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Linha Editorial

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Por Edgard Júnior, da Rádio ONU

A nova geração internacional da moda, que inclui 11 estilistas com sobrenomes conhecidos, como Gucci, Rocco Toscani e Versace, se uniram para criar uma coleção exclusiva de roupas para a loja italiana OVS.

Eles consideram o trabalho uma contribuição pessoal na luta contra a Aids.

A iniciativa faz parte da campanha “Make Love With”, lançada pela OVS em parceria com o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids, Unaids.

O objetivo é recolher fundos e chamar a atenção para a visão do Unaids de tolerância-zero para a doença: zero-novas infecções; zero-discriminação e zero- mortes relacionadas à Aids.

O diretor executivo da agência da ONU, Michel Sidibé, afirmou que a parceria com a OVS representa uma oportunidade para atingir os jovens com mensagens de prevenção ao HIV.   Segundo Sidibé, os jovens estão liderando a revolução de prevenção à Aids no mundo todo. Ele disse que a campanha será uma oportunidade para canalizar a energia e a criatividade da juventude e do mundo da moda em apoio à resposta global ao HIV.

A nova coleção está sendo lançada neste dia 27 de novembro em Milão e estará disponível para o público em geral, pela internet, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em 1º de dezembro.

Da BBC Brasil

O Brasil ganhou 20 posições em um ranking global sobre desigualdade de gêneros em decorrência dos avanços obtidos na educação para mulheres e no aumento da participação feminina em cargos políticos. Segundo o ranking anual elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF , na sigla em inglês), o Brasil saiu da 82ª para a 62ª posição entre 135 países pesquisados.  

A lista é liderada pela Islândia pelo quarto ano consecutivo, seguida pela Finlândia, Noruega, Suécia e Irlanda. No lado oposto do ranking, o Iêmen é considerado o país com a pior desigualdade de gênero do mundo. O Paquistão, Chade, a Síria e a Arábia Saudita completam a lista dos cinco mais mal colocados.

Na América Latina e no Caribe, a Nicarágua é o país com a menor desigualdade de gêneros, na 9ª posição no ranking global, seguida de Cuba, Barbados, da Costa Rica e Bolívia. O Brasil está em 14º lugar entre os 26 países da região pesquisados.

Na relação dos países considerados desenvolvidos, a Coreia do Sul é o que tem a maior diferença entre gêneros, ocupando o 108º lugar no ranking. O Japão aparece em posição próxima, no 101º lugar.  

Para elaborar o ranking, o WEF estabelece uma pontuação baseada em quatro critérios – participação econômica e oportunidade, acesso à educação, saúde e sobrevivência e participação política.

O Brasil recebeu a pontuação máxima nos itens relativos à educação e saúde, mas tem uma avaliação pior em participação econômica (no qual está em 73º entre os países avaliados) e participação política (na 72ª posição). O estudo destaca que o avanço do país no ranking geral decorre de “melhorias em educação primária e na porcentagem de mulheres em posições ministeriais [de 7% a 27%]”.  

O fato de ter uma mulher na Presidência da República, Dilma Rousseff, também conta positivamente para a posição do Brasil no ranking. Segundo o WEF, no último ano 61% dos países pesquisados registraram uma diminuição da desigualdade entre os gêneros e 39% tiveram aumento. Entre 2006 e 2012, no entanto, a porcentagem de países com redução da desigualdade salta para 88%.

A Nicarágua é o país que registrou o maior avanço na eliminação da desigualdade entre os gêneros nos últimos seis anos, pulando do 62º posto em 2006 (entre 115 países pesquisados naquele ano) para a 9ª posição neste ano, com uma melhora de 17,3% na pontuação geral. A Bolívia é o segundo país com o maior avanço, com uma melhora de 14% na pontuação, passando da 87ª para a 30ª posição no ranking.

Por Leda Letra, da Rádio ONU

O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e o governo do Brasil assinaram um acordo para que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio em 2016 sejam eventos “verdes.”  

O compromisso foi firmado também com representantes da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional. Nesta semana, o Pnuma lançou recomendações para garantir a sustentabilidade dos dois megaeventos no Brasil. O relatório destaca ainda a performance ambiental da África do Sul na última Copa.

Segundo a agência, as pegadas de carbono durante a Copa do Mundo em 2010 foram menores do que o projetado. O evento na África do Sul lançou 1,65 milhão de toneladas de dióxido de carbono; 60% do total estimado.  

Para garantir a sustentabilidade dos eventos que serão realizados no Brasil, o Pnuma pede à Fifa que reduza suas pegadas de carbono e encoraje os países parceiros a fazer o mesmo.

A agência também destaca que as cidades sede da Copa precisam de diretrizes claras e legais sobre o meio ambiente. Outra recomendação é para a busca antecipada de financiamento para iniciativas verdes.

O Pnuma ressalta que ações de sucesso da África do Sul devem ser implementadas nos próximos megaeventos esportivos, como projetos de energia renovável, melhoria do sistema de transportes e conservação de água nos estádios e nas cidades.

Da ONU Brasil

A América Latina registrou o maior crescimento da participação feminina no mercado de trabalho nas últimas três décadas. Mais de 70 milhões de mulheres passaram a trabalhar desde os anos 1980, elevando esse índice de 36% para 43%, de acordo com relatório do Banco Mundial. No Oriente Médio e Norte da África, a elevação foi de 0,17% ao ano no mesmo período.

O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2013: Empregos ressalta a liderança do setor privado na criação de vagas em geral (não apenas para mulheres), chegando a 90% no Brasil entre 1995 e 2005. Mas afirma que, para manter o nível atual, serão necessários 600 milhões de empregos a mais em 2020 na comparação com 2005.

Hoje, em todo o mundo, mais de 3 bilhões de pessoas estão trabalhando – quase a metade na agricultura e em pequenas empresas familiares ou em trabalhos informais ou sazonais, nos quais as redes de segurança são modestas ou algumas vezes inexistentes e a renda é frequentemente escassa. O Brasil é exemplo de rápida formalização.

Na última década, a criação de empregos no setor formal no país tem sido três vezes mais rápida que setor informal. Só nos cinco anos que antecederam a crise, a participação no mercado formal de trabalho cresceu 5%. Programas de proteção social como o Bolsa Família, simplificação fiscal para pequenas empresas, maiores incentivos para empresas formalizarem seus trabalhadores, melhor aplicação de impostos e regulamentações trabalhistas contribuíram para este sucesso.

Os empregos são a base do desenvolvimento nos países emergentes, produzindo benefícios muito além da renda. Eles são fundamentais na redução da pobreza, no funcionamento das cidades e proporcionam aos jovens alternativas à violência.

“Precisamos encontrar as melhores formas de colaborar para o crescimento das pequenas empresas e propriedades agrícolas. Os empregos proporcionam esperança igual para todos. Representam paz para todos. Os empregos podem fazer com que países frágeis tornem-se estáveis”, afirma o Presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim.

A crise econômica global e outros eventos recentes levaram as questões de emprego ao centro do diálogo sobre desenvolvimento. “O desafio que enfrentam os jovens é, por si só, impressionante. Mais de 620 milhões de jovens não estão trabalhando nem estudando. Só para manter constantes as taxas de emprego, o número global de empregos terá de aumentar em cerca de 600 milhões em um período de 15 anos”, afirma Martin Rama, responsável pelo relatório.

Do ICMBio

Com a chegada da primavera, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar/ICMBio), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prepara diversas atividades que serão realizadas nos centros de visitantes para comemorar os resultados positivos, como a nova temporada de desova das tartarugas marinhas que deverá alcançar a marca de 15 milhões de filhotes devolvidos ao mar e o registro de 15 milhões de visitantes no Tamar/ICMBio.

O Tamar é atualmente coordenado pelo ICMBio e coadministrado pela Fundação Pró-Tamar. Tem como principal renda a visitação, que além da oportunidade de contribuir financeiramente, oferece às pessoas conhecer de perto o trabalho de conservação das cinco espécies que ocorrem no Brasil. O restante do recurso vem do ICMBio, do patrocínio da Petrobras e apoio do Bradesco. O contínuo e dedicado trabalho do Centro assegurou a proteção de mais de 1,5 milhões de tartaruguinhas nos mares brasileiros. Outro número bastante expressivo é o de visitantes, com previsão de 15 milhões para o mês de dezembro.

Histórico  -  Em 1982, dois anos após sua fundação, o Tamar incentivou na Praia do Forte, na Bahia, a criação do seu primeiro centro de visitantes. Com apoio de colaboradores locais, os raríssimos turistas que chegavam podiam ver os ovos e os filhotes de tartaruga marinha recém nascidos, o que foi um sucesso.

Um pequeno aquário foi construído, para onde dez das duas mil tartarugas nascidas foram transferidas. “Nem nós as conhecíamos, ou sabíamos exatamente o que comiam, o que faziam”, conta Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Tamar/ICMBio. Logo depois, um pequeno tanque foi providenciado.

Trinta anos se passaram e até hoje o centro de visitantes da Praia do Forte nunca ficou um dia sem abrir suas portas. Esforços somados aos demais centros de visitantes no país, totalizando 11 centros, chegou-se a uma conclusão curiosa e emblemática: cada pessoa que vista o Tamar salva uma tartaruga marinha.

Ou seja, foram necessários 15 milhões de pessoas para salvar 15 milhões de tartarugas marinhas. Em média, cada ninho gerou um pouco menos de 100 filhotes, o que permite alcançar a marca de 1,5 milhões de tartaruguinhas ao mar até o final de 2012.

Tamarear -  Para festejar números tão importantes, o Tamar/ICMBio vai promover eventos chamados de Tamarear, envolvendo o público com a mensagem da conservação através da arte, da música, exposições, vídeos e muito mais.

Em Fernando de Noronha, entre 01 e 05 de dezembro, o guitarrista americano Stanley Jordan vai fazer show, aulas de técnicas de improviso, musicoterapia e outras atividades com a população e turistas. Ele será acompanhado por músicos brasileiros como Dudu Lima, Mamão, Ricardo Itaborahy, que se juntarão com músicos locais em uma troca de experiências e repertórios. Palestras sobre biologia, conservação da natureza, tartarugas marinhas, golfinhos, baleias, entre outros temas, além de músicas compostas e arranjadas especialmente para a ocasião serão conhecidas. Na semana seguinte o grupo segue para fazer o mesmo evento na Praia do Forte e receberá o reforço de Milton Nascimento.

O Tamarear não para por aí: vai para Sergipe, Ubatuba e Florianópolis, sempre nos centros de visitantes. Participarão também do Movimento Tamarear Luiz Caldas, João Donato, Dazaranha, Camisa de Venus, Ricardo Chaves, Armandinho, Toninho Horta, entre outros grandes nomes da música brasileira, sempre com a mesma filosofia de promover a interação entre músicos, comunidades e os visitantes com a conservação das tartarugas marinhas e da natureza.

Mais informações

 

Por André Trigueiro*

 

Os brasileiros entraram com grande entusiasmo na era da eletrônica, mas com pouquíssima disposição de reciclar o lixo eletrônico.  Segundo Ministério do Meio Ambiente, guardamos, no Brasil, 500 milhões de aparelhos sem uso em nossas casas. É muito lixo eletrônico. Quando se pensa em mundo, então, o número é mais impressionante.

O que se produz de lixo eletrônico por ano encheria tantos vagões de trem que daria a volta no planeta. A situação se agrava na proporção em que a vida útil dos aparelhos diminui. Um computador é trocado, em média, a cada dois anos. O celular, menos que isso (22 meses); a TV dura 10 anos; um DVD, entre quatro e cinco anos.

Isso faz com que o Brasil descarte, por ano: 97 mil toneladas de computadores; 115 mil toneladas de geladeiras; 140 mil toneladas de TVs; 2,2 mil toneladas de celulares; um bilhão de pilhas.   Nós já mostramos iniciativas públicas e de Organizações Não Governamentais (ONGs) para reciclar esse material que dão muito certo, mas o que muitos não sabem é que também existe a logística reversa – traduzindo: o produto volta para onde foi fabricado. É reciclado e reaproveitado, seja na forma de componente, seja como matéria-prima.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos tornou a logística reversa uma obrigação para todas as empresas do país. Deu prazo para que funcione e as empresas estão tratando de se adequar.   Não precisa esperar muito para aparecer mais gente com aparelhos velhos numa assistência técnica. “Liguei no serviço de atendimento ao consumidor e me informaram que essa era a loja mais próxima da minha residência”, fala a aposentada Thais Amaral Melo.

“A partir da assistência técnica uma empresa especializada coleta o produto. Ela desmonta esse aparelho e destina as peças adequadamente. Nós iniciamos esse programa em março de 2010 e até hoje nos coletamos cerca de 300 toneladas de produtos entre equipamentos, pilhas e baterias e de outros”, diz o diretor de sustentabilidade da Phillips, Márcio Quintino.

“Tem farmácias em São Paulo que aceitam pilhas, tem lojas de celular que aceitam celular usado, e tem uma rede de supermercado que aceita tanto óleo de cozinha, papelão, garrafa”, conta Thais.   Um banco, por exemplo, tem um papa-pilhas em quase todas as agências e não é só pilha que se encontra no local: baterias, celulares, cartuchos. Tudo recolhido e levado para a reciclagem.

“Nós já arrecadamos cerca de 702 toneladas. Na verdade vem superando a expectativa”, conta o gerente regional de atendimento Santander, Ricardo Fingolo.   Numa grande empresa de computadores e impressoras, o conceito de reciclagem está em todas as etapas da produção. As folhas de teste das impressoras viram caixa para embalar o produto. As caixas de papelão são reutilizadas oito vezes pelos fornecedores. Os cartuchos devolvidos viram matéria-prima e cada impressora, por exemplo, sai do local com um chip de identificação próprio, uma espécie de DNA da máquina.

“É identificado que produto é, do que ele é composto e como é que deve ser feito o processo de descarte dele. Peça por peça, parte por parte”, explica o vice-presidente de Impressão da HP, Cláudio Raupp.

A empresa não divulga quanto investe e muito menos quanto ganha de retorno com o programa, mas afirma que, com a cadeia produtiva sustentável, em um ano transformou um 1,3 bilhão de garrafas plásticas em matéria-prima, reduziu 22% da pegada de carbono e poupou 70% de água, quantidade suficiente para abastecer três milhões de casas.

“O consumidor tem um papel extremamente relevante porque na reciclagem e na sustentabilidade ele é que toma a decisão de fazer o descarte, ele é que toma a decisão de separar o lixo, naturalmente que a legislação existe, a regulação existe, mas se o consumidor não fizer o papel dele, a cadeia toda não vai funcionar”, completa Raupp.

Portanto, se você está aí em casa pensando nos aparelhos que não usa mais, mãos à obra. Afinal, segundo a ONU, se ninguém fizer nada, a previsão é de que em 2015 o mundo esteja produzindo 150 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Imagina só como o nosso planeta vai ficar.

 

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2011 apontam redução de 58% nas autorizações judiciais de trabalho, concedidas para crianças ou adolescentes, em comparação a 2010. A Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) acompanha essas autorizações para verificar a real situação. Os números foram divulgados nesta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

No total, foram concedidas 3.134 autorizações no ano de 2011. Em 2010, constatou-se a liberação de 7.421 casos. Estados como Ceará, Alagoas, Sergipe e Piauí, além do Distrito Federal, apresentaram uma redução de mais de 70%. Já Roraima não registrou nenhuma autorização judicial no ano passado.

“Ainda que os resultados tenham tido melhoras significativas, o Ministério do Trabalho e Emprego continuará agindo, na intenção de combater o trabalho infantil, e seguirá investigando todas as empresas que declaram manter uma criança ou um adolescente em situação de trabalho sob a tutela de um alvará judicial”, afirma o chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil, Luiz Henrique Ramos Lopes.

Fiscais - Durante as operações fiscais foi observado que muitas empresas inseriram os dados na Rais de forma errada. Quando isso ocorria, o auditor fiscal do trabalho autuava as empresas e, em seguida, o empregador enviava uma declaração retificadora.

Em outros casos, as crianças ou adolescentes foram encontrados pelos auditores em uma atividade proibida para menores de 18 anos e os empregadores informaram que eles estavam autorizados a trabalhar, sendo que, de fato, não havia nenhum tipo de alvará judicial. Nessas situações, os auditores realizaram o afastamento imediato do menor e autuaram o empregador.

Outro resultado foi em relação à faixa etária de 10 a 13 anos, em que não há nenhuma previsão legal de trabalho. Para esse grupo, houve uma redução de 622 casos, em 2010, para 181, no ano de 2011.

Legislação - A partir dos 14 anos, a Constituição Federal prevê o trabalho como aprendiz e aos 16 anos já se permite o contrato normal de trabalho em atividades que não sejam perigosas e insalubres e que não aconteçam em horário noturno.  

Sexta, 05 Outubro 2012 12:28

O consumidor pode ensinar algo ao eleitor?

Escrito por

Por Fulvio Giannella Jr. e Carlos Thadeu C. de Oliveira*

A chegada de milhões de consumidores ao mercado de consumo não é apenas uma oportunidade econômica para o país. Ultimamente, tem se mostrado também uma oportunidade eleitoral. E é natural que seja assim: qualquer marqueteiro político sabe que um candidato precisa de uma bandeira ampla o bastante para poder atingir o máximo de eleitores. E se for num segundo turno, é um trunfo de valor inestimável.

É certo que o consumidor não é uma entidade nova, mas também é fato que o eleitor já não é mais uma (id)entidade que tenha forte apelo – são generalizados o descrédito na política e a ideia de acabar com o voto obrigatório. Queiramos ou não, muitas pessoas se identificam e são identificadas mais como consumidores que qualquer outra categoria social ou econômica e, oportunamente, como eleitores, cidadãos etc. Como ninguém é uma coisa OU outra, mas tudo junto, cabem algumas colocações a respeito das eleições. Isso se faz ainda mais necessário quando as principais forças político-eleitorais perderam suas bandeiras típicas e boa parte de seu eleitorado. O que sobrou, portanto, é aparentemente muito genérico e passível de apropriação por qualquer um.

A verdadeira luta pela proteção e defesa dos consumidores não tem dono, credo, raça nem filiação partidária, mas tem método, ética, responsabilidade e compromisso. Para que ela se incorpore numa disputa eleitoral, tem de carregar isso tudo e se traduzir em conteúdo programático de uma candidatura.

Nesse sentido, o Idec, conjuntamente com as demais entidades do FNECDC (Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor), lançou recentemente a Plataforma dos Consumidores para as Eleições Municipais de 2012, disponível no site do instituto.

Trata-se de um conjunto de reivindicações aberto à adesão por qualquer candidato majoritário do país, mas que exige dos postulantes às prefeituras compromissos bem mais sólidos com os cidadãos que a simples resolução pontual e fugaz de problemas individuais ou a troca de favores. Não é uma proposta de Personal Procon e nem mesmo um convite à filiação às entidades.

Além de buscar resgatar conteúdo político específico, a Plataforma visa, também, diminuir o espaço para velhas formas na política brasileira, o clientelismo, o patrimonialismo e o populismo.

Essas figuras, embora despontem também em contextos democráticos, são a antítese da democracia, porque minam suas bases: a igualdade, a liberdade, a impessoalidade e os valores republicanos. O clientelismo é quando há relação de troca sem igualdade entre as partes e sem liberdade de pelo menos uma, que é submissa à outra porque possui menos poder; o patrimonialismo confunde relações pessoais e privadas com regras públicas, corrompendo Estado e indivíduos; e o populismo destrói as construções sociais e políticas, já que visa estabelecer uma relação sem qualquer mediação entre um líder e seus seguidores. As experiências históricas no Brasil e no mundo que deram voz a esses fenômenos quase sempre acabaram em desastre.

Logo, a proteção e a defesa do consumidor não podem ser feitas de qualquer modo. Embora tenhamos grandes problemas a superar, essa luta passa pela garantia do exercício do direito individual, mas também do coletivo. Passa pela crítica, mas também melhoria das instituições públicas de defesa do consumidor (Secretaria Nacional do Consumidor, Procons, polícias especializadas), das instituições complementares (defensorias, ministérios públicos, agências reguladoras), das entidades da sociedade civil (ainda tão débeis e desamparadas) e também das empresas privadas.

Vivemos grandes problemas com essas instituições e com o chamado “mercado”, mas não inventaram ainda nenhum modelo melhor de defender o consumidor se não o de estabelecer relações de diálogo e também de vigilância entre elas. Esse caminho não é fácil nem imediato: é preciso ouvir e informar o consumidor, compilar dados, investigar, propor melhorias na regulação, mover ações coletivas e individuais, pressionar os três poderes, ir a tribunais, promover campanhas, fiscalizar produtos e serviços, enfim, atuar em todas essas frentes ao mesmo tempo.

Em época de eleições, o caminho é particularmente difícil para as entidades civis de defesa do consumidor: elas devem se distanciar de campanhas específicas, preservando o que deve ser seu maior valor, a independência política. Seus membros, como cabe numa democracia, podem se envolver em campanhas e até se candidatar, mas nunca carreando suas organizações para a aventura eleitoral. Devem escolher entre uma ou outra coisa.

Que neste momento especial o eleitor, tão desiludido e desesperançoso com o futuro, resgate do consumidor que traz dentro de si, uma lição do dia a dia: o barato de hoje pode, às vezes, custar mais caro adiante.

 

* Fulvio Giannella Jr. é coordenador-executivo do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e Carlos Thadeu C. de Oliveira é gerente técnico da mesma organização.

A população de idosos está crescendo no Brasil. De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje, 10,8% dos brasileiros têm 60 anos ou mais, ou seja, correspondem a cerca de 20,5 milhões de pessoas. Ainda segundo o IBGE, em 1960, a terceira idade representava 4,7%, já em 2000, 8,5% pertencia a esta faixa etária. Esta movimentação revela que há uma grande necessidade de cuidar da saúde dos idosos, sendo que a medicina preventiva é uma das ações mais importantes.  

“Para um envelhecimento saudável é importante que, dentro do possível, utilizem uma quantidade reduzida de medicamentos e sejam acompanhados por um médico clínico para gerenciar os tratamentos de eventuais doenças”, afirma o médico Milton Luiz Gorzoni, professor adjunto do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.  

O clínico ainda acrescenta que é preciso que o médico tenha uma visão geral do paciente, para tratá-lo como um todo e não de sua doença específica.

Ainda dentro das ações de medicina preventiva, é fundamental seguir o calendário de vacinação do idoso. Alguns exemplos de vacinas importantes para esta faixa etária são contra a gripe, que deve ser anual, contra a pneumonia, tétano e difteria. “Mais da metade de casos de tétano no Brasil ocorre em idosos”, revela o Dr. Gorzoni.  

Além das iniciativas citadas acima também é benéfico fazer atividades físicas, mentais e sociais. De acordo com Gorzoni, também faz diferença deixar que o idoso tenha autonomia e independência para cuidar da própria vida, desde que tenha condições para isso. “Os idosos não podem ser tratados como incapacitados e nem infantilizados”, declara o médico.  

Doenças mais comuns  

Distúrbios circulatórios: pressão alta, diabetes e colesterol controlados evitam o risco do enfarto do miocárdio, de um eventual derrame. Desta forma, a melhor solução é realizar tratamentos adequados com foco na qualidade de vida.  

Doenças ósseas e articulares: as mais conhecidas são a osteoporose e osteoartrose. Ambas podem ter impactos reduzidos com o controle do peso e a realização de atividades físicas frequentes. Para as mulheres, após a menopausa, convém fazer uma avaliação de densitometria óssea. “É isto que a ajudará a não ter uma fratura no fêmur mais tarde”, declara o Dr. Milton Gorzoni.  

Mal de Alzheimer: o risco é inerente à idade. “A cada cinco anos dobram as chances da pessoa desenvolver um quadro equivalente ao Alzheimer, ou uma doença similar, que é a Demência Senil. Mas o risco pode ser menor naqueles que têm atividades mental, física e social ativas, principalmente nos que tem altos índices de escolaridade, comparando com os que não são alfabetizados, por exemplo”, finaliza o clínico.  

Mulheres: o público feminino, mesmo após entrar na menopausa, precisa manter, ao menos uma vez ao ano, a ida ao ginecologista, para acompanhar o climatério, pois ao perder os hormônios femininos, a mulher começa a adquirir fatores de riscos para doenças circulatórias semelhantes aos homens, e também há um aceleramento na perda da massa óssea.

O aquecimento do mercado de trabalho, com queda nas taxas de desemprego, também está provocando mudanças no tipo de ocupação das brasileiras. Com mais ofertas de emprego em atividades variadas e melhores níveis de qualificação, elas vão assumindo, aos poucos, novas funções e, pela primeira vez, o trabalho doméstico deixou de ser a primeira opção para garantir o sustento próprio e da família entre as mulheres no país.

Um levantamento realizado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, revela que o contingente de faxineiras, babás, cozinheiras e responsáveis por serviços gerais nos domicílios perdeu espaço para outras ocupações.   A pesquisa foi apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada e demonstrou que as comerciárias assumiram a liderança do ranking das atividades desempenhadas pelas mulheres, empregando 7 milhões de brasileiras (17,6%). Em segundo lugar estão as trabalhadoras em educação, saúde e serviço social.

As empregadas domésticas, que sempre vinham no topo da lista como categoria que mais emprega mulheres no Brasil, apareceram em terceiro lugar. Essa categoria caiu de 6,7 milhões, há três anos, para 6,2 milhões no ano passado, correspondendo a 15,7% do total das trabalhadoras. Em 2009, o percentual de domésticas entre as trabalhadoras era 17%.

A coordenadora dos programas de educação e cultura da SPM, Hildete Pereira, explicou que esse movimento já poderia ter ocorrido na Pnad 2009, principalmente em função da maior qualificação das mulheres e da diversificação do mercado de trabalho. Porém, com a crise financeira internacional em 2008, o comércio se viu obrigado a enxugar as contratações. Ela acredita que a migração para outras atividades representa um ganho importante em termos de condições de trabalho para essas mulheres.

“A sociedade não vê o trabalho doméstico como vê o de uma comerciária, por exemplo. Embora a categoria tenha registrado conquistas importantes, muitas trabalhadoras domésticas ainda sofrem jornadas de trabalho extremamente altas e não têm carteira assinada”, avaliou

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