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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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action-header-paw2-PTBRDez mil brasileiros aderiram à campanha de mobilização global da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA, sigla em inglês) que irá pedir à Organização das Nações Unidas (ONU) a inclusão do tema bem-estar animal na agenda da Rio+20. O encontro – promovido pela ONU – ocorrerá em junho de 2012 no Rio de Janeiro e discutirá os avanços e retrocessos registrados desde a Conferência Mundial do Clima, conhecida como Rio 92, ocorrida há 20 anos.

O abaixo-assinado foi lançado em todo o mundo pela WSPA, em dezembro, na internet. A ação pretende conscientizar as pessoas sobre a relação entre o bem-estar dos animais, especialmente os usados em processos produtivos, e o desenvolvimento sustentável.

A mobilização faz parte da campanha internacional Pegada Animal, que a WSPA lançará no Brasil em março. A campanha se inspira no conceito da Pegada Ecológica, informou à Agência Brasil a gerente de Comunicação da WSPA Brasil, Flavia Ribeiro. “Ela visa a informar e conscientizar as pessoas sobre como os hábitos alimentares da população influenciam a questão do desenvolvimento sustentável, da agropecuária sustentável.”

A campanha pretende esclarecer o consumidor final da origem do produto que ele consome. Por exemplo, se os eles são oriundos de uma criação intensiva ou extensiva, se a carne, os ovos, o leite vêm de uma indústria que tem preocupação com o bem-estar animal, se são produtos orgânicos. “A intenção da campanha no mundo todo é o consumo consciente, para que o consumidor entenda qual é a origem e o que, de fato, ele está adquirindo e o que pode ser feito para promover o bem-estar animal, focado nos animais de produção”, disse Flavia.

A ação online ainda continua e é a primeira iniciativa da campanha Pegada Animal. A carta com as assinaturas será encaminhada aos governantes e representantes da ONU em todos os países. “Não existe uma meta. Mas, a gente precisa de muito mais [assinaturas] para poder encaminhá-las à ONU.”

Segundo informação do Departamento de Ciência e Agropecuária Humanitária da organização, existem atualmente mais de 63 bilhões de animais que fazem parte da cadeia de produção em todo o mundo. Daí a importância de serem adotadas boas práticas na sua criação, transporte e abate. “O universo que a gente está falando impacta na vida de bilhões de animais.”

Flavia Ribeiro salientou que não só a indústria brasileira, mas também a adoção desses procedimentos, tem comprovado melhorias no processo de produção, com ganho econômico. “A indústria está percebendo que é vantagem econômica para ela inserir [a preocupação com o bem-estar animal no processo produtivo]. O meio ambiente como um todo também é beneficiado, porque você está protegendo não só a natureza, mas também os animais que fazem parte do meio ambiente. E o ser humano também sai ganhando porque ele está consciente de que está consumindo um produto de origem animal de uma empresa que tem um cuidado com o animal desde a criação até o abate.” 

Publicado em Viva Brasil
Sexta, 30 Dezembro 2011 17:07

Para pensar e praticar em 2012

feliz_2012-5910*Por Silvia Marcuzzo

Pense se precisa mesmo usar, comprar ou retirar algo da natureza.

Verifique o que você tem em casa, antes de comprar.

Se for adquirir algo, considere seu tempo de vida útil. Quanto mais durar, melhor.

Antes de encaminhar para reciclagem, veja se alguém pode reutilizar o que você está dispensando.

Se você se importa com a educação, com o futuro do seu filho, procure se informar sobre questões socioambientais tanto da sua cidade quanto do planeta.

Repasse informações que considera importante para outras pessoas.

Você é o exemplo para seu filho, sobrinho, amigo.

Se você leu até aqui e se deu por conta da premissa básica “pensar global, agir local” e não sabe o que fazer primeiro, vá até a cozinha, tome um copo d´água.

Analise, entenda de onde veio a água que você bebeu. O caminho que ela percorreu até entrar em sua boca.

O que precisou ser feito para a água potável estar disponível?

Assim como a água matou a sua sede, o que você faz para saciar a sua vontade de ter um mundo melhor?

Se racionalmente não consegue compreender a relação da sua atitude com o universo que o cerca, quem sabe você pode ser tocado pela emoção.

Isso só acontece se você estiver aberto. Significa que você precisa gostar de ver os pássaros voando, de contemplar uma cachoeira ou apreciar um pôr-do-sol, enfim compreender os mecanismos da natureza.

Agora, se não se importa com os outros (por tabela não deve estar gostando muito de você), o melhor mesmo é ver uma possibilidade de cuidar da cabeça ou do coração.
Pois o mundo está como está porque as pessoas não estão se dando por conta com o que está acontecendo com elas mesmas.

*Silvia Marcuzzo é jornalista e trabalha a temática socioambiental desde 1993. Já transitou em diversos “ecossistemas” e arranjos energéticos do jornalismo. Ao passar por assessorias de ONGs, governos e consultorias para empresas, em Porto Alegre, São Paulo e Brasília, sempre manteve a convicção de que é possível melhorar a relação entre os “ambientes” e a comunicação. Por isso, fundou a ECOnvicta Comunicação para Sustentabilidade.

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Quarta, 21 Setembro 2011 12:14

21 de Setembro - Dia da árvore

arvore1Comemore plantando uma.

Logo no início da primavera, em 21 de setembro, é comemorado o Dia da Árvore. Essa data foi escolhida porque os povos indígenas costumavam homenagear as árvores na época das chuvas ou quando preparavam a terra para plantar.

Mas nem em todo o país é assim e, por isso, as regiões Norte e Nordeste festejam na última semana de março, quando as chuvas começam nesses locais.

Garantir a riqueza do meio ambiente e incentivar o reflorestamento é importante porque ter a natureza por perto traz muitos benefícios para todos nós. Fazer a sombra para podermos descansar em um dia de muito calor e ser a moradia e fonte de alimento para muitos animais são algumas das funções das árvores.

Fazer a sombra para podermos descansar em um dia de muito calor e ser a moradia e fonte de alimento para muitos animais são algumas das funções das árvores. E é nossa responsabilidade protegê-las!

Confira algumas curiosidades sobre as árvores:

  • Mais do que tornar o ambiente mais bonito, as árvores mantêm a umidade do ar e ajudam a absorver o gás carbônico da queima de combustíveis, nos fornecendo mais oxigênio;
  • Árvore símbolo do Brasil, o pau-brasil (Caesalpinia Equinata) corre risco de extinção. Durante o período da colonização, ele era a base da economia do país e exportado para a Europa, onde retiravam dele uma tinta vermelha para tingir roupas;
  • Entre as árvores em extinção, estão a Araucária (Araucaria Augustifolia), que é encontrada em Santa Catarina, o Jacarandá da Bahia (Dalbergia Nigra) e o Mogno (Swietenia Macrophylla);
  • Para evitar o desaparecimento de espécies como Canela Preta (Ocotea Catharinensis), Canela- sassáfraz (Ocotea Pretiosa), Imbuia (Ocotea Poprosa), Pinheiro Brasileiro (Araucaria Augustifolia) e Sangue-de-dragão (Helois Cayannensis), o corte delas está proibido no Rio Grande do Sul;
  • A Mata Atlântica cobria um milhão de km2 do litoral brasileiro e hoje tem apenas 4% do seu tamanho original;
  • A destruição das grandes áreas verdes localizadas em áreas tropicais acontece na América do Sul, Ásia e América Central. Atualmente, essas florestas tropicais já perderam 80% de sua cobertura original;
  • A Floresta Amazônica brasileira equivale a 40% das reservas de florestas tropicais úmidas que ainda existem no mundo.

Conservação das florestas

A exploração descontrolada tem contribuído para a extinção das espécies, acaba com as florestas e ainda prejudica os animais que vivem no local. A boa notícia é que todos podem colaborar para diminuir a destruição das árvores e tornar o mundo um lugar cada vez melhor para se viver.

Com atitudes simples como não desperdiçar papel e fazer reciclagem, não comprar madeiras que estejam em risco de extinção e não deixar que nenhuma árvore seja derrubada sem a autorização da prefeitura, você ajuda a preservar a natureza. Que tal plantar uma árvore? Faça a sua parte e dê um exemplo de cidadania!

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Terça, 23 Agosto 2011 20:28

Água, o desprezado manancial da vida

agua_homem_250Por Américo Canhoto*

Num planeta predominantemente aquático, somos constituídos basicamente desse elemento. Nosso comportamento beira a esquizofrenia: seres mais aquáticos do que terrestres, desprezamos o principal elemento que nos dá forma e permite a vida em 3D. Haverá no cosmos seres tão ingratos e estúpidos quanto nós?

Água é quase sinônimo de vida, basta observar a relação entre ela e os outros elementos presentes em todos os seres vivos. Gulosamente nos preocupamos com a alimentação e pouco ou nenhum valor lhe damos, principalmente os viciados em sabor doce que só bebem sucos e refrigerantes.

Esse distúrbio se deve em parte á ciência médica: introduzir sucos na dieta infantil; com um quase desprezo pela água e sua qualidade – criou um DNA cultural difícil de ser erradicado e que contribui de forma decisiva para a desvalorização nos cuidados em manter saudável o principal elemento do nosso corpo planetário e do próprio organismo físico: a água. As pessoas comuns acham um absurdo que uma garrafa de água de custe o mesmo preço que uma de refrigerante ou suco.

Na dúvida entre uma verdade científica da moda e outra; prefiro ficar sempre com a da mãe natureza: Fruta é para comer; se fosse para beber já vinha engarrafado na árvore.

É possível sobreviver alguns meses sem comer; mas sem água duramos poucos dias. Para manter um estado de sanidade necessitamos mais de água do que de alimento.

Apenas algumas de suas funções:

Transportar nutrientes celulares; carrear restos do metabolismo jogando-os fora; excretando-os; regular o equilíbrio ácido – básico; transportar energia vital para as células.

Além disso; é um importante condutor das energias da natureza; percebemos como “recarregamos as baterias” estando à beira-mar, próximo de cachoeiras ou durante o banho quando logo desaparece a sensação de cansaço.

Gulosamente, é comum confundirmos a ingestão de líquidos com água; mas suco não é água; chá não é água; refrigerante não é água. Alguém que bebe num dia dois litros de suco ingeriu dois litros de líquido e zero de água.

Fervida ou “tratada” perde suas propriedades vitais.

Mesmo com o problema de transporte, armazenamento e contaminação pelo plástico das embalagens; na relação custo/benefício ainda é interessante fazer uso de água mineral sempre que possível.

Atenção, naturebas de plantão:

Cuidado com o uso abusivo de chás sem saber qual é a indicação. Forma de uso; e por quanto tempo deve ser tomado; pois só devem ser bebidos com conhecimento de sua finalidade terapêutica.

Juízo, “acadêmicos corporais” e atletas da moda:

O uso freqüente de bebidas enriquecidas de sais minerais pode comprometer a função renal; e todo momento; vemos crianças usando-as como se fossem água, até sem praticar esporte.

Mesmo o consumo de sucos naturais deve ser consciente quanto à quantidade e finalidades; pois tudo que em pequena quantidade cura em quantidade maior pode fazer mal.

Sob a “isca de marketing” da extremamente oxidável vitamina C; o suco mais consumido é o de laranja que é danoso à saúde de muitas pessoas. A laranja é fruta de excepcional valor alimentício curativo; e rica em fibras; certamente consumir laranja é bom para manter a saúde – Mas, o que é “comer” laranja? É mastigar, mastigar bem, engolir o bagaço e, jogar fora apenas o caroço. Ao comermos laranja, conseguimos devorar apenas uma ou duas; já quando se trata de chupar laranja uma só não basta e, só nos satisfazemos com duas ou três; o suco dela contém o sumo de seis ou sete cuja acidez e fermentação é danosa à saúde; certamente, respeitada a tolerância individual, além disso, é uma lavoura muito envenenada por agrotóxicos (Quem esfrega e lava a laranja antes de descascá-la ou de espremê-la?).

Sucos artificiais que imitam o sabor das frutas dispensam comentários (como disse o sábio Jesus: “não dê pérolas aos porcos…”)…

Preservar a vida implica necessariamente em preservar a qualidade da água.

Sem dúvida ao menos algumas das previsões de seleção humana em andamento vão se concretizar – e tudo leva a crer que uma das formas que o planeta vai encontrar para faxinar em larga escala os seres humanos de pouca qualidade que o habitam será a água.

Não se trata apenas de economizar água – mas, principalmente cuidar da sua qualidade. As besteiras que fazemos nos cuidados com a água são as mesmas que fazemos nos cuidados com nossa saúde. Não adianta submeter periodicamente a água a mil exames e tratá-la com remédios e venenos – é preciso cuidar dela com inteligência e amor.

Todo juízo é pouco.

Embora a Justiça Natural seja eminentemente educativa e não punitiva ela jamais esquece nem perdoa sem reparação.

Quem quiser bancar o filho pródigo esteja á vontade – será bem recebido de volta á Nova Terra, na renovada casa do pai – mas, antes vai ter que comer o pão que o diabo amassou em pocilgas cósmicas secas; bem secas.

Nestas bandas do universo, água é sinônimo de vida.

O que está fazendo da sua?

Namastê.

* Américo Canhoto é clínico geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

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12307951933_paz_e_naturezaResgatar o cuidar melhor da natureza em cada um de nós, na nossa relação com a vida e com o Planeta. É a proposta do seminário “A Arte de Viver a Natureza” que a Unipaz Pernambuco estará realizando nos dias 17 e 18 de junho, na sede da instituição no Rosarinho. O seminário facilitará reflexões sobre o processo de destruição da natureza e levará a um aprofundamento sobre a relação sujeito-objeto na natureza. Será também a culminância das ações desenvolvidas pela Unipaz-PE em comunidades parceiras, no mês em que se comemora o Dia do Meio Ambiente.  No bairro de Santo Amaro, a Unipaz Recife realizou durante todo o mês, uma ação com os jovens, promovendo palestras, feiras ecológicas e distribuição de mudas de árvores para o plantio.

O seminário “A Arte de Viver a Natureza” compõe o programa “A Arte de Viver a Vida”, elaborado por Pierre Weil, e um fundamento básico da Formação Holística de Base (FHB) da Unipaz internacionalmente. O programa tem como grande mensagem “Estar consciente de que tudo está interligado e de que fazemos parte de um mesmo Universo”. De acordo com o diretor científico da Unipaz Pernambuco, Manoel Durão, “precisamos entender o que está acontecendo com a natureza, com todos os absurdos e graças e o conteúdo oferecido por este seminário levará o aprendiz a refletir melhor sobre a harmonia e a essencialidade da vida”.

O palestrante do seminário será o fundador e diretor do centro de Ecologia Integral (CEI) e da Revista Ecologia Integral, José Luís Ribeiro de Carvalho, psicólogo, engenheiro eletricista e educador ambiental. Como facilitadora, foi escolhida a jornalista, relações públicas, psicodramatista e educadora ambiental, Ana Maria Vidigal Ribeiro, editora da Revista Ecologia Ambiental e coordenadora e professora do curso de Pós-graduação “Educação Ambiental, Agenda 21 e Sustentabilidade”. A sede da Unipaz Pernambuco fica na Ruda Enéas de Lucena, 244, telefones: 32442742 e 97251415. O site da Unipaz é o www.unipazrecife.org.br.

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Por EcoD

Sem que a gente perceba, diversos químicos tóxicos entram em nossas casas diariamente por meio de produtos de limpeza, materiais de construção e pesticidas. Essas substâncias são extremamente prejudiciais a nossa saúde e ao meio ambiente. O importante é que podemos trocar alguns desses produtos por outros com substâncias naturais e que podem ser encontradas em casa.

Antes de comprar um desinfetante, aerossol ou qualquer produto do gênero, confira se ele possui alguma dessas sustâncias: amônia, butil cellosolve, cresol, formaldeído, glicol, ácido hidroclórico, ácido hidroflórico, lixívia, naftalina, paradiclorobenzenos, percloroetileno, destilados de petróleo, fenol, ácido fosfórico, propelentes, ácido sulfúrico e tricloroetileno.

Esses produtos podem causar diversos problemas, como intoxicação, problemas respiratório, danos ao sistema nervoso e até câncer.

Produtos químicos não tóxicos

Alguns itens encontrados em sua cozinha podem te ajudar a manter a casa limpa e a fazer um economia no final do mês.

Vinagre

Por ser ácido, o vinagre mata os germes, dissolvendo gorduras e depósitos minerais. Use vinagre para tirar as manchas de fervura na chaleira: despeje o vinagre até 1/3 da capacidade da chaleira, leve à fervura e esvazie. Repita o processo com água para eliminar o vinagre.

Fermento em pó

Uma lata de fermento em pó é um produto barato e fácil de encontrar no armário da cozinha. Além de seu uso tradicional para assar bolos, trata-se de um produto de limpeza com poder abrasivo, com propriedades alvejantes. Também é ótimo para remover odores deixados pelos bichinhos de estimação nos tapetes.

Óleos essenciais

As essências de diversas plantas, como hortelã e lavanda, podem ser usadas como desodorizadores de ambiente e para acrescentar um aroma agradável a desinfetantes caseiros. Você encontrará óleos essenciais em lojas de produtos naturais e algumas farmácias e supermercados. Um pequeno frasco de essência de boa qualidade pode ser caro, mas você só precisará de duas gotas para obter efeito.

Carbonato de sódio

Também conhecido como barrilha e soda, este produto facilitará a remoção de sujeiras e manchas gordurosas. Procure próximo aos sabões em pó, no supermercado. Muito cuidado, no entanto, pois esse produto só pode ser usado para lavagens à mão; jamais coloque na máquina de lavar.

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andesPor Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil

O Peru possui 70% de todas as geleiras existentes na zona tropical do planeta, que são fundamentais para o fornecimento de água e para o próprio clima de diversos países. Porém o aumento da temperatura está provocando o degelo dessas regiões em um ritmo mais rápido que o previsto por cientistas e existe o risco de que nos próximos 10 anos geleiras inteiras deixem de existir.

Se esse cenário se confirmar, uma grande crise econômica e social pode desestabilizar todo o continente, fazendo surgir mais conflitos entre os países.

“Imagine o que pode acontecer se as geleiras andinas se forem e milhões de pessoas famintas tiverem que migrar para outras regiões”, explicou ao jornal Washington Post o ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), James Woolsey.

Dados dos últimos 40 anos do governo peruano já mostram o impacto do degelo na agricultura e no modo de vida das pessoas que moram nas zonas mais próximas às geleiras.

“Antes eu caminhava duas horas e já alcançava a geleira. Mas agora, eu ando cinco, seis horas para chegar à ela. Nós pegamos toda a nossa água de lá, se o gelo desaparecer simplesmente não teremos mais água”, disse Maximo Juan Malpaso Carranza, agricultor da comunidade andina de Utupampa.

Mais de dois milhões de peruanos dependem diretamente da água coletada na chamada Cordilheira Branca. Porém, pesquisadores afirmam que essas montanhas já perderam 30% de suas geleiras desde 1970.

O próprio governo do país reconhece que precisa de ajuda para lidar com a situação, seja com a construção de reservatórios e represas ou com investimentos que melhorem a produção agrícola.

“Se o Peru e seus aliados não criarem projetos para conservar água, melhorar a infraestrutura e controlar o degelo nos próximos cinco anos, o desaparecimento das geleiras podem levar a um desastre social e econômico”, afirmou Alberto Hart, conselheiro de mudanças climáticas do Ministério de Relações Exteriores do Peru.

Para minimizar esse quadro, o governo peruano está tentando arrecadar junto à comunidade internacional US$ 350 milhões por ano até 2030.

No ano passado, o Peru recebeu US$ 30 milhões dos Estados Unidos em ajuda para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Porém, a maior parte desses recursos acabou destinada para as áreas de florestas do país.

O Banco Mundial já vem trabalhando com o Peru para monitorar o suprimento de água e implementar modificações na agricultura. Japão, Austrália e Suiça também ofereceram ajuda.

Mas o degelo dos Andes não afetará apenas o Peru, pois terá sérias consequências de forma direta na Bolívia e no Equador, onde cidades já convivem com a ameaça de enchentes relâmpago e seca. Os rios que formam a Bacia Amazônica também deverão sofrer, já que nascem na cordilheira. Todos os impactos do degelo ainda não estão claros e mais estudos deveriam ser incentivados pelos governos sul-americanos.

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC) identifica a América do Sul como uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas. Além do degelo dos Andes, praticamente todo o litoral do continente está sujeito a fortes tempestades e enchentes, fenômenos extremos que põe em risco milhões de pessoas devido à densidade populacional e a ocupação desordenada nas cidades.

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Segunda, 17 Janeiro 2011 22:04

O preço de não escutar a natureza

naturezaPor Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora. A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver.

Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.

Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.

* Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor, é professor emérito de ética da UERJ.

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Sexta, 14 Janeiro 2011 23:23

Menos demagogia

85576Por Aspásia Camargo*

O pesadelo retorna, e redobrado, com as chuvas de verão. Sempre as mesmas desgraças. E tratadas com a mesma negligência. Em geral, existe um grande interesse pelas vítimas e suas perdas e nenhuma atenção às causas de tais calamidades. Mas agora parece que a opinião pública acordou de seu longo torpor e começa a se interessar por uma solução mais racional e adequada. Vamos ter que levar a sério o aumento de frequência e intensificação das chuvas, provocado pelas mudanças climáticas.

As recomendações da Conferência das Partes da ONU são claras: aplicar o princípio da "mitigação" para eliminar as causas do aquecimento global; e o da "adaptação" para fortalecer a proteção física das áreas vulneráveis, já identificadas pelo meteorologista Carlos Nobre. Tese de mestrado defendida na UFF pela médica bombeira Edna Maria de Queiroz revela que 60% das catástrofes naturais são de origem hídrica - enchentes e deslizamentos -, mas até agora nada fizemos para planejar ações de controle e prevenção nas bacias hidrográficas, evitando o assoreamento e protegendo as matas ciliares dos rios.

A urbe se expandiu aprisionando e desprezando a natureza - precisamos nos reconciliar com ela. As cidades sustentáveis são hoje parte de uma nova agenda civilizatória, exigindo mais segurança, melhor circulação, menos desperdício e mais qualidade de vida. A impermeabilização do solo tem efeitos nefastos que podem ser mitigados com a multiplicação das áreas verdes e garantia de vegetação nas encostas.

O paralelepípedo em vez do asfalto nas ruas e as pedras portuguesas na calçada são medidas que permitem melhor escoar a água, sem dispensar a manutenção de uma rede de águas pluviais e bueiros limpos que impeçam a formação de rios urbanos - como o que vimos correr a 100 km por hora em Franco da Rocha (SP). Moacyr Duarte, da Coppe, sugere certificados de habitabilidade para evitar ocupações em áreas impróprias. Afinal, não é apenas a construção que molesta o ecossistema, diz ele, mas o ecossistema que ataca as construções que o molestam.

Quanto à adaptação, é importante saber que 80% das perdas materiais e humanas acontecem nos três primeiros dias do desastre, momento em que o poder público, desprevenido, está desarticulado e impotente. De fato, inexistem planos de contingência e gerenciamento de crises. Além do mais, a articulação federativa é precária e demagógica. O que precisamos agora é de educação ambiental para nossos governantes, menos improvisação e populismo e mais vigilância da cidadania.

A lei que reduz as emissões de gases de efeito estufa do município em 20% até 2020 é um bom começo.

*Aspásia Camargo é deputada estadual e autora da Lei de Mudanças Climáticas do município do Rio de Janeiro.

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Quarta, 03 Novembro 2010 21:21

Despertar em Nagoya

despertar1Por Stephen Leahy, da IPS

A comunidade internacional finalmente despertou para um dos grandes desafios contemporâneos e chegou a um novo acordo para deter o desaparecimento da natureza que sustenta a vida humana. O novo acordo, assinado pelos mais de 190 Estados-membros do Convênio sobre a Diversidade Biológica, inclui o compromisso de reduzir pela metade a proporção de perda de espécies até 2020, bem como o histórico Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos Recursos Genéticos.

No entanto, este despertar só se aplica aos primeiros madrugadores. A vasta maioria continua dormindo, sem consciência de que os seres humanos dependem da variedade de formas de vida que integram o ecossistema e que nos fornecem oxigênio, água, alimentos e combustível. E também sem consciência diante do fato de que a natureza é nossa realidade, enquanto a economia é simplesmente um jogo complicado criado por nós mesmos.

O Japão importa mais de 60% de seus alimentos e a maioria dos ecossistemas da Europa foi devastada, restando apenas 17% deles em estado razoável, segundo a primeira avaliação desse tipo. O único motivo pelo qual esses países não faliram é que são suficientemente ricos para se ajudarem em matéria de recursos ecológicos e serviços da natureza.

“Exploramos os recursos biológicos no exterior, especialmente no Sul. Por isso nós, o povo de Aichi, Nagoya, devemos nos desculpar pela deterioração dos ecossistemas e da biodiversidade que causamos”, afirma um documento público divulgado pela sociedade civil de Nagoya, onde, de 18 a 29 de outubro, quando aconteceu a 10ª Conferência das Partes (COP 10) do Convênio sobre Diversidade Biológica.

Embora o governo japonês não tenha se mostrado disposto a reconhecer publicamente, essa realidade pressionou para que os países participantes chegassem a um acordo apesar da habitual divisão entre o Norte industrializado e o Sul em desenvolvimento.

O conflito central é que as nações do Norte são como biopiratas desesperados, viciados em saquear os ecossistemas mais ricos do Sul em busca de alimentos, matéria-prima e mão-de-obra barata. Cada vez mais, o Sul resiste e busca compensações. E isto implica transformar a economia do crescimento para deter a perda de espécies. Estima-se que anualmente aconteçam entre cinco mil e 30 mil extinções.

“O Japão teve um papel central na economia do crescimento. Precisamos passar para uma economia de subsistência”, disse à IPS o professor Kinhide Mushakoji, da Universidade de Economia e Direito de Osaka e um dos organizadores. A petição foi assinada por 156 organizações no Japão. Porém, nas negociações formais não se falou dessa virada para uma economia de subsistência.

De modo perverso, a atual economia do crescimento levou países como o Japão e muitos europeus a subsidiarem a destruição da pesca marinha com a pesca excessiva, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que administra o Convênio. Promover uma economia verde exigiria investir “US$ 8 bilhões dos estimados US$ 27 bilhões a título de subsídios em zonas como as Áreas Marinhas Protegidas, e cotas de pesca comercial”, disse Steiner na abertura da Conferência.

Estudos do Pnuma mostram que esse enfoque representa maiores capturas no futuro, elevando a renda das populações locais e garantindo que quase um bilhão de indigentes do mundo tenham acesso a mais proteínas derivadas do pescado. Acabar com esses subsídios é o terceiro dos 20 objetivos estratégicos para até 2020 do acordo, conhecidos coletivamente como Objetivos de Aichi.

“É necessário frear a perda de biodiversidade até 2020. Isso não pode ser adiado”, disse Mario Tanao, um delegado juvenil e membro da organização japonesa Biodiversity on the Brink. Mario e outros criaram uma rede chamada Global Youth Biodiversity Organisation, que foi oficialmente reconhecida pela secretaria do Convênio ao final da reunião. “Esperamos ter jovens de mais de cem países na próxima COP”, disse Christian Schwarzer, representante juvenil do Fórum Alemão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

O governo holandês divulgou na COP 10 uma análise científica segundo a qual frear a perda de biodiversidade mundial até 2050 será extremamente difícil, quando não impossível. E até 2020, absolutamente impossível, disse o diretor do estudo, Maarten Hajer, da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental.

O estudo de Maarten dá ênfase às principais causas da perda de biodiversidade: agricultura, desmatamento, pesca excessiva e mudança climática, e nas opções que podem ser usadas até 2050 em um mundo que - estima-se - nesse ano terá cerca de nove bilhões de habitantes. Apenas aumentar o tamanho das áreas protegidas para 20% de toda a área terrestre é altamente insuficiente, afirmou.

A única esperança é uma combinação de grandes áreas protegidas e uma virada para uma produção e um consumo sustentáveis. “Mesmo assim, só poderemos reduzir a proporção de perda de biodiversidade, não detê-la”, disse Maarten à IPS. Segundo Kinhide, “a economia verde é uma solução apenas para aqueles que atuam na economia monetária. Milhares de milhões de pessoas não o fazem”.

Publicado em Viva Mundo
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