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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Quinta, 18 Março 2010 19:27

Grupo Petrópolis vai plantar um milhão de mudas

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Reflorestamento permitirá a retirada de mais de 85 mil toneladas de CO2 da atmosfera

O Grupo Petrópolis – terceiro maior do setor no país, dono das marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – vai plantar, nos próximos três anos, cerca de 1,1 milhão de mudas de árvores nativas nas cidades de Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Boituva (SP) e Rondonópolis (MT), onde possui fábricas.O plantio faz parte de uma série de ações em prol do meio ambiente, que deram origem ao projeto AMA – Área de Mobilização Ambiental.

Ao final do projeto estima-se que as novas árvores retirarão da atmosfera cerca de 85 mil toneladas de CO2 e terá a retenção de 36 bilhões de litros de água por ano, entre áreas reflorestadas e florestas existentes. As cidades de Teresópolis e Petrópolis, primeiras contempladas com o plantio, já receberam 120 mil e 24 mil mudas, respectivamente. Ainda, nestes dois municípios, estão previstos a construção de centros de educação ambiental e a criação de trilhas ecológicas utilizando-se traçados históricos já existentes.

O projeto, que está orçado em R$10 milhões, faz parte do plano de sustentabilidade da empresa que assume compromissos com a sociedade, as comunidades em que atua e seus colaboradores. “A preservação do meio ambiente é uma questão de responsabilidade e, especialmente, de vida para as gerações futuras”, afirma Agostinho Gomes da Silva, diretor do Grupo Petrópolis.

 Sobre o Grupo Petrópolis

Fundado em 1994, o Grupo Petrópolis  - que produz as marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal, Black Princess e TNT – é o terceiro maior fabricante de cervejas do país. Nesses anos, a empresa tem ampliado sua participação no mercado, por meio de investimentos na qualidade de seus produtos e em equipamentos com tecnologia de ponta, mão-de-obra especializada, além da implementação de uma eficiente rede de distribuição.

 

LBVA cidade do Rio de Janeiro sedia nesta sexta (19) e sábado (20) o 7º Fórum Intersetorial Rede Sociedade Solidária — 4ª Feira de Inovações em Suporte à Revisão Ministerial Anual do Conselho Econômico e Social (Ecosoc), órgão da ONU.

O evento é organizado pela Legião da Boa Vontade (LBV), com o apoio do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (UN/Desa) e do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio).

Por orientação do Ecosoc, no qual a LBV possui estatus consultivo geral desde 1999, será focalizado o terceiro dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), “promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres”.

Os ODMs consistem em um conjunto de metas nas áreas social e ambiental que foram firmadas, em 2000, pelos 192 países membros da ONU e que devem ser alcançadas até 2015, a fim de melhorar a qualidade de vida da Humanidade e garantir a sustentabilidade do planeta.

Os encontros são voltados a representantes de organizações públicas, privadas, da sociedade civil e acadêmicas, que se reunirão para identificar e compartilhar práticas de sucesso que possam ser replicadas como novas tecnologias sociais.

Oito cidades da América Latina foram escolhidas para receber o evento. No Brasil, Salvador, São Paulo e Brasília já participaram do debate e na Argentina o evento aconteceu no último dia 16.  Ainda receberão o evento as cidades de Assunção, no Paraguai (19); La Paz, na Bolívia (24) e Montevidéu, no Uruguai (26). 
 
Pobreza - No Rio de Janeiro, o mote das discussões será a feminização da pobreza e da exclusão, por causa do aumento de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social, conforme divulgado, em outubro de 2009, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O encontro terá a presença do diretor do Unic Rio, dr. Giancarlo Summa, e do chefe da seção de ONGs do UN/Desa, dr. Andrei Abramov, que esteve em São Paulo, Buenos Aires e Brasília, palestrando e acompanhando os debates.

Os resultados do fórum serão apresentados pela Legião da Boa Vontade, por meio de relatório, exposições culturais e fotográficas e vídeo, na Reunião do Alto Nível (High-Level Segment) do Ecosoc, que acontecerá de junho a julho de 2010, na sede da ONU em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Por Daniel Mello, da Agência Brasil

crackPara recuperar os usuários de crack é preciso oferecer alternativas ao prazer gerado pelo uso da droga. A opinião é do articulador nacional da Central Única de Favelas (Cufa), Preto Zezé, para quem essa é uma questão que deve ser levada em consideração, principalmente quando se trata de pessoas carentes.

“Vamos tirar o crack do morador de rua. Você vai chegar nele e dizer: o crack está te matando, e o cara gozando”, ironizou durante debate no 4º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Sem perspectivas, o usuário dificilmente abandonará a droga, ressaltou o coordenador do Conselho Municipal de Políticas Públicas de São Paulo (Comuda), Luís Alberto de Oliveira. “Se eu não der uma perspectiva de saúde, de qualidade de vida para essas pessoas, é mais fácil continuar fumando”, afirmou.

A falta de integração nas políticas públicas é outro problema apontado por Oliveira no combate ao crack. “Nós trabalhamos no varejo, em tudo, no tratamento, na prevenção, nas políticas públicas. Escolta [acompanha] uma coisinha aqui, outra coisinha lá. E, por uma questão até de cultura, dissociantes. Um não fala com o outro, não troca ideia, não soma energia”, considerou.

Ele também destacou a falta de coerência no enfrentamento do uso abusivo de drogas. “Nós somos convidados pela televisão a usar drogas”, ressaltou, referindo-se às propagandas de bebidas alcoólicas. O álcool, lembrou o médico, abre espaço para o uso de substâncias mais pesadas. “Começamos a usar pelo álcool, e daí o álcool se torna uma droga menor e eu quero uma coisa que me dê mais embalo”.

Além de mudar a maneira de encarar o álcool, Oliveira disse que a questão das drogas não deve ser tratada como um problema para ser resolvido apenas com ações policiais. “A descriminalização [das drogas], sem dúvida, é o caminho obrigatório. A droga não é [apenas] um problema da polícia, é também um problema de polícia”.

Preto Zezé defendeu mudanças na legislação em relação aos pequenos traficantes. Segundo ele, jovens negociando pequenas quantidades de droga acabam entrando ainda mais no mundo do crime se forem para o sistema carcerário. “Ao aplicar o crime hediondo no adolescente com 14 pedras de crack, eu pergunto: nós resolvemos um problema ou criamos um muito maior?”, questionou.

Uma proposta apoiada pelo governo federal para instituir penas alternativas a pequenos traficantes foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no fim do ano passado.

Quarta, 17 Março 2010 19:58

Porque estamos fazendo história...

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Por Walter Eudes

Não há luta coletiva que não resulte em transformação social. No âmbito das lutas libertárias os esforços às vezes transpassam gerações até a conquista sublime, a vitória almejada. Do nosso Brasil, do nosso Pernambuco, este ano de 2010 nos lembra entre muitas e muitas pautas uma em destaque: nossa herança escravista. Este ano celebra-se o centenário de morte de quem talvez tenha sido o maior vulto abolicionista da história brasileira: Joaquim Nabuco.

Persona que se dedicou aguerridamente em causa libertária, por questão coletiva, a uma pauta tri-secular. Hoje, lembrar este político, reverenciar sua trajetória de vida é honrar a benéfica herança política pernambucana e brasileira, bem como combater a maléfica herança da escravidão que ecoa em seqüelas ainda hoje.

Façamos nossa parte, nós que dispomos de algum meio a reverenciar Nabuco, porque lembrar o passado em suas bonanças ou mazelas é também fazer história.

Vislumbremos a possibilidade de um futuro melhor à nossa coletividade através dos esforços no tempo presente com compreensão do passado. Reavivar a memória de Nabuco, bem como fazer leitura de sua luta na atualidade, especialmente interpretando os ecos da escravidão, reconhecendo as seqüelas da mesma, é nos pormos em contundentes e esperançosos esforços de um país, de uma gente liberta e respeitada em sua dignidade.

O próprio Nabuco percebeu que a causa abolicionista não parava na burocracia assinada pela Imperatriz Regente. Notou ele que se estenderia a escravidão em conceitos, em relações sociais, em falta de oportunidade no país, em todos os âmbitos, a escravos e descendentes destes.

Assinalou ainda que a única forma de reverter o percurso da escravidão seria como que re-conceitualizar todos os organismos sociais que estiveram a aplicá-la em suas estruturas, algumas por mais de três séculos.

Entramos no século XXI com este tabu histórico cada vez mais escondido e intocável e também com estruturas sociais, institucionais, políticas, econômicas e culturais em nosso país com resquícios de pensamentos escravocratas.

Rompemos há pouco mais de 100 anos os vergonhosos grilhões da escravidão. Quantos anos ainda nos faltam para rompermos outros grilhões, os da inconsciência? Salve Nabuco!

Walter Eudes é comunicador social em Limoeiro, no Agreste Pernambucano.

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Os participantes do IV Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que se encerra nesta quarta-feira (17), em São Paulo, receberam o primeiro número da revista Soluções, publicação especializada que trará a cada edição entrevistas, reportagens e debates sobre os temas mais relevantes da segurança pública.

Na primeira edição um dos destaques é uma reportagem sobre a redução da criminalidade no bairro de Santo Amaro no Recife. Nos posts abaixo reproduzimos o conteúdo da matéria.

Quarta, 17 Março 2010 18:16

E Santo Amaro se acalmou

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Publicado na revista Soluções, edição número 1 –página 29

Santo Amaro já foi o bairro mais violento do Recife. Nos últimos três anos, registra uma queda de 70% no número de homicídios. Aquele que já foi o bairro mais temido da capital pernambucana transformou-se num símbolo da política de segurança pública do Estado.

Implementado em maio de 2007, o programa “Pacto Pela Vida”, um conjunto de 138 ações que abrangem desde a prevenção social até a inteligência policial, passando pela melhoria da infraestrutura das polícias, educação, resgate da cidadania e reinserção social, nasceu de uma ampla discussão entre governo, sociedade civil e demais poderes.

1“A gente vivia preso dentro de casa. Em dias de calor, não podíamos nem sentar na porta de casa para tomar um ventinho, com medo de levar um tiro”, recorda-se dona Mariado Bom Parto, moradora do bairro.“Hoje, sentamos, conversamos e colocamos as crianças para brincar. Está uma tranquilidade.” Carlos Alvez,vizinho de dona Maria, também reconhece que o bairro está com nova fisionomia. “Eu nasci, cresci e moro em Santo Amaro. Antigamente, era fácil ver gente armada aqui nas ruas.

Viviam assaltando a gente. Hoje, com o melhor policiamento, esta super tranquilo”, relata Alves. Como iniciativas isoladas tendem a ter capacidade limitada de geração de resultado, Santo Amaro foi o primeiro bairro do Recife a receber o programa “Governo Presente”,iniciado em dezembro de 2008 com o objetivo central de resgatar a cidadania em áreas de vulnerabilidade à violência. Um dos principais desafios do programa era evitar que desentendimentos entre vizinhos ou brigas entre casais acabassem em mortes. Eduardo Santos Morais, genro de dona Maria, atesta a qualidade do programa: “Aqui, os brabos ficaram mansos. Inclusive eu”.

 
De dezembro de 2009 a fevereiro de 2010, não houve homicídio em Santo Amaro. “Esse resultado é uma prova de que não há comunidade violenta,que todo mundo quer viver em paz. Se o governo estiver próximo,essa possibilidade é real”, afirma o secretário de Articulação Social e coordenador do “Governo Presente”, Waldemar Borges.

Relata o capitão Daniel Pereira,responsável pelo batalhão da PM em Santo Amaro, que o carnaval de 2010 foi o primeiro, em cinco anos, sem registro de homicídios no bairro. Para o oficial, a participação da comunidade em parceria com a polícia é ponto importante da redução da violência. “Aqui tinha homicídios todos os dias. Agora, não. Os moradores passaram a apoiar o trabalho da polícia”, conta.

Para diminuir a violência em Santo Amaro, o capitão explica que o batalhão aplicou conceitos de qualidade na rotina diária de trabalho. “Fizemos um estudo inicial do motivo de morrer tanta gente no bairro. Então, mapeamos o bairro e passou-se a trabalhar intensamente no horário em que mais ocorriam homicídios, o período da tarde.” O oficial explica que a melhor gestão estende-se ao apoio do serviço de informação da atividade de inteligência policial e ao auxílio da Polícia Civil,que dá suporte por meio de ações operacionais de investigação. “Com isso, hoje, não chegamos depois que o crime acontece. Conseguimos trabalhar na prevenção da violência e reduzir os índices de homicídios em Santo Amaro”, informa Pereira.

2Além do policiamento ostensivo e das ações de investigação, um processo de humanização do trabalho dos PMs, conhecido por “Polícia Amiga”, ganhou o apoio das lideranças comunitárias do bairro, antes resistentes à atuação policial. Edilson José da Silva, o Tito, foi um dos moradores a mudar sua percepção sobre o trabalho policial. Nascido na comunidade João de Barros e presidente da Associação de Moradores, Tito é um dos principais incentivadores da articulação de toda a sociedade no combate à violência, um dos pilares do “Pacto Pela Vida”.

“A comunidade percebeu a melhoria. Digo a eles que não basta só olhar de longe. Temos que nos envolver. A redução da criminalidade depende de nós também. Há alguns anos,não podíamos ficar parados conversando.Hoje, tem mais polícia e menos violência”, analisa.

 A decisão de criar o “Pacto Pela Vida” como uma política de Estado e não apenas como um programa de governo veio da certeza, por parte da administração pernambucana, de que não só eram muitas e complexas as causas da violência no Estado,mas também havia falhas nas medidas tradicionais de agir e no controle de resultados. Afinal, Pernambuco apresentava, na primeira metade da década, um quadro de potencialização da violência, em patamares superiores à média nacional.Reconhecendo que perdia a luta contra o crime e a violência no Estado, o governo estadual, após dialogar com outros poderes e com a sociedade, definiu seis frentes para o programa. Na repressão qualificada da violência, a Defesa Social passou a promover gestão integrada das polícias (Militar, Civil, Científica e Corpo de Bombeiros). Uma força tarefa de combate aos grupos de extermínio e às redes criminosas foi constituída, ao mesmo tempo em que se promoveu fortalecimento e ampliação de penas alternativas e aumento da oferta de vagas do sistema prisional por meio de parcerias público privadas (PPPs) – 3.600 vagas em seis presídios.

Outra frente avançou no aperfeiçoamento institucional, com o estabelecimento, para as polícias Militar e Civil, de políticas de recursos humanos, procedimentos operacionais padrão, programas de avaliação de desempenho, além da atualização do Código Penitenciário de Pernambuco. A parte de informação e gestão do conhecimento foi prestigiada com a expansão da Gerência de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social, a base para a gestão integrada das polícias e das políticas de prevenção social do crime e da violência. Para ter clareza e transparência sobre a conjuntura criminal no Estado, desde 2007 são apresentados boletins trimestrais e informes mensais com as estatísticas de violência.

 Cursos de formação regular e continuada para as polícias Militar e Civil, conselhos tutelares da infância e da adolescência foram ampliados, e houve maior atenção à promoção de atividades de educação profissional para adolescentes e jovens em situação de risco social. Na mesma linha, os programas de prevenção social do crime e da violência de todas as secretarias da área social foram unificados por intermédio do “Programa Transversal”, específico em áreas de vulnerabilidade à violência.

 E, para envolver cada vez mais a sociedade na busca por soluções em segurança pública, foram criados mecanismos permanentes de controle social: conselhos estaduais e comunitários, conferências e fóruns estaduais e regionais de segurança pública. A transformação mudou a cara do bairro e Santo Amaro parece cada vez mais calmo.

Quarta, 17 Março 2010 18:07

Superação de metas

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3Assim como as áreas mais violentas do Recife são acompanhadas permanentemente pela Central de Vídeo monitoramento da Secretaria de Defesa Social,que controla as 250 câmeras instaladas na cidade, as 138 ações do “Pacto Pela Vida” têm sua execução esquadrinhada por um batalhão de gestores e policiais diretamente envolvidos sob a coordenação e execução do programa, capitaneado pessoalmente pelo governador Eduardo Campos.

Toda semana, secretários de Planejamento,Defesa Social, Ressocialização e Articulação Social, além dos comandantes da PM e dos Bombeiros, da chefia da Polícia Civil, e da assessoria técnica e dos gestores de segurança pública, realizam reuniões para apresentação e discussão dos projetos e programas em curso, dos resultados alcançados e do andamento das metas estabelecidas, com metodologia própria, controle de prazos superação de metas e indicação de responsáveis. A última reunião de cada mês é presidida pelo governador Eduardo Campos.

Sentado no centro da mesa em formato de ferradura, Eduardo Campos observa, nos dois telões colocados diante de si, o andamento mensal de cada ação do “Pacto Pela Vida”.

 Os atrasos ou problemas precisam ser justificados, com as respectivas propostas de solução apresentadas por seus responsáveis.Para o governador, é este sistema de monitoramento sistemático e o esforço de toda a sociedade que vêm garantindo o sucesso do programa.“O ‘Pacto Pela Vida’ foi a superação de um tempo em que a violência só fazia crescer e hoje já temos três anos consecutivos de decréscimo. Além disso, construímos programas permanentes de prevenção integrada,estamos investindo no ensino em tempo integral e em ações sociais nas áreas vulneráveis à violência, no enfrentamento das drogas.”

Por Taíza Brito

“Nós, policiais militares, sob a proteção de Deus, estamos compromissados com a defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana”.

A frase acima, proferida pelo comandante de Policiamento da Capital de São Paulo, coronel Márcio Ananias Batista, em palestra sobre as estratégias de prevenção ao homicídio durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que começou segunda (15) e se encerra hoje (17), comoveu muito dos presentes no debate realizado na capital paulista. 

Sem dúvida, são valores como esses expressados na frase do coronel que devem nortear as polícias brasileiras no contexto contemporâneo de democracia e respeito aos direitos humanos.

Contudo, o Estado de São Paulo dá mau exemplo ao país ao não computar nas estatísticas oficiais de homicídios os casos de resistência seguida de morte, de civis mortos por policiais de folga e de policiais mortos em serviços, como é feito em Pernambuco. 
 
Ou seja, joga para debaixo do tapete um problema crescente enfrentado pelas forças policiais da capital paulista referentes à letalidade e mortalidade policial.

Todas essas mortes aumentaram 26% no Estado de São Paulo entre 2008 e 2009 (levantamento feito com base em dados divulgados no site da SSP/SP).

Para Philip Alston, relator das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, isso constitui um primeiro passo para a impunidade e não apuração dos casos de homicídios envolvendo policiais.
 
Um mecanismo eficaz e simples seria em agregar estes casos à estatística oficial de homicídios, de modo a dimensionar a magnitude do processo de violência que aquela sociedade atravessa.

Não para diluí-las na imensidão dos números, mas para incorporá-las como fatia de um problema de segurança pública de múltiplas facetas e que deve ser enfrentado de forma holística e sistêmica integrada pelo conjunto de instituições públicas, e em parceria com a academia e a sociedade civil organizada.

Desse modo, a letalidade e mortalidade policial passariam a ser enxergadas como problema de primeira ordem na pauta da política pública de segurança de São Paulo, em pé de igualdade com o resto de mortes violentas intencionais.

O que coadunaria com o compromisso externado pelo coronel Márcio Ananias em defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana.

krishnaO Recife sedia entre os dias 20 e 21 de março o VI Encontro Holístico de Pernambuco, com debates sobre esoterismo, terapias complementares e espiritualismo, no auditório da Livraria Cultura, no Paço da Alfândega.

A abertura acontece no sábado (20), a partir das 14h, com palestra de Denis Pinto com o tema Psicologia e Espiritualidade.

Na seqüência haverá apresentação de Zoraya Strobl sobre auto-desenvolvimento e evolução pessoal através do desenvolvimento da consciência.

A organização Brahma Kumaris em Pernambuco participa do evento com duas palestras. Uma sobre o tema Alimentação Sattva, tratado por Rosa Pimentel, que abordará como hábitos que moderam e modulam o comer e o beber podem lançar os alicerces para a vida espiritual. A outra discutirá o tema “Amando a mim mesmo a partir de dentro, desenvolvido por Eliane Martins Rangel, que se propõe a mostrar como é possível transformar a vida pelo auto-amor.

Ainda participarão do evento os palestrantes Antonio de La Maria (Os rosacruzes e as profecias para 2012), Ivanise de Almeida (Toque neuro cutâneo), Cleverson Montenegro (A semente, reflexões sobre nascimento, vida e mais vida), Milton Araujo Meiva Filho (As profecias apocalípticas).

Também haverá sorteio de atendimentos no Kannon Consultório de Terapia Holística Integradas e no local haverá consultas de Tarô e Runas e serviços de reflexologia podal, máscara facial de argila e numeroscópio, além da venda de florais de Bach.

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Por Taiza Brito

O Movimento Educacional para Cidadania (MEC), formado por agentes comunitários de saúde que atuam no Alto de Santa Isabel, em Casa Amarela, está convocando crianças e jovens a participarem da reabertura da sala de leitura instalada na sede do Conselho de Moradores. O espaço, batizado com o nome do poeta Nelson Barros, volta a funcionar na próxima quinta-feira (18), com o intuito de incentivar a leitura na comunidade.

“Temos mais de mil livros disponíveis aqui doados pela Biblioteca de Casa Amarela, escolas e moradores”, informou o agente de saúde e estudante de jornalismo David Antônio da Silva, um dos idealizadores do projeto. Quem for à sala de leitura pode se cadastrar como usuário e pegar emprestado dois livros a cada vez.

Segundo David, o projeto da sala de leitura teve início em outubro de 2009, prestando serviço até meados de dezembro. “Tivemos um intervalo durante as férias escolares e agora voltamos a ofertar o serviço”, explicou.

O espaço para instalação da sala foi cedido pelo presidente do Conselho de Moradores, Reginaldo Correia de Araújo, que já havia disponibilizado outra sala para que os integrantes do MEC ofertassem curso de espanhol básico. “As aulas foram dadas ano passado por duas voluntárias da Fafire, que neste semestre vão ministrar o curso de nível intermediário para os alunos que concluíram a primeira etapa.

“O Conselho de Moradores apóia as iniciativas dos integrantes do MEC, que demonstram estar preocupados com a ocupação dos jovens da comunidade”, destacou Reginaldo.

David disse que o objetivo do grupo, que atua desde 2005 realizando atividades com os jovens do Alto de Santa Isabel, é dar alternativas para que eles saiam da ociosidade. “Como circulamos muito pela comunidade em função da nossa atividade como agentes de saúde, vemos que muitas crianças e jovens passam muitas horas na rua, sem fazer nada. E com a sala pretendemos contribuir com um espaço onde eles possam se ocupar ampliando seu universo de leitura”, explicou.

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Por Taiza Brito

 O Movimento Educacional para a Cidadania atua no Alto de Santa Isabel desde 2005 e é formado por seis dos 20 agentes comunitários de saúde que atuam na comunidade. “Como naturalmente, no exercício do nosso trabalho, temos que nos dividir em grupos para trabalhar com idosos, mulheres, jovens, nosso grupo enxergou a oportunidade de ampliar esta ação por meio do MEC”, explica David Antônio da Silva.

Ele disse que para repassar informações sobre saúde preventiva para os jovens eles sempre usam da criatividade. “Se você abordar um jovem dizendo à queima-roupa que ele precisa se informar para prevenir, não consegue cativá-lo, por isso tentamos repassar noções importantes de saúde preventiva por meio de teatro, oficina e atividades lúdicas”, ensina David, que junto com o grupo do MEC já promoveu peças teatrais, cursos de reciclagem e apresentações de caráter educativo.

O grupo também já fomentou ações esportivas na comunidade e está sempre se reunindo para planejar atividades que atraiam a atenção dos jovens. “Assim nosso trabalho tem maior penetração”, comemora.

Terça, 16 Março 2010 15:23

Gandhi e o desenvolvimento sustentável

Escrito por

gandhiPor Ricardo Young*

Uma das encruzilhadas do desenvolvimento sustentável é o aparente paradoxo entre crescimento econômico, inclusão social e manutenção do equilíbrio ambiental. Na nossa tradição capitalista, aprendemos que estes fatores são mutuamente excludentes. Ou se tem crescimento econômico, ou inclusão social ou equilíbrio ambiental. Estamos tão dominados por uma mentalidade econômica tradicional que deixamos de adotar princípios éticos singelos até, mas que fazem toda a diferença na maneira como lidamos com as coisas do cotidiano.

Vamos refletir sobre a doutrina da não-violência. Afinal, o que ela tem a ver com a sustentabilidade? Tudo.

Gandhi baseou as ações que mobilizaram milhões de indianos pela independência da Inglaterra na “não-violência”, que não é uma ideologia ou uma corrente filosófica. Não-violência pode ser mais bem definida como uma série de conceitos sobre moralidade, poder e confl it o que rejeita completamente o uso da violência nos esforços para a conquista de objetivos sociais e políticos.

Gandhi distinguia dois tipos de violência: a violência ativa, que é aquela praticada contra o outro por meio do uso da força física ou do aparelho repressivo do Estado; e a violência passiva, cometida diariamente por cada ser humano, de forma consciente ou inconsciente.

Controlando a sua própria violência passiva, que vem “de dentro” do ser humano, é possível derrotar a violência ativa, “de fora”. Foi a partir desta constatação que Gandhi elaborou uma de suas frases mais famosas; “Devemos ser a mudança que queremos instituir no mundo”.

A violência passiva permeia o consumo desenfreado, a busca por lucros exorbitantes, o desperdício, o desrespeito, a falta de compaixão.

Para dar exemplo de como esta violência está nos nossos menores atos, quero repetir aqui uma história sobre Arun Ga n dhi, neto do Mahatma.

Na infância, Arun era considerado um garoto muito rebelde e até briguento. Por isso, numa determinada época de sua vida, seus pais o enviaram para morar com o avô. Como responsável pela educação da criança, Gandhi dedicava uma hora por dia para conversar com Arun sobre a não-violência. O garoto, na melhor das hipóteses, ouvia. Entender, não entendia. Até que certa vez, fazendo os deveres escolares, ele começou a reclamar do lápis, já num tamanho pequeno. Irritado, num certo momento atirou-o pela janela. Depois, na conversa diária com o avô, contou o fato e pediu um lápis novo para completar as lições.

Gandhi, inconformado com o ato de descarte, crivou o neto de perguntas: por que jogou fora? Não era mesmo possível usá-lo para outra atividade que não fazer deveres de casa? Pensou em quanto trabalho agregado havia naquele pequeno toco de madeira? Quantas árvores foram necessárias para produzi-lo? Enfim, q uanto esforço humano e da natureza havia sido desperdiçado num simples gesto? Sem esperar pelas respostas, Gandhi ordenou (com doçura): vá recolher o lápis.

Arun ainda tentou escapar da tarefa, alegando mil desculpas: não sei onde joguei, está escuro lá fora, é só um toco de lápis, etc. Gandhi não lhe deu ouvidos. Deu-lhe isto sim uma lanterna e disse: “Sempre sabemos o que fazemos, então, você há de se lembrar onde jogou o lápis. A lanterna há de iluminar o quintal e a sua mente também”.

Ao voltar com o toco do lápis, Arun ouviu a conclusão feita por Gandhi:
- Se tirarmos da natureza recursos que não utilizamos, estamos praticando uma violência contra a terra que nos abriga e alimenta; desperdício é violência

- Não é porque há grande quantidade de produtos nas lojas que precisamos comprá-los. Consumo inconsciente desregrado priva outros seres de satisfazer suas necessidades;

- O toco do l ápis tem trabalho de alguém. Jogá-lo fora significa desrespeitar este esforço.

Estas três conclusões podem muito bem ser aplicadas à economia de baixo carbono com inclusão social. Esta bem pode representar a materialização dos ideais de Gandhi num novo modo de produzir e consumir. Desenvolvimento sustentável, no fim das contas, não seria o despertar da consciência a respeito da violência passiva que cometemos contra a natureza e contra a sociedade?

* Ricardo Young é empresário e presidente do Instituto Ethos.

Segunda, 15 Março 2010 18:42

Consumo sustentável

Escrito por

consumo_sustentavelPor Ericka Melo

O ciclo de duração dos produtos e os seus impactos socioambientais estão influenciando mais do que o preço e a marca na hora da compra. Isso porque a popularização do debate sobre questões ambientais, como as mudanças climáticas e seus efeitos na vida do planeta, estão fazendo com que cada vez mais pessoas se preocupem com o meio ambiente.

De acordo com a pesquisa ‘Consumo em tempos de crise’, feita pela empresa de pesquisas de opinião Observatório de Sinais (ODES), 89% dos entrevistados acreditam em uma forte relação entre o excesso de consumismo e o aquecimento global, enquanto 84% afirmam priorizar produtos nacionais no momento da compra, indicando que querem produtos feitos localmente.

Para a ODES, 93% dos brasileiros entrevistados declararam que vão comprar cada vez mais produtos sustentáveis e 33% afirmam que saber a origem do produto é decisivo para a escolha.

Segunda, 15 Março 2010 18:25

Pnud quer que países ricos cumpram promessa

Escrito por

Marcelo Torres, da Rádio ONU

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, pediu aos países ricos para cumprirem promessa de ajuda às nações menos desenvolvidas, em busca do alcance das metas do milênio para erradicação da pobreza global.

O apelo foi feito durante a ‘Conferência Agenda 2010: Virada na Luta contra a Pobreza’, que aconteceu na capital britânica.

“A chefe do programa da ONU, Helen Clark, lembrou que muitos países já conseguiram resultados expressivos no combate à pobreza.

Ela citou o caso da Etiópia, que triplicou a rede de escolas primárias desde o ano de 1990. Lembrou também que o Malauí foi capaz de reduzir em 40% a taxa de mortalidade infantil no grupo de crianças de até cinco anos de idade.

Apesar disso, Clark lembrou que mais de um bilhão de pessoas ainda passam fome em várias regiões do planeta. Segundo ela, se não houver parcerias com países desenvolvidos, as condições de vida nesses lugares terão um retrocesso em vez do avanço previsto há uma década.

Os ‘objetivos do milênio’ foram definidos pelos países-membros da ONU em 2001. A ideia era erradicar a pobreza do planeta até 2015. A cinco anos da data anunciada, a crise financeira internacional trouxe dificuldades aos trabalhos, mas segundo Clark, ainda é possível cumprir a meta”.

A Conferência de Londres antecede a Cúpula Especial sobre as Metas do Milênio que vai acontecer em Nova York em setembro.

Por Carol Bradley

Em comemoração ao Dia Mundial do Consumidor, comemorado hoje, o Grupo Carrefour anunciou uma importante iniciativa: a eliminação, nos próximos quatro anos, do uso de sacolas plásticas em toda a sua rede de lojas no Brasil. Outros países em que a rede atua, como Bélgica, Espanha, França e Polônia, já adotaram essa prática.

A medida envolve não apenas o Carrefour, mas também as redes Atacadão e Dia. E valerá tanto para as sacolas plásticas entregues ao consumidor quanto para os sacos plásticos utilizados dentro das lojas (para acondicionar frutas e legumes, por exemplo).

Para compensar possíveis impactos negativos, as redes oferecerão opções para o transporte das compras, como sacolas retornáveis vendidas a preço de custo e caixas de papelão usadas nas lojas, entre outras.

Além disso, a empresa desenvolveu, com apoio da Basf, uma sacola de material bioplástico 100% degradável, com capacidade para até dez quilos.

E, para quem tem o hábito de usar as sacolas plásticas para acondicionar o lixo doméstico, o Carrefour oferecerá sacos de lixo produzidos com plástico reciclado, a um custo subsidiado. Certamente, uma iniciativa serve de exemplo para outras empreas do setor.  

Por José Eustáquio Diniz Alves*

A energia renovável (eólica, solar, biomassa, etc) conta com a simpatia da maioria da população. Toda pessoa de bom senso confia nas fontes de energia que não emitem CO2 e que são renováveis, limpas e infinitas (pelo menos enquanto existir o Planeta). Mas muitas pessoas dizem que estas energias são caras e que não há dinheiro que pague a gradativa substituição das fontes fósseis e a menor dependência do petróleo, do gás e do carvão (inclusive o carvão vegetal feito com a derrubada de matas nativas).

Cabem então duas perguntas: 1) a energia renovável é muito cara? 2) Existe dinheiro para investir na criação de uma matriz energética limpa?

Resposta à primeira pergunta: o custo de qualquer tipo de energia é alto, principalmente quando se está no início do processo de produção. Mas não tão caro que não valha a pena fazer a transição da economia de alto carbono para a de baixo carbono. Com os ganhos de escala e a experiência adquirida os custos unitários tendem a diminuir. Vejamos somente dois exemplos.

Existe um projeto de producão de 100 GW de energia (equivalente a cerca de 8 usinas de Itaipu) por meio da Energia Solar Concentrada (CSP - Concentrated Solar Power) no deserto do Saara, no norte da África, ao custo de U$ 555,00 bilhões. O projeto pretende colocar múltiplas usinas CSP ao longo do deserto, ocupando uma área menor do que a do lago da represa de Assuã, no Egito (que gera somente 3 GW de energia) e transmitir a energia para o Oriente Médio e a Europa por meio de linhas de alta-voltagem. Instalada esta primeira parte do projeto, as ampliações ficariam por um custo muito menor. Uma vantagem adicional deste projeto é fornecer água para o norte da África e criar uma cobertura vegetal nos terrenos estéreis (que sirva para capturar CO2). O impressionante é que um retângulo ocupando um pequeno pedaço do deserto do Saara pode fornecer uma área suficiente para gerar energia elétrica para todo o mundo.

A capacidade eólica mundial instalada, em vigor no final de 2009, era de 158 GW o que significa uma produção anual de 340 TWh (Terrawatts hora) de eletricidade limpa, que por sua vez economizou a emissão de 204 milhões de toneladas de CO2 por ano. Somente no ano de 2009 (ano de recessão econômica mundial) a capacidade instalada de energia eólica no mundo foi de 37 GW (equivalente à quase 3 Itaipus). Ao longo dos últimos 20 anos, o custo da eletricidade gerada pelos ventos diminuiu mais de 80%. No início de 1980, quando os primeiros aero-geradores foram instalados, o custo de eletricidade era de 30 centavos de dólar por quilowatt-hora (kWh). Agora, as novas instalações de energia eólica podem gerar eletricidade por menos de 5 centavos de dólar o kWh, um preço que já é competitivo com as usinas termelétricas a gás ou carvão. Segundo David MacKay, os custos da energia eólica já são menores do que os da energia solar e estão ficando competitivos com as usinas de carvão.

Portanto, com investimentos na casa de um trilhão de dólares ao ano, o mundo poderia dar uma enorme arrancada na produção de energia solar e eólica. A partir de uma ampla base instalada, haveria ganhos de escala e o preço da energia por kWh se reduziria muito. Ao contrário, se nada for feito, o custo do aquecimento global será enorme. Segundo Eban Goodestein, o custo do derretimento das geleiras no Ártico pode custar de US$ 2,4 trilhões a 24 trilhões de dólares à agricultura global, aos imóveis e às seguradoras, causados pelo aumento do nível dos oceanos, enchentes e ondas de calor. Outro exemplo dos danos causados pela exploração da energia fóssil: o governo dos EUA pagou cerca de US$ 35 bilhões nos últimos 30 anos para cobrir as despesas médicas dos mineiros de carvão que sofrem da doença do “pulmão negro”. Assim, é melhor investir agora do que remediar no futuro.

Resposta à pergunta sobre a existência de recursos: o PIB mundial equivale a cerca de 60 trilhões de dólares produzidos a cada ano. Com uma pequena fração deste valor, aplicado anualmente, teríamos a limpeza da matriz energética em pouco tempo. Mas não precisamos lidar com cifras tão altas. Basta olhar para os gastos militares do mundo, de US$ 1,5 trilhão de dólares e o déficit público dos EUA, que no ano passado foi de US$ 1,6 trilhão. Para a próxima década, o orçamento encaminhado ao Congresso pelo presidente Barack Obama, estima despesas totais de US$ 45,8 trilhões e receitas totais de US$ 37,3 trilhões, entre 2011 e 2020. Assim, os EUA, na melhor das hipóteses, terão um déficit público acumulado de US$ 8,5 trilhões na década. Este dinheiro seria suficiente para mudar o quadro energético mundial.

O deficit público dos EUA está sendo financiado pelos países superavitários da comunidade internacional, inclusive o Brasil. Ou seja, grandes parcelas da população mundial estão sustentando os altos gastos militares e um alto padrão de consumo (em grande parte sujo e poluidor) do povo norte-americano, ao invés de investirem em fontes renováveis e limpas de energia. Portanto, o mundo está adiando a limpeza do Planeta e a construção de uma matriz energética confiável e inesgotável para, dentre outras coisas, financiar o déficit público dos Estados Unidos da América.

Conclusão: Se o mundo gastar entre US$ 1,5 ou 1,6 trilhões de dólares ao ano (o valor dos gastos militares mundiais ou do déficit público dos EUA em 2009) poderia ter, no mínimo, 50% das necessidades energéticas cobertas por energia limpa até 2030, reduzindo drasticamente a emissão de CO2 e mitigando o aquecimento global. Portanto, existe dinheiro para construir uma matriz energética verde e limpa no mundo durante as proximas décadas. Basta mudar as prioridades, reduzindo os gastos militares, e penalizar o consumo conspícuo e poluidor. O dinheiro poupado com a redução das atividades que estão destruindo o Planeta seria suficiente para implantar fontes limpas e renováveis de energia, que poderiam gerar empregos verdes, além de bens e serviços para aumentar a qualidade de vida da população mundial, em maior harmonia com a natureza.

Referências:
World’s Largest Solar Project Planned for Saharan Desert

DESERTEC Foundation

Wind Energy Costs

PEW - Arctic Treasure

Robert J. Samuelson. Who’ll Pay the Piper? Newsweek, 5/02/2010

David Mackay, Sustainable Energy - without the hot air

José Eustáquio Diniz Alves, Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE, é colaborador e articulista do Ecodebate. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

A necessidade de redesenhar novos padrões de consumo foi o tema de um dos debates do Fórum Econômico Mundial, que aconteceu no final de janeiro, em Davos (Suíça). Entre os debatedores estavam Mark Parker (EUA), presidente e CEO da Nike, Paul Polman (Inglaterra), CEO da Unilever, Leo Apotheker (Alemanha), CEO da SAP, e Harish Hande (Índia), diretor da SELCO Solar Light, uma empresa de energia renováveis.

O debate partiu de uma questão básica: se a maioria dos consumidores atualmente está disposta a comprar produtos sustentáveis, de acordo com várias pesquisas, como os modelos de negócio deveriam ser redesenhados para incorporar valores sustentáveis para o consumidor? Veja um resumo das principais conclusões:

  • As empresas precisam assumir a liderança e influenciar o comportamento do consumidor enquanto adotam novos modelos de negócios que otimizem os lucros sem destruir os recursos naturais
  • Os novos modelos de negócios deveriam incluir tanto mudanças incrementais quanto mudanças estruturais e mais profundas
  • Uma ação imediata e proativa é necessária em todos os elos da cadeia de fornecedores; isso só pode ser conseguido por meio de parcerias
  • As empresas são responsáveis por educar os consumidores e por influenciar uma mudança no seu comportamento. Atualmente, 90% dos consumidores afirmam que gostariam de contribuir positivamente para a sustentabilidade, mas não querem pagar a mais por isso.
  • O crescimento deveria ser desconectado do impacto ambiental, e as iniciativas das empresas não devem ser baseadas em filantropia
  • Para lidar com gerenciamento de recursos naturais e de impactos ambientais a transparência é fundamental, tanto dentro das empresas como na comunicação com os consumidores. Estabelecer padrões e rotulagens para comunicar o impacto ambiental dos produtos pode ajudar as empresas e os consumidores a otimizar o uso dos recursos naturais.
  • O mesmo princípio de transparência deveria levar as agências de publicidade a recusarem a prática do “greenwashing” – criar uma falsa imagem de empresa “verde” e sustentável
  • As empresas não devem ficar esperando nem por regulamentações governamentais, nem que os consumidores demandem por mudanças.

(Instituto Akatu)

Sábado, 13 Março 2010 15:10

Unidos do Escailabe reúne samba e solidariedade

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Encerrando a série “Recife por trás dos Morros” trazemos a experiência do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos do Escailabe, que promove aulas de percussão para crianças e adolescentes do Alto José do Pinho, na zona norte do Recife.P3120018

Por Taíza Brito

A Escola de Samba Unidos do Escailabe completa dois anos no próximo mês, mas já tem um currículo de vitórias. No primeiro ano em que enfrentou a passarela no Recife, no grupo de aspirantes, ganhou o troféu Destaque do Carnaval 2009. Este ano, já desfilando no segundo grupo sagrou-se campeã e conquistou vaga entre as escolas do primeiro grupo que irão desfilar no Carnaval de 2011.

Por trás desta meteórica história de sucesso está o sambista Edilson Rodrigues de Souza, o Gugu Tamburim, de 56 anos. Que fundou a escola com o intuito de dar oportunidade a crianças e adolescentes do Alto José do Pinho de aprenderem percussão e disseminar o amor pelo samba.

“No começo todo mundo pensou que eu estava cometendo uma loucura. Mas consegui apoio da associação de moradores e fui em frente com o projeto”, explica Gugu, ao dizer que fez uma exigência aos interessados em participar das aulas. “Que estivessem matriculados e se mantivessem com notas boas na escola, pois solicitamos o boletim de cada um todo semestre para saber se tudo está indo bem”.

Para começar o trabalho Gugu comprou cinco instrumentos, recebeu a doação de mais 14 e conseguiu mais 10 emprestados. Os instrutores Paulo Roberto dos Santos, hoje diretor de bateria, e Tiago José dos Santos, mestre de bateria, se dispuseram a ministrar as aulas.

“Iniciamos o projeto, dando aulas às crianças e adolescentes e ao mesmo tempo fundamos a escola em 27 de abril de 2008. Quando ganhamos o troféu destaque do carnaval de 2009, aparecemos em jornal, foi que as pessoas compreenderam o que estávamos fazendo”, conta orgulhoso.

Para tocar o projeto da escola de samba e os ensaios, Gugu disse que fez bingo, rifa, pediu doações e contou com a subvenção da Fundação de Cultura da Cidade do Recife. “Essa parte oficial cobre apenas um pedaço dos custos para o desfile, mas para o trabalho do ano todo é preciso mais. Por isso estamos permanentemente na rua tentando sensibilizar os comerciantes do bairro, pedindo apoio aqui e acolá”, conta.

Sábado, 13 Março 2010 15:01

Grupo busca espaço para dar aulas de percussão

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As aulas de percussão promovidas pela Escola de Samba Escalaibe são dadas na rua mesmo. “É que nossa sede é pequena e não comporta todo mundo”, conta o diretor de bateria Paulo Roberto Santos.  Ele diz que a luta da escola agora é conseguir uma área para dar continuidade ao trabalho.

“Demos uma parada agora depois do carnaval para ver se conseguimos esse local, pois assim além de maior comodidade para os alunos, poderíamos receber mais jovens”, completa o mestre de bateria Tiago José dos Santos.

Atualmente 30 crianças e adolescentes estão cadastrados para receberem aula de percussão. As aulas são semanais e acontecem em frente à sede da escola, na rua Nossa Senhora Aparecida.

Participe deste projeto:

Fone: 3304.1392/8513.8397 (Guga)

E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.    

Sexta, 12 Março 2010 22:00

Muro não resolve problemas sociais

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Por Carol Bradley

Começou no Rio de Janeiro a instalação das chamadas “barrerias acústicas”, nas Linhas Vermelha e Amarela, consideradas as principais vias expressas da capital fluminense.

Na realidade, barreira acústica é só um nome mais “bonito” para tratar o muro de concreto de três metros de altura que a Prefeitura do Rio de Janeiro vai usar para isolar comunidades carentes, como o Complexo da Maré e Cidade de Deus.

A administração do município afirma que as barreiras protegerão os moradores das comunidades, do barulho dos carros e do risco de atropelamentos.

Ora, se a Prefeitura do Rio está tão preocupada com os moradores, por que não investir o recurso, previsto em R$ 20 milhões, em obras que de fato promovam uma melhoria na condição social destas pessoas?

Tapar a visão para as comunidades que se multiplicam nos morros da cidade não vai diminuir a violência urbana.

Porém, agir na raiz do problema, combatendo com severidade o tráfico de drogas, investindo em educação e programas sociais, e em capacitação e valorização dos policiais são ações muito mais efetivas.

Há pouco mais de 20 anos, o mundo comemorou a queda do Muro de Berlim, que separava a Alemanha Oriental e Ocidental, acabando com aquele monumento gerado pela guerra fria.

Levantar barreiras para segregar populações significa exclusão e retrocesso, impedindo a construção de um futuro mais justo.
 

 

Sexta, 12 Março 2010 21:48

Pacto pela Vida no caminho certo

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Os números trazidos pelo Boletim Conjuntura Criminal, referente ao 4º trimestre 2009, mostram que as ações do Pacto pela Vida, implementado pelo Governo do Estado em maio de 2007 está no caminho certo.

Os dados foram divulgados hoje (12) pela Agência Condepe/ Fidem, que elabora o documento em parceria com a Secretaria de Defesa Social.

A seguir tópicos que ajudam a compreender os resultados divulgados:

• Em 2009, o número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em Pernambuco, foi de 4.016 vítimas, contabilizando 515 vidas salvas com relação a 2008, quando morreram violentamente 4.531 pessoas no Estado.

• A taxa de CVLI por 100 mil habitantes, reduziu 12,32%, atingindo a meta estabelecida pelo Pacto Pela Vida. Concretamente, a taxa de 2009 foi de 46,19 vítimas por 100mil habitantes, contra 52,68 em 2008.

• Os números de CVLI no 3º e 4º trimestre 2009, abaixo da linha de mil mortes/trimestre, foram os mais baixos da série histórica de 28 trimestres (desde 2003) que a SDS começou a contabilizar homicídios.

• Nove das 12 Regiões de Desenvolvimento (RDs) do Estado apresentam redução significativa entre 2008 e 2009, onde mora 88% da população do Estado. Apenas houve aumento dos CVLI em 3 RD (Araripe, Mata Norte, e Sertão Central), que concentram 12% da população.

• Na RD Metropolitana houve redução de 15% na taxa por 100 mil habitantes (335 mortes a menos). Em termos proporcionais, a redução record foi a do Sertão de Itaparica (-42% na taxa CVLI; 32 mortes a menos).

• O que demonstra o sucesso da Pacto Pela Vida, que combina critérios de universalização da política pública para todo o território pernambucano, com critérios de focalização das ações na gestão por resultados.

• Entre os 10 municípios acima de 100 mil habitantes do Estado, houve redução de 19% no seu conjunto. E, em todos eles, houve redução significativa, variando desde -50% em Garanhuns a -10% em Olinda. Recife, com queda de 17% na taxa, foi o campeão em números absolutos, com 161 vítimas fatais a menos, entre 2008 e 2009.

• Nos municípios entre 50 e 100 mil habitantes, a redução foi de 9% e nos de 20 a 50 mil habitantes, a redução foi de -2%. Apenas nos municípios com menos de 20 mil habitantes, observou-se aumento de 6%. Entretanto, estes representam apenas 13% do peso demográfico do Estado, contra 87% da população, que mora em municípios acima de 20 mil habitantes.

• Houve redução no número de mortes em todos os armamentos utilizados (arma de fogo, arma branca e outros objetos). Também reduziram os principais tipos penais (homicídios dolosos e latrocínios), o que demonstra o acerto do Pacto Pela Vida, ao integrar uma multiplicidade de estratégias e ações em uma mesma política pública (desarmamento, aumento das prisões em flagrante, aumento dos mandados de prisão cumpridos: redução da sensação de impunidade etc.).

• O número de vítimas de sexo feminino aumentou de 290 em 2008, para 299 em 2009, o que significa um aumento de 2% na taxa por cada grupo de 100 mil mulheres.
 

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