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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Domingo, 07 Março 2010 14:21

A arte de transformar lixo em cidadania

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Por Jailson da Paz

O que seria lixo para muitos é artigo de luxo para a organização Trapeiros de Emaús. Criada há 13 anos, a entidade sobrevive de doações de material reciclável. E, principalmente, de equipamentos e eletrodomésticos.

Nas oficinas da instituição, máquinas de lavar, fogões, televisões, ventiladores, móveis, roupas e brinquedos velhos são recuperados e postos à venda. “Já ganhamos até um carro”, lembra o diretor Tiago Nascimento. As oficinas funcionam na comunidade da Linha do Tiro, bairro Dois Unidos, no Recife.

Outras fontes de sustento do movimento são papéis, vidros, alumínio e plástico. Empresas públicas e privadas estão na lista dos grandes doadores dos materiais recicláveis, mas há também doações de pessoas físicas.

As doações, explica Tiago, podem ser entregues na sede da instituição ou o doador pode agendar a coleta por telefone. A entidade possui dois veículos que recolhem materiais nos municípios da Região Metropolitana do Recife.

O que se arrecada com a venda dos produtos tem destino certo: a  realização de cursos profissionalizantes. São oferecidos atualmente os cursos de refrigeração, eletricidade, manutenção de micros e rede, autocad e NR-10.

A Trapeiros de Emaús já capacitou mais de cinco mil pessoas em seus treinamentos. O movimento nascido na França, em 1949, está presente em mais de 40 países. No Recife, teve como fundador Luís Tenderine, ainda integrante da diretoria da instituição.

Serviço:
Trapeiros de Emaús
Rua Mamede Coelho, 53, Dois Unidos, Recife
Fone: 3451-2247

 

Segunda, 08 Março 2010 14:11

Uma rasteira no preconceito

Escrito por

O repórter de Política do Diario de Pernambuco, Josué Nogueira, trouxe para os leitores do jornal na edição do último domingo (7) as histórias de vida três líderes políticas que valem apena ser conhecidas: Isabel, Judite e Givânia. Exemplos de gente que deu uma rasteira no preconnceito.

Matéria publicada em 07.03.2010 na editoria de Política do Diario de Pernambuco

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, três líderes políticas contam como subverteram as estatísticas do fracasso

Josué Nogueira
Esqueça os prognósticos fatalistas, as sinas cruéis, a vida severina. As personagens que vêm a seguir enxotaram estatísticas, abraçaram a exceção, atropelaram o destino. Para muitos, qual o lugar de uma negra? Senzala, cozinha, tanque, roçado. Favela, área de serviço, elevador, dependência de empregados.

Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Na empresa, esfregão, balde na mão e uniforme para garantir a invisibilidade. No currículo, talvez a 5ª série, dois filhos ainda aos 15. Para as mulheres retratadas aqui, não. Estas inverteram o lugar comum, desrespeitaram a "lógica" da história. São líderes. Representam eleitores, comunidades, a sociedade, enfim.

Isabel, Judite e Givânia tem trajetórias semelhantes. Se apegaram à educação. Encontraram no conhecimento a foice para cortar os "nãos" comuns a trajetórias de meninas negras, de origem pobre e pais analfabetos. Onde chegaram? Isabel, 56 anos, ocupa cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Judite, 52, é prefeita de Lagoa do Carro, na Mata Sul. Givânia, ex-vereadora de Salgueiro, no Sertão Central, é coordenadora de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra em Brasília.

Até se instalarem onde hoje estão, as três fizeram da sala de aula o motor para transformações. Primeiro, como estudantes. Depois, como professoras. O saber lhes permitiu ver um mundo com mais possibilidades e menos empecilhos. Foi porta para a formação, emprego, ascenção. Foi arma para a luta contra preconceitos de gênero, social e racial. Foi, enfim, o intrumento para a conscientização sobre direitos, cidadania e, principalmente, o inconformismo necessário à transformação da realidade.


Foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Batizada em Petrolina, dias depois de ter nascido em Araçatuba (SP), Isabel Cristina de Oliveira é filha de um encarregado de obras e uma dona de casa. "Meu pai é do Sertão, mas foi tangido pela seca para sobreviver em São Paulo. Voltou logo que pôde", explica. A história de sofrimento da bisavó africana, contada ao longo dos anos pela família, ficou "internalizada", segundo relata. "Meu sentimento de buscar justiça e igualdade nasceu daí", frisa.

Foi no Engenho Canadá, terras que hoje pertencem a Carpina, onde Judite Maria de Santana Botafogo da Silva passou os primeiros 18 anos. Alfabetizada por uma professora que se tornaria sua cunhada, conta que enchia as paredes de letras escritas com carvão. "Enfrentei todos os vieses do preconceito. Primeiro por ser de formação agrária, de engenho. Mas também por ser mulher, negra, evangélica e viúva. Enfrentei esse pacote de ações preconceituosas com muito discurso, ensinamento".

Givânia Maria da Silva cresceu em Conceição das Crioulas, comunidade quilombola a 43 Km de Salgueiro. "Quando me entendi por gente me deparei com a realidade do meu povo, da minha comunidade. O que me motivou a entrar no campo político, não necessariamente partidário, foi perceber o quanto éramos discriminados", diz. "Diante do preconceito que ainda existe, para alguém nascida num quilombo, no semi-árido de Pernambuco, estar aqui é muita responsabilidade, mas mostra mudanças no país", completa.
Sábado, 06 Março 2010 21:02

O poder do esporte

Escrito por

*Por Dado Abreu

O conceito de caravana remete aos mercadores peregrinos, ambulantes que se juntavam em grandes grupos, carregavam camelos e atravessavam os desertos do Oriente. Nos rincões do Brasil, um projeto segue basicamente os mesmos princípios, com a diferença de não ser mercadológico. Pelo contrário, a iniciativa é ligada a questões sociais e à educação por meio do esporte.

Quem comanda a Caravana do Esporte é Adriana Saldanha, diretora do Departamento de Responsabilidade Social da ESPN Brasil. O projeto nasceu em 2005, com a parceria do Instituto Esporte e Educação, da ex-jogadora de vôlei Ana Moser.

No balanço desse período, a iniciativa contabiliza números bastante expressivos. Ao todo, 100 mil crianças e adolescentes já foram atendidos, 11 mil professores da rede pública de ensino participaram em um 41 municípios de 15 estados brasileiros.

A fórmula é basicamente a mesma: promover atividades esportivas em escolas da rede pública localizadas em cidades que, de acordo com a Ubicef, apresentam baixo Índice de Desenvolvimento da Infância (IDI).Populações ribeirinhas, povoados indígenas, periferias dos grandes centros urbanos, do semi-árido, comunidades quilombolas.

Crianças de todo o Brasil se beneficiaram das conquistas do projeto, que, entre os seus propósitos, tem o de incentivar ações nascidas nas escolas, capazes de envolver alunos, professores, funcionários e pais. Na prática, houve queda nos índices de evasão escolar e incentivo à políticas públicas que garantam os direitos da criança e do adolescente.

“Era para ser uma ação de um ano, pontual, mas foi um caminho sem volta. Não tínhamos mais como parar depois que o projeto começou”, revelou Adriana Saldanha durante uma entrevista que concedeu para mim, há não muito tempo. Em alguns lugares, a Educação Física não fazia nem mesmo parte da grade curricular. “Nós transformamos isso. Fizemos com que a prática esportiva estivesse no dia-a-dia das crianças, melhorando assim suas condições motoras, intelectuais, afetivas e trazendo uma série de outros benefícios”, completa a diretora do projeto.

No começo, os números eram mensurados após o retorno às cidades assistidas, mas a história cresceu e foi criado o Fórum da Caravana, que em sua última edição, em Aracajú, contou, entre tantos participantes, com representantes dos 41 municípios atendidos e de Auma Obama, meia-irmã do presidente americano Barack Obama e, acima disso, consultora da CARE Internacional em países africanos, ONG que utiliza o futebol e o boxe como instrumentos de educação.

Os números por onde a Caravana passou apontam para significativos 30% de queda na evasão escolar; 30% de aumento na participação do aluno em atividades propostas em sala de aula e 50% de crescimento no interesse do aluno pela escola.
Iniciativas como esta, são capazes de confirmar que atos individuais ganham proporção e repercutem na vida de muitos. E o esporte ainda é um bom caminho para gerar inclusão, qualidade de vida e perspectiva, em lugares onde o horizonte é mais estreito.

*Dado Abreu é jornalista e escreve para o blog asboasnovas.com.

 

A Organização Não-Governamental Centro das Mulheres do Cabo, que há mais de 30 anos milita no movimento feminista, vai promover caminhada para marcar os 100 anos do 8 de Março. 

O ato político cultural no Dia Internacional da Mulher já é tradição no município, onde a ONG realiza um belo trabalho de conscientização dos direitos das mulheres.

A concentração para a caminhada começa às 15h, em frente à Escola Municipal Marivaldo Burégio, que fica no final da avenida Avenida Historiador Pereira da Costa , no Centro do Cabo.

Serviço:
Centro das Mulheres do Cabo
Rua Padre Antônio Alves, 20, Centro, Cabo
Fone: 3524.9170
E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
 

Sexta, 05 Março 2010 16:05

Sorriso que encanta

Escrito por

2674728278_1edb9ccbe3_oFoto: Teresa Maia

Tem algo mais bonito que sorriso de criança? O desta garota, que brincava sem se preocupar com o tempo, no parque da Praça do Derby, no Recife, dia desses, atraiu o olhar de Teresa Maia. Que parou para clicar a imagem com a qual presenteia os leitores do blog.

kakawerahTradições, cura e paz serão abordados no próximo seminário da Unipaz Recife, que traz como palestrante o índio de origem tapuia, terapeuta, escritor, e ambientalista, Kaká Werá.

O convidado vem proferindo palestras sobre os temas indígenas dentro do contexto mundial para a ONU e oferecendo importante contribuição no trabalho de resgate, defesa, difusão e o desenvolvimento da cultura indígena brasileira, tendo realizado projetos sociais com os povos nativos, mais especificamente das nações Guarani e Krahô. O evento tem como tema "Trilhas da Evolução: As Dimensões da Cura" e acontece dias 5 e 6 de março na sede da instituição que fica na Rua Enéas Lucena, 244, no Rosarinho, no Recife.

Kaká Werá Jecupé é fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena, membro do Colegiado e do Conselho da Unipaz (RJ), membro do CIT-Brasil, professor da disciplina de Tradição Ancestral Brasileira dos cursos da Unipaz (RJ), conferencista internacional, empreendedor social e autor de diversos livros. É índio txucarramãe (guerreiro-sem-armas), batizado entre os guaranis. Trabalha como terapeuta, fazendo uso da medicina nativa (a cura através das plantas), com as danças sagradas indígenas.

O Instituto Arapoty estuda as tradições ancestrais indígenas como forma de promover a eco-sustentabilidade e desenvolve projetos parceiros com o arquiteto Marcelo Rosenbaum, como o “João de Barro”, que procura elementos para a bioconstrução.

O seminário faz parte da grade de programação 2010 da Formação Holística de Base da Unipaz (Universidade Internacional da Paz) Pernambuco.

As inscrições podem ser feitas no site www.unipazrecife.org.br ou pelo telefone 3244.2742.

Os leitores do Blog Viva Pernambuco podem participar desta corrente de mídia positiva colaborando com sugestões de pautas, escrevendo sobre alguma história de esperança, denunciando práticas ou situações que precisam ser modificadas. E também indicando iniciativas que valem apena ser visibilizadas.

A jornalista pernambucana Carol Bradley, que se mudou recentemente para Brasília, e acompanha diariamente as postagens do blog mandou a seguinte dica:

“Sugiro que a equipe do Viva Pernambuco conheça a experiência a ONG Comunidade dos Pequenos Profetas, comandada por Demetrius Demétrio. Porque eles trabalham com um público que muitos ignoram: crianças e jovens moradores das ruas do Recife, em sua grande maioria, drogados. Lá, os meninos e meninas recebem toda assistência social, educacional e contam atividades culturais. Essa ONG, por respeitar os objetivos do milênio recebeu um prêmio nacional”. 

Dica aceita, o blog recomenda o link da página na internet da ONG (http://www.projetoclarion.com.br/novosite/), que funciona na Rua Imperial, 185, Bairro de São José, no Recife. E no post abaixo falamos um pouquinho sobre o trabalho da entidade.


 

A Comunidade dos Pequenos Profetas (CPP-Projeto Clarion) é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que atende crianças e adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade social e pessoal, há mais de 20 anos, no Recife.

Na sua fundação, contou com o apoio do saudoso arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, conhecido dentro e fora do Brasil como Dom da Paz.

Atualmente, a CPP desenvolve projetos sociais voltados para a valorização da cultura afro-brasileira, geração de renda, resgate da cidadania, assistência integral à criança e ao adolescente, procurando incluir a família e as comunidades do público atendido no fortalecimento da auto-estima e no capital social dos beneficiários. 

A Comunidade dos Pequenos Profetas foi responsável pela campanha, de grande repercussão no país, em 1992, “Não matem minhas crianças”, por espalhar, de forma silenciosa, nos muros da cidade a frase anônima que mexia com o imaginário social sobre sua autoria.

O objetivo da campanha era chamar a atenção da população e dos poderes públicos sobre o extermínio de crianças, adolescentes e jovens em Recife.

Em 2008, foi uma das 20 práticas vencedora do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre 1.062 práticas, concedido pelo Governo Brasileiro e pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi eleita, também, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como uma das 50 melhores práticas de desenvolvimento do Brasil.
 
A entidade atende, mais de 400 crianças, adolescentes e jovens, de 7 a 21 anos de idade, em situação de rua, abandono, droga, violência, abuso sexual, sendo 60% do seu público pertencente ao sexo masculino e 40% do sexo feminino, cerca de 90% são afro-brasileiros.

O público assistido pela CPP é extremamente pobre e vulnerável a todo tipo de risco social. Para se ter uma idéia, 83,3% do público atendido pela CPP está em situação de rua, 46,6% não moram com os pais, 82,1% praticam mendicância, 72,4% usam inalantes, 43,3% são usuários de craque, 82,8% são fumantes de cigarros industrializados, 63,3% fumam maconha, 80% são usuários de bebida alcoólica, 25% estão em situação de exploração sexual, 31% estão fora da escola.

As famílias dessas crianças e adolescentes são de baixa renda, 13,3% não têm nenhuma renda e 33,3% recebem até ½ salário mínimo; 22,2% recebem Bolsa Família; têm baixa escolaridade, história de uso de droga e de violência doméstica, morando em comunidades com pouca infra-estrutura urbana.
 
Contato:
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Quinta, 04 Março 2010 21:10

É correto relacionar islamismo a terrorismo?

Escrito por

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Por Taíza Brito

Em viagem recente a Paris, a fotógrafa Teresa Maia deparou-se com uma cena que lhe prendeu a atenção e que está retratada na foto acima.

Em plena calçada da Champs-Élysées uma mulher – despreocupada com o vai e vem da multidão que caminhava pela mais famosa avenida da capital francesa – iniciou o ritual de orações realizado por todos mulçumanos acima dos 10 anos, cinco vezes por dia.

A mulher prostou-se no chão, em direção a Meca, capital sagrada para os seguidores da religião, que é a segunda em adeptos no mundo e foi fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia.

Ao ver a bela imagem de fé, eu e Teresa decidimos que valia apena publicá-la no Viva Pernambuco.

Isso porque imediatamente a cena lembrou-me das aulas de Ferran Izquierdo, especialista em Terrorismo e Islamismo, professor da  Universidade Autônoma de Barcelona, onde cursei a posgraduação “A comunicação dos conflitos e da paz”, nas quais dizia que muitas pessoas no mundo acreditam que os mulçumanos praticam uma religião violenta ou extremista.

Mas que isso era um idéia enganosa, pois uma minoria entre os cerca de 1,7 bilhão de praticantes da religião é adepta de interpretações radicais dos ensinamentos de Maomé.

Izquierdo enfatizou que para a maioria dos seguidores do islamismo a religião é de paz e tolerância.

Assim além da foto, aproveitamos para replicar o ensinamento e postar no blog um tira-dúvidas sobre o islamismo (logo abaixo) e um artigo de uma jornalista espanhola sobre como a mídia comumente trata pejorativamente os praticantes da religião, contribuindo para propagar a imagem de que islamismo é sinônimo de violência.

Quinta, 04 Março 2010 21:06

Perguntas e respostas sobre islamismo

Escrito por

 O que é islamismo, Islã e muçulmano?

O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia. O Islã é o conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o islamismo; em resumo, é o mundo dos seguidores dessa religião. O muçulmano é o seguidor da fé islâmica, também chamado por alguns de islamita. O termo maometano às vezes é usado para se referir ao muçulmano, mas muitos rejeitam essa expressão - afinal, a religião seria de devoção a Deus, e não ao profeta Maomé.

De onde vem o termo Islã?

Em árabe, Islã significa "rendição" ou "submissão" e se refere à obrigação do muçulmano de seguir a vontade de Deus. O termo está ligado a outra palavra árabe, salam, que significa "paz" - o que reforça o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica. O termo surgiu por obra do fundador do islamismo, o profeta Maomé, que dedicou a vida à tentativa de promover a paz em sua Arábia natal.

Todos os muçulmanos são árabes?

Esta é uma das mais famosas distorções a respeito do Islã. Na verdade, o Oriente Médio reúne somente cerca de 18% da população muçulmana no mundo - sendo que turcos, afegãos e iranianos (persas) não são sequer árabes. Outros 30% de muçulmanos estão no subcontinente indiano (Índia e Paquistão), 20% no norte da África, 17% no sudeste da Ásia e 10% na Rússia e na China. Há minorias muçulmanas em quase todas as partes do mundo, inclusive nos EUA (cerca de 6 milhões) e no Brasil (entre 1,5 milhão e 2 milhões). A maior comunidade islâmica do mundo vive na Indonésia.

As raízes do islamismo são conflitantes com as origens do cristianismo e judaísmo?

Não. Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, as raízes do islamismo vêm do profeta Abraão. O profeta Maomé, fundador do islamismo, seria descendente do primeiro filho de Abraão, Ismael. Moisés e Jesus seriam descendentes do filho mais novo de Abraão, Isaac. Abraão, o patriarca do judaísmo, estabeleceu as bases do que hoje é a cidade de Meca e construiu a Caaba - todos os muçulmanos se voltam a ela quando realizam suas orações.

 Os muçulmanos acreditam num Deus diferente?

Não, pois Alá é simplesmente a palavra árabe para "Deus". A aceitação de um Deus único é idêntica à de judeus e cristãos. Deus tem o mesmo nome no judaísmo, no cristianismo e no islamismo, e Alá é o mesmo Deus adorado pelos judeus, cristãos e muçulmanos.

 Como alguém se torna muçulmano?

Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião. Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão. Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como um dos motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática completa da fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos devem ajudar no ensinamento.

Artigo publicado em 11 de janeiro de 2010, na Revista Pueblos

Por Beatriz Cabrera*

“Os meios de comunicação se converteram inadvertidamente em aliados dos extremistas mulçumanos”. Esta frase sentenciosa do investigador Rashied Omar deveria ser ponto de reflexão para jornais, rádios, televisões e portais de internet em todo o mundo, que optam pela via fácil de apresentar as notícias em sua vertente mais chamativa e espetacular apesar de isso significar dar uma visão deformada do Islã.

* Leia na íntegra, em espanhol, o artigo da jornalista no link:

http://www.revistapueblos.org/spip.php?article1792

Quinta, 04 Março 2010 20:08

Adote uma Ecobag

Escrito por

 

ecobags

 

Por Éricka Melo

É cada vez mais frequente a busca por alternativas ecologicamente corretas para reduzir os danos causados à natureza pela ação do homem. Uma delas é bem simples e fácil de adotar no dia a dia: parar de jogar sacolas plásticas no lixo, substituindo-as por modelos retornáveis – as chamadas ecobags.

As ecobags tornaram-se acessório indispensável na hora de ir às compras e estão sendo vendidas a preços populares em redes de supermercados, entre eles Carrefour e Bompreço, e também em lojas de departamento, como a Americanas, a C&A, entre outras.

As sacolas plásticas poluem rios e mares, matam animais nativos, sujam ruas e geram uma quantidade enorme de lixo sem possibilidade de reaproveitamento. E são feitas com resina à base de petróleo, material cuja queima é uma das grandes responsáveis pelo aquecimento global.

Confira algumas dicas para reduzir o consumo de sacolas plásticas:
 

* Se não tem uma sacola ecológica, use uma de lona ou náilon;
* Caso a compra seja muito grande, tenha caixas plásticas dentro do carro ou peça caixas de papelão no supermercado ou use um carrinho daqueles de feira;
* Incentive quem você conhece a tomar atitudes ecologicamente corretas, multiplicando a consciência de preservação ambiental.

 Detalhe Importante!

Uma sacola plástica pode demorar até cem anos para se decompor. Dispensando o uso delas, você pode colaborar muito para a preservação do meio ambiente.

Por Éricka Melo

A Campanha da Carta da Terra está baseada em um filme de 60 segundos que está sendo veiculado pelas principais emissoras de televisão por assinatura do pais. O objetivo da campanha é motivar as pessoas a conhecerem a declaração de princípios éticos A Carta da Terra, compreender os seus conceitos e aplicá-los com uma orientação para as suas atividades diárias.

Vale a pena conferir, pois o vídeo é uma animação produzida a partir de desenhos feitos por crianças da Casa do Zezinho, entidade social que visa promover a cultura e educação entre crianças carentes na cidade de São Paulo.

O que é a Carta da Terra?

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

A Carta da Terra se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano sustentável. Integridade ecológica é um tema maior. Entretanto, a Carta da Terra reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico eqüitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

salesianosPor Éricka Melo

O drama e todo sofrimento do povo do Haiti tem criado uma rede de solidariedade em todas as partes do mundo, inclusive entre os salesianos, que mantem obras sociais em Porto Príncipe. No terremoto que devastou o país há quase dois meses morreram três religiosos salesianos e quase 500 alunos e professores.

Diante do drama, o reitor-mor dos salesianos, padre Pascual Chávez Villanueva, convocou alunos e comunidade salesiana a entrarem em campanha de solidariedade para ajudar aquele país.

E no dia 12 de março, quando são completados dois meses da tragédia, promoverão uma campanha de arrecadação, com o intuito de levar a solidariedade da Família Salesiana do mundo e palavras de incentivo e ânimo. “A nossa finalidade é, em primeiro lugar, dar esperança ao Haiti”.

Segundo ele, a dificuldade não está em levantar as paredes caídas, “mas transformar a mentalidade do povo. Os salesianos são educadores: a vós compete a tarefa de colaborar nessa mudança”; e concluiu: “É hora de arregaçar as mangas!”.

No Haiti, são desenvolvidos pelos salesianos trabalhos de acolhimento e educação de jovens mais pobres, crianças que vivem nas ruas e em situação de alto risco em nove comunidades.

Para os salesianos toda ajuda será bem vida. Participe você também dessa campanha em prol das vítimas do terremoto no Haiti.

Informações:

Dom Edvaldo: 2129.5940

responsabilidade_social Por Janguie Diniz*

A responsabilidade social empresarial virou uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais brasileiros. Governos, ativistas e meios de comunicação hoje cobram de empresas a responsabilidade pelas consequências sociais de suas atividades.

Várias empresas estão repensando sua postura ética frente à sociedade. Um novo pensar e agir no âmbito empresarial, dando uma conotação cidadã aos negócios.

Como anda a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) no Brasil? O que as empresas brasileiras têm feito de positivo nesta área?  Podemos encontrar esta resposta no relatório Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil -2008, lançado pelo Instituto Akatu e o Instituto Ethos no final do ano passado. O relatório traça o panorama da RSE no Brasil por meio de entrevistas em um universo de 1.333 empresas brasileiras de todos os portes.

Para nossa alegria, o levantamento revela o aumento significativo, entre 2004 e 2008, no número de ações em RSE praticado pelas empresas brasileiras, mas aponta que se trata de um processo ainda em construção, envolvendo um longo caminho de incorporação de ferramentas e práticas de maneira mais efetiva. A íntegra da pesquisa pode ser baixada neste link: tinyurl.com/rse2008akatu.

A pesquisa avalia um total de 56 práticas e os resultados mostram que, ao todo, 50% das empresas pesquisadas têm ao menos 22 práticas implementadas.  Comparando com estudo realizado pelo mesmo Instituto Akatu em 2004, quando o resultado apontava 11 práticas implementadas por 50% das empresas, notamos um aumento expressivo no envolvimento das empresas com a RSE entre o período de 2004 e 2008.

Os resultados desta pesquisa mostram uma expressiva evolução em algumas práticas em empresas de todos os portes, revelando que, independente do tamanho e importância da empresa, todas estão trabalhando para serem socialmente mais responsáveis.

Programas de RSE altamente visíveis costumam gerar publicidade favorável para a empresa. Por outro lado, há empresas que divulgam práticas em balanço social ou em ações de marketing e propaganda que não condizem com a realidade. A prática do “greenwashing”, ou seja, a criação de uma falsa imagem de que a empresa é “verde” e socialmente responsável, sem que isso corresponda às suas verdadeiras práticas, é lamentável e não logra o consumidor moderno e consciente que quer conhecer e confirmar o que as empresas estão realmente fazendo para a sociedade. Em um mundo de alta visibilidade, esta mensagem terá vida curta ao ser confrontada com o real comportamento da empresa. Embora possa trazer algum ganho no curto prazo, encontrará um consumidor muito pouco disposto a aceitar essa autoproclamação.

Felizmente estes casos são exceções e tendem a desaparecer. O que vale é que o relatório do Instituo Akatu nos premia com um panorama muito favorável às atividades de responsabilidade social das empresas brasileiras que estão se tornando agentes da evolução social e guardiões do meio ambiente.

 * Presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional

 Artigo publicado em 3 de março de 2010, no Blog do Instituto Maurício de Nassau.

Quinta, 04 Março 2010 12:06

O mundo de cada um

Escrito por

*Maria Clara Vergueiro

Há cinco anos, quando fiquei grávida pela primeira vez, meu avô, na época com 88 anos, me disse que não entendia como é que nós tínhamos ânimo para ter filhos num mundo “como este”. Acrescentou que se vivesse a juventude no século XXI jamais se aventuraria numa empreitada deste tamanho. Logo ele, que nasceu no ápice da gripe espanhola e fim da Primeira Guerra, foi espectador da ida do irmão para lutar e desativar minas durante a Segunda e professor de universidade pública no período mais violento das ditaduras na América Latina.

Ninguém escapa de nascer num mundo cheio de antagonismos, diferenças e injustiças, não importa a época em que se tenha vivido ou ainda se vá viver. Bonito é ver as pessoas buscando maneiras de amaciar a vida, torná-la mais possível, no contrafluxo dos egoístas e pobres de espírito que sempre existirão. Sempre estarão a rondar as cabeças dos que pensam saídas, porque sem as imperfeições do mundo não se chega a construir soluções.

Então eu prefiro pensar que o nosso século é tão cheio de problemas e desafios quanto de respostas generosas para eles. Prefiro acreditar, quando vejo minha filha, tão pequena, selecionando o lixo certo na lixeira certa, que ela já traz consigo os caminhos para viver no mundo em que chegou. Prefiro apostar nos projetos que vejo sendo desenvolvidos em grandes empresas, que já foram inimigas do equilíbrio, e que hoje investem na formação de seus funcionários, capacitando-os a atuarem em suas mais variadas comunidades.

Para sobreviver a qualquer época é preciso ganhar as ferramentas necessárias para atuar nela. Já foi preciso ter espadas, cavalos, tanques de guerra, tecnologia de ponta, a Bíblia. Hoje o bem mais valioso que pode haver é a educação. Não apenas a educação das escolas, mas as chaves certas para habitar um mundo colaborativo. O mundo não gira mais sozinho, não se faz mais política sozinho, não se controla uma empresa sozinho. Tudo tem que ser feito em conjunto e, nesse sentido, a educação, essa “formação universal” para atuarmos no mundo, é a língua que todos entendem e compartilham.

* Integrante do Blog Asboasnovas.com, do site Mercado Ético

movimentoA organização não governamental (ONG) WWF-Brasil lançou nesta quarta-feira (3/3), no Copacabana Palace, a Hora do Planeta 2010. O evento marca a entrada do Brasil no movimento mundial de mobilização da sociedade em torno da luta contra o aquecimento global.

A Hora do Planeta é um ato simbólico no qual governos, empresas e população são convidados a apagar as luzes por 60 minutos, como forma de demonstrar sua preocupação com as mudanças climáticas.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o presidente do Conselho Diretor do WWF Brasil, Álvaro de Souza, anunciarão detalhes sobre a participação do Rio de Janeiro, indicando os monumentos que terão as luzes apagadas.

(Agência Brasil)

Gilberto Costa, da Agência Brasil*

A cem dias do começo da Copa do Mundo de Futebol que ocorrerá na África do Sul, o Brasil se junta aos países africanos e propõe ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) a adoção de uma campanha mundial contra manifestações racistas no futebol e em outros esportes, seja entre atletas ou torcedores.

A proposta da campanha foi feita nesta terça-feira (2/3) na Suíça pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH). Vannuchi que discursou na 13ª sessão anual do conselho que é o principal fórum intergovernamental da ONU para questões ligadas aos direitos humanos.

A expectativa de Vannuchi é que a campanha intitulada Um mundo de esportes livre do racismo e da descriminação, seja aprovada por todas as delegações internacionais que participam da sessão anual no Palácio das Nações, em Genebra, até o dia 26 de março.

“Infelizmente é no futebol que muitas vezes a manifestação do racismo acontece”, disse Vannuchi, em entrevista à Voz do Brasil. O ministro, no entanto, avalia que os esportes têm grande potencial de conscientização.

A campanha prevê que atletas e equipes façam declarações e divulguem mensagens, em faixas por exemplo, contra o racismo. “Isso vai formando uma compreensão no âmbito da família humana”, idealizou Vannuchi.

Além da campanha educativa, a proposta do Brasil e da África prevê que as associações internacionais de cada modalidade esportiva adotem formas de punição contra eventuais manifestações de racismo.

O ministro alertou que a crise financeira mundial tem servido de “desculpa” para manifestações racistas. “Facilita o trabalho dos racistas que começam a dizer que os empregos estão sendo disputados”.

Para Vannuchi, “o mundo dos direitos humanos é um mundo que não pode ter aversão ou horror à participação de migrantes. Os direitos humanos devem ser a soma, a união, a parceria entre muitas culturas diferentes”.

Além da campanha contra o racismo, Vannuchi manifestou a posição do Brasil de que as Nações Unidas adotem um tratado em favor do direito de pessoas idosos. “A ausência do tratado é uma grave lacuna. É preciso fechar essa lacuna tendo em vista as consequências do envelhecimento da população”, aconselhou durante o discurso.

Vannuchi também tratou da terceira edição do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH 3) e agradeceu o apoio ao programa da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

*Colaborou Adriana Franzin, da Voz do Brasil.

Quarta, 03 Março 2010 21:34

Corrente pelo bem nas ondas da Rádio Clube AM

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radio-clube-amPor Taíza Brito

A corrente de mídia de paz proposta pelo Blog Viva Pernambuco está se multiplicando. Desta vez, pelas ondas da Rádio Clube AM, que na próxima sexta-feira, 5 de março, promove debate com o tema “A Consciência da Paz”, no programa Alô Clube, comandado pela jornalista Mhônica Moraes, das 16h às 17h, no qual a nossa equipe do Blog Viva Pernambuco será representada por mim.

Para falar sobre o assunto também foram convidados o coordenador do projeto Criança Feliz, Joseilton Romero,  que desenvolve um programa educativo de conscientização e prevenção através de palestras de integração familiar e também de combate a violência e o cantor Petrúcio Amorim, que também participa de ações pela paz.

A todos que fazem a Rádio Clube AM nossos agradecimentos pelo convite e pelo incentivo ao projeto do Blog Viva Pernambuco.


 

Quarta, 03 Março 2010 21:07

Trabalho pela restauração dos valores humanos

Escrito por

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Por Taiza Brito

Restaurar os valores humanos. Este é o objetivo da organização Brahma Kumaris, que nasceu em 1937 na Índia e hoje tem oito mil escolas em 104 países. Em Pernambuco, a escola da organização funciona em Olinda e está voltada – como as demais similares – à promoção de cursos e palestras que ajudem a ampliar a força interior que existe dentro de cada um.

O calendário de atividades divulgado pela organização para os meses de março, abril e maio, todas gratuitas, inclui cursos de Introdução à Meditação Raja Yoga, Introdução à Filosofia Raja Yoga e de Espiritualidade Prática. Também um rol de palestras com temáticas como “Pensamentos que transformam”, “O poder de decisão”, “Saúde e Felicidade”.

Os cursos acontecem sempre aos sábados e domingos, em duas sessões intensivas de 8h30 às 12h. No mês de março, o primeiro, de Introdução à Meditação, ocorrerá nos domingos 7 e 14. Em abril, no sábado e domingo, dias 10 e 11 e em maio em dois sábados, 8 e 15.

A primeira palestra programada, com o tema “Viva melhor, preocupe-se menos” acontece no dia 7 de março, domingo, a partir das 17h.

Mais informações sobre cursos, palestras, temáticas e horários podem ser obtidos através do telefone 3429.4550. A Brahma Kumaris de Olinda fica na avenida Luiz Gomes, 144, Farol, na Cidade Alta, e é coordenada por Eliane Rangel. A organização mantém uma página na internet que pode ser acessada pelo endereço: www.bkwsu.org/brasil.

Quarta, 03 Março 2010 15:45

Sustentabilidade: que bicho é esse?

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sustentabilidade

Reinaldo Gomes*

Por incrível que pareça, o universo das pessoas que entendem o que é responsabilidade social ou sustentabilidade ainda é muito pequeno. É difícil para nós acreditar na afirmação acima porque o assunto passa por nossas mãos diariamente que nem damos conta da falta de informação sobre o tema.

Na minha cabeça o assunto já era bastante discutido e não precisaria de explicações para quem quer que fosse, principalmente para profissionais de níveis gerenciais em grandes corporações. Quando o assunto em pauta - seja em uma conversa informal ou de negócios - se trata de sustentabilidade ou responsabilidade social, ouvimos as seguintes frase “…é, esse tema é a bola da vez”; “é um assunto que dá dinheiro”; ou ainda “é o futuro dos negócios”, mas nem todos sabem o que de fato isso significa.

A falta de informação é latente tanto que, na grande mídia, o espaço destinado a assuntos voltados à sustentabilidade é bem pequeno ou quase nada. Pouco se ouve ou se lê a não ser quando existe alguma campanha filantrópica específica. Além disso, a confusão entre o tema sustentabilidade e a filantropia ainda é comum. Apenas os veículos especializados é que dão destaque e valorizam cada detalhe do conjunto de ações ou, metaforicamente falando, os ingredientes que são utilizados para fazer “bolo sustentável”. Esses ingredientes são chamados de stakeholders.

Os stakeholders são os funcionários, os clientes, os fornecedores, a comunidade do entorno, o meio ambiente, os relacionamentos, os serviços, a produção, a matérias-prima, os governos, enfim, todos os elos que precisam estar bem alinhados nesta corrente e que proporcionarão sucesso e perenidade à corporação.

Negócios: É cada vez maior o número de empresas que se importam com o tema e produzem anualmente os seus, ainda pouco conhecidos, relatórios de sustentabilidade. As grandes corporações que mantém negócios globalizados, já produzem esses relatórios onde constam informações gerais sobre a empresa, os seus resultados no que se refere às suas ações sociais, ambientais, sobre seus relacionamentos e de seus pares. É claro que isso não só uma coisa bonitinha de se ver mas, geralmente essas informações são utilizadas estrategicamente para relacionamentos, parcerias, fusões, entre outras formas de negócios. Por exemplo: recentemente pudemos observar um grande número de Ofertas Públicas de Ações (IPOs) na Bovespa. Porém, para atrair capital estrangeiro, muitas empresas tinham de se adequar às regras do mercado de ações que estabelecem algumas exigências, entre elas, padrão internacional contábil e transparência apontada através dos relatórios de sustentabilidade. Muitos investidores internacionais não aplicam seu capital em empresas que não são socialmente sustentáveis.

Um modelo padrão de relatório tem de constar informações sobre ambiente, uso de recursos hídricos, segurança, saúde, análise socioeconômica, entre outros.
Por outro lado, há um ponto negativo dentro de muitas corporações. Alguns estudos apontam que as pessoas de decisão dentro das companhias afirmam não ter tempo para a leitura das mais de 400 páginas dos relatórios de sustentabilidade. Muitos defendem modelos padrões de relatório que contenham informações básicas, fáceis de serem traduzidas e absorvidas.

O fato é que, apesar de o crescimento anual do número de empresas que se dedicam aos tema sustentabilidade - inclusive destinando parte dos recursos orçamentários para este setor- ainda é grande o universo das companhias, das pessoas e dos meios de comunicação que pouco ou nada conhecem sobre o tema. Também sei que, como formador de opinião, tenho parcela de culpa nisso. Porém, faço trabalho de formiguinha e sempre tento, de alguma forma, levar a informação adiante.


* Reinaldo Gomes é jornalista

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