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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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O Instituto Ethos, a Embaixada da Holanda e a organização holandesa ICCO-Kerk in Actie realizam, no próximo dis dia 7 de novembro de 2011, no Recife, o Seminário “Responsabilidade Social Empresarial e Direitos Humanos: Desafios e Oportunidades”. O objetivo do evento é promover uma ampla discussão em torno das responsabilidades e oportunidades do setor empresarial com os direitos humanos.

O Nordeste é a região brasileira que tem tido os maiores índices de crescimento econômico do país, mas igualmente grandes são os desafios para a proteção dos direitos humanos na região, demandando o compromisso e a ação não só do governo, mas também da sociedade civil e das empresas.
 
Um dos principais destaques do seminário será o debate “A Agenda do Trabalho Decente Como Dimensão Fundamental para a Garantia dos Direitos Humanos: o Papel das Empresas e os Desafios Setoriais”, que contará com a participação de Jayme Benvenuto, professor de direitos humanos da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), além de representantes do Dieese, do BNDES e da Petrobrás.
 
Além disso, haverá uma série de palestras sobre direitos humanos e trabalho decente, bem como as oficinas “Erradicação do Trabalho Escravo e Infantil nas Cadeias de Valor”, com Luiz Machado, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), “Promoção da Diversidade no Local de Trabalho”, com o educador e consultor Reinaldo Bulgarelli, e “Inclusão de Pessoas com Deficiência”, com Cláudia Werneck, da ONG Escola de Gente.Durante o evento, será lançada a publicação Empresas e Direitos Humanos na Perspectiva do Trabalho Decente – Marco Referencial, realizada pelo Instituto Ethos, com apoio da Inter-American Foudation (IAF).
 
 Esse trabalho visa trazer uma contribuição para o debate sobre a relação das empresas com os direitos humanos, mostrando como elas podem enxergá-los em seus negócios e indicando oportunidades para uma atuação preventiva e proativa. Nele são aprofundados os seguintes temas do trabalho decente: promoção da equidade de gênero no local de trabalho; promoção da igualdade de raça no local de trabalho; erradicação do trabalho escravo nas cadeias de valor; inclusão de pessoas com deficiência; e apoio para a promoção dos direitos da criança, do adolescente e do jovem. 
 
PROGRAMAÇÃO:
 
8h00

  

Café de boas-vindas 

8h30

  

Boas vindas    

- Miguel Arruda - Gerente Geral da Gerência de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil - Gepes Recife 

8h40

  

Abertura

- Jorge Abrahão – Presidente do Instituto Ethos

- Kees Pieter Rade – Embaixador do Reino dos Países Baixos no Brasil

9h00

  

Os desafios para proteção dos Direitos Humanos no Brasil hoje e o papel das empresas  

- José Guerra – Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

  

9h30

  

Vídeo mensagem de John Ruggie representante especial da ONU para o tema Empresas e Direitos Humanos

9h40

  

Debate: A agenda do Trabalho Decente como dimensão fundamental para a garantia dos direitos humanos, o papel das empresas e os desafios setoriais

- Adriana Franco – Walmart Brasil

- Fernando Castilhos – BNDES     

- Frederico Petribu Vilaça – Usina São José   
- Jayme Benvenuto –
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) 

- João Sucupira – Petrobras  

- Lilian Arruda  Marques – Dieese

Moderadora: Adriana Guarda – Jornal do Commercio    

  

12h00

  

Espaço para perguntas  

12h20

  

As ações recentes do Instituto Ethos na agenda dos direitos humanos  

- Caio Magri – Instituto Ethos       

  

13h00

Almoço (será servido no local)

14h30

Empresas e direitos humanos

- Luis Fernando de Angulo – Institute for Human Rights and Business

15h30 – 17h00

Oficinas temáticas

1- Erradicação do trabalho escravo e infantil nas cadeias de valor: Luiz Machado – Organização Internacional do Trabalho - OIT

2- Inclusão de pessoas com deficiência: Claudia Werneck – Escola de Gente

3- Promoção da diversidade no local de trabalho: Reinaldo Bulgarelli – Txai Consultoria e Educação

17h30

Coquetel de confraternização

PALESTRANTES:

Adriana Franco - Socióloga pela Universidade Federal de Pernambuco com pós-graduação em Sociologia no Curso de Mestrado em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco. É a atual Gerente de Responsabilidade Social/ Instituto Walmart.


Adriana Guardajornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Com 10 anos de carreira, há 4 anos integra a equipe de repórteres do Jornal do Commercio. Este ano é finalista do Prêmio Esso, na categoria nacional de Informação Econômica.


Caio Magri - Sociólogo pela USP, é gerente de políticas públicas do Instituto Ethos. Coordenou o programa Empresa Amiga da Criança da Fundação Abrinq e o programa de políticas públicas para a juventude da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Em 2003 integrou a assessoria especial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Claudia Werneck - fundadora superintendente da ONG Escola de Gente.


Fernando Castilhos - Técnico em Mecânica pelo IFPE, Administrador de Empresas e Mestre em Engenharia de Produção pela UFPE. Cursou MBA em Gestão Financeira Controladoria e Auditoria pela FGV. Atualmente é gerente do Departamento Regional Nordeste do BNDES.


Frederico Petribu Vilaça - Sócio-diretor da Usina São José.


Jayme Benvenuto Lima Junior - Mestre em Direito pela UFPE, Doutor em Direito Internacional pela USP, possui pós-doutorado pela Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA). Leciona as disciplinas Direito Internacional Público, na graduação em Direito, e Política Internacional e Direitos Humanos, no Mestrado em Direito, da UNICAP, onde é o diretor do Centro de Ciências Jurídicas.


João SucupiraRepresentante da gerência de Comunicação Institucional / Responsabilidade Social da Petrobras.


José Armando Fraga Diniz Guerra - Bacharel em Direito pela UFBA. Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental desde maio de 2007. Na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República ocupa, desde janeiro de 2008, o cargo de Coordenador Geral da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.


Lilian Arruda Marques - Engenheira agrônoma, técnica do DIEESE - desde 1987. Atualmente assessora a Direção Técnica da entidade. Está assessorando a bancada dos trabalhadores na Comissão Organizadora Nacional da I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente.


Luiz Antonio Machado - Formado em Administração de Empresas pela McQuarie University de Sydney, Austrália e Direito pelo UDF. Coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da OIT no Brasil. É membro titular da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE) e sua Comissão Executiva, assim como representante da OIT no Comitê Gestor e de Avaliação do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.


Luis Fernando de Angulo - Membro da Junta Diretiva do Institute for Human Rights and Business. Consultor em áreas de riscos sociopolíticos, direitos humanos, consulta previa e relacionamento institucional para empresas do setor de mineração e petróleo. Diretor do Programa de Formação Socioambiental e Direitos Humanos para a Indústria Petrolífera ACP-ANH da Universidad Sergio Arboleda.


Reinaldo Bulgarelli - Sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação. É coordenador dos cursos na área de sustentabilidade, responsabilidade social e terceiro setor no Programa de Educação Continuada na FGV de São Paulo, além de professor em outros cursos que tratam destes temas, como Unicamp, FIA USP, Fundação Dom Cabral e Instituto Palas Athena.

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Do site do PNUD

Começa a ganhar forma no Brasil um projeto que prevê a construção de um sistema nacional de indicadores e informações capazes de ajudar o país a avançar nas políticas de fortalecimento e promoção dos direitos humanos.

Estão abertas até o dia 17 de outubro as inscrições para contratação dos consultores técnicos que desenvolverão indicadores em áreas específicas como direitos civis e políticos, seguridade social (previdência e assistência sociais), trabalho e geração de renda, saúde e educação com foco em direitos humanos (veja os detalhes sobre os editais à direita desta reportagem).

A iniciativa faz parte do projeto “Informações em Direitos Humanos: Identificando Potenciais e Construindo Indicadores”, desenvolvido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Com a construção desse sistema de informações, o governo federal busca criar um instrumento para apoiar a formulação de políticas e ações, utilizando dados que expressem a realidade social brasileira também pela perspectiva dos direitos humanos e não apenas do ponto de vista sociológico, geográfico ou econômico.

De acordo com a SDH, os dados de que o país dispõe para a construção de políticas, principalmente dos grupos mais vulneráveis, estão dispersos e não possuem a sensibilidade necessária para se trabalhar a questão. “A criação desse sistema nacional vai ajudar a aprofundar e qualificar as discussões relativas ao tema”, assinala o coordenador-geral de Informações e Indicadores em Direitos Humanos da secretaria, Jorge Teles.

Ele identifica três importantes utilidades do projeto: qualificar as políticas públicas que tratam dos direitos humanos, facilitar e ampliar a prestação de contas por parte do governo e possibilitar um maior controle social por parte da sociedade civil sobre o que é feito nessa área.

Existe atualmente no país um sistema estruturado de dados e indicadores que é usado na avaliação de desempenho das variáveis macroeconômicas e setoriais. Os indicadores sociais, publicados anualmente pelo IBGE, mostram situações de carências de grupos em condição de vulnerabilidade e são usados como medida aproximada do grau de satisfação de direitos fundamentais como trabalho, educação, saúde, entre outros.

No entanto, na avaliação da SDH, esses indicadores não refletem o caráter normativo dos direitos humanos e por isso representam medidas incompletas dos direitos individuais.

Outros exemplos de indicadores são o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD e o Índice de Desenvolvimento da Família (IDF) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Também destacam-se os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e seus indicadores como medidas complementares aos critérios de avaliação de direitos humanos.

Embora a discussão metodológica e conceitual tenha evoluído ao longo dos anos, são raras as iniciativas para criação de bancos de dados e de indicadores de direitos humanos entre os países-membros da ONU. Com este projeto o Brasil enfrenta o desafio de, partindo dos princípios contidos nos tratados internacionais, criar instrumentos capazes de medir os níveis de compromisso, a realização das etapas e os resultados alcançados na realização dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.

Publicado em Viva Brasil

Por Taíza Brito

O Programa Justiça Cidadã, tocado pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), disponibilizou na internet mais uma edição da revista Direitos Humanos, cuja temática é “Democracia, Direitos Humanos e Mediação de Conflitos: do local ao internacional/2011.

A edição pode ser acessada pelo link http://gajop.org.br/justicacidada/ ou em versão PDF no endereço http://www.gajop.org.br/arquivos/publicacoes/revista_05-07-2011.pdf.

O Núcleo de Investigação em Métodos não Violentos de Resolução de Conflitos e Direitos Humanos é um projeto do Gajop com o apoio da União Europeia para o fortalecimento de um Núcleo de produção e difusão de conhecimentos sobre a temática do Acesso à Justiça e Métodos Não-Violentos de Resoluções de Conflitos na Perspectiva dos Direitos.

Vale apena conferir o conteúdo!

Publicado em Blog

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, foi reeleito nesta terça-feira (21) para um novo mandato de mais quatro anos no comando da instituição. A resolução foi aprovada pelos 192 países-membros da Assembleia Geral da ONU.

A permanência de Ban Ki-moon já havia sido recomendada pelo Conselho de Segurança da ONU na última semana. O coreano está no cargo desde 2007.

De acordo com a agência de informações das Nações Unidas, o presidente da Assembleia Geral, Joseph Deiss, elogiou Ban Ki-moon por sua “liderança notável” na comunidade internacional e disse que, sob a gestão do atual secretário-geral, a ONU tem lançado iniciativas e reformas em defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito. Com a nova eleição, Ban Ki-moon ficará no cargo até dezembro de 2016.

Durante seu primeiro mandato, que termina oficialmente no final do ano, o coreano sofreu críticas por sua suposta deferência excessiva às grandes potências e por seu silêncio em relação a violações de direitos humanos em países como a China e a Rússia.

No entanto, o secretário-geral ganhou respeito por suas políticas relacionadas às mudanças climáticas e, mais recentemente, à onda de manifestações pró-democracia no Oriente Médio e no Norte da África.

No segundo mandato, Ban Ki-moon anunciou que pretende manter sua agenda com foco em temas como desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, situação das mulheres, desarmamento nuclear e fortalecimento da capacidade de ajuda humanitária da ONU.

*Com informações da BBC Brasil

Publicado em Viva Mundo

Da PrimaPagina

A Organização das Nações Unidas lançou na última sexta-feira (20) a primeira iniciativa mundial de promoção de direitos dos povos indígenas. Chamada de Parceria Nações Unidas – Povos Indígenas (UNIPP, na sigla em inglês), ela reúne diversas agências da ONU para ajudar financeiramente e dar apoio técnico para disseminar a Declaração das Nações Unidas sobre o Direito dos Povos Indígenas. Assinado em 2007, o texto é reconhecido como um instrumento indispensável para a proteção dos 370 milhões de índios em 90 países.

Eles representam 15% dos pobres do globo e um terço dos 900 milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza. Os povos indígenas também têm piores índices sociais que o restante da população, como taxa de escolaridade mais baixa, além de altas taxas de criminalidade e de violação dos direitos humanos. No Brasil, por exemplo, a mortalidade infantil em tribos atingiu 41,9 para cada mil nascimentos em 2009, aponta a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Já no restante da população, o índice foi de 19 no mesmo período.

Com o objetivo de melhorar essas condições, a UNIPP vai capacitar os povos indígenas a participarem mais ativamente de decisões políticas nos seus países. Por exemplo, na prevenção de conflitos por posse de terras e acesso a recursos naturais.

A promoção dos direitos dos povos indígenas também ajudará a preservar seu modo de vida, que é intimamente ligado à preservação dos recursos naturais dos territórios onde vivem. Os conhecimentos sobre exploração sustentável do ambiente podem ajudar na pesquisa de processos que aliem desenvolvimento, preservação e respeito aos direitos humanos nas grandes cidades, por exemplo.

A iniciativa foi lançada durante a última sessão da instância permanente para as questões indígenas das Nações Unidas. Para Mirna Cunningham, presidente da organização, é necessário agir imediatamente para melhorar a qualidade de vida dos índios. “Nós estamos impacientes para prosseguir nossa cooperação com as Nações Unidas para que nós possamos preservar a dignidade e o respeito por diversas culturas, tradições e histórias”, afirmou.

Publicado em Viva Mundo
Segunda, 09 Maio 2011 16:18

Sabes quem era?

070314_irena_sendler_vlrg_8a_widecPor Cesar Vanucci*

Irena Sendler foi uma heroína.”
(Maria Esther Carvalho Pereira, empenhada
em divulgar a história do “Anjo do gueto de Varsóvia
”)

A mensagem chegada via Internet dizia: - Irena Sendler morreu. Sabes quem era? Nem sempre o Prêmio Nobel é atribuído a quem mais o merece.

Não, eu não sabia, até aquele momento, quem era Irena Sendler. Passei a saber por conta de informação repassada pela amiga Maria Esther Carvalho Pereira. Inteirei-me ai, consultando a Wikipedia – inesgotável manancial de episódios sugestivos da fascinante e tumultuada aventura humana nem sempre trazidos com o realce adequado ao conhecimento do grande público – de uma história heróica e comovente envolvendo uma polaca destemida, enfermeira e assistente social que se transformou, durante a Segunda Guerra Mundial, numa fabulosa ativista dos direitos humanos.

Passo adiante os elementos colhidos, sublinhando com admiração os aspectos edificantes dessa existência iluminada.

Irena Sendler (1910 - 2008), conhecida como "o anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial. Suas ações contribuiram para salvar 2.500 crianças encarceradas no sinistro gueto de Varsóvia. Quando a Alemanha  invadiu a Polônia, Irena era enfermeira no Departamento Social Varsóvia. Em 1942, os nazistas criaram o tristemente célebre gueto. Irena, horrorizada pelas condições do lugar, ofereceu seus préstimos ao “Conselho para a Ajuda aos Judeus”.

Contou a respeito: "Consegui, para mim e minha companheira Irena Schultz, identificações do gabinete sanitário. Entre as tarefas assumidas estava a luta contra as doenças contagiosas. Mais tarde, consegui passes para outras colaboradoras. Como os alemães invasores tinham medo de que ocorresse uma epidemia de tifo, permitiam que polacos se movimentassem no recinto."

Quando Irena circulava pelo gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, em sinal de solidariedade aos judeus e para não chamar demasiadamente a atenção. Em contato com famílias judias, propôs-se a tentar transportar crianças para fora do gueto, sem poder oferecer-lhes garantia de êxito na arriscada empreitada. Enfrentou momentos difíceis. Procurando convencer os pais a que lhe entregassem os filhos, ouviu de muitos pergunta dolorosa: "Podes prometer-me que o meu filho viverá?". Não podia fazer tal promessa, até mesmo por não estar convencida de que conseguiria sair do gueto com os menores. A única certeza que tinha era de que as crianças morreriam se lá permanecessem.

Muitas mães mostravam-se reticentes na entrega das crianças, algo compreensível, mas que acabaria, deploravelmente, se tornando fatal. Não poucas vezes, quando Irena se dispunha a revisitar as famílias, insistindo para que mudassem de opinião, constatava que todos já haviam sido levados aos campos de exterminio.

Até a evacuação do gueto, verão de 1942, Irena conseguiu resgatar, numa proesa notável, mais de 2.500 crianças, usando vários expedientes audaciosos. Começou a recolhê-las em ambulâncias, “vítimas de tifo”. Valeu-se, depois, de todo o tipo de subterfúgio válido para escondê-las: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, cargas de mercadorias, sacas de batatas, caixões. Suas mãos corajosas faziam de qualquer instrumento uma via de fuga.

Irena pensava também nos tempos de paz. Esforçava-se por manter com vida as crianças. Mas almejava pudessem elas, algum dia, recuperar a identidade, suas histórias pessoais e reencontrar os familiares. Bolou um arquivo no qual registrava nomes e dados dos menores retirados do gueto.

Informados dessas ações, em outubro de 1943 os nazistas detiveram Irena Sendler. Na prisão de Pawiak foi brutalmente torturada. Num colchão de palha, encontrou uma pequena estampa de Jesus com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”. Conservou-a até 1979, oferecendo-a ao Papa João Paulo II.

Ela era a única pessoa que sabia os nomes e as moradas das famílias que albergavam as crianças judias. Suportou o suplicio dos agentes da Gestapo, negando-se a passar informações que levassem à descoberta do paradeiro dos menores. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto aguardava a execução, um soldado alemão conduziu-a a  um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco: "Corra!". No dia seguinte, Irena viu seu nome numa lista de polacos executados. Amigos salvaram-na subornando agentes alemães. Irena voltou a trabalhar com identidade falsa.

Em 1944, quando do Levante de Varsóvia, colocou suas listas em dois frascos de vidro, enterrando-os e se assegurando de que chegassem às mãos indicadas caso morresse. No final do conflito, desenterrou-os, entregando as anotações ao “Comitê de salvação dos judeus sobreviventes”. A maior parte das famílias das crianças já não mais estava entre nós.

De principio, as crianças que não tinham famílias adotivas foram cuidadas em orfanatos. Mais tarde, foram deslocadas para a Palestina. Os garotos só conheciam Irena pelo nome de código, "Jolanta". Quando sua fotografia saiu num jornal, depois de ser premiada pelas ações humanitárias praticadas, um homem procurou-a: "Lembro-me da sua cara. Foi você quem me tirou do gueto." Começou a receber chamadas e a ganhar merecido reconhecimento público.

Em 1965, deram-lhe a cidadania honorária de Israel. Em 2003, o presidente Aleksander Kwaśniewski concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polônia: a “Ordem da Águia Branca. Irena Sendler foi apontada também para o  Nobel da Paz pela Polônia. As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) manifestaram apoio à candidatura, indicando Irena como um dos últimos heróis vivos de sua geração.

O prêmio, naquele ano, foi atribuido a Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos.

* Jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

Publicado em Artigos

tragedia2Por Paula Rosa e Raphael Gomes, Rede ANDI Brasil

“A cultura de paz deve começar com o desenvolvimento de ações que possam gerar um sentimento de pertencimento em toda comunidade escolar, e não apenas nos professores e diretores”, afirma o advogado Carlos Nicodemos, representante do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). Para o conselheiro, o caso específico do Rio de Janeiro evidencia que o agressor não se sentia parte do ambiente escolar, espaço que precisa ser compreendido como de proteção, e não apenas como “sala de aula”.

André Franzini, representante da Pastoral do Menor no CONANDA, aponta que a segurança também deve ser incorporada na rotina das escolas para evitar que casos como o do Realengo se repitam. “As criança são sempre as mais vulneráveis em relação a qualquer tipologia de violência”, destaca o conselheiro que afirma, ainda, que o Brasil precisa de programas de direitos humanos e de planos com atendimentos humanizados para que o fenômeno da violência possa ser entendido com toda a sua complexidade.

De acordo com os conselheiros, a escola tem um papel fundamental na formação da personalidade e da consciência individual e social de crianças e adolescentes. Nesse sentido, o ambiente escolar deve estar preparado para formar alunos conscientes de que as diversidades dever servir para unir as pessoas, e não segregá-las. “Temos nossa própria cultura e a partir dela geramos nossas contradições. A ideia do país de sociedade tolerante é simbólica e hoje efetivamente produzimos dimensões de intolerância, em variados campos, como a questão religiosa, a orientação sexual, as discriminações intra-escolar, entre outras. É fato que importamos valores de outros modelos culturais que acabam eclodindo na sociedade através de manifestações de violência”, avalia Nicodemos.

Agressão: reflexo da violação de direitos

Casos de comoção nacional, como o ocorrido Realengo, na Zona Oeste do Rio, tendem a deixar de lado durante o debate os motivos que podem ter levado o agressor a tal situação, sem compreender que uma violação de direitos é decorrente de várias outras. O papel da mídia, neste contexto, é importante para que o assunto possa ser debatido qualificadamente. Na opinião do advogado Carlos Nicodemos, a sociedade moderna brasileira “embarcou nos sistemas acelerados de informações”, cumprindo os requisitos técnicos, mas deixando de lado a questão social, dos debates acerca dos problemas sociais. “Temos que entender que o trágico fato produzido por um rapaz de idéias confusas e sentimentos de discriminação não foi uma ação, mas sim, uma reação. Reação a uma sociedade cada vez mais competitiva que deixa lacunas de abandono e falta de solidariedade”, enfatiza Nicodemos.

André Franzini complementa, dizendo que problemas como discriminação, não somente racial, mas também de gênero e econômica, podem criar um processo de pequenas invisibilidades de sofrimento cotidiano que desembocam em atos extremos. Para o conselheiro, “é fundamental que todos os atores que administram os diferentes segmentos do Sistema de Garantia de Direitos tenham disposição para atender a um dos princípios do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], que consiste na valorização da situação individual de cada uma destas pessoas em desenvolvimento”.

Nesse sentido, a família também deve ter condições de oferecer formação social às meninas e aos meninos, mas não ser totalmente responsabilizada uma vez que é apenas uma das responsáveis pelo desenvolvimento saudável das crianças e adolescentes. Segundo o conselheiro Carlos Nicodemos, a educação familiar hoje se reduz a um conceito de responsabilidade da família, entretanto, “não podemos responsabilizar os pais, mas sim buscar alternativas de implicá-los num projeto de desenvolvimento da sociedade que deve começar com os filhos, pautado numa agenda de valores sociais, humanos e morais”.

O apoio à rede de atendimento sócio familiar nos municípios é visto por André Franzini como ação fundamental para que a escola possa ser preparada para reconhecer e mediar as violações de direitos que crianças e adolescente vivenciam, seja no ambiente escolar, familiar ou comunitário. “É inegável que a escola precisa preparar seus quadros para promover não somente a paz, mas também um processo de maior humanização das relações e, sobretudo, de reconhecimentos da importância da capacidade de perceber os dramas de seus alunos, professores e de todos seus quadros”.

O cenário evidencia que a intersetorialidade das políticas públicas e dos atores do SGD para o fortalecimento dos direitos humanos é necessária para a prevenção da violência. É clara a urgência de preparar a escola e demais espaços de socialização de crianças e adolescentes para a inserção da cultura de paz e promoção dos direitos nos debates promovidos. “Sem sombra de dúvidas, a escola pode ser um preferencial privilegiado de desenvolvimento da cultura de paz. Só temos que construir juntos, todos, o conceito de paz”, destaca Carlos Nicodemos.

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racismoEvento coloca em evidência a realidade do país em que metade da população brasileira é negra e a maior parte dela é pobre

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em parceria com a Universidade de Brasília, realiza o “Seminário Racismo, Igualdade e Políticas Públicas”. O evento, que acontece nos dias 30 e 31 de março, contará com alguns dos principais especialistas da área e, além de tratar das desigualdades e do racismo enfrentado pelos brasileiros, tem como objetivo discutir temáticas como: cotas, ações afirmativas, Estatuto da Igualdade Racial, comunidades quilombolas, modelo de desenvolvimento e racismo institucional à luz de experiências internacionais e também da atuação do Estado brasileiro.

O racismo é um dos principais fatores estruturantes das injustiças sociais que acometem a sociedade brasileira e, conseqüentemente, é a chave para entender as desigualdades sociais do Brasil. Metade da população brasileira é negra e a maior parte dela é pobre. As inaceitáveis distâncias que ainda separam negros de brancos, em pleno século XXI, são visíveis nas relações diárias e se refletem nos acessos desiguais a bens e serviços, ao mercado de trabalho, ao ensino superior bem como ao gozo de direitos civis, sociais e econômicos.

Um dos principais desafios do evento é discutir as desigualdades raciais à luz das políticas públicas do estado brasileiro. Não é mais possível falar em crescimento e em modelo de desenvolvimento da sociedade brasileira sem enfrentar a forma desigual como os vários grupos sociais se apropriam dos frutos desse desenvolvimento. O debate sobre desigualdades e racismo na sociedade brasileira tem se ampliado, mas é fundamental que essa reflexão vá além de medidas pontuais, como cotas raciais, e passe a explorar as potencialidades de outros meios de promoção da igualdade e combate ao racismo. 

Outro propósito do Seminário é discutir o futuro da Agenda de Durban, seu recente processo de revisão e as tentativas de construção de uma convenção Interamericana de combate ao racismo e as discriminações. Além disso, influenciar o debate público nacional e, em especial, a formulação do próximo Plano Plurianual (PPA) do governo federal, que está em andamento é outro objetivo do evento.

Acesse o site que tem todas as informações do evento

Veja toda a programação

Serviço: 

O que: Seminário Igualdade, Racismo e Políticas Públicas
Quando: 30 e 31 de março

Onde: Anfiteatro 12 – Brasília-DF

Organização: Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)

Realização: Inesc e UnB

Promoção: Universidade de Brasília, Departamento de Sociologia da Universidade de Brasilia (UnB), Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (DCE/UnB), Nosso Coletivo Negro.

Parceria: Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros e Negras, ONG Criola e Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Apoio: Ford Foundation

Contato: Gisliene Hesse (61) 3212-0204/8199-4426

Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). Endereço: SCS, QD 01, Bloco L, Nr 17, Cobertura - Ed. Marcia, Brasília/DF - CEP: 70.307-900 - Fone: +55 (61) 3212-0200 - Fax: +55 (61) 3212-0216.

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.              www.inesc.org.br

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Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, do Diário de São Paulo

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. 

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava penas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me econheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, algunsse aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:  'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. 

Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

 E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. 

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

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ILUSTR1O Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop)  promove, de 23 a 25 de março, oficina Mediação de Conflitos nas Perspectivas Local e Internacional à luz dos Direitos Humanos, voltada para estudantes universitários. Serão 25 vagas para alunos dos cursos de Direito, Psicologia, Assistência Social, Ciências Sociais e ciências afins.

A oficina se propõe a fornecer bases para a aplicabilidade dos princípios da mediação de conflitos, priorizando seu viés interdisciplinar e, articulando, assim, os diferentes campos temáticos transversais por meio de uma abordagem teórico-prática.

Quando:

23 de março, 14h00 às 17h, quarta-feira
24 de março, 14h00 às 17h, quinta-feira
25 de março,  14h00 às 17h, sexta-feira

Coordenação:  Valdênia Brito Monteiro e Luís Emmanuel Cunha

Local: Sede do Gaop - Rua do Sossego, 432, Boa Vista – Recife/PE

Telefone: 3092.5252

Contato: Mércia Assunção (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

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