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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Segunda, 17 Setembro 2012 13:51

No domínio das energias sutis

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

“Morrer é só não ser visto”. (Fernando Pessoa)

 

Acabei a leitura, de uma sentada só, de livro muito interessante em que são relatadas as incríveis experiências do paranormal estadunidense James van Praagh. Este cidadão tem o dom de estabelecer, com pessoas da platéia, em programas de televisão, de grande aceitação popular, insólitos diálogos. Os atendimentos individuais em seu consultório são também marcados pela singularidade. Ele costuma liberar informações desconcertantes, atribuídas a entes queridos ligados às mesmas e não mais pertencentes ao mundo dos vivos. As revelações, na maior parte das vezes, provocam forte impacto. A idéia de um contato desse gênero, que possa envolver forças ou energias do além, marca de modo bastante vigoroso os telespectadores.

Isso me leva a recordar que, alguns anos atrás, o “Fantástico”, da Globo, levou ao ar, com a participação de pessoas interessadas - ao que se afirmou - em desmascarar falsos paranormais, uma série de reportagens concernentes a essa polêmica modalidade de comunicação. Um ator especialmente treinado em técnicas de persuasão de público, valendo-se de jogo de palavras ardiloso e de deduções que incorporam elementos da psicologia, demonstrou como se faz possível engabelar indivíduos de boa fé, com falsas propostas de cunho místico. A performance do ator, sem dúvida convincente, oferece condições para explicar uma que outra – não todas –manifestação estranha produzida por Praagh junto ao público. Mas, de qualquer maneira,não especificamente no caso do paranormal dos Estados Unidos, cujo trabalho é encarado, ao que se sabe, com seriedade por parapsicólogos renomados, tem o sentido de um alerta em relação a eventuais espertalhões, “especializados” nessa área dos fenômenos inexplicáveis em arrancar algum, ludibriando incautos.

Mas nada do que James van Praagh consegue fazer na televisão, ou muito menos – está claro – do que os responsáveis pelo propalado desmascaramento de falsos sensitivos conseguem realizar com seus criativos e astuciosos estratagemas, aproxima-se tenuamente, como explicação, ou elemento de analogia, do “espetáculo” – chamemo-lo assim – que presenciei, há uns vinte anos, no Teatro Vanucci, Shopping da Gávea, Rio de Janeiro. Uma paranormal de nome Célia promoveu no recinto – sabe-se lá como – algo fantástico, extraordinário, inimaginável, nessa linha de contatos com o outro mundo. Casa superlotada, umas setecentas pessoas, dos mais diferentes bairros da antiga capital da República, de cidades das redondezas e de outros Estados, presenciaram tudo.

Depois de uma exposição interessante, rica em pormenores, acerca das variáveis infinitas de aplicação das chamadas energias sutis, de que é composto nosso enigmático e fascinante universo, a sensitiva dispôs-se a operar, inteiramente lúcida e com plena articulação das palavras e controle dos movimentos, andando de um lado para outro do palco, como “canal” numa comunicação, segundo garantiu, com criaturas que já haviam deixado este nosso “vale banhado de lágrimas”. E que, em vida, integraram o universo afetivo das pessoas presentes. Ninguém, no público, fez qualquer intervenção oral, qualquer pedido por escrito. Debaixo de silêncio absoluto, respeitoso, só dona Célia falou. Em dezenas de intervenções, chamou pessoas pelos nomes, indicando os números das poltronas em que se achavam sentadas. E, na seqüência, uma a uma, passou-lhes mensagens, “recebidas na hora”, dos parentes e amigos já “encantados”. As palavras foram obviamente recebidas com emoção, arrancando confirmações surpreendentes quanto aos dados apontados.

Num determinado instante teve-se a impressão de que a sensitiva havia cometido uma derrapagem. Ledo engano. Ela pediu a um cidadão, numa poltrona próxima à minha, que anotasse o recado de alguém cujo nome citou. O cidadão em referência assinalou não conhecer a pessoa mencionada. Célia admitiu: sim, ele estava com inteira razão. O “contatado” era, na verdade, filho de um amigo e vizinho seu, morador do apartamento de número tal, edifício tal, bairro tal. O espectador convocado a levar o recado emocionou-se às lágrimas. Os dados anunciados estavam rigorosamente corretos.

Essa sensitiva, tanto quanto sei, nunca foi levada a um estúdio de televisão para por à prova seus extraordinários dons, sua capacidade de utilizar, de forma tão arrebatadora, o poder inimaginável das chamadas energias sutis. Que muita gente, em reta intenção, enclausurada em dogmatismos religiosos rançosos, encontra dificuldades intransponíveis em aceitar.

* o jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

Da EcoD

O tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) mamífero brasileiro que corre o risco de extinção foi escolhido como a mascote da Copa 2014 no Brasil após ter sido sugerido pela ONG cearense Associação Caatinga, em fevereiro. Ele concorria com o jacaré, com o mico-leão-dourado, com a arara e com a onça.

Segundo o secretário executivo da Associação Caatinga e coordenador da Campanha Tatu Bola para Mascote da Copa 2014, Rodrigo Castro, toda a articulação começou em janeiro de 2012, quando a entidade procurava alguma forma de envolver a questão ambiental na luta pela Caatinga, dentro do contexto de um evento tão grandioso e de âmbito mundial, como a Copa.

Muita gente caça tatu para comer a carne e usar sua armadura, muito resistente, para fazer utensílios. É bom lembrar que o tatu pode transmitir toxoplasmose pela carne.

O tatu foi sugerido por se enquadrar nos critérios que a Fifa estabeleceu para a escolha da mascote. O animal tinha que representar a identidade do povo, assim como a rica biodiversidade, além de ser uma ideia inovadora.

Na opinião de Castro, a escolha do tatu foi perfeita, porque o animal também representa as muitas outras espécies que estão ameaçadas nas regiões da Caatinga e do Cerrado, assim como alerta para a necessidade de promover a preservação da biodiversidade dessas regiões. “É como se ele fosse um porta-voz, um embaixador da preservação”, ressaltou Castro.

Ainda de acordo com o coordenador, a escolha foi de grande importância para a preservação do animal. “Essa escolha vai permitir maior visibilidade para a espécie, que é pouco conhecida não só no exterior, mas também no próprio Brasil. Poderemos conhecer melhor o tatu-bola, saber a situação de ameaça que ele se encontra”.

A espécie é endêmica, ou seja, existe apenas no Brasil, e mesmo com a caça proibida no país, trata-se do tatu mais ameaçado, porque, como não cava bem como outras espécies, acaba se tornando uma presa fácil. Castro conta que o animal vem desaparecendo há muito tempo, no entanto, nos últimos 10 anos esse número aumentou de forma significativa. Ele explica também que a caça já foi o principal motivo na redução da quantidade dos animais, mas, atualmente, a causa está no desmatamento, nas queimadas e na conversão de áreas naturais em urbanas e agrícolas.

O monitoramento da espécie é feito pela IUCN, que na lista vermelha atual classifica o tatu-bola como “vulnerável”. Porém, na última reclassificação feita em junho, que deve ser publicada até o final do ano, o animal vai entrar como “criticamente ameaçado”, deixando-o mais próximo do nível “em processo de extinção na natureza”.

“A situação é realmente muito crítica e essa mobilização da mídia, sociedade e do evento [Copa] é justamente pra tentar ajudar a reverter essa situação e pelo menos reduzir o nível de ameaça que a espécie vem sofrendo”, reiterou Castro.

Ele ainda acredita que a Copa do Mundo pode viabilizar patrocínios e apoios no projeto de conservação da espécie, que a Associação Caatinga está coordenando em parceria com a IUCN. 

Conheça mais o tatu-bola

O tatu-bola leva esse nome por causa da transformação que ocorre em sua forma de defesa. Ele se enrola completamente, sendo que o rabo e a cabeça se adaptam como em um quebra-cabeça, protegendo o corpo do tatu – o que não o defende do ser humano, pois facilita a captura.   O tatu-bola já desapareceu em Sergipe e no Ceará, mas ainda existe na Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte, nas regiões ainda despovoadas.

Ele é o menor tatu brasileiro – mede cerca de 50 centímetros de comprimento. O animal enxerga e ouve mal, mas o olfato é bem aguçado. É poderoso escavador e sua toca possui diversos corredores e câmaras.   É terrestre, solitário e tem hábito principalmente noturno e crespular, alimentando-se de insetos como cupins e formigas, mas sua dieta pode incluir também outros animais e vegetais.

O período de gestação é de quatro meses, com o nascimento de um a dois filhotes.

Da HomeCarbon

Na semana passada fomos brindados com o anúncio de reduções de até 20% nas contas de luz dos usuários domésticos. Os usuários industriais terão um benefício ainda maior, em alguns casos chegando perto de 30%. Essa margem virá dos cortes de alguns encargos hoje embutidos na conta de luz, mais uma renegociação com deságio nas vincendas concessões de geração de energia (vencem em 2015), que serão prorrogadas como parte do acordo.

Ok? Sim, claro, nossas contas de energia estão entre as mais caras do mundo, e ninguém vai se opor a que busquemos sua redução para que no mínimo paguemos um preço na média global. Ainda estaremos pagando mais caro que a média, mas é um avanço.

Aqui, chamamos à discussão: só será mesmo um avanço se as pessoas não se sentirem compelidas a aumentar seu consumo.

Em um momento que o mundo pede pela redução de consumo, energia sobretudo, ganhar como presente uma redução inesperada na conta de luz de cerca de 20% faz diferença no orçamento de muitas famílias, e quando se fala em aumento de renda familiar, isso é algo primordial.

No entanto, vale pensarmos que devemos seguir nosso caminho de mudar nossos hábitos para melhor, reduzindo nosso consumo (em geral), principalmente de energia.

E você, o que acha: corremos o risco de aumentar nosso consumo?

Segunda, 17 Setembro 2012 13:13

Contribua com o bazar solidário do Lar do Nenen

Escrito por

Ainda há tempo para contribuir com o Bazar Solidário do Lar do Nenen, que está recebendo doações desde ontem. A campanha segue nesta segunda-feira, 17 de setembro, no La Cuisine Petit Comitê, em Boa Viagem, no Recife. O bazar solidário acontece em prol das 18 crianças com idade entre 0 e 3 anos atendidas pela entidade. Estarão em exposição artigos e objetos confeccionados pelas voluntárias do Lar. Uma novidade na edição deste ano será o brechó de roupas de festas que foram doadas à instituição e terá peças com preços bem convidativos.

O Lar sobrevive de doações e é uma das entidades sociais de mais destaque em Pernambuco que acolhe crianças em situação de abandono ou risco. Atualmente, a entidade conta com 30 funcionárias, que dividem o tempo em quatro turnos, incluindo uma assistente social e alguns voluntários que realizem as atividades na área de higiene, alimentação, puericultura e recreação.   Entre as atividades desenvolvidas com as crianças, há o banho de sol para os bebês no início das manhãs, refeições, recreação, além de todos os cuidados com a higiene pessoal. Uma vez por semana, o serviço de pediatria do IMIP está presente na instituição, para fazer o encaminhamento, quando necessário, para hospitais, postos de saúde, controle de vacinação e exames laboratoriais.

O Lar do Nenen possui ainda uma nutricionista voluntária, que elabora os cardápios para atender às necessidades de cada criança, conforme a faixa etária e grau de desnutrição. Além disso, também realiza um trabalho direcionado ao acompanhamento biopsicosocial da criança, para que todas desenvolvam a afetividade e capacidade de integração. Os interessados em ajudar o Lar do Nenen pode contribuir doando fraldas, leite, material de higiene pessoal e limpeza.

SERVIÇO:

BAZAR SOLIDÁRIO DO LAR DO NENEN

DIAS: 16 E 17 DE SETEMBRO

ONDE: LA CUISINE PETIT COMITÊ, EM BOA VIAGEM.

PONTO DE REFERÊNCIA: SENTIDO CIDADE - BOA VIAGEM, APÓS O CLINICAL CENTER ENTRA NO LADO DIREITO NO POSTO SHELL. A CASA FICA EM FRENTE A PRAÇA ENCANTA MOÇA.

Por Bia Barbosa, da Carta Maior

Em 2009, após indícios de fraudes nas eleições no Irã e da repressão de Ahmadinejad aos primeiros protestos, a população, fazendo uso da internet para compartilhar informações e se organizar, foi aos milhões às ruas de Teerã. Entre 2010 e 2011, com forte utilização das redes sociais – inclusive em países onde o acesso à internet é bastante limitado -, movimentos mostraram ao mundo o que acontecia em ditaduras árabes, chegando a derrubar governos. Nos Estados Unidos e Europa, os Indignados e o movimento Occupy, que tiveram início com protestos online, depois tomaram as ruas das principais capitais do ocidente.

Na América Latina, no entanto, a situação é diversa. Apesar da mobilização virtual ser crescente, os protestos digitais ainda não conseguiram ganhar as ruas na mesma dimensão. Na avaliação de ativistas digitais que participaram esta semana do simpósio internacional “A Esquerda na América Latina”, realizado na Universidade de São Paulo, o cenário coloca inúmeros desafios para o movimento.

Para o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC, militante do Software Livre e autor de várias publicações sobre o tema, antes de mais nada, é necessário compreender o que acontece com a militância e com os organizadores de luta política dentro das redes sociais, principalmente com a relevância que uma série de tecnologias adquire no capitalismo.

“As práticas de comunicação foram alteradas com a internet e reorganizadas depois do surgimento das redes sociais. E essas práticas inverteram o ecossistema comunicacional. No mundo dos canais de comunicação de massa, era necessário lutar para democratizar o canal para se falar para milhares de pessoas. O difícil agora não é falar; é ser ouvido. É uma inversão brutal. Estamos em uma rede distribuída onde o problema não é construir um discurso; é fazer com que as pessoas estejam aptas a ouvi-lo”, explica.

Dentro dessa inversão de ecossistema, a comunicação em rede abriu espaço para pequenos e importantes atores. Décadas depois, os hackers, que surgem nos anos 60 com a utopia “democratizar a informação é democratizar o poder”, se juntam aos ativistas sociais e hoje o ambiente da internet se transforma em palco para inúmeras lutas, a partir da ação dos ciber e hackerativistas.

“A partir dos anos 90, os hackers se politizaram, porque boa parte integra o movimento de Software Livre e, de repente, teve que passar a enfrentar o Estado para poder exercer seu hobby, que é desenvolver códigos e compartilhar conhecimento. Tiveram que se coletivizar para enfrentar as leis de propriedade intelectual, que se enrijeceram no mundo inteiro”, explicou Sérgio Amadeu.   Hoje, uma das maiores expressões globais no novo ativismo digital são os Anonymous, um modelo de ação que nasce nos Estados Unidos entre ativistas, artistas e hackers e que passou a ter importância no mundo inteiro. Usando as técnicas do hackeamento e da hipertrofia, realizaram a Operação Payback, em protesto à retirada do site do Wikileaks pelos Estados Unidos e ao corte do financiamento do site de denúncias através de cartões de crédito.

“Quando fizeram isso, já havia 800 espelhos idênticos do Wikileaks no mundo. Ao mesmo tempo, sobrecarregaram o servidor dos cartões de crédito até ele cair, gerando milhões em prejuízo em todo o mundo. Isso é hipertrofiar, inverter a lógica. Não é crime, é protesto digital”, afirma Sérgio Amadeu. “A nova lógica dos movimentos, aqui na América Latina inclusive, onde Brasil e Argentina são pontas, não é mais “Proletários de todo mundo, uni-vos”. É “Hackers de todo o mundo, dispersem-se”, acrescentou.

Guerrilha virtual e ativismo de sofá

Olhando para a realidade brasileira, o ativismo digital em rede foi estratégico em alguns momentos da história recente do país para fazer o contraponto às informações e opiniões dominantes na mídia tradicional. O jornalista e membro da dos Blogueiros Progressistas, Rodrigo Vianna, lembrou do episódio da bolinha de papel atirada contra José Serra, então candidato do PSDB à Presidência da República.Atingido por um “objeto misterioso” atirado por adversários durante a campanha, Serra fez tomografia e conseguiu até a participação de um perito no Jornal Nacional, da Rede Globo.

“Mas a tese rapidamente foi desmontada na internet, de forma colaborativa. Usando imagens de um cinesgrafista do SBT, ficou claro que o objeto que atingiu Serra não era o que a Globo tinha mostrado; era uma bolinha de papel. A verdade se espalhou nas redes e ganhou uma dimensão importante naquele momento da eleição. Há 25 anos, um episódio como este demoraria três anos para ser desconstruído, como aconteceu com a edição do debate eleitoral de 1989, entre Collor e Lula, feita pela Globo. Você não tinha como reagir, não tinha contraponto”, lembra Rodrigo Vianna.   Como escreveu Antonio Gramsci, os aparatos privados de hegemonia, como os meios de comunicação, não estão ao alcance apenas das classes dominantes, mas também das subalternas, lembrou. “Ou seja, é possível travar a disputa sem disputar o Estado. É uma batalha pelos valores, feita no dia-a-dia”, analisou Vianna. “Porém, aqui no Brasil, ainda é uma guerra de guerrilhas, porque a TV continua tendo um peso tremendo. Quem dita a pauta política no Brasil se não meia duzia de veículos da velha mídia? O ativismo digital ganhou enorme relevância, mas temos pouca reflexão sobre seus impactos”, acrescentou.

Para Raphael Tsavkko, blogueiro, autor e tradutor do Global Voices, ainda há um descolamento entre o online e o offline no Brasil e na América Latina. As lutas nas redes levaram à realização de protestos como o Churrasco da Gente Diferenciada, em repúdio à reação da elite paulista contra a abertura de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis; às manifestações contra as operações na Cracolândia; e mobilizações como a Marcha das Vadias e contra a construção da Usina de Belo Monte.

“Mas a repercussão nas redes foi maior do que nas ruas, e com a maioria de pessoas que já faziam parte de movimentos organizados. São poucos os exemplos de mobilizações que conseguiram transbordar a barreira dos catequizados”, analisou Tsavkko. “Enquanto isso, no Chile, os protestos dos estudantes se organizaram pouco pela internet, e mais pelos grêmios. Então ainda há este descolamento. É o que os EUA chamam de ativismo de sofá”, critica.

Um dos possíveis obstáculos para a superação desta diferência é o próprio alcance da internet no Brasil, onde apenas metade da população pode ser considerada usuária da rede mundial de computadores. Mas há outros.  

"Temos uma série de dificuldades aqui, desde a divisão histórica da esquerda brasileira até uma apatia política do brasileiro, incentivada pela mídia que diz que “política é tudo igual”. E quando você pode simplesmente apertar um botão e “curtir” algo na internet mas não tem uma visão crítica sobre aquilo, isso acaba criando uma funalização do movimento online. Ma sem sair às ruas, apenas o ativismo online não vai conseguir mudar o mundo”, problematiza Tsavkko.

“Acontece que as pessoas não vivem política 24 horas por dia. Nosso discurso não está adiantando; os blogs de esquerda não tem tanta audiência. Estamos lidando com uma ideologia que penetra e que está na cultura. Esta é a questão central. E aí estamos perdendo a batalha. Não vamos ganhar a batalha partidarizando ou politizando a cultura, mas passando por ela”, acrescenta Sergio Amadeu.   “Dentro do aspecto cultural que precisa ser debatido, temos que olhar para o poder da mídia tradicional. Quando passa um reallity show na TV, este vira o tema mais comentado na internet. Ou seja, a TV dita o que vai ser debatido nas redes. Por isso ainda temos que disputar o poder dos grandes meios”, acredita Rodrigo Vianna.

Terça, 04 Setembro 2012 13:16

Comunicação consciente

Escrito por

Por Hiram Firmino, da Revista Ecológico

Primeira mulher na América Latina a presidir, durante sete anos, um megagrupo multinacional (Young & Rubicam), e há 15 anos sócia-presidente do Grupo Full Jazz de Comunicação, a paulista de nascimento e mineira de coração Christina Carvalho Pinto não apenas impressiona. Como descreveria Guimarães Rosa, seu escritor e guru predileto, ela encanta. Não foi à toa que a Fundação Dom Cabral, na virada do milênio, elegeu o Grupo Full Jazz como o melhor exemplo de inovação empresarial no país. Se a FDC visitar o Grupo hoje, verá que a inovação ali só avançou.  

Considerada uma das maiores lideranças do Brasil em inovação e revitalização de marcas e setores, Christina revisitou a capital do seu estado afetivo (“Vocês não têm ideia da magia que Minas tem sobre mim; inspira, provoca…”). A convite de Alexandre Michalick, criador e presidente da Academia de Ideias, com sede na Agência Perfil de Cacá Moreno, ela se reuniu com um pequeno grupo de empresários, políticos, jornalistas e publicitários, para falar sobre o papel revolucionário da mídia como instrumento valioso, capaz de mudar a mente ainda hoje suicida e não sustentável da humanidade errante sobre o planeta em desequilíbrio ambiental. De maneira simples, convincente e até espiritual, ela explicou porque “Revitalização”, tema central de sua palestra, tal como “Sustentabilidade”, é “a chave dos novos tempos”.  

Poderosa em sua comunicação, Christina antecipou porque o nome futuro e mais apropriado da Economia Verde, uma das pautas centrais da RIO + 20, será Economia do Amor. E comprovou, ao falar de sua experiência como “estrategista de criação”, de uma nova maneira de se viver, compartilhar e ser feliz sem destruir o planeta – e não apenas como publicitária -, porque é também considerada a “Dama da Nova Comunicação” do Brasil.

A Revista ECOLÓGICO também foi convidada para ouvir sua palestra e divulga aqui os principais trechos de sua mensagem e esperança. Confira!  

Empresária, estrategista, comunicadora e, acima de tudo, revolucionária, Christina Carvalho Pinto também é líder da plataforma multimídia Mercado Ético, a mais completa do mundo sobre sustentabilidade. Neste projeto, ela se associou à economista evolucionária Hazel Henderson, uma das mentes mais geniais do planeta com foco na reconstrução macroeconômica global.

Christina é também fundadora e presidente da Conteúdos com Conteúdo, empresa que cria e produz conteúdos inovadores e transformadores para todas as mídias, com mais de 200 programas de TV produzidos e veiculados. É sócia também da The Key, consultoria para empresas e marcas voltadas a prosperar na nova economia.  

Em 2005, Christina foi eleita “Uma dos Dez Maiores Empreendedores Brasileiros”, pela revista Empreendedor. Em 2006, em votação aberta pela internet, foi eleita “A Profissional de Maior Significado para a Criação Publicitária no Brasil nos últimos 20 anos”. Foi eleita duas vezes, em 2004 e 2007, como “A Mulher Mais Influente do Brasil no Setor de Marketing e Publicidade”, pelos assinantes da revista Forbes e do Jornal Gazeta Mercantil.

É embaixadora brasileira do “Women´s Forum for Economy & Society”, na França. Duas vezes indicada para o Prêmio “Femme D´Affaires”. Coleciona centenas de outros prêmios nacionais e internacionais, a exemplo de “Profissional da Década”, pela Associação Brasileira dos Colunistas de Marketing e Propaganda (Abracomp).   Conduz, semanalmente, o programa “Novos Tempos”, que vai ao ar pela TV Climatempo, sobre tecnologias limpas, novos modelos mentais, novos comportamentos e estilos de vida, empregos verdes, energias renováveis e investimento sustentável.

Articulista e palestrante de renome internacional, tendo já discursado na ONU e em outros espaços políticos estratégicos, Christina também faz parte de diferentes boards: Carbon Disclosure Project, Ethical Markets, AVAPE – Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência e Images & Voices of Hope (diálogo planetário por uma mídia ética e construtiva). Para este último, veja e participe do site em português: www.ive.org.br.   Seu pensamento inovador está destacado em mais de 20 livros de diferentes autores.

 

“TEMOS DE OPTAR PELA NOITE OU PELO DIA”

Nós vivemos a era da confluência e, tal como os iogues que meditam às quatro horas da manhã, quando a escuridão atinge seu ápice e dá lugar à emergência de uma nova claridade. Temos de optar pela noite ou pelo dia. Continuar como somos, dormindo e esticando a escuridão atual dos atos e efeitos que também causamos a nós mesmos, essa escolha é individual. Ela interfere e faz a diferença em tudo que somos, fazemos e influenciamos ao nosso redor. Melhor optar pela claridade, assim nos antecipamos, nos preparamos para o novo dia e para a luz que, inexoravelmente, vai nascer.

 

NÃO EXISTEM MAIS EU, NÓS E OS OUTROS”

As duas ondas principais de pensamento que o setor produtivo viveu foram a revolução agrícola, em que a ordem geral era tão somente “ter que produzir”, não importa onde nem como; e a industrial. A partir da Revolução Industrial, a ordem passou a ser “competir”, a qualquer preço e em uma disputa permanente. Tornamo-nos seres competitivos, qualquer pessoa, profissional, cliente ou produto tem de matar o outro para vencer. Ficamos mais separados ainda do que já éramos. Depois veio a era pós-industrial, na década de setenta. Ela nos ensinou que tínhamos que cooperar uns com os outros para sobreviver individual e coletivamente. A onda que vivemos hoje, chamada de cocriação, é o aprimoramento da cooperação. Sabemos que somos um só e não somos nem estamos separados uns dos outros e da natureza. Não existe mais eu, nós e outros, mas o Uno, o Todo, a Vida. Estamos juntos e temos de criar a realidade que precisamos e queremos ter. Isto é possível. E urgente.

 

“SEM A NATUREZA,TODOS MORREREMOS!”

Sustentabilidade não é um conceito, é um sentimento que nasce de uma profunda apreciação pela vida. A vida do planeta, a vida minha, sua e de todos. Somos parte integrante da natureza. Nós também somos a água que bebemos e que constitui quase 70% de nossos corpos. Somos o ar que os nossos pulmões respiram e nos mantém vivos. Está tudo interligado. Sem a natureza fora e dentro de nós, todos nós morreremos. A diferença entre nós e os demais seres vivos é que somos a única espécie que consegue se expressar de múltiplas maneiras. Essa é a capacidade que temos para influenciar e mudar o nosso destino.

 

 “PASSAREMOS A TRABALHAR PARA GAIA”  

 O novo paradigma que se impõe começa com “bio”: bio-organização, biopolítica etc. Isso nos remete doravante não somente ao entendimento racional do que é a vida, a natureza, o meio ambiente. Mas também sentimental.  Passaremos a trabalhar, liderar ou governar não só para nós mesmos; mas para Gaia, a Grande Mãe Terra, no seu sentido maior, que é a própria Vida. Não apenas a nossa, mas a de todas as espécies com as quais vivemos em total interdependência.

 

“SE O CLIENTE DESTRÓI, TEMOS DE RECUSÁ-LO”

Neste sentimento global que define a sustentabilidade plena que buscamos, as agências de publicidade têm de ver seus clientes também sob essa ótica: como expressões da vida e não mais como aqueles que apenas nos financiam. Se seu produto, fabricação ou processo destrói a natureza, cabe a nós o dever de recusá-lo. Essa é a nova premissa, a pergunta que temos de nos fazer, como mídia e profissionais de comunicação: a quem devemos servir? Antes de criar uma campanha de publicidade para uma marca de bebida, precisamos lembrar que, no Brasil, o alcoolismo já vitima crianças a partir dos 10 anos de idade. Lembrar que crianças e adolescentes são sim vulneráveis aos apelos lúdicos e eróticos que hoje predominam na comunicação desse setor. E que ele é a porta de entrada para as drogas.

 

“NÃO SOMOS LINEARES, MAS SERES QUÂNTICOS”

Não existe mais lugar para pensamento linear. Nós não somos lineares. Somos quânticos. Como criadores de nossas realidades, podemos mudar e expandir essa nova consciência de mundo. A humanidade hoje, principalmente os jovens, vive um processo de desencanto pelo cientificismo. Esse desencanto não é, de maneira alguma, pela ciência, mas pela visão estreita de que só o mundo material pode nos completar em termos de conhecimento.   Neste momento, queremos mais. Queremos ampliar nossa consciência da realidade e criar novas realidades, muitas vezes intangíveis.

 

“SEREMOS MENOS GANANCIOSOS E EGOÍSTAS”

A busca de um sentido para a vida e de um sentimento de unidade maior consigo e com os outros já começou. É o declínio do materialismo. Isso nos fará menos gananciosos, consumistas e egoístas. Saberemos conviver, cada vez mais, com quem pensa diferente da gente.

 

“MERGULHAREMOS NO CORAÇÃO HUMANO”

A questão ambiental e o sentimento da sustentabilidade estão nos fazendo ver e agir no mundo além das nossas nacionalidades. Os novos tempos possibilitam um mundo sem fronteiras, por isso as novas linguagens da comunicação precisam ser mais universais. E o único jeito de ser mais universal é mergulhar mais profundamente no coração do ser humano.

 

“CHEGA DE DOMÍNIO DO MEDO”

Continuar na escuridão, sob o domínio do medo, significa manter nossa voracidade competitiva. Ser autor e vítima ao mesmo tempo. É geral a exaustão provocada pela exigência de resultados num prazo cada vez mais curto e enlouquecedor. Não precisamos viver com esses punhais sobre as nossas cabeças. Podemos progredir criando novos modelos econômicos, novos estilos de vida, novos produtos e marcas mais amigáveis com o todo.  

 

“SOMOS RESPONSÁVEIS PELOS HORRORES DA MÍDIA”

O papel da comunicação é crucial nesse novo contexto. Para falar em sustentabilidade também teremos que rever, com igual sentimento, todas as nossas cadeias produtivas.   A cadeia produtiva do estrategista, do profissional de marketing, do criativo, do construtor de conteúdos midiáticos, é a cadeia da produção de ideias. Precisamos rever a forma como construímos nossas ideias e as consequências do que produzimos, para os indivíduos e a coletividade. Somos todos responsáveis pelos horrores com que a mídia lambuza, todos os dias, nossos olhos, nossos ouvidos, nossa alma.Temos que sair do papel passivo de audiência para o papel ativo de cidadãos que, de fato, escolhem conscientemente o que querem ver e ouvir. E contribuir para a criação de uma mídia mais criativa, mas inspiradora e elevada.

 

“MENOS SANGUE E MENOS VULGARIDADE”  

A vulgarização do ser humano, de seus sentimentos e seus valores já chegou ao limite e não pode prosseguir mais. A mídia também precisa entender isso. As pessoas não querem nem precisam ser mantidas nesse patamar alienante de desinformação. Queremos entretenimento, gargalhadas, risos e lágrimas; queremos crescer e melhorar.  Queremos menos vulgaridade, menos sangue e mais vida.

 

“VIRAMOS SERES CINDIDOS ATÉ NO VESTIR”

 A mídia continua sombria. Essa doença da disseminação em massa dos aspectos mais trágicos da existência, somada à paixão pela vulgaridade, de tanto se repetir acabou se instalando na tela mental das chamadas audiências. Isso faz de nós seres cindidos, desconectados de nós mesmos. Não sabemos mais quem somos, o que queremos, quanto devemos pesar, o que devemos comer e como devemos nos vestir. Isso tudo vem sendo ditado por terceiros. A obediência a esses ditames, desprovida de reflexão, é uma das causas mais profundas dos estados depressivos que se multiplicam em todas as idades e classes sociais. Uma situação insustentável, em todos os sentidos dessa palavra.

 

“UMA NOVA MÍDIA PODE RECUPERAR NOSSA ESTIMA”

Tudo se traduz em escolha e sentimento. Nós, criadores de estratégias e conteúdos de comunicação, temos o poder de reconstruir o papel da mídia numa direção belíssima, colocando fim à hipócrita disseminação de tudo o que fere a vida. A mesma mídia, que em tantos momentos nos destrói, terá um papel fundamental, a partir de agora, no resgate da nossa autoestima perdida, das nossas raízes culturais, dos valores pelos quais vale a pena viver.  

 

“NÃO QUEREMOS VER SÓ TIRIRICA NA TV”

Um novo ser humano está sendo forjado. Ele se reconectará consigo, com o outro e com o universo. Não quer ver só Tiririca na televisão. Ele também quer a música de Marcus Vianna e imagens de encantamento e beleza no horário nobre, no jornal, na novela, no programa de auditório. Estamos migrando para isso, até pórque é imperativo contribuirmos para essa migração. Passando da era da informação para a do conhecimento, da consciência e sabedoria, nesta ordem. É só uma questão de tempo.

 

“A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS. NÃO SE PODE DEIXAR DE FAZÊ-LAS”

Os grandes mestres chineses nos ensinam que sábio é aquele que fala sim ou não. Mas em Minas, Guimarães Rosa nos ensinou uma visão ainda mais mágica: “Ou é, ou é”. A vida é sempre um “sim” para alguma coisa. Toda escolha é, no fundo, um tipo de sim…e é tão amplo!

 

“QUANDO A TERRA TREME, A HISTÓRIA MUDA”

Essa pressão por um novo posicionamento nosso, como profissionais de uma comunicação inovadora, libertadora e consciente, vem não apenas de nossos próprios insights, mas também do que Jung chamou de “o poder do inconsciente coletivo”.  Nos últimos seis meses aconteceram mais terremotos do que em toda a história da humanidade. Só que esses terremotos não estão ocorrendo apenas nas placas tectônicas: estão ocorrendo, de forma paralela e simultânea, na mente de todos nós. A Terra treme, a casa cai, a história muda!

 

“TODA SEPARAÇÃO RESULTA EM MUTILAÇÃO”

Inteireza é voltar a nós mesmos, ao que sentimos, ao que a voz interior nos diz para fazer e quase sempre não obedecemos. É fazermos o mesmo com o planeta, nos conectarmos de verdade, nos aconchegarmos no colo de Gaia. Qualquer separação aqui resulta em mutilação. Por isso é tão desconcertante olhar para os lados – e muitas vezes para nós mesmos – e ver o quanto estamos carentes e saudosos de nossa inteireza.

 

“EU COMI MUITO SAL PARA ENTENDER ISSO”

 Assim como nunca se devastou tanto, nem nunca tivemos tantos seres humanos morrendo de fome, também nunca tivemos tantas possibilidades de rápida disseminação das novas ideias e visões. A tecnologia é uma amiga imperdível para nos ajudar nessa mudança de paradigma. Nesse cenário, já não faz sentido nos acomodarmos no papel antigo de publicitários. Eu comi muito sal até entender que cada ideia minha afeta centenas de milhões de pessoas. Por isso não faço propaganda de nada que possa ferir a vida. Minha profissão hoje? Uma mente estratégica e criativa a serviço da criação de um novo tempo.  

 

Para saber mais sobre sua trajetória, acesse:

 www.fulljazz.com.br;   www.mercadoetico.com.br.  

 Mais informações:

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Quinta, 30 Agosto 2012 20:46

Alimentos com sabor de natureza

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Eles invadiram as prateleiras dos supermercados e estão conquistando seu espaço na mesa dos brasileiros. Mas afinal, o que são exatamente alimentos orgânicos?

“Chefs ensinam receitas saudáveis e a escolher ingredientes orgânicos”, “Supermercado promete baratear o preço de produtos orgânicos”, “Pesquisadores do RJ investem e ganham espaço com os orgânicos”, “A agricultura orgânica versus o método de cultivo tradicional”. Estas são algumas das manchetes encontradas em uma rápida busca em três dos sites de notícias mais lidos do Brasil, todas publicadas nos últimos dois meses. Em comum entre elas o tema principal: alimentos orgânicos.

O espaço cada vez maior dedicado ao assunto pelos veículos de comunicação é um reflexo do crescimento desse setor. É cada vez mais comum que se veja nos supermercados prateleiras exclusivas para produtos orgânicos e em grandes cidades, como São Paulo, é possível até encontrar lojas dedicadas somente a eles. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), apurados no Censo Agropecuário de 2006, primeiro ano em que o dado foi levantado, os estabelecimentos produtores de orgânicos são aproximadamente 1,8% do total, o que representa cerca de 90 mil locais dedicados à atividade. Desde então, o IBGE não realizou novas pesquisas sobre a produção orgânica no Brasil.

Os adeptos listam as vantagens de se consumir esse tipo de alimento, e elas vão desde benefícios à saúde e ao meio ambiente, até um maior respeito à cultura e à sociedade. Mas afinal, o que são exatamente os alimentos orgânicos?

Segundo a definição do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), são: “(…) produtos produzidos em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. (…) Não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos”. A citação está no site Prefira Orgânicos, criado pelo órgão para tratar unicamente deste assunto, o que representa a importância que o governo vem dando para o tema.

Ao contrário do que muitos pensam, não são só as frutas, legumes e verduras que podem ser orgânicos. Existe também produção animal orgânica, que respeita o bem-estar dos animais, dando a eles espaço adequado para movimentação, acesso a luz do Sol e condições para que o comportamento natural da espécie seja mantido. Além disso, o produtor não pode utilizar antibióticos e nem hormônios, e a ração precisa seguir também os padrões citados.

Os critérios rígidos exigem muito cuidado ao colocar à venda um produto dito orgânico. Para garantir que está comprando algo que seguiu realmente todas as normas, os consumidores têm dois grandes aliados: os rótulos e os selos de certificação. “Para uma certificadora dar a um item o selo de alimento orgânico, ela antes verifica a aplicação do plano de manejo orgânico do produtor. Este plano contempla todos os insumos usados na produção vegetal e animal e no processamento. Toda a cadeia precisa ser certificada, incluindo todos os fornecedores”, explica Alexandre Harkaly, diretor executivo do IBD Certificações, instituto que atua no ramo de certificações agropecuárias e alimentícias.

Alexandre lembra que, para saber exatamente o que está levando para casa, é muito importante ler os rótulos. “Nem tudo é produto primitivo. Por exemplo, o produtor de arroz pode fazer também bolo ou suco de arroz. Para isto, ele vai usar conservante, açúcar, acidulante, ou algum outro suco. Para um produto ser considerado orgânico, ele tem que ter 95% de orgânicos na sua composição e o rótulo tem que especificar isso e dizer quais são os itens não orgânicos”, diz o diretor do IBD.

A legislação possui ainda a definição de produtos feitos com ingredientes orgânicos. “Se o fabricante não conseguir chegar ao nível de 95%, ele pode colocar 70% de ingredientes orgânicos, então ele recebe este selo. Por exemplo, um pão feito com o trigo, o ovo e outros itens orgânicos, mas temperado com uva passa, castanha e itens não orgânicos, se enquadra nesse critério”, esclarece Alexandre.

Já que os alimentos orgânicos possuem tantos pontos positivos, porque eles ainda não conquistaram a maioria dos consumidores brasileiros? A resposta é o preço. Eles são mais caros do que os produtos cultivados com os métodos tradicionais, pois apresentam uma menor produtividade por hectare. Ainda não existem levantamentos precisos, mas as especulações são de que a produção orgânica produz na mesma área 30% menos do que a tradicional. Além disso, segundo o Mapa, os insumos necessários para o cultivo e criação são mais caros, devido à pouca oferta.

Para que esse quadro seja revertido, o governo acredita que é preciso fomentar a cadeia produtiva dos orgânicos e investir em tecnologia. Por conta disso, foi instituída oficialmente, no dia 21 de agosto de 2012, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo). “A ideia da Política é articular as ações de entidades públicas e privadas e também da sociedade civil, para que exista mais eficiência e resultados mais rápidos para o crescimento do setor. Ela cria instrumentos para mais transparência, mais diálogo e o estabelecimento de metas”, aponta o coordenador de Agroenergia do Mapa, Rogério Dias

Como incentivos possíveis, Rogério cita benefícios econômicos para os produtores de orgânicos. “Pode ser um crédito diferenciado, remuneração por serviços ambientais, isenções fiscais ou preços diferenciados nas compras governamentais. Todos esses elementos estão dentro da Política Nacional.” Sobre o crescimento do setor, ele afirma: “estamos apenas suprindo uma demanda da sociedade. Os consumidores estão mais conscientes. A Política pretende resolver os gargalos que impedem a expansão iminente dos orgânicos no Brasil”.

Os consumidores também são peça fundamental na visão de Alexandre. “Quanto mais as pessoas se preocuparem com os impactos do que estão consumindo, mais produtos com um modo de produção consciente serão ofertados. Os produtores e suas famílias ficam doentes ao pulverizar suas plantações com agrotóxicos. Quando têm informações, ele preferem cultivar orgânicos, só precisam ter para quem vender ”, enfatiza o diretor do IBD. (Envolverde)

Acordo assinado nesta semana pelo Ministério da Saúde e pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) estabelece metas nacionais de redução de sódio em temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais até 2015. A estimativa é retirar do mercado brasileiro de alimentos processados 8.788 toneladas desse mineral até 2020.

Essa é a terceira etapa de um conjunto de acordos firmados desde 2011 e que já estabeleceram a redução de sódio nos seguintes alimentos: macarrões instantâneos, pães de tipo bisnaga, de forma e francês, mistura para bolos, salgadinhos de milho, batata frita e palha, biscoitos e maionese. Somadas todas as etapas, a previsão é que mais de 20 mil toneladas de sódio estejam fora das prateleiras até 2020.   Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o brasileiro consome uma média de 12 gramas de sódio todos os dias. O valor é quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de menos 5 gramas por dia. Boa parte do consumo de sódio no país, de acordo com o ministério, está associado ao uso de temperos prontos em residências e restaurantes.  

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que o acordo assinado hoje está inserido no Plano Nacional de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis. “Você conquista a adesão voluntária da indústria a partir de um modelo de monitoramento e garante para o cidadão a opção de ter produtos mais saudáveis”, explicou.   Segundo ele, a própria OMS tem até outubro para estabelecer ações de enfrentamento a doenças crônicas como a hipertensão, provocada, entre outros fatores, pelo excesso de sódio na alimentação. “Esse modelo [brasileiro] pode, inclusive, ser o modelo recomendado pela OMS”, disse. “Esse é um modelo de adesão voluntária da indústria e que pode surtir efeito mais imediato”, completou.

Para o presidente da Abia, Edmundo Klotz, os acordos assinados já apresentam resultados significativos. Os números, entretanto, só devem começar a ser quantificados a partir de 2013, já que a indústria tem dois anos para se adequar às novas metas. “Estamos falando de grande quantidade de empresas. Não pode haver discordância”, ressaltou. “Com paciência, temos conseguido”, concluiu.   A lista completa das metas de redução para cada grupo de alimentos pode ser acessada no Portal Saúde. Com relação à margarina vegetal, por exemplo, o acordo prevê redução de 19% ao ano na quantidade de sódio, até 2015. Já o mesmo mineral presente nos cereais matinais deve ser reduzido 7,5% ao ano até 2013 e 15% ao ano até 2015.

“Quem pede voto em troca de água não merece nossa confiança” é o slogan usado por representantes de movimentos sociais para alertar a população do Semiárido a não aceitar o uso eleitoreiro da água e a denunciar a negociação de votos em troca de benefícios durante a campanha para as eleições municipais deste ano. 

Intitulada Não Troque Seu Voto por Água. A Água É Um Direito Seu!, a campanha foi lançada este mês pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), rede formada por mil organizações da sociedade civil que atuam nos estados do Nordeste e em Minas Gerais. Com inserções em rádios locais e comunitárias, além de panfletos e cartilhas, a mobilização tem o objetivo de conscientizar, principalmente, pequenos agricultores.

O coordenador da ASA, Naidison Batista, enfatizou que no momento em que o Semiárido enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos, há políticos que aproveitam as medidas de socorro às vítimas da estiagem, como o fornecimento de carros-pipa e a distribuição de alimentos e de sementes com recursos públicos, para se manter no poder.

“Quando há seca, é comum haver a prática de compra de votos, porque nessas ocasiões principalmente os agricultores mais pobres estão muito fragilizados. Eles têm pouca alimentação para seus animais, para sua família e pouca água. Quando procuram os representantes do poder público para acessar programas de assistência social, é comum ouvirem pessoas dizendo que vão levar água ou alimento, mas que têm que votar no candidato que estão indicando”, afirmou.   Naidison Batista ressaltou que os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, ajudam a reduzir a incidência dessa prática, já que as famílias ampliam sua capacidade de compra de produtos da cesta básica e de água. “Mesmo assim, essas situações ainda são frequentes”, lamentou.

O coordenador da organização não governamental lembrou que oferecer benefícios em troca de voto é crime, conforme previsto na Lei 9.840/99, conhecida como Lei de Combate à Corrupção Eleitoral.  

“Queremos estimular a mentalidade da cidadania, a consciência de que não podemos vender nosso voto por nada. E se houver tentativa de compra da nossa escolha é preciso denunciar ao Tribunal Regional Eleitoral dos estados, ao Ministério Público estadual e até a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]”, alertou.

Quarta, 29 Agosto 2012 19:56

Uma brasileira no pódio científico

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Por Cesar Vanucci *

“Trabalhamos na fronteira máxima do conhecimento.” (Cientista Miriam Tendler)

 

Uma epidemiologista brasileira, Miriam Tendler, do Instituto Oswaldo Cruz, foi alçada recentemente ao pódio da pesquisa cientifica e o seu feito, considerado extraordinário, não mereceu, desconsoladoramente, o destaque a que faz jus na divulgação midiática. Coube-lhe o mérito de haver desenvolvido a primeira vacina do mundo contra a esquistossomose. Essa doença endêmica, causada por parasitas, causa devastações de monta em todo o planeta. Só no Brasil, o número de pessoas enfermas é calculado em dois milhões e quinhentos mil.

Miriam lembra que nosso País figurou sempre no centro das pesquisas ligadas à produção de vacinas. Só que “de maneira muito cruel”. Explica: “Nossa contribuição era de ter as doenças”.

O seu trabalho estendeu-se por três décadas. Em declarações à revista “IstoÉ”, a cientista assinalou que “trabalhamos na fronteira máxima do conhecimento e com altíssima tecnologia para criar a primeira vacina 100% nacional”.

Nessa história toda da extraordinária conquista da ciência brasileira há que se estranhar não tenha o fato recebido por parte da grande mídia a atenção devida. Com tanta “celebridade instantânea”, sem currículo digno de consideração frequentando rotineiramente as colunas e manchetes, bem que poderia ter havido uma tentativa qualquer no sentido de se arranjar espaço mais dilargado para o relato do histórico acontecimento, não é mesmo?

 O Deputado Miro Teixeira fez uma denuncia da maior gravidade, que não encontrou inexplicavelmente repercussão à altura no noticiário nosso de cada dia. Segundo ele, o sigilo fiscal de Dilma Rousseff foi quebrado no andamento da campanha eleitoral em que ela se tornou Presidenta da República. Num outro momento, posterior à campanha de 2010, de acordo com o mesmo parlamentar, interceptações clandestinas, de origem ainda não especificadas, promoveram também a quebra do sigilo telefônico de dezenas de políticos com assento no Congresso Nacional. As graves ocorrências foram levadas ao conhecimento do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ao que o próprio Miro Teixeira informou. Nas rodas políticas nacionais muitas especulações são feitas a respeito de quem poderia estar atrás dessas repulsivas operações criminosas. A expectativa é de que o Ministério da Justiça, valendo-se dos eficientes recursos de investigação da Policia Federal, possa apontar os autores da trama e suas pérfidas motivações. Comenta-se abertamente que a gangue do notório Carlinhos Cachoeira teria participado dessas jogadas execráveis, interessada em coleta de informações que pudessem vir a ser comercializadas. É hipótese que não pode deixar de ser considerada, a levar-se em conta os antecedentes do perigoso e articulado grupo. De qualquer maneira, enquanto a história não é deslindada pelos órgãos competentes, a opinião pública lança no ar uma indagação de total pertinência: por qual razão os grandes veículos de comunicação não deram, até aqui, aos fatos narrados a atenção que, por razões óbvias, fazem merecer.

 Paulo Maluf tem negado, reiteradas vezes, pondo fervorosa convicção na fala, possuir contas bancárias no exterior. Nada obstante, nas Ilhas Jersey – um dos redutos mais procurados no exterior para a guarda, em contas secretas, de dinheiro obtido por malversadores de fundos públicos de todas as partes do mundo – uma corte judiciária vem analisando, no momento, um processo pela disputa da polpuda soma de 22 milhões de dólares no qual o ex-Governador e ex-Prefeito de São Paulo figura como parte. A outra parte no litígio é a Prefeitura de São Paulo, interessada em reaver a importância sob a alegação de que o dinheiro foi desviado de seus cofres à época em que Maluf comandava a administração do mais importante município brasileiro. Vai ficar difícil pacas para Paulo Salim Maluf continuar sustentando, depois de conhecida a decisão judicial, o papo furado a respeito de não ser possuidor de conta alguma em banco naquele “paraíso fiscal”.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve semanalmente para o Blog Viva Pernambuco.

Os voluntários do Comitê da Ação da cidadania Pernambuco solidário prometem lotar o auditório do sexto andar do anexo Nilo Coelho da Assembleia Legislativa de Pernambuco, no Recife, a partir das 11h desta quarta-feira, dia 29 de agosto, para participar da mesa redonda em homenagem ao arcebispo Dom Helder Câmara e ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.O religioso e o cientista social uniram-se em 1993 e se tornaram os maiores incentivadores do movimento que em Pernambuco atua para erradicar a miséria com o exercício da plena cidadania e da solidariedade. O presidente do Poder, deputado Guilherme Uchoa foi o autor do encaminhamento da solicitação do Comitê da Ação e deverá dar as boas-vindas aos participantes do ato.

Para falar da convivência com dom Helder, o Dom da Paz, falecido a 27 de agosto de 1997, foram convidados o advogado e integrante da Comissão Estadual da Verdade, professor Manoel Matos, Padre João Pubben, amigo que celebrava missas com Dom Helder, os vereadores Marcelo Santa Cruz (Olinda) e Augusto Costa (Paulista) e o cantor popular Ed Carlos. Cada um falará da herança de Dom Helder em suas vidas e para a sociedade como um todo.

A homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, que dia 9 de agosto passado completou 15 anos de falecimento, virá com a exibição do documentário Três Irmãos de Sangue que conta a saga do sociólogo e de seus irmãos: o “Cartunista das Diretas”, Henfil, e o músico Chico Mário.  Desde que Betinho e Dom Helder incentivaram a Ação da Cidadania a trabalhar voluntariamente contra a exclusão e a miséria, o Brasil se tornou a grande referência mundial de políticas para erradicação da pobreza. Mesmo assim, milhões ainda vivem sob insegurança alimentar, especialmente no Nordeste que enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos, que no Pernambuco já contabiliza 119 municípios em Estado de Emergência, com mais de 1,1 milhão de pernambucanos amargando a escassez de água, alimentos e renda.

Do Portal G1

Quem trabalha por conta própria e quer se aperfeiçoar no que faz pode se inscrever, a partir desta terça-feira (28), no projeto "Ideias". Serão oferecidas cerca de duas mil vagas, através de cursos no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). As inscrições devem ser realizadas no site da Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo (STQE).   As oportunidades de capacitação são para empreendedores individuais ou autônomos, que passam a ter agora também uma nova agência do trabalho direcionada ao setor. A nova agência fica localizada na Rua da União, na Boa Vista, centro do Recife. “A agência de trabalho é muito conhecida na intermediação do trabalho assalariado, com vínculo empregatício, mas o trabalho individual está ganhando cada vez mais importância na vida das pessoas e das empresas. Hoje, em Pernambuco, temos mais de 90 mil empreendedores individuais formalizados, além de uma grande quantidade de autônomos que podem se formalizar”, contou Antônio Carlos Maranhão, secretário de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo.   As vagas, inicialmente, estarão disponíveis em dez municípios pernambucanos, e são direcionadas a profissionais como diaristas, mecânicos, técnicos em refrigeração e eletricistas. “Todos os serviços são gratuitos; podem se capacitar desde para realizar um pequeno plano de negócio, um cálculo de custo, de gerenciar, até numa capacitação especifica, como refrigeração, pedreiro, gesseiro, no comércio de cosmético”, disse Antônio Carlos Maranhão. Dentro do projeto, os alunos irão também ter orientações para desenvolver melhor a administração do negócio. “Não é só para falar de capacitação, mas também de acesso a crédito, a serviços financeiros”, completou Ana Cláudia Dias, secretaria-executiva de empreendedorismo.   Os primeiros cursos estão previstos para começar em 21 de setembro, mas as inscrições acontece até que as 2 mil vagas sejam preenchidas. Quando a pessoa se inscrever, ela será informada sobre o local onde deve ser feita a matrícula. As cidades que oferecem os curso são Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Caruaru, Garanhuns, Goiana, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata.

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Uma solução segura, criativa e barata entrará em breve no mercado de eventos no Brasil. É a venda de ingressos para diversas atrações de entretenimento nas Casas Lotéricas de todo o país. A novidade foi criada após um convênio da empresa “Ingresso Lotérico Organização de Eventos” com a Caixa Econômica Federal (CEF). Com este novo método, serão disponibilizados mais de 11 mil pontos de vendas em todo o país.

Entre as vantagens dessa nova modalidade está a praticidade para o público, já que o ingresso é para ser usado do jeito que é emitido na Casa Lotérica, com a impressão do código de barras, não sendo necessária a troca antes do evento. Com esta ação também será ampliada a capacidade de atendimento e comercialização de ingressos, principalmente se forem consideradas a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Outro ponto importante é a segurança que este procedimento traz para os organizadores, já que não há transporte de valores das bilheterias dos eventos até o banco. “Estamos num momento de captação de shows e produções para colocar em prática o projeto. Foi um investimento de cerca de R$ 2 milhões para o desenvolvimento de softwares que funcionam todos os dias, durante 24 horas”, reforçou o empresário Raimundo Nonato, da Ecos Eventos, que criou o projeto em parceria com Artur Brito, da Agência Lampejo. Por meio desta novidade, também será possível a compra de um ingresso para assistir a um show, por exemplo, que será em outro estado. 

Por Júlio Bernardes, da Agência USP

 
Treino físico complementa medicação para disfunção vascular coronária (DMC)O treinamento físico para portadores de disfunção microvasular coronária (DMC) melhora a perfusão miocárdica (chegada do sangue ao coração) e reduz a dor precordial (dor no peito de origem cardíaca), revela pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Os exercícios foram testados pelo fisioterapeuta Eduardo Elias Vieira de Carvalho, sob orientação do professor Marcus Vinícius Simões, da FMRP. O treino também aumenta a capacidade funcional, a qualidade de vida dos pacientes e complementa o tratamento medicamentoso, que é eficaz em apenas 50% dos casos de DMC.

O estudo foi realizado no Programa de Reabilitação Cardíaca do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), coordenado pelo professor Lourenço Gallo Junior, dentro do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Divisão de Cardiologia da unidade. “O programa é dividido em quatro fases: a hospitalar (fase I), a ambulatorial supervisionada (fase II) em esteiras esgométricas e cicloergômetros, ambulatorial semi supervisionada (fase III) com caminhada na pista de atletismo no campus da USP em Ribeirão Preto, e fase não supervisionada (fase IV) feita em academias ou praças”, conta o fisioterapeuta. Atualmente, o programa possui 480 pacientes ativos cadastrados.

“A pesquisa contou com 19 pacientes, sendo 12 homens e 7 mulheres com média de idade de 53 anos, que participaram da segunda fase, com acompanhamento médico cardiológico, fisioterapêutico e da equipe de enfermagem”, diz o pesquisador. “Eles não passaram pela orientação nutricional que é oferecida pelo Programa para que fosse posível fazer uma verificação mais precisa dos efeitos do treinamento físico combinado com a medicação”. Durante quatro meses os pacientes treinaram uma hora por dia, três vezes por semana.

Em cada sessão, eram coletados dos dados vitais como pressão arterial, frequência cardíaca e nível de glicose no sangue. “Depois de um aquecimento de 5 a 10 minutos, eles faziam meia hora de esteira, seguindo um ritmo adequado aos resultados do seu Teste Cardiopulmonar (TCP), e por fim, uma atividade de relaxamento”, relata Carvalho. “Ao final do período de treinamento, depois de novos exames e da aplicação de um questionário de qualidade de vida verificou-se uma melhora da capacidade funcional dos pacientes e a redução das dores e dos defeitos de perfusão miocardica”.

Efeitos

Dos 19 pacientes que iniciaram a pesquisa, 12 foram encaminados para a fase 3 do Programa de Reabilitação Cardíaca do HCFMRP. Quanto aos demais, a maioria deixou o programa quando diminuiram as dores no peito. “Esta etapa do estudo comprovou o efeito benéfico da atividade física.”, ressalta o fisioterapeuta. “Agora, uma nova fase da pesquisa vai identificar os mecanismos fisiológicos responsáveis por esse benefício”.
A DMC, por apresentar dor precordial (angina no peito) como sintoma, pode ser confundida e tratada como se fosse uma Doença Arterial Coronária (DAC). “Esse quadro do paciente está associado com isquemia miocárdica, problema que leva ao infarto”, afirma Carvalho. “O padrão das dores é semelhante, elas surgem em momentos de estresse e esforço físico e diminuem quando a pessoa está em repouso”.

A diferenciação entre as duas doenças é feita com testes de esforço realizados em esteira, exames de cintilografia miocárdica e cateterismo. “Desse modo, é possível identificar lesões coronarianas, como obstrução das artérias, presentes nos portadores de DAC”, afirma o fisioterapeuta. “Os pacientes com DMC apresentam apenas defeitos perfusionais reversíveis, ou seja, algumas regiões do coração não estão recebendo sangue corretamente”.

O tratamento da DMC é realizado com medicamentos. No entanto, a medicação é eficiente apenas em 50% dos pacientes que apresentam a disfunção, não revertendo os problemas de circulação e nem diminindo a dor. “A prática regular de treinamento físico melhora a função endotelial, relacionada com a elasticidade das artérias, fazendo com que se dilatem e circule mais sangue pelo órgão”, conclui Carvalho.

Segunda, 20 Agosto 2012 20:35

Aprenda a fazer desinfetante ecológico

Escrito por

Do Ciclovivo

Para ter uma vida mais sustentável o ideal é buscar sempre os produtos naturais e que, na medida do possível, tenham o menor impacto possível no meio ambiente. O problema é que em alguns casos parece complicado seguir a linha ecologicamente correta. É o caso dos produtos para limpeza. Disponíveis em qualquer mercado, porém quase todos são tóxicos e prejudiciais à natureza.

Como é impossível evitar o uso de materiais de limpeza, a solução então é fazer seus próprios produtos. Confira esta dica do CicloVivo, que ensina como fazer um desinfetante ecológico. A dica é da empresa Surya Brasil que não utiliza mais produtos de limpezas tóxicos.

A preparação é simples e requer poucos ingredientes:

1 litro de álcool

1 limão

1 colher de bicarbonato de sódio

Ervas aromáticas (lavanda, hortelã, eucalipto, etc.)

1 litro de água ou vinagre

1 garrafa pet

Escolha as ervas aromáticas de sua preferência e coloque-as dentro de um litro de álcool. Deixe essa mistura em um local escuro por três dias.

Após esse período, pegue a garrafa pet e dentro dela misture um copo do álcool com ervas, a água ou vinagre, o limão e o bicarbonato de sódio. Para cada litro de desinfetante é usado apenas um copo de álcool. Mesmo assim, a composição do líquido com as ervas pode ser armazenadas uso posterior.

A receita foi elaborada pela Surya Brasil, fundada em 1995. Ela oferece cosméticos naturais e orgânicos com ervas e frutas importadas da Índia e da Amazônia.

A empresa produz colorações, xampus, condicionadores, hidratantes corporais, sabonete líquido, máscara capilar, entre outros produtos. Importante também ressaltar que ela não testa nenhum produto em animais.

Por Fernanda B. Muller, do Instituto CarbonoBrasil

Em uma época negra para a preservação do patrimônio da sociobiodiversidade brasileira, com mudanças retrógradas na legislação e desrespeitos aos povos tracionais, muitas pessoas querem atuar por si próprias, não esperando ações do governo para salvaguardar ecossistemas ameaçados.

Uma das alternativas para tal empreitada foi trazida há mais de uma década pela Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC.

Já que, no caso da Mata Atlântica, cerca de 80% dos remanescentes estão em propriedades privadas, a figura das Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) constitui uma ferramenta excelente para os donos de áreas com beleza cênica ou atributos de diversidade biológica significativos.

Muitas destas áreas já são atualmente alvo de proteção jurídica, caracterizadas como Áreas de Preservação Permanente ou Reserva Legal, porém, com a designação como RPPN, elas passam a ter alguns benefícios extras.

Um deles é a garantia de que a área será preservada perpetuamente, podendo ser revogada apenas através de decreto ou lei específicos.

A RPPN pode ser utilizada para o desenvolvimento de pesquisas científicas e visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, o que pode resultar em renda para o seu proprietário se bem administrada.

Outros benefícios da criação de uma RPPN são a isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e a prioridade na demanda por recursos em instituições financeiras e em programas federais e estaduais, como o Fundo Nacional do Meio Ambiente.

A possibilidade de se obter apoio dos órgãos ambientais para fiscalização da área também é um dos pontos positivos que muitos proprietários enxergam, já que sofrem com a caça ilegal em suas terras.
Já são mais de mil RPPNs ao redor do Brasil, com 68% na Mata Atlântica e 18% no Cerrado. Em termos de área, 690 mil hectares de áreas nativas estão sendo protegidos, com 38% desta área no Pantanal, 24% no Cerrado e 19% na Mata Atlântica.

Minas Gerais e Paraná, com 242 e 217 respectivamente, são os estados com maior número de RPPNs. Isto, segundo especialistas, se dá principalmente devido ao maior incentivo que estes estados dão à criação destas áreas.

O Paraná, por exemplo, foi o primeiro a reconhecer as RPPNs em suas políticas públicas estaduais, inclusive com a regulamentação do ICMS Ecológico. A tendência é justamente esta, que o número de reservas criadas aumente de acordo com a regulamentação e apoio fornecido pelos estados, que estão mais perto dos proprietários do que o ICMBio, cujo departamento responsável pelas RPPNs se encontra em Brasília.

Muitas vezes, algumas informações errôneas impedem que os proprietários decidam pela criação de RPPNs.

Uma dúvida recorrente é se a área deixa de ser de sua propriedade e passa para o domínio público por ser uma Unidade de Conservação (UC). Como o próprio nome diz, este é um tipo de UC particular, portanto, o domínio continua a ser privado e o dono tem responsabilidade sobre a área, podendo vendê-la, se assim desejar.

Porém, mesmo com a venda, a área não deixa de ter a característica de uma RPPN e o próximo proprietário também tem o dever de preservá-la e, por isso mesmo, muitas pessoas decidiram criar a sua reserva.

Como funciona

Para criar uma RPPN, o proprietário precisa primeiramente pesquisar e decidir qual o melhor caminho: seguir as diretrizes federais, sob a responsabilidade do ICMBio, estaduais ou municipais, estas últimas variando caso a caso. São dezesseis estados brasileiros que já têm leis aprovadas para a criação de RPPNs.

O próximo passo é reunir os documentos exigidos pelos órgãos ambientais, como o certificado de cadastro do imóvel rural, certidões negativas de débito do imóvel (na Receita Federal), documentos cartoriais e peças cartográficas (plantas do imóvel e da área da reserva proposta). O proprietário precisa assinar um termo de compromisso no registro de imóveis.

No geral, se a documentação exigida pelos órgãos ambientais estiver completa, o processo de homologação de uma RPPN leva cerca de seis meses, podendo se prolongar se houver necessidade de complementação.

Nesta etapa inicial, os custos envolvidos são apenas os referentes aos documentos exigidos, como as cobranças de cartório e para a elaboração das plantas do terreno.

O ICMBio produziu o Roteiro para Criação de RPPN Federal que visa guiar os interessados.

Após a criação, o proprietário precisa realizar um Plano de Manejo, a base para que possa gerir a sua Unidade de Conservação. Um documento técnico, o plano estabelece o zoneamento da RPPN e as normas que devem guiar o uso da área e o manejo dos recursos naturais.

O Instituto Ambiental do Paraná elaborou um roteiro detalhado para o planejamento de RPPNs, dividindo em três modelos de elaboração de Planos de Manejo de acordo com o estado de conservação da área e as atividades que se pretende desenvolver em seu interior.

Relatando a sua experiência na elaboração do Plano de Manejo da RPPN Serra do Lucindo, recém-criada em Santa Catarina pela Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (APREMAVI), Marcos Alexandre Danieli pondera que o documento não é fechado, portanto, sua primeira versão não precisa ser exaustiva, por exemplo, ao tratar do diagnóstico da biodiversidade presente na área.

Neste caso, ressalta Danieli, o Plano de Manejo teve custos pouco superiores a 40 mil reais, sendo que a metade foi financiada por editais específicos para tal. Os custos do plano também podem ser totalmente cobertos por estes editais.

Incentivos financeiros

O fluxo de recursos para a criação e efetivação das RPPNs é diverso, porém nem sempre tão óbvio.
A fonte mais utilizada pelos proprietários é o edital anual do Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica, uma parceria entre a Conservação Internacional-Brasil, a Fundação SOS Mata Atlântica e a The NatureConservancy (TNC). O programa é alimentado por recursos de doações.

Seu objetivo é contribuir para a conservação in situ da biodiversidade da Mata Atlântica, fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), as RPPNs existentes e fomentar o engajamento de proprietários de terras na criação e implementação das reservas privadas no bioma.

“Não queríamos ser burocratas, mas sim que o próprio proprietário pudesse acessar os recursos”, comentou Mônica Fonseca, coordenadora de Serviços Ecossistêmicos na Conservação Internacional.

Além de apoiar diretamente as RPPNs, o programa também auxilia no fomento a políticas públicas voltadas para as Unidades de Conservação, incluindo recursos para instrumentos econômicos como Pagamentos por Serviços Ambientais e ICMS Ecológico e no fortalecimento de lideranças, a exemplo das associações estaduais de RPPNistas.

Até agora, 303 projetos, sendo 225 na área de criação e 78 de gestão de RPPNs, foram apoiados pelo Programa.

Tendo encerrado recentemente o seu 11° edital, o programa também oferece recursos por demanda espontânea, porém geralmente apenas projetos de grande porte são beneficiados por este tipo de financiamento (nove até o momento).

Outras fontes de recursos são o Fundo Nacional de Meio Ambiente, fundos de reparação de bens lesados (Ministério Público), compensações ambientais (órgãos licenciadores), parcerias com empresas e ONGs, ICMS Ecológico e Pagamentos por Serviços Ambientais -PSAs (nos estados que têm leis específicas).

Iniciativas regionais

No caso dos PSAs, o Projeto Oásis, pioneiro no estado de São Paulo, já beneficia os proprietários de RPPNs. Para receber os PSAs, o proprietário de áreas verdes recebe uma pontuação de acordo com as características naturais da sua área, sendo o estabelecimento de uma RPPN um dos critérios de maior bonificação (Saiba mais sobre PSAs).

“Com isso esperamos reconhecer quem tem RPPN e estimular quem não tem a ter. O projeto de PSA se encaixa muito bem com as RPPNs, pois quem as cria está conservando os serviços ambientais”, comentou André Ferretti, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, criador do Projeto Oásis.

No âmbito governamental, o estado de São Paulo está trabalhando em esquemas de apoio às RPPNs através dos PSAs como parte da sua política estadual de mudanças climáticas, esquema ainda não implementado.

O fomento às RPPNs vindo da conservação dos estoques de carbono ainda é tímido, mas presente no Brasil. No Paraná, existe o exemplo do Programa de Desmatamento Evitado da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Algumas iniciativas isoladas e independentes também de destacam, como a RPPN Rio Lucindo, de Santa Catarina, que através de uma parceria com a ONG espanhola Acciónatura realizou o inventário de carbono dos seus 316 hectares e pode vender as cotas de neutralização de emissões resultantes.

O ICMS Ecológico, um instrumento que beneficia os municípios com grandes áreas de conservação, é uma forma consistente de incentivo às RPPNs, porém poucos estados e municípios aprovaram suas legislações, entre eles Paraná e Minas Gerais.

“Existe na lei a possibilidade de que parte do recurso que vai para a prefeitura possa ser direcionado para o proprietário de uma RPPN. Em cada município há necessidade de os vereadores aprovarem uma lei para tal. Há municípios no Paraná onde metade da receita vem de ICMS Ecológico. O recurso pode ser repassado ao proprietário diretamente ou indiretamente, por exemplo, fazendo benfeitorias no entorno da RPPN”, explicou Ferretti.

Devido a toda esta colcha de retalhos, é essencial que o interessado na criação da sua reserva analise bem qual a instância – federal, estadual ou municipal.

“Por exemplo, os municípios de Curitiba e São Paulo têm RPPN Municipal, com alguns benefícios estabelecidos. Em Curitiba, o proprietário de RPPN tem o direito de negociar parte do potencial construtivo do imóvel com construtoras que vão usar este índice em outras regiões estabelecidas no Plano Diretor como prioritárias para tal. São Paulo vai na mesma linha, mas são poucos os municípios que têm estas leis.”

“No caso do ICMS Ecológico, o Instituto Ambiental do Paraná quando avalia pontua mais as RPPNs estaduais do que federais. Isso não é muito interessante, afinal todas são RPPNs. Portanto, é essencial avaliar a instância de criação”, conclui Ferretti.

Ainda falta muita organização nos diversos níveis federativos para que o estímulo à proteção de áreas naturais seja real e efetivo, porém as alternativas existem e já auxiliam muitos proprietários de RRPN ao redor do Brasil.

“Hoje, em geral, há ainda muito pouco beneficio perto do que poderia ter, o que se divulga muito é a isenção de ITR, mas esse imposto é baixo, então na maior parte das vezes acaba não sendo um grande incentivo. Além disso, existem outros incentivos na legislação que nem sempre são cumpridos, como a priorização para créditos agrícolas. Muitas vezes o próprio Banco do Brasil, o agente financiador, nem sabe que isto está na Lei. Então é importante utilizar e conhecer os benefícios que estão dentro da lei e demandar do poder público que sejam realmente oferecidos”, enfatiza Ferretti.

Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, divulgados em junho, a pesquisa O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, realizada desde 1992, mostrou que a consciência ambiental no país quadruplicou.

As versões do levantamento mostram, que enquanto na primeira edição, que ocorreu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, 47% dos entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais. Este ano, apenas 10% ignoravam a questão.

Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.

Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, disse .

Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.

“ Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.

Atitudes ambientalmente corretas

Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.

A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.

Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, disse a secretária.

Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na Região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.

Entre os problemas ambientais apontados, o desmatamento das florestas continua no topo da lista elaborada pelos entrevistados. “A preocupação com rios e mares [que continua na segunda posição do ranking] se eleva a partir de 2006. Já é impacto da Politica Nacional de Resíduos Sólidos [criada em 2010]”, disse ela.

“O bioma Amazônia continua sendo considerado o mais ameaçado na opinião das pessoas”, disse Samyra Crespo, comparando as edições da pesquisa. Em 2006, por exemplo, 38% dos entrevistados estavam dispostos a contribuir financeiramente para a preservação do bioma. Este ano, o índice cresceu para 51%.

Samyra Crespo ainda aposta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos vai provocar mudanças econômicas, criando um ambiente de estímulo à reciclagem. “Temos que trabalhar tanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental. Os produtos corretos concorrem hoje nas mesmas condições”, disse ela, acrescentando que “não é tão simples porque você trabalha toda a cadeia do produto e temos poucos estudos de ciclos do produto”.

No decorrer dos últimos vinte anos, a população também mudou a forma como distribui as responsabilidades sobre meio ambiente. “Em 1992, o governo federal era o maior responsável. Isso vai diminuindo e a responsabilidade foi sendo atribuída às prefeituras. Continua a tendência a achar que é o governo [federal], mas cada vez mais o governo local é priorizado”, disse Samyra Crespo.

FITOO Recife irá receber mais uma vez o Festival de Teatro de Objetos (Fito).

 

Neste ano o festival acontece no Marco Zero, de 14 a 16 de setembro. Além de espetáculos que encantam adultos e crianças, o esta edição do Fito oferece também duas oficinas de formação. Entre as peças que serão apresentadas o destaque é o espetáculo “Zoo Ilógico”, do grupo Truks, que conta a história de dois amigos que resolvem fazer um piquenique no zoológico.

 

Na segunda edição do FITO Recife teremos também shows de Hermeto Pascoal e Naná Vasconcelos

 

A programação completa do festival e mais informações estão disponíveis no site:www.fitofestival.com.br/recife2012

 

 

Quarta, 15 Agosto 2012 12:36

Música clássica na Igreja do Carmo em Olinda

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A Banda Sinfônica do Centro de Educação Musical de Olinda (CEMO) vai abrir em grande estilo as comemorações do trigésimo aniversário da instituição. O grupo, composto por 40 músicos, vai se apresentar nesta quinta-feira, dia 16, às 19h, na Igreja do Carmo, no Sítio Histórico de Olinda. Essa será a primeira apresentação musical na recém restaurada igreja, o que torna a ocasião ainda mais especial.

A apresentação, aberta ao público, marcará o início das comemorações dos 30 anos do CEMO e acontece durante a V Semana do Patrimônio, Cultural de Pernambuco, realizada entre os dias 13 e 17 de agosto e que presta homenagem aos 30 anos do título de Olinda como Patrimônio Cultural da Humanidade. Além da apresentação na igreja do Carmo, o CEMO está com mais quatro apresentações comemorativas agendadas até o mês de novembro.

As demais apresentações acontecerão nos dias 30 de agosto e 20 de setembro, no Mosteiro de São Bento e nos dias 4 de outubro e 22 de novembro, novamente na Igreja do Carmo. Uma quinta apresentação foi agendada para o dia 8 de setembro, na Igreja São João dos Militares, durante a Mostra Internacional de Música de Olinda – Mimo, que acontece entre os dias 3 e 9 de setembro.

A apresentação desta quinta-feira terá no repertório nomes composições clássicos como Johann Strauss, Ennio Morricone, Paul Dukas, Ludwig van Beethoven, Giacomo Rossini. A regência será do maestro Nilson Lopes.

Para as demais apresentações, o repertório será diferente com canções populares, eruditas, trilhas sonoras de filmes e também algumas releituras de músicas clássicas. “Estamos mais do que felizes com esta série de apresentações e ter o privilégio de sermos o primeiro grupo a tocar na Igreja do Carmo faz este aniversário de 30 anos ainda mais especial”, explica a diretora do CEMO, Anaide da Paz. Segue abaixo o programa da apresentação desta quinta-feira. 

“Realizar esta apresentação durante a V Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, que acontece em Olinda, é a forma ideal de prestar uma justa homenagem ao próprio CEMO, que também comemora 30 anos. A Igreja do Carmo será o cenário perfeito para esta celebração, que representa na verdade um presente do CEMO para a própria população de Olinda”, afirma a secretária de Patrimônio e Cultura de Olinda, Márcia Souto.


PROGRAMA

La Péri                                                           Paul Dukas/ Arr.Robert Longfield

Gabriel”s Oboe                                   Ennio Morricone/ Arr. Robert Longfield

Radestsky March                                          Johann Strauss/ Arr. Nilson Lopes

Habanera                                                         Georges Bizet/ Arr.Nilson Lopes

Trompeta de Espanha                                                Gilberto Gagliardi / Arr. Neves

Quinta Sinfonia - Finale                                                 Ludwig van Beethoven

William Tell Overture (Finale)           Giacomo Rossini/ Arr. Robert Longfield

Terça, 14 Agosto 2012 20:34

Tempestade de areia

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Por Cesar Vanucci *

“Está entrando areia na Primavera Árabe”.
(Antônio Luiz da Costa)


Os sonhos de democratização a médio prazo levados por multidões às praças e ruas vão sendo paulatinamente desfeitos pela vontade armada dos militares egípcios, com suas escancaradas intervenções no processo político. Alterando despoticamente as decisões das urnas, eles ordenaram ao Judiciário, extremamente dócil aos seus caprichos, que dissolvesse o Parlamento do país pouco depois de conhecidos os resultados eleitorais. Não se contrapuseram aparentemente, com hipócritas intenções de fazer média nas relações internacionais, à posse do Presidente eleito, Mohamed Mursi. Mas deram um sintomático “chega pra lá” no chefe do governo, em termos legais seu superior hierárquico, assim que ele anunciou a disposição de restabelecer as atividades do Congresso Nacional. Num comunicado curto e grosso, dizendo de sua firme disposição em não abrir mão das rédeas do poder, os generais desautorizaram o Presidente, negando-se a reconhecê-lo como chefe supremo das Forças Armadas e se atribuindo as prerrogativas de designarem entre seus integrantes os responsáveis, doravante, pelas tarefas legislativas. Fica evidente que a força militar egípcia, desde os tempos de Nasser poderoso suporte dos regimes totalitários que se sucedem no país, apesar das promessas de abertura democrática anunciadas por ocasião da já agonizante “Primavera árabe”, pretendem perpetuar-se nas privilegiadas posições que hoje ocupam. Nessas posições, eles se permitem, além de manter os controles decisórios políticos e administrativos, gerir empresarialmente (pasmo dos pasmos!) cerca de 30 por cento das atividades econômicas mais rendosas do país, comandando setores (como hotelaria e turismo) que nada têm a ver com sua missão institucional.

A tempestade de areia que ora tolda os horizontes políticos da Nação dos faraós parece passar desapercebida às grandes potencias e à grande mídia internacional. Enigmáticos que nem a Esfinge de Gizé, apegados ferrenhamente às suas egoísticas conveniências geo-político-econômicas, esses setores recusam-se a emitir qualquer palavra de condenação, de critica mais inflamada, de censura por vias diplomáticas às inocultáveis peripécias antidemocráticas praticadas pelos verdadeiros “donos do poder” no Cairo.

Enquanto isso, imersa numa guerra civil marcada pela rotina do terror, a Síria põe à prova a impotência da comunidade das nações para achar saídas na crise humanitária de tremendas proporções que se abate sobre uma região estratégica dominada por bestial despotismo e antagonismos tribais enraizados. O massacre sistemático de civis, conduzido pelas forças leais ao ditador Bashar al-Assad, já com quase dois anos de duração, comportando represálias virulentas dos opositores, tal qual aconteceu na Líbia, causa perplexidade e indignação, sem todavia gerar ações diplomáticas eficazes capazes de porem cobro à terrível situação.

Os esforços da ONU no sentido de uma trégua esbarram em intransigências, vetos e conveniências variadas, no momento intransponíveis.

O apavorante conflito encerra, na verdade, aspectos deveras singulares. Entre os oponentes do déspota que se agarra, a exemplo dos generais egípcios, ao desejo de se perpetuar no poder está a sinistra Al Qaeda. Esta circunstância leva não poucos observadores a sustentarem a tese de que a intenção secreta de alguns é deixar tudo como está pra ver como é que fica. A incandescente retórica de condenação aos atos da ditadura síria não passaria assim de uma espécie de camuflagem face aos rumos imprevisíveis que a apavorante contenda pode acabar assumindo. A geopolítica, sempre ela, comporta coisas assim, gente boa.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

A visão sobre a morte pode ser mudada a partir da tomada de consciência sobre o que permanece. Esta é a abordagem científica do seminário “A Arte de Viver a Passagem”, um dos oito módulos da Unipaz (Universidade Internacional da Paz), idealizados pelo psicólogo francês, Pierre Weil, que será facilitado por Lydia Rebouças, no Recife, dias 24 e 25 de agosto, na sede da Unipaz-PE, no Rosarinho, dando continuidade à Formação Holística de Base (FHB) 2012.

O evento traz no conteúdo programático tópicos inspirados na cultura tibetana, com o célebre ‘Livro da Vida e da Morte dos Tibetanos’, que investiga a impermanência, a roda tibetana da vida, a clara luz e o bardo, além de outros temas. Psicóloga com 27 anos de experiência clínica, Lydia Rebouças é uma das fundadoras da Unipaz no Brasil e, atualmente, vice-reitora da instituição. As inscrições e informações sobre o curso podem ser obtidas na Secretaria da Unipaz pelos telefones 32442742 / 97251415 ou pelo site www.unipazrecife.org.br

O seminário “A Arte de Viver a Passagem” é voltado para aprendizes da FHB, educadores, psicólogos clínicos e transpessoais, além do público em geral. “O que será levado aos participantes possibilitará reflexões sobre a aprendizagem do viver e do morrer como estágios provisórios baseados na lei da impermanência e de que a morte, além de uma ilusão é uma grande oportunidade de transcendência”, explica a facilitadora do seminário, Lydia Rebouças.

Apoiando-se nas descobertas mais recentes da Psicologia Transpessoal e da Parapsicologia e para responder a perguntas existenciais como: O que estou fazendo aqui? qual o sentido da vida? o que há depois da morte? para onde vamos? Pierre Weil, pioneiro na Psicologia Transpessoal no Brasil, elaborou este seminário que segundo os organizadores, “aponta para as possibilidades que representam os intervalos existentes antes, durante e depois da passagem, para realizar a verdadeira natureza do espírito.

O investimento para associados é de  R$80,00, para aprendizes de R$ 120,00 e para não associado, de R$150,00. De acordo com o coordenador geral da Unipaz Recife, Manoel Serpa Durão, este seminário segue os preceitos do Colégio Internacional dos Terapeutas, “que não separa no ser humano o corpo, a psique, a consciência e a essência”.

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