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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Taiza Brito

Taiza Brito

Segunda, 09 Junho 2014 19:55

A tevê que a gente vê

Por Cesar Vanucci*

“Precisa dessa torrente publicitária oficial toda para falar dos notáveis  feitos de nossos diligentes administradores públicos, precisa?”  

(Antônio Luiz da Costa, professor)

 

Os que vivem se queixando das condições caóticas do trânsito de BH; da violência solta nas ruas; da assistência insatisfatória nos postos de atendimento à saúde; da insuficiência de planos de proteção às crianças, jovens e idosos andam certeiramente mal informados, pelo que nos é dado a observar, com relação a todas as questões acima colocadas. Se se dessem ao mínimo esforço de acompanhar, como é de nosso habito fazer, os sedutores reclames publicitários divulgados pelas administrações públicas nas esferas municipal, estadual e federal, na frenética disputa travada por espaço nos intervalos televisivos com o “Ricardo Eletro” e a “Casas Bahia”, esses exigentes reclamantes estariam devidamente inteirados de que as coisas, em todas as áreas citadas, ao contrário de suas insistentes alegações, correm às mil maravilhas, sim senhor! Ipso facto, como era de costume dizer-se em tempos passados, todo esse queixume choramingador carece de fundamento, não é mesmo, gente boa?

O “Manhattan Connection”, da “Globo News”, chamou para entrevista o correspondente do “Financial Time” no Brasil. Pelo que se revelou  na introdução, a atenção do programa pelo depoimento do jornalista inglês estaria focada numa alegação sua a respeito do suposto declínio registrado, de dois anos pra cá, na situação econômica brasileira. Com notória dificuldade para se expressar no idioma falado no Brasil, o entrevistado permaneceu o tempo todo sob o fogo cruzado dos entrevistadores, que deixaram expressamente demonstrado interesse maior em divulgar suas próprias opiniões pessoais sobre a conjuntura econômica, carregando pesado nas críticas ao governo, do que em saber, na verdade, o que o colega estrangeiro realmente estaria matutando. Se algum dia, nalgum curso de jornalismo, alguém se dispuser a exibir um exemplo lapidar de uma “anti-entrevista” na televisão é só recorrer aos arquivos do “Manhattan Connection” e projetar a matéria então levada ao ar.

A louvação, em verso e prosa, da “excelência incomparável” do futebol praticado em gramados europeus, promovida com entusiástica insistência por alguns nomes exponenciais da crônica esportiva brasileira, animou-nos a acompanhar, pela televisão, do primeiro minuto ao derradeiro momento da prorrogação, o confronto entre as boas equipes do Real Madrid e do Atlético de Madrid. Esta foi a primeira vez que este desajeitado escriba se dispôs a assistir por inteiro a um jogo de futebol não envolvendo seleção ou clube brasileiros. Confessamos, em lisa verdade, haver apreciado bastante o que contemplamos, mas sem essa de achar que estaríamos presenciando o suprassumo em matéria futebolística. Algo fantástico, de qualidade infinitamente superior àquilo que, centenas de vezes, anos a fio, vimos acompanhando nas arenas de futebol do Brasil, ou em estádios de outros países, onde a seleção e clubes brasileiros desfilam sua arte. Alguns atores do espetáculo de Lisboa podem ser apontados, no máximo, como tão bons quanto numerosos atletas brasileiros que habitualmente atuam por aqui. Esta, nossa sincera opinião. Supomos, então, à vista destas impressões pessoais, que as chances do escrete de vir a arrebatar a Copa são bastante promissoras. Esperar, pra ver, né? Queremos ainda dizer, a respeito da interessante disputa que concedeu ao Real Madrid mais um titulo na versão europeia da “Libertadores”, que deixaram   forte pressão as cenas mostradas referentes ao grau de vibração da torcida espanhola. Foram bem demonstrativas de que o futebol, no duro da batatolina, é mesmo paixão universal. A ansiedade geral, a alegria pela vitória e a desolação pela derrota, estampadas nos semblantes dos adeptos dos times contendores, tiveram sabor bastante familiar. Tudo se revelou demasiadamente parecido com aquilo que os torcedores brasileiros costumam aprontar por ocasião dos nossos (frequentes) clássicos.

 *O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

Da ECPAT Brasil  

A articulação Entre em Campo – Redes Pelos Direitos da Criança e do Adolescente  vai promover durante o período de realização da Copa do Mundo de Futebol uma campanha nas redes sociais, estimulando os brasileiros a denunciarem qualquer forma de violação de direitos da criança e do adolescente. A ideia é que qualquer pessoa que tenha conhecimento de algum tipo de violação faça uma denúncia nas redes sociais e utilize a hashtag #CopaSemExploração .

Com a utilização da hashtag, todo os conteúdos postados poderão ser facilmente encontrados. A mobilização nas redes sociais será feita inicialmente pelas redes nacionais que integram a articulação e também por suas entidades filiadas espalhadas por todo o País. Mas qualquer interessado também poderá participar, bastando para isso fazer o chamamento em suas contas ou perfis de redes sociais, como o Facebook e o Twitter, por exemplo.  

A estratégia foi pensada durante a III Oficina Nacional, promovida pela articulação nos dias 25 e 26 de abril, em Brasília (DF), que reuniu cerca de 100 participantes.  

A articulação “Entre em Campo – Redes Pelos Direitos da Criança e do Adolescente” reúne a Rede ECPAT Brasil, Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Seção Defense for Children Brasil (Anced/DCI Brasil), Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (FNDCA) e Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

Taíza Brito

Quem estiver tiver a oportunidade de passar pelo Parque Dona Lindu, a praia de Boa Viagem ou no Recife Antigo entre os dias 12 e 30 de junho, no Recife, irá se deparar com uma galeria móvel, na qual estarão à mostra, impressas em telas, as fotografias que compõem a Exposição Pernambuco: Cultura, História e Mar. Assinadas pelo fotógrafo Miguel Igreja, as imagens que retratam a beleza do Estado e a da gente da terra serão transportadas em bicicletas, dando oportunidade a que um número maior de pessoas tenham acesso à mostra.

A exposição no Recife é a primeira etapa do projeto, que conta com incentivo do Funcultura, e terá mais duas edições, uma em Olinda, em julho, e outra em Fernando de Noronha, no mês de setembro. Haverá também a edição de um catálogo com as imagens, que terá parte dos exemplares distribuídos em bibliotecas públicas do Estado.

Na etapa recifense, que tem início na manhã da próxima quinta-feira, 12,  a exposição circulará de segunda a sábado no Parque Dona Lindu e no calçadão de Boa Viagem,  e aos domingos no Recife Antigo.

A exposição, inspirada em princípios da Carta da Terra, foi concebida para a RIO+20, em junho 2012 e lá foi executada com muito sucesso. Transportadas em bicicletas, as telas, em formato de banners, serão substituídas por outras, com novas imagens, no décimo dia do evento.

"A praia e as ruas são espaços democráticos e o período da Copa do Mundo é mais uma oportunidade de compartilhar imagens do nosso rico patrimônio natural, cultural e histórico com pessoas do mundo inteiro", destaca Miguel Igreja, que recebeu reconhecimento da Carta da Terra, em seu site mundial, pela idealização da galeria móvel.

O reconhecimento se deve ao fato de no projeto serem trabalhados os conceitos de sustentabilidade através da arte, da estética, da cultura e da história do povo pernambucano, inspirados nos valores que regem a Carta da Terra. "O documento serve como referência para mobilizar ações de preservação ambiental e promoção do desenvolvimento sustentável. E no nosso projeto a imagem é veiculada como ferramenta de preservação", explica o fotógrafo.

A primeira versão da exposição, financiada com recursos do próprio autor, fez grande sucesso durante a Conferência Mundial para Sustentabilidade, Rio+20, em junho de 2012, no Rio de Janeiro. "Numa ação inédita, totalmente sustentável, que encantou milhares de pessoas que frequentaram a Cúpula dos Povos e as praias do Leme e Copacabana, a experiência culminou numa aprendizagem coletiva com estímulo ao uso de mídias sustentáveis e novas tecnologias para o fomento da arte e da educação ambiental como meios que levam a transformação", conta Miguel Igreja.

Além da RIO+20, a exposição fez sucesso na 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em julho de 2013. O fotógrafo também levou o projeto para a Fliporto 2012, em Olinda, com a exposição da Galeria Móvel Sustentável na EcoFliporto, na Praça do Carmo, onde acontece a festa literária. Desde a Rio+20, um catálogo vem sendo compartilhado, via QR Code, evitando o uso de papel.

O projeto mantém uma parceria solidária com o Projeto Luz no Empreendedorismo, da Celpe, para reutilização dos banners por parte das artesãs que transformam o material em pufs, jogos americanos, bolsas, porta moedas, cortinas, entre outras peças.

CARTA DA TERRA

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.  Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. A Carta da Terra se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano sustentável. Integridade ecológica é um tema maior. Entretanto, a Carta da Terra reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. A Carta da Terra é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto da Carta da Terra começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

O texto abaixo, assinado por Mariana Martins e Mariana Moreira, foi postado neste dia 29 de maio, na sessão Intervozes, da Revista Carta Capital. E analisa que grande parte dos veículos de Pernambuco ignora a mobilização social contra o projeto Novo Recife e a ocupação nos armazéns do Cais José Estelita. Vale apena a leitura.

Ocupe EstelitaPor Mariana Martins e Mariana Moreira*

Um dos professores mais antigos do curso de comunicação social da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Cunha, postou em sua página no Facebook: “Acho que amanhã vou no cemitério de Santo Amaro, fazer uma visita ao túmulo do jornalismo pernambucano”. Esta frase, escrita ainda no dia 22 de maio, pela manhã, dizia muito sobre o silêncio da imprensa de Pernambuco a respeito do início da demolição do Cais José Estelita, área histórica e um dos principais cartões-postais do Recife, e da ocupação feita por manifestantes, que impediram a demolição completa dos armazéns de açúcar, no fim da noite do dia 21. Atividades estão sendo realizadas e, último no fim de semana, a ocupação recebeu visitas e manifestações de apoio de recifenses ilustres.

Pode-se dizer que a postagem de Cunha foi também um presságio do que viria. A ocupação já entra no seu sétimo dia, e o comportamento da maior parte da mídia local é o de ignorar a mobilização social contra o projeto Novo Recife e o acampamento permanente de dezenas de pessoas na área. Apenas um dos três jornais da capital noticiou linhas descontextualizadas sobre o fato. Nenhuma das matérias passava de seis parágrafos, insuficientes para contextualizar a história que existe desde 2008, e que em 2012 tomou novos rumos e ganhou novos atores.

Breve contextualização (tentando dar conta do que a mídia não conta)

O Recife está entre as cidades do Brasil em que houve maior valorização imobiliária nos últimos cinco anos. Esta valorização fez com que áreas antes “desvalorizadas”, do ponto de vista imobiliário, fossem alvo de especulações, principalmente áreas históricas e de preservação ambiental, como o Cais José Estelita e as poucas áreas de mangue que ainda sobreviviam na cidade.

O Projeto Novo Recife prevê a construção de 12 torres de até 40 pavimentos no Cais José Estelita. O empreendimento é uma ação de um consórcio de grandes construtoras do estado, também chamado Consórcio Novo Recife, formado pelas empresas Moura Dubeux, Queiroz Galvão, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos. Assim como vários outros empreendimentos de grande impacto na capital pernambucana, o Projeto Novo Recife não foi antecedido do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que, após feito, deve ser apresentado à população, para que possibilite o exercício da gestão democrática, como manda o Estatuto da Cidade (Lei 10.257, de 10 de Julho de 2001.).

Quando o Projeto Novo Recife chegou a conhecimento público, pessoas e organizações sociais passaram a se mobilizar para discutir formas de intervenções populares na discussão dos rumos e nos processos de ocupação da cidade. Desde 2012, o grupo "Direitos Urbanos – Recife", de caráter não partidário, tem aglutinado e mobilizado manifestações, ocupações, audiências públicas, denúncias ao Ministério Público, dentre outras atividades para defender a área do Cais José Estelita. A área toda, além de sua beleza estética e de representar parte da identidade visual da cidade, tem grande valor histórico por permitir, ainda hoje, uma percepção de qual foi o padrão de ocupação da cidade que se consolidou ao longo do tempo. Em poucas palavras, o Cais José Estelita, sejamos contra ou a favor da sua demolição, é parte da história do Recife e uma discussão sobre os seus rumos não pode ser tangenciada exclusivamente pelos interesses do capital imobiliário e sem a devida transparência pública e participação social. Isso pode até soar démodé, mas ficou conhecido como democracia.

Para além da sociedade organizada, Ministério Público Federal, Estadual, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e alguns parlamentares também fazem parte da luta para que o poder do capital imobiliário não atropele os direitos urbanos da capital pernambucana, e defendem a ampliação do debate do entre poder público e sociedade na decisão dos rumos da cidade. Mesmo com uma constante mobilização social e com o projeto sendo questionado social e judicialmente, o Projeto Novo Recife avançou sombreado pelos interesses políticos e econômicos dos diversos atores envolvidos no processo e sob o silêncio cúmplice e conivente da mídia local.

Na noite do último dia 21, foi iniciada a demolição dos armazéns de açúcar do Cais José Estelita. Imediatamente, manifestantes foram para o local e impediram a continuidade da demolição. No dia seguinte, a demolição foi oficialmente embargada por força de uma liminar do IPHAN, que alega descumprimento da celebração do Termo de Ajuste de Conduta entre o empreendedor e o instituto, que tenta garantir a proteção dos registros referentes à produção de conhecimento sobre a área em questão. O Ministério Público Federal, por sua vez, questiona a validade do leilão que deu ao consórcio a propriedade da referida área.

Saiba mais

Cobertura on-line dos principais jornais locais

Seguindo a linha da falta de informação dos jornais locais, nacionalmente as notícias sobre os manifestantes que montaram acampamento na área a ser demolida foram insignificantes, para não dizer inexistentes – visto que não houve, a princípio, um monitoramento dos veículos, mas também não há notícias de que o fato foi noticiado nacionalmente pelos principais veículos tradicionais. Dentro e fora do Recife, com exceção das redes sociais e blogs da imprensa alternativa, as pessoas seguem desinformadas sobre o que acontece em uma das áreas mais emblemáticas da cidade.

Vale também uma contextualização sobre os principais veículos de mídia do Recife, e da força política que esta capital tem para a estrutura de comunicação regional de grandes emissoras do país. É no Recife que se encontra a sede da Rede Globo Nordeste, que é uma das cinco concessões da Rede Globo de Televisão no país, a única na região. São três os principais jornais locais: Jornal do Commercio, ligado ao grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM), um dos maiores grupos econômicos do Estado; Diário de Pernambuco, ligado aos Diários Associados; e a Folha de Pernambuco, ligada ao grupo EQM, que tem suas bases no setor sucroalcooleiro.

O Jornal do Commercio, único dos três principais jornais locais a noticiar o fato em sua versão eletrônica, deu ao todo, desde o último dia 21, cinco matérias em sua página na internet, sendo uma no dia 21, três no dia 22 e uma no dia 23.

Nas edições eletrônicas dos jornais Diário de Pernambuco e Folha de Pernambuco, as buscas pelas palavras-chave “Estelita”, “Cais José Estelita” e “Ocupe Estelita” não obtiveram como respostas matérias entre os dias 21 e 27 de maio.

As únicas cinco matérias do Jornal do Commercio, por sua vez, passam longe de informar sobre o que está acontecendo no Cais José Estelita e a mobilização contra o projeto Novo Recife. Apenas uma matéria tem um vídeo que mostra pessoas que estão no movimento “Ocupe Estelita”, mas o texto não traz uma declaração sequer de qualquer integrante do movimento. Uma das matérias afirma que os manifestantes não quiseram dar entrevista. Contudo, matérias do mesmo dia no site do G1 Pernambuco trazia declarações e documentos publicados pelo grupo. De uma forma geral, as matérias do JC são curtas e citam apenas o IPHAN, a exposição de motivos do órgão para suspender as obras, e o Consórcio Novo Recife por meio de notas emitidas pelo grupo. O mesmo não foi feito com as notas divulgadas pelo outro lado.

Apesar de não ter sido pauta de nenhum dos jornais locais, no domingo o Cais foi ocupado por dezenas de pessoas e foram organizadas atividades lúdicas e shows com apoiadores da ocupação. Outro fato importante ignorado pelos jornais foi a campanha que artistas locais estão promovendo nas redes sociais, com cartazes em apoio ao movimento e em defesa do patrimônio histórico.

A cobertura da Globo Nordeste e seus veículos

Ao contrário dos jornais locais, o G1 Pernambuco foi o site com matérias mais contextualizadas, trazendo depoimentos e a exposição de motivos dos manifestantes do Ocupe Estelita. Contudo, a postura da TV não foi a mesma.

Uma das matérias mais questionáveis do ponto de vista jornalístico foi a exibida no NE TV 1ª Edição do dia 24 de maio, com o título Arquitetos do Novo Recife mostram vantagens do projeto para o Recife. A matéria é uma propaganda do projeto, em que somente os arquitetos do consórcio falam sem que nenhuma opinião divergente tenha sido ouvida. Inúmeros arquitetos e urbanistas também já se manifestaram publicamente contra a intervenção. Depois de três dias sem matérias sobre o fato, na tarde do dia 27, o NE TV 1ª Edição trouxe notícias das manifestações que ocorreram na véspera no acampamento. O foco da cobertura foi o engarrafamento causado pela mobilização na avenida em que fica o Cais.

O direito à informação e o lucro dos jornais

Uma breve análise sobre a infeliz constatação da morte do jornalismo pernambucano passa, logicamente, por uma leitura política dos fatos, mas, sobretudo, por uma leitura econômica do modelo de negócio do jornalismo. Esse modelo, que já dava sinal de inanição, deu sinal de falência, perdeu por completo a linha e sobrepôs desmedidamente o financiamento à atividade fim dos veículos, que é a notícia. Aqui, vale ressaltar, que não apenas o jornalismo pernambucano sofre desse mal, é verdade, mas este episódio foi capaz de revelar um amadorismo e uma subserviência inaceitáveis até mesmo ao que se pode chamar de padrões mínimos (se é que isso existe) do jornalismo.

Não dar nenhuma linha sobre o ocorrido em suas páginas na internet (pois nesse veículo não se tem sequer a desculpa do espaço), como aconteceu em dois jornais citados, é deliberadamente o maior vexame que um veículo de comunicação pode acumular em sua história (vide contos da ditadura). Veicular descontextualizada e propagandisticamente a notícia, como fizeram dois outros veículos, é o segundo maior vexame que um veículo de comunicação pode dar. Nem mesmo a sofisticação da censura de outrora foi reivindicada por estes míseros e submissos veículos de propagada. A cobertura foi tão amadora que uma abordagem parcial passou a ser quase que louvável diante do silêncio. Constrangedor até para quem admite tal feito.

Felizmente, muitos comunicadores e jornalistas, censurados e mutilados nos veículos em que trabalham, estão bravamente apoiando a ocupação nas redes sociais e produzindo para sites alternativos. E, para além dos jornalistas, cidadãos/as do Recife que apoiam a causa tornaram-se cada um e cada uma produtores e difusores de informação em uma escala de dignidade incalculável pela mídia tradicional.

Enquanto isso, o silêncio dos veículos da capital pernambucana segue diretamente proporcional à quantidade de anúncios das imobiliárias nos classificados e por todos os lados, cantos e recantos dos folhetins do Recife.

* Mariana Martins é jornalista recifense e membro do Intervozes; Mariana Moreira é jornalista recifense.

Quarta, 28 Maio 2014 21:11

Como nascem os preconceitos

Por Frei Betto*
García Márquez, em Doze contos peregrinos, conta a história de um cachorro que, todos os domingos, era encontrado no cemitério de Barcelona, junto ao túmulo de Maria dos Prazeres, uma ex-prostituta.
Com certeza se inspirou nas histórias reais de Bobby, um terrier de Edimburgo, Escócia, que durante catorze anos guardou o túmulo de seu dono, enterrado em 1858. Pessoas comovidas com a sua fidelidade cuidavam de alimentá-lo. O animal foi sepultado ao lado e, hoje, há ali uma pequena escultura dele e uma lápide, na qual gravaram: “Que a sua lealdade e devoção sejam uma lição para todos nós.”
Em Tóquio, ergueram também uma estátua, na estação Shibuya, em homenagem a Hachiko, cão da raça Akita que todos os dias ali aguardava seu dono retonar do trabalho. O homem morreu em 1925. Durante onze anos o cachorro foi aguardá-lo na mesma hora em que ele costumava regressar. Hoje, a estação tem o nome do animal.
Cães e seres humanos são mamíferos e, como tal, exigem cuidados permanentes, em especial na infância, na doença e na velhice. Manter vínculos de afeto é essencial à felicidade da espécie humana. A Declaração da Independência dos EUA teve a sabedoria de incluir o direito à felicidade, considerada uma satisfação das pessoas com a própria vida.
Pena que atualmente muitos estadunidenses considerem a felicidade uma questão de posse, e não de dom. Daí a infelicidade geral da nação, traduzida no medo à liberdade, nas frequentes matanças, no espírito bélico, na indiferença para com a preservação ambiental e as regiões empobrecidas do mundo.
É o chamado “mito do macho”, segundo o qual a natureza foi feita para ser explorada; a guerra é intrínseca à espécie humana, como acreditava Churchill; e a liberdade individual está acima do bem-estar da comunidade.
O darwinismo social é uma ideologia cujos hipotéticos fundamentos já foram derrubados pela ciência, em especial a biologia e a antropologia. Basta ler os trabalhos do pesquisador Frans de Waal, editados no Brasil pela Companhia das Letras. Essa ideologia foi introduzida na cultura ocidental pelo filósofo inglês Herbert Spencer, que no século XIX deslocou supostas leis da natureza, indevidamente atribuídas a Darwin, para o mundo dos negócios.
John D. Rockfeller chegou ao ponto de atribuir à riqueza um caráter religioso ao afirmar que a acumulação de uma grande fortuna “nada mais é que o resultado de uma lei da natureza e de uma lei de Deus.”
Na natureza há mais cooperação que competição, afirmam hoje os cientistas. O conceito de seleção natural de Darwin deriva de sua leitura de Thomas Malthus, que em 1798 publicou um ensaio sobre o crescimento populacional. Malthus afirmava que a população que crescer à velocidade maior que o seu estoque de alimentos seria inevitavelmente reduzida pela fome.
Spencer agarrou essa ideia para concluir que, na sociedade, os mais aptos progridem à custa dos menos aptos e, portanto, a competição é positiva e natural. E os que são cegos às verdadeiras causas da desigualdade social alegam que a miséria decorre do excesso de pessoas neste planeta, e que medidas rigorosas de limitação da natalidade devem ser aplicadas.
Nem Malthus nem Spencer se colocaram uma questão muito simples que, em dados atuais, merece resposta: se somos 7 bilhões de seres humanos e, segundo a FAO, produzimos alimentos para 12 bilhões de bocas, como justificar a desnutrição de 1,3 bilhão de pessoas? A resposta é óbvia: não há excesso de bocas, há falta de justiça.
Quanto mais são derrubadas barreiras entre classes, hierarquias, pessoas de cor de pele diferente, mais os privilegiados e seus ideólogos se empenham em busca de possíveis justificativas para provar que, entre humanos, uns são naturalmente mais aptos que outros.
Outrora os nobres eram considerados uma espécie diferente, dotada de “sangue azul”. Como quase não tomavam sol e tinham a pele muito branca, as veias das mãos e dos braços davam essa impressão.
Com a Revolução Industrial, gente comum se tornou rica, superando em fortuna a nobreza. Foi preciso então uma nova ideologia para tranquilizar aqueles que galgam o pico da opulência sem olhar para trás. “Que o Estado e a Igreja cuidem dos pobres”, insistiam eles. E tão logo o Estado e a Igreja passaram a dar atenção aos pobres (e é bom frisar, sem deixar de cuidar dos ricos, que o digam o BNDES e a Cúria Romana), como no caso do Estado de bem-estar social, do socialismo e da Teologia da Libertação, os privilegiados puseram a boca no trombone, demonizando as políticas sociais, acusadas de gastos excessivos, e a “opção pelos pobres” da Igreja.
Preconceitos e discriminações não nascem na natureza. Brotam em nossas cabeças e contaminam as nossas almas.
* Frei Betto é escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.

Quarta, 28 Maio 2014 20:36

A Copa é nossa!

Por Cesar Vanucci *

“O principal papel do escrete é o de profeta
do grande Brasil!

(Nelson Rodrigues, em 1962)

 

Parar logo com isso! Com esse papo irreal produzido pelas minorias barulhentas, por desconhecimento de causa ou má fé, desvinculadas do verdadeiro sentimento nacional. Fazer cessar os ruídos do desalento, que nada tem a ver com a índole popular. Tirar do ar os brados retumbantes do pessimismo mórbido, com seus efeitos contaminantes parecidos com os da gripe aviária. A Nação se amofina com esse tipo de reação.
Parar com esse chororô anêmico, desnutrido, tão despojado de brasilidade! Derrotismo forjado em fantasias é algo que roça as fimbrias do delírio esquizofrênico. O Brasil inteiro, todos sabemos, esconjura a estridência baderneira volta e meia infiltrada em manifestações populares de cunho pacifico e compreensivelmente reivindicatório. Recomenda enfaticamente que as manifestações genuínas, fruto saudável da pujança democrática, mercê de Deus reinante, não se estiolem em passeatas sem rumo, sem objetivo certo, sem senso de oportunidade. Não existe crise alguma capaz de se sobrepor ao Brasil. Nem que ela tivesse irrompido por aqui com a mesma impetuosidade e turbulência com que se manifestou noutros países nos diversos continentes.
Parar, repetimos, com esse papo desagregador! O Brasil é que nem o mar. Contemplando-o, não há como descrevê-lo com palavras alusivas apenas a ligeiros enjoos de alguma travessia de curta duração.
Chegou a hora, nesta véspera da grande festa mundial do futebol, de substituir esses ruídos desarmoniosos! Fazer soar, no lugar, clarins festivos de alvorada. Providenciar ruflar majestático de tambores. Botar pra fora todo clangor de emoções de que sejamos capazes. Despejar nas ruas batucada de escola de samba em pleno apogeu carnavalesco, coro cadenciado de arquibancadas para anunciar que a Copa chegou! E que a Copa é nossa!
A proclamação – tá na cara – reflete, naturalmente, antes de tudo mais, generoso anseio da alma das ruas. A conquista do titulo é sonho acariciado por milhões.
Que os deuses do futebol, que compõem de certa maneira uma espécie de torcida organizada de nosso escrete, possam dizer, na hora em que a bola estiver rolando nos gramados, amém às nossas preces!
Mas é preciso entender também que a Copa não nos pertence tão somente por conta do hexa. O País assumiu, perante o mundo, a responsabilidade de criar as condições necessárias, do ponto de vista político, econômico, turístico, psicológico, de promover uma competição eletrizante, de brilhantismo sem similar na história dessa paixão universal denominada futebol. Com a colaboração de todos, os brasileiros vamos ter que honrar esse compromisso. Esmerando na organização dos grandes espetáculos programados. Acolhendo com carinho e hospitalidade as levas de turistas. Contribuindo para que a imagem autêntica, verdadeira do País, de sua gente, de suas potencialidades e virtudes, possa ser projetada lá fora em todo esplendor, revelando ao mundo a certeza de que somos uma Nação com clara vocação de grandeza, com inequívoca vocação conquistadora em relação ao futuro. Uma Nação que cultiva a esperança, o humanismo como dogmas de fé no enorme esforço despendido em favor da construção humana e de um mundo mais fraterno e igualitário.
Chegada a hora!
A Copa é nossa! Vamos mostrar orgulhosamente, a todos, que cada brasileiro entende muito bem ser o futebol, como lembrado na palavra de José Lins do Rego, um soberbo “agente de confraternidade”. E, também, alardear, com justa ufania, os motivos pelos quais nos fizemos conhecidos, nos olhares do mundo, como o “país do futebol”!

*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

O Instituto Akatu (http://www.akatu.org.br/), organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o Consumo Consciente, postou em seu site uma lista de dez atitudes que podem ajudar na preservação da Mata Atântica.
A Mata Atlântica já cobriu 15% do território brasileiro, mas hoje ocupa 1% apenas, segundo a SOS Mata Atlântica, organização não governamental sem fins lucrativos, dedicada à preservação do bioma. E é uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta, decretada Reserva da Biosfera pela Unesco e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988.
Confira a lista:
Compre produtos artesanais de comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas, valorizando a sua cultura.
O que entra na floresta deve sair: não jogue lixo na natureza, o consumidor consciente cuida do destino correto dos seus resíduos.
Não compre plantas nativas da Mata Atlântica (bromélias e orquídeas) extraídas ilegalmente.
Selecione para compra apenas produtos feitos com madeira certificada.
Compre apenas palmito cultivado e registrado pelo Ibama.
Imóveis dentro de áreas protegidas não devem ser comprados.
Empresas que respeitam o meio ambiente devem ser valorizadas.
Não compre animais silvestres e denuncie seu aprisionamento e comércio ilegal.
Todo ato de consumo provoca impactos no meio ambiente: reflita sobre isso.
Espalhe esta mensagem a todos os seus familiares e amigos e ajude a preservar a Mata Atlântica por meio dos seus atos de consumo.
CONSCIENTIZAÇÃO – No site do Akatu, o consumidor fica por dentro de muitas informações sobre o bioma. A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 km2 e estendia-se originalmente ao longo de 17 Estados brasileiros. Hoje, restam 8,5 % de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, temos atualmente 12,5%.
Na Mata Atlântica podem ser encontradas mais de 20 mil espécies de plantas, 270 espécies conhecidas de mamíferos, 992 espécies de pássaros, 197 répteis, 372 anfíbios e 350 peixes. Das 633 espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil, 383 estão na Mata Atlântica. Neste bioma estão sete das nove bacias hidrográficas brasileiras.
Mais de 62% da população brasileira vive na área de Mata Atlântica – com base no Censo Populacional 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 118 milhões de habitantes em 3.284 municípios. A expansão urbana desordenada e a poluição são algumas das ameaças a este bioma.

Com informações do Forest Blog
Muitas pessoas não dão importância para aquelas moedinhas de 5 centavos que recebem de troco. Mas para a Unicef Austrália elas são muito importantes e podem ajudar a crianças e jovens de comunidades pobres de países da África e da Ásia. É o que mostra campanha criada pela Iris Worlwide, de Sidney, que pretende divulgar no país o programa Change for Good (algo como “Mudar para o bem”), que atua neste sentido há 21 anos, através de doações.
O vídeo lançado para campanha é um primor de animação. Os criadores desenharam um belo filme mostrando moedas transformando a vida dos necessitados. Sutil e emocionante.

Veja o vídeo abaixo:

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Quinta, 08 Maio 2014 15:42

Estão em todas

“Se o doleiro tivesse sido condenado no processo Banestado, possivelmente não estaria delinquindo novamente.”

(Promotor Claudio Esteves, do Paraná)


Por Cesar Vanucci *

Nos vastos domínios que se estendem do Oiapoque ao Chuí, complementados pelas milhas marítimas que dão a configuração exata do território continental brasileiro, não existe viva alma sequer que nunca haja ouvido falar deles. Nem mesmo os solitários integrantes das derradeiras tribos amazônicas a serem ainda contatadas pelos sertanistas da FUNAI.
Esses escolados trambiqueiros, frajolas de imaculado “colarinho branco”, que circulam desenvoltos nas altas esferas mundanas, trocando amistosos tapinhas nas costas com figuraços do poder politico e econômico, participando de reuniões charmosas, regadas com o “legítimo”, registradas em fotos galantes nas colunas, estão em todas. Ou quase todas. Farejam e fomentam mutretas tempo inteiro. Craques consumados na arte de extrair e repassar informações privilegiadas, garantem inestimável ajuda para que sejam engordadas as contas secretas de sua selecionada clientela em bancos da Suíça e Ilhas Cayman. São criaturas emblemáticas no contexto da corrupção. Nem é preciso o registro expresso de seus nomes para que sejam de pronto identificados. Estão sempre em cartaz. Revezam-se na interpretação dos enredos no teatro das falcatruas.
Falemos primeiro do doleiro paranaense ora apontado como pivô de maracutaias que rendem, dia sim, outro também, vistosas manchetes. Ele ocupa o palco das malfeitorias há pelo menos duas décadas. Desde os tempos da megalavagem de dinheiro via Banestado, ocorrência que jaz um tanto esquecida. Age nacionalmente. Não quer saber de vínculos partidários. Optou pelo “ecumenismo” nas ações fraudulentas solícitamente coordenadas a mando de bandalhos de diferentes siglas. Corteja e é cortejado por gente poderosa, que não esconde sua gratidão pelos serviços executados.
Olhando bem as coisas, o estilo de atuação do doleiro paranaense é parecido com o daquele “banqueiro de bicho” das plagas goianas, também volta e meia no centro de maquinações de alguma tramoia rendosa qualquer. As parcerias firmadas por este outro manjado personagem do “cast” da corrupção garantem-lhe prestígio e proteção em círculos também de abrangente espectro político. Os comparsas filiam-se a diferentes legendas. São, igualmente, companheiros incondicionais para o que der e vier, no caso da barra pesar em demasia.
A situação do doleiro e do “banqueiro de bicho” guarda semelhança no tocante às técnicas operacionais empregadas e nos aliciamentos de pessoas, com outro desses insinuantes caras. Este, também, um “bambambã” em proezas audaciosas boladas com propósitos de “vencer na vida” a qualquer preço. Banqueiro festejado, de olho guloso em “oportunidades” variadas, é um cara que já andou se emaranhando, luas passadas, nas malhas da lei. Desvencilhou-se da encrenca, pelo menos temporariamente, salvo pelo gongo graças a um providencial “habeas corpus”. Medida de segurança essa, específica, hiper criticada nos meios jurídicos. Aconteceu, também, algo inesperado que tornou ainda mais desconcertante o episódio. Os encarregados do inquérito de indiciamento do referido cidadão viram-se implacavelmente alvejados à conta do laborioso trabalho investigativo por eles produzido.
A história desses delinquentes de alto coturno e a de outros mais tem – repita-se - muito em comum. Os figurinos de atuação são idênticos. Mesmo monitorados, eles continuam a desfrutar de incompreensível impunidade, circunstancia que lhes assegura sobra de tempo pra, de repente, se envolverem em novas aprontações. Isso acontece, entre outras razões, por obra de processos enervantemente morosos.
Até agora, como sabido, um único entre os operadores desses esquemas mafiosos foi julgado e condenado. O articulador do “mensalão mineiro” e do “mensalão federal”.
Tanto quanto os demais, esse aí demonstrou engenho e criatividade na aglutinação dos componentes dos bandos favorecidos e nas fórmulas adotadas de lesão ao patrimônio público. Não revelou “preferencia” a correntes políticas. Envolveu-se com representantes de quase todas. Ou seja, com elementos que, na cena social, conseguem permanecer, por certo tempo, “acima de qualquer suspeita”. Alguns deles, ao lado do governo. Outros, contrários ao governo. Outros mais, nem a favor, nem contra o governo, muito pelo contrário. Uma turma, felizmente minoria no cenário político, mas a exemplo dos operadores das mutretas, seus eficientes comparsas, endiabrada da breca, como era de costume dizer-se em tempos antigos.


*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

O site da Revista Época traz um texto com uma história que toca qualquer mãe. Assinado por Rafael Ciscati, a matéria publicada no último dia 7 de maio com o título “A beleza de uma mãe - com todas as marcas da maternidade”, mostra como a fotografia ajudou a americana Jade Beall a se recuperar de uma depressão pós-parto.
Em seu novo livro, Bodies of Mothers (algo como Corpos Maternos, em tradução livre), a ser lançado no próximo domingo, 11, Jade fotografa mães belas e reais – com todas as marcas e mudanças da maternidade. O texto mostra como a ideia do livro surgiu.
“A fotógrafa americana Jade Beall não se reconhecia depois do parto. Seu filho era uma graça – lindo, e saudável. Mas o corpo de Jade mudara. Ao contrário de algumas celebridades, como Kate Middleton, os quilos que Jade ganhara durante a gravidez não desapareceram de uma semana para a outra. Havia marcas em lugares novos, manchas desconhecidas. Ela já não se reconhecia no espelho. Pior: sentia-se feia”, conta o repórter.
O texto mostra que Jade passou por uma severa depressão pós-parto, alimentada pelo sentimento de que ela era uma mãe ruim, ao sentir-se mal justo em um momento em que deveria estar radiante. E que para lidar com seus sentimentos, Jade decidiu fotografar, fazendo um autorretrato e publicando no seu blog a foto sem tratamento – Jade nua (literalmente), sem Photoshop.
“A resposta, conta, foi quase imediata: mulheres do mundo inteiro passaram a procurá-la para ser fotografadas daquele jeito, franco e sem truques. Mostrando que a beleza de uma mulher, seja ela mãe ou não, muitas vezes foge do padrão defendido pelas fotos de revistas e imagens de TV”, continua o texto da revista.
“Com isso, muitas mulheres foram ao estúdio de Jade. Outras enviaram fotos que elas próprias tiraram. A boa recepção estimulou Jade a criar o A Beautiful Body Project, um projeto fotográfico destinado a encontrar a beleza real: aquela que incluiu marcas e cicatrizes, aquela que se permite contar histórias deixadas na pele”.
Parcialmente financiado por crowdfunding, que em português pode ser traduzido como micromecenagem, quando pessoas fazem pequenas doações através de uma campanha para financiar projetos, o de Jade prevê uma série de livros e a criação de uma plataforma digital para as fotografias.
O primeiro livro, Bodies of Mothers (algo como Corpos Maternos, em tradução livre) chega às livrarias no próximo domingo (11), dia das mães. Além das fotos, ele traz depoimentos das 80 mulheres fotografadas. Muitas delas, como Jade, detestavam seus corpos. Aos poucos, aprenderam a apreciar as histórias contadas por cada marca.
Um grande estímulo a nós, mães com tantas marcas!

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