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Cerca de 40% da juventude rural é analfabeta PDF Imprimir E-mail
Publicado por Carol Bradley   Qui, 29 de Julho de 2010 12:40

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Do site EcoDesenvolvimento

Cerca de 40% das pessoas entre 16 e 32 anos que moram e trabalham no campo são analfabetas, informou a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Segundo a secretária de Jovens Trabalhadores Rurais da Contag, Maria Elenice Anastácio, o analfabetismo atinge 3 milhões dos quase 8 milhões de trabalhadores rurais do país nesta faixa etária.

Se forem considerados os habitantes de pequenas cidades que sobrevivem da economia rural, os números podem ser ainda mais preocupantes, afirmou a secretária. Para Maria Elenice, as condições atuais do ensino obrigam o jovem a escolher entre o estudo e o trabalho.

“O trabalhador rural tem que buscar a cidade para ter acesso à saúde, à informação e à escola. Mas como vão pegar um transporte precário para estudar na cidade se estão cansados do trabalho exaustivo?", questionou.

Faltam investimentos e infraestrutura

Para a coordenadora do curso de Licenciatura em Educação no Campo da Universidade de Brasília, Mônica Molina, a pouca oferta de escolas no campo é a principal responsável pelas altas taxas de analfabetismo.

“O interesse em estudar existe. Hoje, o trabalhador dá mais importância ao estudo do que em gerações anteriores, mas quando o aluno chega à 5ª série, dificilmente encontra turmas no meio rural. Então ele precisa ir estudar na cidade mais próxima e acaba desistindo", afirmou Mônica.

Em uma pesquisa feita em assentamentos de reforma agrária, Molina constatou que aproximadamente 70% das escolas rurais são de 1ª a 4 série, enquanto 25% atendem os alunos de 5ª a 8ª e apenas 4% têm turma de ensino médio. Como consequência, poucos alunos vão além dos primeiros anos de escolaridade.

Para Mônica, as faltas, repetição de séries, professores despreparados e recursos didáticos escassos contribuem ainda mais com o analfabetismo funcional. “Sem acesso à escolarização correta na idade apropriada, o jovem acaba perdendo a condição de ler e interpretar após alguns anos”, afirmou.

Como solução, ambas especialistas defendem a ampliação do número de escolas no campo. “De 2005 a 2007 foram fechadas 8 mil escolas rurais e agora temos que garantir as que já existem”, disse Molina.

 

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