais informações sobre a importância do Bioma e a influência dele na vida das pessoas, estimulando a criação de novos agentes multiplicadores em defesa da causa ambiental, fica no Recife até o próximo domingo, 24 de outubro.

A iniciativa, com o patrocínio de Bradesco Cartões, Natura e Volkswagen Caminhões e Ônibus, iniciou as atividades no Parque da Jaqueira na última quarta-feira (13), quando houve abertura com a presença de representantes da Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), (Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane), Ecocentro Bicho do Mato, Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá e o Secretario Municipal de Meio Ambiente Roberto Arrais.

Na quinta-feira (14), houve roda de conversa sobre a Mata Atlântica de Pernambuco, mediada pelo agrônomo Leonardo, da SNE. Os participantes tiraram suas duvidas sobre quais espécies são nativas da região e contaram as atitudes que tomam para ajudar o meio ambiente em que vivemos. O assunto prendeu a atenção de todos e nem percebemos o tempo passar.

Do Recife, o projeto segue para João Pessoa, onde fica de 27 a 31 de outubro, seguindo depois para Campina Grande (3 a 7 de novembro), Natal  (10 a 14 de novembro), Aracati - CE (17 a 21 de novembro), Fortaleza ( 24 de novembro a 5 de dezembro) e Caucaia - CE (8 a 12 de dezembro).

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prato*Por Andrea Vialli

No prato, ingredientes orgânicos, sazonais e cultivados nas redondezas - de modo que não sejam transportados por grandes distâncias e emitam gases de efeito estufa. Carne, só de fazendas com rastreabilidade e de peixes que não estejam ameaçados de extinção. Na hora de cozinhar, aproveitamento integral dos alimentos para evitar desperdício.

Esses são alguns ingredientes da chamada gastronomia sustentável, um movimento que vem crescendo e ganhando adeptos entre chefs de renome no Brasil.

A conexão entre a comida do dia a dia e seus impactos ambientais está levando os chefs a repensarem seus cardápios. Um exemplo é o paranaense Celso Freire, que coordena, a convite da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, um movimento para popularizar a gastronomia verde, que envolve 15 restaurantes em Curitiba.

Dentro do programa Gastronomia Responsável, o chef propôs a cada um dos restaurantes convidados que elaborassem pelo menos um prato seguindo os preceitos da sustentabilidade, com preço máximo de R$ 30 - a cada prato, R$ 1 é convertido para programas de pesquisa e conservação da biodiversidade apoiados pela Fundação.  A relação dos restaurantes pode ser consultada em www.gastronomiaresponsavel.com.br.

"É fundamental que os restaurantes se envolvam, porque o setor impacta significativamente o ambiente, seja na geração de lixo ou no uso de matérias-primas de origem animal e vegetal”, diz Freire, um dos chefs mais premiados do País, que já comandou a cozinha da embaixada do Brasil em Londres. “Não há como não se preocupar com o fato de que há peixes que estão ameaçados de extinção, como alguns tipos de atum. Ou mesmo o palmito-juçara, também em perigo no Brasil”, diz Freire, que é dono do Guega Ristorante, em Curitiba.

Malu Nunes, diretora da Fundação O Boticário, conta que quis engajar os chefs na gastronomia sustentável porque esse meio - a comida - é uma forma de alertar as pessoas sobre a conservação da biodiversidade de forma prática, em seus cotidianos. “A biodiversidade é a base para o desenvolvimento da agricultura, da pecuária, da pesca. Preservá-la hoje significa garantir uma alimentação de qualidade hoje e no futuro”, diz.

Em São Paulo, o renomado chef Alex Atala, dos restaurantes D.O.M e Dalva e Dito, também é adepto da tendência. especialmente na busca por novos fornecedores, como comunidades ribeirinhas e pequenos produtores. “Há grande poencial de conversão do mercado gastronômico em ferramenta de conservação da natureza”, diz o chef, que participou do controverso Cook it Raw, um dos eventos mais seminais de gastronomia sustentável do mundo, que coloca chefs estrelados para cozinhar usando elementos da natureza.

Uma verdadeira volta às origens, quando a comida industrial não dominava a cena e o ritual de preparar e se alimentar tinha um sentido de comunhão com o vida, com o ambiente.

*Do Blog da Andrea Vialli

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Terça, 05 Outubro 2010 03:22

O meio ambiente ruge

Jaguar820Do Greepeace

Eleição mostra que deputados identificados com o desmatamento perderam votos. É sinal de que o eleitor quer ver o meio ambiente debatido no segundo turno.

Tom Jobim já dizia que o Brasil não é para principiantes. Enquanto os analistas se dedicam a explicar o resultado e a especular sobre o rumo que Marina Silva irá tomar diante da disputa entre Serra e Dilma no segundo turno, o Greenpeace acredita que é mais do que hora da questão ambiental – justamente a que catapultou a senadora no cenário político brasileiro – encontrar seu lugar entre os temas prioritários da agenda nacional, acabando com a síndrome de que político que fala em meio ambiente perde votos. Marina teve 20 milhões de votos.

Dilma e Serra não podem mais fugir do tema. Para além do que fazer em saúde, educação, segurança e emprego, que são alvo das promessas dos candidatos, o Greenpeace defende que há assuntos dentro da pauta ambiental que precisam ser priorizados no plano de governo de um futuro presidente da República.

O primeiro deles é a compatibilização entre a expansão da agricultura e a garantia da preservação das nossas florestas. Num país com mais de uma centena de milhões de hectares abandonados e outros tantos desmatados, dizer que é preciso desmatar mais para continuar plantando é repetir o velho mantra de que a destruição da natureza é o passaporte para o desenvolvimento.

Assim, a tentativa de acabar com o Código Florestal no Congresso Nacional, que conta com o apoio de setores dos mais diferentes partidos, incluindo o PT e o PSDB, é o primeiro tema que exige da sociedade uma atenção imediata. Qualquer dos dois candidatos que não deixar clara a importância do código para a proteção de nossas florestas vai se comprometer não com o futuro, mas com um Brasil atrasado.

Outro assunto fundamental é o que fazer para que o Brasil assegure o crescimento da sua economia sem sujar a nossa matriz de geração elétrica, baseada principalmente em fontes limpas e renováveis. Não bastasse o fato de estarmos aumentando a geração de energia a partir de fontes sujas, embarcamos na aventura do pré-sal sem medir os impactos ambientais e econômicos dessa opção.

Ela vai dobrar as nossas emissões dos gases de efeito estufa e certamente atrasará o esforço que o país precisa fazer para não perder a corrida tecnológica pela busca do combustível limpo e renovável que vai fazer o mundo se mover no século 21.

O candidato presidencial que decidir ignorar as questões ambientais daqui para a frente corre sério risco de entrar em choque com o eleitor. Se algum deles duvidar disso, basta estudar o que aconteceu na eleição para Câmara dos Deputados. Em todo o país, deputados identificados com a causa ruralista e que combateram o Código Florestal nos últimos meses, defendendo a anistia para desmatadores, viram emagrecer seu cabedal eleitoral ou simplesmente não foram eleitos, caso de Valdir Colatto (PMDB-SC).

Aldo Rebelo (PCdoB-SP), líder da ofensiva contra o Código Florestal, angariou o dobro de fundos mas perdeu 47 mil votos em relação a eleição de 2006. Abelardo Lupion (PMDB-PR), outro ruralista empedernido, foi eleito. Mas não por seus próprios méritos. Teve que se valer da força eleitoral de sua legenda. Com os deputados identificados com a defesa de nossas florestas aconteceu exatamente o contrário. Rebeca Garcia (PP-AM) teve 64 mil votos a mais do que na eleição passada. Ivan Valente (PSOL-SP), de 83 mil votos em 2006, saltou para 189 mil em 2010. O eleitor deu um recado. Ficar a favor do crime ambiental, definitivamente, não compensa.

Publicado em Viva Brasil

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