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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Da EcoD

No fundo das águas do Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha, 70% do lixo encontrado é constituído por garrafas PET. Para tentar reduzir essa grande quantidade de resíduos a concessionária EcoNoronha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lançou uma campanha que incentiva o uso de squeezes, as garrafas reutilizáveis.

A ideia é oferecer, em vez de garrafas descartáveis com água, um abastecimento via embalagens reutilizáveis. Segundo o Planeta Sustentável, a depender do tamanho do squeeze (300 ml ou 700 ml), o serviço varia de R$ 2 a R$ 3.

A água ofertada é gelada e enriquecida com sais minerais. Para os visitantes desprevenidos a iniciativa comercializa os squeezes personalizados do parque. E quem adquirir ganha dois abastecimentos gratuitos.

Por enquanto é possível encontrar a ação em duas praias do arquipélago: Golfinho Sancho e Sueste. Mesmo assim, a ação apresenta resultados significativos. Desde a implantação, em abril, o consumo de garrafas plásticas caiu 40% em Noronha e um em cada 12 turistas passou a comprar um squeeze. Antes da campanha, apenas um em cada 30 optava pela garrafa reutilizável.

Sexta, 16 Agosto 2013 18:54

Um fiapo no torrão

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

 

“Afinal de contas, só existe uma raça: a humanidade.”

(George Moore)

 

O racismo, já disse noutra ocasião, é como a grama tiririca. A gente imagina que possa extirpá-la. Pega da enxada e tenta arrancá-la do solo com raiz e tudo. De nada adianta. “Um fiapo escondido no torrão faz a peste vicejar”, como é dito num verso da saborosa poesia sertaneja, de autoria de um êmulo do grande Catulo da Paixão Cearense, cujo nome a memória velha de guerra não conseguiu guardar.

E viceja mesmo pra valer! Os exemplos a considerar são bem atuais. O senador Roberto Calderoli, ocupante de pasta ministerial no governo italiano, filiado a um partido ultraconservador, a Liga do Norte, responde presentemente a uma ação judicial, movida por promotores de Bergamo, por afirmações públicas injuriosas à sua colega de Ministério, Cecile Kyengea, “negra como as profundezas d’África” (pra lembrar verso do grande poeta negro estadunidense Langston Hughes). Cecile, oftalmologista, nascida no Congo, cidadã italiana, foi comparada a um orangotango. Tornou-se alvo de comentários de odor racista desde sua designação para o Ministério da Integração, em abril. O comentário do Ministro Calderoli suscitou outras repulsivas manifestações de intolerância. Uma colega sua de partido, Dolores Valandro, insultou a Ministra em registros espalhados pelas redes sociais, afirmando que ela merecia ser estuprada. Nesse caso específico, a agressora foi condenada pela Justiça de Pádua por incitar a violência sexual, pegando 13 meses de prisão com direito a sursis e ficando proibida de exercer por três anos qualquer cargo público. O caso de Cecile desencadeou aceso debate sobre o racismo na Itália, deixando visível que a intolerância racial no país, um polo de convergência de imigrantes africanos, é uma questão revestida da maior gravidade.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, com intermináveis marchas, vigílias, passeatas, entrevistas inflamadas, militantes dos direitos civis, tendo a participação ativa da comunidade negra, promovem nas ruas ruidosas manifestações anti-racistas, motivadas pela absolvição, numa cidade da Flórida, do assassino de um jovem negro de 17 anos. O jovem em questão, Traycon Martin, caminhava despreocupadamente pela rua. Vestia um gorro. ”Um negro com gorro” pareceu ao olhar de George Zimmerman, 28 anos, caucasiano, segurança voluntário do bairro, um indivíduo suspeito. Foi o quanto bastou para a abordagem truculenta e o disparo mortal. O assassino não chegou nem a ser detido. Só veio a responder por processo criminal por força de forte pressão popular que acabou ganhando dimensão nacional. Escudou-se numa legislação anacrônica, vigente na Flórida, a chamada “Stand your ground”, que ampara, com base em simples suspeita, o emprego de arma de fogo como defesa, por alguém que se sinta ameaçado. A lei, apoiada pelos fabricantes de armas, deixa a critério de quem faça as abordagens de pessoas suspeitas a conveniência de puxar ou não o gatilho. Zimmerman contou com o apoio irrestrito de grupos racistas para obter absolvição tranquila no Júri.

A sentença ecoou com força de bofetada na cara da opinião pública esclarecida. Detonou movimento popular que se alastrou pelo país adentro e que volta a expor ao mundo as chagas odiosas da discriminação racial que amplos setores da sociedade norte-americana cultivam.

O movimento forçou o Departamento de Justiça a reabrir as investigações a respeito do assassinato, a um só tempo que trouxe à tona volumosa carga de fatos indicativos de que os conflitos raciais no país ainda estão longe de se extinguirem. Uma amostra significativa disso, bem recente, foi dada pela Suprema Corte, ao tornar sem efeito a Lei do Direito ao Voto, promulgada em 1965, que determinava investigação ampla do Congresso a respeito de regras eleitorais notoriamente hostis à população afro. Em certas regiões do sul do país, está bem documentado, existe uma manobra política sorrateira contínua de obstrução do voto dos negros. Milhares de representantes da comunidade negra, por meio de artifícios variados, são impedidos de comparecer às urnas nas eleições.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

Da Causa Coletiva

A praça, a viela, a escola, o terreno público, o centro comunitário estão abertos, porém em condições precárias ou sub-utilizados, não cumprindo todo o seu potencial ambiental, social e cooperativista. Esta é a realidade do seu bairro? E vocês, seus amigos e amigos de amigos tem a vontade e o conhecimento para mudar esta realidade?

Este é o momento de escrever o seu projeto e de uma forma coletiva e colaborativa conseguir doações e voluntários para viabilizar a sua Causa.

Conheça o portal Causa Coletiva (www.causacoletiva.com), uma ferramenta para ajudar você a divulgar o seu projeto social e/ou ambiental e conseguir apoio financeiro para que ele se torne realidade. Veja também algumas dicas em “Comece seu projeto” ou nos contate no www.facebook.com/causacoletiva.

Sugestões de projetos e voluntários para ajudar os projetos, são mais que bem vindas.

Sexta, 16 Agosto 2013 18:45

Para pais novos e mais velhos

Escrito por

Texto e foto: Silvia Marcuzzo

Mais um segundo domingo de agosto passou. Uns pais vão, outros surgem. Uns nem sabem o que significa isso, outros acham que devem tudo a quem colocou a sementinha na mamãe. Ter um pai presente, que atua em vários palcos da vida, transmite segurança, amor, conhecimento, não é para qualquer um. Talvez seja apenas para alguns novos seres que estão despontando nos últimos anos.

Dedico esse post aos que descobriram os encantos da paternidade tardia. Meu marido, por exemplo, disse que se soubesse que era tão bom ser pai, teria tido filho antes. Ele foi pai aos 44. Tem sido frequente descobrir homens que não tinham tido a coragem ou a oportunidade de ter filhos estarem compreendendo o que é passar noites em claro, trocar fraldas etc. Muitos acabam tendo o coração mais mole que o da mãe. Abrem o precedente, dão mais chances, são menos incisivos.

O fato é que todo dia dos pais é uma data que mexe com muita gente. Comigo também. Se por um lado, em tempos de Facebook, as homenagens aos pais são como cascatas de postagens que despejam gratidão e palavras de carinho, por outro atiça outros lados daqueles que não tiveram um pai como os de propagandas de família feliz.

Meu pai, por exemplo, foi um homem de muitos predicados, porém não era um pai, digamos assim, cheio de amor pra dar. Era fechado e de pouca conversa, a não ser se fosse sobre Vale Vêneto ou sobre a cultura italiana. Uma vez, lá pelos meus 8 anos, perguntei pra minha mãe o que era a palavra “puta”. Minha mãe, mandou eu perguntar para meu pai, que imediatamente respondeu: Vai olhar no dicionário. Em seguida, voltei com outra dúvida: Pai, o que é prostituta?

Acabei entendendo o significado mais tarde. Enfim, fico pensando… se hoje somos o que somos com pais de uma geração, cuja educação foi calcada em pudores, temores e sem brincadeiras entre crianças e adultos, como serão nossos filhos quando ficarem mais velhos? Se por um lado naquele tempo foi dureza – havia muito mais crianças para se divertir, não se tinha problemas de segurança e se vivia situações que entraram em extinção, que nem todo dinheiro do mundo e nem a tecnologia podem comprar – por outro, não ter tudo que se queria, nem ter a compreensão tão almejada nem na escola, nem em casa, nos deixava mais versáteis para enfrentar os desdobres da vida. Hoje, nossos filhos nos questionam tudo e querem respostas imediatas.

Eu adorava brincar com bonecas de papel, de casinha de fofoleti, cujos móveis eram feitos de caixinhas de fósforo, de se esconder até tarde da noite com uma turma de amigos da vizinhança. Bons tempos aqueles de “campinho”, onde os guris jogavam bola e as festas de São João reuniam uma gurizada em volta de uma enorme fogueira, cujas brasas ardiam por mais de um dia.

Se em casa, a linha era dura, o negócio era estar na rua. E naquele tempo ninguém vivia enjaulado. Os muros, quando existiam, eram baixos para se sentar em frente à casa. A casa do vizinho era uma extensão da nossa. Os pátios, imensos, cheios de árvores frutíferas. E as consequências de se condenar o uso da pílula, provocavam a chegada de mais gente para brincar. Não era algo planejado, pensado, discutido. Simplesmente nascia mais um.

Sou a última, “a rapa do tacho”, como dizem por aqui. Nasci aos 46 minutos do segundo tempo e com uma diferença de quase uma década do meu irmão anterior a mim. Peguei uma época muito diferente. Vim ao mundo quando meu pai tinha quase 50 anos. Bem na idade onde muitos amigos estão tendo o seu primogênito. Apenas hoje entendo o significado de coisas intangíveis que ele deixou. Por essas e por outras que me sinto um exemplar autêntico da “transição civilizatória”. Aprendi a tocar piano, fiz datilografia, fui a primeira da família a ter um computador (um DX2 66, comprado com URV). Saí de casa para estudar na capital, contrariando os desejos de meus pais que queriam que eu tivesse ficado no interior e sido professora. Demorei pra casar e só fui ter filho com 36.

Com o passar dos anos, meu pai foi amolecendo. Uns anos antes de falecer aos 89 anos, em 2010, confessou para meu marido que ao ver como meu filho era tratado por ele, dava-se por conta de como deveria ter sido diferente como pai. Minha esperança é de que com pais mais experientes, o futuro seja melhor, com mais gente consciente. Pois com a idade vamos conectando mais uma coisa e outra. Percebemos que a mais valiosa herança é o exemplo e que o melhor da vida precisa ser dividido com quem nos deu o que não pedimos, mas que sem isso não estaríamos lendo esse texto

* Sobre Silvia Marcuzzo

É jornalista e trabalha a temática socioambiental desde 1993. Já transitou em diversos “ecossistemas” e arranjos energéticos do jornalismo. Ao passar por assessorias de ONGs, governos e consultorias para empresas, em Porto Alegre, São Paulo e Brasília, sempre manteve a convicção de que é possível melhorar a relação entre os “ambientes” e a comunicação. Por isso, fundou a ECOnvicta Comunicação para Sustentabilidade.

Por Benedito Teixeira, da Adital

O Congresso Nacional parece estar preocupado e buscando respostas para a onda de manifestações realizadas em todo o Brasil no último mês de junho. Tanto que uma sondagem inédita feita pelo Senado Federal tenta verificar a opinião dos brasileiros sobre os protestos e se há possibilidade de voltarem a ocorrer. Os resultados apontam que as manifestações têm a aprovação de 93,4% dos internautas consultados. Quase todos os que responderam a pesquisa (99,8%) têm conhecimento dos protestos e 61,3% afirmaram acreditar que, por causa das manifestações, o Brasil mudará para melhor. Vale destacar também que 74,8% afirmaram que vão participar de novos protestos caso as coisas não mudem para melhor.

Do total dos internautas que responderam, 39,1% afirmam ter participado dos protestos, sendo a maioria na faixa etária dos 16 aos 19 anos (57,6%). A faixa acima dos 60 anos teve o menor percentual (26,9%). A utilização das redes parece influenciar no percentual de participação nas manifestações, pois dos usuários das redes 42,5% declararem ter participado e dos não usuários apenas 21,9% saíram às ruas para protestar.

Outro dado interessante, é que quanto maior a escolaridade maior o percentual de participação nos protestos. O menor índice ficou entre os que têm apenas o Ensino Fundamental, com 29%, seguido pelo Ensino Superior completo (38,3%), Ensino Médio (40,3%) e pós-graduação (40,6%).

No que se refere aos percentuais de aprovação da atuação do Congresso Nacional, os números não são tão elevados quanto os de participação nas manifestações. Consideram péssimas as propostas colocadas em pauta pelo Legislativo 40,9%; 24,4% consideram as propostas ruins e 26,9% regulares. Restam menos de 8% que avaliam como boas e ótimas tais proposições.

Saúde, educação e corrupção são destacadas como os principais motivos para os protestos. Para 85% dos internautas que responderam à pesquisa, as deficiências nos serviços de saúde e educação seriam os maiores motivos. Esse índice fica acima dos 80% em todos os estratos sociais: por faixa etária, gênero, região e nível de escolaridade. Outro ponto que registrou percentual expressivo foi o combate à corrupção, apontado por 84,2% dos internautas como um dos principais motivos para as manifestações

Para a maioria dos jovens internautas, 52,1% a polícia agiu com mais força do que deveria para controlar as manifestações. Entre os que acham que a polícia atuou com excesso de força, as maiores porcentagens ficaram com os mais jovens – de 16 a 19 anos e de 20 a 29 anos –, com 65,7% e 66,1%, respectivamente. Três em cada quatro internautas participantes da pesquisa acham que os atos de destruição do patrimônio público durante manifestações nunca são justificáveis (78,1%).

Mesmo com medidas anunciadas pela Presidência da República e pelo Congresso, 42,8% dos respondentes acham que as manifestações vão aumentar. A sondagem foi feita com 9 mil pessoas durante o último mês de julho

O projeto Arte de Narrar retoma suas atividades neste sábado (17), às 17h, com palestra do cordelista Meca Moreno, poeta e compositor, nascido no município pernambucano de Palmares, sobre Cordão de histórias: a literatura de Cordel. O evento  acontece no auditório da Livraria Jaqueira, no bairro do mesmo nome, no Recife.

Meca Moreno é um estudioso da poesia popular com participação em várias antologias poéticas, além de ter poemas e artigos publicados em diversas revistas e jornais. Também é de sua autoria vários cordéis e os livros Universos e Giramundo -  O Espectador do Fim & Gêneros da Poesia Popular, o primeiro em co-autoria com o poeta Alfredo Moraes, numa edição independente.

A exposição faz parte do projeto Arte de Narrar, sob o comando do poeta e coordenador de Letras da Faculdade de Olinda – Focca, Neilton Lima e do escritor Adilson Jardim. O evento acontece todo segundo sábado de cada mês e tem como objetivo convidar um escritor com livro publicado no mercado, para tratar de seu trabalho artístico na composição da obra. O Arte de Narrar é realizado numa parceria entre a entre a União Brasileira de Escritores (UBE), Focca e Livraria Jaqueira. A entrada é gratuita.

Com informações de Gabriel Mallet Meissner, da Revista Entremundos

Todo mundo sabe que a reciclagem é importante. Muitas cidades possuem postos de coleta em praças e vias públicas. Mas quem vai até lá fazer o descarte consciente do seu lixo? É importante que o cidadão se sinta motivado a isso. E a melhor motivação é o seu bolso!

Em Pequim, encontraram uma solução para aumentar a reciclagem de garrafas PET e, ao mesmo tempo, estimular o uso do transporte público, diminuindo o trânsito e a poluição atmosférica. Todos problemas muito acentuados na China (como no Brasil). É simples assim: descarte suas garrafas PET nas estações de metrô e ganhe passagens para usá-lo. Uma ideia interessante que poderia ser copiada por aqui!!

Ainda em fase de testes, o sistema permite que com cerca de 15 garrafas (dependendo do tipo e tamanho) o usuário se locomova por todas as oito linhas e 105 estações. No momento há postos de troca em duas estações, mas a meta é que todas as paradas de metrô e ônibus da capital chinesa os tenha. Após a coleta, o material reciclável é encaminhado a uma central de processamento, que lhe dá destinação adequada para que adquire outros usos.

Esta é uma das medidas que o governo chinês está tomando para passar a reciclar 70% dos seus resíduos sólidos até 2015. A China, aliás, é um país interessante. Sendo o maior poluidor do mundo, o país está rumando para se tornar um exemplo de desenvolvimento sustentável, conforme já expliquei aqui.

* Com informações do Ciclo Vivo, Catraca Livre e Hypeness

Por Edgard Júnior, da Rádio ONU

A campanha da ONU “Pensar.Comer.Conservar. Diga não ao Desperdício”, lançada em janeiro, ganhou os campos de futebol brasileiros. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e a Organização para Agricultura e Alimentação, FAO, alertam que 1,3 bilhão de toneladas de comida vão parar no lixo todos os anos.

O objetivo da iniciativa é fornecer informações para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos.A campanha ganhou mais força na semana passada quando uma faixa promovendo o evento foi mostrada durante um jogo entre o Flamengo e a Portuguesa, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Segundo o Pnuma, o Flamengo é um dos times mais populares do país, com mais de 35 milhões de torcedores, só no Brasil. Mais de 17 mil fãs pagaram ingresso para ver a partida entre os dois clubes.

Copa do Mundo - O Mané Garrincha vai ser uma das arenas usadas durante a Copa do Mundo de Futebol no ano que vem pela Fifa. O estádio foi construído com vários dispositivos sustentáveis, como por exemplo, painéis solares para reduzir os gastos com energia e um sistema de coleta de água da chuva usado para irrigar o gramado.

O Pnuma avisou que continuará apoiando o governo brasileiro em projetos verdes. A agência da ONU vai fornecer também aos torcedores que forem assistir a Copa do Mundo em 2014 os chamados “passaportes verdes”, que incluem informações sobre regiões de turismo sustentáveis”.

Terça, 06 Agosto 2013 20:00

Quanto vale um artista?

Escrito por

Abaixo, publico texto da jornalista Débora Nascimento, escrito para o Blog da Revista Continente (http://www.revistacontinente.com.br/blog/?p=1502), que trata com muita sensibilidade sobre a saúde do mestre Dominguinhos ou sobre quano valia sua saúde. Belo texto, como já atestou o jornalista Schneider Carpeggiani. Vale apena ser lido!

Por Débora Nascimento

Uma das coisas que mais me chocaram nas últimas semanas foram os comentários de uma notícia sobre o estado de saúde de Dominguinhos, publicada alguns dias antes da morte do artista. A matéria tratava, na realidade, do montante da dívida do cantor com o Hospital Sírio Libanês, a qual a família alegava não ter como pagar. Era simplesmente perturbadora a falta de respeito e empatia dos leitores, na linha “se ele não tem como pagar, que vá para o SUS!”, “por que não juntou dinheiro para a velhice?!”, “como um artista não tem dinheiro?!” e por aí vai.

Fora a crueldade evidente nessas falas, que é uma questão à parte, é incrível constatar também como as pessoas ainda ligam arte a (muito) dinheiro. A vaga ideia de se ficar rico sendo artista é algo tão frágil quanto qualquer sonho às duas da madrugada. Não custa lembrar que dois dos maiores gênios da humanidade, só para citar os da música, Beethoven e Mozart, morreram pobres.

Essa idealização de lucro financeiro com canções surgiu depois dos anos 1950, com a explosão da música pop, a massificação do rádio e da TV como popularizadores de artistas e composições, a chegada da juventude como público consumidor, o uso de estádios como espaços para shows, com uma capacidade 20 vezes maior para abrigar pagantes do que as casas e clubes noturnos. Vale ressaltar que, mesmo somando todos esses aspectos, somente alguns poucos nomes conseguiam chegar ao patamar dos realmente bem pagos.

Nos anos 1950, um ícone do porte de Carmen Miranda precisava fazer dois shows por noite para poder ganhar de acordo com seu talento e fama. Nessa década, Luiz Gonzaga viajava de carro em busca de locais para fazer show. Chegava a negociar com prefeitos a apresentação em algum espaço público, como cinemas. A arrecadação não era tanta, mas, em compensação, havia os lucros com as vendagens de LPs, algo também não muito portentoso, já que o número de discos vendidos por um artista vinculado a uma gravadora era (e ainda é) um dos grandes mistérios da humanidade. Thriller, de Michael Jackson, é um exemplo. Já se falou em 37, em 44, em 56 milhões de cópias (e isto em publicações da mesma época). Ninguém sabe ao certo quanto vendeu (e vende) o disco; até o Rei do Pop deve ter morrido sem saber.

E por falar em reinado… Se Luiz Gonzaga, que era o Rei do Baião, e um showman nato, não conseguia engrenar num esquema profissional de apresentações, imagine o tímido Dominguinhos, que era um (baita) discípulo?

Engana-se quem pensa que esses artistas recebem rios de dinheiro. Só quem se dá bem nessa área é quem consegue estar bem paramentado com produtores, agentes e assessores. Mas os que praticam o “do it yourself” geralmente sofrem com os percalços do mercado. Soma-se a isso o fato de que mesmo o forró sendo um gênero musical que toca o ano inteiro em diversas regiões do país, um artista não consegue agendar anualmente muitos shows de grande porte, pois estes geralmente envolvem uma casa de show apropriada ou apresentação em palco aberto, vinculada a algum governo municipal ou estadual, que trabalham com os esquemas dos ciclos festivos, Carnaval, São João e Réveillon.

Os eventos em pequenas casas de shows geralmente pagam cachês ínfimos, algo que não cabe (cabia) ao porte de um nome como Dominguinhos, que, para completar, ainda era um senhor de 72 anos, com um famoso medo de viajar de avião, para complicar.

Pensei em escrever este texto por conta dos comentários dos “internautas” na matéria sobre o estado de saúde do adorável sanfoneiro. Mas agora seu corpo já é coisa do passado. O que nos resta é “apenas” o registro de suas imagens, de sua voz. Dominguinhos agora pertence à nossa memória. Sua vida de (mais um) garoto pobre do Nordeste que conseguiu superar todas as adversidades pode e deve ser um referencial para as novas gerações.

Pensei em redigir este post sob o título de “Quanto vale um artista?”, para pensarmos mais sobre isso. Mas seja qual for o valor que qualquer um, contratante ou público, pense que um artista deva ter, esse “cálculo” deve começar por quem tem respeito e verdadeiro amor à arte. E quanto aos anônimos e seus muitos comentários cruéis nos portais de notícia, só tenho a lastimar por este país.

MAIS

Dominguinhos é o narrador de O Milagre de Santa Luzia (2008), documentário que narra a história da sanfona/fole/concertina/acordeom/harmônica no país e entrevista os principais expoentes das regiões, como Osvaldinho, Camarão, Genaro, Arlindo dos Oito Baixos, Gilberto Monteiro, Borguettinho… É uma produção bonita, que merece ser guardada como lembrança de Dominguinhos e desses mestres que parecem estar se extinguindo – ou é impressão minha? Senão, vejamos: o instrumento é bastante caro, sua afinação e manutenção são uma problemática à parte, pouquíssimos jovens se interessam em aprender ou não têm acesso a quem os ensine, não há uma sistematização de partituras e acordes dos clássicos do estilo, e, para completar, os grandes instrumentistas não são tão “populares” quanto os do sertanejo “universitário”, para que possam despertar o fascínio em novos herdeiros musicais. Ou seja, salvem os sanfoneiros!

 

 

Terça, 06 Agosto 2013 15:08

O missionário da esperança

Escrito por

Por Monica Gugliano | Publicado no site do Valor Econônmico, de Petrópolis

Aos poucos o sol ardido e o calor vão ficando para trás. A vegetação da Serra do Mar surge e, com ela, o ar flui fresco e úmido nos pulmões. O conjunto de pedras gigantes e azuis da serra acompanha o caminho que, serpenteando em curvas cada vez mais estreitas e sinuosas, leva ao distrito de Araras, em Petrópolis. É rápida a viagem entre o Rio e a cidade onde d. Pedro II mandou construir seu palácio de verão. Menos de uma hora. Seguindo as instruções de um mapa, o motorista sai da pista principal no km 65. Dali, o carro deve seguir uma reta até ver a placa pendurada na porta, indicando a entrada do Restaurante Trigo. Imerso na mata, o restaurante funciona em uma casa com vários ambientes internos e uma agradável área externa coberta. O teólogo, filósofo e ex-frade franciscano Leonardo Boff já está acomodado em uma mesa quadrada, de madeira maciça, nesse lado de fora, bebendo uma caipirinha de lima com vodca. Com a entrada dos repórteres, levanta-se, sorri e brinca: "Foram pontuais, não?"

"São 13h30", Boff volta a brincar: "Vocês sabem que as crianças me confundem com Papai Noel? Não há criança que não me diga isso. E eu sempre digo que sou o irmão de Papai Noel". É indiscutível a semelhança física entre o teólogo e a imagem do velhinho que distribui presentes na noite de Natal. Aos 75 anos, Boff é um senhor de cabelos completamente brancos, lisinhos e despenteados com absoluta naturalidade. Tem uma barba longa, também branca, e usa pequenos óculos com armação retangular e prateada. Veste uma camisa verde-clara, uma calça de veludo verde-escura, usa sapatos esportivos e suspensórios. E, neste começo de tarde cálido e luminoso na serra, está com pressa. Não para terminar a entrevista. Mas para começar a falar e contar a novidade: "O papa Francisco pediu que lhe enviasse alguns textos meus sobre ecologia e o livro que escrevi e está sendo lançado agora. Ele quer ler o material nos dias em que ficará no Brasil".

O livro é "Francisco de Assis e Francisco de Roma - Uma Nova Primavera na Igreja?" Em 72 páginas, analisa as primeiras palavras e gestos de Francisco nestes quatro meses de pontificado. E, embora o título termine com uma pergunta, Boff tem poucas dúvidas de que a Igreja Católica, depois da eleição do "papa que veio do fim do mundo", está entrando na primavera e nunca mais será a mesma. "Francisco pode, literalmente, ser o papa do fim deste mundo. Deste mundo que privilegia o material, que sacrifica e martiriza povos inteiros. Ele é o papa da ruptura", afirma.

Foi ao tornar-se franciscano que Genezio Darci Boff recebeu o nome Leonardo. "Estava tão nervoso que só três horas depois da cerimônia percebi que meu nome tinha trocado." Ele nasceu em 14 de dezembro de 1938, em uma família com mais dez irmãos, filhos de Mansueto e Regina, que viviam em Concórdia, município na região do Alto Uruguai, oeste de Santa Catarina. Ao saber que o cardeal argentino, o jesuíta Jorge Mario Bergoglio, escolhera o nome Francisco, Boff exultou: "Ele mostrou que é um pastor e, como já percebemos, dedicará seu papado à pobreza, à humildade, aos rejeitados socialmente. Não quer ser chamado de Santidade. Conduzirá a igreja ao lado do povo. A igreja precisa ser um lar espiritual".

Os textos e o livro com dedicatória foram entregues ao cardeal arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, que os faria chegar ao papa. Boff conheceu o padre Bergoglio em 1970, em um congresso sobre espiritualidade. Mas a curiosidade pelo material foi despertada em Francisco por uma grande amiga em comum entre ele e Boff, a teóloga argentina Clelia Luro, de 85 anos, que mora em Buenos Aires.

Com nossos pensamentos, via Comunidades Eclesiais de Base, estou convencido de que ajudamos a criar algo mais democrático

Na década de 60, Clelia, divorciada e mãe de quatro filhas, casou-se com o bispo argentino Jerónimo Podestá. Ele renunciou meses depois. Mas o caso escandalizou o clero argentino na época. Podestá foi isolado completamente da vida social. Um dos poucos que falavam com ele era Bergoglio, que foi fiel até o fim da vida do amigo, a quem deu a extrema-unção. Boff, por sua vez, fez a apresentação do livro "Las Cartas de Clelia y Jerónimo Podestá", em que ela resgata a correspondência trocada com o marido, com organizações sociais e com o próprio Bergoglio. "Francisco, carinhosamente, a chama de 'bruja' [bruxa em espanhol], porque quando ele foi a Roma, para a eleição do papa, ela avisou: 'Compra só a passagem de ida. Serás eleito e não vais voltar'".

A conversa já passava de meia hora, quando Boff lembrou que a entrevista seria publicada na seção "À Mesa com Valor" e, portanto, comentou: "Nós viemos comer, não? Vamos pedir alguma coisa? Afinal, a entrevista não é para a seção à mesa vazia". Primeiro, as bebidas. Ele recomenda a "espetacular" caipirinha de lima com vodca. Fotógrafo e repórter pediram uma - com dois canudinhos para dividir o copo bem generoso -, um refrigerante e um suco de laranja. Entre as opções de entrada, o convidado assegurou que não havia forma de resistir aos bolinhos de mandioca recheados com carne-seca. Confirmados os bolinhos, são escolhidos também dois rosbifes com molho de laranja e uma truta grelhada com molho de ervas. Os acompanhamentos arroz, salada, purê de abóbora e batata "rösti" serão "socializados" entre todos.

Com o pedido do almoço garantido, Boff retoma a conversa sobre Francisco. O teólogo não crê que o interesse do papa pelo livro e até a possibilidade de um encontro - que chegou a ser cogitada durante esta semana que Francisco passa no Brasil - signifique uma aproximação mais consistente com a Teologia da Libertação. E faz questão de deixar muito clara essa certeza. "A agenda era difícil. O mais importante para ele é encontrar o povo. Mas não pense que ele queira falar comigo. Enquanto viver o papa Bento XVI, encontrar-me seria uma desfeita a ele, criaria um constrangimento... Francisco não deve me convidar. É uma questão de política eclesiástica. Entendo e respeito. Fico contente que ele tenha pedido o livro e queira ler."

Mais importante do que o encontro, observa Boff, é o fato de Francisco dar sinais de reconhecer uma geração de teólogos latino-americanos, cujos pensamentos deram origem à Teologia da Libertação. "Francisco sabe que aqui está a prata da casa." Nascida nos anos 60, a Teologia da Libertação arrebatou religiosos no mundo inteiro. Vivia-se o auge da Guerra Fria e o planeta se dividia entre a influência da ex-União Soviética e a dos Estados Unidos. Na América Latina era um período da história em que ditaduras militares dominavam o continente. Contrapondo-se ao clero conservador, os seguidores da Teologia da Libertação defendiam uma igreja militante, voltada aos pobres, aos desassistidos e aos oprimidos políticos. Eram combatidos pelos que criticavam as teses, consideradas afinadas demais com os pensamentos defendidos pela esquerda.

Boff escolhe os pratos: feliz porque o papa pediu para ler seus textos sobre ecologia e o novo livro.

Não foram poucos os padres e freiras que se envolveram em lutas, nas cidades e no campo, contra regimes totalitários em países como Brasil, Nicarágua e El Salvador. Entre eles estavam o teólogo peruano Gustavo Gutiérrez, considerado o fundador do conceito Teoria da Libertação, Frei Betto e o próprio Boff. "Somos dessa geração de resistência, de oposição aos regimes ditatoriais, comprometida com a libertação dos pobres, resistimos às ditaduras. Com nossos pensamentos, via Comunidades Eclesiais de Base e outros, estou convencido de que ajudamos a criar algo mais democrático. Nosso projeto nunca foi o socialismo nem uma igreja marxista, como dizem. Isso era uma ilusão", afirma. E o que era? "Pensamos sempre numa democracia que tivesse expressão popular e fosse na linha do pensador português Boaventura de Sousa Santos: começa na família, marido e mulher, passa para as escolas, os sindicatos, os partidos, e chega ao governo. Porque, fundamentalmente, democracia é participação."

A Teologia da Libertação ou Igreja da Libertação, como prefere Boff, chegou ao século XXI sem a relevância que teve em outros tempos. Em parte porque foi duramente combatida pelo Vaticano, em especial depois da eleição de João Paulo II, fervoroso anticomunista, em parte pelas mudanças que aconteceram no mundo a partir da queda do Muro de Berlim. Antes disso, porém, Boff e outros religiosos já tinham sido inquiridos e silenciados. Em 1984, o então frade Leonardo Boff foi submetido a um processo por causa das teses e ideias que defendera no livro "Igreja: Carisma e Poder", publicado em primeira edição em 1981. Os 13 ensaios tratavam da inflexível hierarquia da Igreja Católica, dos dogmas, do conservadorismo, e o Vaticano reagiu. Em 1984, o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), cardeal Joseph Ratzinger - que viria a ser o papa Bento XVI -, interrogou Boff, sentado na mesma cadeira na qual Galileu Galilei, em 1616, foi repreendido por defender que a Terra girava ao redor do Sol. Ratzinger tinha sido colega e amigo de Boff.

A primeira condenação ao teólogo brasileiro previa um "silêncio obsequioso". A segunda, já na década de 90, determinava que deveria deixar de lecionar teologia, era proibido de dar entrevistas e recomendava que fosse para algum país como Filipinas ou Coreia do Sul por uma temporada. Ele se recusou a aceitar e deixou, sem arrependimento, a Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis, à qual pertencia desde 1959.

Essa desavença tão profunda com Ratzinger, acredita Boff, é hoje o principal entrave para a reconciliação. Afinal, como poderia o papa Francisco resgatar mais de 500 teólogos silenciados no mundo inteiro por "essa máquina de controle e punição" sem afrontar seu antecessor, ainda vivo? "Não creio que isso possa acontecer", diz, desviando o olhar para o garçom, que chega com os quatro bolinhos de mandioca. São visivelmente crocantes e, abertos ao meio, exibem o cremoso recheio de carne-seca. Boff escolhe um e cobre o petisco com uma generosa porção de pimenta. "Vamos comer, gente. Isto é muito bom. Muito boa também é a pimenta. Sou um homem da pimenta." E aí surge um dilema: se os bolinhos são quatro e os comensais à mesa, três, sobrará um. Quem vai ficar com ele? O teólogo resolve: "Vamos deixar com a repórter. Damas sempre têm preferência".

Boff come rápido o bolinho e a conversa faz um desvio de curso da religião para os partidos políticos. Embora ligados ao PT que ajudaram a fundar, religiosos como Boff preferiram não entrar oficialmente na sigla. Achavam, recorda ele, que o partido, fundado em fevereiro de 1980, seria uma arma para estabelecer no Brasil um regime democrático. Nem tudo foi como eles imaginavam. E uma década de PT no poder - oito anos com Luiz Inácio Lula da Silva e dois com Dilma Rousseff na Presidência da República - semeou decepções. "A cúpula que está no poder fez uma opção, que considero equivocada, e eles estão pagando o preço disso. Em vez de buscar apoio da sociedade, das comunidades, se apoiaram nos parlamentares com as alianças. Sabemos que, no Brasil, as alianças nunca são feitas em nome de um projeto, mas em nome de negociatas, de trocas, de vantagens. Esse PT se corrompeu. Nossa democracia é quase farsesca."

Mesmo assim, ele preserva Lula, que considera um homem perspicaz, com discurso correto e a palavra certa. O partido, porém, terá que mudar se quiser continuar governando, segundo ele. "O PT se apresenta como uma resposta ao Brasil que queremos. É um equívoco. O Brasil que queremos é muito mais do que o PT pode apresentar."

A decepção com os partidos políticos e os governantes, acredita Boff, ajudou a encorpar o caldo dos protestos e manifestos que tomam conta do país há mais de um mês. Na sua opinião, esse povo não quer mais o atual modelo de "participação subordinada". Pessoas que, nas suas palavras, já não têm fome de pão, mas de cidadania, transporte, saúde, educação, direitos reconhecidos e dignidade. "Dizem que o Brasil incorporou uma população do tamanho da Argentina ao consumo. É fato. Mas é preciso mais. As pessoas querem uma vida simples e digna." E é aí que entra o encanto por homens como Francisco. "Um papa vindo da periferia do mundo é festejado porque mostra que está ao lado dessas pessoas, reforçando esse modelo de vida inspirado em São Francisco de Assis. É um papa que nos traz um projeto ousado e sinaliza as profundas transformações que devem inaugurar o terceiro milênio da Igreja Católica."

Boff termina a caipirinha e o garçom reaparece com o almoço. "Sou carnal e carnívoro, como todo bom franciscano", define-se o teólogo, festejando o prato. O rosbife ao molho de laranja está finamente fatiado. O teólogo põe um pouquinho de cada um dos acompanhamentos, pica tudo e empresta o prato para a foto. "Você sabe que as pessoas dizem: 'Comeu como um frade'." A comida, os temperos e o molho da salada são o tema da conversa, quando chega Maria de Miranda, jovem filha dos donos do restaurante, Marco Antônio de Miranda e Beatriz Simões Lopes de Miranda, a Bia. A família é amiga de Boff, que frequenta com assiduidade o local inaugurado há 30 anos.

Leo Pinheiro/Valor / Leo Pinheiro/ValorCom Miranda, dono do Trigo e fotógrafo parceiro em livro ecológico: "Temos que cuidar da Terra".

Pouco depois, chega Marco Antônio. Ele é fotógrafo e com Boff publicou um livro chamado "Terra América". São as imagens de uma viagem pelo continente americano, de polo a polo. O teólogo escreveu os textos, em que fala de uma de suas maiores preocupações: a preservação da Terra e da natureza.

"Temos que cuidar da Terra. Ela pode continuar sem nós, coberta de cadáveres. Não poderemos viver sem ela." Ele participou do grupo envolvido no estabelecimento da "Carta da Terra", aprovada pela Unesco em 2008 e adotada pela ONU. O documento faz uma análise da situação do planeta e defende uma aliança global que evite a destruição da natureza e da diversidade da vida. "Sinto que o papa Francisco está sinceramente preocupado com essa questão. Não acho impossível que ele pense numa encíclica sobre o tema. Antes disso, no entanto, o papa terá que enfrentar as reformas na Cúria Romana e, principalmente, a do papado, que já começou a fazer."

Bia convida os repórteres para conhecerem melhor o lugar. O sítio era do avô, que há 80 anos plantou na entrada o abeto cujos galhos mais altos hoje parecem encostar no céu. A casa fica onde era a cocheira. As janelas são coloniais, há várias salas, lareira e uma decoração com peças simples, rústicas. Na porta de entrada, uma linda lanterna, dessas que enfeitam as festas juninas. "As festas já passaram e fico com pena de tirar." O teólogo e a mulher, Márcia - com filhos e netos que vão e voltam -, moram desde 1998 em um condomínio a poucos metros do restaurante. O lugar é privilegiado. A brisa sopra com suavidade, os passarinhos cantam e pequenos lagartixas correm de um lado para outro das paredes. Mas Boff passa quase a maior parte do tempo viajando. São conferências, visitas e aulas como as que ele marcou para esta semana em Santa Catarina e o manterão fora do Rio durante a Jornada Mundial da Juventude.

O convidado abre mão da sobremesa e pede o café. Os repórteres dividem uma torta de nozes, coberta por creme fresco. As calorias valem a pena. Chegam os três cafés e a fumaça do cigarro de Bia traz uma curiosidade: "O senhor fuma?" O teólogo responde que nunca fumara cigarros, mas já sucumbira diante dos charutos Cohiba enviados de Havana por Fidel Castro. "Eu fumava um e os demais trocava por aqueles Oxóssi, que são usados nas macumbas. Valia a pena. Os Cohibas são caríssimos", conta, dando risadas.

No alto da serra, mais cedo do que nas planícies, o sol começa a desaparecer atrás das montanhas. A temperatura cai. O fotógrafo pede a Boff que fique na entrada do restaurante para mais fotos. O senhor de barbas brancas tem quatro próteses nas pernas e alguma dificuldade para andar. Mas não recusa o pedido. Posa aqui, posa lá. A lua já está no céu quando volta para a mesa. Mais um café? Sim. O garçom recolhera quase tudo. O copo de caipirinha que os repórteres pretendiam dividir, no entanto, ainda está por ali e quase cheio. Boff, então, faz o "sacrifício" e bebe.

Formado em filosofia, teologia e doutorado na Universidade de Munique, na Alemanha, Leonardo Boff já escreveu 93 livros e passou pelas mais importantes instituições de ensino do mundo. De uns tempos para cá, entretanto, pensa em uma vida não tão intensa. "Vou completar 75 anos. Sou oficialmente velho. Quando nos sentimos velhos, precisamos começar a planejar que temas abordar, que obras escrever ainda e como arredondar o pensamento. Meu tempo físico está se acabando." Boff acha que chegou a hora de as novas gerações levantarem as bandeiras que foram erguidas por sua geração. Um discurso, de certa forma, no mesmo tom do primeiro pronunciamento oficial no Brasil do papa Francisco, que disse: "A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios. A nossa geração se mostrará à altura da promessa contida em cada jovem quando souber abrir-lhes espaço".

A tarde e a torta de nozes acabaram. É difícil terminar a conversa com esse professor de fala pausada e clara, apesar de estar na hora de descer a serra e voltar para o Rio. É possível, porém, uma pergunta ainda: o senhor deixou o sacerdócio, mas diz nunca ter se afastado da igreja. O senhor é um homem de fé. Em um mundo com tantos dramas sem explicação, o que é a fé?

"A fé é uma esperança daquilo que vai acontecer. É uma convicção sobre as coisas invisíveis. A fé é uma espécie de aposta, na linha de Pascal [o matemático e físico Blaise Pascal]. Ele teve uma crise existencial e se converteu ao cristianismo. Dialogando com os ateus da época, os iluministas, disse: 'Faço uma aposta. Crer é apostar. Se você aposta que Deus existe, tem tudo a ganhar, a eternidade etc. Se você apostar que Deus não existe, não tem problema, não perde nada. Então, é melhor acreditar que ele existe. Não se perde nada'."

Como inspirar as pessoas com uma comunicação que constrói, que contribui para abrir novas possibilidades? Esta é a pergunta-tema do diálogo que será conduzido pela Rede Imagens e Vozes da Esperança (IVE) com jornalistas, publicitários, artistas, intelectuais, editores, designers, estudantes, entre outros, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, em Pernambuco.

O evento, realizado pela primeira vez no Nordeste, acontece no Convento da Conceição, na Rua Bispo Coutinho, no Alto da Sé, em Olinda. No primeiro dia o diálogo acontece das 10h às 20h e no segundo das 10h às 13h, tendo como facilitadoras a inglesa Denise Lawrence e a brasileira Nádia Rebouças.

Lawrence é bacharel em filosofia e línguas modernas pela Universidade de Kent e trabalhou na década de 70 na BBC e na Canadian Broadcasting em Londres, e desde então se associou à Brahma Kumaris. Co-produziu e dirigiu 100 programas de TV e documentários sobre valores e espiritualidade, sendo hoje conselheira de assuntos acadêmicos para a Brahma Kumaris Educational Society, na Índia.

Rebouças é especialista em comunicação e diretora da Rebouças Associados, trabalhando com planejamento e gestão da comunicação integral para transformar organizações e a sociedade, disseminando conceitos de desenvolvimento humano e responsabilidade socioambiental. Foi coordenadora da campanha Ação da Cidadania do sociólogo Betinho e criou a campanha “Onde você guarda o seu racismo”. Também atuando como professora de Planejamento de Marketing e Comunicação na PUC-RJ e FGV.

Realizado pela Brahma Kumaris, o evento contará com tradução consecutiva realizada pela socióloga Luciana Ferraz, diretora nacional da organização. O investimento no evento é de R$ 150,00, dando direito a almoço, jantar, coffee breaks e materiais.

Para se inscrever é necessário fazer o depósito na Conta Corrente do Itaú de número 46437-3, agência 0874, em nome do Centro Raja Yoga Brahma Kumaris. E confirmar a inscrição através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , anexando a ficha de inscrição preenchida e o comprovante do depósito digitalizado.

Para os participantes de fora de Pernambuco são dadas três opções de hospedagem: Convento da Conceição (81- 3429.3108), Pousada Bela Vista ou Pousada São Francisco.

Para pautas e entrevistas favor contatar Eliane Rangel (81-3429.4550) O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

IVE - O Imagens e Vozes de Esperança é um diálogo global que reúne profissionais de mídia e comunicação para refletir sobre o impacto do seu trabalho na sociedade e fortalecer o papel da mídia como agente de benefício do mundo. Foi fundado em Nova York, em 1999, como uma iniciativa da Brahma Kumaris World Spiritual Organization, do Center for Advances in Appreciative Inquiry e da Visions of a Better World Foundation. É promovido globalmente pelo Images & Voices of Hope e, no Brasil, pela Organização Brahma Kumaris.

BRAHMA KUMARIS – É uma organização internacional sem fins lucrativos que trabalha por uma mudança positiva em todos os setores da sociedade. Estabelecida na Índia em 1937, hoje conta com cerca de 8500 filiais em 120 países. Possui status consultivo no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Recebeu sete prêmios Mensageiro da Paz da ONU.

Terça, 06 Agosto 2013 13:34

Ter amigos ajuda a evitar dívidas, diz pesquisa

Escrito por

Por Vitor Moreira, do Consumidor Moderno Consciente

Ao que parece, ser uma pessoa isolada não afeta apenas o lado emocional e o físico de um indivíduo, mas pode também mexer com suas finanças. De acordo com um estudo liderado por Rod Duclos, professor assistente de marketing da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, pessoas excluídas tendem a tentar reconstruir suas conexões sociais através do dinheiro.

“Sociedades modernas são sistemas sociais complexos nos quais as pessoas obtêm o que querem através de dois principais meios, popularidade e dinheiro”, diz Duclos. O professor apresentou as novas informações juntamente com descobertas publicadas recentemente num estudo sobre o assunto na reunião anual da American Psychological Association, que aconteceu nessa semana no Havaí.

A pesquisa indica que quando as pessoas não se sentem conectadas com outras, elas normalmente tentam “comprar” satisfação, algo que as complete. Estudos anteriores já indicavam que esse tipo de situação leva indivíduos a comprarem produtos que simbolizam uma conexão com outros, como materiais com logos de time ou marcas que implicam status e certa popularidade perante a sociedade. Um dos experimentos, feitos com 35 estudantes, aponta também que quanto maior o sentimento de rejeição, maior é a ideia de que o dinheiro pode resolver problemas.

Já em outro levantamento, esse realizado com a abordagem aleatória de pessoas nas ruas de Hong Kong, indicou que pessoas que se sentem isoladas tendem também a se aventurar em investimentos mais arriscados, além de estarem mais propensas a gastar dinheiro em apostas, como loteria e cassinos. De acordo com Rod Duclos, essa tendência é explicada pelo fato de que quem se sente desconectado prefere aplicar seu dinheiro em coisas que podem gerar uma aceitação social maior, analisando o cenário dmaneira menos racional.

“A partir dessas descobertas, os consumidores podem querer evitar importantes decisões financeiras depois de um término de relacionamento ou de algum conflito com amigos”, reforça Duclos. “Por outro lado, consultar um amigo ou algum tipo de apoio social serviria para combater sentimentos de solidão”, acrescenta o professor. Por essas e outras, estar bem com as pessoas ao nosso redor não só ajuda a nos sentirmos incluídos, mas pode nos livrar das dívidas.

* Com informações da Time

Sexta, 02 Agosto 2013 19:29

Meu caro Francisco

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

Que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade  os valores éticos de que a humanidade necessita.”

(Papa Francisco)

Devo confessar, de cara, que o tom coloquial destas maltraçadas, em substituição à etiqueta emplumada tradicional, inspira-se da recomendação reiterada que você passou, na Jornada Mundial da Juventude, para homens e mulheres empenhados na construção de um mundo melhor, para que valorizem sempre em suas ações o contato humano fraterno.

Senti firmeza, baita firmeza, em sua fala. Dei-me conta, de repente, apoderado de santa alegria, de uma situação extremamente valiosa. O surgimento em cena de uma liderança com legitimidade universal, providencialmente escalada por desígnios superiores nas esferas transcendentes, para fazer ecoar nos céus do mundo neste instante uma mensagem renovada de fé e esperança nos destinos do ser humano.

Você disse, na Jornada, com todas as letras, pontos e vírgulas, coisas que no recôndito da alma todas as pessoas reconhecem verdadeiras, mas que acabam, por um montão de razões indesculpáveis e jogo de conveniências mundanas, relegadas a plano secundário nas propostas de edificação humana.

Tanto quanto suas palavras, seus gestos de afeição fraternal, profusamente registrados pelas câmaras ao longo dos percursos percorridos no papamovel em ruas cariocas, revelaram-se extremamente inspiradores. Tomo um deles como símbolo especial dessa aproximação com o outro apontado por você como essencial à convivência saudável. Alguém não identificado, no meio da incalculável multidão, passou-lhe às mãos uma cuia de chimarrão. Você sorriu, levou confiantemente a bomba da cuia aos lábios, sorveu uma porção do líquido e devolveu, com o veículo em movimento, o recipiente ao desconhecido ofertante. Foi de arrepiar. Naquele preciso momento, deu pra perceber tudo aquilo que você, pouco tempo depois, em comovente depoimento, transmitiu: “... antes de viajar, fui ver o papamovel que seria trazido para cá. Era cercado de vidros. Se você vai estar com alguém a quem ama, amigos, e quer se comunicar, você não vai fazer essa visita dentro de uma caixa de vidro. Não. (...)E no automóvel, quando ando pela rua, baixo o vidro, para poder estender a mão, cumprimentar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou a gente faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz. Comunicação pela metade não faz bem.”

Palavras de invulgar sabedoria. Sua comunicação singela, direta, franca, atinge o âmago das questões. Oferece respostas magistrais às inquietações humanas. Você nos trouxe, Chico, com irradiante simpatia e carisma arrebatante, a chance de podermos repensar, dentro de conceitos (segundo suas próprias palavras) revolucionários – no sentido de transformações sociais positivas, consentâneas com a dignidade humana –, os aspectos amargos das estruturas de vida complexas da civilização atual.

Estruturas abaladas pela corrupção de diferentes feitios e espalhada por tudo quanto é canto, que gera tanto inconformismo e clamores por representar traço de ligação com a injustiça social que campeia por aí agora. Engrenagens impregnadas, como você diz, da idolatria do dinheiro, do protagonismo do dinheiro, que estabelece “uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente que vai arrumando os grupos sociais de acordo com sua conveniência.” Estruturas, como ainda diz você, que criaram o “drama desse humanismo desumano que estamos vivendo”, que descarta jovens e idosos, que leva à banalização da violência e à “globalização da indiferença” e que nos lança no rosto, como uma bofetada, a catástrofe de doentes que não têm acesso a tratamento, de homens e mulheres que se tornam mendigos e que sucumbem aos rigores climáticos, de crianças que não têm condição de se educarem. Estruturas, enfim, que fazem questão de ignorar tudo isso como fato relevante, mas que tratam, aí sim, como “grande catástrofe” a oscilação de 3 ou 4 pontos nas bolsas de algumas capitais do mundo financeiro.

Papa Francisco, mesmo que os donos do mundo venham botar pra fora alguma insatisfação com o que você diz, fique certo de que seu recado está sendo absorvido. Mentes e corações esperançosos, a cada hora em maior número, se fixam obsedantemente na idéia construtiva de se “estimular uma cultura ecumênica do encontro (...) no mundo todo.” De tal modo “que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade os valores éticos de que a humanidade necessita.”

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

O Diário Oficial da União publicou nesta sexta-feira (2/08) a Lei 12.845/2013, que obriga os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestar atendimento emergencial e multidisciplinar às vítimas de violência sexual. Aprovada pelo Congresso Nacional no início de julho, o projeto foi sancionado sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff.

Pela lei, o atendimento às vítimas de violência deve incluir o diagnóstico e tratamento de lesões, a realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A norma também determina a preservação do material coletado no exame médico-legal.

A proposta provocou polêmica porque, entre outros pontos, prevê a profilaxia de gravidez, que é vista por organizações religiosas como uma brecha para estimular o aborto. Já movimentos feministas argumentam que o aborto em caso de violência sexual já é autorizado por norma técnica e por um decreto presidencial.

No dia 1º de agosto, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a sanção transformada em lei estabelece práticas já recomendadas pelo Ministério da Saúde. O governo manteve na lei a previsão de oferecer às vítimas de estupro contraceptivos de emergência – a chamada pílula do dia seguinte. O governo vai encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei alterando a forma como a prescrição está descrita na lei.

Segundo o ministro da Saúde, o termo “profilaxia da gravidez” será substituído por "medicação com eficiência precoce para prevenir a gravidez decorrente de estupro”, que estava no projeto original. A alteração, de acordo com Padilha, corrige a interpretação de que a medida poderia estimular abortos na rede pública.

No projeto que será encaminhado ao Congresso, o governo também vai corrigir uma imprecisão sobre o conceito de violência sexual. A nova redação considera violência sexual “todas as formas de estupro, sem prejuízo de outras condutas previstas em legislação específica”. Do jeito que está na lei sancionada hoje, o texto poderia excluir do conceito crianças e pessoas com deficiência mental, que não têm como dar ou não consentimento para atividade sexual.

De acordo com a lei, o paciente vítima de violência sexual deverá receber no hospital o amparo psicológico necessário e o encaminhamento para o órgão de medicina legal e o devido registro de boletim de ocorrência. Os profissionais de saúde que fizerem o atendimento deverão facilitar o registro policial e repassar informações que podem ser úteis para a identificação do agressor e para a comprovação da violência sexual.

O Ministério da Saúde quer ampliar o apoio às mães no período de amamentação em unidades de saúde, hospitais e bancos de leite. No última de 1º de agosto governos de mais de 170 países promovem atividades para comemorar a Semana Mundial do Aleitamento Materno. No Brasil, foi lançada a Campanha do Aleitamento 2013, com o tema Tão Importante Quanto Amamentar Seu Bebê, É Ter Alguém Que Escute Você. O objetivo é enfatizar aos profissionais de saúde a necessidade de um atendimento especial às mulheres em período de amamentação. Um fato que merece atenção é que, por falta de informação, muitas mães abrem mão do aleitamento, que é a única forma recomendada para bebês até os 6 meses de idade.

Para o coordenador da área de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Paulo Bonilha, a mulher precisa de apoio para ter sucesso no aleitamento, especialmente em casos nos quais a mãe está ansiosa, tem dúvidas e dificuldades em relação à alimentação do bebê. Esse apoio, segundo ele, deve vir tanto do companheiro, quanto da família e de profissionais de saúde.

"A mulher pode ter ansiedade, dúvida ou dificuldade em relação ao aleitamento – se [a quantidade] está sendo suficiente para alimentar seu filho, em casos de rachaduras dos mamilos ou leite empedrado. Se o apoio à amamentação não acontece no momento oportuno, a mulher pode desistir. É preciso que o acesso à informação no âmbito das unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) não seja burocratizado. É errado exigir que se agende uma consulta para isso", informou Bonilha.

De acordo com representante do Ministério da Saúde, estima-se que 41% das mulheres amamentem seus bebês até os primeiros seis meses. "O nosso objetivo é que consigamos avançar nessa área. Temos a expectativa de que, no ano que vem, quando vamos fazer uma pesquisa nacional sobre prevalência do aleitamento, possamos ter avançado ainda mais", disse.

O Brasil tem a maior rede de bancos de leite do mundo, com 210 unidades e 117 postos de coleta. Por ano, são coletados em média 166 mil litros de leite humano que beneficiam, aproximadamente, 170 mil recém-nascidos, segundo dados do Ministério da Saúde. A expectativa é que, este ano, o governo invista R$ 7 milhões nos bancos de leite.

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador da rede brasileira de aleitamento, João Aprijo, pede que as mulheres busquem apoio de um profissional antes de tomar a decisão de parar de amamentar seu bebê. De acordo com ele, em 2012, mais de 2,6 milhões de mulheres conseguiram seguir amamentando devido a ações assistenciais.

"Quando nos falamos de amamentação, sempre lembramos da criança. Mas é bom lembrar que o verdadeiro protagonista é a mulher. Apesar de muita gente dizer que [amamentar] é um ato natural, instintivo e biológico, é mais ou menos. É bom lembrar que a mulher está em um momento de grande vulnerabilidade, com sentimentos ambíguos e contraditórios o tempo inteiro. Essa mulher tem dúvidas, e ela tem todo o direito de ter", explicou Aprijo

A expectativa de vida do brasileiro cresceu 11,24 anos entre 1980 e 2010. O crescimento entre as mulheres ficou em 11,69 anos, enquanto entre os homens a elevação atingiu 10,59 anos.

No mesmo período, na comparação com o restante do Brasil, a Região Nordeste foi a que apresentou maior aumento na expectativa de vida. As informações fazem parte da pesquisa Tábuas de Mortalidade 2010 – Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação, divulgada nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 1980, o nordestino tinha a taxa mais baixa do país (58,25 anos). No período de 30 anos houve elevação de 12,95 anos e, em 2010, atingiu 71,20 anos. De acordo com o IBGE, o crescimento foi decorrente, principalmente, do aumento de 14,14 anos na expectativa de vida das mulheres nordestinas, que passou de 61,27 anos em 1980 para 75,41, em 2010.

Segundo o gerente de Componentes de Dinâmica Demográfica do IBGE, Fernando Albuquerque, o Nordeste representava, em 1980, a região com menor índice de expectativa de vida. A aplicação mais eficaz de programas sociais e de projetos de distribuição de renda favoreceram o crescimento da taxa da região. “Todos os programas [geraram impacto positivo na região: houve] aumento na qualidade de atendimento de pré-natal, transferência de renda [propiciada pelo] Bolsa Família e melhor instrução. O programa Saúde da Família não [previne a mortalidade apenas na infância], mas em todas as faixas de idade. São programas importantes que representam forte impacto na [redução da] mortalidade. [Há] um aumento maior da expectativa de vida na região Nordeste”, explicou.

A elevação da expectativa de vida entre as mulheres foi o fator que favoreceu também o resultado do Rio Grande do Norte, que apontou a maior elevação entre os estados da região (15,85 anos). Lá, a taxa das mulheres ficou em 17,03 anos. “Em 1980, o Rio Grande do Norte também era um dos estados em que a mortalidade era mais elevada, consequentemente com uma expectativa de vida mais baixa. Então de certa forma estes programas aceleraram a diminuição [das taxas de] mortalidade e ganhos na expectativa de vida”, explicou.

O pior resultado de crescimento entre as regiões foi no Sul (9,83 anos). Apesar disso, a região ainda registra as mais altas taxas de expectativa de vida do país. Em 1980 era de 66,01 anos, a mais elevada daquele ano. Em 2010 atingiu 75,84 anos, também a maior expectativa entre as regiões. “Os níveis de mortalidade já eram mais baixos. Os aumentos ocorreram, mas com menos intensidade. Essas expectativas de vida já eram elevadas”, disse o gerente.

A segunda região a apresentar maior crescimento nos 30 anos compreendidos entre 1980 e 2010 foi a Centro-Oeste com elevação de 10,79 anos (de 62,85 para 73,64 anos). Em terceiro ficou o Sudeste que teve elevação de 10,58 anos (de 64,82 para 75,40 anos). A quarta foi a região Norte, que passou de 60,75 para 70,76 anos, representando um aumento de 10,01 anos na taxa.

Na avaliação do gerente do IBGE, no Norte, a dificuldade de acesso aos programas sociais impediu um desempenho melhor na esperança de vida. “Os programas sociais existem, mas há uma maior dificuldade em função da extensão da região e dificuldade de acesso. São populações ribeirinhas, onde o indivíduo tem de viajar vários dias para chegar a um posto de saúde”, explicou.

A pesquisa analisa resultados sobre a esperança de vida por sexo e compara informações sobre as regiões do país e dos estados. O trabalho utiliza dados do Censo Demográfico 2010, das estatísticas de óbitos obtidos no Registro Civil e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do ministério da Saúde para o mesmo ano.

 As exibições acontecerão na Livraria Cultura do Paço Alfândega, nos finais de semana, com entrada gratuita

Em agosto, quem gosta filmes de animação terá um bom motivo para sair de casa. Começa neste sábado (03), na Livraria Cultura do Paço Alfândega, o “Festival de Animação Espanhola Contemporânea”. As exibições acontecerão dias 3, 04, 10, 17 e 24 de agosto, sempre às 16h, com entrada gratuita e vagas limitadas à lotação do auditório.

A iniciativa do Instituto Cervantes mostra um apanhado do que há de mais recente na produção espanhola de animação, com filmes premiados que exibem diferentes propostas visuais e dão uma boa ideia da pluralidade e riqueza deste estilo.  Há propostas tanto para o público infantil, com figuras do imaginário mágico e criaturas fantásticas como para jovens e adultos. Animações que são adaptações de quadrinhos tradicionais contrastam com musicais e documentários.

Dentro da programação, há dois filmes dirigidos ao público infantil que se apresentam em obras bem diferentes. A adaptação livre de “O Bosque Animado (2001)”, vem do imaginário mágico da Galícia, onde estão diferentes personagens que são invisíveis aos olhos depredadores do ser humano em sua louca vida moderna e “Noturna (2007)”, procedente da indústria de animação catalã, que situa o espectador no espaço fantástico da noite, onde vivem criaturas capazes de resolver o impossível.

Além destes, os espectadores do festival poderão apreciar a perfeita união entre desenhistas e cinema, que vem da adaptação dos quadrinhos para a animação, também apresentada em duas propostas recentes, focadas no público adulto. Primeiro, Chico & Rita (2010), trabalho conjunto de Fernando Trueba e Javier Mariscal, que criaram uma história musical ambientada na cidade de La Habana, movida a jazz. Por outro lado, a adaptação ao cinema de “Rugas (2011)”, de Paco Roca, desenhista de tiras publicadas em jornal e nos quadrinhos tradicionais, que aborda, através de seus desenhos, temas cruciais da vida adulta.

E para unir os dois mundos, do cinema e animação, o documentário “Maria e Eu (2010)”, passa pela convivência e vida do desenhista Miguel Gallardo e sua filha Maria. O filme propõe um olhar cruzado entre o testemunho que levou o desenhista a relatar sua história e sua forma de explicar o transtorno autista.

Com exceção da animação de estréia, Chico & Rita, recomendado para maiores de 14 anos, todos os outros filmes têm indicação livre.

A livraria Cultura fica na Rua Madre de Deus, s/n, Paço Alfândega, Bairro do Recife. Maiores informações através do telefone: (81) 2102-4033.

A animação espanhola hoje - O cinema de animação vem sendo uma das revelações do cinema espanhol contemporâneo. Além da presença dos técnicos espanhóis em boa parte das grandes produções norte-americanas de animação, a indústria espanhola vem elaborando suas próprias propostas, muitas vezes voltadas para os menores, mas que vem ganhando cada dia mais espaço junto ao público adulto. Graças à reaparição dos antes chamados “desenhos amimados” as salas recuperaram esses ambiente de cinema para todos os públicos, reunindo as famílias em torno de histórias que nos transportam ao mundo da fantasia.

A animação espanhola também estabeleceu seu lugar no mundo através de habituais co-produções com outros países e produtoras, que asseguram parte do financiamento antes de começarem qualquer projeto e vêm se fortalecendo convencidas, principalmente, de que a ampliação da animação é uma das possibilidades mais fortes do cinema do futuro. Trata-se de um cinema que consolida sua imagem internacional e legítima, sua presença como cinema, sem mais adjetivos.

Muitos festivais espanhóis generalistas vêm abrindo sessões monográficas para apresentar obras de animação, como o Festival de Gijón e o Festival de Cine de Málaga. Dois exemplos recentes de grande repercussão, que serão exibidos no Festival de Animação Espanhola Contemporânea, explicam a diversidade da presença pública dos filmes de animação fora dos âmbitos especializados. Em primeiro lugar, o filme de Fernando Trueba e Javier Mariscal, Chico & Rita (2010), que partiu rumo ao Oscar. E em segundo, a adaptação ao cinema da novela gráfica de Paco Roca, Arrugas (2011), que ganhou um Goya por melhor roteiro adaptado, toda pompa para um filme que passa longe da proposta convencional de ficção.

SERVIÇO:

Festival de Animação Espanhola Contemporânea

Dias: 3,04, 10, 17 e 24 de agosto de 2013.

Horário: 16h

Lugar: Livraria Cultura (Auditório)

R. Madre de Deus, s/n Paço Alfândega  Bairro do Recife – (81) 2102-4033

Entrada Gratuita

Lotação 107 lugares

Tdos os filmes serão exibidos com legendas em português

PROGRAMAÇÃO:

03/08/2013 (sábado)

Chico & Rita Espanha, 2010. Animação. 90 minutos

Direção: Tono Errando, Javier Mariscal y Fernando Trueba

Classificação etária: 14 anos

Na Cuba de finais dos anos quarenta, Chico & Rita vivem uma apaixonada história de amor. Chico é um jovem pianista apaixonado por jazz, e Rita sonha em ser uma grande cantora. Desde que se conheceram em uma festa, num clube de “La Habana” o destino lhes une e lhes separa, como se fossem personagens de um bolero.

Prêmios: Goya (2010): Melhor filme de animação; Oscar (2011): Melhor longa-metragem de animação ; Prêmios do Cinema Europeu (2011): Melhor longa-metragem de animação ; Festival de Annecy (2011): Prêmio FNAC ao Melhor longa-metragem ; Prêmios Annie (2011): Melhor filme ; Prêmios Gaudí (2011): Melhor filme de animação e música original ; Prêmio José María Forqué (2011): Melhor longa-metragem de animação

04/08/2013 (domingo)

Noturna – Uma aventura mágica Espanha/França, 2007. Animação. 80 minutos

Direção: Adrià García, Victor Maldonado

Classificação etária: Livre

Um súbito apagão de estrelas ameaça em deixar a noite desaparecida na mais profunda escuridão. Tim, um menino assustado, que vive em um orfanato, se encherá de coragem para resolver esse desastre enfrentando sua própria sombra, fruto de seus medos. Para conseguir esse feito, Tim mergulhará em uma emocionante aventura através de Noturna, um mundo paralelo que surge todas as noites ao dormirmos. 

Prêmios: Goya (2007): Melhor filme de animação;  Festival de Annecy (2008): Sessão Oficial de longa-metragems a concurso.

10/08/2013 (sábado)

Rugas Espanha, 2011. Animação. 90 minutos

Direção: Ignacio Ferreras

Classificação etária: Livre

Emilio e Miguel são dois senhores reclusos em um asilo. Emilio acaba de chegar à residência em estado inicial de Alzheimer e será ajudado por Miguel e outros companheiros para não terminar no andar superior do asilo, o temido andar dos assistidos, que é como chamam os desajuizados. Seu plano maluco acaba trazendo momentos divertidos e ternos ao dia-a-dia da residência. Rugas é um longa em 2D baseado no aclamado quadrinho de mesmo título de Paco Roca, que recebeu o Premio Nacional de Comic em 2008.

Prêmios: Goya (2011) - Melhor filme de animação e melhor roteiro adaptado; Prêmios do Cinema Europeu (2012) - Melhor filme de animação; Prêmios Annie (2011) - Melhor filme.

17/08/2013(sábado)

Maria e Eu España, 2010. Documentário e Animação. 76 minutos

Direção: Félix Fernández de Castro

Classificação etária: Livre

Animação e documentário. Maria vive com sua mãe, May, nas Ilhas Canárias, a 3000 km de Barcelona, onde vive seu pai, Miguel Gallardo. ÀS vezes Miguel e Maria viajam juntos de férias e desta vez irão passar uma semana em um resort no sul de Gran Canária. Esta é a história de uma viagem, e, sobretudo um relato original e cheio de humor, ironia e sinceridade sobre como se convive com uma deficiência, o autismo.    

Prêmios: Goya (2010): Melhor documental

24/08/2013 (sábado)

O bosque animado Espanha, 2001. Animação. 82 minutos

Direção: Ángel de la Cruz y Manolo Gómez

Classificação etária: Livre

Enquanto o ocioso senhor D’Abondo e seu criado Rosendo atravessam a misteriosa e frondosa Fraga de Cecebre, o criado suspeita que as árvores têm vida.  Assim é na realidade, já que, quando se afastam, a natureza se transforma e árvores e animais vivem em alegre e animada harmonia. Entretanto, a mão do homem, que tudo modifica, trará ao bosque a desordem e a infelicidade. 

Prêmios: Goya (2001) - Melhor filme de animação e canção original.

De acordo com o médico e pesquisador Luiz Antonio Machado César, do Instituto do Coração - InCor, do Hospital das Clínicas – HC da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP, o café não faz mal à saúde se tomado em quantidades moderadas e habituais, ou seja, até quatro xícaras ao dia. Ele avalia os efeitos do café sobre variáveis que envolvem o sistema cardiovascular para saber os efeitos da bebida na pressão arterial e no coração de pacientes que já têm doenças coronárias.

Segundo o médico, considerando os estudos recentes, não há evidências de que o café seja ruim para pessoas com problemas no coração. Os estudos vêm sendo desenvolvidos há quatro anos na Unidade Café e Coração, instalada no InCor, por meio de parceria com o Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. A pesquisa analisou o comportamento de mais de cem pessoas por meio de diferentes baterias de exames feitos periodicamente com pacientes que tomavam café.

Luiz Antonio Machado César é graduado em Medicina pela FMUSP (1976) e doutor em Medicina, na área de Cardiologia, também pela USP(1989). Defendeu sua Livre-Docência em 1996. Desde 2002, é professor associado de Cardiologia dessa mesma Universidade. Foi diretor da Emergência do InCor de 1985 a 1994 e da Unidade Coronariana do Hospital Sírio Libanês de 1994 a 2002. É diretor da Unidade de Coronariopatias Crônicas do InCor desde 1998. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Cardiologia e principalmente nos seguintes temas: doença aterosclerótica coronária, doença coronária, infarto agudo do miocárdio e aterosclerose.

Saiba, nesta entrevista realizada pela Embrapa Café, o que pensa Luiz Antonio sobre os benefícios do café para o coração. Ele acredita que, para diminuir o desconhecimento e o preconceito das pessoas em relação às propriedade da bebida, os resultados das pesquisas científicas e sua divulgação são excelentes aliados.

Embrapa Café: Como foi feita a pesquisa que trata dos efeitos do café sobre variáveis que envolvem o sistema cardiovascular?

Luiz Antonio: O estudo foi feito da seguinte forma: convocam-se pessoas saudáveis e pessoas com doenças coronarianas. Antes do início das análises, todos os voluntários são proibidos de ingerir cafeína durante três semanas. Então, uma bateria de exames é feita com cada paciente: testes de esteira, exame do Holter, monitoramento da pressão arterial e dosagens de sangue. Em seguida, é realizado um sorteio. Alguns pacientes são selecionados para beber café de torra clara; outros, para beber café de torra mais escura. Cada um recebe uma cafeteira com café e recebe orientações de preparo da bebida. Durante quatro semanas, cada voluntário toma de três a quatro xícaras de café por dia. Em seguida, voltam ao consultório e repetem todos os exames. Agora, os pacientes que haviam tomado o café de torra mais escura devem repetir o mesmo procedimento, durante quatro semanas. Só que, dessa vez, ingerindo café de torra mais clara. E vice-versa. Todos os voluntários retornam ao consultório e repetem todos os exames.

EC: O que mostram os resultados?  

LA: Os resultados mostram que tomar café não faz mal. O café de torra clara tem leve tendência a aumentar a pressão arterial. Já o café de torra escura não causou nenhuma alteração na pressão. Houve discreto aumento no colesterol ruim e também no colesterol bom. Observou-se também que, depois de ingerir café, as pessoas normalmente conseguiam andar mais na esteira. Além disso, estudos epidemiológicos realizados pelo Instituto do Câncer americano avaliaram mais de 400 mil pessoas, durante o período de 20 anos. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, uma das revistas de maior impacto na América, mostram que os pacientes com câncer que tinham o hábito de tomar café morreram menos do que aqueles que não ingeriam a bebida.

EC: O que motivou a pesquisa? Qual é a idade média das pessoas que participaram do projeto?  

LA: No século passado, algumas pessoas acreditavam que o café trazia malefícios à saúde, podendo aumentar a pressão sanguínea, causar arritmia e até mesmo provocar infartos. A partir de 2000 e 2001, estudos começaram a comprovar que tais crenças não possuíam base científica. Estudos recentes sugerem que os diabéticos que tomam café morrem menos do que os diabéticos que não tomam. Além disso, não há evidência alguma que comprove a relação entre o consumo de café e a ocorrência de infartos. Por isso, foi LA: criada uma unidade de pesquisa sobre café e coração no InCor, com programação de estudos a serem feitos ao longo de anos. Os estudos clínicos são financiados pelo Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. A média de idade dos voluntários varia entre 53 e 54 anos. Cerca de 60% dos pacientes eram saudáveis e 40% possuíam doenças coronárias. Todos eles obtiveram respostas muito similares.

EC: Como essa pesquisa está atualmente? E as perspectivas futuras?  

LA: Fechamos os grupos de estudos com café arábica e com blends (composição de grãos diferentes). Ainda falta estudar os efeitos do café descafeinado e do café expresso. Gostaríamos também de fazer testes com pessoas diabéticas, mas sem incluir pessoas que tomem remédio para diabetes.

EC: O InCor possui parcerias com instituições?  

LA: Sim, temos parceria científica com a Universidade de São Paulo, na Faculdade de Saúde Pública, e estamos em fase de contato com a South University, na Georgia, Estados Unidos. Além disso, atuamos em colaboração com a rede de hospitais D’Or, do Rio de Janeiro.

EC: Há alguma restrição para a ingestão de café por pessoas com problemas de hipertensão, problemas nas válvulas mitrais ou pessoas que já passaram por cirurgias cardiovasculares, como ablação e cateterismo?  

LA: Não, não há nenhuma restrição, desde que a pessoa tome em quantidade habitual e que o paciente seja acostumado a tomar café. Entretanto, algumas pessoas são mais sensíveis a determinados tipos de alimento ou bebida. Há quem consuma cafeína e tenha taquicardia. Nesses casos, não é recomendado ingerir.

EC: No passado, um grande número de cardiologistas julgava que o café possuía apenas cafeína, desconhecendo que a bebida contém também maiores quantidades de sais minerais (2-4%), ácidos clorogênicos e quinídeos (2-4%), niacina ou vitamina PP (B3 ou ácido nicotínico) (1%) além da cafeína (1-2%) e centenas de óleos voláteis responsáveis pelo aroma e sabor da bebida. Esse pensamento mudou?  

LA: Mudou bastante. Hoje, evidências comprovam que tomar café pode ser benéfico para a saúde, mas também não é obrigatório! Pesquisas sérias concluíram que a cafeína e o ácido clorogênico induzem o indivíduo a responder melhor à sua própria insulina.

EC: Crianças com problemas cardíacos podem ingerir a bebida?

LA: Podem sim. Recomenda-se café com leite.

EC: O que se deve fazer para não ficar dependente do café?  

LA: É normal nos acostumarmos à cafeína. Entretanto, parando de tomar por um tempo, os efeitos da dependência, como dor de cabeça, incômodo e irritabilidade, logo desaparecem. Os mesmos efeitos manifestam-se em quem toma café demais. Nesses casos, recomenda-se que a diminuição da bebida seja feita progressivamente. É possível e fácil.

 

Mais sobre café e saúde - Pesquisas também têm mostrado que a bebida tem ação estimulante sobre o sistema nervoso e aumenta a atenção, a concentração e a memória de curto e médio prazo, sendo recomendado inclusive para estudantes de todas as idades. Os estudos também apontam que o café pode atuar na prevenção do câncer de cólon e reto, doença de Parkinson e de Alzheimer, apatia e depressão, obesidade infantil, diabetes tipo II, cálculos biliares e câncer de fígado, além de aumentar o estado de vigília do cérebro e diminuir a sonolência. Saiba mais sobre os resultados já alcançados no site da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).    

Quinta, 01 Agosto 2013 14:21

Jogos ensinam crianças sobre os perigos do crack

Escrito por

Por Vagner de Alencar, do Porvir

O Brasil amarga a primeira colocação no ranking de países que mais consomem crack no mundo, aponta um estudo divulgado neste ano pela Universidade Federal de São Paulo. Enquanto os índices parecem crescer assustadoramente no país, parecem faltar iniciativas mais incisivas, sobretudo nas escolas, que trabalhem a conscientização de crianças e adolescentes. Essa preocupação levou a Secretaria de Desenvolvimento Social de Direitos Humanos do governo de Pernambuco a pedir para a Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) um estudo científico sobre o crack. A universidade topou o desafio e decidiu ir além: criar também jogos, em parceria com a faculdade de jogos digitais, para criar games gratuitos que instruam e ajudem crianças de comunidades de baixa renda no combate ao consumo da droga, partindo de situações do dia a dia.

“Nossa intenção é servir como uma outra fonte de informação, uma outra porta de entrada que pode ter influência positiva na vida da criança. O papel da família é imprescindível para evitar que os jovens se envolvam com as drogas. No entanto, todo combate à prevenção feito hoje é pouco, precisamos que mais e mais seja feito”, afirma Lucas Alencar, 22, graduado em jogos digitais no ano passado pela Unicap e um dos criadores dos games.

A iniciativa, que surgiu por meio do Projeto de Enfrentamento ao Crack da Secretaria de Desenvolvimento Social de Direitos Humanos, foi desenvolvida por três professores e quatro universitários da Unicap, que se dividiram para realizar a pesquisa, o webdesign e a arte dos games As Aventuras de Biu Biu e Desafios da Vida. No último dia 18 de julho, os jogos educativos foram apresentados na Campus Party Recife, evento que reuniu inovações na área da tecnologia, internet e entretenimento eletrônico.

Os jogos são destinados a crianças de 7 a 11 anos e estão disponíveis gratuitamente no site da Unicap (www.unicap.br). Porém a ideia é que eles ganhem escalabilidade no estado, sendo usados em projetos sociais e organização sem fins lucrativos. Para chegar a mais estudantes, sobretudo de regiões mais vulneráveis da capital pernambucana, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, os jogos serão levados a escolas de regiões vulneráveis. Somente no estado, segundo levantamento do Ministério de Saúde, há mais de 30 mil usuários de crack.

De acordo com Alencar, durante a criação dos personagens, que contou com o apoio de psicólogos e outros especialistas, houve a preocupação de não retratar os personagens por meio de estereótipos. “Pensamos em não colocar, por exemplo, a figura de um traficante com essas ou aquelas características, porque as crianças poderiam associá-las ao seus pais, tios ou outros familiares. Decidimos adotar personagens neutros.”

No primeiro game, As Aventuras de Biu Biu, o jogador passeia pelas ruas de uma bairro de vila e precisar ir à padaria, levar um colega para fazer compras ou organizar um encontro com amigos no parque. Para avançar de fase, tem que driblar os chamados Senhores Cracks, que vão tentar oferecer a droga aos jogadores.

Já no segundo jogo, Desafios da Vida, os personagens fictícios João e Maria passam por diferentes estágios da vida, lidando com questões de saúde, família e estudos. Como uma espécie de analogia ao crescimento das crianças, que, primeiro, precisam se divertir no parque, depois ajudar nos afazeres de casa e, por fim, estudar para ter uma profissão. No entanto, para alcançar esses estágios, vão sendo apresentados obstáculos nos quais o jogador precisa se atentar para não se desviar de seus objetivos. “No meio do caminho, há coisas que trazem danos, uma delas é a pedra do crack. Caso o jogador toque nela, automaticamente o mouse começa a mexer com um sinal de que está fazendo algo errado, ou seja, se entrar nesse caminho pode perder o rumo de suas metas”, completa Alencar

Quinta, 01 Agosto 2013 14:17

Dez razões para consumir alimentos orgânicos

Escrito por

Da EcoD

 

Os alimentos orgânicos, que dispensam o uso de agrotóxicos, ganham cada vez mais mercado no Brasil. Diversificada, a produção conta com carnes, frutas, verduras, mel, cereais, farinhas e doces, só para citar os principais exemplos.

O Ministério do Meio Ambiente listou dez motivos para consumir produtos orgânicos:

1. Evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas;

2. Alimentos orgânicos são mais nutritivos. Solos ricos e balanceados com adubos naturais produzem alimentos com maior valor nutritivo;

3. Alimentos orgânicos são mais saborosos. Sabor e aroma são mais intensos – em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los;

4. Protege futuras gerações de contaminação química. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer produto químico e tem como base de seu trabalho a preservação dos recursos naturais;

5. Evita a erosão do solo. Por meio de técnicas orgânicas, tais como rotação de culturas, plantio consorciado, compostagem, o solo se mantém fértil e permanece produtivo ano após ano;

6. Protege a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações atravessam o solo, alcançam os lençóis d’água e poluem rios e lagos;

7. Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal. A agricultura orgânica respeita o equilíbrio da natureza, criando ecossistemas saudáveis;

8. Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades rurais;

9. Economiza energia. O cultivo orgânico dispensa os agrotóxicos e adubos químicos, utilizando intensamente a cobertura morta, a incorporação de matéria orgânica ao solo e o trato manual dos canteiros. É o procedimento contrário ao da agricultura convencional que se apoia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza;

10. O produto orgânico é certificado. A qualidade do produto orgânico tem que ser assegurada pelo Sistema Brasileiro de Conformidade Orgânica coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o que garante ao consumidor que está adquirindo produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico.

Quinta, 01 Agosto 2013 14:05

Concurso premia sugestões sobre coleta seletiva

Escrito por

Quais sugestões você daria para solucionar a questão do lixo urbano em seu bairro? Para buscar essas respostas e despertar o cuidado da comunidade em relação ao meio ambiente, a Faculdade dos Guararapes (integrante da rede internacional de universidades Laureate) está realizando o concurso cultural chamado “Coleta Seletiva em sua região”. Para participar, basta enviar a solução para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , contendo no máximo 500 palavras, até esta sexta-feira (2 de agosto). O primeiro colocado ganhará uma bolsa de estudo de 30% no curso de Ciências Biológicas. O resultado do concurso será divulgado na próxima segunda, dia 5. Confira o regulamento completo no endereço: http://goo.gl/ItWsPC

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