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| Anseios ardentes |
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Por Cesar Vanucci * “Sem essa de ditadura melhor Os anseios ardentes dos autênticos democratas no mundo inteiro são no sentido de que a misericórdia de Alá poupe o povo egípcio da praga de uma nova ditadura. As ameaças de que algo tão insano possa vir a ocorrer não devem ser descartadas assim sem mais nem menos. O clamor libertário que invadiu as ruas e continua a sacudir as estruturas feudais do mundo árabe corre algum risco de se ver, de repente, sufocado pela voragem de acontecimentos situados à deriva da vontade majoritária das populações inconformadas. A sociedade egípcia sempre viveu sob a guante do despotismo. O regime que se sucedeu à monarquia caquética do rei Farouk assumiu, de princípio, posições nacionalistas que insuflaram o orgulho árabe. Mas não abriu mão, em instante algum, de conservar sob severo controle todo tipo de manifestação da sociedade, reprimindo com virulência protestos e discordâncias. O autoritarismo de Nasser foi absorvido como legado valioso por Sadat e, depois, transferido a Mubarak. A Junta que hoje detém o comando do país representa o poderoso braço militar que garantiu, ao longo (e bota longo nisso) de todo esse tempo, a sustentação do sistema repudiado nessa avalancha de insatisfação popular. Muitos analistas alimentam, à vista disso, temores de que as promessas de mudanças não se concretizem de imediato, como desejado. O anúncio de algumas reformas sem se avançar na essência dos problemas poderia ser feito com o maroto propósito de não se fazer reforma fundamental alguma. O que acabaria subsistindo, nessa hipotética amarga alternativa, seria apenas uma mera troca de guarda, com os detentores do poder esmerando-se em arranjar denominação diversa, nos atos praticados, para procedimentos detestáveis herdados dos antecessores. Outra ameaça potencial que os democratas temem, na heróica luta movimentada com fervor e pureza de intenções por parcelas majoritárias da sociedade egípcia, consiste no apetite voraz pela conquista do poder que embala grupos fundamentalistas radicais islâmicos. Esses grupos integram a frente popular que clama nas praças públicas pelas reformas. A visão retrograda que os membros desses segmentos fanatizados têm das coisas do mundo acena fatalmente com o advento de uma era trevosa, caso se viabilizasse a hipótese, altamente indesejável, de conseguirem galgar, por alguma distorção do processo em marcha, o comando político do país. As avaliações que se tem do perturbador contexto político egípcio se encaixam também na realidade política vivida pelos demais países do convulsionado mundo árabe. A expectativa dos amantes da paz e dos adeptos da causa democrática é de que o movimento mudancista, de características genuinamente populares, que tomou as ruas árabes saiba impor suas regras e emergir amplamente vitorioso dos debates ora travados a respeito dos rumos a serem trilhados. E que deixe claramente explicitada sua vigorosa postura, antagônica a qualquer manifestação de tendência totalitária que pinte no pedaço. Das grandes potências o que se aguarda é que se abstenham do frenético afã de garantir alianças de duvidosa eficácia em suas estratégias geopolíticas. Que quebrem a regra de estimular ações que se interponham ao andamento normal do processo de formação das estruturas democráticas almejadas pela maioria. Uma lição que precisa ser aprendida vez por todas: firmar acordos com governos legitimamente constituídos é o melhor meio de se preservar a paz e de se trabalhar pelo bem estar humano. * Cesar Vanucci é jornalista ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) e escreve semanalmente para o Blog. Comentários (0) |