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Linha Editorial

  • "Mídia Construtiva é também lançar o olhar crítico sobre problemas, apontar falhas, denunciar. Contribuindo para a corrente que tenta transformar o negativo em positivo."

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Segunda, 14 Abril 2014 15:24

Alimentos 0 km, além do marketing

Escrito por

Por Esther Vivas*
Falar de produto 0 km está na moda. O movimento Slow Food começou a promover este conceito nos anos 1990 em defesa de uma alimentação local, saudável e de qualidade. O que chamam de comida “boa, limpa e justa”, em oposição à comida “fast food”. No entanto, agora, inclusive bancos como o Catalunyacaixa promovem seus serviços com este lema: “Banco 0 km, banco de proximidade”. O local, e mais ainda num contexto de crise, vende. Mas, o que queremos dizer quando falamos de 0 km? Trata-se de uma moda, de uma marca ou de uma aposta na mudança?
O pessoal do Slow Food tem isso claro. Promover os alimentos 0 km implica em apoiar uma agricultura local, de proximidade, ecológica, de estação, camponesa, resgatar variedades antigas que estão desaparecendo, comprar diretamente do pequeno produtor, recuperar a nossa gastronomia. Uma cozinha na qual não há lugar para os transgênicos ou para aqueles cultivos que contaminam o meio ambiente e a nossa saúde. Uma alimentação que defende produzir, distribuir e consumir à margem da agroindústria e dos supermercados. Comer bem, em suma, em benefício da maioria, seja no campo ou na cidade.
Uma proposta que pegou. Tanto que alguns a utilizam inclusive como mero instrumento de marketing, esvaziando-a de conteúdo, com o único objetivo de vender mais. O Catalunyacaixa é o expoente máximo. Não tem vergonha em definir-se, na Catalunha, como “banco 0 km”, e acrescenta “trabalhando aqui e para as pessoas daqui”. Embora dissesse melhor: “enganar e trapacear aqui e para as pessoas daqui”. Os supermercados não ficam de fora. Agora, o Carrefour, Mercadona, Alcampo, Eroski, El Corte Inglés dizem apostar no local. Esquecem, no entanto, que suas práticas, precisamente, acabaram com o comércio, o emprego e a agricultura locais.
Em tempos de crise, a alimentação com bandeira vende. Consumo nacional e alta qualidade. Na França, há anos, a extrema direita reclama o “Made in France”, isso sim, sangue puro. Antes, o Partido Comunista francês abraçava esta consigna. Nos Estados Unidos, os conservadores, nos anos 1990, fizeram campanha com a consigna “Buy American” contra o Tratado de Livre Comércio da América do Norte. E aqui, agora, alardeia-se o “Hecho en España”. Primeiro o de casa. Exigir local, ao contrário, nada tem a ver com uma questão de bandeiras, mas de justiça. O leitmotiv do 0 km encontra-se nas antípodas do que defendem os que levantam estandartes.
Trata-se de promover uma produção e um consumo de proximidade com o imprescindível olhar da soberania alimentar, devolvendo a capacidade de decidir das pessoas, apostando em um mundo rural vivo, com total respeito à “Mãe Terra” e em aliança e solidariedade com os outros povos. O contrário dos chovinismos e racismos. Nada a ver com o agronegócio e o poder financeiro. Apenas dessa maneira a defesa do local faz sentido.
* Tradução de espanhol para português de André Langer para Ihu.unisinos.br.
Publicado originalmente no jornal espanhol Público

Confira abaixo o texto da carta de intenções do blog Da Catalunha para o Mundo, ancorado na página do portal de notícias Vilaweb (http://www.vilaweb.cat/), sediado em Barcelona, assinado por mim. Os que quiserem acessar o blog podem fazer através do endereço: http://blocs.mesvilaweb.cat/TaizaBrito. E também acompanhar as publicações através da Fanpage no facebook: https://www.facebook.com/DaCatalunhaparaoMundo.

 

Da Catalunha para o Mundo: Declaração de Intenções

Por Taíza Brito

2014 será um ano decisivo, não somente para o Brasil, que sediará a Copa do Mundo e vivenciará eleição presidencial, como também para a Catalunha, uma nação dentro da Espanha, com língua própria, que chega a uma encruzilhada histórica. É que lá um grande movimento social vem lutando pela realização de um referendo este ano para decidir o seu futuro político.

O processo reivindicatório de independência da Catalunha chama a atenção pelo seu caráter pacífico e democrático, diferente de outros movimentos separatistas que ganharam os holofotes mundiais pelo uso da violência. E a cada dia, a maré soberanista conquista mais terreno, impulsionada pela mobilização cidadã e política.

Diante deste fenômeno político, que ressurge ciclicamente na história da Catalunha, o governo da Espanha opõe como um muro de contenção a Constituição de 1978, que explicita a impossibilidade de secessão de um território do seu conjunto. Mas, os catalães lembram que o texto constitucional foi lavrado no ocaso da ditadura de Franco, ainda sob a ameaça do estamento militar. E diante do principio da legalidade antepõem o princípio anterior da legitimidade democrática.

Quem está atento aos acontecimentos percebe que os defensores da independência política da Catalunha não estão dispostos a dar passos atrás. Ou seja, seguem firmes no propósito de realizar o referendo marcado para 9 de novembro de 2014, de modo a poder exercer o direito à autodeterminação.

Cada lance neste intrincado xadrez vem ganhando, pouco a pouco, visibilidade internacional, o que é favorável à causa catalã, haja vista o alto grau de desconhecimento que ainda há fora do território europeu sobre o movimento independentista.

Acompanho diariamente o noticiário sobre a Catalunha, principalmente na página do Jornal Eletrônico VilaWeb, sediado em Barcelona e que goza do prestígio de ser uns dos pioneiros do jornalismo digital na Europa. Através do site, fica mais claro como, em poucos anos, a causa deixou de ser monopólio de um reduzido grupo de partidos minoritários e ganhou o coração das ruas.

Hoje, a independência ou, no mínimo, o direito a decidir, tornaram-se ideias transversais na sociedade catalã. Pessoas de todas as bandeiras ideológicas convergem em direção à corrente hegemônica do soberanismo. Chegando à constatação da necessidade de construir um projeto comum: um estado próprio para abrigar a sua nação.

Jornalista com experiência em redações de jornais de grande circulação no Brasil, sinto falta de ver o assunto estampado nas páginas das editorias de Internacional.

Uma das explicações para o tema passar desapercebido é que poucos aqui conhecem a história da formação da Espanha. Apesar da união dinástica entre os reinos peninsulares data da época do descobrimento de América, esta não supôs a perda de soberania dos mesmos. O Império Espanhol funcionava, na prática, como uma monarquia composta, na qual, por certo, Portugal também fez parte até sua independência em 1640. Já a configuração atual do Estado Espanhol tem apenas 300 anos. O que significa dizer que quase ninguém sabe que a Catalunha foi anexada, à força, à Espanha, depois de uma guerra sangrenta, em 1714, perdendo a soberania política que detinha.

Como sei disso? Morei em Barcelona por seis meses, em 2003, onde fiz um mestrado em jornalismo na Universidade Autônoma. E sou casada, há 11 anos, com um barcelonês, cujo desejo de ver a Catalunha independente é tão grande que o transporta diariamente do Brasil à sua terra natal, através do noticiário na internet, como se ali estivesse, envolvido pelo clamor que cresce e reverbera no território catalão.

Não posso ficar alheia à causa. Com tinta correndo nas veias, vejo e sinto que as notícias que tratam sobre o movimento independentista precisam transbordar para fora da Europa. Necessitam ganhar o mundo.

E quero colaborar para isso. Assim, surgiu a ideia de criar o blog Catalunha falando para o Mundo, ancorado na página de Vilaweb, cujos textos serão replicados em outro blog de minha autoria, o Viva Pernambuco (www.vivapernambuco.com).

Cada espaço, por menor que seja, que consigamos abrir através deste blog ou com ajuda de parceiros na mídia brasileira, para divulgar a causa independentista catalã, será de grande valia.

Endavant!!!

Da EBC
O texto aprovado de forma unânime pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), composto por entidades da sociedade civil e ministérios do governo federal, diz que “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.
A medida recomenda que fique proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchadisings, ações em shows e apresentações e nos pontos de venda.
O texto versa também sobre a proibição de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e escolas de educação infantil e fundamental, inclusive nos uniformes escolares e materiais didáticos.
Para o Conanda, a publicidade infantil fere o que está previsto na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor.
O Instituto Alana integra o Conanda, na condição de suplente, e contribuiu junto aos demais conselheiros na elaboração e aprovação desse texto. “Foi uma conquista histórica para os direitos da criança no Brasil. A publicidade infantil não tinha limites claros e específicos. Agora, com o fim dessa prática antiética e abusiva, alcançamos um novo paradigma para a proteção da criança brasileira”, afirma Pedro Affonso Hartung, conselheiro do Conanda e advogado do Instituto Alana.
Não se enquadram na resolução as campanhas de utilidade pública que não sejam parte de uma estratégia publicitária. O texto deve ser publicado no Diário Oficial nos próximos dias.

Quarta, 09 Abril 2014 21:39

Reintegrar-se no espaço e no tempo

Escrito por

Por Leonardo Boff

A partir dos anos 70 do século passado ficou claro para grande parte da comunidade científica que a Terra não é apenas um planeta sobre o qual existe vida. A Terra se apresenta com tal dosagem de elementos, de temperatura, de composição química da atmosfera e do mar que somente um organismo vivo pode fazer o que ela faz. A Terra não contém simplesmente vida. Ela é viva, um superorganismo vivente, denominado pelos andinos de Pacha Mama e pelos modernos de Gaia, o nome grego para a Terra viva.
A espécie humana representa a capacidade de Gaia ter um pensamento reflexo e uma consciência sintetizadora e amorosa. Nós, humanos, homens e mulheres, possibilitamos à Terra apreciar a sua luxuriante beleza, contemplar a sua intrincada complexidade e descobrir espiritualmente o Mistério que a penetra.
O que os seres humanos são em relação à Terra é a Terra em relação ao cosmos por nós conhecido. O cosmos não é um objeto sobre o qual descobrimos a vida. O cosmos é, segundo muitos cosmólogos contemporâneos (Goswami, Swimme e outros), um sujeito vivente que se encontra num processo permanente de gênese. Caminhou 13,7 bilhões de anos, se enovelou sobre si mesmo e madurou de tal forma que num canto dele, na Via Láctea, no sistema solar, no planeta Terra, emergiu a consciência reflexa de si mesmo, de donde veio, para onde vai e qual é a Energia poderosa que tudo sustenta.
Quando um ecoagrônomo estuda a composição química de um solo, é a própria Terra que estuda a si mesma. Quando um astrônomo dirige o telescópio para as estrelas, é o próprio universo que olha para si mesmo.
A mudança que esta leitura deve produzir nas mentalidades e nas instituições só é comparável com aquela que se realizou no século 16 ao se comprovar que a Terra era redonda e girava ao redor do sol. Especialmente, a transformação de que as coisas ainda não estão prontas, estão continuamente nascendo, abertas a novas formas de autorrealização. Consequentemente, a verdade se dá numa referência aberta e não num código fechado e estabelecido. Só está na verdade quem caminha com o processo de manifestação da verdade.
“Não temos a idade que se conta a partir do dia do nosso nascimento. Temos a idade do cosmos”
Importa, antes de mais nada, importa reintegrar o tempo. Nós não temos a idade que se conta a partir do dia do nosso nascimento. Nós temos a idade do cosmos. Começamos a nascer há 13,7 bilhões de anos, quando principiaram a se organizar todas aquelas energias e materiais que entram na constituição de nosso corpo e de nossa psique. Quando isso madurou, então nascemos de verdade, e sempre abertos a outros aperfeiçoamentos futuros.
Se sintetizarmos o relógio cósmico de 13,7 bilhões de anos no espaço de um ano solar, como o fez Carl Sagan no seu livro Os dragões do Eden (N.York, 1977, 14-16), e querendo apenas realçar algumas datas que nos interessam, teríamos o seguinte quadro:
A primeiro de janeiro ocorreu o Big Bang. A primeiro de maio o surgimento da Via Láctea. A nove de setembro, a origem do sistema solar. A 14 de setembro, a formação da Terra. A 25 de setembro, a origem da vida. A 30 de dezembro, o aparecimento dos primeiro hominídeos, avós ancestrais dos humanos. A 31 de dezembro, os primeiros homens e mulheres. Nos últimos 10 segundos de 31 de dezembro foi inaugurada a história do homo sapiens/demens, do qual descendemos diretamente. O nascimento de Cristo ter-se-ia dado precisamente às 23 horas 59 minutos e 56 segundos. O mundo moderno teria surgido no 58º segundo do último minuto do ano. E nós, individualmente? Na última fracção de segundo antes de completar meia-noite.
Em outras palavras, somente há 24 horas o universo e a Terra têm consciência reflexa de si mesmos. Se Deus dissesse a um anjo “procure no espaço e identifique no tempo a Denise ou o Edson ou a Silvia”, certamente não o conseguiria porque eles são menos que um pó de areia vagando no vácuo interstelar e começaram a existir há menos de um segundo. Mas Deus, sim, porque Ele escuta o pulsar do coração de cada filho e filha seus, porque neles o universo converge em autoconsciência, em amorização e em celebração.
Uma pedagogia adequada à nova cosmologia nos deveria introduzir nestas dimensões que nos evocam o sagrado do universo e o milagre de nossa própria existência. Isso em todo o processo educativo, da escola primária à universidade.
Em seguida faz-se mister reintegrar o espaço dentro do qual nos encontramos. Vendo a Terra de fora da Terra, nós descobrimos um elo de uma imensa cadeia de seres celestes. Estamos numa dos 100 bilhões de galáxias, a Via Láctea. Numa distância de 28 mil anos-luz de seu centro; pertencemos ao sistema solar, que é um entre bilhões e bilhões de outras estrelas, num planeta pequeno mas extremamente aquinhoado de fatores favoráveis à evolução de formas cada vez mais complexas e conscientizadas de vida: a Terra.
Na Terra nos encontramos num Continente que se independizou há cerca de 210 milhões de anos, quando a Pangea (o continente único da Terra) se fraturou e ganhou a configuração atual. Estamos nesta cidade, nesta rua, nesta casa, neste quarto, e nesta mesa, diante do computador, a partir de onde me relaciono e me sinto ligado à totalidade de todos os espaços do universo.
Reintegrados no espaço e no tempo, nos sentimos como Pascal diria: um nada diante do Todo e um Todo diante do nada. E nossa grandeza reside em saber e celebrar tudo isso.
Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.

Quarta, 02 Abril 2014 20:39

1964: os generais sob a estratégia americana

Escrito por

Por Luiz Alberto Moniz Bandeira*
A partir da vitória da Revolução Cubana, em 1960, as atenções dos Estados Unidos voltaram-se mais e mais para a América Latina. A Junta Interamericana de Defesa (JID), por sugestão dos Estados Unidos, aprovou a Resolução XLVII, em dezembro daquele ano, propondo que as Forças Armadas, consideradas a instituição mais estável e modernizadora no continente, empreendessem projetos de “ação cívica” e aumentassem sua participação no “desenvolvimento econômico e social das nações”. Pouco tempo depois, em janeiro de 1961, ao assumir o governo dos Estados Unidos, o presidente John F. Kennedy (1961 – 1963) anunciou sua intenção de implementar uma estratégia tanto terapêutica quanto profilática, com o objetivo de derrotar a subversão, onde quer que se manifestasse. E o Pentágono passou a priorizar, na estratégia de segurança continental, não mais a hipótese de guerra contra um inimigo externo, extracontinental (União Soviética e China), mas a hipótese de guerra contra o inimigo interno, isto é, a subversão. Essas diretrizes, complementando a doutrina da contra-insurreição, foram transmitidas, através da JID e das escolas militares no Canal do Panamá, às Forças Armadas da América Latina, região à qual o presidente Kennedy repetidamente se referiu como the most critical area e the most dangerous area in the world ["a área mais crítica" e "a área mais perigosa no mundo"].
O surto de golpes desfechados pelas Forças Armadas no continente a partir de então decorreu não somente de fatores domésticos, mas, sobretudo, da mudança na estratégia de segurança do hemisfério pelos Estados Unidos. O objetivo da intervenção das Forças Armadas no político era o alinhamento às diretrizes de Washington dos países que se recusavam a romper relações com Cuba.
Embora golpes de Estados fossem quase rotineiros na América Latina, os que ocorreram a partir de 1960 não decorreram das políticas nacionais. Antes, constituíram batalhas da Terceira Guerra Mundial oculta [hidden World War Three], um fenômeno de política internacional, resultante da Guerra Fria. E aí era necessário criar as condições objetivas, tanto econômicas quanto sociais e políticas, que compelissem as Forças Armadas a desfechá-los. A essa tarefa, a CIA se dedicou, através de spoiling operations, operações de engodo, uma das quais consistia em penetrar nas organizações políticas, estudantis, trabalhistas e outras para induzir artificialmente a radicalização da crise e favorecer a derrubada do governo por meio de um golpe militar.
No Brasil, desde que os comandantes das Forças Armadas não conseguiram impedir que o vice-presidente João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), assumisse o governo, em agosto de 1961, em virtude da renúncia do presidente Jânio Quadros, a CIA começou a dar assistência aos diversos setores da oposição que conspiravam para derrubá-lo. Em 1962, a CIA gastou entre US$ 12 milhões e US$ 20 milhões financiando a campanha eleitoral de deputados de direita, através de organizações que seus agentes criaram, como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) e a Ação Democrática Parlamentar. O número de deputados cuja campanha essas e outras frentes da CIA elegeram não compensou. Mas as spoiling operations prosseguiram.
Em meados de 1963, o Pentágono tratou de elaborar vários planos de contingência a fim de intervir militarmente no Brasil caso o presidente João Goulart, reagindo às pressões econômicas dos Estados Unidos, inflectisse mais para a esquerda, ultranacionalista, no estilo do governo do presidente Getúlio Vargas.
Mais ou menos à mesma época, em 13 de junho de 1963, a Embaixada do Brasil em Washington, sob a chefia do embaixador Roberto Campos, enviou ao Itamaraty o documento Política Externa Norte-Americana – Análise de Alguns Aspectos, anexo 1 e único ao Ofício nº 516/900 (Secreto), no qual comentou que as pressões do Pentágono estavam a levar os Estados Unidos a reconhecer e a cultivar “relações amistosas com as piores ditaduras de direita”, pois “do ponto de vista dos setores militares de Washington tais governos são muito mais úteis aos interesses da segurança continental do que os regimes constitucionais”.
Os agentes da CIA, entrementes, executavam as mais variadas modalidades de operações políticas (PP), covert actions [ações encobertas] e spoiling actions. Em 12 de setembro de 1963, cabos, sargentos e suboficiais, principalmente da Aeronáutica e da Marinha, liderados pelo sargento Antônio Prestes de Paulo, sublevaram-se, em Brasília, e ocuparam os prédios da Polícia Federal, da Estação Central da Rádio Patrulha, da Rádio Nacional e do Departamento de Telefones Urbanos e Interurbanos. O movimento serviu como provocação e contribuiu para colocar a oficialidade das Forças Armadas a favor do golpe de Estado. A campanha da CIA prosseguiu, instigando greves tanto nas cidades como nas fazendas, e com outras ações, cada vez mais radicais, para que caracterizassem uma guerra revolucionária, denunciada pelo deputado Francisco Bilac Pinto, da UDN, em vários discursos na Câmara Federal, nos quais acusava o presidente Goulart de apoiá-la. E, a fim de que se afigurasse uma insurreição comunista em andamento, entre 25 e 27 de março de 1964, José Anselmo dos Santos, conhecido como “cabo Anselmo”, mas na verdade um estudante universitário infiltrado entre os marinheiros pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar) em colaboração com a CIA, liderou centenas de marinheiros, que decidiram comemorar o aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, desacatando a proibição do ministro da Marinha, almirante Sílvio Mota, e correram para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, a fim de comprometer os trabalhadores com o movimento. Os fuzileiros, enviados para invadir o sindicato, desalojar e prender os marinheiros, terminaram por aderir ao motim. O Exército teve de intervir para sufocá-lo.
O episódio visou a encenar uma repetição da revolta no encouraçado Potemkin, que desencadeou na Rússia a revolução de 1905. Esse motim agravou os efeitos da revolta dos sargentos e empurrou o resto dos oficiais legalistas para o lado dos conspiradores. As Forças Armadas não podiam aceitar a quebra da hierarquia e da disciplina. Goulart já havia perdido então quase todo o respaldo militar. Entre 31 de março e 1° de abril, ele ouviu de muitos oficiais superiores que eles não estavam contra seu presidente, mas “contra o comunismo”, fantasma que servia como pretexto ao golpe.
Quatro dias antes do golpe, o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, telefonou a Washington e demandou o envio de petróleo e lubrificantes para facilitar as operações logísticas dos conspiradores, além do deslocamento de uma força naval. Em 30 de março, a estação da CIA no Brasil transmitiu a Washington, segundo fontes em Belo Horizonte, que “uma revolução levada a cabo pelas forças anti-Goulart terá curso esta semana, provavelmente em poucos dias”, e marcharia para o Rio de Janeiro. No mesmo dia, no momento em que o presidente João Goulart discursava para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon, por telefone, o texto do telegrama n° 1.296, sugerindo que, como os navios carregados de armas e munições não podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias, os Estados Unidos poderiam enviá-las por via aérea. Ele receava que naquelas poucas horas houvesse uma acomodação, o que seria deeply embarrassing para o governo norte-americano.
O motim dos marinheiros, em 26 de março, constituiu a provocação que o general Humberto de Alencar Castello Branco esperava para induzir a maioria dos militares a aceitar a ruptura da legalidade. O golpe estava previsto para depois da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, no Rio de Janeiro, marcada para 2 de abril e financiada pela CIA. Porém, o general Olímpio Mourão Filho, comandante da IV Região Militar, com sede em Juiz de Fora (MG), afoitou os acontecimentos.
Os militares brasileiros, decerto, não teriam desfechado o golpe se não contassem com a cobertura dos Estados Unidos. Porém, para que os Estados Unidos pudessem fornecer ajuda militar, seria preciso dar aparência de legitimidade ao golpe. E por telefone, de seu rancho no Texas, em 31 de março, o presidente Lyndon B. Johnson deu luz verde ao secretário de Estado assistente para a América Latina, Thomas Mann.
O golpe de Estado estava consumado, coadjuvado pelo senador Auro de Moura Andrade, que declarou, ilegalmente, a vacância da Presidência. O deputado Pascoal Ranieri Mazzilli, o primeiro na linha de sucessão como presidente da Câmara Federal, assumiu o governo. Não se observou nenhuma formalidade legal.
Não obstante, o embaixador Lincoln Gordon recomendou ao Departamento de Estado o reconhecimento do novo governo e o presidente Lyndon B. Johnson telegrafou imediatamente a Mazzilli para felicitá-lo. O reconhecimento diplomático era um dos elementos necessários para o estabelecimento da autoridade do governo. O objetivo da pressa fora justificar o atendimento a qualquer pedido de auxílio militar por parte do novo governo.
O golpe de Estado que derrubou em 1964 o presidente João Goulart e se autoproclamou “Revolução Redentora” tipificou o conjunto das operações que a CIA desenvolveu e aprimorou. No seu diário, o agente da CIA Philip Agee, então alocado em Montevidéu, assinalou que a queda de Goulart fora, “sem dúvida, devida amplamente ao planejamento cuidadoso e a campanhas consistentes de propaganda que remontaram pelo menos à eleição de 1962″. Goulart sabia-o. Ao chegar a Brasília, em 1° de abril, ele disse ao deputado Tancredo Neves que a CIA havia inspirado a sublevação, reiterando o propósito de não se render. E seguiu para o Rio Grande do Sul onde percebeu que também não havia condições de resistência.
A satisfação foi tão grande em Washington que, em 3 de abril, às 12h26, o secretário de Estado assistente para a América Latina,Thomas Mann, telefonou para o presidente Lyndon B. Johnson: “Espero que esteja tão satisfeito em relação ao Brasil quanto eu”. Johnson respondeu: “Estou”. Mann continuou: “Acho que é a coisa mais importante que aconteceu no hemisfério em três anos”. Johnson arrematou: “Espero que nos deem algum crédito em vez do inferno”.
* Luiz Alberto Moniz Bandeira é doutor em ciência política, professor titular de história da política exterior do Brasil na Universidade de Brasília, autor de mais de 20 obras publicadas, entre as quais O Governo de João Goulart – As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964) – Editora Unesp, Presença dos Estados Unidos no Brasil, Formação do Império Americano (Da Guerra contra a Espanha à Guerra no Iraque) e A Segunda Guerra Fria – Geopolítica e Dimensões Estratégicas dos Estados Unidos (Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e ao Oriente Médio).

Por Maria Dias, produtora cultural, Recife

 

A primeira vez que me deparei com o trabalho do fotógrafo e publicitário Miguel Igreja foi em dezembro de 2011. Na ocasião, ele já buscava meios para levar sua ideia de Galeria Móvel Sustentável com instalações de arte em bikebanner para Rio+20. Acompanhei sua trajetória e, a cada idéia exposta, eu percebia o desenho dos princípios e valores da Carta da Terra.

Como mobilizadora voluntária da Carta em Pernambuco não pude deixar de me envolver neste trabalho que causou impacto no Rio de Janeiro durante a Rio+20. Em meio a ONGs e intensa folheteria na Cúpula dos Povos, vi a Galeria Móvel compartilhar informações via QR Code, mostrando ao mundo belas imagens de Pernambuco e a própria Carta, sem dano algum para o Planeta, sendo um dos trabalhos registrados pelos Caçadores de Bons Exemplos; com a equipe do Espaço Ciência - fazendo link entre arte, ciência e o compromisso com as futuras gerações; e, na SBPC, dialogando com estudantes e mestres...

E como é importante buscar em nossas práticas cotidianas ações que enalteçam O Respeito a Vida; A Integridade Ecológica; A Justiça Social, e, A democracia e A Cultura de Paz. Temos como missão divulgar a Carta, difundir seus princípios interdependentes e reeducar nosso olhar, facilitando o acesso de todos a aspectos do desenvolvimento humano como Arte, Cultura, Educação para Sustentabilidade, muitas vezes esquecidos na acelerada corrida para o crescimento.

Bem!

O resultado positivo desta iniciativa chegou para mim em forma de reconhecimento e valorização da Galeria Móvel na recente inclusão de seu modo de registrar a vida como prática essencialmente sustentável (Carta da Terra em Ação) pela página da Iniciativa da Carta Internacional em sua website oficial:

http://www.earthcharterinaction.org/content/articles/1021/1/Mobile-photo-exhibition-inspired-by-the-Earth-Charter/Page1.html

Parabéns a todos e principalmente a Pernambuco por ter um registro de iniciativas locais em tão valiosa página promotora do Desenvolvimento Sustentável!

Terça, 01 Abril 2014 21:00

O todo poderoso “mercado”

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

"A Bolsa despencou por causa de um feriado nos Estados Unidos."
(É o que propalou a mídia, algum tempo atrás)

 

As pessoas que desejam o melhor ao Brasil, notadamente as que atuam na comunicação social, bem que poderiam firmar um pacto no sentido de desmistificar e desqualificar as forças contrárias aos interesses nacionais que se movimentam por aí, com irresponsável desenvoltura, travestidas de "mercado".

Fico pasmado, dia sim outro também diante das reações cotidianas do tal "mercado". Onipotente, esse ser incorpóreo, com lampejo de vida estritamente ectoplásmico, é “convocado” a opinar a respeito de tudo, Ele funciona como uma espécie de sismógrafo viciado, medindo a conjuntura econômica a serviço escancarado dos grupos de assalto especulativo. Interpreta as coisas a seu exclusivo talante. Não se dá ao mais leve escrúpulo de disfarçar as contradições gritantes dos posicionamentos de encomenda. Mantém sob controle, a soldo, um batalhão de prestimosos colaboradores. Gente fervorosamente engajada em esforço conspiratório contrário às nossas aspirações de progresso. É só por tento no que tais colaboradores, que atendem pelos apelidos de "analistas", agências de risco etc., costumam aprontar a cada vez que nas áreas política, administrativa, tecnológica, produtiva – considerados aí os setores produtivos primário, secundário e terciário – se delineiem iniciativas ou atitudes estimuladas pelos interesses brasileiros de caráter desenvolvimentista. Tudo serve de pretexto para as soezes tentativas de apequenar-nos diante de nossos próprios olhos. Para fazer-nos crer que, os brasileiros, somos ineficientes, despreparados, sem condições, portanto, de almejar acesso a brevês que assegurem autonomia de voo mais ampla na conquista de novos espaços econômicos e sociais no contexto mundial.

O monitoramento feito pelo "mercado" é tendencioso e implacável. Por inexistir uma constatação à altura das impertinências praticadas, o "mercado" passa a ideia de infalibilidade. Defende com fervor frenético seus bolorentos dogmas. Suas reações têm força, para alguns, de édito real ao tempo em que as monarquias eram levadas a sério. São recebidas como clausulas pétreas no contrato comunitário em círculos não afeiçoados ao exercício da divergência democrática. Em face dessas circunstâncias, o "mercado" não se acanha de insultar a inteligência dos cidadãos, de alvejar despudoradamente o bom senso. Ele, "mercado", sabe muito bem que suas opiniões encontram sempre boa divulgação, agências de risco para respaldá-las, porta-vozes solícitos para justificá-las.

O "mercado", visto está, não se peja um tiquinho que seja, em lançar mão de arguições absurdas, quando colocado diante de pedidos de explicações dos setores mais lúcidos da opinião pública, com relação ao que ocorra de estranho na economia. Mantém engatilhado um pretexto extravagante para ocultar os incessantes ataques especulativos acobertados. Está aqui, como amostra, um exemplo dos procedimentos escalafobéticos que adota, sempre confiante na extremada simploriedade popular.

Num momento de razoável euforia face aos anúncios da ligeira reação nos negócios, da expansão significativa na balança comercial, da superação prematura da meta do "superávit primário"; justo nesse preciso momento, tempos passados, a Bolsa despencou. As taxas do dólar e do euro se elevaram e o "risco Brasil" (olha aí!) subiu. O que foi mesmo que o "mercado" saiu apregoando a respeito? Acredite, se quiser: a "causa" de toda a ebulição negativa foi um feriado ocorrido no meio de semana nos Estados Unidos.

A "explicação" é dada assim, com a mesma cara-de-pau com que se estaria levantando a hipótese maluca de que os "resultados adversos" decorreriam de uma crise de disenteria que acometeu os habitantes de uma vila na parte setentrional da Capadócia.

Valha-nos Nossa Senhora da Abadia D'Água Suja!


* Jornalista (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. )

Até o próximo dia 6 de abril, quatro prédios de destaque na cidade patrimônio de Olinda receberão iluminação azul em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Mercado Eufrásio Barbosa, Academia Santa Gertrudes, Igreja do Carmo e Palácio dos Governadores serão os monumentos iluminados na cor símbolo do trabalho de alerta e conscientização sobre esta síndrome, que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atinge a cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem com a sociedade. Em várias cidades do mundo, monumentos são iluminados em azul nesta semana.

Em Olinda, as luzes serão acesas após uma palestra no Palácio dos Governadores, promovida pela Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, em parceria com a Associação de Amigos do Autista – Grupo de Estudo sobre Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (AMA-Getid). Com o tema “Autismo: desvendando os mitos”, o evento tem como palestrantes a presidente da AMA-Getid, Ana Cláudia Albuquerque, e a coordenadora pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae Recife), Silvania Rita de Paiva. A palestra é voltada para educadores, pais de alunos e funcionários municipais, mas aberta a qualquer pessoa interessada em saber mais sobre o Autismo.

O objetivo da ação é informar sobre o que é o autismo e suas características, conscientizar sobre os direitos de inclusão da pessoa autista e fortalecer o senso de cidadania e o sentimento de solidariedade na comunidade escolar e na sociedade como um todo.

DIA A - O dia 2 de abril foi instituído em 2007 pela ONU o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, ou Dia A, com o objetivo de conscientizar sobre o transtorno do espectro autista (nome oficial do autismo), que, segundo a própria organização, é mais comum em crianças que AIDS, câncer e diabetes juntos. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a cada 110 crianças uma tem autismo.

Por Danilo Macedo, da Agência Brasil
Apesar de os valores democráticos serem considerados inquestionáveis, como a liberdade e o respeito às opiniões individuais, pesquisas de diversos institutos mostram que uma parte considerável da população brasileira não percebe plenamente os benefícios econômicos e sociais da democracia. Realizada anualmente em vários países da América Latina, estudo coordenado pelo Latinobarómetro aponta que o Brasil tem a segunda menor taxa de apoio à democracia, perdendo apenas para a Guatemala.
Cidadãos de 18 países latino-americanos tiveram de responder com qual frase mais concordavam: a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo; em algumas circunstâncias, um governo autoritário pode ser preferível a um democrático; tanto faz, um regime democrático e um não democrático dá no mesmo. Na média das pesquisas entre 1995 e 2013, 44% dos brasileiros dizem que a democracia é a melhor escolha. Para 19%, um governo autoritário pode ser preferível em certas circunstâncias e, para 24%, não faz diferença. O restante não respondeu.
No Uruguai, país com a maior média de apoio à democracia, 78% dizem preferir um sistema democrático; 15% defendem o autoritarismo e 10% são indiferentes. O Brasil perde apenas para a Guatemala, onde apenas 38% preferem a democracia a qualquer outro tipo de governo.
A democracia foi uma das principais conquistas políticas do Brasil no século 20. Em 1984, ainda sob regime militar, milhões de brasileiros participaram de comícios, passeatas e outras manifestações públicas, em várias capitais, no movimento Diretas Já!, que reivindicava eleições diretas no Brasil. Em 2013, quase 30 anos depois da reinstalação do sistema democrático no país, as ruas foram novamente ocupadas por milhões de manifestantes reivindicando, na avaliação de diversos especialistas, mais voz e avanço da democracia brasileira.
Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, os brasileiros estão insatisfeitos com o funcionamento do regime no país. Em outras palavras, “querem mais democracia”. O cientista político José Álvaro Moisés, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPS) da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro A Desconfiança Política e Seus Impactos na Qualidade da Democracia, diz que o grau de descrença em relação às principais instituições da democracia representativa é muito elevado.
Confira o especial: Democracia Interrompida
“No caso dos partidos políticos, nada menos do que 82% da população desconfiam deles, e, no caso do Congresso Nacional, 79%, pelas minhas pesquisas”, destaca Moisés. Embora a descrença no Judiciário seja menor, a sensação de injustiça é alta. “Aproximadamente 90% dos entrevistados de todos os segmentos sociais, regiões do país, classe, sexo, etnia e religiosidade, consideram que a lei não trata os cidadãos de maneira igual, e quase 80% consideram que o acesso dos brasileiros à Justiça é desigual, que não há oportunidades iguais de acesso.”
O cientista político acredita que as mesmas questões levantadas nas pesquisas também apareceram, de certa forma, nas manifestações de junho e julho de 2013, que levaram cerca de 2 milhões de pessoas a protestar nas ruas. “Muitos manifestantes chamaram a atenção para o vazio dos partidos políticos e, no caso do Parlamento, não foi à toa que houve tentativas de invasão às câmaras de Vereadores e assembleias legislativas em alguns estados e até do Congresso Nacional”.
Segundo o sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Eurico Cursino, o cidadão brasileiro não tem vocação para viver calado, com medo, e, portanto, não contesta a democracia como valor cultural na sociedade, como direito de pensar e se expressar livremente. No entanto, como expressam as pesquisas e as manifestações populares, há uma crítica clara em relação à democracia como “regra da disputa política, da luta pelos cargos do Estado e tomada de decisões”.
O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri), Pio Penna Filho, destaca que o regime democrático é preferível “mesmo quando pensamos em uma democracia cara e ineficiente como a brasileira” porque as pessoas podem participar, de alguma forma, das decisões do Estado. Mas ela, sozinha, não basta. “Vemos um mundo político muito desvinculado da sociedade, a classe política brasileira perde a noção do compromisso social e isso desvaloriza a democracia”, avalia.
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Ronaldo Souza acredita que uma democracia equilibrada oferece melhores condições para que um país receba investimentos. “A democracia é boa para gerar crescimento econômico à medida que, dado o sistema de pesos e contrapesos, permite que os investidores tenham segurança maior do que com um grupo político isolado que se apodera do governo”.
Os especialistas afirmam que a democracia brasileira sofre as consequências da falta de proatividade das elites políticas em relação à sociedade e dos cidadãos, eleitores, em relação à classe política. Cursino defende que alguns fatores históricos fazem com que os brasileiros não se vejam como cidadãos responsáveis pelo governo do país, colocando-se em uma posição passiva na maior parte do tempo.
“As fundações da sociedade são de cima para baixo. A sociedade carece de bases comunitárias que tenham servido de alicerce para a formação de instituições políticas. As instituições políticas vêm sempre de cima para baixo e existe uma vida comunitária desconectada das instituições políticas”, explica Cursino, o que faz com que os cidadãos que se tornam conscientes de seus direitos estejam, nessa estrutura, “sociologicamente isolados”.
Os níveis de associativismo da população brasileira em sindicatos, partidos políticos, conselhos de saúde e orçamento participativo, associações de moradores e de pais e mestres ficam em torno de 2%. Para o sociólogo, essas relações representam democracia de baixo para cima e, na medida em que se tornam densas o suficiente, têm força para influenciar no jogo democrático, ampliando a participação do povo nas decisões. “Isso falta brutalmente na nossa sociedade”.
Apesar dessa relativa passividade, Moisés avalia que uma série de exemplos nas décadas recentes mostram que, quando se abre a estrutura de oportunidades para a participação das pessoas, elas tendem a utilizá-la, e cita as mobilizações de trabalhadores na região do ABC paulista, no final da década de 1970, as Diretas Já!, na década de 1980, o impeachment presidencial, na década de 1990, e as manifestações do ano passado.
“Nenhum governo abriu grandes mecanismos de participação para a população. Todos os presidentes eleitos de 1988 para cá, sem exceção, mencionaram a reforma política no discurso de posse e nenhum a fez”, critica o cientista político, destacando que há poucas iniciativas de baixo para cima, como as leis da Ficha Limpa e da Improbidade Administrativa, ambas de iniciativa popular, e nenhuma de cima para baixo.
O historiador Rodrigo Patto Sá Motta, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pontua que é preciso haver movimentos convergentes, com mudança de comportamento das lideranças políticas e maior participação dos cidadãos. “Se os eleitores punissem mais os políticos que se comportam mal, não votando neles, os políticos se sentiriam pressionados. Mas os políticos também não precisam esperar isso e poderiam cuidar de punir seus colegas parlamentares que, por exemplo, usem mal os recurso públicos.”
Apesar de todas as críticas, as manifestações recentes, na maior parte formada por jovens que não viveram o regime militar no Brasil, não questionam a importância do regime democrático. Ao contrário, pedem “mais democracia”. Segundo Moisés, apesar de não estarem perto do desejado, os indicadores sociais melhoraram muito desde o fim da ditadura.
Ele destaca ainda que as eleições não bastam para a existência da democracia e que as manifestações populares devem pautar a campanha deste ano. “Vai ser inevitável, a meu juízo, que na campanha eleitoral deste ano esses temas apareçam no debate público. Os candidatos vão ser forçados a falar sobre isso. Serão tanto mais forçados quanto mais a mídia, o jornalismo crítico, a comunicação por meio das redes sociais, cobrarem dos candidatos que se manifestem sobre o que querem fazer e como.”

Desta terça-feira (11), até o dia 11 de maio, a cidade sedia a exposição fotográfica inédita e publicação do catálogo “Recife [é um] Porto”, no Centro Cultural da Caixa. De autoria do fotógrafo Gustavo Maia, a mostra faz uma verdadeira captura da paisagem portuária do bairro do Recife de 1992 a 2013, período de transformação do velho porto, iniciada com a reforma da Praça do Marco Zero. Há cem anos, o porto e o bairro do Recife passavam por uma grande reforma. Agora, o espaço portuário inicia um novo ciclo que se descobre para a tecnologia, a cultura e o turismo. E é justamente essa transformação que a exposição irá revelar. O lançamento oficial para convidados e imprensa será na terça (11), às 19h30, na Caixa Cultural. A exposição tem acesso gratuito e será aberta para visitação a partir desta quarta (12), de terça a domingo, das 12h às 20h.

“Diante da importância histórica, econômica e social do porto do Recife, que se confunde com a própria cidade, acreditamos ser um momento oportuno de homenagear o Porto, ao mesmo tempo em que promovemos a valorização e preservação da memória do Recife”, considera o fotógrafo Gustavo Maia, autor, entre outros, das imagens do livro “Modernidade Verde – Jardins de Burle Marx”, de Guilherme Mazza Dourado, em 2009. É por isso também que o início da exposição e o lançamento do livro acontece na mesma semana em que a cidade comemora seus 477 anos.

Além das fotografias, “Recife [é um] Porto” compartilha textos e poemas de importantes poetas pernambucanos como Alberto da Cunha Melo, Ascenso Ferreira, Carlos Pena Filho, Mauro Mota, Ângelo Monteiro, Bento Teixeira e Joaquim Cardoso, que abordam temas ligados ao porto. Os textos que compõem a exposição e o catálogo são bilíngües, com traduções em português e inglês. A curadoria da exposição fotográfica é do arquiteto e historiador José Luiz da Mota Menezes. A apresentação do catálogo é assinada pelo poeta e ensaísta Ângelo Monteiro. O projeto é produzido pela Bureau de Cultura e Turismo através da Lei Rouanet e aprovação no edital da Caixa Cultural.

SERVIÇO:

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA E LANÇAMENTO DO CATÁLOGO “Recife [é um] Porto”, DO FOTÓGRAFO GUSTAVO MAIA
LANÇAMENTO: 11 DE MARÇO
HORÁRIO: 19H30
ONDE: CENTRO CULTURAL DA CAIXA

VISITAÇÃO: DE 12 DE MARÇO A 11 DE MAIO DE 2014
ONDE: CENTRO CULTURAL DA CAIXA, BAIRRO DO RECIFE
HORÁRIOS: TERÇA A DOMINGO, DAS 12H ÀS 20H
ENTRADA GRATUITA

Mensagem interessante enviada pelo papa Francisco aos jovens alertando sobre as coisas passageiras da vida. Uma mensagem que merece reflexão.

 

O papa Francisco afirmou que “é muito triste ver a juventude com fartura mas frágil”, e estimulou a juventude a mudar de vida e não transformar em “ídolos” o sucesso, o prazer e as posses de maneira egoísta.

O Vaticano publicou hoje (6) a primeira mensagem do papa argentino para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que a Igreja Católica celebra em 13 de abril, com os conselhos de Francisco aos jovens.

O pontífice pediu aos jovens que não se “abarrotem” de coisas supérfluas. “Ousem nadar contra a corrente. Sejam capazes de buscar a verdadeira felicidade. Digam não à cultura do provisório, da superficialidade e do usar e descartar, que não os considera capazes de assumir responsabilidades e de enfrentar os grandes desafios da vida”, aconselhou o papa.

Além disso, Francisco disse aos jovens que por trás da “verdadeira felicidade” está o “desmascarar e rejeitar tantas ofertas a baixo custo” que lhes oferecem.

“Quando buscamos o sucesso, o prazer, o possuir de maneira egoísta e os transformamos em ídolos, podemos experimentar também momentos de embriaguez, um falso sentimento de satisfação, mas no final nos tornamos escravos, nunca estamos satisfeitos, e sentimos a necessidade de buscar cada vez mais”, acrescentou em sua mensagem.

Sexta, 07 Fevereiro 2014 13:33

Questão social, não policial

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

“Não se viu, a propósito dos rolezinhos, um debate sobre as
causas estruturais que permitiram a essas mobilizações aflorar.”
(Senador Cristovam Buarque)

Fixei a atenção por momentos nos assim denominados rolezinhos. Precisei de curto tempo para concluir que a questão levantada é social, não policial. Pitadas de preconceito e de despreparo profissional é que andam conferindo ao caso dimensão despropositada. A contribuição da mídia sensacionalista revelou-se significativa para o espalhafato criado a respeito. Ou seja, desses encontros marcados em “shoppings” por jovens da periferia socialmente desguarnecida.

A história reclama diálogo urgente para que sejam desfeitos mal-entendidos. O debate terá que ser calcado num bom começo de conversa. Isso implica no reconhecimento taxativo do direito à livre circulação de qualquer cidadão, independente da categoria social, em todo e qualquer centro comercial. Em tudo quanto é lugar de convergência pública. A vedação pura e simples dessa prerrogativa cidadã, que está atrelada à liberdade constitucional de ir e vir, caracteriza inapelavelmente apartação social. Agressão a um direito fundamental, à democracia. Rescende a “apartheid”, para relembrar, desgostosamente, vocábulo repulsivo empregado para designar práticas segregacionistas ainda aplicadas em certas paragens deste nosso mundo velho de guerra sem porteira.

Assim vistos os acontecimentos, o melhor a fazer é partir imediatamente para a construção do diálogo. Comungo do ponto de vista do Prefeito Fernando Haddad, de São Paulo, quando propõe que “as cidade têm de ser discutidas”, sugerindo sejam abertos espaços públicos para que seus habitantes de todas as faixas etárias e classes possam desfrutá-las. E, quando também pontua que a incompreensão de muita gente face ao assunto tem suscitado reações marcadas por exageros. “Mas nada, que uma boa conversa não resolva”, como sublinha.

O que os rolezinhos vêm fazendo é, na verdade, denunciar uma sociedade desumana, injusta e segregadora, como também constata o filósofo Leonardo Boff, entre outros categorizados observadores da conjuntura social. Cristovam Buarque, senador da República, é outra voz respeitada a partilhar da mesma percepção. Admite: os rolezinhos “desnudam o sistema de apartação implícita, sem leis.” Alerta ainda: “Daqui para a frente, os “shoppings” (...) terão um papel positivo no conforto social, mas a “guerrilha cibernética” (o senador refere-se aí às redes sociais utilizadas para a programação dos encontros dos jovens) é uma realidade com a qual vamos conviver. Ou assume-se a segregação explicita, ou promove-se a miscigenação social.”

Não era pra ser, mas virou problema, por ausência de bom senso no trato da questão. Moças e rapazes das camadas menos aquinhoadas financeiramente, a exemplo de rapazes e moças das camadas afortunadas, possuem todo o direito do mundo em programar pelas redes sociais encontros em lugares de afluência pública, os shoppings incluídos. Despiciendo registrar que ninguém, nenhum poder articulado, pode estabelecer restrições a esses contatos via internet, nem tampouco impedir sejam os encontros realizados em consequência de posturas preconceituosas de classe. De outra parte, habitualmente inábil na lida social, como fartamente demonstrado, a polícia não pode adotar na vigilância contra eventuais excessos praticados em locais públicos, o estilo “leão de chácara” de boate. Não se ajusta ao seu papel institucional exigir de quem frequente centros comerciais carteirinha indicativa de capacidade pecuniária como consumidor.

Fique claro, ainda, de outra parte, que encontros de jovens em lugares públicos não podem se aprestar a palco de arruaças e confusões. E que às autoridades competentes cumpre a obrigação de saber distinguir, com precisão e equilíbrio, a diferença de comportamento entre os que comparecem a tais locais para papear com amigos, usufruir momentos de lazer, adquirir mercadorias e os que – certeiramente, uma minoria insignificante – estejam ali a fim de infringir regras de convivência social. Confundir, por puro preconceito, jovens das periferias com marginais é insano e injusto. A turma dos rolezinhos dispõe de aparelhos de TV e de acesso aos demais veículos de comunicação de massa. Como os jovens de lares abonados financeiramente, são submetidos a um bombardeio midiático permanente, chamando atenção para as ofertas de produtos nas vitrinas multienfeitadas e coloridas das lojas dos shoppings. Adquirir produtos ou simplesmente admirá-los, por singelo prazer, hábito de tanta gente, não configura ato passível de condenação.

O Poder Público precisa saber extrair dos fatos as lições devidas. A abertura de espaços comunitários para a convivência humana é fator de grande significação nas politicas de integração social. A escola de tempo integral, com qualidade cultural, faz parte dessas politicas.

Resumindo toda essa “melódia”: em se tratando do Brasil, corremos riscos maiores com o “rolezão” da exclusão social acionada a partir de atitudes precipitadas e de intolerâncias descabidas, do que com os tais rolezinhos, manifestação juvenil que, na base de um papo legal, pode ser perfeitamente escoimada de algum possivel exagero que carregue em seu bojo.

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

Do Mobilize Brasil

O primeiro passo para um futuro no qual residentes das grandes cidades brasileiras poderão usar os smartphones para planejar itinerários com carros compartilhados será dado no Recife. A capital pernambucana vai ser a primeira cidade do país a implementar um sistema de carros de aluguel, nos moldes das bikes, para viagens de curta e média distância. O serviço funcionará através do projeto PortoLeve e deve ter início em maio.

Até lá, o Porto Digital, que responde pela ação, realiza estudos de trajeto e de custo que vão definir o tempo de uso dos veículos e o valor diário ou mensal a ser pago pelos usuários.

Inicialmente, o objetivo era colocar carros elétricos nas ruas para serem usados pela população. Como o carro elétrico ainda não tem legislação específica para circulação nas vias de grandes cidades nem é ofertado em concessionárias no país, o Porto Digital optou por tirar o projeto do papel com veículos movidos a gasolina e a álcool. A ideia é migrar para os elétricos no segundo semestre deste ano, quando deve sair a regulamentação do uso desses veículos nos país. Serão disponibilizados três carros modelo Fiat 500 para serem compartilhados.

A cor do carro ainda não foi definida, mas ele terá a identidade visual do PortoLeve, usada nas bicicletas do projeto. Cada veículo vai transportar até quatro pessoas. "Devemos trocar pelo próprio Fiat 500 elétrico até o fim do ano", informou o diretor de Inovação e Competitividade do Porto Digital, Guilherme Calheiros. Os carros foram cedidos em comodato (empréstimo sem ônus) pela Fiat. Os recursos do projeto vêm do governo do estado e do Ministério da Ciência e Tecnologia. "O orçamento do sistema ainda está sendo fechado, por isso não sabemos o valor que será cobrado ao usuário".

"Além disso, estamos realizando estudos para definir o tempo de uso de cada carro, que deve variar entre 30 e 60 minutos", completou a gerente de projetos do Porto Digital, Cidinha Gouveia. Caso ultrapasse esse tempo, será cobrado um valor adicional para cada meia hora excedente.

Os carros poderão ser retirados e devolvidos em seis estações: em frente ao C.E.S.A.R., perto do prédio do Porto Digital, no Bairro do Recife; na Estação Central do Recife, no bairro de São José, na Rua Capitão Lima, em Santo Amaro e nos shoppings RioMar e Tacaruna. "A lógica da liberação será a mesma das bicicletas. Como é pioneiro no país, vamos testar se o sistema de carros é viável e se ele será bem assimilado pela população", pontuou Calheiros. Segundo ele, a expectativa é atrair 200 usuários na fase inicial.

Embora trabalhe diariamente com a questão da saúde humana, o que com frequência é sinônimo de lidar com o sofrimento alheio, a dor e a morte, o exercício da medicina e a formação na área raramente levam em consideração aspectos como religião e espiritualidade no contato com os pacientes. Mas para o psiquiatra Frederico Camelo Leão, independentemente das crenças pessoais do médico, ele deve estar preparado para lidar com a dimensão espiritual. "O paciente demanda isso", afirma o pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

No Instituto, Leão coordena o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), iniciativa que busca compreender a relação entre esses três fatores a partir de atividades de pesquisa, ensino e assistência terapêutica. Segundo o médico, a complexidade do ser humano e a saúde mental vão muito além das questões neuroquímicas — e é essa premissa que guia o programa.

A ideia não é que a espiritualidade e a religiosidade entrem como uma alternativa ao tratamento médico. "É uma forma complementar, dentro da visão de que a busca da saúde é mais do que apenas tomar remédios", explica. Leão conta que trabalhos científicos na área indicam que práticas como meditação, orações ou a dedicação a uma denominação religiosa podem estar associadas a melhoras na defesa imunológica e na longevidade. Ao frequentar um templo ou igreja, por exemplo, a pessoa, além de trabalhar sua espiritualidade, tem também suporte social, ou seja, frequenta um lugar onde pode compartilhar experiências e obter apoio, o que traz benefícios à saúde, podendo, inclusive, inibir ímpetos suicidas.

Mapeamento espiritual

Os pacientes em tratamento no IPq são convidados pela equipe do ProSER a responder um questionário. Trata-se da anamnese espiritual, uma forma de mapear o perfil espiritual / religioso, a partir de questões que buscam identificar os valores cultivados pelo paciente — por exemplo, se ele vê relação entre o sofrimento psíquico e a religião seguida, ou a que a pessoa recorre em momentos de dificuldade.

Essa anamnese, que em si já apresenta uma função terapêutica, pois estimula a reflexão do paciente sobre essas questões, é seguida de discussão pela equipe que vai, então, sugerir o encaminhamento a alguma das atividades promovidas pelo programa, como meditação, oficina de contos, yoga e psicoterapia transpessoal. No caso da yoga, o programa se estende também aos funcionários do Instituto.

O trabalho feito pelo ProSER não envolve práticas religiosas, mas tem a parceria do Comitê de Assistência Religiosa (CARE) do Hospital das Clínicas. O Programa faz a intermediação com esse Comitê quando o paciente deseja receber a visita de um representante religioso, como um rabino ou pastor.

Em geral, pacientes se sentem mais humanizados com abordagem do ProSER

Segundo o coordenador do ProSER, é difícil dizer se a melhora do paciente tem relação direta com a abordagem espiritual, especialmente ao se tratar do IPq, cuja assistência multiprofissional é uma das características mais marcantes. No entanto, os depoimentos dos pacientes revelam, em geral, que se sentiram mais humanizados. "Muitas das queixas de pacientes internados vêm do fato de serem tratados apenas como um leito, um diagnóstico. Quando você faz uma abordagem diferente, dando a oportunidade da pessoa falar sobre sua intimidade, suas crenças, a pessoa se sente mais acolhida", conta Frederico Leão.

Ciência e espiritualidade

Embora ainda exista resistência por parte da comunidade científica ao lidar com questões que envolvam religião e espiritualidade, Leão enxerga um grande crescimento na produção científica na área, que encontra espaço nas revistas de impacto. Um exemplo é a Revista de Psiquiatria Clínica, que publicou em 2007 uma edição especial dedicada ao assunto e mantém atualmente uma seção chamada Série Mente-Cérebro, que abrange trabalhos na área. "O programa vem sendo reconhecido, vem crescendo dentro da Universidade. Na psiquiatria, de um modo geral, há um crescimento extraordinário das publicações, não só no Brasil".

Esse avanço se deve, em parte, à decisão da Associação de Psiquiatria Americana que, em 1995, atualizou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), incluindo problemas espirituais e religiosos como uma nova categoria diagnóstica, ou seja, eles deixavam de ser classificados como transtornos mentais. A mudança deu impulso à criação no IPq do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER), embrião do ProSER, e motivou estudiosos também em outros países. "A resistência vem de quem acredita que a questão central da psiquiatria é diagnóstico e medicação. Mas a psiquiatria não se esgota aí", crê Frederico Leão.

Informações sobre triagem e atendimento no IPq podem ser obtidas pelo telefone (11) 2661-8045, diariamente, das 7 às 19 horas (inclusive sábados, domingos e feriados).

Mais informações: email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Se o Arcebispo Emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, estivesse vivo completaria nesta sexta-feira (sete de fevereiro) 105 anos de idade. Para marcar a data, os admiradores do religioso que era também conhecido pelos codinomes de "Dom da Paz" e "Dom da Partilha", estarão reunidos na Igreja das Fronteiras, no bairro do Dérbi, a partir das 19 horas numa celebração religiosa, que contará com a presença do historiador belga Eduardo Hoomaert, com a participação dos corais da Capela Dourada e Nossa Música.

A celebração também marcará os 30 anos de existência do IDHeC instituição criada pelo religioso e que, atualmente, mantém o acervo das obras produzidas por Dom Helder.

Representantes do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário também marcarão presença com o Bloco Brinque na Paz e os bonecos gigantes do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e do economista Maurício Andrade, criadores, do movimento voluntário de cidadãos.

Também confirmaram presença no ato em homenagem a Dom Helder, o cantor e compositor Tito Lívio e as cantoras Lourdinha Oliveira e Patrícia Cruz.

Após a celebração no pátio da igreja se apresentarão representantes do Bloco Lírico Flores do Capibaribe, e dos maracatus Nação Porto Rico e Várzea do Capibaribe.

Por Leda Letra, da Rádio ONU

A Assembleia Geral da ONU aprovou por consenso, na semana passada, a criação da Década Internacional dos Afrodescendentes. As celebrações começam em 1 de janeiro de 2015 e seguem até 31 de dezembro de 2024.

O tema da década será “Pessoas de Descendência Africana: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. Na resolução, a Assembleia Geral destaca que “todos os seres humanos nascem livres, com direitos e dignidades iguais.”

Racismo

O texto aprovado também ressalta que apesar de esforços já feitos, “milhões de pessoas continuam sendo vítimas do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e da intolerância”, que podem tomar formas violentas.

A Década Internacional dos Afrodescendentes vai buscar combater o preconceito, com uma série de atividades em vários países. Na Assembleia Geral, a representação do Brasil na ONU ressaltou que o país tem o maior número de afrodescendentes vivendo fora da África, que ainda enfrentam “racismo e intolerância herdada de um passado colonial.”

Em nota, o governo brasileiro manifestou “satisfação” com a aprovação da década e afirmou que participou diretamente do processo de criação da data.

*Colaborou Gustavo Barreto, do Unic Rio

Era uma vez uma jovem brasileira que, há quase uma década, decidiu cruzar os oceanos em busca de sua felicidade. Ela saiu do emprego que tinha em São Paulo e foi viver como uma simples estudante nas vielas de Barcelona. Um ano depois, decidiu ir para Alemanha, onde fez MBA em Sustentabilidade na Universidade de Lüneburg.

Camila, o marido, e os pequenos Maria, 4, e Gael, 2. / Fotos: Arquivo pessoal

Nas terras gélidas dos grandes pensadores, a jovem Camila Furtado casou-se com um alemão, teve dois filhos e, em vez de buscar a felicidade, aprendeu a encontrá-la todos os dias, na simplicidade do seu cotidiano. Agora, mais do que uma jovem em busca de aventuras, ela é a mãe de Maria (4) e Gael (2), à procura de valores melhores para passar para seus pequeninos.

“Vou jogar metade da minha casa fora e viver melhor”. Foi por meio do post com este título, publicado no blog Tudo Sobre a Minha Mãe, que o EcoD descobriu Camila. Achamos a história dela tão bacana que resolvemos criar a série “Minha Vida Sustentável”, com relatos de gente como a gente que decidiu dar um basta no modelo de vida atual e saiu em busca da sustentabilidade – e você, é claro, está mais do que convidado a contar sua história pelo e-mail redacaO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Mas, antes disso, fique por dentro do bate-papo que tivemos com Camila sobre os desafios de sua nova escolha.

EcoD - Quais são as principais diferenças entre o estilo de vida brasileiro x alemão? E a questão ambiental, é apenas preocupação governamental ou os cidadãos também ligam para a temática?

Camila Furtado - Em relação ao consumo e ao meio ambiente os alemães são em geral bem mais conscientes que os brasileiros. Não tive muita dificuldade de me adaptar a isso, pois quando eu vim para Europa era exatamente esse estilo de vida que eu estava buscando. Uma vida mais simples mesmo. Eu passei um ano sabático em Barcelona antes de morar na Alemanha. Pedi demissão do meu trabalho em São Paulo e fui viver uma vida de estudante lá. Nunca vivi com tão pouco dinheiro como em Barcelona, mas nunca fui tão feliz. A gente cozinhava com amigos, em vez de ir em restaurantes caros, voltava da balada de “night bus” ou de bicicleta em vez de pagar táxis, não me “emperiquitava” tanto para sair. E desde essa experiência em Barcelona que esse estilo de vida meio frugal da classe média europeia me fascinou. Então quando eu vim para Alemanha, eu esperava viver assim.

Mas apesar disso, eu tive alguns momentos meio chocantes, principalmente na vida familiar. Lembro que quando eu esperava minha primeira filha meu marido ganhou uma mala de roupas usadas da filha de um amigo. Na época achei um absurdo, eu queria um enxoval completo novíssimo, mas depois vi que era uma besteira, as crianças perdem roupa super-rápido, por que não usar umas coisinhas usadas e em bom estado de amigos? Hoje em dia, aceito as roupinhas usadas, e também passo as das minhas crianças para amigas com filhos menores.

Um amigo meu alemão acabou de ter um filho agora, nos encontramos para um café, e perguntei se ele queria algumas coisas dos meus filhos. Ele disse que não obrigada, porque como foi um dos últimos a ter filho, ganhou tanta coisa dos amigos, tipo coisas usadas, que não tinha comprado praticamente nada. Ah, e detalhe, ele é um executivo top. Ou seja, isso não tem nada a ver com pobreza.

Os alemães acham um absurdo o desperdício. Mesmo que eles tenham o dinheiro, porque pagar 60 euros num casaco de inverno, que seu filho vai usar uma temporada, só?

Quando eu vou para o Brasil eu fico chocada. Como as pessoas precisam ter coisas e mostrar as coisas que têm para todo o mundo. É como se você tivesse que sempre dar alguns sinais de quem você é, de acordo com o que você tem. Aqui na Alemanha, “todo mundo” pode ter um Iphone de última geração, por exemplo, então, não é isso que vai te diferenciar dos outros. É o que você tem dentro, o estilo de vida que você leva. Sinceramente, isso é libertador!

EcoD - Quando e como tomou a decisão de viver uma vida com menos coisas?

CF - Não foi uma coisa que aconteceu do dia para noite. Primeiro, veio como eu te falei acima, esse desejo de viver uma vida mais pé no chão, mais simples, do que a que eu vivia em São Paulo. Mais tempo para mim, menos escravidão com o trabalho, e tal…

Depois você começa a perceber que ter coisas não necessariamente te faz feliz. Aqui na Alemanha, as coisas são muito mais baratas que no Brasil. Uma família como a nossa, que é de uma classe média um pouco acima do padrão, pode ter praticamente tudo. Carro, aparelhos eletrônicos, mil brinquedos, mil roupas. No começo, quando eu mudei para cá, eu fui meio tomada por essa possibilidade de consumo tão fácil. Mas depois você vê que a sua casa está cheia de tranqueiras e isso não faz nenhuma diferença na sua felicidade. Claro que eu gosto muito de ter algumas coisas, e pago caro por elas se for o caso. Mas eu não preciso mais ter na quantidade que eu tinha antes.

Aqui em casa, nós temos dois carros. Meu marido trabalha em outra cidade, e a conexão com trens não é boa. E ele tem os horários meio loucos. Eu precisava de carro porque não vivemos no centro, e as crianças estudavam lá. Enfim, com pesar no coração, compramos um segundo carro. Eu morro de vergonha. Quando conto para os meus amigos, que nossa família tem dois carros, todo mundo acha superestranho. Como se nós fôssemos sem noção mesmo. Eu sempre me vejo me justificando… Ou melhor, prefiro que ninguém perceba, sabe? Dá até vergonha. E claro que num contexto assim é mais fácil mudar.

Mas voltando a decisão, acho que para mim a gota final foi quando eu virei mãe mesmo. Como eu falei no post, é superdifícil manter uma casa arrumada se você tem muita coisa. Então, 2013 está sendo para mim o ano da desintoxicação. Tô vendendo, dando, jogando fora. Se alguém vem me oferecer um brinde gratuito na rua, saio correndo!

EcoD - Quais são as principais dificuldades de se reduzir o consumo?

CF - Reduzir consumo é um exercício diário. Como mãe, você compra para a família inteira, toda hora envolve pequenas decisões. No geral estou tentando aplicar a regra de ter poucas coisas, mas coisas boas, duráveis. E também não estou mais deixando me enganarem…. Vejo aquelas coisas no supermercado ou na loja dizendo “me compre! me compre! vou mudar sua vida”, e penso “não…” e saio feliz dando de costas!

E depois é como eu escrevi no post: “Este projeto é difícil para caramba. Primeiro, vamos combinar, é muuuuuuuito chato, dá trabalho, e você tem que decidir o que fazer com as coisas. Aqui na Alemanha até doar para quem precisa dá trabalho. Jogar fora também. O lixo tem mil restrições e se você for feliz e contente jogar a cafeteira sobressalente na lixeira do prédio, pode voltar com uma bela multa…. Além disso, esse negócio de possuir coisas está muito enraizado na gente. Dá medo de se arrepender, de alguma vez na vida precisar de novo daquele conjunto de chá que foi usado numa única ocasião nos últimos 5 anos. Mas estou decidida a começar uma nova era aqui em casa. A ordem agora é liberar a energia, doar e pasmem, até fazer uma grana…”

EcoD - E a família, tem apoiado a decisão? Quais são os principais resultados até agora?

CF - Meu marido é meio apegado… O sótão é só tralha dele, praticamente. Mas aos poucos ele está vendo que é mais fácil largar. Minha meta agora é conseguir jogar fora uns brinquedos DELE, que a mãe dele trouxe para cá quando as crianças nasceram. Ele morre de dó… E a mãe então nem se fala (risos!)

Eu ainda estou no processo de desintoxicação da casa, mas posso te dizer que já sinto as coisas bem mais fáceis. TUDO. Mais fácil de arrumar, de achar o que você tá procurando, e também de se concentrar nas coisas que você quer se concentrar, sabe? Um exemplo: toalhas e roupas de cama, tenho um armário só para isso. E esse armário estava lotado, fiz uma reflexão e pensei que nem que eu estivesse hospedando um batalhão eu ia precisar de tanta toalha e roupa de cama. Doei metade. Cada vez que eu abro aquele armário, e enxergo as toalhas que eu tenho, e pego uma sem cair outras mil, sinto um alívio…

EcoD - Além da redução do consumo, você adota outras práticas mais sustentáveis?

CF - Nós fazemos o que todo mundo faz praticamente. Reciclamos o lixo, não desperdiçamos água, tentamos reutilizar as coisas, preferimos comprar produtos locais, andamos a pé e de bicicleta sempre que possível.

EcoD - Quais são os valores que você que passar para os seus filhos? Qual é o mundo que você quer que eles vivam?

CF - Eu quero que meus filhos cresçam conscientes de que a felicidade não está em ter coisas, nem em atingir um determinado status social. Claro que eu quero que eles gozem de segurança financeira, que tenham, como eu sempre tive, suas necessidades bem atendidas. Mas eu gostaria que eles fossem mais evoluídos espiritualmente do que a minha geração foi e ainda é. Que eles vejam que a felicidade está em ter amigos, ter família, se sentir em paz consigo mesmo, cultivar a bondade, ter chance de perseguir seus sonhos. Ou seja, que eles foquem mais no interior do que no exterior.

Por Priscilla Andrade, do Consumidor Consciente

Dados da pesquisa realizada em parceria pela UN Food and Agriculture Organization (FAO), Stockholm International Water Institute e a International Water Management Institute(IWMI) revelaram que quase metade de todo o cultivo mundial de alimentos é desperdiçado após a sua produção

Seja durante a produção, o transporte ou o consumo, muito alimento que poderia ser utilizado acaba no lixo. E o que não falta no mundo é gente precisando deles. Portanto faça a sua parte e não jogue fora o que ainda pode ser aproveitado. Por meio de mudanças simples de hábito é possível desperdiçar menos. Conheça dez dicas listadas pelo EcoD.

Nos dias de hoje, somos incentivados a consumir o tempo todo. Por isso, muitas vezes compramos mais do que realmente precisamos. Para evitar esse consumo abusivo, uma boa dica é fazer uma lista de compras antes de ir ao supermercado. Isso evita aqueles impulsos de levar coisas desnecessárias, que vão acabar passando da validade e indo parar no lixo.

Reaproveite as sobras do almoço

Sobrou comida do almoço? Então nada de jogar fora. Aproveite o que restou na janta e evite o desperdício. Sobras do frango podem virar uma canja, o feijão pode se transformar em uma sopa, os legumes podem servir para o recheio de panquecas e o arroz pode acabar como o risoto. Vale a criatividade e o talento na cozinha.

Compre a granel

Em vez de comprar alimentos em embalagens padronizadas, experimente comprar somente a quantidade que você precisa. Além de evitar as embalagens descartáveis, você reduz o desperdício ao levar para casa apenas o que precisa. Diversas feiras e supermercado dão a opção de compra a granel, alguns são até mais baratos que os tradicionais. É possível inclusive encontrar alimentos orgânicos vendidos em quantidade individual e com preços bem acessíveis. Outra dica é utilizar embalagens retornáveis (como aqueles sacos plásticos vedáveis) e utilizá-los sempre que for comprar determinado produto.

Compre alimentos perecíveis aos poucos

Alimentos que passam da validade em poucos dias, como frutas, laticínios e condimentos, devem ser comprados aos poucos – à medida que forem necessários. Assim você poupa que eles estraguem, evitando o desperdício de alimento e de dinheiro.

Compras de semana são ideais para esse tipo de situação. Feiras de ruas e pequenos mercadinhos podem fornecer esses alimentos de consumo rápido sem que você precise enfrentar longas filas de supermercado.

Cozinhe em quantidade e congele

Separe um dia para preparar várias refeições para todo o mês ou a semana. Depois basta guardar no freezer e reaquecer no dia de consumi-la. Essa prática ajuda a economizar ingredientes e energia.

Os processos de descongelar e esquentar são mais econômicos do que se você fosse preparar todo o alimento de novo. Cada vez que você vai para a cozinha preparar uma refeição você consome uma enorme quantidade de água, eletricidade (geladeira, microondas, liquidificadores, etc), gás e também de alimentos, já que sempre sobra um pedaço de legume ou um punhado de tempero que termina no lixo. Fazer tudo de uma vez evita esse tipo de desperdício e ainda poupa tempo para os próximos dias.

Use a data de validade como critério

Escolher os itens em um supermercado pode ser uma aventura, e como em todas as atividades que apresentam um pouco de risco, as compras também exigem atenção redobrada. É preciso sempre estar atento aos rótulos, para saber a procedência, composição e mais importante, a data de validade. Assim é possível evitar a compra de produtos que certamente não serão consumidos antes do vencimento e terão como destino o lixo.

Cuidado com a mania dos olhos maiores que o estômago

Colocar no prato somente aquilo que vai comer é outro passo importante. Os pais costumam dar esse recado aos filhos, mas o cuidado deve existir em todas as faixas etárias. Em alguns restaurantes os clientes que desperdiçam comida são obrigados a pagar multas, portanto é melhor repetir, do que jogar fora.

Reaproveite o pão dormido

O que você faz com o pão do dia anterior? Se a sua resposta é “jogo fora”, saiba que existem diversas formas de aproveitar o alimento e evitar o desperdício. O pão dormido pode ser o ingrediente principal de receitas como pudim, rabanada, lasanha, torradas, entre outras. Ele ainda pode ser fatiado ou triturado e guardado no congelador, onde ficará conservado por muito tempo. Depois é só descongelar e utilizá-lo normalmente.

Aproveite todas as partes dos alimentos

Na hora de preparar as refeições, nada de jogar cascas, sementes e bagaços fora. Todas as partes de frutas, verduras e legumes podem ser aproveitadas e são fontes de vitaminas, minerais e outros nutrientes fundamentais para nossa saúde. É fácil encontrar receitas envolvendo essas partes dos alimentos que melhoram nossa alimentação e ainda evitam o desperdício.

Só não deixe de lavar bem os alimentos, especialmente se for usar as cascas – já que essas partes geralmente concentram a maior quantidade de pesticidas. Uma solução é usar alimentos orgânicos que são plantados de forma natural, ou seja, não recebem produtos químicos durante o cultivo.

Não prepare mais comida do que o necessário

Esse mesmo cuidado tido na hora de montar o prato deve ser considerado no momento de preparar a comida. O indicado é preparar alimentar sob medida. As famílias pequenas ou pessoas que moram sozinhas devem levar esse requisito a sério na hora de entrar na cozinha.

Até o final de janeiro estarão abertas as inscrições para o Curso de Recondicionamento de Computadores ministrado pelo Movimento Pró-Criança. No módulo os alunos são capacitados a recondicionar computadores, mouses, monitores, teclados, estabilizadores, impressoras e peças em geral, que se transformam em máquinas novinhas em folha que estão sendo encaixotadas em embalagens artesanais confeccionadas também pelos jovens alunos do Movimento Pró-Criança (MPC) e enviadas gratuitamente para paróquias e outras ONGs. A formatura da primeira turma de jovens capacitados no Curso de Recondicionamento de Computadores aconteceu no início do último mês de dezembro.

Em 2014 serão formadas de quatro a seis novas turmas ao longo do ano. A primeira foi inaugurada no dia 13 de janeiro. Para se inscrever basta procurar o Movimento Pró-Criança, na Rua dos Coelhos, 317, Boa Vista, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h. São necessários uma foto 3 x 4, RG, CPF e comprovante de residência. Informações pelos telefones 3412 8989 ou 3412 8952. O curso completo, voltado para jovens a partir dos 16 anos que cursam ou já cursaram o ensino fundamental, tem duração de 84 horas/aula no total, com aulas de segunda a quinta, das 8h30 às 11h30.

 

O programa completo inclui aulas de capacitação para manutenção de hardware, administração e instalação de sistemas operacionais, eletrônica básica, configuração de redes, sustentabilidade e cidadania. Oitocentos computadores velhos já foram doados por pessoas físicas e empresas para o início dos trabalhos e eles agora estão na fila esperando pelas mãos jovens que darão nova vida útil a estas máquinas enquanto aprendem também um novo ofício.

Em todo o Brasil, seis instituições foram escolhidas para abrigar um Núcleo de Recondicionamento pelo convênio CNPQ/Marista e o Pró-Criança foi uma delas. Qualquer pessoa pode doar seus equipamentos fora de uso para o Movimento Pró-Criança, em qualquer estado. Depois de recuperar e reconstruir as novas máquinas, a equipe do MPC/Marista envia o material que sobra, sem condições de reaproveitamento, para Cingapura, que ao lado da Bélgica e Estados Unidos são os únicos lugares que têm programas eficientes para o recebimento desse refugo da era tecnológica.

Quarta, 15 Janeiro 2014 03:23

Cinco formas de cultivar a felicidade na escola

Escrito por

Tratar de um tema tão subjetivo como a felicidade não é nada fácil. Pela própria diversidade que tal sentimento representa na vida de qualquer indivíduo, discuti-lo exige, ao menos, certa dose de tolerância. No ambiente pedagógico, mesmo sem a inclusão da “felicidade” na grade curricular das escolas, o assunto vem sendo cada vez mais colocado pela sociedade por organizações sociais. No Porvir, já falamos de pesquisas como a do Instituto Akatu e de instituições de ensino como a Escola Caminho do Meio, que ao basear-se no budismo, coloca o sentimento como base de suas práticas. Além disso, com a discussão atual da importância do desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia e a solidariedade, dentro das práticas pedagógicas, o tema também vem ganhando cada vez mais destaque.

Ciente de tamanha importância, Elena Aguilar, especialista norte-americana em educação, resolveu detalhar algumas dicas “simples e práticas” que podem estimular professores a cultivarem a felicidade nas escolas. Em depoimento ao portal Edutopia, Aguilar, que tem experiência como docente em escolas da Califórnia, detalha alguns pontos sobre o assunto. Confira a compilação que o Porvir fez sobre as principais ideias da especialista: são sugestões de colocar mais música nas salas de aulas até de estimular a prática da meditação entre os membros da comunidade escolar.

1. A ordem é desacelerar

Há uma correlação direta entre os níveis de satisfação física e psicológica e o ritmo em que as pessoas vivem suas respectivas vidas. Assim, quando os indivíduos desaceleram um pouco a velocidade em que executam as atividades rotineiras, eles conseguem desenvolvê-las de forma mais cuidadosa. No universo escolar não é diferente. Dessa forma, tanto alunos como professores podem se beneficiar desse “abrandamento” para que dessa maneira ambos possam melhor lidar com suas relações interpessoais, com seus objetivos de vida e também nos processos de aprendizagem.

Na prática, os docentes, por exemplo, podem estimular esse ambiente menos acelerado do mundo contemporâneo propondo atividades que estimulem uma maior integração com e entre os alunos, além de sugerir momentos de relaxamento e descontração. Para tanto, o professor pode dedicar um tempo extra para uma conversa aberta entre os estudantes durante parte da aula ou propor um jogo lúdico para os alunos que recém ingressam às salas depois do recreio.

2. Vá lá para fora

Estar do lado de fora da sala durante a aula, mesmo que por apenas alguns minutos, pode aumentar o estado de bem-estar dos alunos. As pessoas quando respiram ar puro e entram em contato com o calor do sol, o cheiro do vento, a umidade da chuva acabam se conectando mais com o mundo natural.

Se o clima estiver agradável, por que não propor uma aula ao ar livre? Caso contrário, se o ambiente externo estiver muito frio ou quente, é possível que uma caminhada rápida e silenciosa pelo pátio da escola, por exemplo, possa estimular momentos de satisfação.

Atividades extraclasse e excursões também são válidas. Nessas situações, torna-se mais fácil conversar, aproximar-se dos alunos e aprender mais com eles durante essas saídas.

3. Aperta o play

O efeito da música pode ter o poder de fazer as pessoas (incluindo os alunos) de se sentirem mais felizes. Isso porque, o efeito do relaxamento produzido pela audição de uma canção, por exemplo, pode estimular o melhor funcionamento da pressão arterial, diminuindo assim a ansiedade e tendo repercussões até no sistema imunológico dos indivíduos. Sendo assim, deixar uma música sendo tocada enquanto os alunos chegam à sala logo no início das aulas pode ser uma alternativa para que o professor consiga criar um atmosfera acolhedora e positiva entre o grupo.

4. Sorria mais

Mesmo que você não seja uma pessoa sorridente , tente sorrir com mais frequência. “Caso encontre dificuldades em produzir um sorriso mais genuíno, tente, ao menos, fingir um sorriso mais autêntico”, sugere Aguilar. Segundo ela, até o mais “fake” dos sorrisos tem o poder de inspirar um melhor estado de espírito no ambiente em que ele é produzido.

5. Tá na hora de meditar

De acordo com Aguilar, já há uma “abundância de evidências” sobre como a meditação pode estimular sentimentos de calma e bem-estar entre os praticantes. As escolas podem buscar incorporar a meditação dentro do ambiente educacional. “A ideia é propor que tal prática possa ser incorporada na rotina de professores e estudantes. Tudo isso para estimular ainda mais a criação de um ambiente mais tranquilo propício à aprendizagem e ao bem-estar na rotina diária dos praticantes.”

Quarta, 15 Janeiro 2014 03:08

São números surpreendentes

Escrito por

Por Cesar Vanucci *

 

“Em matéria de recursos públicos, o que se desperdiça

constitui verdadeira afronta aos direitos humanos.”

(Antônio Luiz da Costa, educador)

 

Uma das teclas mais marteladas na rebelião das ruas em junho passado foi o gasto exagerado com a construção e adaptação de estádios para a Copa. E não é que os manifestantes estavam entupidos de razão? Dados e números de fontes qualificadas, recentemente trazidos ao conhecimento público, provam a procedência do clamor popular. Levantamento da consultora suíça HPMG sustenta que os gastos brasileiros com a preparação dos estádios superam os das últimas edições da Copa. A de 2006, na Alemanha, e a de 2010, na África do Sul.

 

A avaliação toma por base, nos cálculos procedidos, a quantidade de assentos disponíveis nas arenas esportivas. Estabelece, consoante com tal metodologia, um ranking em matéria de custos que mostra nosso país, numa lista de 20, com a metade dos estádios mais caros do mundo.

 

O “Mané Garrincha”, de Brasília, figura no terceiro lugar da relação, atrás de dois estádios ingleses, o Wembley e o “Emirates Stadium”, pertencente ao Arsenal. Sua construção, de acordo com o critério apontado, chegou aos R$20.770 por assento, enquanto que os valores despendidos nos dois outros estádios citados foram respectivamente de R$32.480 e R$23.370.

 

Na sétima colocação, o Maracanã custou R$15.640. A Arena da Amazônia, décima posição, custou R$13.780. O Itaquerão, em São Paulo, vai ficar em 12º lugar: R$12.820 por assento. Em 13º, a Arena Pantanal (R$11.860); em 14º, a Arena Pernambuco (R$11.540); em 15º, a Fonte Nova, Bahia, com R$10.570; em 19º, o Mineirão, com R$10.250; em 17º, o Castelão (R$8.970); e em 20º, a Arena das Dunas (R$7.690,00).

 

Um estudo paralelo concernente ao mesmo tema, este elaborado pelo Instituto Braudel em colaboração com a ong “Play the Game”, ambas também europeias, revela que cada assento nos doze estádios brasileiros que sediarão jogos do Mundial custaria R$13.500. As médias apuradas por assento nas arenas das Copas da África, Alemanha, Japão/Coreia foram, respectivamente, de R$12.100, R$7.900 e R$11.600,00.

 

Esses levantamentos todos apontam outras cifras para efeitos comparativos. O novo estádio Wembley, na Inglaterra, ficou em R$ 2 bilhões, 920 mil reais. O estádio de Brasília tem custo estimado de R$ 1 bilhão, 430 mil reais. Na nova arena da Juventus (Itália), incluída no ranking em 18º lugar (R$9.290 por assento), foram aplicados R$ 384 milhões de reais.

 

Esses dados e números suscitam algumas considerações e interrogações. Vamos lá a algumas, das mais chamativas. Por que cargas d’água, essa decisão de se construir o Itaquerão, em São Paulo? Não seria mais correto, e provavelmente, bem menos dispendioso optar-se pela modernização de um estádio já pronto? Caso, por exemplo, do Morumbi? Adiante. Em Manaus e Natal ocorreram fatos totalmente desprovidos de um mínimo de bom senso. Colocou-se abaixo, na capital amazonense, um estádio de 40 mil lugares, implantado em 1970 dentro de concepção arquitetônica bastante elogiada na época, para erguer-se uma outra arena. Algo similar ocorreu no Rio Grande do Norte. Uma arena nunca utilizada na plenitude de sua capacidade foi jogada no chão, para ser substituída por um estádio com o dobro de assentos. Como explicar isso?

 

O tema clama por outras observações. Os custos do Maracanã e do Mineirão são – pra dizer o mínimo – surpreendentes. Afinal de contas, ambas as arenas, de feição arquitetônica moderna, majestosas, em condições de acolher multidões, já tidas antes de envergarem suas novas e vistosas roupagens como marcos referenciais entre os estádios do mundo, passaram por um processo de adaptação danado de dispendioso, envolvendo cifrões superiores aos de outras arenas nascidas do nada. Precisava ser mesmo assim? O Comitê Organizador da Copa está na obrigação de prestar à opinião pública os esclarecimentos necessários acerca dessas elevadas aplicações nas obras de reforma desses estádios. Aliás, falar verdade, os esclarecimentos por todos aguardados terão que abranger o conjunto inteiro das ações levadas avante com o aplaudido objetivo de fazer da Copa de 2014 um evento histórico.

 

A circunstância de parte dos recursos investidos derivarem de fontes privadas não desobriga, de maneira alguma, os órgãos governamentais do dever de oferecerem à apreciação da sociedade uma prestação de contas de transparência solar. Até porque não se pode deixar de lado a marcante a participação do BNDES e de outros Bancos oficiais nos investimentos.

 

De outro lado, os dirigentes do Comitê Organizador do torneio necessitam, também, se conscientizarem de um indeclinável dever. A abertura, com urgência, dos debates a respeito do que poderá ser feito, tão logo concluídos os jogos, no sentido de impedir que alguns estádios se transformem em “elefantes brancos”. Ou seja, em afrontosos monumentos ao desperdício.

 

* O jornalista Cesar Vanucci (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) escreve para o Blog Viva Pernambuco semanalmente.

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