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“Um radical é uma pessoa com os dois pés firmemente plantados no ar.” (Franklin Delano Roosevelt) Os fundamentalistas políticos e religiosos continuam mantendo febricitante e ameaçadora atuação. Em tudo quanto é canto. Na retórica e na ação. Nos Estados Unidos, apelando para agressão verbal desmesurada, jogo lobista feroz e até mesmo para violência física, os partidários do chamado “Tea Party”, ala ultra-conservadora do já exageradamente conservador Partido Republicano, vem acuando de tal modo o governo Obama que ele se vê forçado, volta e meia, a recuos que seus entusiastas partidários dos primeiros momentos consideram aviltantes e inaceitáveis. Leio na “Carta Capital” uma história bem emblemática e reveladora a esse propósito. Na véspera da comemoração dos 50 anos do presidente norte-americano, o apresentador do bastião liberal “Real Time”, traduzindo o inconformismo que se alastra pelas fileiras dos eleitores, conclamou Barack Obama, em termos candentes, a uma retomada de consciência, fazendo uso das seguintes palavras: “Desejaria que o senhor parasse de querer agradar aos conservadores. Não vai funcionar jamais. Para eles, o senhor tem a idade errada, está no partido errado, tem a cor da pele errada. Ainda que os salvasse, pessoalmente, de morrerem afogados, 40% dos norte-americanos não votariam no senhor. Não se preocupe em passar uma imagem de negro radical, que afastaria eleitores moderados. Meu caro, pior do que está, impossível. Não seria uma vergonha que quatro anos de seu governo terminem em janeiro sem que o senhor tenha experimentado sequer uma única política econômica elaborada pelos democratas? O senhor agora é um cinquentão, faça isso pelo senhor e por nós. E um feliz aniversário!” A chacina norueguesa suscitou, em diferentes lugares da Europa, estarrecedoras e revoltantes manifestações de grupos assumidamente vinculados a tresloucada doutrina nazista e a confissões extremadas que se intitulam equivocadamente cristãs. Na França e na Espanha, o uso público de véu ou qualquer outro apetrecho que identifique a condição islâmica da portadora é severamente combatido. No Paquistão de arsenal atômico, inconfiável aliado dos Estados Unidos na região mais conturbada do planeta, grupos extremistas religiosos patrocinam em campus universitários campanhas de louvor à memória do terrorista Bin Ladem, estimulando os estudantes a comporem poesias e ensaios sobre o referido personagem. Promovem, ao mesmo tempo, com agressões e coações, trabalhos em prol da “preservação da pureza religiosa”, impedindo, por exemplo, que estudantes de sexo oposto mantenham contatos, dentro ou fora do educandário, para simples bate-papo. Chegam a recorrer até mesmo a invasões de dormitórios de colegas que se atrevam a desrespeitar as normas de convivência estipuladas. Na Arábia Saudita, país recordista mundial em atentados a direitos primários do ser humano, a repressão à liberdade feminina se estende, agora, às poucas mulheres que, desrespeitando rançosos éditos religiosos, ousam dirigir veículos. Mesmo no Brasil, país de decantada tolerância multirracial e de proverbial respeito às diversidades de comportamento, numerosos e deploráveis incidentes de caráter homofóbico e racista vêm ocorrendo, alvejando cidadãos indefesos. O caso registrado numa cidade do interior paulista, onde pai e filho foram agredidos pela circunstância de se abraçarem publicamente, retrata com precisão uma repulsiva prática discriminatória, ostensivamente ou subliminarmente pregadas nas arengas fundamentalistas. Voltando aos Estados Unidos. Não se pode esquecer do ardor incendiário inquisitorial que levou fanáticos religiosos, ainda recentemente, a botarem fogo em exemplares do Alcorão. E a tentarem impedir a construção em Nova Iorque, a cidade mais cosmopolita do mundo, de uma mesquita. É o caso também de buscar na memória um outro registro alarmante de fanatismo que atordoou a opinião pública mundial: a tresloucada ordem expedida por líderes religiosos no sentido do extermínio do poeta e escritor inglês Salman Rushdie, acusado de blasfêmia contra símbolos e personagens do Islã. Os radicais fundamentalistas, das mais diferentes tendências e dos mais variados matizes, precisam ser contidos em sua continua movimentação contra a celebração da vida. * Jornalista ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) Artigos Relacionados: Comentários (0) |