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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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BigBrother250Por Marília Moschkovich, para o Mulher Alternativa

Às vezes repetir um argumento cansa. Quando os interlocutores não estão dispostos a abandonar seus próprios preconceitos e aprender um pouco, ainda mais. A repetição é exaustiva. Pois é assim que me sinto hoje, escrevendo esta coluna para o Outras Palavras. Um assunto que vai e vem e que não é resolvido praticamente em país nenhum: estupro de vulnerável.

Provavelmente muitos leitores daqui ouviram por alto — e sequer acompanham ou se preocupam com o Big Brother Brasil. Outros devem ser da opinião de que a indignação com o caso de estupro registrado pelas câmeras do programa no final de semana seria mais útil para expulsar o Sarney do Senado. Aí é que se enganam.

A opressão de gênero, que se utiliza frequentemente de violências sistemáticas como o estupro ou o controle sobre o corpo para se manter, independe do Senado, do sistema político, da economia, do tipo de organização social, do sistema produtivo. Achar que a corrupção deve ser mais importante do que isso, é a verdadeira falácia. Se vocês assistem Big Brother Brasil ou não, entendam: discutir o que ocorreu no programa não é apenas discutir o que ocorreu no programa. É discutir uma prática constante de violência sexual de gênero que assola todos os grupos sociais no Brasil e fora dele.

Durante a festa a mulher bebe, se diverte, como todo mundo. Diz ao homem que não quer ficar com ele. Isso já deveria bastar para um homem com um mínimo de senso ético desencanar da dita mulher. Pois não. Ele fica lá, enchendo o saco. Ela continua dizendo que não quer ficar com ele. No final da noite, ela trêbada se deita. Ele vai lá e começa a abusar dela. Carícias não só não-solicitadas, como repelidas, não são carícias. São atos de violência. Se a mulher não diz não, isso não significa um “sim” automático, até porque ela não estava em condições de dizer nenhum dos dois.

No nosso Código Penal, casos como esse são chamados “estupro de vulnerável” (1), porque não havia condições de consentir. É violência presumida. Mas este não é o primeiro, único ou último caso desse tipo de violência. Perguntem às moças e moços e verão que muitas e muitos já tiveram que defender uma amiga ou desconhecida desacordada, dormindo, embriagada ou não.

“A festa era grande, havíamos contratado um segurança até. Meu quarto trancado a chave, vejam o absurdo, para caso eu quisesse dormir quando ainda houvesse convidados. O medo do ataque. A chave no bolso. Os pufes num canto, ela dormia, sem estar bêbada nem nada. Apenas dormia, cansada, no meio da festa. Podia ser que houvesse trabalhado naquele dia. Tudo podia ser, ali. Não importava. Ela dormia no canto da pista, sobre os pufes, tranquila. Ouço um rebuliço, vejo um homem andando rápido, quase correndo pelo casarão. (…) Ele se misturava à multidão, fugitivo. Encontro alguém que me diz que um homem tentara agarrar a menina que dormia. Que as amigas lançaram-se sobre ela para impedi-lo, que ele as havia agredido. Uma menina machucada contava a história em meio à música alta da pista já vazia. Acionamos o segurança, este homem seria expulso da festa e, caso se recusasse a sair, chamaríamos a polícia.”

[Trecho do post Mulheres, Em Três Episódios, de minha autoria, no Blogueiras Feministas]

Tão grave quanto o ataque do estuprador são os comentários que consideram que a culpa do estupro é da vítima. Estar bêbada, usar determinadas roupas e até mesmo “olhar” de certo jeito são argumentos frequentemente usados por defensores de estupradores para culpar a vítima. Ora, se o estupro fosse causado por uma saia curta, quase todos os homens heterossexuais seriam estupradores e todas as mulheres teriam sido estupradas. O que causa estupro não é a roupa, o comportamento da vítima (corrobora com isso, inclusive, o fato de que a maior parte dos casos de violência sexual acontece dentro da família da vítima, em casa). É o estuprador.

O mito de que a culpa do estupro é da vítima leva, inclusive, a um tratamento desumano da justiça nos poucos casos em que é julgado como crime, como mostram o filme “Acusados” (1988), baseado numa história real, e a reportagem do The Guardian:

“Neste ano [2010], também foi publicada a maior pesquisa sobre estupro já realizada no Reino Unido. Conduzida pela organização de advocacy e lobby feminista Campaign to End Rape (CER) ["Campanha pelo Fim do Estupro"] as entrevistadas, todas mulheres, responderam perguntas sobre suas próprias experiências de estupro, acesso aos serviços de apoio a vítimas de violência sexual, e sobre o que poderia ser feito para melhorar o processo de registro de ocorrências e acusação. A pesquisa mostra que a forma como muitas mulheres são tratadas pelo sistema judiciário criminal — onde não são levadas a sério e são vistas com suspeição — leva outras mulheres a tratá-las do mesmo jeito. O fato de tantos homens acusarem vítimas de estupro de mentirosas tem um efeito devastador sobre as mulheres. Enquanto amostragem não-aleatória, a pesquisa mostrou resultados alarmantes: 40% das entrevistadas tinham sido estupradas, a maioria por homens que elas já conheciam. Apenas 42 dos 123 casos registrados de estupro chegaram a serem julgados como crime.”

[Trecho do post Culpem o Estuprador, Não a Vítima, tradução livre minha de um artigo do The Guardian)]

O que aconteceu no Big Brother Brasil no final de semana não é, como podem ver, um problema do Big Brother Brasil, apenas. É um problema social muito maior. O problema do Big Brother Brasil é ter uma equipe de produção acompanhando os fatos, presenciando um crime, e se omitindo ao não chamar a polícia, não levar o estuprador à delegacia nem fazer exame de corpo delito com a vítima. Sem falar que o estuprador estava sem preservativo… É um problema do Brasil, porém, caso o Ministério Público não se pronuncie, não exija a prisão e retirada do participante da casa e acredite que a Globo está acima da lei. Não está.


(1) A lei 12.015, (7.08.2009, incorporada , ao Código Penal, diz, em seu artigo. 217-A, que incorrer em crime de estupro de vulnerável é “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos”. A pena é reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. O § 1° acrescenta: “Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.”


Mais sobre o mesmo tema:
“Isso não é um convite para me estuprar” “O fato de eu ser mulher, de eu beber, de eu te beijar ou algo mais não é um convite ao estupro”. Por Renata Oliveira Lima
– 

(Do Outras Palavras)

Publicado em Viva Brasil
Quinta, 17 Novembro 2011 20:46

Banco Mundial lança e-atlas de gênero

Da RETS Brasil 

O novo e-Atlas de Gênero do Banco Mundial, faz parte de de um conjunto de atlas eletrônicos interativos, que permitem que os/as usuários/as visualizem mapas e gráficos com dezenas de indicadores de gênero – com comparações ao longo do tempo e entre países. A ferramenta também permite ver estatísticas dos países em suas várias dimensões de promoção de bem-estar social e empoderamento, através de buscas por palavras-chave. Quando o indicador é selecionado, um mapa do mundo é exibido, mostrando os últimos dados para mais de 200 países.

Os níveis de educação e saúde de mulheres e meninas têm melhorado significativamente ao longo dos anos. Mas em muitas partes do mundo, as mulheres continuam a morrer no parto, ou sequer chegam a nascer pelo simples fato de serem mulheres – as taxas são alarmantes. Às mulheres continuam a ser negada voz e capacidade de tomada de decisão, na família e na sociedade – e as oportunidades econômicas para as mulheres continuam a ser muito restritas. Essa desigualdade, além de injusta, também é um erro econômico: sub-investir em meninas e mulheres coloca um freio na redução da pobreza e limita o desenvolvimento econômico e socialdas sociedades. Este novo produto do Banco Mundial informa, através de dados, o progresso de mais de 200 países no sentido da igualdade de gênero e desenvolvimento.

Com este eAtlas, pode-se: 

  • Mapear mais de 80 indicadores do Banco Mundial em todo o mundo

  • Comparar e ver dois mapas ao mesmo tempo

  • Animar mapas para vizualizar mudanças ao longo do tempo

  • Ver todos os dados em tabelas e gráficos ao lado dos mapas

  • Exportar dados para uso em apresentações e

  • Importar dados. 

Por exemplo, se uma pessoa estiver interessada em ver como o seu país está em uma série de questões de gênero, pode verificar esta nova aplicação para mapear e criar gráficos de dezenas de indicadores de gênero ao longo do tempo e fazendo comparações com outros países. Digamos que uma usuária está interessada em ver a quantas anda o seu país na participação das mulheres no mercado de trabalho. Para isso, basta clicar no referido indicador depois de uma pesquisa por palavra-chave e um mapa do mundo aparece, mostrando os últimos dados para mais de 200 economias.

e-atlas

Para acessar o eAtlas de Gênero, visite o site do atlas de gênero. 

Publicado em Viva Mundo
Domingo, 10 Abril 2011 17:53

Mulher e negra

022negroBrasilPor Cesar Vanucci *

Honrai as mulheres. Elas traçam e tecem rosas celestes na vida terrestre.”

(Schiller)

As considerações abaixo concluem a exposição que fiz, num conclave feminino promovido pelo Lions, a respeito das lutas da mulher por inserção condigna no processo de construção humana.

Periodicamente é realizada uma Conferência Internacional da Mulher. Encontros dessa envergadura são capazes de abrir efetivas condições para a quebra de novos elos na gigantesca engrenagem que aprisiona a mulher, em extensas áreas geográficas, sociais, profissionais e culturais, a figurinos de concepção morbidamente machista. Quantas dezenas de eventos iguais, na estrutura e aspirações, se farão necessários ainda, ao longo dos tempos, para facilitar-lhe o acesso por inteiro a direitos naturais, independentemente de sexo, inerentes à condição humana?

Alguém poderá argumentar que se está a falar, na verdade, de direitos não desfrutados na integralidade pela grande maioria dos seres humanos. Perfeito. Mas, não há como negar que, também no desfrute dos direitos, a força invasora masculina chegou primeiro e se apoderou dos melhores pedaços nos espaços liberados.

Embora estejam sendo significativos os avanços em conquistas associadas ao desenvolvimento pessoal da mulher, fruto da expansão da consciência coletiva quanto à verdadeira natureza do papel que toca a cada cidadão desempenhar no fascinante e complexo jogo da vida, existe ainda por aí um oceano inteiro de problemas a ser navegado na busca das soluções compatíveis com a dignidade humana.

É chegada a hora de colocar alguns itens do dia-a-dia nas reflexões. Homem divorciado e mulher divorciada. Homem adúltero e mulher adúltera. Têm, eles, as posturas avaliadas pela sociedade dentro de uma mesma ótica crítica? Desloquemo-nos para o capítulo dos métodos contraceptivos: alguém sabe dizer se o número de vasectomias equivale aos de ligaduras das trompas? E a pílula masculina? Já foi lançada? Se lançada, vai pegar rápido?

Em Estados do Nordeste, segundo denúncia da CNBB, existiam até bem pouco tempo processos de esterilização de mulheres pobres, sem que elas estivessem inteiradas do que se lhes acontecia. Algo inspirado em perversos esquemas importados da China, Índia e outros lugares. Outra denúncia da CNBB: existem penitenciárias – lugares em que já se vive tragédia inimaginável - onde as mulheres costumam se deparar com uma penalização extra. Na falta de absorventes femininos, utiliza-se miolo de pão. Hoje, a mulher já conquistou na maior parte dos países, seu espaço no mundo artístico. Não era bem assim antes. Artista e “rapariga”, para ficar com expressão mais branda, constituíam, na visão estrábica de muita gente, o verso e o reverso de uma mesmíssima moeda.

Por volta de 1580, Montaigne dizia que “a ciência e ocupação mais útil para a mulher é o governo de casa”. A grande maioria pensava assim. Tem gente que ainda pensa. Gente que não acaba mais. Homens e mulheres a procederem na lida cotidiana que nem se fosse o pessoal lá da rua da meninice. As janelas ficam trancadas e figuras espectrais se põem a acompanhar, com tiques paranóicos, pela fresta da janela, usando candeeiro para aguçar a visão, o esfuziante processo que corre solto lá fora em favor da emancipação feminina.

Fazem ouvidos moucos a justos clamores nascidos do inconformismo, da inteligência e da sensibilidade diante dos paradigmas rígidos bolados pelo farisaísmo na avaliação do comportamento feminino. Paradigmas engessados no tempo. Para pessoal tão retrógrado têm a mesma inexpugnável consistência das muralhas incas de Machu Pichu. Esse tipo de gente não consegue enxergar que se trata de paradigmas irremediavelmente condenados pela doença letal de “certezas” trazidas de momentos obscurantistas que já se imaginava sepultados na voragem da história.

A briga pela derrubada de tais paradigmas é braba e barulhenta. São ainda fortes os ecos de certas palavras de ordem procedentes de eras remotas, sintetizadas na frase padrão: “Lugar de mulher é em casa”. Os preconceitos vigorantes apresentam, em muitos lugares, é bem verdade, efeitos atenuados em matéria de violentação à personalidade, se comparados com as inacreditáveis situações vividas em tempos antigos e em outros lugares de nosso próprio tempo.

Mas conservam vestígios culturais rançosos, ainda que longínquos, daquelas épocas absurdas em que algumas coletividades aprendiam a absorver, em suas regras de vida e crenças, a idéia, por exemplo, de que a mulher não possuía alma. Ou de que, no plano dos sagrados deveres conjugais, como amorosa e dedicada esposa, devesse se preparar para fazer jus ao prêmio máximo da loteca dos deuses, consentindo em que a enterrassem viva com os pertences e despojos do pranteado marido, senhor seu amo, quando de sua (dele) partida desta para melhor.

Todos estamos seguros de que provêm de visualização desfocada da realidade, mesclada com flagrante injustiça social, os escandalosos problemas levados a debate pelas representações presentes aos conclaves promovidos periodicamente pela ONU. Ou por outras instituições das muitas que se ocupam benfazejamente dessa tormentosa discussão.

O desfile de absurdidades é sempre composto de revelações sobre práticas escravagistas, tráfico de mulheres, prostituição forçada, processos de mutilação sexual, restrições ao acesso no mercado de trabalho a cargos e promoções, falta de oportunidades iguais às concedidas aos homens nas ações e decisões políticas, nos campos técnico e científico, no desfrute de bens educacionais.

Coisas assustadoramente consentidas às vezes em nome de rançosos argumentos religiosos. E por aí vai. Os registros dão conta de que mesmo em países desenvolvidos, as políticas de salários revelam-se desiguais. A média da remuneração da mulher situa-se abaixo da metade da média da remuneração do homem. As possibilidades de ingresso em empregos, nesse mesmo tipo de confronto, são de 61% no Japão, 58% na Holanda e 16% nos países árabes. Sabe-se, ainda, que de 1,2 bilhão de pessoas que vivem em estado de pobreza absoluta (renda inferior a 370 dólares/ano), setenta por cento são mulheres.

Outro levantamento revelador diz respeito às chances de participação no poder. As mulheres ocupam 20 por cento dos cargos de direção, algo equivalente nos chamados postos ministeriais. Tem mais: meio milhão de mulheres (99% do Terceiro Mundo) morrem, anualmente, vitimadas por patologias vinculadas à maternidade.

Não há como ignorar, por outro lado, o tratamento diferenciado, de modo geral desrespeitoso, com que a mídia, acionada por preconceitos milenares dominantes no inconsciente coletivo, se ocupa do fato trivial de uma mulher que, no exercício de função pública, resolva assumir ostensivamente um caso afetivo. A derrama noticiosa que isso suscita, vou te contar...

Está na cara que esses dados não esgotam o temário difícil e, sob incontáveis aspectos, doloroso da problemática enfrentada pela mulher. Mas servem para dimensionar as perturbadoras circunstâncias que envolvem essa questão prioritária no processo da construção humana. O Banco Mundial anota algo supra importante: “A desigualdade entre os sexos paralisa a produtividade e dificulta o crescimento econômico.”

Há avanços e respeitáveis. Há que celebrá-los. Mas os problemas continuam sendo de grande monta. As estruturas modernas ampliaram a faixa dos direitos, previdenciários, sociais. Persistem, todavia, ainda numerosos, difíceis obstáculos a serem transpostos. A sociedade rodeia de manifestações simpáticas, em boa parte das vezes da boca pra fora, a trajetória feminina.

São manifestações poéticas, do tipo “Tirante a mulher, o resto é paisagem” (Dante Milano, 1898); com palavras que exprimem bons propósitos, mas que não são colocadas em prática, pelo menos em sua extensão ampla, como “A mulher é a grande educadora do homem”  (Anatole France, 1900); ou de exaltação terna e lírica, como “Mulher é uma graça, espanta melancolias e consola mágoas” (Livro dos Cantares). Apesar disso, o mundo continua a girar com suas imperfeições atávicas e com seus amalucados preconceitos e discriminações contra a mulher.

Sabemos não ser nada fácil mudar as coisas. Numa passagem do clássico cinematográfico “O Leopardo”, estrelado por Burt Lancaster, o personagem central aconselha os nobres italianos, seus súditos, apavorados diante da ameaçadora chegada de Garibaldi ao poder, a que “mudassem alguma coisa, para não mudar coisa alguma”. A história das conquistas sociais costuma revelar que o Príncipe Salinas, o dito cujo personagem, podia ser um tremendo dum cínico, mas como entendia das imperfeições da alma humana, meu Santo Onofre!

O Papa João XXIII tinha razão. A batalha pela emancipação feminina é uma das mais importantes revoluções dos tempos modernos. Mas há muitas coisas ainda para serem feitas. Algumas óbvias, por demais. Aparentemente, banais. Mas de tremenda relevância na vida prática. Passam ao largo das preocupações rotineiras. A mulher do lar, em todos os segmentos sociais, precisa saber um pouco mais sobre os negócios do marido. As mulheres superprotegidas e complacentes do figurino tradicional se defrontam, no caso de viuvez, com cada problema!

O mundo costuma desmoronar em horas que tais. Ela pensa que o marido cuidou de tudo, enquanto vivo. Vai ver, não cuidou nada. As apólices de seguro deixadas são de acidentes pessoais e ele morreu de infarte. Nunca se interessou por planos de complementação de aposentadoria. Não facilitou o acesso da cara-metade às transações que realizava, aos investimentos, às dívidas contraídas em nome da comunidade familiar. A realidade a enfrentar, em momentos assim, pode acabar sendo cruel para a viúva.

A quantas, nessa palpitante matéria dos direitos femininos, andamos em Lions? Alvíssaras! Já temos entre nós companheiras leão.

Posso confessar-lhes um receio? Vamos cuidar de exorcizar nosso ambiente para impedir que o tradicional preconceito machista, que rege tanta coisa na rotina social, possa entender, em dado momento, de distinguir “domadoras” de “companheiras leão”, como se isso pudesse fazer algum sentido. Em minha visão, uma e outra são rótulos diferentes de uma mesmíssima realidade. O que conta é a essência. E a essência do trabalho leonistico está consubstanciada na prática da solidariedade, do amor ao próximo, do companheirismo. O resto é o resto. Vivê-la com intensidade é um dever e um direito.

Anotem, por favor. Como sei que prevalece, no meio feminino, um apego muito grande à discrição, ao contrário do que o machismo tem por costume propalar por aí, vou contar-lhes um segredo. Em minhas observações de muitos anos, cheguei à conclusão, definitiva e inabalável, de que as mulheres, em Lions, como noutras instituições, trabalham muito mais e com bem maior eficiência do que os homens.

É bom que se diga, por derradeiro, que os problemas enfocados ou intuídos nesta descolorida exposição, antes de serem problemas exclusivamente da mulher, são problemas do ser humano. Quanto mais convicções individuais de sentido renovador puderem se reunir à volta de constatações óbvias como estas, maiores se tornarão as possibilidades de podermos, algum dia, todos juntos, construir um mundo melhor. Um mundo bem melhor para mulheres, homens, crianças, adultos, pretos, brancos, amarelos, árabes, judeus, sãos, enfermos, cristãos, budistas, maometanos, pobres, ricos, remediados e excluídos.

Quero deixar, registrados, ao final, um anseio e uma interrogação.

O anseio: assistir a disputas para governador de Lions só entre mulheres. (O anseio já se fez realidade).

A interrogação, danada de instigante: e se, de repente, no dia do Juízo, lá em cima, na hora crucial e decisiva da prestação de contas dos atos praticados em nossa peregrinação pela pátria dos homens, cara a cara com o Todo Poderoso, carregando bem nítida a imagem que Dele conservamos em função de amadurecidas convicções religiosas, e se nessa hora precisa, a gente descobrir, embargado pela estupefação, que Deus é mulher e negra? E então?

* É jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ). Escreve semanalmente para o Blog. 

 

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capoeiraO Ponto de Cultura "Cor de Rosa Choque" promove, de 25 a 27 de março, no Recife, II Encontro Feminino de Capoeira: A Mulher Entrou na Roda.  O será realizado na sede da instituição, localizada no bairro do Pina, no Recife.

Confira a programação:

25/03 - Das 19h30 as 21h30 – inscrições e roda de acolhimento, o Centro de Capoeira São Salomão.

26/03

Das 8h as 9h30 – Vivência de dança afro, com Vilma Moura e Silva (Daruê Malungo)

Das 9h30 as 10h30 – Abertura oficial

Das 10h30 as 12h30 – Palestra “Mulher, cultura e poder”, com Claudilene Silva.

Das 12h30 as 13h30 – almoço.

Das 13h30 as 14h30 – Exibição do documentário “Cidade das Mulheres”.

Das 15h00 as 17h30 – Aula e roda de Capoeira Angola,  professora Di  (Grupo de capoeira Angola Mãe).

Das 19h30 as 22h00 – Sarau – Espaço para expressão dos saberes e fazeres femininos (exposições, música, dança, recital de poesias).

27/03

Das 9h00 as 10h00 – Bate papo sobre os bastidores da capoeira de Pernambuco com Mestra Ouberém Obá (Isa Mulatinho).

Das 10h30 as 12h30 –Aula e roda de capoeira regional, com professora Bel (Capoeira São Salomão).

Das 13h00 as 14h30 – Avaliação do evento e almoço de encerramento.

Informações e inscrições:

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Telefones: (81) 3031 1109/ 9101 6037/ 9165 0055

www.capoeirasaosalomao.com.br

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onuPor Susana Sarmiento, do Setor 3

Com mais de 20 anos de atuação nos temas de justiça global, igualdade racial e defesa dos direitos humanos das mulheres, Rebecca Reichmann Tavares está a frente da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, desde agosto de 2009.

A estadunidense é do sul da Califórnia. Graduada pela Yale University e doutora pela Harvard Graduate School of Education, ela possui muitos livros publicados sobre racismo no Brasil, igualdade racial, direitos das mulheres e microfinanças na América Latina. Foi vice-presidente do New Americans Museum, em San Diego (Estados Unidos). Entre 1997 e 2000 teve o mesmo cargo na Fundação San Diego. Viveu no Brasil por oito anos quando foi oficial de programa da Fundação Ford – Direitos e Justiça Social, sediada no Rio de Janeiro, na década de 1980. Também atuou como diretora de formação, investigação e avaliação da ACCION Internacional, uma entidade internacional de assistência em microfinanças.

Confira abaixo a conversa com Setor3 sobre os próximos passos da ONU Mulheres.

Portal Setor 3- Como surgiu a ideia de fazer a consulta para a construção do planejamento estratégico coletivamente, consultando a sociedade civil, os parceiros, governos, entidades no Brasil e países do Cone Sul?

Rebecca Reichmann Tavares- A ONU Mulheres foi lançada em janeiro deste ano. É uma nova entidade dentro do sistema ONU, com um mandato totalmente diferente. De forma abrangente, precisávamos consultar muitos setores da sociedade para planejar nossa nova estratégica. A nova diretora executiva Michelle Bachelet pediu a todos nós representantes da ONU Mulher sair em nossos países e revisar as propostas locais. A ideia é ter consulta pública em 80 países do mundo, onde há uma unidade do órgão e convocar grupos diferenciados. Hoje, por exemplo, vou encontrar com autoridades do governo da Argentina e à tarde terei uma reunião com 25 representantes da sociedade civil. Já ontem tive um encontro com representantes de todo sistema ONU, em Buenos Aires (Argentina). Estamos fazendo esse mesmo processo no Brasil e outros países. São três reuniões com diferentes setores para pedir e coletar opiniões sobre a atuação do órgão. Essas propostas são importantes para apresentar como podemos melhorar e apoiar as iniciativas do governo e promover novas políticas em busca da igualdade entre mulheres e homens. Estão saindo propostas super interessantes.

Além de ouvir, vamos encaminhar toda essa informação para a sede da ONU, em Nova York. Para isso, vamos sintetizar essas propostas e elaborar nosso plano estratégico, que deve ser entregue ao conselho deliberativo em junho para aprovação. Fechamos aqui em abril, temos a obrigação de entregar com dois meses de antecedência. Esse documento é fundamental para saber nossos próximos passos, como um guia. Estou cobrindo cinco países em 10 dias.

Portal Setor 3 - Enquanto não há planejamento estratégico. Como vocês pretendem atuar nos próximos dias?

RRT- Michelle Bachelet elaborou um plano e nos enviou em janeiro: uma missão para os primeiros 100 dias. Esse documento foca em cinco áreas prioritárias. Depois da consulta, essas áreas podem ser modificadas. São elas: participação política, para promover mais mulheres em cargos de decisão, assessorar, capacitar com informação estratégica a mulheres que já estão participando em governos ou nos parlamentos; combate à violência contra a mulher com medidas para prevenir, acolher as vítimas de agressão; a expansão de oportunidades econômicas, com envolvimento de mulheres no final da cadeia de produção, com trabalho remunerado ou não, no espaço doméstico, até as executivas, nos tops das organizações. Todas precisam de apoio para promover igualdade salarial e de condições de trabalho. A quarta área é paz e segurança com a finalidade de promover mulheres dentro dos campos de paz e como mediadoras de conflitos. A ideia é prevenir a violação desse público em campos de refugiados, por exemplo. E, finalmente, acompanhamento e monitoramento de orçamentos públicos por meio de capacitação de mulheres, que já estão no governo e na sociedade civil organizada para fiscalizar a elaboração de orçamentos governamentais a projetos de igualdade de gênero. Também elas irão monitorar a implementação desses programas. Muitas vezes o orçamento já está locado, destinado a programas de mulheres ou não estão representadas ou de uma forma em que os financiamentos são desviados. Uma organização da sociedade civil, por exemplo, em Brasília, a CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) acompanha e monitora todo o uso do dinheiro público para iniciativas voltados a mulheres.

Portal Setor 3 - A pesquisa recentemente lançada, Mulheres Brasileiras em Gênero nos Espaços Públicos e Privados, da Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), tem um capítulo sobre violência doméstica e de gênero, com dados alarmantes no cenário brasileiro. De que forma a ONU Mulheres pretende articular ações para combater isso?

RRT - Esse á uma área muito difícil, porque é muito enraizada em todas as culturas, independente de raça, classe e etnia. É um problema universal. Nós, da ONU Mulheres, estamos envolvidos em campanhas de prevenção. No Chile, estamos apoiando programa de denunciar a violência e o Ministério da Mulher está com uma campanha muito grande dizendo: covardia. Eles usam televisão, jogadores de futebol, personalidades em geral dizendo que é uma covardia a violência contra a mulher. A primeira parte é tentar prevenir com campanhas públicas de prevenção. Outra via é apoiar os serviços de implementação do serviço de atendimento das mulheres vítimas por meio de abrigos, assessoria jurídica, capacitação dos policiais, do sistema judiciário sobre a lei e os direitos das mulheres que são agredidas, sem falar do fato de que muitas vezes os operadores de justiça (polícia, juízes, por exemplo) culpam a mulher que não deveria ter saído, ou se vestido de forma provocante, entre outras justificativas preconceituosas. Para isso, a ONU Mulheres está trabalhando com o setor público para capacitar esses operadores de justiça para entender a lei Maria da Penha e como funciona essa violação dos direitos das mulheres. Nessa pesquisa mesmo, eles falam que os homens dizem que conhecem alguém, mas muitos deles provavelmente são agressores. Simplesmente não revelaram. O problema principal apontado é que eles têm problemas quando uma mulher exerce sua autonomia. Isso acontece quando ela tem seu trabalho, suas amigas ou amigos próprios. Eles, por outro lado, são ciumentos e se sentem ameaçados. Tudo tem que a ver com o fato de que o homem não admite que a mulher seja independente. Dessa forma, nós trabalhamos nesse sentido para que as mulheres precisem ter sua autonomia, sua independência, já que a metade da população laboral já é composta por mulher.

Portal Setor 3 - No Relatório de Direitos Humanos no Brasil 2010, o capítulo Vidas sem violência, um direito humano: quatro anos de controle social pela plena implementação da Lei Maria da Penha faz uma retrospectiva de legislações, de acordos e de seminários que defendem os direitos das mulheres. Como a ONU Mulheres avalia essa legislação e como o Brasil está frente a outros países nesse movimento? Ela influencia outras regiões que ainda não tem essa política?

RRT - A Convenção para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (Cedaw) é um acordo que todos os países assinaram. Estamos implementando a legislação necessária para cumprir com essa lei. Essa legislação é bastante progressista e reconhecida no mundo todo. É uma lei bastante compreensiva, principalmente no acolhimento das mulheres que são vítimas de agressões, mas também programas de educação, capacitação do setor público. Essas atuações coincidem com que estamos fazendo: campanhas de prevenção, tratamento dos homens agressores, trabalho psicológico junto às vítimas de agressão, encaminhamento desses casos por meio do sistema judiciário especializado. Também envolve estabelecimento de delegacias especializadas das mulheres. O sistema judiciário tem a responsabilidade de processar o agressor mesmo se a mulher retira a queixa. Muitas vezes elas desistem da denúncia, por medo de vingança. Elas precisam se sentir seguras para denunciar o agressor, voltar para sua casa, sem medo de ser agredida. O Estado precisa garantir a segurança da mulher, depois da denúncia. Esse é um problema em muitos países, principalmente quando tem essa responsabilidade de processar o agressor. Muitas mulheres estão com medo de contestar, porque a lei agrega que o agressor precisa ser processado mesmo se ela desistir. Mas a lei em si é uma lei muito boa e modelo para todos os países.

Por exemplo, na Suécia, há uma lei mais avançada na definição de estupro. A mulher não precisa dizer não. É simplesmente não dizer sim e já é considerado estupro. Alguns países estão mais avançados que o Brasil. As leis protegem ainda mais os direitos das mulheres e contemplam sua vulnerabilidade. Ela não precisa denunciar. Constitui uma violação da lei.

Portal Setor3 - Qual a importância das mulheres dos movimentos sociais e como a ONU Mulheres pretende atuar com essas lideranças?

RRT - Somos uma das poucas agências da ONU que financia os movimentos sociais diretamente e apoia pesquisas para reunir mais informações para reforçar esse segmento. Nós temos a filosofia de que o governo, mesmo com políticas muito boas e leis excelentes, não vai conseguir cumprir as leis fundamentais sem a fiscalização, o controle social. Nesse sentindo, a sociedade tem esse papel importante de acompanhar a atuação do governo e como está cumprindo as leis. Nós apoiamos esses movimentos por meio de informações e apoio para articulação, entre diferentes setores e segmentos da sociedade civil.

Publicado em Viva Mundo
Quinta, 25 Novembro 2010 21:45

Duas mulheres-duas abolições?

princesa-e-dilmaPor Leonardo Boff, no site do Envolverde

 
É fato notável a ascensão de mulheres, em muitos países do mundo, ao status de chefes de Estado e de governo. Isso revela uma mutação do estado de consciência que se está operando no interior da humanidade. Foi mérito principal da reflexão feminista que já possui mais de um século inaugurar esta transformação. As mulheres começaram a se ver com os próprios olhos e não mais com os olhos dos homens. Descobriram sua identidade, sua diferença e a relação de reciprocidade e não de subordinação frente aos homens. Produziram talvez a crítica mais consistente e radical da cultura, marcada pelo patriarcalismo e pelo androcentrismo.

O patriarcado designa uma forma de organização social centrada no poder exercido pelos homens dominantes, subordinando e hierquizando todos os demais. O androcentrismo se caracteriza por estabelecer como padrão para todos, as formas de pensamento e de ação características dos homens. Eles são o sol e os demais, como as mulheres ou outras culturas, seus satélites e meros coadjuvantes.

O patriarcado e o androcentrismo subjazem à principais instituições das sociedades atuais com as tensões e os conflitos que provocam. A eles se deve o surgimento do Estado, das leis, da burocracia, da divisão de trabalho, do tipo de ciência e tecnologia imperantes, dos exércitos e da guerra. As feministas do Terceiro Mundo viram além da dominação cultural, também a dominação social das mulheres, feitas pobres e oprimidas pelos donos do poder. O ecofeminismo denunciou a devastação da Terra levada a efeito por um tipo de tecnociência masculina e masculizante, já antes percebida pelo filósofo da ciência Gaston Bachelard, pois a relação não é de diálogo e de respeito, mas de dominação e de exploração até à exaustão.

As mulheres nos ajudaram a ver que realidade humana não é feita apenas de razão, eficiência, competição, materialidade, concentração de poder e de exterioridade. Nela há afeto, gratuidade, cuidado, cooperação, interioriade, poder como serviço e espiritualidade. Tais valores são comuns a todos os humanos, mas as mulheres são as que mais claramente os vivem. O ser-mulher é uma forma de estar no mundo, de sentir diferentemente o amor, de relacionar corpo e mente, de captar totalidades, de pensar não só com a cabeça mas com todo o ser e de ver as partes como pertencentes a um Todo. Tudo isso permitiu que a experiência humana fosse mais completa e inclusiva e abrisse um rumo de superação da guerra dos sexos.

Hoje, devido à crise que assola a Terra e a biosfera, pondo em risco o futuro do destino humano, estes valores se mostram urgentes, pois neles está a chave principal da superação.

É neste contexto que vejo a presença de mulheres à frente dos governos, no caso, de Dilma Rousseff como presidente. A dimensão da anima levada para dentro das relações de mando, pode trazer humanização e mais sensibilidade para as questões ligadas à vida, especialmente dos mais vulneráveis.

Na nossa história tivemos uma mulher, considerada a Redentora: a princesa Isabel (1846-1921). Substituindo o pai Dom Pedro II em viagem à Europa, num gesto bem feminino, proclamou em 28 de setembro de 1871 a Lei do Ventre Livre. Os filhos e filhas de escravos já não seriam mais escravos. Financiava com seu dinheiro sua alforria, protegia fugitivos e montava esquemas de fuga para eles.

Numa outra ausência do pai, a 13 de maio de 1888, fez aprovar pelo Parlamento a Lei Aurea da abolição da escratura. A um de seus críticos que lhe gritou:”Vossa Alteza liberou uma raça mas perdeu o trono” retrucou:”Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil”. Queria indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá. Preconizava a reforma agrária e sufrágio político das mulheres. Foi a primeira abolição.

Cabe agora à presidente Dilma realizar a segunda abolição, propugnada já há anos pelo senador Cristovam Buarque, num famoso livro com esse mesmo título: a abolição da pobreza e da miséria. Ela colocou como primeira prioridade de seu governo “o fim da miséria”. Esta é concretamente possível. Por enquanto é apenas uma promessa. Se realizar esta façanha, verdadeiramente messiânica, poderá ser a segunda Redentora.

Como cidadãos urge apoiar e cobrar a promessa e impedir que se transforme numa má utopia. Podemos ser condenados pelos poderosos mas não podemos defraudar os pobres e os oprimidos. 

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Por Taíza Brito

Na tarde da última terça-feira, 23 de novembro, estudantes e professores de Telecentros, comunicadores populares, autores de portais, blogs e sites, além de jornalistas que atuam na Câmara Municipal e nas secretarias de Programas Sociais e da Mulher e de Comunicação Social do Cabo de Santo Agostinho compartilharam conosco, do Blog Viva Pernambuco, um pouco da experiência de quem trabalha com mídia alternativa.

A roda de conversa foi promovida pelo Centro de Mulheres do Cabo dentro da programação do Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça, que faz parte dos eventos da Campanha Mundial 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

Além da experiência em mídia de paz do Blog Viva Pernambuco, que foi representado por mim e pela jornalista Éricka Melo, foi mostrada a proposta Blog Eu Decido (www.eudecido.wordpress.com), pela jornalista Ana Veloso, professora da Universidade Católica de Pernambuco, e uma das integrantes da equipe que aborda os temas cultura, política e gênero.

O debate girou em torno da importância da existência e ampliação de redes de mídia alternativa, amparadas na defesa dos direitos humanos e abertas ao diálogo sobre temas pouco aprofundados na grande imprensa. O que permite, segundo Ana Veloso, que uma série de movimentos sociais possam realizar a comunicação de forma independente.

Iniciada às 14h, a roda de conversa terminou às 16h30, com muitas perguntas dos participantes, sintonizados com a proposta de alimentar redes de comunicação que qualifiquem o debate de temas como violência contra a mulher, igualdade racial, diversidade, entre outros. O debate aconteceu no Salão Paroquial da Igreja São José Operário, na Vila Social Contra Mucambos, no Centro do Cabo.

A programação do evento, segue assim:

24 (quarta) – 9h às 16h: Oficina de Gênero e Raça:

Uma Reflexão Histórica sobre o processo de construção e desconstrução das desigualdades de Gênero e Raça no Brasil.

25 (quinta) Ato Público

O Ato Público de encerramento do Seminário de Comunicação e Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” acontecerá em dois momentos:

>> Das 6h às 8h - Panfletagem no Terminal Integrado de Passageiros do Cabo

>> Das 9h às 12h - Entrega de material de divulgação da Campanha nas agências bancárias, empresas públicas e privadas e transportes urbanos locais, com o objetivo de sensibilizar a população cabense para o enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

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imagemO mês de novembro tem um grande significado para o movimento negro e de mulheres. Comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra (20/11) e o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher (25/11). Para marcar essas datas o Centro das Mulheres do Cabo realiza o “Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça”, desta segunda-feira (22) a 25 de novembro. O encontro é direcionado a mulheres que atuam em movimentos, organizações feministas e se estende aos profissionais de comunicação dos veículos de mídia locais como rádios, blogs, sites e jornais.

A partir desta segunda-feira (22), o tema será pauta de destaque com entrevistas e flashes ao vivo no programa Rádio Mulher (Cabo e Mata Sul). A abertura oficial do Seminário de Comunicação será nesta terça-feira (23), no Salão Paroquial da Igreja São José Operário - Vila Social Contra Mucambos (Centro do Cabo).

A partir das 13h, haverá um “Debate sobre Redes Sociais e TIC’s” e tem continuidade na quarta-feira (24) com “Oficinas de Gênero e Raça”, culminando na quinta-feira (25) com um Ato Público que marca o Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, uma mobilização internacional que vai até o dia 10 de dezembro. O evento é organizado pelo Centro das Mulheres do Cabo e tem o apoio da Fundação Ford, Terre des Hommes Suisse e Actionaid.

Programação:

O quê? Seminário de Comunicação pelo Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça

Quando? Dias 22 a 25 de novembro de 2010

Onde? Salão Paroquial da Igreja São José Operário - Vila Social Contra Mucambos (Centro do Cabo – PE)

22 a 25 (seg a qui) – 8h às 9h: Cobertura do Radio Mulher

Durante toda a semana o Programa Rádio Mulher (Cabo e Mata Sul) traz uma pauta especial sobre a Violência de Gênero e Raça, com a cobertura do seminário, entrevistas e flashes ao vivo.

23 (ter) – 13h às 16h: Abertura do Seminário

Mesa de abertura e Debate sobre “Redes Sociais e TIC’s: A pauta da violência contra a mulher nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação”. Palestrantes: Ana Veloso (Blog Eu Decido e Mídia Advocacy) e Taiza Brito (Blog Viva Pernambuco).

Serão convidados para participar do debate o movimento de mulheres e também profissionais de comunicação dos veículos locais como blogueiras/os, radialistas, jornalistas e comunicadoras/es populares do Cabo.

24 (quarta) – 9h às 16h: Oficina de Gênero e Raça:

Uma Reflexão Histórica sobre o processo de construção e desconstrução das desigualdades de Gênero e Raça no Brasil.

25 (qui) Ato Público

O Ato Público de encerramento do Seminário de Comunicação e Lançamento da “Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” acontecerá em dois momentos:

>> Das 6h às 8h - Panfletagem no Terminal Integrado de Passageiros do Cabo

>> Das 9h às 12h - Entrega de material de divulgação da Campanha nas agências bancárias, empresas públicas e privadas e transportes urbanos locais, com o objetivo de sensibilizar a população cabense para o enfrentamento à Violência Contra a Mulher.

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bannerO Ação Mulher – IV Festival do Audiovisual, que dá destaque ao olhar da mulher na história das produções audiovisuais e sua impressão do cotidiano urbano e cinematográfico, vai movimentar o Recife a partir desta segunda-feira (22) até o dia 27 de novembro, com exibição de longas, mostra competitiva de curtas e debates. O evento tem programação na Livraria Cultura, no Bairro do Recife, no Cine São Luiz, na Boa Vista, e na Regional Nordeste do MinC, na Rua do Bom Jesus, onde acontecerão as oficinas. O evento tem entrada franca.

Tarciana Portella, cineasta, jornalista e poeta; Vera Baroni, representante da Rede de Mulheres de Terreiro de Pernambuco e a intelectual, feminista e escritora Rose Marie Muraro serão as três homenageadas da edição. A realização é da Curinga Produções Artísticas e da ONG SOS Corpo.

A programação traz trabalhos como o documentário "Positivas", de Susanna Lira, vencedor do prêmio de melhor documentário do Festival do Rio/2010, e "Dias e Noites", dirigido por Beto Souza e que traz no elenco Antônio Calloni, José de Abreu, Dan Stulbach e Naura Schneider, entre outros.

"O Silêncio das Inocentes", de Ique Gazzola, conta a história da criação da Lei Maria da Penha com depoimentos da própria Maria da Penha falando da sua história. Em "Balé Pé no Chão", de Lílian Solá Santiago e Marianna Monteiro, o público poderá conhecer a trajetória de Mercedes Baptista, a primeira bailarina clássica negra do Brasil. A agenda completa está disponível no site www.audiovisualmulher.com.

Ação Mulher vai relembrar durante a programação datas importantes da história com a participação essencial de mulheres que marcaram o nosso tempo. Entre elas, os 100 anos da passeata organizada pela professora Deolinda Daltro, uma das sufragistas brasileiras, fundadora do Partido Republicano Feminino, que defendia a extensão do voto às mulheres como elemento através do qual pudesse ser reformada a situação política na "Republica Velha".

Também os 40 anos da marcha organizada por mulheres americanas, quando milhares foram às ruas em Nova Iorque, Washington, Boston, Detroit e várias outras cidades do país lideradas pela feminista Betty Friedam.

Serão rememorados também os 50 anos da visita ao Recife da escritora Simone de Beauvoir; os 35 anos da 1ª Conferência Mundial sobre a Mulher realizada na Cidade do México e instituição, no mesmo ano pela ONU, do Dia Internacional da Mulher; os 30 anos da criação dos Centros de Auto Defesa, para coibir a violência contra a mulher; e os 25 anos da criação da Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM–SP) e de muitas outras que são implantadas em estados brasileiros, inclusive no Estado de Pernambuco.

Oficinas - Além das mostras cinematográficas, o Festival realiza também as oficinas "Interpretação para Cinema e Vídeo", com Cibele Santa Cruz e "O Olhar dos Outros – produção, roteiro e direção", que será ministrada por Stella Zimmerman e Amanda Mansur. Ambas são gratuitas, mas as vagas são limitadas e terão um máximo de 25 participantes. As oficinas acontecerão entre os dias 22 e 26 de novembro, na Regional Nordeste do Ministério da Cultura (MinC), na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife.

A oficina "Interpretação para Cinema e Vídeo" tem como objetivo despertar a educação artística do audiovisual, com exercícios que serão gravados a cada aula. No trabalho que será desenvolvido o participante poderá observar o seu próprio crescimento percebendo nuances de interpretação que são necessárias para a comunicação nessa linguagem. Acontecerá em um turno, durante cinco dias seguidos, sempre das 9h às 12h e é aberta ao público a partir dos 16 anos. Será ministrada por Cibele Santa Cruz, atriz, produtora, diretora teatral e produtora de elenco.

O "Olhar dos Outros" é uma oficina de iniciação ao audiovisual que pretende estimular a percepção de seus participantes e criar espectadores mais maduros e analíticos para uma recepção imagética com exercícios práticos e teóricos. As aulas culminarão na produção de um curta-metragem de ficção, em sistema HDV (vídeo digital de alta definição). A oficina será ministrada em dois turnos, das 9h às 17h, de 22 a 26 de novembro, por três instrutores da equipe de produção Stella Zimmerman, todos profissionais da área com experiência em direção, produção e roteiro. Stella Zimmerman trabalhou como produtora de elenco, diretora de produção, produtora executiva e assistente de direção em vários filmes nacionais e produções para TV, incluindo o documentário "Mulheres Brasileiras" para a TV alemã ARD.

"Ação Mulher é um festival que adota a dinâmica de intercâmbio cultural para divulgar o cinema feito por mulheres, com temas diversos, oferecendo uma janela para tratar assuntos de interesse da sociedade", explica a idealizadora do evento, a escritora e produtora cultural Maria Áurea Santa Cruz, que assina a direção do festival. Maria Áurea conta com a parceria de Izolda Pedrosa desde a última edição do evento, realizada em 2008.

Mostra - Este ano a programação inclui a Mostra Competitiva de Vídeo e Curta metragem. Realizadores de todo o Brasil inscreveram seus trabalhos, que estarão sendo julgados também na Livraria Cultura, em períodos diferentes dos horários de exibições abertos ao público. A Mostra Competitiva distribuirá R$ 12 mil em prêmios em dinheiro, que serão divididos entre o primeiro, segundo e terceiro colocados nas duas categorias: Vídeo e Curta metragem.

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genero2Entrou no ar, nesta quinta-feira (28), um site elaborado por agências da ONU e órgãos do governo federal sobre gênero, raça e etnia. Ele traz notícias, vídeos, fotos e estudos ligados a esses temas, além de informações sobre o programa responsável pela criação do portal.

A página do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia expõe as linhas estratégicas do projeto (participação social, gestão pública e comunicação), lista as ações desenvolvidas e reúne material de apoio sobre suas temáticas-chaves.

O objetivo, segundo os organizadores do programa, é fazer do site um “ambiente de relacionamento, informação e consulta de dados sobre gênero, raça e etnia”. Para isso, utiliza conteúdo de diversas fontes — discursos do secretário-geral da ONU sobre mulheres e sobre indígenas, vídeo com entrevista com Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e responsável pela recém-criada ONU Mulheres, artigos da coordenadora do programa, notícias sobre ações e eventos ligados aos temas do portal, documentos sobre desigualdades raciais e de gênero, publicações sobre emprego decente, saúde reprodutiva e tendências socioeconômicas.

O programa envolve seis agências da ONU: PNUD, OIT (Organização Internacional do Trabalho), UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e UN-HABITAT (Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos).

Também fazem parte dois órgãos do governo federal: a Secretaria de Políticas para Mulheres e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A iniciativa tem epoio do Fundo para o Alcance dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), criado pelo governo espanhol.

A iniciativa foi criada com a finalidade de defender e propagar a incorporação da equidade de gênero e de cor/raça na gestão pública. O programa também está presente em outros meios digitais: Orkut, Facebook, Twitter e YouTube.

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