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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Taiza Brito

Taiza Brito

Foto: A Prefeitura do Recife lança na próxima segunda-feira, no Cinema São Luiz, às 19h, a campanha de prevenção ao uso do crack e você está convidado para essa sessão!

Os cineastas Antônio Carrilho, Camilo Cavalcante, Kátia Mesel, Kleber Mendonça Filho, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Neco Tabosa e Tuca Siqueira produziram vídeos para sensibilizar a população sobre o tema.

Na ocasião, também será lançado o hotsite da campanha com seções informativas de como ajudar o usuário.

Saiba mais sobre a campanha <a href=Cineastas pernambucanos foram convidados pela Prefeitura do Recife a produzir vídeos de meio minuto para a campanha 30 segundos contra o crack. Os vídeos foram lançados no último dia 5 de maio, em evento realizado no Cinema São Luiz, pelo prefeito Geraldo Júlio. Inédita no país, a campanha será veiculada nas emissoras de TV locais. Os vídeos também podem ser acessados pela internet (confira aqui o link).
Idealizada pela Secretaria de Segurança Urbana do Recife, a iniciativa é uma das ações do Plano Municipal de Atenção Integrada ao Crack e outras Drogas e do Pacto Pela Vida do Recife. O projeto contou com a parceria da ONG holandesa Fundação Van Leer, voltada para a defesa dos direitos de crianças e adolescentes, e do Centro Josué de Castro.
Segundo o prefeito Geraldo Julio, a ação reforça o comprometimento da gestão no combate ao uso de drogas e faz parte de um conjunto de ações do Pacto pela Vida do Recife. “No início do meu governo lançamos o Pacto, e que somado a outras atividades que a prefeitura desenvolve tem uma atuação integrada de combate às drogas. Não só ação de polícia, mas ações de prevenção, são extremamente importantes. Aqui juntamos vários cineastas para realizar filmes que certamente vão tocar muitas pessoas. De maneira inovadora no Brasil, lançamos essa campanha audiovisual na esperança de somar forças para vencer esta guerra”, declarou o gestor.
Para o projeto foi destinado o valor de R$ 10 mil por filme, fruto da parceria com a Fundação Van Leer e o Centro Josué de Castro. Além do material audiovisual, também foi produzido um site para reforçar a campanha (www.30scontraocrack.com.br), que contém seções informativas de como ajudar ao usuário junto aos endereços e telefones dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) especializados no tratamento da droga.
“Oito olhares formam um discurso muito maior do que um único, então a ideia foi investir nessa multiplicidade. O resultado além de abrangente é múltiplo, então com isso conseguimos chegar a diferentes parcelas de público, e esse é o objetivo do projeto, comunicar com o maior número de pessoas possível”, ressaltou o jornalista André Dib, curador do projeto.
Nomes conhecidos do cinema local como Antônio Carrilho, Camilo Cavalcante, Kátia Mesel, Kleber Mendonça Filho, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Neco Tabosa e Tuca Siqueira, foram os responsáveis pela concepção dos nove filmes que irão ser veiculados gratuitamente em todas as emissoras de TV de Pernambuco. De acordo com o secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, os vídeos irão permitir que este debate chegue de forma mais direta às pessoas.
“Queremos promover a reflexão nas escolas, nas casas, alertando e orientando as pessoas sobre os perigos do crack. A linguagem que os cineastas utilizaram vai ser muito facilmente absorvida pelos jovens, e vai ser um mecanismo de alerta muito importante para a sociedade”, destacou.
POLÍTICA DE ENFRETAMENTO – Em novembro de 2013, o prefeito Geraldo Julio instituiu o Plano Municipal de Atenção Integrada ao Crack e outras Drogas, o primeiro do tipo lançado por uma gestão municipal. A iniciativa reúne 14 secretarias e toda a sociedade civil em um grande esforço conjunto, cuja meta é promover a qualificação e a ampliação do atendimento da rede de assistência social. Entre as ações está a implantação de dois núcleos do Programa Atitude Municipal, com previsão de atendimento de 2,7 mil pessoas por mês e acolhimento a 130 usuários.
Além disso, serão feitas ampliações dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) de oito para 18 até 2016. Já o número de Centros de Referência Especializada da Assistência Social (Creas) subirá de três para seis no mesmo período. Também serão erguidos mais dois centros que cuidam de pessoas em situação de risco e vulneráveis – atualmente dois já estão em funcionamento.
Também estão previstas parcerias com a rede complementar não governamental para acolhimento, tratamento e reinserção social de 120 usuários de crack, álcool e outras drogas; bem como a ampliação do número de Casas de Acolhida. Funcionam atualmente dez unidades no Recife. Até 2016, o município passará a contar com 23, o que significa um aumento de 289 para 490 acolhimentos.

Quarta, 30 Abril 2014 21:32

O editado e o inédito

Frei Betto*, publicado originalmente em O Mercado Ético
Meu amigo Alfredo não entende por que continuo frade, crítico ao capitalismo e convencido de que verdade e palavra de Jesus coincidem.
Não cabe na cabeça dele minha opção de não formar uma família e ter “desperdiçado” as oportunidades que a vida me ofereceu de sucesso profissional como leigo.
Aos 22 anos fui assistente de direção de José Celso Martinez Corrêa na montagem de “O rei da vela”, peça de Oswald de Andrade. Aprendi o ofício e fiquei tentado a dedicar-me de corpo e alma à direção teatral.
Aos 23, trabalhei como chefe de reportagem da “Folha da Tarde”, em São Paulo. E em 2004 renunciei à função de assessor especial da Presidência da República.
Segundo Alfredo, “tivesse cabeça, você não estaria enfiado em uma cela de convento, vivendo de minguados direitos autorais e eventuais palestras remuneradas.”
Embora Alfredo e eu sejamos amigos, há entre nós enorme diferença no modo de encarar a vida. Ele é alto executivo de uma empresa multinacional, tem um casal de filhos, possui fazenda e casa de praia, e adora passar temporadas em Nova York.
Em matéria de religião, ele cultiva um agnosticismo que não o impede de ser devoto de São Judas Tadeu e trazer no pescoço um cordão de ouro com a medalha de Nossa Senhora das Graças.
Repito sempre a Alfredo: “Você é um homem editado.” Devidamente moldado, como um boneco de gesso, pela cultura capitalista-consumista que respiramos.
Ele gosta de exibir roupas de grife, frequentar clubes sofisticados e restaurantes da moda, e trocar de carro a cada 15 mil km rodados.
Prefiro ser um homem inédito. Não invejo o estilo de vida de Alfredo, nem duvido de que ele seja feliz assim. Recuso-me, porém, a submeter-me aos “valores” do sistema que exalta a competividade, e não a solidariedade, e gera tanta desigualdade social.
Minha felicidade estaria em risco se eu me deixasse possuir por bens materiais que me exigiriam cuidados constantes. Minha existência não é norteada por status, finanças ou patrimônio. É o sentido solidário que imprimo à vida que me faz feliz. Nem me considero mais feliz que a média. Felicidade não se compara.
O poço no qual sacio a minha sede é aberto ao Transcendente. E me faz muito feliz não ter que me preocupar com bens materiais, pois nada possuo, exceto as roupas que visto, os livros que coleciono e um carro Fox básico que me foi presenteado.
Quem muito possui, muito tem a perder. Não é o meu caso. Meu bem mais precioso é também o de Alfredo e de todos nós – a vida. Sei que um dia haverei de perdê-la, como ocorre a todos. Alfredo fica horrorizado quando se toca neste tema. Ele quase se julga imortal. Porque terá muito a perder quando a morte chegar.
Esta diferença é marcante entre nós: o sentido que imprimo à minha vida justifica a minha morte. Não é o caso de meu amigo nem de homens e mulheres editados. Eles nutrem sempre a ambição de terem mais e mais. O necessário jamais é suficiente para eles. Não suportam a ideia de terem um futuro de quem mora de aluguel, anda de ônibus, e vai ao shopping apenas para ver as vitrines e tomar sorvete.
O homem e a mulher editados são aqueles que apostam tudo no sistema no qual vivem e acreditam. O homem e a mulher inéditos olham além do próprio umbigo e ficam indignados com tanta miséria e injustiça. Empenham suas vidas na busca de outros mundos possíveis. Acreditam em ideiais e utopia. E são felizes justamente por se sentirem como a cortiça na água, que nunca submerge. Por isso, raramente sofrem desilusões, temem o fracasso ou se enchem de medicamentos para evitar a baixa autoestima.
O homem inédito é apenas alguém que não se deixa editar por nenhuma força – política, econômica, religiosa – que insiste em fazer dele o que não é.
O homem e a mulher editados apreciam autoajuda. O homem e a mulher inéditos preferem a outroajuda.
* Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

http://www.freibetto.org/> ; twitter:@freibetto.

Taíza Brito e Gerard Sauret

Quem lotou o auditório da Livraria Cultura, na última quinta-feira (24 de abril), no Bairro do Recife, para prestigiar a II Mostra Sesc de Literatura e Oralidades, foi brindado com um breve, mas potente show de Silvério Pessoa e do grupo occitano La Talvera. O espetáculo, chamado ForrOccitània, é de um hibridismo transbordante, com originais misturas de instrumentos e ritmos tradicionais do Sertão pernambucano e do mundo rural do sul da França. Mais um resultado das inúmeras e frutíferas pesquisas do cantor oriundo de Carpina, na Mata Norte.

Antes do show, Silvério explicou algumas de suas experiências transitando entre esses dois territórios sonoros: o Nordeste e a Occitania. Abordou como seu interesse transcende a dimensão estritamente musical e direciona-se para a busca da espiritualidade nas manifestações musicais de cá e de lá.

O legado de mais de dez anos de pesquisas entre o Brasil e a França pode ser avaliado em função da riqueza do material gerado: dois CDs gravados; uma tese de mestrado, o livro Nômade, com selo das Edições Bagaço; muitos shows aqui (com pouca divulgação) e na Occitânia (mais prestigiados), além de um farto material fotográfico e memórias que bem poderão render outro livro.

O CD ForrOccitània, foi gravado por Silvério e a Talvera, na França, em 2012. E é ainda inédito no Brasil. Já o CD Collectiu (coletivo, em Português), lançado em 2011, é fruto da gravação de Silvério com La Talvera (uma faixa) e outras bandas occitanas, ao longo dos últimos anos.

Ao assistir ao pocket show de Silvério e La Talvera, imagina-se que se o músico pernambucano poderia receber maior apoio e divulgação do trabalho. A apresentação, caso ampliada, caberia bem em um grande palco no Marco Zero. Uma aposta na qual valeria apena investir. Vale ressaltar que não há problema no espaço da Livraria Cultura, com boa infraestrutura para o show no formato apresentado, nem no evento organizado pelo Sesc, dentro do proposto pela mostra.

No palco, a cumplicidade entre os músicos é total, resultando numa explosão de sons das culturas nordestina e occitana. De um lado, Silvério e dois componentes de sua banda (bateria e guitarra), e do outro três integrantes do grupo La Talvera - Daniel Loddo (acordeom, craba – um chamativo instrumento feito do corpo de uma cabra –, cavaquinho, percussão), Céline Ricard (voz, flauta) e Fabrice Rougier (clarinete). Os demais integrantes do grupo occitano infelizmentenão puderam vir ao Brasil por restrição orçamentária.

CONEXÕES CULTURAIS

Na apresentação, Silvério disse que encontrou na Occitania “uma atmosfera, uma geografia, uma cultura, uma religiosidade e um povo semelhante ao que aprendeu a conviver na economia da cana-de-açúcar”, em Carpina.

“Quando conheci os integrantes de La Talvera, anos atrás, uma grande amizade se efetivou e começamos a sonhar juntos sobre a possibilidade de realizar não só um show, mas um projeto. Que pudéssemos vivenciar a cultura um do outro e desta convivência fazer música, trocar experiências, criar algo coletivo e ao mesmo tempo afirmar nossas músicas e identidades”, explica.

La Talvera, originária da cidade de Cordes Sur Ciel, de fato, é mais do que uma banda. É uma associação que trabalha para a preservação do patrimônio musical occitano. Suas atividades vão desde a pesquisa etnomusicológica, a edição, a difusão, a criação e a formação. Uma cultura de resistência diante da pressão globalizadora do mundo atual.

Melhor que falar sobre Silvério e ForrOccitània, é ouvir as canções, algumas das quais podem ser acessadas no site do músico aqui. Voltadas, sem dúvida, como diz Silvério, para aqueles que acreditam que as culturas que lutam por reconhecimento, fortalecem suas identidades, numa festa que sempre vai continuar. E que esta festa possa um dia ser reconhecida e vista por um público maior em Pernambuco.

 

Confira a seguir a programção completa de La Talvera no Brasil nos próximos dias:

 

- 25 de abril: conferência-show na UFPE

- 26 de abril: show com Silvério Pessoa em Arcoverde

- 28 de abril: conferência-show na Universidade de Belo Jardim

- 29 de abril: Master Class de clarinete no conservatório de música do Recife

- 30 de abril: conferência-show na Universidade de João Pessoa

O Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário em parceria com a Arquidiocese de Olinda e Recife e o Comitê Nacional de Resgate do Dia de Ação de Graças (DNAG) farão do Parque da Jaqueira, no Recife, o quartel general da solidariedade pernambucana, a partir deste sábado, dia 26 de abril, com o mote “Dividindo Gratidão e Multiplicando Solidariedade”.

A proposta é que todos os finais de semana até novembro, equipes de voluntários se revezem no trabalho de recolher donativos como alimentos não perecíveis, água mineral e ração animal, que serão distribuídos com famílias carentes de todo o Estado, com prioridade para aquelas que convivem com a estiagem no Agreste e Sertão. A concentração dos voluntários começa às 10h diante da capela.

De acordo com os organizadores, a ideia é retomar o mutirão solidário que aconteceu no local ao longo de 2013 e que arrecadou centenas de toneladas de donativos, distribuídas nas cidades mais atingidas pela seca.

Mais informações com o coordenador do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, Anselmo Monteiro, pelos telefones (81) 9979 9716, (81) 9114 9716 e (81) 3226 0063; ou com a assessora do DNAG, Patrícia Rocha, pelos telefones (81) 3252.6008 e (81) 9115.6115.

Sexta, 25 Abril 2014 15:59

Umas e outras

“Um pequeno grande equívoco.”

(Marcelo Neri, presidente do IPEA)

 

Por Cesar Vanucci *


Violência contra a mulher. Depois da celeuma levantada pelos dados divulgados, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) retornou a público para dizer que ocorreu um erro na tabulação da pesquisa relativa à violência contra a mulher. Se falha houve quanto aos aspectos metodológicos aplicados na consulta; se faltou rigor técnico na apuração dos dados; se o fato se originou de “um pequeno grande equivoco”, já que “estamos numa curva de aprendizado”, como tentou justificar Marcelo Neri, presidente da instituição; se tudo isso realmente rolou, uma coisa permaneceu estridentemente gravada no espirito popular. Setores ponderáveis da sociedade brasileira, percentual elevado de mulheres incluídas, confessaram-se muitíssimo intolerantes e preconceituosos na avaliação do comportamento feminino rotineiro. Mesmo que tenha havido queda na revisão procedida, de 65% para 25%, o índice que bota culpa nas mulheres, por conta das “vestes ousadas”, pela incidência de estupros é aberrante, assustadoramente alto. Roça as franjas do mais genuíno talebanismo.

Decisões em favor do crescimento. Parcela expressiva da opinião pública não atentou devidamente para o relevante significado econômico e social de algumas medidas na esfera da gestão pública anunciadas recentemente. As decisões tomadas dizem respeito aos leilões de concessão à iniciativa empresarial contemplando a construção e modernização de rodovias – tronco nas diferentes regiões do país. Inseridas na segunda etapa do PIL (Programa de Investimentos em Logística), os leilões promovidos atingem trechos rodoviários superiores a 4 mil quilômetros, implicando em investimentos globais de 28 bilhões de reais. São obras de pavimentação e duplicação a serem efetivadas, segundo os planos traçados, ao longo de cinco anos. As rotas correspondentes as tais concessões atravessam territórios de avantajada produção agropastoril. Com os investimentos a serem aplicados garantirão condições acentuadamente mais propícias no transporte de cargas valiosas aos portos marítimos de escoamento de bens exportáveis. O esquema de licitações adotado prevê, ainda, na região norte, a utilização de aquavia pelo rio-mar Amazonas para a circulação de riquezas destinadas ao mercado internacional. Apontado pelo governo federal como essencial no processo de desenvolvimento, traduzindo um salto de qualidade em matéria de gestão pública, como entendido por produtores, exportadores e analistas econômicos, o sistema de concessões estabelecido para rodovias vai ser agora, também, estendido às ferrovias, atividades portuárias e de produção energética. Tudo leva a crer que desse conjunto de providencias resultará contribuição preciosa para acelerar o crescimento nacional. Boas falas.


Epidemia de cesáreas. O secretário Nacional de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, médico mineiro Helvécio Magalhães, ex-secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte no governo Fernando Pimentel, reconhece uma situação constrangedora para todos nós, cidadãos brasileiros, médicos, mães. Contrariando regras de bom senso e de sentido humanitário aplicáveis à saúde pública, violentando recomendações da Organização Mundial de Saúde, “existe uma epidemia de cesárias no País!” Ignorância, comodismo, ausência de critério médico rígido concorrem para a anômala situação. Só no SUS, 42% dos partos implicam em procedimentos cirúrgicos. A média nacional de cesarianas executadas é maior: 53%. A indiferença geral que circunda a momentosa questão ajuda a explicar episodio recente, indicativo da gravidade assumida pelo problema, acrescido de variável que escancara uma clara violação de direitos humanos. Em Torres, no Rio Grande do Sul, contra sua própria vontade, uma gestante foi levada a hospital sob escolta policial e submetida à força a uma cesárea, por conta de medida judicial definida a pedido dos médicos que a atenderam.

*O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

O cantor Silvério Pessoa (PE) faz apresentação com o grupo francês La Talvera, nesta quinta-feira, a partir das 19h, no auditório da Livraria Cultura, no Bairro do Recife. O evento acontece dentro da Mostra Sesc de Literatura e Oralidades, iniciado no Recife na última terça-feira (22), que segue até o próximo domingo (27), com programação no Laboratório Ascenso Ferreira, localizado no Sesc Santa Rita, no auditório da Livraria Cultura e no Hall do Paço Alfândega.
A segunda edição da mostra conta com duas novidades: A introdução do teatro como uma das linguagens apresentadas e a promoção da acessibilidade para deficientes auditivos e visuais. Cida Pedrosa e Sennor Ramos são os curadores da exposição.
Na abertura da mostra, nesta quarta-feira, 23, a “Cia do Tijolo”, de São Paulo, faz uma interpretação da obra de Patativa do Assaré com o espetáculo “Cante lá que eu canto cá”, que traz uma seleção de poemas de Patativa musicados e declamados. A apresentação acontece no hall do shopping Paço Alfêndega, a partir das 19h. Uma série de debates também acontece na Livraria Cultura do Paço Alfândega, com audiodescrição e interpretação em libras.
Ao longo dos dias de programação outros destaques são o encontro do rapper Zé Brown com o DJ Beto, numa mistura de hip-hop com repente nordestino e a apresentação do poeta e contador de histórias Jessier Quirino, que acontece no domingo, dia 27, a partir das 19h, na Livraria Cultura. O encerramento será com o espetáculo Papel de bodega, de Jessier Quirino (PB).
Confira a programação::

22 a 25 - terça a sexta-feira, 9h às 12h - Oficina de Repente com Antônio Lisboa (RN). Local: Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira

23 - quarta-feira
19h - Cante lá que eu canto cá - Apresentação da Cia do Tijolo (SP).
Local: Hall do Paço Alfândega

24 - quinta-feira
19h - Manifestações da oralidade. Cristiano Ramos (PE) conversa com Jussara Salazar (PE) e Silvério Pessoa (PE) (Atividade com interpretação em libras e audiodescrição)
20h30 - Forroccitania - Apresentação de Silvério Pessoa (PE) & La Talvera (França)
Local: Livraria Cultura

25 - sexta-feira
19h - Embolando o rap - Apresentação de Zé Brown (PE) e DJ Beto (PE)
19h40 - Histórias do improviso - Lindoaldo Campos (PE) conversa com Ésio Rafael (PE), Geraldo Amâncio (CE) e Josivaldo Custódio (PE) (Atividade com interpretação em libras e audiodescrição)
Local: Livraria Cultura

26 - sábado
17h - A voz por escrito - Allan Nascimento (PE) conversa com Homero Fonseca (PE) e Inácio França (PE)(Atividade com interpretação em libras e audiodescrição)
18h30 - Hora da merenda
19h - Conversa de pé de parede, com Anchieta Dali (PE) e Paulo Matricó (PE). Mediação: Maviael Melo (PE) (Atividade com interpretação em libras e audiodescrição)
Local: Livraria Cultura

27 - domingo
17h - Assim me contaram, assim vos contei - Contação de histórias com Giba Pedroza (SP) e Chico Perosa (PB). Mediação de Emanuella de Jesus (PE). (Atividade com interpretação em libras e audiodescrição)
18h - Hora da merenda
19h - Papel de Bodega - Apresentação de Jessier Quirino (PB)
Local: Livraria Cultura

 

Serviço:

II Mostra Sesc de literatura e oralidades
Quando: 22 a 17 de abril 
Onde: Laboratório Ascenso Ferreira - Sesc Santa Rita (Rua cais de Santa Rita, 156, São José); Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/n, Paço Alfândega); Paço Alfândega (Cais da Alfândega, 35, Bairro do Recife).
Informações: (81) 3224-7577 Ramal 214; (81) 2102-4033

 

Confira a programação completa no site: www.sesc-pe.com.br/

Quarta, 16 Abril 2014 13:01

Arca de Livros chega no Rio Capibaribe

Arca dos Livros, uma coleção com 10 livros e um CD com canções ligadas aos temas das publicações será lançada com grande show de animação na capital pernambucana no próximo dia 23, data em que se comemora o Dia Internacional do Livro, às 14h, no Bar e Restaurante Catamaran, no Forte das Cinco Pontas

Apresentar de forma lúdica e divertida para crianças e adolescentes a importância da leitura na criação e recriação do cotidiano, tendo em vista que o hábito de ler estimula a criatividade, integração, socialização e o conhecimento. É com essa perspectiva que os autores, Fred Braga, educador, compositor e músico da Vouler Edições e Produções; e a psicopedagoga e contadora de histórias, Vera Nóbrega, da Cia. Quantos Contos, lançam no próximo dia 23, em homenagem ao Dia Internacional do Livro, o projeto Arca dos Livros, composto por uma coleção de 10 livros infantis e um CD com 10 canções, todos tendo como tema os livros e a leitura. Cada livro contém a letra e a partitura da música referente ao tema. O lançamento acontece a partir das 14h, no Restaurante e Espaço Catamaran, próximo ao Forte das Cinco Pontas, com uma grande festa aberta para a garotada que incluirá atividades de recreação com pula-pula, cama elástica, piscina de bolas, pintura de rosto, entre outras. Mas, a atração principal da tarde ficará por conta da chegada da Arca dos livros pelo Rio Capibaribe trazendo um grande show de animação com músicos, contadores de histórias e os personagens dos livros. O projeto tem elaboração da Bureau de Cultura e Turismo e conta com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). O acesso ao evento é gratuito.

Os volumes trazem como temas principais a valorização do livro e o desenvolvimento do gosto da leitura pelas crianças. “Ao longo de alguns anos, realizei muitas pesquisas e percebi que não havia até o momento nenhuma obra que valorizasse o livro como objeto, como veículo. Daí surgiu à idéia de lançar essa coleção fazendo uma alusão ao livro”, conta o autor Fred Braga. Cada edição segue um padrão e conta uma história diferente em que sempre figuram o autor, o livro, o conteúdo, o professor, a livraria, a biblioteca, a escola, entre outros. Cada um dos 10 livros corresponde a uma das dez músicas-temas do CD. “Todas são alegres, dançantes e estimulantes para crianças e adultos. Os arranjos e a instrumentação foram produzidos por músicos experientes e as letras são entoadas por cinco cantores profissionais, sempre acompanhados por um coro com 16 vozes infantis”, ressalta. Os livros e as canções foram criados por Fred Braga e Vera Nóbrega, sendo as ilustrações assinadas pelo publicitário carioca que fixou residência na cidade de Olinda, Rodrigo Boente.

A coleção é formada pelos livros: O livro é lindo que mostra o trabalho de um velhinho que conta histórias para algumas crianças em praça pública, tirando os livros de um saco de tecido que carrega nas costas. Porém, uma das crianças nunca chega próximo ao grupo e, um dia, depois de ter sumido por um tempo, o contador de histórias reaparece e presenteia a menina que observava à distância, ensinando a magia dos livros. O segundo livro intitulado Abra a janela, relata a história de Gabriel, um menino que é internado num hospital e encontra na leitura uma forma divertida de brincar e se entreter e entrar no mundo mágico dos livros. O terceiro exemplar da coleção se chama Livro é livro que apresenta as novas tecnologias utilizadas na leitura através de uma comparação entre pai e filho sobre o livro digital e o de papel. No quarto livro, intitulado A carta, a neta e a avó redescobrem os encantos de escrever cartas. No quinto livro, cujo título diz: É preciso ler, as crianças vão poder vivenciar as dificuldades de leitura em uma sala de aula e aprender

sobre a importância da leitura no ambiente educacional. O sexto livro sob o tema Transforma, apresenta aos leitores o processo de transformação da natureza, fornecendo conhecimentos sobre o Pau Brasil, sua história e o cultivo de suas mudas levantando uma discussão em torno do uso das árvores no processo de reciclagem para a produção de papel e livros, além de outros objetos. O sétimo exemplar, A casa do meu amigo narra a história de uma menina que todos os dias chega em casa contando histórias de seu amigo da escola e a mãe, curiosa sobre esse amigo, vai até a escola e descobre que esse amigo tão falado pela filha é nada a mais, nada a menos que o livro. Em Quero ser um livro, o autor conta de forma divertida o sonho de um caderno chamado Branquinho que quer se tornar um livro. Em Livrem os livros, as crianças conhecerão a história de Marquinho que vai até a biblioteca da escola onde há um livro encantado que fala com ele e pede sua ajuda para mobilizar os alunos a libertarem os livros que estão presos nas prateleiras e precisam ser abertos e lidos para serem livres. Por fim, o último exemplar da coleção, o Arca dos livros mostra uma contadora de histórias narrando a história da Arca de Noé para as crianças no ambiente de uma biblioteca pública fazendo com que eles percebam que o local é como uma Arca dos Livros, capaz de preservar o conhecimento da humanidade, assim como Deus preservou os animais na Arca de Noé.

E, como tudo hoje precisa ser bastante atrativo, sobretudo, quando se trata de publicações voltadas para o universo infantil, que está, cada dia mais conectado com a interatividade dos meios digitais, a Arca dos livros também já ganhou versão 3D e traz as imagens em realidade aumentada para que educadores, pais e contadores ao utilizarem em suas atividades recreativas e educacionais, permitam que as crianças experimentem outra realidade sensorial. O aplicativo, criado pela RApp`s Studio (uma startup incubada no Instituto de Tecnologia de Pernambuco) em formato pop-up tem versão para android e está disponível gratuitamente no google play. Para isto, basta comprar o título e baixar o aplicativo no smartphone ou tablet e curtir um novo mundo. O app já é um sucesso e foi um dos vencedores no último mês do 16º Encontro dos Usuários de Internet, realizado nacionalmente pela Localweb.

O projeto Arca dos livros prevê a publicação de 500 coleções. Dessas, 200 coleções serão distribuídas gratuitamente em bibliotecas públicas do Estado de Pernambuco, brinquedotecas de hospitais públicos infantis, bibliotecas comunitárias da Região Metropolitana do Recife, ong`s que

desenvolvam trabalhos com crianças e pessoas com deficiência e a Fundarpe. Os demais exemplares serão comercializados a preços acessíveis ao público em geral. O preço de lançamento da primeira tiragem da coleção é de R$ 40,00. Além disso, o projeto irá realizar quatro ações educativas de contação de história, utilizando os livros publicados e o CD em hospitais, escolas e ong`s voltadas ao público infantil com o objetivo de estimular o hábito da leitura e permitir momentos lúdicos a crianças em situação de vulnerabilidade social.

A publicação é um projeto da estreante Vouler Edições e Produções, que se lançou no mercado editorial na Bienal do Livro de Pernambuco, no ano passado, e tem como proposta a integração multimídia do conhecimento com o entretenimento. A frente da direção executiva está o pernambucano Fred Braga, ex-professor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), compositor e músico. Segundo ele, as publicações serão bem diversificadas e produzidas em vários formatos de mídia como livros impressos, e-books, álbuns musicais, DVDs, vídeos, jogos eletrônicos, aplicativos, palestras, shows e peças teatrais.

Para o próximo ano, a idéia é lançar um DVD de animação das músicas da Arca dos Livros, que já se encontram em fase de produção. Também já está produzindo o espetáculo teatral “O reino da arca”, inspirado na obra e no hábito da leitura, com co-autoria assinada pelo diretor de teatro, Lúcio Lombardi, com mais de 40 anos de experiência na área. Outra proposta já em andamento é a publicação da coleção em braile e em áudio livro.

SERVIÇO:

LANÇAMENTO COLEÇÃO ARCA DOS LIVROS EM HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DO LIVRO
DIA: 23/04/2014
LOCAL: RESTAURANTE E ESPAÇO CATAMARAN, PRÓXIMO AO FORTE DAS CINCO PONTAS
HORÁRIO: DAS 14 ÀS 17H30
ATRAÇÕES: BRINQUEDOS, RECREAÇÃO, RECEPÇÃO DA ARCA DOS LIVROS, CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS, SHOW MUSICAL E SESSÃO DE AUTÓGRAFO COM OS AUTORES FRED BRAGA E VERA NÓBREGA.
PREÇO LANÇAMENTO DA COLEÇÃO: R$ 40,00

ACESSO GRATUITO

Por Aron Belinky*
Ecochato, natureba, biodesagradável… Não é de hoje que piadinhas refletem o conflito entre o apelo fácil e sensual do consumismo e o discurso geralmente moral e limitador de quem, querendo ser sustentável, acaba ficando insuportável. A fantasia coletiva e o desejo individual falam mais alto que o fato evidente de que – como decorrência dos limites planetários – o modelo de produção e consumo que nos trouxe até aqui não será capaz de prover bem-estar aos bilhões de pessoas que, de fora, assistem à festa dos incluídos. E agora? Como mudar um sistema no qual – por convicção, ilusão, conveniência ou falta de opção – aposta a maioria da humanidade?
O difuso movimento pela sustentabilidade enfrenta um duplo desafio: não só mostrar que superou a dicotomia ambiental versus social mas também não ser visto como um estraga prazeres retrógrado, saudosista e excludente. Na publicação de pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, em 2010, resumimos uma proposta:
“Para ganhar os corações, mentes e bolsos dos consumidores, a Sustentabilidade, a RSE e o Consumo Consciente precisam ser apresentados não como conceitos sofisticados, mas traduzidos em práticas e propostas concretas. E essas não podem ser percebidas pelo público como imposições restritivas, mas sim como uma boa alternativa ao consumismo vazio, angustiante e insustentável. Vistas como o caminho mais curto, barato e desejável rumo à felicidade, que é, ao final, o que todos almejamos”.
Em 2012 o Akatu realizou nova pesquisa, avançado nesse caminho com metodologias inéditas na área. O relatório Rumo à Sociedade do Bem-Estar resume seus resultados, e traz interessantes perspectivas, com destaque para uma “priorização de desejos” utilizando o modelo de Escalonamento por Máximas Diferenças, mais conhecido como MaxDiff. Trata-se uma ferramenta amplamente utilizada no marketing para mensurar quanto certos atributos desejáveis são mais (ou menos) preferidos pelo público quando comparados a outros atributos, também desejáveis.
RESULTADOS PROVOCANTES
Sem saber que o assunto era sustentabilidade, 800 consumidores de todo o Brasil, das classes A, B, C e D, priorizaram 16 “desejos”, sobre oito temas do seu cotidiano. Os entrevistados também não tinham como saber que esses “desejos” apontavam para caminhos diferentes: metade rumando para uma sociedade mais sustentável, metade seguindo o atual modelo consumista. O que se viu foi surpreendente e animador: em todas as classes de renda (e também de idade, região etc.) predominou a preferência pelo “caminho sustentável” (veja gráfico ao lado). A publicação do Akatu traz conclusões detalhadas, e pode ser baixada aqui. Sem deixar de reconhecer possíveis limitações, é uma metodologia consistente, que trouxe resultados provocantes. Um exemplo ilustra bem a situação encontrada: misturadas entre as 16 frases que representavam os “desejos” propostos aos entrevistados, estavam as seguintes: “Quero ter tempo para estar junto com as pessoas de que gosto” e “Quero comprar presentes para agradar as pessoas de que gosto”.
Evidentemente, a primeira frase aponta para um caminho mais sustentável, enquanto a segunda reproduz o consumismo vigente. Numa escala de 0 a 10, o índice médio de preferência dos consumidores da classe A pela primeira frase foi de 9,5 e, pela segunda, 2,2. Na classe B, esse placar foi 8,8 contra 2,2. Na classe C, 8,2 contra 2,6 e, na classe D, 7,6 contra 3,3.
Importante notar que essas frases estavam misturadas com todas as demais, e não foram confrontadas diretamente entre si (o que poderia trazer o viés da resposta “politicamente correta”).
Os dados mostram que, quanto mais baixa a renda, menor a diferença na preferência dada ao caminho sustentável frente ao consumista (um resultado esperável, considerando-se a carência e a frustração de quem vive à margem da festa do consumo). Mas mostram também que, apesar disso, mesmo entre os mais carentes, não é o consumismo que mais diretamente dialoga com as aspirações dos entrevistados, mas sim os valores do bem-estar e do bem viver.
Para quem trabalha por uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável, a boa notícia é que há demanda pelo que temos a oferecer. O desafio, que persiste, é traduzir nossa mensagem: em vez de frustrar sonhos e castrar aspirações com um discurso apocalíptico ou por demais racionalista, aprender a falar ao desejo do consumidor, a mostrar caminhos atraentes e viáveis. Reconhecer a voz das ruas e dialogar com ela é o primeiro e necessário passo.
*Aron Belinky é coordenador do Programa Finanças Sustentáveis do GVces. Anteriormente, foi também o responsável pelas pesquisas do Instituto Akatu mencionadas neste artigo. Artigo publicado no site Página 22; reproduzido com adaptações conforme licença Creative Commons.

Do Porvir

NOSSO OLHAR – Na última semana, o noticiário de educação do país foi tomado por uma discussão em torno da artista Valesca Popozuda. Para recapitular aos que não acompanharam desde o início: um professor de filosofia de uma turma de ensino médio do Distrito Federal pedia, em uma das questões de sua prova, que os alunos completassem uma das músicas da cantora, o hit “Beijinho no Ombro”. A questão dizia: “Segundo a grande pensadora contemporânea Walesca (sic) Popozuda, se bater de frente: (A) É tiro, porrada e bomba; (B) É só beijinho no ombro; (C) É recalque; (D) É vida longa”.
O que se viu, a partir da circulação desta foto nas redes sociais, foi uma enxurrada de críticas em várias direções. Rebateu-se o fato de o professor ter chamado a artista de “pensadora contemporânea”. A presença de um funk numa prova de filosofia. O uso de palavras de baixo calão na música original. A música popular brasileira. A imprensa. O salário dos professores. Não faltou argumento para quem quis jogar pedra. Sem entrar no mérito de julgar a questão, o Porvir faz o convite de se aproveitar a situação para enveredarmos o debate para outro lado: como inserir a realidade, os saberes e os interesses dos alunos, de maneira respeitosa, significativa e educativa, na sala de aula?
Em entrevista recente ao portal, o sociólogo Muniz Sodré fala da importância de se incorporar o que chama de “ecologia dos saberes” em sala de aula. Muito antes, Paulo Freire, o mais importante educador brasileiro, já defendia que a cultura e o conhecimento prévios dos estudantes são importantes porque o aprendizado acontece mesmo é na troca – seja entre professores e alunos, seja com outros professores, seja entre alunos.
Trocando em miúdos, o que ambos os pensadores têm em comum é a crença de que a escola não pode ser um espaço onde apenas um tipo de conhecimento é debatido. Ao contrário, precisa ser um local em que se promove o livre circular de diferentes perspectivas, o respeito à diferença, a tolerância, a flexibilidade. Portanto, os temas que os alunos trazem também precisam ser considerados, até mesmo para que possam ser discutidos com mais criticidade. Nessa conta entram não só o funk da Valesca Popozuda, mas também o samba, o rap, o hip hop, a capoeira, o candomblé e quaisquer manifestações culturais que façam parte do cotidiano dos estudantes.
O desafio para os educadores é abrir as portas da sala de aula para aquilo que já desperta o interesse dos alunos, promover uma reflexão cuidadosa a respeito e criar oportunidades para que eles tenham acesso a novas referências que ampliem seus conhecimentos e seu repertório. Desta forma, ganham todos.
- Ganha a escola, que consegue reter mais os alunos. Aqui, cabe lembrar que, segundo o censo escolar mais recente divulgado pelo MEC, 1,6 milhão de estudantes abandonaram a escola em 2012. Só para se ter uma ideia de volume, é como se todos os alunos matriculados no ensino médio de São Paulo desistissem de ir à escola.
- Ganha o aluno, que passa a ver mais sentido na escola, consegue conectar seus interesses com sua vida escolar, é capaz de ter um olhar desenvolve um olhar mais crítico sobre sua realidade. Também passa a ter uma formação que não se encerra no que é dado e imposto, mas consegue dialogar com diferentes pontos de vista, tem acesso a uma formação mais compreensiva que o ajudará nos desafios da vida.
- Ganha a sociedade, que terá alunos mais engajados no próprio aprendizado e mais críticos como cidadãos.
Muitos são os exemplos de iniciativas que conseguem desenvolver trabalhos personalizados e com resultados significativos a partir dessa perspectiva. A trilha educativa, metodologia adotada na educação integral, é um deles. Nela, os alunos propõem um tema que é de seu interesse e, a partir daí, passam a correlacionar com os assuntos das disciplinas.
A escola Politeia, em São Paulo, é uma das que usa essa abordagem. Lá, recentemente, um grupo de alunos de ensino fundamental 2 – já que não são divididos por séries – resolveu estudar os super-heróis. Os professores aproveitaram o mote para ensinar história, geopolítica, biologia, matemática e, ao fim, os estudantes apresentaram uns aos outros e para a comunidade escolar o resultado de sua pesquisa individual. No portal do Centro de Referências em Educação Integral, é possível conferir como escolas de todo o país têm trazido o interesse dos alunos para dentro da sala de aula.
A tentativa de considerar e valorizar saberes da comunidade é o centro de outra iniciativa atualmente em andamento, o Mundial da Educação. Várias instituições se organizaram para estimular que moradores das cidades-sede de jogos da Copa do Mundo identifiquem os potenciais educativos de suas cidades e promovam eventos de trocas.
Como se vê, as possibilidades são várias, dentro e fora da escola. Voltando à Valesca Popozuda e o uso de uma música sua na prova de filosofia, todo esse debate suscitado deve aproveitar o momento para discutir maneiras de oferecer um ensino mais personalizado e engajador. Se não, a oportunidade vai passar deixando um beijinho no ombro.

Segunda, 14 Abril 2014 19:49

Seis perguntas do consumo consciente

Do Instituto Akatu
O consumo de produtos e serviços acontece de modo automático e muitas vezes impulsivo. É comum não pensarmos em nada além da compra do objeto de desejo em si. Conhecer só essa parte e não o todo da história envolvida no consumo leva as pessoas a não se darem conta do seu poder de transformar a sociedade, a economia e o meio ambiente com as escolhas que fazem.
O ato de consumo consciente começa com uma análise prévia da necessidade: é realmente preciso comprar ou trocar? Decidido que sim, o consumidor se informa sobre os impactos individuais, sociais, econômicos e ambientais do produto que deseja. Depois decide sobre qual o local ou serviço que usará para comprar e escolhe o fabricante de acordo com a sua responsabilidade socioambiental na produção. Por fim, faz um uso otimizado do produto para ele ter uma vida útil mais longa e gastar menos recursos (como energia e água), e define uma forma de descarte adequada. Só assim – tomando decisões conscientes em cada uma dessas fases, o consumidor poderá comparar e escolher a melhor opção.
Essas etapas podem ser resumidas num roteiro com seis perguntas que ajudarão você a consumir conscientemente e, assim, ajudar a construir uma sociedade de bem-estar com “o suficiente, para todos, para sempre”.Conheça o passo a passo e divulgue para seus amigos!
SEIS PERGUNTAS DO CONSUMO CONSCIENTE
1. Por que comprar?
Pergunte-se, antes da compra, se você realmente precisa do produto ou se está sendo estimulado por propagandas ou impulso do momento, que podem levá-lo a comprar mais do que necessita ou pode comprar. É importante lembrar os limites planetários e o que realmente é importante na vida de cada um. Isso muitas vezes vai significar “ter” algo não material no lugar do material, como dedicar mais tempo a atividades com a família e os amigos.
2. O que comprar?
É neste momento que definimos qual produto queremos comprar, ao analisar o que as opções disponíveis oferecem e escolhendo as características que realmente atendem às nossas necessidades. Atributos demais que nunca serão usados são puro desperdício. Busca-se definir também a qualidade e durabilidade do produto, suas características de segurança no uso e outros critérios que permitam selecionar sua escolha.
3. Como comprar?
Devo comprar à vista ou a prazo? Conseguirei manter as prestações pagas em dia? Vou comprar perto ou longe de casa? Como vou buscar e levar minhas compras? De carro, ônibus, bicicleta, a pé? Em sacolas plásticas, sacolas duráveis, caixas de papelão? Fazer compras de bicicletas no final de semana com a família pode ser divertido e uma ótima experiência para todos.
4. De quem comprar?
Ao escolher a empresa fabricante do produto a ser comprado, é importante considerar as características de produção, o cuidado no uso dos recursos naturais, o tratamento e a valorização dos funcionários, o cuidado com a comunidade e a contribuição para a economia local. Assim, o consumidor pode reconhecer com suas escolhas as empresas que melhor cuidam da sociedade e do planeta, além de atender às características definidas na etapa “o que comprar?”.
5. Como usar?
É essencial encontrarmos formas de usar de maneira consciente os produtos e serviços adquiridos de modo a evitar a troca sucessiva de itens sempre que algo novo surge no mercado ou entra na moda. Alguns exemplos: ser cuidadoso no uso, usar os produtos até o final da sua vida útil, consertá-los se quebrarem antes de pensar em comprar um novo, desligar aparelhos eletrônicos quando não estão em uso e usar apenas a água necessária nas diversas atividades domésticas.
6. Como descartar?
É o momento de se perguntar se o que se quer descartar não tem mais nenhuma utilidade, seja para você ou para outras pessoas. Caixas e embalagens podem se transformar em brinquedos para as crianças, e roupas antigas com nova costura, móveis reformados e eletrodomésticos consertados podem ser doados ou trocados. Quando realmente não houver novos usos para o produto, deve-se descartar os resíduos de maneira correta, buscando enviar o que for possível para a reciclagem. E sempre lembrar que não existe “jogar fora”: o “fora” é o nosso planeta, onde todos vivemos.

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